Pelos suburbios e visinhanças de Lisboa

Gabriel Pereira · Capítulo 29 de 48

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Pelos suburbios e visinhanças de Lisboa

Lumiar. Quinta do Sr. Duque de Palmella

Embora humilde e acanhado tem o pequeno templo uma certa importancia por ser anterior ao grande terremoto de 1755, e por nos conservar além do gracioso portal manuelino, pinturas e azulejos do seculo XVII, em bom estado de conservação.

 

Lumiar. Quinta do Sr. Duque de Palmella

 

Esta egreja de S. João Baptista do Lumiar é freguezia muito antiga.

A disposição do templo mostra a sua remota fundação, grandiosa, em tres naves; mas as reconstrucções e concertos deram-lhe um aspecto moderno.

Consta que foi esta egreja fundada em 1267. Eram padroeiras as freiras de Odivellas, por doação de D. Thereza Martins, viuva de D. Affonso Sanches, filho bastardo d’el-rei D. Diniz.

Não pára aqui a historia. D. Affonso possuia aqui uma casa de campo com sua quinta; esta propriedade pertenceu depois a D. Diniz.

Em terreno da quinta foi edificada a egreja. A posse passou ao bastardo de D. Diniz, o infante D. Affonso Sanches, e então se chamou á casa de campo o Paço de Affonso Sanches.

Este entrou nas luctas d’aquella época atormentada, os bens foram-lhe confiscados, e D. Affonso , o irmão, chamou-lhe o Paço do Lumiar. Mais tarde a propriedade deixou de pertencer á corôa, mas conservou sempre o nome de Paço do Lumiar; por alli se ergueram casas, fez-se povoação, e ao fim d’ella uma ermida dedicada a S. Sebastião.

O marquez de Angeja, D. Francisco de Noronha, em fins do seculo XVIII edificou o actual palacio, hoje pertencente á Casa Palmella.

O duque de Palmella, D. Pedro, homem de espirito cultissimo e fino gosto, gostava immenso da sua quinta, augmentou-a com a que pertencera á casa dos marquezes de Olhão, depois ao conde da Povoa, e algumas de menor importancia, e assim formou a grandiosa quinta actual, com o seu palacio, e grande pavilhão, jardins, estufas, avenidas de grandes arvoredos, obras de arte de merecimento.