Políticas e sistemas de saúde em tempos de pandemia

Cristiani Vieira Machado · Capítulo 4 de 14

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Políticas e sistemas de saúde em tempos de pandemia

1. Panorama global e cenários nacionais da pandemia

1. Panorama global e cenários

 

nacionais da pandemia

 

Cristiani Vieira Machado, Suelen Carlos de Oliveira, Adelyne Maria Mendes Pereira

A pandemia de Covid-19 expressou diferenças em termos de evolução temporal e dinâmicas territoriais nas diversas regiões e países, condicionadas por fatores de ordem global, nacional ou mesmo local.

No que diz respeito aos fatores globais, o cenário de interdependência e os intensos fluxos populacionais entre países fizeram com que a doença, inicialmente identificada na China, em pouco tempo atingisse de forma marcante algumas nações da Europa e, em seguida, da região das Américas. Na maioria dos países, a doença atingiu primeiro os centros urbanos integrados a circuitos internacionais e as classes médias e altas da população, posteriormente se disseminando para regiões periféricas e para os grupos mais pobres e em situação de vulnerabilidade social, que sofreriam suas consequências de forma mais dura.

Além da dinâmica de propagação da doença, os condicionantes globais também moldaram a resposta à pandemia, dadas as diferentes inserções e assimetrias entre países no sistema mundial, bem como a relevância das relações internacionais para o enfrentamento dessa crise. Assim, a análise da ação das instituições multilaterais e das agências internacionais – Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras –, das estratégias de diplomacia e de cooperação adotadas, das relações entre países e empresas no plano global é fundamental para a

compreensão da evolução e resposta mundial à pandemia (Buss &

Fonseca, 2020).

A evolução da Covid-19 também variou entre países dentro de cada região do mundo, condicionada por fatores histórico-estruturais (características históricas dos países e das sociedades, inserção no cenário geopolítico e econômico mundial, perfil sociodemográfico, condições de vida e saúde, estrutura socioeconômica, desigualdades, características estruturais da economia, dos sistemas de proteção social e de saúde), político-institucionais (capacidade estatal, decisões políticas dos governos, governança e coordenação na resposta à pandemia, articulação entre atores estatais, especialistas, grupos da sociedade civil); socioculturais e político-ideológicos (formas de organização da sociedade e das famílias, percepção sobre a ciência e as instituições políticas, participação social, adesão às medidas de controle preconizadas).

Por fim, os países, particularmente os mais populosos, extensos, diversos e desiguais, experimentam diferentes padrões de evolução da pandemia dentro de seus territórios e entre grupos da população – com expressiva variação regional e local, influenciada por questões estruturais e também políticas, especialmente em federações –, relacionados a diferenças no compromisso, nas decisões e nas estratégias adotadas por governos nacionais, estaduais e locais.

Os nove países escolhidos para estudos de caso no âmbito da pesquisa Os Sistemas de Saúde no Enfrentamento à Covid-19: experiências de vigilância e atenção à saúde em perspectiva

comparada1 apresentam diferenças muito expressivas no que concerne à história de constituição dos Estados nacionais, estruturas sociais, padrões de desenvolvimento econômico e de inserção global. Essa diversidade constitui um desafio para a realização de análises em perspectiva comparada, visto que tais características histórico-estruturais podem condicionar de forma relevante a capacidade de ação dos Estados e sua articulação com a sociedade no enfrentamento de uma crise multidimensional, como se configura a pandemia de Covid-19.

Neste capítulo trazemos, de forma sucinta, alguns dados de perfil demográfico, econômico e social, dos nove países selecionados, bem como indicadores selecionados de evolução da pandemia nesses países. Além de gráficos e tabelas que reúnem os nove casos, em alguns gráficos relativos à Covid-19 os dados estão organizados por regiões do mundo – Ásia, Europa e Américas –, com o intuito de permitir sua melhor visualização, em face das variações temporais e de escala.

A abordagem aqui adotada é predominantemente panorâmica e descritiva. Nos capítulos seguintes é analisada a experiência de enfrentamento da pandemia em cada um dos nove casos mais detalhadamente, como forma de explicitar as estratégias adotadas e identificar aspectos positivos e fragilidades.

 

Características demográficas, sociais e

econômicas dos países estudados

 

Os países estudados têm características muito variadas em termos

demográficos e sociais (Tabela 1), que podem influenciar as repercussões da pandemia. A China é o país mais populoso do mundo, e o único estudado com mais de 1 bilhão de habitantes, ao passo que a Coreia do Sul tem cerca de 51 milhões de habitantes, concentrados em um território bem menor. Os países da Europa se situam em faixas mais próximas, sendo a Alemanha o mais populoso (83,3 milhões) e a Espanha o menos populoso (47 milhões). Nas Américas, em que os quatro países estudados são federações, destacam-se em termos de porte populacional Brasil e México, que ocupam, respectivamente, a 6ª e a 10ª posições do mundo; a Argentina com cerca de 44 milhões de habitantes e o Canadá com 37,5 milhões, distribuídos desigualmente em um extenso território.

