Revisitando o Território Fluminense VI
17. A cartografia da ação social e a cidade de São Gonçalo, RJ: limites e possibilidades metodológicas para a contribuição do fazer geográfico
A cartografia da ação social e a
cidade de São Gonçalo, RJ:
limites e possiblidades
metodológicas para a
contribuição do fazer
geográfico
Catia Antonia da Silva 1
1. Introdução
A cartografia da ação social é uma possibilidade metodológica
que se inscreve na relação entre geografia e sociologia. Trata-se de
reconhecer as trajetórias e as espacialidades escritas pelas práticas
cotidianas das bases populares. Diante da aceleração do tempo-
mundo, engendradas pela globalização e pelo desenvolvimentismo
que o Brasil e a América Latina experimentam, os processos de
modernização têm alterado profundamente a produção social do
espaço feita pelos grandes agentes econômicos e o Estado.
Produzir as cartografias dos homens e mulheres simples significa
dar visibilidade e possibilidade de pensar sua própria condição, além
de ter na cartografia um instrumento de representação de seu
território e de luta social.
Nessa lógica, o objetivo deste trabalho é refletir sobre o sentido
do uso da cartografia da ação social no contexto atual,
demonstrando conceitos e metodologias utilizados que norteiam a
compreensão da cartografia da ação social como um processo que
se inicia na pesquisa e nos estágios de vivência com os jovens de São Gonçalo, mas não termina com a confecção de mapas. Ele é
concluído quando o grupo social se apropria e, então, analisa as
formas fundamentais do uso da cartografia como instrumento
formador de sujeitos de direitos e de possiblidade de construção
coletiva do olhar, da identidade e das formas de apoderação dos
saberes coletivos. A metodologia de apresentação debruça na
exposição de quadros analíticos teórico-conceituais, depoimentos
dos jovens e exposição de mapas coletivos feitos junto ao projeto
Cartografia a ação e a juventude em São Gonçalo (2009-2011), em
parceria com Ana Clara Torres Ribeiro.
As principais contribuições deste trabalho são duas: a primeira
refere-se à atualização do debate da produção de mapas em um
contexto de investimentos tecnológicos sofisticados em programas
importados, onde a contraposição da cartografia da ação social,
como a expressão do cotidiano vivido e praticado, pode ser
mapeada de forma sofisticada ou não. O mais importante é a
produção coletiva do mapa a partir de uma problemática vivida e
percebida pelo grupo social. A segunda contribuição refere-se ao
debate do fazer científico diante da sociedade informacional, na qual
o uso da internet permite rapidamente a divulgação da pesquisa.
Nesse contexto, cria-se um questionamento: como e quando
divulgar a cartografia da ação social dos grupos populares? Como
fazer uma ciência geográfica pautada nos princípios éticos que
orientam o cuidado com os saberes do outros? Esses são desafios
que a ciência geográfica do século XXI precisa enfrentar.
Para identificar os agentes produtores do processo da
degradação ambiental, foi apontado o reconhecimento do papel do
Estado, os agentes econômicos e as formas de organização,
reinvindicação, protestos e lutas sociais dos moradores e
pescadores da região. Nesse processo pedagógico, utilizamos a
proposta conceitual da cartografia da ação social. Esse conceito,
proposto por Ana Clara Torres Ribeiro, norteou a metodologia de
criação de mapas produzidos pelas crianças e adolescentes,
reconhecendo as ações por meio de elaboração de símbolos:
localização dos pescadores e dos problemas, identificação das
áreas de protestos, localização do poder público e das barqueatas.
O uso da Cartografia da Ação, principalmente em algumas atividades práticas, possibilitou promover um processo de
aprendizagem mais autônomo e livre de discursos pré-estabelecidos
e preexistentes nos textos didáticos.
Segundo Ribeiro et al. (2004), a cartografia da ação social é
aquela passível de compreensão e de representação do movimento
da sociedade, das lutas e de novos anseios, das ações e desejos
das bases populares. É a cartografia da ação que também
representa o cotidiano da vida coletiva. Desse modo, a cartografia
sugerida aqui é a da denúncia e também a que orienta a ação
social, desvendando contextos e antecipando atos (Almeida, 1994).
Significa, portanto, a contextualização veloz da ação hegemônica,
cada vez mais estrategicamente localista, assim como a valorização
imaginativa dos lugares vividos, onde a vida escorre ou ganha força
reflexiva e transformadora. Como carta, o mapa não aparece como
instrumento isolado ou como bela ilustração de textos, exacerbando
critérios estéticos, mas sim como ferramenta analítica e sustento da
memória dos outros. Neste sentido, propõe-se uma cartografia
incompleta que se faz fazendo. Uma cartografia praticada que não
seja apenas dos usos do espaço pelo poder, mas também utilizável,
possibilitando a sincronia espaço-temporal, o que apoiaria, inclusive,
o trabalho interdisciplinar (Ribeiro, 2012, 2013). Essa seria uma
forma de representação da ação que poderia alimentar narrativas e
que, em vez do território naturalizado, trataria de território usado,
como orienta Milton Santos (1996, p. 18). O território não é uma
categoria de análise, mas sim o território usado. Ou seja, para que o
território se torne uma categoria de análise dentro das ciências
sociais e com vistas à produção de projetos, isto é, com vistas à
política, deve-se tomá-lo como território usado (Ribeiro et al., 2001-
02, p. 4).
A cartografia da ação social é aquela não oficial, que trata das
trajetórias das bases populares, das rotas de lutas e manifestações,
trajetórias de trabalho no cotidiano, manifestações culturais, ou das
normas sociais ocultas não estatais. Com essa orientação, é
possível desvendar um novo mundo, desvelar o invisível, ver beleza
no anonimato, enxergar potencial no não considerado, naquilo e
naquele visto como pobre de tudo. A proposta articula o
pensamento de Milton Santos (1996) sobre os homens lentos, com o de Paulo Freire (1979) sobre a dimensão do compromisso
humano, compromisso de reflexão e de consciência frente às
contradições e as ambições que criam as fragmentações e as
segregações socioespaciais. Assim, a cartografia da ação social
pode ser considerada, no contexto de compreensão de um
humanismo concreto, como uma categoria analítica e, ao mesmo
tempo, metodológica. Isso porque ela permite experimentar por
meio de exercícios de construção de novos mapeamentos e
símbolos construídos a partir de um contexto do espaço vivido e
concebido às novas formas de representação, aos novos projetos e
aos novos sentidos das ações dos sujeitos vistos como comuns,
banais. É preciso que estejamos abertos para ver novas
possibilidades de redesenho do mundo, de escrita de nossa própria
história, história das bases populares (Santos, 1996; Certeau, 1998).
O presente artigo tem a intenção de apresentar elementos
centrais sobre a cartografia como técnica e processo no contexto da
geografia. Busca-se expressar a experiência realizada com o projeto
de investigação compartilhado com a professora Ana Clara Torres
Ribeiro e seu grupo de pesquisa LASTRO/IPPUR, junto aos
pesquisadores do nosso grupo de pesquisa Urbano, Território e
mudanças contemporâneas – FFP/UERJ, que contribui muito para o
diálogo entre a geografia e a sociologia no debate conceitual e
metodológico e para o amadurecimento do sentido de fazer ciência
na contemporaneidade (Silva, 2012).
O texto é dividido em duas partes. Uma seção é dedicada à
compreensão do debate conceitual e a proposição metodológica da
compreensão da cartografia como processo. A segunda seção
busca expor algumas experiências realizadas no âmbito do projeto
de pesquisa Cartografia da ação e a juventude em São Gonçalo.
2. Cartografia da ação social e
caminhos metodológicos: diálogos
entre geografia e sociologia
Cartografia da ação social é um conceito-instrumento
metodológico criado por Ana Clara Torres Ribeiro, desenvolvido ao
longo de 16 anos de elaboração do Banco de dados Processos
Sociais. Com muitas referências de investigação, destaca-se, entre
elas, o projeto “Cartografia da ação e análise de conjuntura:
reivindicações e protestos em contextos metropolitanos”, de 2001, e
o seu diálogo de longos anos com a Geografia brasileira.
Durante o desenvolvimento desse projeto, a autora consolidou a
metodologia que estrutura o banco de dados complexo sobre as
formas de lutas e reivindicações dos diferentes grupos sociais na
luta pelo direito à cidade em contextos metropolitanos,
denominando-o Banco de Processos Sociais. Esse banco, que é
alimentado há 16 anos, permite identificar as trajetórias sociais,
institucionais e espaciais dos sujeitos e dos movimentos sociais.
Desse modo, Ribeiro trouxe contribuições ao debate, hoje
conhecido como o campo das cartografias sociais (Santos, 2011;
Acselrad, 2010; Almeida 2009), que problematiza o uso da
cartografia como uma das formas de representação social e de
demonstração pública das formas de luta por território pelos sujeitos
que vêm confrontado os grandes agentes.
No entanto, a diferença entre essas abordagens e a abordagem
de Ribeiro refere-se não somente à atenção aos movimentos
sociais, mas também aos “movimentos espontâneos” – isto é, as
sociabilidades não institucionalizadas a priori, que se conformam
nas lutas insurgentes construídas nos limites do suportável na
convivência social, obedecendo a normas morais cotidianas do
lugar, que vão muito além das normas do Estado. Ana Clara Torres
Ribeiro conta que, certa vez, ao analisar seu banco de processos
sociais, reconheceu a insurgência de um confronto público coletivo a
um estuprador na metrópole de Belém. Ela o descreve não como
um movimento organizado estrategicamente, mas um movimento
espontâneo, demonstrando os limites do suportável coletivo.
Essa construção analítica permite ver as formas de apropriação
urbana, a vida metropolitana como vida coletiva, a relação do agir
com o sentido das ações, que relaciona razão e emoção,
moralidade, espacialidade, sociabilidade, vínculo social e protestos,
concretizando-a. Essa leitura, apoiada em Certeau (1998), trata do homem ordinário, ou seja, da construção da vida cotidiana, as
trajetórias das práticas do cotidiano. Ela também expressa uma
leitura das formas de representação que dá sentido e forma à
relação entre sujeito e espaço vivido e espaço concebido. Assim, o
diálogo entre a geografia e a sociologia, no entendimento de Ana
Clara Torres Ribeiro e corroborado por nós, expõe a relação entre
território e ação social na compreensão da relação espaço-tempo do
cotidiano. Dos trajetos e arte de viver dos homens lentos (Santos,
1994), dos homens simples (Martins, 2000), dos homens ordinários
(Certeau, 1998), os diálogos possíveis na compreensão de duas
orientações.
A que vai trabalhar metodologicamente com os estágios de
vivência, história oral e grupos focais, permite compreender o
cotidiano vivido, o sistema simbólico, os elementos e sentidos que
norteiam as ações. Essa possibilidade metodológica, como bem
citam as referências de Ana Clara Torres Ribeiro e de Michel de
Certeau, que aprofundam o entendimento às referências conceituais
da relação entre o cotidiano e a experiência urbana, o que permite
ver os interstícios das lutas, reivindicações e insurgências. Como
outro lado da mesma moeda, compreendendo numa possibilidade
dialética, há os modelos de resistências e de insurgências como
enfretamentos às formas de racionalidades dominantes na
modernidade. Essas formas concretizam as estruturas do poder e,
por isso, da dominação política, econômica, social e cultural. É
nesse contexto complexo e ontológico que o sentido do fazer
científico se estabelece e é nele que se torna fundamental
compreender a cartografia como técnica, como instrumento e como
processo. É o que veremos a seguir.
