O Príncipe da Névoa
Capítulo 10
"Meu segundo encontro com o Príncipe da Névoa foi durante uma noite em que meu pai, que tinha sido promovido a técnico chefe de uma seção têxtil, levou-nos a todos a uma grande feira de atrações construída sobre uma plataforma de madeira que entrava no mar como um palácio de cristal suspenso no céu. Ao anoitecer, o espetáculo das luzes multicoloridos das atrações sobre o mar era impressionante. Eu nunca tinha visto nada tão formoso. Meu pai estava eufórico: tinha resgatado sua família do que parecia ser um futuro miserável no norte e agora era um homem de posição, considerado e com suficiente dinheiro nas mãos para que seus filhos desfrutassem das mesmas diversões que qualquer menino da capital. Jantamos logo e meu pai deu-nos umas moedas para que as gastássemos no que mais gostássemos, enquanto ele e minha mãe passeavam de braço dados com os aldeãos trajados e os turistas de prestígio.
Fascinava-me uma enorme roda que girava sem cessar em um dos extremos da plataforma e cujos reflexos se podiam ver desde várias milhas em toda a costa. Corri para a parte de trás da roda e, enquanto esperava, reparei em um dos barracos que havia a poucos metros. Entre tômbolas e barracos de tiro, uma intensa luz púrpura iluminava o misterioso barraco de um tal Dr.Caín, adivinho, mago e vidente, conforme escrito em um pôster onde um desenhista de terceira categoria tinha desenhado o rosto de Caín olhando ameaçadoramente para os curiosos que se aproximavam da nova guarida do Príncipe da Névoa. O pôster e as sombras que o lampião púrpura projetava sobre o barraco lhe conferiam um aspecto macabro e lúgubre. Uma cortina com a estrela de seis pontas margeada de negro velava a passagem para o interior.
Enfeitiçado por aquela visão, afastei-me do fundo da roda e me aproximei até a entrada do barraco. Estava tentando ver o interior através da estreita fresta quando a cortina se abriu de repente e uma mulher vestida de negro, pele branca como o leite e olhos escuros e penetrantes fez um gesto para me convidar a passar. No interior pude distinguir, sentado atrás de uma escrivaninha à luz de um candeeiro, aquele homem que tinha conhecido muito longe dali com o nome de Caín. Um grande gato escuro de olhos dourados se lambia a seus pés.
Sem pensar duas vezes, entrei e me dirigi até a mesa onde me esperava o Príncipe da Névoa, sorridente. Ainda recordo sua voz, grave e pausada, pronunciando meu nome sobre um murmúrio de fundo da hipnótica música de realejo de um carrossel que parecia estar muito, muito longe de ali..."
— Victor, meu bom amigo. ― sussurrou Caín. — Se não fosse um adivinho, diria que o destino deseja unir nossos caminhos de novo.
— Quem é você? ― conseguiu articular o jovem Victor, enquanto observava pela extremidade do olho aquela mulher fantasmagórica que tinha se retirado das sombras da sala.
— O Dr.Caín. O pôster assim o diz. ― respondeu Caín. — Passando um bom momento com a família?
Victor tragou a saliva e assentiu.
— Isso é bom. ― continuou o mago. — A diversão é como o láudano; leva-nos a miséria e a dor, embora só fugazmente.
— Não sei o que é o láudano. ― replicou Victor.
— Uma droga, filho. ― respondeu Caín cansativamente, desviando a vista para um relógio que repousava em uma prateleira a sua direita.
Ao Victor pareceu que as agulhas corriam em sentido inverso.
— O tempo não existe, por isso não terá que perdê-lo. Já pensou qual é seu desejo?
— Não tenho nenhum desejo. ― respondeu a Victor.
Caín pôs-se a rir.
— Vamos, vamos. Todos temos não um desejo, mas centenas. E há poucas ocasiões em que a vida nos brinda para torná-los realidade ― Caín olhou para a enigmática mulher com uma careta de compaixão. — Não é verdade, querida?
A mulher, como se tratasse de um simples objeto inanimado, não respondeu.
— Mas há pessoas com sorte, Victor, ― disse Caín, inclinando-se sobre a mesa ― como você. Porque você pode tornar realidade os seus sonhos, Victor. Já sabe como.
— Como fez com Angus? ― respondeu Victor, que naquele momento reparou em um fato estranho que não podia afastar de seu pensamento: Caín não pestanejava, nem uma só vez.
— Um acidente, meu amigo. Um desgraçado acidente. ― disse Caín adotando um tom penalizado e consternado. — É um engano acreditar que os sonhos se tornam realidade sem oferecer nada em troca. Não te parece, Victor? Digamos que não seria justo. Angus quis esquecer certas obrigações e isso não é possível. Mas o passado, passado está. Falemos do futuro, de seu futuro.