 

Tabela 1 – Indicadores demográficos e sociais selecionados – Países

País Pop. Pop. % pop. Pobreza Pobreza Gini Acesso a

total 65 urbana (% pop) extrema (c. saneamen

(milhões) anos (2019) (2016) (% pop) 2018) básico (%

(2019) ou (c. pop) (c.

mais 2016) 2017)

(%

pop.

total)

(2019)

Ásia

China 1.397.715 11,5 60,3 24,0 0,7 0,385 84,7

Coreia do 51.709 15,1 81,4 0,7 0,2 0,314 100,0

Sul

Fonte: elaboração própria com dados disponíveis na base de dados do

2021a).

País Pop. Pop. % pop. Pobreza Pobreza Gini Acesso a

total 65 urbana (% pop) extrema (c. saneamen

(milhões) anos (2019) (2016) (% pop) 2018) básico (%

(2019) ou (c. pop) (c.

mais 2016) 2017)

(%

pop.

total)

(2019)

Europa

Alemanha 83.133 21,6 77,4 0,5 0,0 0,319 99,2 Espanha 47.077 19,6 81,6 3,2 1,0 0,347 99,9

Reino 66.834 18,5 83,6 0,5 0,2 0,351 99,1

Unido

Américas

Canadá 37.589 17,6 81,5 0,7 0,5 0,333 99,2 Brasil 211.050 9,2 86,8 20,0 3,4 0,539 88,2 México 127.576 7,4 80,4 25,4 2,5 0,454 91,1 Argentina 44.939 11,2 92,0 11,5 0,6 0,413 94,2

Fonte: elaboração própria com dados disponíveis na base de dados do

2021a).

 

A estrutura etária da população também é muito diferente entre os países estudados, sendo a proporção de idosos bem mais elevada nos países europeus e no Canadá. Trata-se de uma variável importante, uma vez que a letalidade da Covid-19 em geral é bem mais alta entre idosos (Yanez et al., 2020).

O grau de urbanização ultrapassa 75% na maior parte dos casos estudados; a exceção é a China, em que quase 40% da população vivem em áreas rurais, havendo expressivas diferenças entre os grupos urbanos e rurais.

Em termos de condição de vida, os níveis de pobreza se situam acima de 20% na China, no Brasil e no México, sendo que estes dois últimos também mostram o maior nível de desigualdades de renda aferidas pelo índice de Gini. Nos três países, parcela expressiva da população não tem acesso adequado a saneamento básico (cerca de 15% na China, 12% no Brasil e 9% no México), o que significa, em conjunto, mais de 250 milhões de pessoas vivendo em situação precária. A estrutura de emprego também é variada entre países, chamando a atenção a elevada proporção de empregos vulneráveis na China e nos três países latino-americanos estudados. Ao passo que no primeiro país isso pode se relacionar ao peso da população rural, na América Latina a precariedade do mercado de trabalho se expressa fortemente na área urbana, agravada por elevadas taxas de desemprego no Brasil e na Argentina.

Em termos de perfil étnico-racial, destaque-se a importância da população afrodescendente no Brasil (50,9%) e indígena no México (23%), segundo dados de 2018 compilados pelo Banco Mundial, que só

estavam disponíveis para a América Latina (World Bank, 2021b). Nessas sociedades, as desigualdades étnico-raciais têm origem no passado colonial e ainda são marcantes, estando entrelaçadas a outras dimensões das iniquidades – de renda, de gênero, de acesso a direitos e serviços sociais – que afetam profundamente as condições de vida e de saúde da população.

Quanto às características da economia, os países europeus, o Canadá e a Coreia do Sul se destacam com produto interno bruto (PIB) per capita bem mais elevado que o dos demais países estudados. A China tem um PIB total muito expressivo, mas sendo um país muito populoso, o seu PIB per capita se aproxima dos valores dos países latino-americanos. Apesar disso, os demais indicadores sinalizam uma situação de maior dinamismo da economia chinesa: é o país com maior crescimento anual do PIB registrado em 2019 e com maior participação da indústria, especialmente da manufatura, no total do PIB, seguido pela Coreia do Sul nesses dois indicadores. Os países europeus e das Américas tiveram baixo crescimento nesse ano, ou mesmo recessão, nos casos da Argentina e do México. Entre os sete países estudados dessas duas regiões, o peso da indústria e da manufatura é maior na Alemanha, no Canadá e no México, e menor no Brasil.

 

Tabela 2 – Indicadores econômicos selecionados – Países estudados País Crescimento PIB per % do PIB % do % do PIB

PIB (% capita Agricultura PIB Manufatura

anual) (US$ Indústria

correntes)

País Crescimento PIB per % do PIB % do % do PIB

PIB (% capita Agricultura PIB Manufatura

anual) (US$ Indústria

correntes)

Ásia

China 5,9 10.261,63 7,0 39,0 27,0

 

Coreia do 2,0 31.846,22 2,0 33,0 25,0 Sul

Europa

Alemanha 0,5 46.445,25 1,0 27,0 19,0 Espanha 1,9 29.600,38 3,0 20,0 11,0 Reino

1,5 42.330,12 1,0 17,0 9,0

Unido

Américas

Canadá 1,6 46.194,73 1,0 27,0 10,0 Brasil 1,1 8.717,19 4,0 18,0 9,0 México -0,1 9.946,03 3,0 31,0 17,0 Argentina -2,1 9.912,28 6,0 23,0 13,0 Fonte: elaboração própria com dados disponíveis na base de dados do

Mundial (World Bank, 2021a).