Cartografia como técnica social
A produção ampliada da sociedade informacional está no centro
da problemática da modernidade neste século XXI e teve origem em
meados de do século XX (Ianni, 2000). Ribeiro (2012) nos ensina
que na sociedade de consumo mediada pelas novas tecnologias de
comunicação e informação está o entendimento de que o estudo da técnica é uma exigência da pesquisa, tanto de formas
contemporâneas de dominação – apoiadas em ideários de eficácia e
monitoramento do tecido social – quanto das resistências e
afirmações sociais. Para os projetos dominantes em curso e o
advento da globalização, a técnica, que inclui objetos e práticas
codificadas, sustenta sistemas e sistematicidades, modelos e
paradigmas. Por essa razão, inscreve-se nas formas de apropriação
do espaço, criando rotinas ou rupturas planejadas do cotidiano e
também gerando sistematicidades que podem impedir conquistas
sociais ou se constituir no próprio ápice dessas conquistas (Ribeiro,
2012).
Com essa compreensão da técnica, a experiência urbana é
apreendida como um embate contínuo entre sistematicidades
efetivadas ou potenciais, movidas por diferentes formas de
comunicação, linguagens, táticas e recursos de poder (Ribeiro,
2012; Britto, 2010). É nesse contexto que estão inseridos os
programas informacionais modernos de geoprocessamento e
mapeamentos. Esses programas sofisticados reduzem o tempo da
produção do mapa, mas também reduzem, na mesma velocidade, o
domínio cognitivo sobre os processos de produção e confecção
cartográficos, tornando os geógrafos consumidores quase perfeitos
das tecnologias monopolizadas cada vez mais por grandes
empresas. No Século XXI, a leitura cartográfica se torna cada vez
mais usual e informacional, com as possibilidades fantásticas
produzidas por empresas transnacionais.
Nesse sentido, a cartografia como técnica que agora se encontra
em todos os lugares com recursos instantâneos e megaespaciais
precisa, pelo menos no campo da geografia e do ensino dela, de
uma reflexão epistemológica urgente. Ou seja, uma que remeta à
filosofia da ciência, ao significado e sentido de seu uso. O
reconhecimento crítico de suas possiblidades e de seus limites feito
por Renato Emerson dos Santos (2011) analisa Alfredo Wagner
Almeida e reconhece o contexto atual da “guerra de mapas” e das
cartografagens como luta e resistência no combate pela visibilidade
de suas manifestações e domínio de território, assim como a luta
contra as cartografias “oficiais”. Também autentica a necessidade
dessa reflexão no momento em que seu uso contemporâneo entra em um processo acentuado de racionalização prática e construção
de uma rotina do fazer científico, no sentido weberiano em que tudo
pode ser mapeado (Weber, 2001). Desse modo, a ação do Estado e
das empresas (inclusive com forte presença nos relatórios de
impacto ambiental), a exposição de mapas, muitas vezes
desenhado sobre o território e induzido a leituras de uma única
verdade – tais como fazem parecer no debate sobre “a tradição da
leitura dos vazios demográficos” no território brasileiro.
A cartografia como instrumento de representação espacial não
pode ser considerada, como única finalidade, o mapa em si. A
feitura de concretude da representação deve ser vista como
processo de construção social. No capitalismo contemporâneo,
onde a ciência torna-se objeto exposto ao consumo, as técnicas de
representação como as leis impõem uma leitura de mundo
predominante.
É fundamental perder a inocência da leitura cartografia sem uma
crítica que inclua as geografias das existências – ou seja, que não
deixe de saber que a totalidade do espaço é muito maior do que
qualquer forma de representação espacial. O mapa é forma de
representação, mas não da totalidade do espaço geográfico. Ele
expressa mais a leitura do que a referência à totalidade das
verdades.
Mas a verdade é composta de várias objetividades e
subjetividades, portanto de muitas leituras e formas de
representação, como bem expõe Lefebvre, que identifica o debate
sobre a representação social e espacial e analisa a força político-
social da construção das formas dominantes de representação.
Badiou (1995) nos ajuda a refletir sobre a complexa construção
social das verdades contrapondo às opiniões. No entanto, o autor
diz que a verdade como objetividade esconde os ascetismos – “o
que é idêntico ao descobrimento do sujeito de verdade como puro
desejo de si” (Badiou, 1995, p. 67). Há um sentido, muitas vezes
não dito, que constrói um universo cultural de consentimentos que
traz a tona alguns elementos e ações, e invisibiliza outros. O mapa
como materialidade e representação contribui para esta visibilidade-
ocultamento, de acordo com as intencionalidades do sujeito do
conhecimento e produtor.
Cartografia como processo
Compreender a cartografia como um processo social é uma busca
metodológica complexa, mas é necessário aprender a fazê-la.
Nesse processo, a confecção do mapa não é o centro nem o sentido
das ações. Ele se inicia com as indagações dos sujeitos sociais e/ou
institucionais – por que e para que fazer um mapa? Quais as
intenções e intencionalidade? Por que espacializar processos,
coisas e ações? Ao compreender os sentidos, deve-se
problematizar o seu uso. Afinal, quem vai ter acesso? Por que e
como divulgar? Para a racionalidade dominante – do Estado e das
empresas –, espacializar é impor uma dada leitura de mundo como
verdade e como norma a ser seguida e, portanto, institucionalizada.
Têm-se os mapas políticos, rodoviários, de eventos, dos grandes
projetos etc., que acabam por construir ou fortalecer os imaginários
urbanos e as fronteiras sociais. Na maioria das vezes, esses
mesmos mapas tornam ocultos processos sociais cotidianos.
O maior exemplo que conheço atualmente são os mapas das
grandes empresas que representam os territórios costeiros, onde se
destacam as cartas náuticas, que são atualizadas em uma
velocidade anual, demarcando os novos empreendimentos, as
zonas de contenção à pesca e a navegação. Contemplam áreas
como a baía de Guanabara, onde se localizam 42 pontos de pesca
artesanal e outros pontos de pesca amadora ou industrial que não
aparecem no mapa.
A cartografia como processo é feita problematizando os
ocultamentos de desenvolvimentos sociais e ambientais de seres,
corpos e ações que se tornam invisibilizados. A contraposição
consiste na cartografia da ação social, que busca compreender os
conflitos no uso do território e as leituras e subjetividades
(identidades, memórias, pertencimento) dos sujeitos em seu
cotidiano, que muitas vezes têm visto seu dia a dia romper por
causa de ações e próteses que são instaladas de repente. A
cartografia da ação social reconstrói a outra leitura que força, no
mundo do visível, a ruptura dos ocultamentos.
Cartografia como processo: juventude em São
Gonçalo
De agosto de 2010 a dezembro de 2011, realizamos o projeto
Cartografia da ação e a juventude em São Gonçalo, com a
contribuição da coordenadora Ana Clara Torres Ribeiro
(IPPUR/UFRJ) e de Ivy Shipper, seu bolsista, geógrafo mestre em
Planejamento urbano e regional (IPPUR/UFRJ).
O projeto seguiu dois caminhos metodológicos:
1. Realização dos grupos focais com jovens de 17 a 29 anos
estudantes ou trabalhadores moradores em São Gonçalo;
2. Crianças de 9 a 14 anos entre o 4º e 5º ano do ensino
Fundamental no Colégio Carlos Maia, em Porto Velho, bairro de
São Gonçalo. O trabalho contou com sete grupos focais de
jovens trabalhadores e/ou estudantes, o último deles em agosto
de 2012. As atividades nas escolas aconteceram com quatro
turmas, com apoio das professoras regentes.
Nos dois caminhos metodológicos, partimos do confronto entre a
percepção da cidade, das fronteiras invisíveis e dos imaginários
urbanos, trabalhando com recorte de notícias sobre São Gonçalo e
sua relação com o conhecimento vivido pelos sujeitos participantes
das atividades. Ao longo das oficinas, os mapas impressos com
seus contornos e ruas eram a base para a reflexão dos problemas e
das possibilidades existentes na cidade de São Gonçalo, que
experimenta a vida metropolitana.
Dentre os roteiros, orientava-se, sem fazer perguntas diretas aos
entrevistados para deixar fluir o pensamento dos jovens. O grupo
focal se organizava como uma roda de conversa, com um
pesquisador fazendo o papel de estimulador de questões. Outro
pesquisador realizava o registro e outro observava os
encaminhamentos. Dentre os grupos, uma entrevista foi realizada
um com oito meninas residentes no bairro do Salgueiro, guiada pelo
roteiro abaixo:
Roteiro de grupo focal
Sobre o trabalho/estudo
Desde quando estuda/trabalha?
Onde essas atividades se localizam?
Como você começou a trabalhar?
O que você pensa dessa atividade?
O que você aprendeu com essa atividade?
Os jovens trabalhadores são diferentes dos mais velhos? Como?
Você pretende continuar nesse trabalho?
Como está nos estudos?
Quais dificuldades?
Quais possibilidades?
Você pode descrever o seu trabalho/ estudo?
(I) Apropriação do espaço urbano:
Onde você mora? É muito difícil chegar ao seu trabalho?
Quais são os lugares que você mais frequenta em São Gonçalo?
Quais são os lugares de São Gonçalo que você gostaria de conhecer?
Porque você não os conhece ainda?
(II) Segregação espacial (Percepção e experiência)
Quais são os melhores lugares de São Gonçalo para você?
E quais são os piores?
Onde é o centro de São Gonçalo para você?
O que você pensa sobre o Alcântara?
O que o seu trabalho ensinou sobre São Gonçalo? E sobre o Alcântara?
(III) Identidades sociais e conflitos espaciais:
Você se sente ligado a São Gonçalo?
Você gostaria de trabalhar em outro lugar? Por quê?
Como os seus amigos veem o seu trabalho? E a sua família?
Como os lojistas veem o seu trabalho? E a polícia?
Você já enfrentou dificuldades no seu trabalho? Quais? Quando?
Quem ajudou você nesses momentos?
(IV) Sociabilidade: vínculos sociais, redes sociais:
Quem são os seus melhores amigos?
Qual é o melhor lugar para fazer amigos?
O que é diversão para você?
Como você se diverte?
(V) Desigualdades sociais (percepção e experiência)
Você vê muitas diferenças sociais em São Gonçalo?
Quais são essas diferenças?
Os moradores de São Gonçalo lutam por seus direitos?
Quem mais luta por seus direitos? Como?
Quais são as principais necessidades da juventude de São Gonçalo?
Quais são as necessidades dos jovens que trabalham como vendedores
ambulantes?
(VI) Preconceito e exclusão social
É difícil ser jovem? Por quê?
Você acha que existe preconceito contra o seu trabalho?
Você acha que preconceitos podem ser superados? Como?
(VII) Imaginário urbano
Como são os jovens que você conhece?
Você gostaria de conhecer outros tipos de jovens?
Se você pudesse inventar um lugar para reunir os jovens de São Gonçalo,
como seria?
Aonde esse lugar seria?
Você sente falta de acesso a atividades culturais? Quais?
Você acha que o acesso a atividades culturais pode ser melhorado? Como?
Fonte: RIBEIRO, Relatório de pesquisa, 2008-12.
Algumas considerações do grupo focal com as
meninas do Salgueiro
A partir da transcrição dos depoimentos apresentados nas rodas
dos grupos focais, podemos tecer algumas considerações. Nosso
objetivo, nesta seção, é apresentar os temas centrais do debate e
que apareceram de forma muito frequente entre os presentes.
Dispensamos a apresentação dos nomes das depoentes.
De modo geral, para elas, viver em São Gonçalo, no leste
metropolitano fluminense, é relacionar-se ao todo com a região
metropolitana do estado do Rio de Janeiro. É fazer parte do espaço
social gonçalense convivendo com os limites e possibilidades de
uma cidade metropolitana periférica que refletem nas relações
sociais e no modo de reconhecimento dos jovens pela cidade de
São Gonçalo. A juventude do bairro Salgueiro proporciona uma
análise dos desejos e anseios por uma cidade melhor na qualidade
de vida, que refletem no modo que sociabilizam com outros
indivíduos e com o espaço urbano gonçalense.