— É isso o que você fez? ― perguntou Victor. ― Tornar realidade um desejo? Converter-se no que é agora? O que teve que dar em troca?
Caín perdeu seu sorriso de réptil e cravou seus olhos em Victor Kray. O moço temeu por um instante que aquele homem se equilibrasse sobre ele, disposto a despedaçá-lo. Finalmente, Caín sorriu de novo e suspirou.
— Um jovem inteligente. Eu gosto disso, Victor. Entretanto, tem muito para aprender. Quando estiver preparado, vê-me por aqui. Já sabe como me encontrar. Espero vê-lo logo.
— Duvido ― respondeu Victor enquanto se levantava e caminhava de volta à saída.
A mulher, como uma marionete a quem subitamente lhe tivessem esticado uma corda, começou a caminhar de novo, com a intenção de acompanhá-lo. A uns passos da saída, a voz do Caín soou de novo em suas costas.
— Uma coisa mais, Victor. Com respeito aos desejos. Pense. A oferta está de pé. Talvez a você não lhe interesse, mas talvez algum membro de sua flamejante família feliz tenha algum sonho inconfessável escondido. Esses são minha especialidade...
Victor não se deteve a responder e saiu de novo para o ar fresco da noite. Respirou profundamente e se dirigiu a passo rápido à procura de sua família. Enquanto se afastava, a risada de Dr. Caín se perdeu em suas costas como o canto de uma hiena, mascarada na música do carrossel.
Max tinha escutado enfeitiçado o relato do ancião até aquele ponto sem atrever-se a formular uma só das milhares de perguntas que buliam em sua mente. Victor Kray parecia ter lido seu pensamento e o assinalou com um dedo acusador.
— Paciência, jovem. Todas as peças irão se encaixando a seu tempo. Proibido interromper. De acordo?
Embora a advertência fosse dirigida a Max, os três amigos assentiram em uníssono.
— Bem, bem... - murmurou para si o faroleiro.
"Aquela mesma noite decidi me afastar para sempre daquele indivíduo e tratar de apagar de minha mente qualquer pensamento referido a ele. E não era fácil. Fosse quem fosse, o Dr. Caín tinha a estranha habilidade de cravar-se a nós como uma dessas lascas que, quanto mais tentamos tirar, mais fundo se introduzem na pele. Não podia falar daquilo com ninguém, a menos que quisesse que me tomassem por um lunático, e não podia ir à polícia, porque não saberia nem por onde começar. Como é prudente fazer nestes casos, deixei passar o tempo.
Ia bem em nosso novo lar e tive a ocasião de conhecer um indivíduo que me ajudou muito. Tratava-se de um reverendo que lecionava as matérias de Matemática e Física na escola. A primeira vista parecia andar sempre pelas nuvens, mas era um homem de uma inteligência que só podia se comparar à da bondade, que se esforçava em ocultar depois de uma muito convincente personificação de científico louco do povoado. Ele me incentivou a estudar a fundo e a descobrir a matemática. Não é estranho que, depois de uns anos a seu cargo, minha vocação pelas ciências se tornasse cada vez mais clara. Em princípio quis seguir seus passos e me dedicar ao ensino, mas o reverendo me cravou uma reprimenda imensa e me disse que o que tinha que fazer era ir para a universidade, estudar Física e me converter no melhor engenheiro que tivesse pisado o país. Ou isso, ou me retirava a palavra no ato.
Foi ele quem me conseguiu a vaga para a universidade e quem realmente encaminhou minha vida para o que eu viria a ser. Morreu uma semana antes de minha graduação. Já não me envergonha dizer que senti tanto ou mais o seu desaparecimento que o de meu próprio pai. Na universidade tive ocasião de contatar com alguém que me levaria de novo a encontrar Dr. Caín: um jovem estudante de medicina pertencente a uma família escandalosamente rica (ou assim parecia) chamado Richard Fleischmann. Efetivamente, o futuro Doutor Fleischmann que, anos mais tarde, viria a construir a casa da praia.
Richard Fleischmann era um jovem arrojado e muito dado a exageros. Estava acostumado que durante toda sua vida as coisas acontecessem tal e qual como ele as desejava e quando, por qualquer motivo, algo contradizia suas expectativas, ia às nuvens com o mundo. Uma ironia do destino quis que ficássemos amigos: apaixonamo-nos pela mesma mulher, Eva Gray, a filha do mais insuportável e tirano catedrático de Química do campus.
Ao princípio, saíamos os três juntos e fazíamos excursões aos domingos, quando o ogro de Theodore Gray não o impedia. Mas este arranjo não durou muito. O mais curioso é que Fleischmann e eu, longe de nos converter em rivais, fizemo-nos companheiros inseparáveis. Cada noite que devolvíamos Eva à caverna do ogro, fazíamos o caminho de volta juntos, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, um dos dois ficaria fora do jogo.