 

O conjunto de indicadores apresentados nas tabelas anteriores sugere que, antes da pandemia, os países latino-americanos encontravam-se em situação de maior fragilidade econômica e vulnerabilidade social do que os três países europeus e o Canadá, o que se relaciona a numerosos condicionantes histórico-estruturais. Desses quatro países, a Alemanha estava em situação mais favorável e a Espanha, em condição mais desfavorável.

Por sua vez, os dois países asiáticos incluídos no estudo, China e Coreia do Sul, têm trajetórias histórico-estruturais, padrões de desenvolvimento e inserção na economia mundial muito diferentes em relação aos demais e entre si. Apesar de no período anterior à pandemia a China ter indicadores sociais desfavoráveis em comparação com os países europeus e o Canadá, chama a atenção a situação diferenciada da economia chinesa, que em 2019 expressava crescimento e relevante peso da indústria na economia nacional, contrastando com a situação dos demais países.

 

Indicadores de saúde nos países

estudados

 

Os nove países apresentam perfis de situação de saúde e sistemas de saúde muito diferentes entre si. Analisamos aqui alguns indicadores selecionados relativos às condições de saúde, à estrutura e ao financiamento do sistema que potencialmente repercutem no perfil epidemiológico e na capacidade de resposta do sistema de saúde, no cenário da pandemia.

A Tabela 3 traz indicadores selecionados de situação da saúde da população que podem estar relacionados ao desfecho da Covid-19, incluindo condições associadas a maiores riscos de complicações e mortalidade, como doenças crônicas não transmissíveis, prevalência de obesidade e de diabetes. Observa-se que os três países latino-americanos incluídos no estudo e a China têm taxas de mortalidade padronizadas por doenças não transmissíveis e probabilidade de morrer entre 30 e 70 anos por essas doenças bem mais elevadas do que os países europeus e a Coreia do Sul. De forma coerente, a expectativa de vida naqueles quatro países é mais baixa do que nos demais (ainda que esse indicador possa ser influenciado por outras

causas de mortalidade não contempladas na tabela). A prevalência de obesidade, apontada como fator de risco para formas graves de Covid-

19 (Stefan, Birkenfeld & Schulze, 2021), é mais elevada no Canadá, nos países europeus e nos latino-americanos. Quanto à prevalência de diabetes, também associada na literatura à gravidade e mortalidade por

Covid-19 (Singh et al., 2020), chama a atenção o caso do México (13,4%), seguido de Brasil e Alemanha, com prevalências superiores a 10%.

 

Tabela 3 – Expectativa de vida e indicadores selecionados de morbim

relacionada a doenças não transmissíveis – Países estudados, c. 20

País Expectativa Taxa de Probabilidade de Prevalência

de vida mortalidade morrer entre 30 e de

padronizada 70 anos por obesidade por doenças doenças entre

não cardiovasculares, adultos

transmissíveis câncer, diabetes IMC ≥ 30,

por 100 mil ou doenças estimativa

habitantes respiratórias % (2016)

(2016) crônicas (2016)

Ásia

China 76,9 542,4 17,0 6,6 Coreia do

83,0 266,7 7,8 4,9

Sul

Europa

Alemanha 81,3 365,3 12,1 25,7 Espanha 85,6 297,4 9,9 27,1 Reino

81,3 342,4 10,9 29,5

Unido

Américas

Canadá 82,4 291,6 9,8 31,3 Brasil 75,9 452,0 16,6 22,3 México 75,1 457,8 15,7 28,4 Argentina 76,7 424,8 15,8 28,5

Fonte: elaboração própria com dados da base da OMS (WHO, 2021). Ex

vida extraída da base de dados Our World in Data.

 

No tocante à estrutura do sistema de saúde, os países também têm

situações muito distintas, como expressam os indicadores da Tabela 4, selecionados como proxies dessa dimensão. No que diz respeito aos profissionais da saúde, destaque-se a situação mais favorável da Alemanha e do Reino Unido, com taxas relativamente elevadas tanto de médicos como de enfermeiras por 10 mil habitantes, em comparação com a maioria dos países estudados. Nos demais países, a situação é variável. Na Espanha, México e Argentina, os dados indicam disponibilidade relativamente elevada de médicos, mas ao passo que a Espanha se encontra em uma faixa intermediária quanto à enfermagem, nos demais há baixa disponibilidade desses profissionais. No Canadá, no Brasil e na Coreia do Sul, por sua vez, ocorre o oposto: a disponibilidade de médicos é relativamente baixa, mas a de enfermeiras é maior, especialmente no Canadá, em comparação com os outros países. Por fim, a China apresenta a menor disponibilidade de médicos e uma das menores de enfermeiros entre os países estudados.