Esse panorama abre espaço para o questionamento individual: “o
que é viver em São Gonçalo?”. Essa pergunta oferece reflexão que
viver em São Gonçalo é fazer parte da história do espaço urbano.
Cada jovem criou histórias que marcaram as vidas delas referentes
à construção do espaço do município. Lembranças das amizades da
época do colégio com conversas e brincadeiras na pracinha.
Campeonatos de futebol no campinho do bairro como única
atividade de lazer do local sem infraestrutura.
A juventude de São Gonçalo presume no urbano gonçalense a
possibilidade de uma vida de qualidade. Para elas, é preciso haver
serviços de assistência social no bairro do Salgueiro, por exemplo,
assim como programas para prevenção da gravidez e de doenças
sexualmente transmissíveis.
A busca por praias em outras cidades para lazer e diversão com
amigos e familiares é um paradoxo. Em São Gonçalo, encontram-se
as praias das Pedrinhas e da Luz. Mas por que os jovens se
deslocam para outras cidades em busca de praias? O conhecimento
do município de São Gonçalo pelas jovens gonçalenses é vago. A
inviabilidade de deslocamento pela cidade é permanente,
acarretando na falta de conhecimento de diversos lugares no
espaço urbano do município. Dessa maneira, são criados conceitos
pré-estabelecidos que determinados lugares não são prazerosos
para lazer de uma juventude, que precisa dele para o
desenvolvimento sociocultural.
São Gonçalo é a cidade dos encontros dos amigos em boates no
zé Garoto, Porto Velho, Porto da Pedra e Alcântara. Quando não há
boates, os jovens se dirigem para Niterói e Rio de Janeiro. Em alguns bairros, não há casas noturnas, mas encontros nas ruas, que
são fechadas para entretenimento.
Para a juventude do Salgueiro, em São Gonçalo, a educação
oferecida a elas é péssima. Muitos buscam estudar em escolas em
bairros distantes ou mesmo em outras cidades, uma vez que partem
do princípio que as instituições de ensino de São Gonçalo não são
de qualidade. Buscando uma educação melhor, deixam de construir
relações com o espaço urbano gonçalense.
Na visão da juventude da cidade, trabalhar em São Gonçalo é
algo impossível. Não há oferta de empregos suficiente para acolher
essas pessoas que buscam um futuro melhor muitas vezes saindo
de São Gonçalo. Embora o município tenha um milhão de
habitantes, tem forte participação no PIB do RJ e apresenta forte
diversificação dos postos de trabalho. Para os rapazes, sair de São
Gonçalo em busca de emprego é fácil. Infelizmente, muitas moças
afirmam que é difícil. As jovens mães gonçalenses analisam que
não há creches públicas no Salgueiro. Pela falta de creches públicas
municipais e estaduais, não há como as mulheres deixarem os seus
filhos com pessoas seguras e capacitadas. Isso impossibilita as
jovens mães de trabalharem, interrompendo a independência
feminina no mercado de trabalho.
Sob a ótica dos entrevistados, a saúde é vista com descaso pelo
poder público. Em um bairro como o Salgueiro, onde não há postos
de saúde para consultas médicas, os moradores precisam se
deslocar para os poucos bairros que têm postos de saúde, como
Neves e Jardim Alcântara. A juventude que anseia por uma cidade
melhor reivindica melhores condições do sistema de saúde que a
cidade tem.
São Gonçalo, cidade do prazer e do desprazer, onde as
lembranças afetivas estão intrinsecamente ligadas aos momentos
de felicidade. Ao mesmo tempo, cidade rejeitada pela juventude
onde há falta de qualidade de vida. Essas duas faces de sentimento
se encontram unidas como uma moeda.
São Gonçalo, cidade dos sonhos da juventude gonçalense para
um futuro melhor. As jovens do Salgueiro sonham viver em uma
cidade que possa proporcionar lazer e se sentirem confortáveis em
um espaço urbano que proporcione felicidade e qualidade de vida. Esses sentimentos de carinho pela cidade são limitados pela falta
de planejamento urbano social, que afeta todos os jovens que
almejam viver um futuro melhor onde os vínculos familiares estão
intrínsecos com o espaço urbano.
Viver em São Gonçalo é conviver com os sentimentos de saber
que está próximo do convívio afetivo e também se limitar nas
carências que todo indivíduo em um espaço urbano necessita. A
juventude do bairro do Salgueiro sonha com uma cidade melhor
para poderem viver com qualidade no espaço onde estão as
memórias marcantes da formação sociocultural. Em síntese, foram
estes imaginários sociais expressivos desse grupo de meninas que,
de certa forma, apareceram também nos depoimentos dos outros
grupos focais realizados com ambulantes, músicos e estudantes
universitários da Faculdade de Formação de Professores da
Universidade do estado do Rio de Janeiro (FFP-UERJ).
Outra experiência do projeto: a cartografia das
crianças
Entre as atividades desenvolvidas no Colégio Carlos Maia no
período de 2010 a 2011, apresentaremos resultados de uma oficina
que aconteceu em sala de aula. O objetivo da atividade era
compreender a leitura das crianças em relação aos problemas
ambientais e dos pescadores existentes em São Gonçalo com seu
entorno – a baía de Guanabara. O bairro da escola é banhado pelas
águas da baía e, próximo a ela, está uma comunidade de
pescadores chamada Esso, onde também há uma área de
embarque e desembarque. A partir da leitura de notícias de recortes
de jornais e de depoimento dos pescadores, foi elaborado um
glossário (tipo de vocabulário para entendimento comum) e um
quadro analítico que buscasse reconhecer: os agentes, as ações, as
reivindicações, os opositores, os tipos de protestos ou
manifestações. Com essa base elaborada e discutida, os estudantes
da turma do quinto ano elaboraram um mapa baseado nas fronteiras
e nos principais bairros.
O resultado do trabalho que reconhece a cartografia da ação
social como processo pode ser visto a seguir. O ponto de partida foi
um conjunto de problematizações trazidas pelas notícias de jornais
e pelo olhar das crianças. Na semana seguinte, os alunos trouxeram
para a sala um pescador militante e realizaram entrevista com ele.
No trabalho de análise, antes de trabalharem efetivamente no mapa,
as crianças conseguiram identificar no espaço representado a
localização das barqueatas (formas de manifestações dos
pescadores para realizar algum tipo de protesto e reivindicação), as
empresas indústria naval, petroquímica, localização dos resíduos
sólidos e muitos outros agentes, usos e problemas existentes.
Figura 1. Aplicação da metodologia da cartografia da ação na
escola.
Fonte: Relatório Final. LASTRO-IPPUR-UFRJ& NUTEMC-FFP-
UERJ, 2011.
A produção coletiva do mapa utilizou, em sala de aula, vários
recursos discursivos e didáticos, com formatos diversos e a ideia de troca de saberes proporcional a possibilidade de produzir um ensino
de geografia fundamentada nas formas de representação da
existência no sentido de Sartre – o ser não se constrói pela sua
essência. É, antes de qualquer coisa, elaborada na sua reflexão no
mundo, portanto no contexto social, cultural, político e espacial no
qual se constrói de forma permanente. Trata-se da compreensão da
pedagogia que se torna livre no exercício da consciência (da ação e
sentido dessa ação) como bem ensina Freire (2008). É nesse
contexto, confrontando outros mapas, que é possível compreender
que o mapa é existencial, sempre um recorte, uma leitura de mundo.
Não é a totalidade, mas o que a leitura quer demonstrar.
3. Algumas conclusões para
encaminhamentos do fazer geográfico
Aproximando-se das conclusões, vale expressar algumas
preocupações que estamos atentos no fazer geográfico cotidiano. A
primeira delas consiste no entendimento do que é produção da
cartografia na contemporaneidade. Limites a serem ultrapassados
pelo fazer cartográfico são fundamentais, tendo como referência
epistemológica a questão cartografia: “pra quem?”, “cartografia para
que?”. Na superação de limites, superar o fazer cartesiano – ciência
das sínteses para a ciência da complexidade (Morin, 1996), em que
o mapa deixe de ser o fim para ser o meio do fazer e do saber.
Cartografar movimentos da sociedade, das apropriações urbanas,
territoriais e o que permite compreender a representação
cartográfica como processo social (Ribeiro, Silva, Schipper, 2011).
Novas metodologias, incluir sentidos do sujeito, tempo lento da troca
de saberes, apreender o cotidiano dos grupos sociais. A cartografia
como processo – do sentido, as ações, as problematizações, as
formas de representações (mapa, lei etc.) –, valorização da análise
processual e não somente do objeto em si. Necessária
reaproximação da ciência e arte (linguagens e símbolos) –
expressão de movimentos, sentidos, lutas, protestos e
reivindicações, medos e desejos (Ribeiro, 2010).
A cartografia dos sujeitos é, na verdade, a cartografia da ação
social deles, que incluem ações e intenções – quem elabora o tema
e a simbolização, quem elabora os sentidos da ação social.
Estamos diante de uma alteração de paradigma científico
necessária – sair das sínteses para a complexidade –, produção de
teoria social e geográfica ao alterar a metodologia entender os
sentidos, dialogar com o outro – o outro como sujeito por meio de
novas maneiras de fazer a pesquisa de campo, o trabalho analítico
e as formas de expressão do conhecimento.
Referências
ACSELRAD, Henri (org.). Cartografia social e dinâmica territorial:
marcos para o debate. Rio de Janeiro: IPPUR-UFRJ, 2010.
ALMEIDA, Alfredo W. Nova cartografia social da Amazônia. Manaus:
PPGSCA, 2009.
BADIOU, Alain. Ética: um ensaio sobre a consciência do mal. Rio de
Janeiro: Relume Dumará, 1995.
BRITTO, Fabiana D. “Co-implicações entre corpo e cidade: da sala
de aula à plataforma de ações”. In BRITTO, F. B. e JACQUES, P. B.
Corpocidade: debates, ações e articulações. Salvador: UFBA, 2010,
pp. 12-23.
CERTEAU, Michel de. “A invenção do cotidiano”. Artes do fazer. 3
ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
CORDEIRO, Denise. Juventude nas sombras. Rio de Janeiro:
Lamparina & FAPERJ, 2009.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança. São Paulo: Paz e Terra,
2008.
IANNI, Octavio. A sociedade global. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 1992.
LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. São Paulo: Documentos,
1969.
_____. “La presence et l´absence”. Contribution à la theorie das
représentation. Paris: Casteman, 1980.
MARTINS, José de Souza. A sociabilidade do homem simples. São
Paulo: Contexto, 2008.
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 1996.
RIBEIRO, Ana Clara T. “Pequena reflexão sobre categorias da teoria
crítica do espaço: território usado, território praticado”. In SOUzA,
Maria Adélia Aparecida de (org.). Território brasileiro: usos e abusos.
São Paulo: Edições Territorial, 2003.
_____. Relatório técnico-científico do projeto: territórios da
juventude: experiências em cartografia da ação (São Gonçalo, RJ).
Edital Humanidades. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2008-12.
_____. “Dança de sentidos: na busca de alguns gestos”. In BRITTO,
F. B. e JACQUES, P. B. Corpocidade: debates, ações e articulações.
Salvador: UFBA, 2010, pp. 24-40.
_____. Por uma sociologia do presente: ação, técnica e espaço. Rio
de Janeiro: Letra Capital, 2012, v. 1.
_____. Por uma sociologia do presente: ação, técnica e espaço. Rio
de Janeiro: Letra Capital, 2013, v. 5.
_____e SILVA, Catia Antonia da. “Faces ativas do urbano: mutações
num contexto de imobilismos”. In _____(org.). Repensando a
experiência urbana da América Latina: questões, conceitos e
valores. Buenos Aires: CLACSO, 2000, pp. 96-125.
