Pelos suburbios e visinhanças de Lisboa

Gabriel Pereira · Capítulo 33 de 48

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Pelos suburbios e visinhanças de Lisboa

O Tumulo dos Perestrellos

Todos estes paineis, que vi em Torres Vedras, me parecem de origem portugueza, com ligeiras, attenuadas reminiscencias de influencia flamenga, e com pequena parte, ou nenhuma, do renascimento; por isto os achei importantes para a historia da pintura portugueza.

 

O Tumulo dos Perestrellos

 

A egreja parochial de S. Pedro de Torres Vedras tem a sua porta principal voltada a poente, como todos os templos antigos, medievos, da interessante villa. Essa porta é muito ornamentada em estylo manuelino; sobre o arco assenta um escudo bipartido com armas do rei e da rainha. Em dois arcos do cruzeiro ha tambem ornamentação no mesmo gosto, mais singela. A egreja tem tres naves, a central é coberta de madeira apainelada, com as molduras pintadas e douradas. As naves lateraes conservam ainda trechos de antigas abobadas com artezões. Parte das paredes está vestida de azulejos brancos e verdes, em uso nos seculos XVI e XVII. Ha em varios pontos da egreja e capellas outros typos de azulejo de épocas mais modernas.

Alguns quadros pintados em madeira, antiga escola portugueza, outros em tela, na egreja, na sacristia e na annexa casa dos clerigos pobres; algumas esculpturas religiosas, especialmente a estatueta de S. Pedro d’Alcantara, merecem attenção.

No cruzeiro, á direita, está um elegante ediculo com uma urna sepulcral.

É no mesmo estylo da porta principal. O ediculo é em pedra da localidade, que é rija, resiste bem ao tempo, e toma, no passar dos seculos, uma côr amarella torrada, agradavel á vista. A urna é em jaspe, em fino trabalho.

Sobre bases facetadas erguem-se columnas que sustentam arcos concentricos; ha uma facha muito lavrada, de folhas e flores, com um pequeno busto em baixo relevo, imitando medalha, que parece um retrato; mostra a cabeça coberta com um capacete um tanto raro. Busto egual se vê na porta da egreja.