 

Tabela 4 – Disponibilidade de médicos, enfermeiros, leitos totais e

leitos de terapia intensiva – Países estudados, c. 2014-2019 (ano dos

dados mais recentes disponíveis )

País Médicos Enfermeiras Leitos por Leitos de terapia

por 10 mil por 10 mil 10 mil intensiva por 100

hab.1 2 3 4 hab. hab. mil hab.

Ásia

China 19,8 26,6 43,1 3,4 Coreia do

24,1 74,6 124,3 10,6

Sul

Europa

Alemanha 42,0 134,9 80,0 33,9 Espanha 40,3 60,8 29,7 9,7 Reino

58,2 102,9 24,6 10,5

Unido

Américas

Canadá 24,4 118,1 25,2 12,9 Brasil 23,1 74,0 20,9 20,6 México 48,5 23,7 9,8 3,3 Argentina 39,9 25,0 49,9 18,7 Fontes: Médicos, Enfermeiras e Leitos - Base de dados The Global Health Observatory da OMS, disponível em:

<https://www.who.int/data/gho/data/indicators>, acesso em abr. 2021.

Leitos de terapia intensiva: OECD, 2020a e OCDE, 2020b.

1 Médicos por 10 mil habitantes: China (2017), Coreia do Sul (2018), Alemanha (2018), Espanha (2018), Reino Unido (2019), Argentina (2017), Brasil (2019), México (2018), Canadá (2019).

2 Enfermeiras por 10 mil habitantes: China (2017), Coreia do Sul (2018), Alemanha (2018), Espanha (2018), Reino Unido (2019), Argentina (2017), Brasil (2019), México (2019), Canadá (2019).

3 Leitos por 10 mil habitantes: China (2017), Coreia do Sul (2018), Alemanha (2017), Espanha (2018), Reino Unido (2019), Argentina (2017), Brasil (2017), México (2018), Canadá (2019).

4 Leitos de UTI por 100 mil habitantes (utilização de dados mais recentes disponíveis): China (2017), Coreia do Sul (2019), Alemanha (2017), Espanha (2017), Reino Unido (2020), Argentina (2020), Brasil (2020), México (2017), Canadá (2014).

A situação em relação a leitos hospitalares também variou muito. A maior disponibilidade de leitos totais foi registrada na Coreia do Sul e na Alemanha (respectivamente 124,3 e 80,0 leitos por 10 mil habitantes), e as menores taxas foram registradas no México e no Brasil (9,8 e 20,9 leitos por 10 mil habitantes). No que concerne aos leitos de terapia intensiva, que constituem recurso ainda mais escasso, a variação também foi expressiva: a Alemanha dispõe de 33,9 leitos de UTI por 100 mil habitantes, ao passo que essa taxa no México é de apenas 3,3, ou seja, dez vezes menor.

A Tabela 5 resume alguns indicadores de financiamento da saúde, para ilustrar a magnitude e prioridade macroeconômica (em relação ao PIB) e fiscal (em relação ao gasto público total) dos gastos públicos no setor, bem como a composição público-privada dos gastos. Observa-se que os três países europeus e o Canadá estão em patamares mais elevados de financiamento público em saúde, considerando participação do gasto público em saúde no PIB, no gasto público total e no gasto total em saúde, além de alto gasto público em saúde per capita, sendo os maiores valores registrados na Alemanha e os menores na Espanha. Entre esses países, a Alemanha conta com um sistema de seguro social antigo e abrangente, com cobertura praticamente universal e mecanismos de compensação entre grupos sociais. Os outros três países possuem sistemas nacionais públicos de desenho universal, embora com diferenças entre si em termos de organização e repercussões das reformas nos anos recentes.

 

Tabela 5 – Indicadores de financiamento da saúde selecionados – P

estudados, 2018

País País Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Gasto Dese Dese

em em público público público público em em púbico púbico privado privado privado privado dir dir

saúde saúde em em em em saúde saúde em em em em em em saúd saúd (% do (% do saúde saúde saúde saúde per per saúde saúde saúde saúde saúde saúde gas gas

PIB) PIB) (% do (% do (% do (% do capita capita per per per per (% do (% do sa sa

PIB) PIB) gasto gasto (US$ (US$ capita capita capita capita gasto gasto

público público ppp) ppp)* * (US$ (US$ (US$ (US$ em em

total) total) ppp) ppp)* * ppp) ppp)* * saúde) saúde)

Ásia

China 5,4 3,0 8,80 935 528 408 43,6 Coreia do

7,6 4,4 14,00 3.214 1.878 1.335 41,5

Sul

Europa

Alemanha 11,4 8,9 20,00 6.098 4.737 1.360 22,3 Espanha 9,0 6,3 15,20 3.576 2.517 1.058 29,6 Reino

10,0 7,9 19,20 4.620 3.631 988 21,4

Unido

Américas

Canadá 10,8 7,9 19,50 5.200 3.821 1.378 26,5 Brasil 9,5 4,0 10,30 1.531 638 892 58,2 México 5,4 2,7 10,50 1.066 534 532 50,0 4 Argentina 9,6 5,9 15,20 1.990 1.221 762 38,3

Fonte: elaboração própria com dados da base da OMS (WHO, 2021).