_____ et al. “Por uma cartografia da ação: pequeno ensaio de
método”. Cadernos IPPUR, ano XV, n. 2 e ano XVI, n. 1, 2001-02. _____ et al. Relatório técnico-científico do projeto: cartografia da
ação e análise de conjuntura: reivindicações e protestos em
contextos metropolitanos (quatro volumes). Programa Cientista do
Nosso Estado. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2005-06.
_____ et al. “Cartografia da ação e a juventude na cidade: trajetórias
de método”. In et al. (orgs.). Cartografia da ação e movimentos da
sociedade: desafios de método e experiências urbanas. Rio de
Janeiro: Lamparina, 2011, pp. 31-42.
SANTOS, Boaventura de Souza. “Uma cartografia simbólica das
representações sociais: prolegômenos a uma concepção pós-
moderna do direito”. Espaço & Debates, v. 33, ano XI, 1991.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio
técnico-científico informacional, São Paulo: HUCITEC, 1994.
_____. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção.
São Paulo: HUCITEC, 1996.
_____ et al. O papel ativo da Geografia: manifesto. XII Encontro
Nacional de Geógrafos, Florianópolis, jul. 2000.
SANTOS, Renato E. “Cartografias e lutas sociais: notas sobre uma
relação que se fortalece. In RIBEIRO, Ana Clara Torres et al. (orgs.).
Cartografia da ação e movimentos da sociedade: desafios de
método e experiências urbanas. Rio de janeiro: Lamparina, 2011,
pp. 43-60.
SILVA, Catia A. da. “O fazer geográfico em busca de sentidos ou a
geografia em diálogo com a sociologia do tempo presente”. Boletim
Campineiro de Geografia, v.2, p.1, 20-21, 2012.
_____ e SCHIPPER, Ivy. “Cartografia da ação social: reflexão e
criatividade no contato da escola com a cidade”. Revista Tamoios
[on line], v. 8, p. 20, 2012.
SOUzA, José G. e KATUTA, Ângela M. Geografia e conhecimentos
cartográficos. São Paulo: UNESP, 2001.
WEBER, Max. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Martin
Claret, 2001.
Notas
1. Rio de Janeiro: trajetória
institucional e especificidades do
marco de poder
1. Registramos aqui nossos sinceros agradecimentos a Leonardo
Amaral da Veiga e Ivan Gontijo Akerman, pelo cuidadoso
trabalho de revisão deste artigo.
↩
2. Professor associado da FND/UFRJ. Coordenador do
Observatório de Estudos sobre o Rio de Janeiro, vinculado ao
Programa de Pós-Graduação da FND/UFRJ e cadastrado nos
Grupos de Pesquisa do CNPq. Presidente do Instituto de
Estudos sobre o Rio de Janeiro (IERJ). E-mail:
mauroosorio@uol.com.br.
↩
3. Enomomista e integrante do grupo de pesquisa Observatório de
Estudos sobre o Rio de Janeiro (UFRJ) e do IERJ. Mestrando
em Planejamento Urbano e Regional no IPPUR/UFRJ. E-mail:
henriquersr@hotmail.com.
↩
4. Historiadora vinculada ao Museu da República e integrante do
grupo de pesquisa Observatório de Estudos sobre o Rio de
Janeiro (UFRJ) e do IERJ. Doutora em História, Política e Bens
Culturais pelo CPDOC/FGV. E-mail: m.versiani@globo.com.
↩
5. Utilizamos aqui o conceito de capitalidade conforme proposto
por Marly Silva da Motta (2001, p. 24), quando, a partir da
formulação teórica de Giulio Argan – arquiteto, historiador da
arte e prefeito comunista de Roma (1976-1979) –, define as
cidades-capitais como “o lugar da política e da cultura, como
núcleo da sociabilidade intelectual e da produção simbólica,
representando, cada uma à sua maneira, o papel de foco da
civilização, núcleo da modernidade, teatro do poder e lugar de
memória”.
↩
6. Denominação costumeiramente dada ao antigo estado do Rio
de Janeiro.
↩
7. Geoffrey Hodgson utiliza, como referência básica, os
institucionalistas americanos citados. No entanto, em sua obra
aparecem com centralidade os trabalhos de Veblen, quando
este propõe que se troque, como paradigma econômico, a ideia
do equilíbrio advinda da Física pela ideia da evolução,
recorrendo-se à Biologia como metáfora.
↩
8. Tradução livre de Alexandre Borges.
↩
9. Sobre o assunto, ver Freire (2000) e Motta (2001).
↩
10. Sobre o assunto, ver Osorio (2005). Para uma discussão sobre
o conceito de clientela, ver Diniz (1982).
↩
11. Sobre o assunto, ver depoimento de Luiz Alberto Bahia, anexo
à tese de doutorado de Mauro Osorio (2004).
↩
12. A referida série também se encontra disponível no anexo da
tese de doutorado de Mauro Osorio (2004).
↩
13. Como era então chamada a Guanabara, nos anos 1960, em
oposição à Novacap (Brasília).
↩
14. Sobre o peso da participação de Amaral Peixoto nas
negociações sobre a nova institucionalidade carioca, quando da
transferência da capital para Brasília, ver, por exemplo, Motta
(2000, p. 32).
↩
15. Em Minas Gerais, visando fomentar o desenvolvimento regional
e realizar pesquisas, criou-se um conjunto de instituições,
incluindo: a Fundação João Pinheiro, voltada à realização de
pesquisas sobre a realidade mineira; um programa de mestrado
e, mais recentemente, de doutorado, denominado Cedeplar e
vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais; a Fundação
INDI, órgão para a promoção econômica de Minas Gerais; e o
Banco de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais
(BDMG).
↩
16. Acreditamos que a Velha Província tenha sofrido com a
transferência da capital de forma mais pesada do que a cidade
do Rio de Janeiro, não só pela dependência econômica já
apontada, mas também pela instabilidade político-institucional
vivenciada naquela região entre 1960 e 1964, após a morte do
governador Roberto da Silveira; pela posterior cassação do
governador Badger da Silveira; e pelo fato de os governadores
nomeados pelo governo militar haverem permanecido no cargo,
em média, por apenas dois anos.
↩
17. Sobre o assunto, ver Osorio (2005). Assinala-se que a carência
de reflexão e de organização de dados no âmbito regional e a
tradição do Rio de Janeiro de privilegiar o debate de temas
nacionais e internacionais fazem com que, em diversos
momentos, ao ser observada a existência de determinada
tendência em outras regiões do planeta, e ao primeiro dado que
aponte que, aparentemente, o mesmo estaria ocorrendo em
nossa região, passemos a trabalhar com a mesma hipótese.
Isso aconteceu quando da implantação da política de distritos
industriais na Guanabara e, mais recentemente, com alguns
autores apontando significativa interiorização da economia
fluminense. No segundo caso, não se levou devidamente em
conta que o crescimento do PIB no interior fluminense derivava
centralmente da extração de petróleo em alto-mar, não tendo
gerado uma significativa estrutura produtiva em terra, no interior
do estado.
↩
18. Matérias publicadas no jornal O Globo, logo após a mudança da
capital para Brasília, mostram o carioca comemorando esse
acontecimento. A comemoração baseava-se no fato de que,
após muitos anos, finalmente o Rio poderia eleger seu
governador e de que, pela hipótese da não consolidação de
Brasília, a cidade se manteria como a “capital de fato”.
↩
19. José Augusto Assumpção Brito apresenta uma longa trajetória
de atuação como técnico e dirigente de instituições vinculadas à
economia da Guanabara e do antigo estado do Rio de Janeiro.
Nos anos 1960, trabalhou como técnico na Copeg. Na primeira
metade dos anos 1970, atuou vinculado à Companhia de
Desenvolvimento Industrial do antigo estado do Rio de Janeiro.
A partir de 1975, com a fusão, dirigiu a Codin, Companhia de
Desenvolvimento do novo estado do Rio de Janeiro, por um
período de dez anos. Posteriormente, participou dos governos
Saturnino Braga, Moreira Franco e Marcelo Alencar, tendo sido
ainda, no início dos anos 1990, presidente do Sebrae nacional.
↩
20. Sobre o assunto, ver dissertação de mestrado de Maria Helena
Versiani (2007), em que se analisam os posicionamentos da
bancada federal de representação da cidade do Rio de Janeiro,
nos anos de 1962 e de 1970. Os discursos da bancada eleita
em 1962 eram hegemonicamente referenciados no debate
brasileiro. Já os discursos da bancada federal eleita em 1970,
tendo em vista as cassações ocorridas, apresentavam uma
linha de defesa de questões pontuais e clientelistas.
↩
21. Em 1975, como sabemos, ocorreu a fusão entre a Guanabara e
o antigo estado do Rio de Janeiro. Dessa forma, segundo os
dados do PIB aqui apresentados, referentes ao ano de 1970, o
PIB do antigo estado do Rio de Janeiro está somado ao PIB da
Guanabara, permitindo a comparação com o PIB do estado do
Rio pós-fusão.
↩
22. Esse dado foi calculado a partir de indicadores sistematizados
pelo Conselho Nacional de Política Fazendária do Ministério da
Fazenda (Confaz), em pesquisas realizadas pelo Observatório
de Estudos sobre o Rio de Janeiro, grupo de pesquisa
cadastrado no CNPQ e vinculado ao Programa de Pós-
Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio de
Janeiro.
↩
23. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro é composta pelos
seguintes 21 municípios: Belford Roxo; Cachoeiras de Macacu;
Duque de Caxias; Guapimirim; Itaboraí; Itaguaí; Japeri; Magé;
Maricá; Mesquita; Nilópolis; Niterói; Nova Iguaçu; Paracambi;
Queimados; Rio Bonito; Rio de Janeiro; São Gonçalo; São João
de Meriti; Seropédica; e Tanguá.
↩
24. Esse índice procura observar a qualidade da educação em
cada município brasileiro, levando em consideração os dados
disponíveis no que diz respeito aos resultados da educação
pública e privada, de ensino fundamental e médio. Leva em
conta ainda informações como o número de crianças e
adolescentes em idade escolar e fora da sala de aula. Procura
também dar ênfase à necessidade de integrar os ensinos
fundamental e médio, dentro da lógica de estimular a criação,
em cada localidade, de um sistema municipal de educação. A
metodologia completa desse índice está disponível no link
http://www.ioeb.org.br/pagina/metodologia.
↩
25. Em algumas análises e debates sobre o estado do Rio de
Janeiro, a região Noroeste Fluminense é apontada como a mais
complicada do ponto de vista socioeconômico. De fato, essa
região é a que apresenta o menor PIB per capita, entre todas as
oito regiões de governo do estado do Rio de Janeiro. No
entanto, ao olharmos com mais cuidado para o conjunto dos
indicadores socioeconômicos dos 92 municípios fluminenses e
das regiões de governo, verificamos que a região com maior
degradação socioeconômica é a metropolitana, em particular, a
periferia. Sobre o assunto, ver Sobral (2015).
↩
26. Em 1995, o governo Fernando Henrique Cardoso, em face da
decadência econômico-social do estado do Rio de Janeiro e da
importância social e simbólica dessa região, criou um Conselho
de Ações Federais no estado, chefiado pelo presidente da
República e tendo como secretário-executivo o advogado
Raphael de Almeida Magalhães. Entre suas prioridades, esse
Conselho definiu: a criação de um polo petroquímico com base
no gás natural, em Duque de Caxias; o desenvolvimento de um
porto de contêiner em Itaguaí, cujo projeto consistia em ser o
maior porto da América Latina; e a criação de um grupo de
trabalho para atuar em prol da conquista, pelo Rio de Janeiro,
da função de sede das Olimpíadas de 2004. Essa iniciativa
contribuiu para a política de atração de megaeventos, que
redundou no fato de o Rio de Janeiro ser a sede dos Jogos
Pan-Americanos, em 2007; dos Jogos Mundiais Militares, em
2011; da Rio+20, em 2012; da Jornada Mundial da Juventude,
em 2013; uma das principais sedes da Copa do Mundo, de
2014; e também sediar as Olimpíadas de 2016.
