O Morgado de Fafe em Lisboa

Camilo Castelo Branco · Capítulo 29 de 53

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O Morgado de Fafe em Lisboa

Cena Iv

O BARÃO E O MORGADO

 

MORGADO

Tenho pena dela, coitada! Em quanto a mim, a rapariga tem paixão de alma pelo tal troca-tintas! Deu-lhe para ali a pancada...

 

BARÃO

É uma cegueira; mas espero que hoje se lhe abram os olhos.

 

MORGADO

Isso não é mau; e se não é segredo, diga lá como há de ser isso de lhe abrir os olhos.

BARÃO

Conto com a sua discrição, morgado, e não duvido dizer-lhe o que há, porque já sei quanto V. S.A. fez em obséquio ao meu nome, embaraçando que o desafio tivesse algum resultado funesto.

 

MORGADO

Ah! Então o senhor já sabia, e estava a faze-lo tolo...

 

BARÃO

Sabia; mas queria que a minha filha se envergonhasse de ser a heroína da história.

 

MORGADO (Espantado)

De ser quê?! Faz favor de dizer outra vez essa palavra.

 

BARÃO

A heroína da história que o morgado ia contar.