* Para permitir a comparação entre os países, o gasto per capita é apresentado em dólares ajustados por paridade de compra (ppp, do inglês purchasing-power parity).

 

A participação do gasto total em saúde no PIB na Argentina e no Brasil se aproxima daquela dos países europeus, ao passo que a Coreia do Sul está em um patamar intermediário e China e México mostram reduzida participação do gasto total em saúde no PIB. Porém, em todos esses países a participação do gasto público em saúde no PIB é relativamente baixa, variando de 2,7% no México a 5,9% na Argentina, assim como são baixos os gastos públicos em saúde per capita. Chama a atenção a alta participação do gasto privado no gasto total em saúde no Brasil e no México (superior a 50%). Ao passo que no primeiro país esse indicador colide com a existência de um sistema de saúde público e universal, no segundo destaca-se a altíssima proporção de gastos privados por desembolso direto, também observada na China e na Coreia do Sul. A combinação entre baixo gasto público em saúde e altos gastos por desembolso direto sugere reduzido compromisso estatal com o financiamento setorial e o acesso diferenciado das famílias aos serviços de saúde segundo capacidade de pagamento.

De forma geral, os indicadores selecionados relativos às condições de saúde, estrutura e financiamento do sistema de saúde sugerem uma situação pior nos três países latino-americanos e na China. Tais indicadores, associados a uma parcela maior da população em condições de vulnerabilidade social, potencialmente sinalizariam consequências mais negativas da Covid-19 e maiores dificuldades dos sistemas de saúde em responder à pandemia. Ressalte-se, no entanto, a situação mais favorável da economia chinesa, em termos de crescimento e força da indústria nacional, no período anterior à pandemia, que diferencia esse país das economias latino-americanas. Por sua vez, nos países europeus e no Canadá, que têm indicadores econômicos e sociais de forma geral mais favoráveis, destaque-se a alta proporção da população idosa, que constitui um grupo mais suscetível a formas graves da Covid-19 e a maior letalidade por esta doença.

 

A evolução da pandemia nos países

estudados

 

Em 10 de abril de 2021, após pouco mais de um ano da declaração de pandemia pela OMS, já haviam sido confirmados quase 136 milhões de casos e quase 3 milhões de óbitos por Covid-19 no mundo, cuja

distribuição por regiões pode ser vista no Gráfico 1.

Gráfico 1 – Distribuição dos casos e óbitos por Covid-19 –

Regiões do mundo, 10 abr. 2021*

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

* A proporção de novos casos e novos óbitos se refere à média

móvel registrada nos últimos 7 dias.

Observa-se que a região das Américas registrava nessa data mais de 40% do total de casos e óbitos acumulados de Covid-19, além de responder por quase um terço dos novos casos e mais da metade dos novos óbitos registrados pela doença, considerando-se a média diária da semana anterior. A segunda região do mundo mais afetada pela pandemia até essa data era a Europa, que continuava reunindo expressiva proporção de casos e óbitos. Porém, chama a atenção a maior proporção de novos casos na Ásia (quase 40% dos novos casos registrados no mundo), em parte relacionada ao acelerado crescimento registrado na Índia quando esses dados foram levantados.

Os nove países do estudo respondiam por mais de 22% do total de

casos e de 31% do total de óbitos mundiais (Tabela 6). Porém, naquele momento esses países se encontravam em situações muito distintas no tocante à evolução da pandemia. A China, primeiro país do mundo atingido pela Covid-19, estava em 10 de abril de 2021 com reduzido número de novos casos e sem óbitos registrados no dia anterior, sugerindo que a pandemia estaria controlada, ao passo que a Coreia do Sul registrava número de novos casos um pouco maior. Entre os países europeus, na Alemanha era expressivo o número de novos casos, ao passo que Espanha e Reino Unido, que em momentos anteriores estiveram em situação mais grave, pareciam ter conseguido conter a transmissão da doença. Nos países latino-americanos, por sua vez, os números de novos casos e óbitos diários eram bem mais elevados, destacando-se muito o caso do Brasil – o segundo país do mundo em número total de casos e óbitos, após os EUA –, que então havia se tornado o epicentro da pandemia, ao manter elevada incidência de novos casos e números muito elevados de novos óbitos diários.

 

Tabela 6 – Indicadores relativos à pandemia de Covid-9 – Países

País 1º caso Casos Novos Óbitos Novos Casos Ó

totais casos totais óbitos totais/ to

milhão m

hab. h

Mundo 135.995.243 703.746 2.939.080 11.314 17.447 37

Ásia

China 31/12/2019 90.400 14 4.636 63 Coreia do 20/01/2020 108.945 676 1.765 1 2.124 Sul

Europa

Alemanha 28/01/2020 2.992.803 18.693 78.858 169 35.632 Espanha 01/02/2020 3.347.512 76.328 71.576 Reino 01/02/2020 4.368.045 2.589 127.080 40 64.083 Unido

Américas

Canadá 26/01/2020 1.052.539 7.261 23.287 36 27.700 Brasil 26/02/2020 13.445.006 69.592 351.469 2.535 62.907

México 28/02/2020 2.272.064 5.045 207.020 874 17.480 Argentina 04/03/2020 2.517.300 19.419 57.647 297 55.305 Fonte: elaboração própria com base em Worldometer, 2021.