↩
27. Osorio et al., 2011.
↩
28. Uma análise detalhada sobre esse complexo econômico, suas
potencialidades e proposições de políticas pode ser vista em
Osorio e Sobral (2013).
↩
29. O dado do total de empregos em hotéis e pousadas na cidade
do Rio de Janeiro, em 2014, já incorpora boa parcela dos novos
hotéis abertos em função dos megaeventos que ocorrem na
cidade, desde o Pan-Americano de 2007.
↩
30. Do ponto de vista do custo e dos investimentos gerados pela
realização das Olimpíadas, diversos questionamentos podem
ser feitos. Em primeiro lugar, começa a haver um entendimento
crescente de que a forma como se organizam as Olimpíadas
deve ser simplificada. Em segundo lugar, a realização do
evento em região de expansão territorial da cidade do Rio de
Janeiro, na zona Oeste, ao contrário do que ocorreu em
Londres e Barcelona – em geral, apresentadas como exemplos
bem-sucedidos do ponto de vista urbano –, pode gerar uma
série de efeitos negativos, como a ampliação dos custos em
infraestrutura, pela expansão territorial da cidade, e o maior
distanciamento entre trabalho e moradia, o que representa o
oposto do que os urbanistas hoje em dia hegemonicamente
recomendam. Maior detalhamento dessa discussão, no entanto,
não cabe no escopo deste artigo.
↩
31. Sobre o assunto, ver Hasenclever e Paranhos, 2015.
↩
32. Sobre o assunto, ver Sobral (2015).
↩
2. Em busca de cidades mais justas
por meio da tributação imobiliária: um
olhar sobre as cidades fluminenses
1. Este artigo sintetiza parte das conclusões do Grupo de
Pesquisa sobre Tributação Imobiliária que coordenei no
Programa de Pós-Graduação em Direito, na linha Direito da
Cidade. Participaram do grupo os pós-graduandos Pedro
Vasques, Natália Sales, Diego Ximenes, Álvaro Carlos Barbosa
e Carmem Silvia Mattos.
↩
2. Professora associada da Faculdade de Ciências Econômicas
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pós-doutora em
Planejamento Urbano.
↩
3. Renda real é um conceito que não se restringe à renda
monetária, incluindo o conjunto de acesso às condições de
vida, que podem ser ampliados por meio da disponibilidade de
infraestrutura urbana provida pelo poder público.
↩
4. Art. 5º, XXII: é garantido o direito de propriedade; XXIII – a
propriedade atenderá à sua função social; Art. 170: A ordem
econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na
livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna,
conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes
princípios: II –propriedade privada; III – função social da
propriedade; Art. 182, § 2º: A propriedade urbana cumpre sua
função social quando atende às exigências fundamentais de
ordenação da cidade expressas no plano diretor. Art. 186: A
função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência
estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I –
aproveitamento racional e adequado; II – utilização adequada
dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio
ambiente; III – observância das disposições que regulam as
relações de trabalho; IV – exploração que favoreça o bem-estar
dos proprietários e dos trabalhadores.
↩
5. § 1º – O direito de propriedade deve ser exercido em
consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e
de modo que sejam preservados, de conformidade com o
estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas
naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e
artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas.
↩
6. Esta parte do artigo se baseia na síntese elaborada por Natália
Sales e Carmem Matos para o grupo de pesquisa sobre
Tributação Imobiliária, sob minha coordenação.
↩
7. Governos regionais são aqueles que administram territórios
menores do que estados nacionais, porém maiores do que os
governos locais, podendo ser chamados de governos
estaduais, provinciais ou departamentais.
↩
8. No link Finbra (Finanças do Brasil – Dados Contábeis dos
Municípios). Disponível em
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt_PT/contas-anuais.
↩
9. IBGE – Contas Regionais do Brasil, 2013.
↩
10. Foram considerados “municípios consolidados” aqueles cuja
população já se estabilizou.
↩
11. Niterói foi capital do estado do Rio de Janeiro até 1975, quando
foi instituída a fusão entre os estados da Guanabara (antigo
Distrito Federal) e o Rio de Janeiro. A partir de então, a cidade
do Rio de Janeiro deixaria de ser a cidade-estado da
Guanabara e passaria a ser a capital do novo estado do Rio de
Janeiro.
↩
12. Além do IPTU e do ITBI, incidem sobre a propriedade
imobiliária as contribuições de melhoria e o Imposto Territorial
Rural (de competência federal), ambos com participação muito
pequena na arrecadação fiscal, conforme apontado por Santos
(2014b).
↩
13. A transferência da propriedade só ocorre após o registro em
cartório, o que estimula os novos proprietários a aceitarem o
valor arbitrado pelo Poder Público.
↩
14. Economias dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
↩
15. Caso do município de Nova Iguaçu.
↩
16. Em 2012, entrou em vigor a Lei n. 12.734, que alterou a partilha
das receitas petrolíferas entre os entes federativos,
anteriormente muito concentrada nos estados e municípios
considerados “produtores”, casos de Campos dos Goytacazes e
Macaé.
↩
17. Este trecho se baseia na síntese elaborada por Pedro Vasques
para o Grupo de Pesquisa sobre Tributação Imobiliária, sob
minha coordenação.
↩
18. Serviço de Proteção ao Crédito.
↩
19. Serasa Experian é uma empresa certificadora de crédito.
↩
3. O relevo do estado do Rio de
Janeiro: cenário de beleza e
fragilidade ambiental
1. Universidade Federal do Rio de Janeiro.
↩
2. Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
↩
4. Uma visão integrada dos impactos
ambientais no estado do Rio de
Janeiro
1. Doutora em Geografia (UFF, 2012).
Este estudo compõe o Projeto zEE/RJ, que foi elaborado pelo
Consórcio Cobrape-Oikos, coordenado pela Secretaria de
Estado e Ambiente (SEA).
↩
2. Este estudo compõe o Projeto ZEE/RJ, que foi elaborado pelo
Consórcio Cobrape-Oikos, coordenado pela Secretaria de
Estado e Ambiente (SEA).
↩
3. As serrarias integram o processo de exploração de pedras
ornamentais e são responsáveis pelo acabamento final das
rochas.
↩
5. Sustentabilidade da produção
energética no Rio de Janeiro: as
Pequenas Centrais Hidrelétricas
(PCH) potencializando regionalmente
o território fluminense
1. Pós-doutor em Políticas Públicas pela Universidad Autónoma
de Madrid e doutor em Geografia pela UFRJ. Professor do
Programa de Pós-Graduação em Geografia da PUC-Rio e líder
do grupo de pesquisa Gestão Territorial no Estado do Rio de
Janeiro (GeTERJ). É bolsista Jovem Cientista Nosso Estado
(JCNE), da Faperj.
↩
2. Geógrafo pela PUC-Rio e mestre em Geologia pela UERJ.
Trabalha com consultoria ambiental e energética.
↩
3. Engenheira ambiental e sanitária pela PUC-Rio e especialista
em Engenharia Sanitária pela UFRJ. Atualmente, é mestranda
em Engenharia Ambiental pela UERJ.
↩
4. Todavia, em 20 de janeiro de 2015, a presidente Dilma Rousseff
sancionou a Lei nº 13.097, resultado do Projeto de Lei de
Conversão (PLC) nº 18/2014 sobre a Medida Provisória nº
656/14, que, apesar de contar com alguns vetos, traz mudanças
positivas para o setor elétrico, como, por exemplo, a ampliação
do limite de potência das Centrais Geradoras Hidrelétricas
(CGH) de 1 MW para 3 MW.
↩
5. Hoje, o que se vê é o mundo, de modo geral, investindo e
buscando fontes renováveis para a geração de energia, e o
Brasil investindo no Pré-Sal (muito mais do que em qualquer
fonte renovável). O próprio EPE-BEN (2014) aponta que o
crescimento da oferta das fontes energéticas foi representado
em 80% por petróleo, gás natural e derivados.
↩
6. Com a promulgação da Resolução Conama nº 001/86
(23/01/1986), que estabeleceu as normas para a Avaliação de
Impactos Ambientais, a implantação de empreendimentos de
médio a grande porte está condicionada a um processo de
licenciamento ambiental e a um Relatório de Impactos sobre o
Meio Ambiente (EIA/RIMA).
↩
7. Usinas hidrelétricas “a fio d’água” são aquelas que não dispõem
de reservatório de água, ou o têm em dimensões menores do
que poderiam ter. Optar pela construção de uma usina “a fio
d’água” significa optar por não manter um estoque de água que
poderia ser acumulado em uma barragem (Adaptado de Faria,
2011).
↩
8. Apesar da clara tendência de aumento da geração de energia
por métodos alternativos e renováveis no país, as estatísticas
da EPE-PDE (2019, 2010) estimam o total de empreendimentos
hidrelétricos viabilizados até 2019 em mais 40 UHE.
↩
9. A PCH visitada é a terceira da empresa Energisa Geração Rio
Grande S.A (pertence ao grupo Energisa S.A.), a qual também
é proprietária das PCH São Sebastião do Alto e PCH Caju,
todas alocadas no rio Grande.
↩
6. Transformações no espaço rural
fluminense: o papel da agricultura
familiar e das atividades turísticas
1. Professor associado do IGEOG/UERJ e bolsista CNPq
CNE/Faperj.
↩
7. Os investimentos externos diretos
da República Popular da China no
território fluminense no século XXI
1. Bacharel e licenciado em Geografia pela UERJ; especialista em
História das Relações Internacionais pelo CEHRI/UERJ; pós-
graduado em Dinâmicas Urbano-Ambientais e Gestão do
Território pela FFP/UERJ; e mestre em Geografia pelo
PPGEO/UERJ.
↩
1. Para Oliveira, o marco desse processo foi “o ano de 1994,
quando teve início a extração de petróleo em escala comercial
nas grandes jazidas da bacia de Campos, no norte do estado, e
o anúncio da instalação da indústria automobilística com a
montadora de caminhões da Volkswagen, na região do Médio
Paraíba” (2012, p. 136).
↩
2. Fundação Ceperj. Disponível em:
http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/ceep.html. Acesso em: 20 mar.
2015
↩
3. As divisões administrativas da República Popular da China
compreendem 23 províncias, cinco regiões autônomas, quatro
municípios centrais e duas regiões administrativas especiais
(Hong Kong e Macau). Disponível em:
http://portuguese.cri.cn/chinaabc/chapter110202.htm. Acesso
em: 23 jul. 2015.
↩
4. “Desde então, a política exterior e o modelo de
desenvolvimento foram se adaptando ao propósito de promover
desenvolvimento interno, ao estilo cada vez mais próximo da
modernização alcançada pelo sistema capitalista de produção,
consumo e inserção internacional” (Cervo, 2008, p. 278).
↩
5. O programa das Quatro Modernizações da China compreendeu
a modernização dos setores de agricultura, indústria, tecnologia
e defesa nacional (Kissinger, 2011).
↩
6. Muitos estudos abordaram essa temática, em face de sua
relevância para a dinâmica daquela economia asiática e
também para a economia mundial. Alguns deles são aqui
retomados, por representarem referências teóricas acerca da
expansão dos investimentos chineses no mundo, subsidiando
nossa análise sobre a ascensão da China como investidor
internacional.
↩
7. Antecedida apenas por França, Hong Kong, Alemanha e
Estados Unidos (CEBC, 2013).
↩
8. Em consulta ao site da Unctad, verificou-se que os dados
acerca de fluxo e estoque de IDE nos países são
continuamente atualizados, o que implica algumas ligeiras
diferenças quantitativas para os anos mais recentes, em
comparação aos estudos tomados como referência neste
estudo.