Até que esse dia chegou, passamos os dois melhores anos que recordo de minha vida. Mas tudo tem um fim. O fim de nosso trio inseparável chegou na noite da graduação. Embora tivesse conseguido todos os louros imagináveis, minha alma se arrastava pelo chão por causa da perda de meu velho tutor e, Eva e Richard decidiram que, embora eu não bebesse, aquela noite deveria me embebedar e afugentar a melancolia de meu espírito por todos os meios. Nem sei o que dizer sobre o ogro Theodore que, apesar de estar surdo que nem uma porta, parecia escutar através das paredes, descobriu o plano e a festa acabou com o Fleischmann e eu sozinhos, bêbados que nem uma pipa, em um pestilento botequim e nos entregamos a elogiar o objeto de nosso amor impossível, Eva Gray.
Aquela mesma noite, aos tombos de volta ao campus, uma feira ambulante pareceu emergir da névoa junto à estação do trem. Fleischmann e eu, convencidos de que uma volta no carrossel seria a cura infalível para nosso estado, entramos na feira e acabamos na porta da barraca de Dr. Caín, adivinho, mago e vidente, como seguia escrito o sinistro pôster. Fleischmann teve uma ideia genial. Entraríamos e pediríamos ao adivinho que nos revelasse o enigma: a qual dos dois escolheria Eva? Apesar do meu atordoamento, tinha os sentidos suficientemente despertos para não entrar, mas não a força suficiente para deter meu amigo, que entrou decidido na barraca.
Suponho que perdi os sentidos porque não recordo muito bem as horas seguintes. Quando recuperei o conhecimento, com a agonia de uma atroz dor de cabeça, Fleischmann e eu estávamos estendidos sobre um velho banco de madeira. Estava amanhecendo e os carros e material da feira tinham desaparecido, como se todo aquele universo de luzes, ruído e multidão da noite anterior tivesse sido uma simples ilusão de nossas mentes ébrias pelo álcool. Levantamo-nos e contemplamos o piso deserto ao nosso redor. Perguntei a meu amigo se recordava algo da madrugada anterior. Fazendo um esforço, Fleischmann me disse que tinha sonhado que entrava na barraca de um adivinho e, à pergunta de qual era seu maior desejo, tinha respondido que desejava obter o amor de Eva Gray. Logo riu, brincando sobre a ressaca monumental que nos castigava, convencido de que nada daquilo tinha acontecido.
Dois meses depois, Eva Gray e Richard Fleischmann se casaram. Nem sequer me convidaram para o casamento. Não voltara a vê-los em 25 longos anos".
"Um dia chuvoso de inverno, um homem envolto em uma gabardina me seguiu desde o escritório até minha casa. Da janela da sala de jantar, pude ver que o estranho ficou em baixo, me vigiando. Duvidei uns segundos e desci à rua, disposto a desmascarar o misterioso espião. Era Richard Fleischmann, tiritando de frio e com o rosto estragado pelos anos. Seus olhos eram os de um homem que tinha vivido açoitado em toda sua vida. Perguntei-me quantos meses fazia que meu antigo amigo não dormia. Convidei-o a entrar em casa e lhe ofereci um café quente. Sem atrever-se a olhar-me na cara, perguntou-me por aquela noite, enterrada anos atrás, do barraco do Dr. Caín.
Sem ânimo para cortesias, perguntei-lhe o que era que Caín lhe tinha pedido em troca de tornar realidade o seu desejo. Fleischmann, com o rosto embargado pelo medo e vergonha, ajoelhou-se frente a mim, suplicando minha ajuda entre lágrimas. Não fiz caso de seus lamentos e lhe exigi que me respondesse. O que tinha prometido ao Dr. Caín como pagamento de seus serviços?
"Meu primeiro filho", respondeu-me. "Prometi-lhe meu primeiro filho"...
"Fleischmann me confessou que durante anos tinha estado administrando a sua esposa, sem esta sabê-lo, uma droga que a impedia de conceber um filho. Entretanto, ao fim de alguns anos, Eva Fleischmann caiu em profunda depressão e a ausência da tão desejada descendência tinha convertido o matrimônio dos Fleischmann em um inferno. Fleischmann temia que, se Eva não concebesse um filho, logo enlouqueceria ou cairia numa tristeza tão profunda que sua vida se apagaria lentamente como uma vela sem ar. Disse-me que não tinha a quem recorrer e suplicou meu perdão e minha ajuda. Finalmente, disse-lhe que o ajudaria, não por ele, mas sim pelo vínculo que ainda me unia a Eva Gray e em memória da nossa velha amizade.