País 1º caso Casos Novos Óbitos Novos Casos Ó

totais casos totais óbitos totais/ to

milhão m

hab. h

Total países do 30.194.614 123.289 928.090 3.952 estudo

% países do 22,2 17,5 31,6 34,9 estudo/mundo

Fonte: elaboração própria com base em Worldometer, 2021.

* O dado de população mundial para a data é estimado e arredondado a partir da informação continuamente atualizada no portal Worldometer.

 

Esses números podem estar muito subestimados, visto que limites na realização de testes diagnósticos para Covid-19 foram identificados em muitos países, com destaque para os latino-americanos.

A Tabela 6 e o Gráfico 2 também mostram diferenças entre os países no tocante à incidência e mortalidade acumuladas por Covid-19 nesses países, ou seja, o quanto sua população foi atingida pela pandemia considerando-se o conjunto do período de pouco mais de um ano. Observa-se que China e Coreia do Sul possuíam níveis de incidência e mortalidade relativamente baixos em relação ao conjunto dos países do mundo e aos incluídos no estudo. Canadá e Alemanha apresentaram níveis intermediários de incidência e mortalidade, ao passo que na Espanha, Reino Unido, Brasil e Argentina esses indicadores foram mais elevados. Chama atenção no México a incidência não tão elevada diante de níveis muito altos de mortalidade por Covid-19, o que pode sugerir importante subnotificação de casos menos graves. Isso é condizente com a reduzida proporção de realização de testes no México em relação à população total, a menor registrada entre os países estudados.

Gráfico 2 – Incidência e mortalidade acumuladas por Covid-19,

por milhão de habitantes – Mundo e países estudados, situação

em 10 abr. 2021

 

Fonte: elaboração própria com base em dados do Worldometer,

2021.

Esses dados estatísticos, no entanto, pouco dizem sobre a dinâmica da evolução da pandemia nos países do estudo ao longo do período.

Por isso, no Gráfico 3 mostramos a evolução de novos casos diários de Covid-19 de janeiro de 2020 a abril de 2021 nos nove países estudados. Observa-se grande diferença entre os países, destacando-se os elevadíssimos números de casos no Brasil na maior parte do período e os picos registrados em alguns países europeus (como o Reino Unido) em momentos específicos. Essas variações de escala dificultam a visualização dos dados de alguns países, portanto, para

facilitar a análise dessas diferentes dinâmicas, nos gráficos de 4 a 9 apresentamos a evolução da Covid-19 por regiões (Ásia, Europa e Américas).

Gráfico 3 – Evolução dos novos casos diários de Covid-19

(média móvel dos últimos 7 dias) – Países estudados, 28 jan.

2020 a 10 abr. 2021

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

 

Os gráficos 4 e 5 mostram, respectivamente, a evolução dos novos casos e óbitos nos dois países asiáticos estudados, China e Coreia do Sul. A China, primeiro país atingido pela Covid-19, teve um pico de casos e óbitos entre janeiro e início de março de 2020, e depois surtos localizados ao final de abril, que foram controlados. A Coreia do Sul foi atingida pouco depois da China e logrou controlar a doença rapidamente, já por volta de março de 2020. Porém, posteriormente apresentou em alguns momentos oscilações em números de casos (em níveis baixos) e registrou uma segunda onda mais nítida a partir de meados de novembro de 2020, que chegou a atingir 1.000 casos diários. Essa onda foi apenas parcialmente controlada, visto que nos primeiros meses de 2021 o país continuava a registrar em média cerca de 300 a 600 novos casos diários, com oscilações.

Gráfico 4 – Evolução dos novos casos diários de Covid-19

(média móvel dos últimos 7 dias) – China e Coreia do Sul, 28

jan. 2020 a 10 abr. 2021

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

Gráfico 5 – Evolução dos novos óbitos diários de Covid-19

(média móvel dos últimos 7 dias) – China e Coreia do Sul, 28

jan. 2020 a 10 abr. 2021

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

A Europa foi a segunda região do mundo atingida pela pandemia. Os

gráficos 6 e 7 trazem a evolução dos casos e óbitos nos três países europeus estudados. Observa-se mais nitidamente o padrão de ondas, variável entre os países. A primeira onda, iniciada em fevereiro de 2020, teve seu pico entre março e abril, tendo sido controlada primeiro na Alemanha e se prolongado mais no Reino Unido. Após um período de situação sob controle – relacionada às medidas de contenção adotadas pelos países, incluindo distanciamento físico e lockdown –, os países passam por uma segunda onda que, iniciada na Espanha (a partir de julho de 2020), entre outubro e novembro já atingia de forma nítida os três. Observa-se um terceiro e acentuado pico de casos no Reino Unido em janeiro de 2021, e um pico um pouco menor, mas também expressivo, registrado na Espanha um pouco depois.