↩
9. Ver Tabela 1.
↩
10. “Tradicionalmente, distinguem-se três diferentes modos de
entrada de investimentos em um país: a) Fusões e Aquisições –
compra total ou parcial de empresas situadas no país por um
investidor estrangeiro, b) Joint Ventures – parcerias estratégicas
entre empresas, que envolvem a participação acionária das
empresas na criação de uma nova empresa com uma finalidade
específica e c) Greenfield – construção de instalações
totalmente novas no país de destino por um investidor
estrangeiro, que tem o controle total da construção e operação
dos ativos” (CEBC, 2011 b, p. 23).
↩
8. Dinâmicas territoriais no estado do
Rio de Janeiro: reflexões em torno da
região Noroeste Fluminense
1. Instituto Federal Fluminense (Campos).
↩
1. A esse respeito, ver o excelente artigo de Limonad (2004), que
analisa, situa e contrapõe-se à ideia de um esvaziamento
econômico no Rio de Janeiro a partir da fusão. Ver também o
artigo de Evangelista (2005), no qual ele aponta o que chamou
de luta pela fusão e luta pela desfusão, bem como a
contraposição de visões contrárias e favoráveis ao processo em
pauta.
↩
2. Há que se ressaltar que essas oportunidades trazem consigo
uma série de desafios à continuidade do processo de
crescimento econômico, à melhora da gestão pública na
questão fiscal e orçamentária, bem como nos aspectos sociais,
como violência urbana, educação ou acesso aos serviços
(Pinheiro e Veloso, 2012). Na mesma direção, alguns
pesquisadores têm reiterado a necessidade de cuidados na
aplicação dos recursos oriundos do setor petrolífero – em
muitos casos, a principal fonte de arrecadação. A esse repeito,
vejam-se as publicações disponíveis no site do mestrado em
Planejamento Regional e Gestão de Cidades da Universidade
Candido Mendes (http://cidades.ucam-
campos.br/index.php/producoes/publicacoes), bem como na
revista do referido programa (http://royaltiesdopetroleo.ucam-
campos.br/).
↩
3. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é
medido pelos indicadores de três dimensões do
desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda.
Esse índice varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 1, melhor é
o desenvolvimento humano do município. As faixas de
desenvolvimento humano variam entre muito alto e muito baixo:
muito alto (0,800-1,000); alto (0,7000,799); médio (0,600-
0,699); baixo (0,500-0,599) e muito baixo (0,000-0,499).
↩
4. Dados extraídos do site do Hospital São José do Avaí.
Disponível em: http://www.hsja.com.br/. Acesso em: 24 de ago.
2015.
↩
5. A título de comparação, de acordo com o site inforoyalties
(http://inforoyalties.ucam-campos.br/), o maior recebedor de
royalties e participações especiais do ERJ é Campos dos
Goytacazes. Itaperuna ocupava a 42ª posição num ranking de
2014 entre os 87 municípios do ERJ que têm direito a esses
recursos. No entanto, como demonstram os “Estudos
socioeconômicos dos municípios do estado do Rio de Janeiro”,
disponibilizado pelo TCE-RJ, em 2013 os royalties
representavam 55,7% da composição das receitas correntes do
município de Campos, contra 6,5% para Itaperuna.
↩
9. O bairro de Santa Cruz, RJ: uma
configuração socioespacial
construída no decorrer do tempo
1. Referimo-nos ao bairro como a menor porção delimitada e
reconhecia pela divisão político-administrativa do município do
Rio de Janeiro.
↩
2. Este artigo integra a tese desenvolvida no Programa de Pós-
Graduação em Geografia da UERJ, intitulada “O bairro de
Santa Cruz-RJ no contexto da metropolização: escalas,
dinâmicas e processos socioespaciais (2005-2015)”.
↩
1. A XXXII RA da Colônia Juliano Moreira foi aprovada pelo
Projeto de Lei nº 446/96, mas não chegou a ser implementada.
Portanto, até a presente data, constam 33 RAs devidamente
instituídas. O projeto de lei complementar nº 15/2013 tramita
com a proposta de criar mais nove regiões administrativas,
desmembradas das já existentes, o que resultará no aumento
da máquina administrativa, com a criação de cargos de
gerência, chefia, coordenadoria e assessoria.
↩
2. A Fazenda Nacional de Santa Cruz ocupa uma área com mais
de oitenta mil hectares, em nove municípios fluminenses (Rio
de Janeiro, Itaguaí, Seropédica, Paracambi, Japeri, Engenheiro
Paulo de Frontim, Mendes, Piraí e Rio Claro).
Aproximadamente oitocentas mil pessoas vivem nessa região.
↩
3. Tomamos como referência o salário mínimo nacional de 2011
(quando a segunda fase do PMCMV foi implementada), de
acordo com a MP nº 516/10 e o DOU de 31/12/2010. A partir de
1/1/2011, o valor passou para R$ 540,00. Após, tivemos mais
quatro reajustes do salário mínimo nacional (SM), sendo que o
último passou a vigorar em 1/1/2015, no valor de R$ 788,00. No
site http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/07/ há
uma divulgação da fase três do programa, na qual haverá
reajuste. Porém, a fase dois, que ainda está em vigor,
estabelece as faixas de renda tomando por base o salário
mínimo de 2011, portanto a faixa 1, de zero a três salários,
engloba as famílias que ganham até R$1.600,00; a faixa 2, de
três a seis salários mínimos, para os que ganham entre R$
1.600,00 e R$ 3.725,00; e a faixa 3 abrange aqueles que têm
renda familiar entre R$ 3.725,00 e R$ 5.000,00.
↩
4. A autora vem desenvolvendo pesquisas na zona Oeste carioca
que integra a AP5. No curso de pós-graduação lato sensu em
Políticas Territoriais no Estado do Rio de Janeiro, oferecido pelo
Instituo de Geografia da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, foi examinado o transporte público na urbe carioca,
especificamente no bairro de Campo Grande, relacionando-o
com o processo de segregação socioespacial. Em 2009,
novamente a respeito do bairro de Campo Grande, no curso de
Pós-Graduação stricto sensu em Geografia na Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi feita uma pesquisa
relacionando os processos de segregação e de centralização,
com a finalidade de perceber a produção do espaço urbano
carioca de acordo com o desenvolvimento geográfico desigual,
ressaltando a forma paradoxal em que o recorte analisado se
constitui.
↩
10. De povoado a município:
transformações socioeconômicas em
Nilópolis
1. Este artigo foi elaborado a partir de dissertação apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro, sob a orientação do Prof. Dr. Miguel
Angelo Ribeiro.
↩
2. Mestre em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro.
↩
3. Para esta parte do artigo, encontramos apoio em diferentes
historiadores que utilizaram grafias distintas para fazer
referência ao nome da fazenda e aos proprietários fundiários da
cidade. Mantivemos a grafia de acordo com o autor considerado
na citação.
↩
4. Há discordâncias quanto ao tamanho territorial de Nilópolis
entre o IBGE, a prefeitura e alguns autores. Embora todos
concordem com a delimitação de 9 km² como a área
urbanizada, o instituto federal considera 19,157 km² a extensão
total do município, ao passo que, para os demais, essa
extensão seria de 22 km².
↩
5. Ribeiro (2002) subdivide o estado do Rio de Janeiro em dois
espaços: a metrópole, constituída por seu núcleo e pela
periferia (na qual está incluída a Baixada Fluminense), e o
interior.
↩
11. Situando Duque de Caxias no
contexto metropolitano da baixada
fluminense: de cidade-dormitório a
cidade plena
1. Com mais de 1.500 km², o município de Nova Iguaçu passou a
sofrer grande pressão populacional e política, clamando por
melhorias urbanas, como saneamento, água, equipamentos de
saúde e de educação, principalmente após a Segunda Guerra
Mundial, o que levou ao início do processo de emancipação na
Baixada Fluminense. De acordo com Marcus Nogueira (2008, p.
5), “esse fenômeno alijou, de forma rápida e brutal, as históricas
e tradicionais famílias que ocupavam a região. Desaparecem os
Soares, os Souza e Mello, os Telles de Menezes, os Tavares
Guerra, os Coelhos da Rocha, entre outros”, consolidando
novas elites e forças políticas no espaço da Baixada.
↩
2. O topônimo Baixada Fluminense tem origem no latim flumineus,
estando relacionado às expressões “do rio” e “das águas”.
Essas expressões foram empregadas pelos colonizadores
portugueses por conta do caráter geomorfológico da área, em
“cujo terreno pantanoso abrigavam-se os índios tupinambás, da
aldeia dos índios jacutingas ou iacotins” (Lima, 2010, p.140).
Outras aplicações do termo Baixada Fluminense serão
apresentadas mais adiante.
↩
3. Com o ingresso recente dos municípios de Cachoeiras de
Macacu e Rio Bonito em dezembro de 2013, a Região
Metropolitana do Rio de Janeiro passou a incluir 21 municípios:
Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim,
Itaboraí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói,
Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São Gonçalo, São João
de Meriti, Seropédica, Tanguá, Itaguaí, Rio Bonito e Cachoeiras
de Macacu. Em 2015, esse conjunto de municípios abrigava
cerca de 12 milhões de habitantes.
↩
4. Ver Lacerda (2008).
↩
5. Os dados foram obtidos no sítio eletrônico IBGE Cidades em
2015 e podem ser consultados em
http://www.cidades.ibge.gov.br, embora correspondam a uma
base de dados de 2012-2013.
↩
6. Inclui comércio, administração, saúde e educação pública e
seguridade social
↩
7. Segundo Beloch (1986), desde a década de 1940 a indústria é
uma atividade mais importante do que a agricultura em Duque
de Caxias.
↩
8. Segundo Marcelo Santos (2015), destacam-se os bairros Bar
dos Cavaleiros, Periquitos e Centenário.
↩
9. Situados na rodovia Washington Luiz, no calçadão de Caxias e
em pequenos centros comerciais dos bairros Santa Cruz da
Serra, Saracuruna, Jardim Primavera, Gramacho e Figueira.
↩
10. Cabe citar que, ao contrário do padrão identificado em outros
municípios vizinhos, em Duque de Caxias o comércio
atacadista gera maior faturamento do que o varejista (Plantek,
1999). Entre as razões que explicam esse fenômeno, está o
fato de que o comércio varejista no município atende a um
mercado consumidor composto, em sua maioria, por pessoas
de baixo poder aquisitivo. Além disso, um dos fatores é o alto
grau de informalidade dos pequenos estabelecimentos que
atuam nesse tipo de atividade (Sebrae, 2015). Segundo Costa
(2012, p. 269), porém, “a inexpressiva participação do comércio
varejista de Duque de Caxias no seu PIB é explicada pelos
[mais] altos valores da Refinaria do que pelo seu baixo
desenvolvimento”.
↩
11. Acreditamos que a situação de Seropédica nesse ranking seja
resultado da combinação entre população reduzida e salários
elevados pagos a professores, técnicos e demais funcionários
pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, cujo
campus principal se localiza no município.
↩
12. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) utiliza
cerca de dois mil indicadores de renda, educação e longevidade
para estabelecer um parâmetro de acesso a direitos básicos de
cidadania, como escola, saúde, saneamento, emprego e
serviços públicos, o que, em tese, garante uma boa qualidade
de vida. Por outro lado, a ausência ou deficiência desses
serviços ou bens implica perda da qualidade de vida, o que se
reflete em índices mais baixos.
↩
13. Inserção nossa.
↩
14. Nome original das terras do atual município de Nova Iguaçu,
cuja primeira grafia era Iguassú, originada da palavra indígena
Igoassú. Em 1943, quando tem início o processo de
emancipação de seus distritos, o município já se chamava Nova
Iguaçu.
