O Morgado de Fafe em Lisboa

Camilo Castelo Branco · Capítulo 45 de 53

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O Morgado de Fafe em Lisboa

Cena Xi

 

OS MESMOS, A BARONESA, JOÃO LEITE, E O MORGADO

 

BARÃO

Seja bem aparecido, Sr. João Leite ! (A baronesa limpa as lágrimas, João Leite cumprimenta de um triste relance de olhos). Que tristonho rosto é esse?

 

MORGADO (contemplando J. Leite).

Está na espinha!

 

LEITE

Venho cumprir três missões, e cumpro-as de luto. A primeira agradecer a hospitaleira intimidade com que fui acolhido por Vossa Exa. e a sua estimável família. Segunda, pedir com lagrimas nos olhos, que me seja perdoada a parte que me toca no desgosto que esta família recebeu. Finalmente, retirando-me para a minha província, venho pedir a Vossa Exa. que me honrem com a sua estima, e assim me convençam de que não fica sendo nesta casa lembrança de um amigo ausente, uma lembrança que desperta um desgosto.

 

BARONESA

Pelo contrário, Sr. João Leite, o seu nome fica impresso nas nossas almas; e eu sinto que os meus rogos não consigam mudar o propósito da partida.

 

BARÃO

Que motivos, porém, o levam tão triste de Lisboa? Um homem tem obrigação natural e moral de ser superior aos infortúnios, e muito mais aqueles que o não são, vistos três meses depois. Seja forte, Sr. Leite. Vença as contrariedades, não lhes fugindo. Olhe que à desgraça foge muitas vezes à intrepidez de quem avança para ela.