Gráfico 6 – Evolução dos novos casos diários de Covid-19

(média móvel dos últimos 7 dias) – Alemanha, Espanha e Reino

Unido, 28 jan. 2020 a 10 abr. 2021

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

Gráfico 7 – Evolução dos novos óbitos diários por Covid-19

(média móvel dos últimos 7 dias) – Alemanha, Espanha e Reino

Unido, 28 jan. 2020 a 10 abr. 2021

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

No que concerne à região das Américas, entre os países estudados o Canadá foi o primeiro a ter casos de Covid-19 identificados, mas conseguiu controlar a epidemia melhor que os países latino-americanos. Ainda que haja problemas de escala, é evidente a maior gravidade da evolução da Covid-19 no caso do Brasil e, em segundo lugar, no México, países que se caracterizam por limitações na

contenção da pandemia desde o seu início (gráficos 8 e 9). O Brasil se manteve em situação grave durante quase todo o ano de 2020, em patamares elevados de casos e óbitos pela doença. Depois de um período de tendência de melhora entre setembro e novembro, voltou a registrar aumento de casos e óbitos, permanecendo em situação gravíssima nos primeiros meses de 2021, em que se tornou o epicentro da pandemia. A Argentina teve maior sucesso na contenção da pandemia em um momento inicial, em decorrência de medidas de contenção adotadas, mas em meados de 2020 passou por nova expansão de casos e óbitos. Esses três países são ainda marcados pela diversidade territorial nos padrões de disseminação e na gravidade da epidemia, em razão de seu caráter federativo, de sua extensão territorial e, sobretudo, das desigualdades sociais.

Gráfico 8 – Evolução dos novos casos diários de Covid-19

(média móvel dos últimos 7 dias) – Argentina, Brasil, México e

Canadá, 28 jan. 2020 a 10 abr. 2021

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

Gráfico 9 – Evolução dos novos óbitos diários de Covid-19

(média móvel dos últimos 7 dias) – Argentina, Brasil, México e

Canadá, 28 jan. 2020 a 10 abr. 2021

 

Fonte: elaboração própria a partir da base de dados Our World

in Data.

Outro dado importante diz respeito à letalidade da Covid-19, que

variou no tempo e entre os países estudados (Gráfico 10). Observa-se uma tendência predominante de maior letalidade da doença nos meses iniciais da pandemia em 2020, com queda posterior em vários países, que pode estar relacionada a fatores variados, tais como aumento da testagem com identificação de casos mais leves, acometimento de grupos de menor risco (p. ex., jovens), preparação dos sistemas de saúde e aprendizagem clínica no manejo das formas graves da doença. Chama a atenção a alta letalidade da doença em países europeus como Reino Unido e Espanha, especialmente no primeiro semestre de 2020, e a persistente alta letalidade no México em todo o período.

Gráfico 10 – Evolução da letalidade na Covid-19 (média móvel dos últimos 7 dias) – Países estudados, 28 jan. 2020 a 10 abr.

dos ú t os d as) a ses estudados, 8 ja 0 0 a 0 ab

2021

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

 

Em face da expressiva subnotificação de casos e óbitos por Covid-19 em muitos países, em parte devida a limites da testagem e das condições de atendimento nos sistemas de saúde, as estimativas de excesso de mortalidade têm sido utilizadas nos debates sobre o impacto da pandemia. Tais estimativas permitiriam uma aproximação do total de mortes relacionadas ao cenário de emergência sanitária, sejam as resultantes de infecções por Covid-19 não diagnosticadas ou mesmo por outros agravos, cujo atendimento poderia ter sido prejudicado pela sobrecarga do sistema de saúde ou hesitação das pessoas em buscar os serviços de saúde nesse contexto.

O Gráfico 11 mostra as estimativas de excesso de mortalidade nos países estudados em termos percentuais, com base na comparação do número de óbitos ao longo do período da pandemia com a média de óbitos registrados de 2015 a 2019 para as mesmas semanas ou meses. Observa-se que esse excesso é bastante expressivo em alguns países em momentos específicos, como na Espanha e Reino Unido em abril e maio de 2020, e no México por vários meses, sendo também significativo no Brasil em grande parte do período analisado. A informação não estava disponível para a China e a Argentina, que foram mantidas na legenda para fins de padronização das cores. Assinale-se que o cálculo se refere ao total, não tendo havido ajustes relacionados à estrutura etária da população nem ao longo do tempo, nem entre países, o que requer cautela na interpretação.

Gráfico 11 – Estimativas de excesso de óbitos nos anos de

2020 e 2021, em comparação com a média de óbitos dos

mesmos períodos do ano – Países estudados, 2015 a 2019*

 

Fonte: elaboração própria com base em dados disponíveis em

Giattino et al., 2021; Human Mortality Database, 2021 e The World

Mortality Dataset, 2021.

* Canadá, dados até 13/12/2020; Brasil, dados até 31/12/2020;

demais países, dados até 03/01/2021 (fechamento por semanas);

dados não disponíveis na base de excesso de mortalidade para a

China e a Argentina.

