Pelos suburbios e visinhanças de Lisboa

Gabriel Pereira · Capítulo 26 de 48

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Pelos suburbios e visinhanças de Lisboa

Os pintores da Luz

A fonte é bem curiosa. A entrada deita para um quintal contiguo. Descemos a escada e na parede vemos alguns azulejos antigos, mouriscos, de fino esmalte e relevos. Um portico em estylo manuelino dá para o espaço onde nasce a agua; uma abobada forrada de azulejos brancos com estrellas azues; outros revestem os rodapés e paredes, em pequenos quadros formados de quatro azulejos, de diversos typos, alguns raros. O portico tem columnas torcidas e no intercolumnio uma facha com romans.

 

Os pintores da Luz

 

Filippe I (II de Hespanha) n’uma carta de 14 de março de 1583 chama a Francisco Venegas, meu pintor.

(Sousa Viterbo, Noticia de alguns pintores, Lisboa, 1903,

pag. 153).

D. Sebastião, em alvará de 6 de maio de 1577, diz: Diogo Teixeira hum dos melhores pintores de imaginarya dolio que ha nestes reynos.

(Ibidem, pag. 142).

Na collecção de desenhos expostos no Museu das Janellas Verdes, os n.ᵒˢ 307 e 308 parecem-me representar as duas figuras que estão em baixo relevo no altar-mór da Luz.

O desenho n.ᵒ 346 (Museu das Janellas Verdes) é de Venegas; uma rubrica indica que é o projecto de um quadro para S. Vicente de Fóra, e que se executou uma réplica, menor, para S. Domingos de Setubal.

A collecção de desenhos do Museu das Janellas Verdes é muito importante, e vista com attenção dá elementos unicos para a historia da arte em Portugal. Ha mais collecções de desenhos em Portugal em estabelecimentos publicos, e na posse de particulares, que insta tornar conhecidas.

Creio que o n.ᵒ 268 é o esquisso do quadro da capella lateral, a Circumcisão; architectura á romana; o sacerdote no faldistorio, etc., nem falta o cãosinho felpudo.