Aquela mesma noite expulsei Fleischmann de minha casa, mas com uma intenção muito diferente daquela que esse homem, que eu um dia tinha considerado meu amigo, pensava. Segui-o sob a chuva e cruzei a cidade atrás de seus passos. Perguntei a mim mesmo por que estava fazendo aquilo. Só a ideia de que Eva Gray, que me tinha me recusado quando ambos éramos jovens, teria que entregar seu filho para aquele miserável bruxo, me revolvia as vísceras e era suficiente para eu enfrentar de novo Dr. Caín, embora minha juventude já se evaporasse e cada vez era mais consciente de que talvez saísse em mau estado do jogo.
As aventuras de Fleischmann me levaram até ao novo covil de meu velho conhecido, o Príncipe da Névoa. Um circo ambulante era agora seu lar e, para minha surpresa, o Dr. Caín tinha renunciado a seu grau de adivinho e vidente para assumir agora uma nova personalidade, mais modesta, mas mais de acordo com seu senso de humor. Agora era um palhaço que atuava com o rosto pintado de branco e vermelho, embora seus olhos de cor mutável denunciavam a sua identidade mesmo com dezenas de camadas de maquiagem. O circo de Caín mantinha a estrela de seis pontas no alto de uma haste e o mago se rodeou agora de uma sinistra corte de comparsas que, sob a aparência de feirantes itinerantes, pareciam esconder algo mais escuro. Espiei durante duas semanas o circo de Caín e logo descobri que o toldo surrado e amarelado mascarava um perigoso bando de enganadores, criminosos e ladrões que praticavam o furto a quem ali passava. Averiguei também que a pouca elegância do Dr. Caín na hora de escolher seus escravos tinha levado a que deixasse atrás de si uma estridente pista de crimes, desaparecimentos e roubos que não escapava à polícia local, que farejava de perto o fedor da corrupção que se desprendia daquele fantasmagórico circo.
É obvio, Caín tinha consciência da situação e por isso tinha decidido que ele e seus amigos deveriam desaparecer do país sem perder tempo, mas de um modo discreto e, preferivelmente, à margem dos incômodos trâmites policiais. Deste modo, aproveitando uma dívida de jogo que oportunamente lhe foi servida em bandeja pela estupidez do capitão holandês, o Dr. Caín conseguiu embarcar no Orpheus naquela noite. E eu, com ele.
O que aconteceu naquela noite da tormenta é algo que nem eu mesmo posso explicar. Um terrível temporal arrastou o Orpheus de volta para a costa e o lançou contra as rochas, abrindo uma brecha para a entrada de água no casco que afundou o navio em questão de segundos. Eu estava oculto num dos botes salva-vidas que saiu disparado quando o casco do navio encalhou na rocha e foi arrastado pela corrente até a praia. Só assim pude me salvar. Caín e seus comparsas viajavam na sentinela, ocultos sob caixas por temerem um possível controle militar no canal no meio da travessia. Provavelmente, quando a água gelada alagou as vísceras do casco, nem sequer entenderam o que estava acontecendo"...
― Ainda assim. ― interrompeu finalmente Max, não encontraram os corpos.
Victor Kray negou.
— Frequentemente, em temporais desta natureza o mar leva consigo os corpos. ― apontou o faroleiro.
— Mas os devolve, embora dias mais tarde. ― replicou Max. — É o que tenho lido.
— Não acredite em tudo o que lê, ― disse o ancião ― embora neste caso seja certo.
— O que pôde ter acontecido então? ― perguntou Alicia.
— Durante anos tive uma teoria que nem eu mesmo acreditava. Agora tudo parece confirmá-la...
"Fui o único sobrevivente do naufrágio do Orpheus. Entretanto, ao recuperar a consciência no hospital, compreendi que algo estranho tinha acontecido. Decidi construir este farol e viver neste lugar, mas essa parte da história já conhecem. Sabia que aquela noite não significava o desaparecimento do Dr. Caín, mas apenas um parênteses. Por isso permaneci aqui todos estes anos. Com o tempo, quando os pais de Roland morreram, eu me encarreguei dele e ele, em troca, foi a minha única companhia em meu exílio.
Mas isso não é tudo. Com os anos cometi outro engano fatal. Pus-me em contato com Eva Gray. Queria saber se tudo aquilo pelo qual havia passado fazia algum sentido. Fleischmann se adiantou a mim e, ao conhecer meu paradeiro, veio visitar. Expliquei-lhe o acontecido e aquilo pareceu libertá-lo de todos os fantasmas que o tinham atormentado durante anos. Decidiu construir a casa da praia e pouco depois nasceu o pequeno Jacob. Foram os melhores anos na vida de Eva. Até a morte do menino.
O dia que Jacob Fleischmann se afogou, soube que o Príncipe da Névoa não havia partido jamais. Tinha permanecido na sombra, esperando, sem pressa, que alguma força o trouxesse de novo ao mundo dos vivos. E nada tem tanta força como uma promessa..."