Na Tabela 7 estão as estimativas de excesso de mortalidade nos países estudados consolidadas para o ano de 2020 (não foi feita essa consolidação para 2021 porque os dados estavam incompletos). Chama a atenção a elevada estimativa de excesso de mortalidade no México e no Brasil, respectivamente de 47,9% e 22,4%. Em situação intermediária, entre 10 e 20%, estão Espanha, Reino Unido e Canadá, ao passo que os menores valores foram registrados na Alemanha e na Coreia do Sul. Outro aspecto a ser considerado é que apenas parte desse excesso de óbitos pode ser atribuída diretamente à Covid-19, visto que a estimativa de óbitos em excesso extrapola muito o número de óbitos pela doença registrado.

 

Tabela 7 – Estimativas de excesso de óbitos em 2020, em comparação

de óbitos dos mesmos períodos do ano, número de óbitos por Covid-19

óbitos sem diagnóstico de Covid-19 – Países estudados, 2015 a

País Óbitos Média de Excesso Excesso Óbitos Excesso de

em 2020 óbitos de de em óbitos em

2015- óbitos óbitos 2020 2020 sem

2019 em 2020 em 2020 por diagnóstico

(N) (%) Covid- de Covid-

19 (N) 19 (N)

 

Ásia

China ND ND ND ND 4.782 ND Coreia do 308.831 292.191 16.640 5,7 917 15.723 Sul

Europa

Alemanha 1.001.669 949.820 51.849 5,5 33.791 18.058 Espanha 501.063 426.066 74.997 17,6 50.837 24.160 Reino 696.705 613.484 83.221 13,6 73.622 9.599 Unido

Américas

Canadá 290.265 263.184 27.081 10,3 15.762 11.319

 

Fonte: elaboração própria com base em dados disponíveis em Giattino e

Human Mortality Database, 2021 e The World Mortality Dataset, 2021.

País Óbitos Média de Excesso Excesso Óbitos Excesso de

em 2020 óbitos de de em óbitos em

2015- óbitos óbitos 2020 2020 sem

2019 em 2020 em 2020 por diagnóstico

(N) (%) Covid- de Covid-

19 (N) 19 (N)

 

Brasil 1.603.747 1.310.627 293.120 22,4 194.949 98.171 México 1.051.372 711.053 340.319 47,9 125.807 214.512 Argentina ND ND ND ND 43.245 ND

Fonte: elaboração própria com base em dados disponíveis em Giattino e

Human Mortality Database, 2021 e The World Mortality Dataset, 2021.

* Canadá, dados até 13/12/2020; Brasil, dados até 31/12/2020; demais países, dados até 03/01/2021 (fechamento por semanas); dados não disponíveis na base de excesso de mortalidade para a China e a Argentina.

 

A partir de dezembro de 2020, um fato relevante começa a afetar os rumos da pandemia: o início da vacinação em alguns países, especialmente nos de economia avançada. O desenvolvimento de vacinas para a Covid-19 foi realizado de forma ágil e inédita, tendo em

vista a gravidade dessa emergência sanitária (Li et al., 2020; Forni &

Mantovani, 2021). No entanto, o acesso às vacinas pela população tem sido muito diferenciado entre as nações, expressando as assimetrias científicas e tecnológicas, bem como as marcantes desigualdades

econômicas e sociais no sistema mundial (Prüβ, 2021).

No Gráfico 12 se mostra a evolução da proporção da população de cada país que já recebeu uma dose de vacina, até 10 de abril de 2021. Observa-se que o Reino Unido foi o país do grupo que iniciou a vacinação mais cedo, com rápido crescimento da cobertura vacinal de 1ª dose no período, tendo alcançado quase metade da população em poucos meses. O segundo grupo é conformado por Canadá, Alemanha e Espanha, que iniciaram a vacinação um pouco mais tarde e aumentaram a cobertura de forma mais lenta, não tendo ainda atingido 20% da população. Os países latino-americanos ainda estavam abaixo de 10% de cobertura, situação crítica diante da gravidade da pandemia na região. Por fim, a Coreia do Sul tinha a cobertura vacinal mais baixa do grupo, e o dado não estava disponível para a China.

Gráfico 12 – Proporção da população que recebeu a 1ª dose da

vacina para Covid-19 – Países estudados, 13 dez. 2020 a 10

abr. 2021*

 

Fonte: elaboração própria com dados de Our World in Data.

* O dado não estava disponível para a China, que foi mantida no

gráfico para fins de padronização.

Nos capítulos seguintes deste volume são analisadas mais detalhadamente as respostas dos países à pandemia nos nove países incluídos no estudo, com ênfase nas estratégias de vigilância e atenção adotadas em seus sistemas de saúde. Na maior parte dos capítulos o recorte temporal compreende o ano de 2020, quando se concluiu a pesquisa empírica dos casos. Portanto, as análises de cada país enfocam predominantemente o primeiro ano da pandemia, antes de a vacinação se estabelecer como mais um fator decisivo e diferencial para o controle da Covid-19.

Referências

 

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Disponível em: <www.nature.com/articles/s41418-020-00720-9>. https://doi.org/10.1038/s41418-020-00720-9. Acesso em: jan. 2022.

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<www.oecd.org/health/health-at-a-glance-latin-america-and-the-

caribbean-2020-6089164f-en.htm>. Acesso em: jul. 2021.

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