↩
15. Enquanto invadiam e ocupavam o Rio de Janeiro, os franceses
se aproximaram e fizeram alianças com os índios tamoios,
numa estratégia que lhes permitisse ter mais chances de
controlar o território já pertencente aos portugueses. Contudo, a
aliança feita pelos indígenas viria a se revelar trágica para eles,
já que o fim da invasão, com a vitória dos portugueses, teve
dois desdobramentos: “o ódio dos portugueses aos índios,
então aliados dos franceses, que levou praticamente ao
aniquilamento destes, e a decisão de dividir a região em
sesmarias, para promover a ocupação populacional e evitar
novas invasões” (Cardoso, 2010, p. 27).
↩
16. Ver Lamego (1964), Abreu (2005) e Cavalcanti (2010).
↩
17. Em agradecimento à sua atuação na luta contra os franceses,
em 5 de setembro de 1565, Estácio de Sá – primeiro
governador-geral da capitania do Rio de Janeiro – doou uma
grande faixa de terra a Cristóvão Monteiro em ambas as
margens do rio Iguaçu (Nogueira, 2008). Cavaleiro fidalgo da
Casa Real Portuguesa, Monteiro construiu a fazenda de
Igoassu, tornando-a “uma área de plantio de alimentos de
subsistência e de cana-de-açúcar” (Lima, 2010, p. 140).
↩
18. Originalmente, a Fazenda Iguaçu fez parte da sesmaria
Igoassu, que correspondia à maior porção da região, chamada
de Baixada Fluminense, ou Baixada da Guanabara, como era
conhecida nos tempos coloniais. Dado pelos povos originários,
o “termo Igoassu faz referência aos rios e pântanos,
significando água grande ou muita água” (Lima, 2010, p. 140,
grifo do autor) e foi usado para batizar a unidade administrativa
que compreendia quase todo o território baixadense delimitado
ao longo do século XIX.
↩
19. Em 12 de outubro de 1591, a Ordem de São Bento comprou
parte dessas terras. Alguns anos depois, a viúva e o sogro de
Cristóvão Monteiro doaram outra porção da antiga sesmaria
Iguaçu aos beneditinos. Em 1613, o local recebeu a instalação
de um moderno engenho, tornando a fazenda por muito tempo
“responsável pela conquista, povoamento e prosperidade da
região” (Moraes, 1990, p.73). Esteve sob a administração dos
beneditinos até 1920, quando foi desapropriada pela empresa
Pró-Melhoramentos para fins de saneamento e colonização.
↩
20. A partir de então, a cidade do Rio de Janeiro ganhou novas
funções e atividades, tornando-se capital da colônia em 1763 e
apresentando forte dependência da rede de portos fluviais e
caminhos que atravessavam a Baixada Fluminense.
↩
21. O Caminho Novo do Pilar, aberto em função das necessidades
oriundas da mineração, entre elas um caminho rápido,
econômico e seguro que ligasse o Rio de Janeiro à região das
Minas Gerais, “intensificou as relações daquela cidade com os
portos Estrela, Pilar e Iguaçu” (Nogueira, 2008, p. 55).
↩
22. A primeira ferrovia do Brasil foi instalada em 1854, em Mauá,
parte da atual cidade de Magé. Em seguida, surgiu a Estrada
de Ferro D. Pedro II (1858), que, por sua vez, cortava todo o
território iguaçuano e, posteriormente, passaria a se chamar
Estrada de Ferro Central do Brasil.
↩
23. O novo meio de transporte promoveu o abandono dos portos
fluviais e dos núcleos que dependiam deles, como a Vila de
Estrela, cujos territórios, atualmente, fazem parte de Duque de
Caxias, Magé e Petrópolis. Pouco antes da instalação da
estrada de ferro, o porto de Estrela havia sido considerado um
dos mais importantes do Brasil, já que era “um dos poucos que
podia receber embarcações maiores e o único a contar com
embarcações a vapor” (Moraes, 1990, p. 83).
↩
24. Inserção nossa.
↩
25. Área que corresponde à maior parte do que, atualmente,
abrange os distritos de Imbariê (3°) e Xerém (4°).
↩
26. O novo caminho criado pela ferrovia modificou por completo as
relações comerciais e a ocupação do solo. Foi o início do
processo de surgimento de vilas e povoados que se
organizaram em torno das estações ferroviárias, origem de
muitos bairros de nossas atuais cidades. Segundo as palavras
de Torres, “sob a égide da maria-fumaça, de silvo estridente e
penacho de fumo negro, tudo se modificou. A ferrovia [...] ditava
novos traçados nos caminhos, fazendo surgir à volta de suas
estações, povoados que se transformariam em populosas
cidades. Quando a ferrovia atinge o vale de Meriti, a região
começa a sofrer os efeitos da expansão urbana da cidade do
Rio de Janeiro. Com a inauguração da “The Rio de Janeiro
Northern Railway”, em 23 de abril de 1886, ficamos
definitivamente ligados ao antigo Distrito Federal. Era o
progresso que novamente se avizinhava” (Torres, 2008, p. 196).
↩
27. Nesse mesmo período, agora capital federal da recém-
proclamada República, o Rio de Janeiro promove uma
transformação radical de sua forma urbana. Por meio de uma
série de reformas, tem início a modernização da cidade, focada
principalmente na área central. De acordo com Augusto
Pinheiro (2010, p. 34), “a área central [da cidade do Rio de
Janeiro] encontrava-se decadente, apinhada de cortiços e
cabeças de porco, habitada por gente na mais extrema pobreza
e assolada por epidemias que ameaçavam atingir toda a
cidade”. Entre as consequências sociais dessas reformas, estão
a consolidação de uma estrutura espacial estratificada na
cidade, que se disseminaria, no futuro, por Duque de Caxias e
pelos outros municípios da Baixada Fluminense mais próximos
à capital.
↩
28. Beloch (1986, p. 21) afirma que ninguém acreditava em
saneamento na Baixada, pois “o problema do saneamento das
terras da imensa planura fluminense, que circunda a capital da
República, estava desmoralizado no seio da opinião pública”. O
autor aponta ainda que os fracassos nas políticas de
saneamento vinham desde 1893, e que “cem mil contos
desperdiçaram-se num esforço improfícuo e quase sem
resultado até 1930” (Beloch, 1986, p. 21).
↩
29. De acordo com Lucia Silva (2015), a Comissão Federal de
1910, instituída por Nilo Peçanha, em sua rápida passagem
pela presidência da república, teve o mérito de consolidar como
consenso todas as discussões travadas nas duas primeiras
comissões estaduais e serviria de referência aos trabalhos das
anteriores. Segundo a autora, “a comissão federal organizou as
utopias do momento e tornara inconteste a ideia de
saneamento como instrumento civilizatório, agente de
modernização e como suporte imprescindível à agricultura.
Desta forma, a Baixada adentrava a década de 1930 com a
imagem de terra de promissão, desde que saneada” (Silva,
2015, pp. 3-4).
↩
30. Em matéria do jornal O Municipal (2005), conta-se que, certa
vez, de passagem por Merity rumo a Petrópolis, o presidente
Nilo Peçanha ficou chocado com a correria de mulheres e
crianças em direção ao “suspiro” da locomotiva, onde tentavam
aproveitar o excesso de vapor, transformando-o em água
potável. Ao saber que o local não dispunha de água potável,
Nilo Peçanha determinou que fosse construído um ramal, a
partir da rede de água que abastecia Vigário Geral, instalando
duas bicas próximas à estação ferroviária, sendo uma na
esquina da rua Joaquim Lopes de Macedo com a avenida Plínio
Casado, e uma segunda, na esquina da rua Pinto Soares com a
então estrada Rio-Petrópolis (O Municipal, 2005, p. 5).
↩
31. A partir de 1936, a criação do Serviço Nacional de Malária e da
Diretoria de Saneamento da Baixada Fluminense permitiu um
trabalho mais específico, com as seguintes ações:
desobstrução dos rios através da limpeza e retificação dos
leitos, reabertura de canaletas de drenagem e irrigação,
identificação dos rios dissimulados pela vegetação,
mapeamento geral da região e criação de equipes de
manutenção (Beloch, 1986; Cardoso, 2010).
↩
32. A estação Parada Angélica, que, na época, se localizava em
território iguaçuano, posteriormente viria a fazer parte do futuro
município de Caxias.
↩
33. Há duas versões para o início dos loteamentos urbanos no
atual território de Duque de Caxias. Segundo Rogério Torres
(2008) e Pierre Costa (2012), o primeiro loteamento legalizado
de que se tem notícia na área do município é o Parque Artur
Goulart, aprovado em 1914, junto à estação de Duque de
Caxias, ainda chamada de Merity à época. Já de acordo com
Guilherme Peres (2008) e Marlucia Souza (2012), “o primeiro
loteamento feito em Merity foi realizado pelo engenheiro Abel
Furquim Mendes, que, em 1918, dividiu uma área ao longo da
via férrea, entre as ruas Pinto Soares e Manoel Reis. Esses
lotes foram oferecidos a cinquenta mil réis cada. Entretanto, a
venda foi um fracasso” (Peres, 2008, p. 203). Não foi possível
identificar qual das duas versões é a correta.
↩
34. Segundo Márcio Piñon de Oliveira (2015), a intervenção
urbanística conhecida como Reforma Pereira Passos (1902-
1906), também chamada de “Bota Abaixo”, buscava “solucionar
os problemas de saneamento básico, ampliar as vias de
circulação, como a abertura da avenida Central (atual Rio
Branco) e investir no embelezamento da cidade, tornando-a, na
expressão da época, ‘digna de ser Distrito Federal’, atraindo
olhares estrangeiros, deixando para trás a cidade de estrutura
colonial mercantil e abrindo espaço para a cidade industrial que
se formava” (Oliveira, 2015, p. 2.638). Para mais informações
sobre a Reforma Pereira Passos, ver Abreu (1987), Pinheiro
(2010) e Oliveira (2015).
↩
35. Para mais detalhes sobre a questão política em Duque de
Caxias, ver os trabalhos de Israel Beloch (1986), Rita Sales
(1999), Manoel Cantalejo (2008) e Marlucia Souza (2012).
↩
36. O desenvolvimento pelo qual passava Merity levou Manoel
Reis, então deputado federal, a propor a criação do município
de Duque de Caxias. Dessa forma, através do Decreto Estadual
n° 2.559, de 14 de março de 1931, o interventor federal Plínio
Casado elevou o local a 8° Distrito de Nova Iguaçu.
↩
37. Até 6 de outubro de 1930, a primeira estação ferroviária de
Caxias tinha o nome de Merity, devido à abundância desse tipo
de palmeiras na região, nome que havia sido utilizado para
batizar também o rio que nasce no sopé da Serra de Gericinó e
deságua na Baía de Guanabara. O nome da estação ferroviária
era motivo de chacota pelos moradores e a imprensa carioca,
que chamava o lugarejo de “Merity do Pavor”, pois a região era
uma sucessão de brejos, onde proliferava a malária e onde
faltava tudo. Com a chegada da água e de algumas obras de
saneamento que melhoraram as condições de vida da
população, incluindo o calçamento de algumas ruas e a
instalação de um posto dos correios e telégrafos, o apelido de
“Merity do Pavor” passou a incomodar. Foi então que um
morador do local, José Luis Machado, que todos tratavam como
Machadinho, teve a ideia de substituir a placa da estação
ferroviária, mudando o nome do local. Com o apoio dos
moradores, o nome escolhido foi “Caxias”, uma homenagem a
Luís Alves de Lima e Silva, o patrono do Exército Brasileiro, que
nasceu na Fazenda São Paulo, em Imbariê, atual 3° Distrito do
município. Assim, no dia 6 de outubro de 1930 e numa ação
espontânea, o povo acompanhou Machadinho numa invasão à
estação ferroviária, onde a placa indicativa de Estação Merity
foi substituída por outra, pintada apenas com “Caxias”. Nas
palavras do jornal O Municipal, “para cometer esse arroubo,
Machadinho teve o apoio de Jaime Fischer Gamboa, Oswaldo
Gamboa, Américo Soares e Francisco Azevedo, os únicos no
grupo que estavam armados e que não enfrentaram qualquer
tipo de reação dos funcionários da estação ferroviária.
