O Morgado de Fafe em Lisboa
Cena Iii
OS MESMOS E ANTÓNIO SOARES
(António Soares com os bigodes aguçados pela cera, e a luneta pênsil, faz rir descompostamente o morgado.)
MORGADO (A Soares que o olha carrancudo)
O senhor há de perdoar, mas não sei o que me parecia.
SOARES
O que pareço eu ao senhor?
MORGADO (Rindo.)
Que ratão!
SOARES (Aos circunstantes.)
Este homem é parvo?
BARÃO (À parte.)
Parece-o.
LEITE
Senhor morgado!...
SOARES
De que ri o senhor?! Acabemos com isto!
MORGADO
É desse arranjo em que o senhor traz a fisionomia da sua pessoa. V. S.A., se fizer assim, (Sacode a cabeça). Deus nos livre, ficava a gente com os bigodes. Santo nome! Isso parecia coisa de aleijão. E as cangalhas aqui assim!... (Mencionando o próprio nariz). Que ratão.