Receitas cristãs
Uma maçã podre .....................................................................................
O ditado popular diz que “Uma maçã podre estraga todas as outras”, a ideia como sabemos baseia-se em uma crença de que um indivíduo de mau comportamento pode contaminar um ambiente e fazer com que outros indivíduos bons passem a se comportar de forma errada. A analogia é feita com o ciclo natural do fruto, que pode ter seu amadurecimento acelerado ao entrar em contato com outro já amadurecido. Mas será que isto é mesmo verdade? Não quanto ao fruto é claro, ele não nos interessa aqui, mas com relação às pessoas, será que um indivíduo mau tem o poder de influenciar os demais, fazendo com que se tornem maus?
O ciclo natural do fruto nós conhecemos, ele é verde, depois maduro e apodrece, mas e o ciclo natural do espírito? A doutrina espírita nos explica que ele é na verdade exatamente o contrário, um espírito imperfeito amadurece para se tornar um espírito perfeito para toda a eternidade. Assim como uma maçã, que uma vez amadurecida não pode voltar a ficar verde, o espírito não pode desaprender o que aprendeu, os espíritos não retrocedem, não podem involuir, somente evoluem na direção constante do aperfeiçoamento moral. Portanto ninguém pode ser contaminado para adquirir uma má tendência que já não possuísse.
O que vemos nos casos que dão exemplo ao que chamamos de “maçãs podres”, são na verdade espíritos que já possuem más tendências, mas que se sentem inibidos em praticar estas ações socialmente reprováveis. Estes indivíduos perdem a inibição para praticar estes atos reprováveis ao conviverem com um outro indivíduo recém chegado ao grupo e que não possui esta inibição. Da mesma forma que em uma festa as pessoas chegam tímidas e vão aos poucos perdendo a inibição para cantar, dançar e brincar ao verem outros participantes desinibidos, num grupo cheio de pessoas com algumas más tendências, algumas delas podem perder esta boa inibição que impedia elas de fazerem o mal, ao verem um indivíduo perverso e desavergonhado. Um mal elemento pode tirar a inibição de um grupo, seja de estudantes, trabalhadores, políticos, empresários etc. mentindo, enganando, trapaceando, roubando e despertando assim as tendências que estavam contidas, criando aquele chamado “efeito manada” em que os participantes dizem “eu sou honesto, mas se todo mundo vai mentir, então eu também vou”. Mas sabemos que na verdade não é possível estragar “boas maças”, pois a moral dos espíritos não se deteriora, não regride, apenas se mostra a tendência que estava contida/inibida no espírito ainda impuro.
Baseando-se neste conhecimento, podemos nos perguntar então: E como fica a educação dos filhos? Será que adianta os pais afastarem os filhos de todo tipo de mau exemplo para que o comportamento destes não seja contaminado, ou será que isto é um esforço inútil?
Imaginemos por exemplo uma criança criada numa família de criminosos, ela pode achar que o comportamento dos pais é normal, pelo menos enquanto ainda for muito jovem. Caso esta criança seja um espírito mais maduro e que já busca o bem, conforme for crescendo e entendendo o mundo à sua volta e o prejuízo que o comportamento de seus pais causa aos outros, ela passará a reprovar o comportamento de seus pais e se recusará a agir da mesma forma, pois um espírito bom não pode ser forçado a fazer o mau de forma consciente. No oposto deste exemplo, uma criança que foi um espírito criminoso no passado, caso venha a possuir pais muito honestos e dedicados ao bem, imitara, como toda criança, o comportamento dos pais, mas conforme for amadurecendo e entendendo melhor o mundo a sua volta, poderá se sentir tentada a agir de maneira oposta aos seus pais, obtendo vantagens para si com prejuízo para os outros. Mas esta criança terá sempre o exemplo e a vigilância dos pais como freio do seu comportamento. Ao contrário do espírito bom que não pode ser forçado a praticar o mal, o espírito bom pode ser forçado ou pelo menos freado pela vergonha que o inibe de praticar o mal.
Esta é justamente a razão de encontrarmos na terra espíritos com diferentes inclinações, nenhum de nós é muito melhor do que o outros, todos temos mais ou menos a mesma quantidade de qualidades e defeitos. Mas temos tendências diferentes, um espírito pode ter mania de contar pequenas mentiras mas ser bastante trabalhador, este espírito pode se sentir envergonhado em mentir ao ter contato com um outro espírito que nunca mente. Já este outro espírito honesto que não mente pode ser um pouco acomodado e até preguiçoso, ele por sua vez vai sentir vergonha em fazer corpo mole ao ver que seu colega (o mentiroso) trabalha mais do que ele, e vai se sentir motivado a se esforçar um pouco mais.
O espirito sabe naturalmente diferenciar o certo do errado e estando em contato com espíritos bons, a vergonha o inibe e ajuda a eliminar gradualmente aquela tendência ao mau comportamento. E isto vale para tudo, vemos esta evolução dos espíritos individualmente e da sociedade como um todo em relação preconceitos de raça, de classe, a eliminação gradual dos sistemas de casta em diversos países, o combate ao machismo, à homofobia, e aos poucos vamos vendo também ganhar espaço o repúdio à uma vida de preguiça e à ganancia desenfreada. Assim como a maçã que apodreceu não pode reverter seu caminho natural e voltar ao estado anterior, o espirito não pode retroceder no seu caminho natural que é a evolução moral e a eliminação das más tendências. Assim, para os espíritos, ao contrário das maçãs, os bons é que contaminam os maus.