Atendendo à decisão do povo, o então interventor federal no
antigo estado do Rio de Janeiro, Plínio Casado, subscreveu a
mudança de nome da estação ferroviária, por meio do Decreto
Estadual nº 2.559, de 14 de março de 1931” (O Municipal,
2005, p. 5).
↩
38. Alegando que a presença do governo municipal era notada
apenas através da coleta de impostos, uma comissão composta
por membros da elite e políticos locais encaminhou, em 25 de
julho de 1940, um memorial expondo os interesses
emancipatórios de Duque de Caxias ao interventor estadual
Amaral Peixoto.
↩
39. Em 31 de dezembro de 1943, através do Decreto-Lei n° 1.055,
foi criado o município de Duque de Caxias. Somente em 1947,
porém, foi eleito o primeiro prefeito por voto popular e instalada
a Câmara Municipal.
↩
40. Há controvérsias sobre as razões centrais que levaram ao
processo de emancipação do município de Duque de Caxias.
Manoel Simões (2015) explica que um dos principais fatores
que levaram à criação do município foi a instalação da Fábrica
Nacional de Motores (FNM) em Xerém, fundada por uma
portaria federal de 1940 e inaugurada em 1945. De acordo com
Simões, o interventor federal queria um homem de confiança no
comando do território que abrigaria esse empreendimento
estratégico. Já Stélio Lacerda (2008) afirma que, ao governo do
Estado, interessava conceder a emancipação de Caxias, pois
isso permitiria organizar e aparelhar melhor a máquina
arrecadatória de impostos e, ao mesmo tempo, ampliar as
áreas de dominação política. Helenita Beserra da Silva (2003)
defende que a emancipação se deu em função da política de
Getulio Vargas, que, consciente das conjunturas de âmbito
nacional e mundial, buscou criar na população um sentimento
de nacionalidade, ao mesmo tempo que assegurava a
organização do quadro territorial do país e podava o excesso de
regionalismo, o qual, entre outras coisas, era base de
sustentação das oligarquias rurais.
↩
41. Para consultar a lista de interventores nomeados em Duque de
Caxias nesse período, ver Costa (2012, p. 222).
↩
42. Beloch (1986) e Alves (2003) afirmam que o apelido da
metralhadora foi dado pelo motorista de Tenório, o “Anjo
Negro”. O nome seria uma associação irônica do som emitido
pela arma com o das máquinas de costura, chamadas,
carinhosamente, de “Lurdinha” pelas profissionais do ramo. Já
Costa (2012) afirma que esse também era o apelido dado às
metralhadoras pelos pracinhas da Força Expedicionária
Brasileira (FEB) que estiveram nos campos de batalha italianos.
↩
43. Tenório foi fundador do jornal A Luta Democrática, criado em
1954, de circulação nacional e grande tiragem (Alves, 2003).
↩
44. Segundo Costa (2007, p. 116), “foi dos anos 1950 a mais
rumorosa explosão de violência em torno de seu nome: o
assassinato do delegado de Duque de Caxias, Albino Imparato,
e de outro policial, na madrugada de 28 de agosto de 1953. O
atentado teria sido resposta de Tenório a um ataque a tiros que
sofrera três dias antes e lhe deixara o chapéu furado à bala.
Imediatamente Tenório foi acusado de mandante do crime”.
↩
45. Tenório Cavalcanti se defendia das acusações dizendo-se
alheio à matança ou tendo agido em legítima defesa (Alves,
2003). Internado em hospitais diversas vezes por conta do
envolvimento em atos de violência, Cavalcanti “ostentava pelo
corpo 47 cicatrizes de bala. Em certo momento, passou a usar
colete à prova de bala, mas espalhava que tinha o corpo
fechado” (Beloch, 1986, p. 16).
↩
46. Cabe citar, porém, que, apesar do núcleo urbano diminuto nos
anos 1940, o município já apresentava características
diferenciadas em relação aos demais vizinhos. Beloch (1986)
afirma que Caxias era um dos poucos municípios fluminenses
com algum destaque no setor industrial. Portanto, ali a indústria
já era incipiente, e o que houve nos anos seguintes foi um
desabrochar mais intenso a partir de uma conjuntura favorável.
↩
47. O antigo núcleo da Cidade dos Meninos hoje é
predominantemente desabitado, uma vez que houve
contaminação pelos resíduos produzidos pelo Instituto de
Malariologia e por uma fábrica de inseticidas, instalados na
região em 1947 e desativados em 1962 (Rio Tóxico Tour, 2012).
↩
48. Segundo Ramalho (1989), a escolha da localidade de Xerém
(atualmente, 4° Distrito de Duque de Caxias e distante do
centro do município) para sediar a FNM envolveu uma série de
fatores. Ramalho enumera oito razões principais: Xerém era
uma área estratégica, pela presença da estrada de Ferro Rio
D’Ouro e da estrada Rio–Petrópolis, o que favorecia a
comunicação e a chegada de equipamentos necessários à
instalação da fábrica; o terreno no nível do mar diminuiria os
custos de construção e logística; havia água em abundância,
matéria-prima fundamental para a atividade industrial; havia
áreas planas favoráveis à instalação de um campo de pouso;
tratava-se de uma extensa área de terras vazias, o que
facilitava sua transformação em propriedade da União; a área
era protegida por serras e possuía apenas duas vias de acesso,
o que a tornava ideal pela possibilidade de defesa de uma
fábrica militar; e a proximidade de Xerém com a capital do país
facilitava o acesso de técnicos e o escoamento da produção.
↩
49. Nas palavras de Costa, “as principais empresas petrolíferas
procuram refinar o petróleo perto dos centros de consumo, de
forma a reduzir os custos relativos de transporte e garantir a
disponibilidade dos produtos nos principais centros
consumidores” (Costa, 2012, p. 195). Portanto, tornava-se
vantajoso para a empresa situar-se às margens da rodovia
Washington Luiz e nas proximidades do segundo maior
mercado consumidor do país, o Rio de Janeiro.
↩
50. Nos anos 1970, Rio de Janeiro, Volta Redonda e Duque de
Caxias apresentavam, respectivamente, as três maiores
arrecadações do estado do Rio de Janeiro (idem).
↩
51. Inclui as seguintes atividades: comércio, transportes, finanças,
administração, defesa, profissões liberais e serviços.
↩
52. Segundo Abreu (1987), até a década de 1950 o Estado não se
preocupou em remover as favelas dessas localidades, pela
necessidade de manter uma reserva de mão de obra barata
para as atividades econômicas ali situadas, pelos interesses
políticos populistas e porque tais áreas eram economicamente
pouco valorizadas até aquele momento.
↩
12. A flutuação turística na região das
Baixadas Litorâneas (RJ): uma análise
centrada nos municípios de Armação
dos Búzios, Arraial do Cabo e Cabo
Frio
1. Este trabalho resulta de pesquisa com o apoio institucional da
Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa – RJ (Faperj).
↩
2. Docente Adjunto do Instituto de Geografia da UERJ; Programa
de Pós-Graduação em Geografia da UERJ.
↩
3. O mapa foi elaborado pelo Núcleo de Estudos de Geografia
Fluminense (Negef), vinculado ao Instituto de Geografia da
UERJ. O núcleo participou ativamente da elaboração do estudo
organizado por Gomes (2010): o Caderno de turismo do estado
do Rio de Janeiro.
↩
4. Conforme disposto no sítio eletrônico da SeTur, Secretaria de
Turismo do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em:
http://www.turisrio.rj.gov.br/projetos.asp. Acesso em: 30 de maio
de 2012.
↩
13. Porto do Açu, entre as forças de
conservação e modernidade
1. Prof. Msc. em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ).
↩
15. A espetacularização do lazer em
Volta Redonda: os investimentos
esportivos
1. Este texto é parte da dissertação intitulada “As transformações
do lazer em Volta Redonda-RJ: dos clubes sociorrecreativos
vinculados à CSN aos novos investimentos esportivos da
Prefeitura”, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em
Geografia da UERJ, em agosto de 2013, orientada pelo Prof.
Dr. Miguel Angelo Campos Ribeiro.
↩
2. Mestre e doutorando em Geografia pelo Programa de Pós-
Graduação em Geografia do Instituto de Geografia –
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
↩
3. A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer não informou a
quantidade de eventos esportivos realizados em 2013.
↩
4. Mais informações podem ser obtidas no site:
www.portalvr.com/smel/secretaria.php
↩
5. Os valores programados foram redimensionados devido à crise
econômica por que passa o estado do Rio de Janeiro, porém
não foram informados pela secretaria.
↩
6. Esporte de desempenho: é disputado obedecendo-se
rigorosamente às regras e aos códigos existentes específicos
de cada modalidade esportiva. É o esporte institucionalizado,
do qual fazem parte federações internacionais e nacionais que
organizam competições em todo o mundo. Esporte-educação: é
a manifestação esportiva como mais um processo educativo na
formação dos jovens; uma preparação para o exercício da
cidadania. Esporte-lazer: apoia-se no princípio do prazer lúdico
e na utilização construtiva do tempo livre e da liberdade,
promovendo o bem-estar de seus participantes (Tubino, 2007).
↩
7. De acordo com a Procuradoria-Geral da União, convênio é o
instrumento que disciplina os compromissos que devem reger
as relações de dois ou mais participantes (como, por exemplo,
governo federal e prefeitura) que tenham interesse em atingir
um objetivo comum, mediante a formação de uma parceria. Os
dados dos convênios estão disponíveis em:
http://www.portaltransparencia.gov.br/convenios. Para mais
informações, acessar: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/siafi.
↩
8. Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer
para o ano de 2013. Há outros equipamentos esportivos no
município, como, por exemplo, aqueles que pertencem aos
clubes sociorrecreativos de caráter privado. O levantamento
levou em conta apenas os públicos municipais.
↩
9. Índice de Desenvolvimento do Esporte (IDE). Elaborado pela
Superintendência de Desportos do estado do Rio de Janeiro
(SUDERJ), 2011. Disponível em: http://www.suderj.rj.gov.br.
↩
10. Informações fornecidas pela Prefeitura Municipal de Volta
Redonda (PMVR). Para mais informações, acessar:
http://www.portalvr.com/estadiodacidadania/index.php/o-
estadio/comeco.
↩
11. Idem.
↩
12. Reportagem do jornal Diário do Vale: “Jogos em Volta Redonda
trazem visibilidade”, 2013. Disponível em:
http://diariodovale.uol.com.br/noticias/1,72947,Jogos-em-VR-
trazem-visibilidade.html#ixzz2Ylg7XnQF.
↩
13. Idem.
↩
14. Idem.
↩
15. Idem
↩
16. Idem
↩
17. Retirado do site:
http://www.portalvr.com/smel/parqueaquatico.php
↩
17. A cartografia da ação social e a
cidade de São Gonçalo, RJ: limites e
possiblidades metodológicas para a
contribuição do fazer geográfico
1. Docente Associado da FFP/UERJ. Geografia, Programa de Pós
Graduação em História Social, Programa de Pós-Graduação
em Geografia da FFP/UERJ.
↩
Você terminou Revisitando o Território Fluminense VI
Glaucio José Marafon
Livros como este
-
Estudos Territoriais no Brasil e na Costa Rica
-
Cidade e Campo: Olhares de Brasil e Portugal
-
Geografia e Ensino: Dimensões Teóricas e Práticas para a Sala de Aula
-
Rio de Janeiro: o território fluminense
-
Da produção ao consumo: impactos socioambientais no espaço urbano
-
Genética Molecular Básica: Dos Genes aos Genomas
Depois do livro
Páginas que vieram com esta edição, guardadas aqui para consulta.