Revisitando o Território Fluminense VI
4. Uma visão integrada dos impactos ambientais no estado do Rio de Janeiro
Uma visão integrada dos
impactos ambientais no estado
do Rio de Janeiro
Tereza Coni Aguiar 1
1. Introdução
O estado do Rio de Janeiro apresenta uma grande variedade de
ecossistemas e de paisagens. No entanto, em virtude do processo
de ocupação em seu território, iniciado no século XVI, vem sofrendo
perdas significativas em seu ambiente natural, além do risco de
degradação ambiental. Observa-se que, ao longo de sua formação
socioespacial, as atividades ligadas à agricultura, à pecuária, ao
extrativismo, ao turismo e à indústria, além da urbanização,
expandiram-se pelo território fluminense sem levar em conta a
preservação de seus recursos naturais (Galvão, 2009). Houve
também uma grande concentração econômica, populacional,
espacial e decisória na região metropolitana, especialmente em seu
núcleo, a cidade do Rio de Janeiro, o que resultou na fraca
articulação entre as diversas regiões fluminenses (Abreu, 1987;
Ribeiro e O’Neil, 2012).
Recentemente, o estado vem passando por inúmeras
transformações em sua estrutura produtiva, em função da maior
inserção na economia global. As atividades implantadas são
conduzidas por empresas e/ou interesses multinacionais, trazendo
mudanças significativas ao espaço fluminense. Essa etapa da
economia fluminense, em função da nova globalização, caracteriza-
se pelo fortalecimento das empresas privadas e o enfraquecimento
de iniciativas governamentais em diversos níveis; por mudanças em
sua estrutura produtiva e no território, trazidas pelos investimentos externos, nos diferentes setores econômicos, muitos deles
relacionados à implantação de projetos de grande porte. O setor de
petróleo foi um dos principais atores dessa inflexão econômica,
ocorrida a partir da década de 1990 e impulsionada pela Lei nº.
9.478/97, que atraiu numerosas empresas multinacionais ligadas ao
petróleo. A fase de exploração do pré-sal, iniciada em meados da
década de 2010, veio fortalecer ainda mais o setor de petróleo no
ERJ.
As atividades ligadas ao petróleo atraíram empresas prestadoras
de serviços, aumentaram a circulação de bens e pessoas, elevaram
o fluxo migratório e ativaram os setores de construção civil e do
mercado imobiliário. Essas atividades não apenas se mostraram
fundamentais para a reestruturação econômica e produtiva das
regiões de exploração do petróleo, como o Norte fluminense, como
também contribuíram, efetivamente, para alavancar o crescimento
econômico e a vida urbana em outras áreas. Tornaram-se, pois, um
fator importante no estímulo de novos investimentos nos diversos
setores da economia e nas demais regiões do estado.
Na atualidade, a análise do território fluminense sob o ponto de
vista ambiental torna-se oportuna por tornar possível avaliar ações
que conduzem a alterações significativas na geografia do estado.
Essas ações têm provocado intensa mobilidade espacial da
população, modificações na paisagem, em seu uso e suas funções,
além de gerar problemas ambientais com impacto em diversos
recursos naturais, bem como no patrimônio natural e cultural.
Também geram conflito ambiental nas diversas regiões em que se
localizam (Ribeiro e O’Neill, 2012).
Os problemas ambientais verificados nas diferentes áreas do
território fluminense também estão associados à expansão
metropolitana, aos setores turístico e imobiliário, à indústria pesada,
bem como à sua integração à logística de transporte global. Os
locais em que essas atividades ocorrem são os mais afetados pelo
contexto de reestruturação produtiva na fase de globalização
avançada.
Neste artigo, o interesse se volta para uma visão integrada
desses problemas e impactos ambientais, suas possíveis consequências e as possibilidades de se pensarem formas de
minimizá-las.
2. Visão conceitual e metodologia
As questões ambientais da atualidade empregam um número
consideravelmente amplo de conceitos nas mais diversas situações
encontradas. Entretanto, com o propósito de colaborar para a
compreensão de um conjunto de problemas relativos ao meio
ambiente, num tempo e num espaço determinados, torna-se
fundamental aplicar maior precisão nos respectivos enunciados.
Assim, este artigo busca, inicialmente, apresentar os principais
conceitos que se articulam para melhor compreender a problemática
ambiental no território fluminense, especialmente nas três últimas
décadas.
Muitos estudos fazem referência a uma visão integrada, buscando
entender as relações existentes entre os elementos da natureza e
da sociedade entre si e no conjunto. Em outras palavras, traça-se
uma abordagem que conecte as diferentes formas de utilização do
território, os recursos naturais e os elementos físicos. Essa visão
ampla é fundamental para a compreensão dos problemas, impactos
e conflitos, bem como para a busca de soluções e políticas
adequadas. Uma visão limitada, que discuta apenas os processos
de modo isolado, é uma das principais causas para a persistência
de problemas (Tucci, 2001). Entretanto, “muitas pesquisas ainda
analisam, de forma fragmentada e dissociada, os elementos da
natureza e os da sociedade, esquecendo-se de que o homem não
vive isolado, mas em sociedade, e interage continuamente com
todos os elementos da natureza” (Aguiar, 2014, p. 117). Portanto, a
adoção de um foco integrado permite que a análise do ambiente
colabore para a reflexão de prováveis cenários, pensando-se em
estratégias de médio e longo prazos, com vistas a não agravar a
situação encontrada.
Outro aspecto relevante que a avaliação integrada possibilita é a
articulação dos problemas, impactos e conflitos em seu respectivo
contexto. O espaço geográfico – chave para se compreender o que se passa na sociedade globalizada – vai-se desvendando pelo
entrelaçamento do contexto, dos problemas, dos impactos e dos
conflitos em que as dimensões da natureza e da sociedade estão
em contínuo inter-relacionamento.
Os problemas ambientais não são fenômenos recentes;
acompanham a humanidade desde a Idade do Bronze, ou seja,
desde 3.000 a.C. (Chew, 2001). No entanto, o que sobressai na
atualidade é a proporção com que atingem, em termos espaciais, os
diversos elementos da natureza e da sociedade que os envolvem.
Um problema ambiental pode ser considerado a partir da
ausência de determinadas condições no ambiente físico ou na
sociedade que venham a afetar a qualidade de vida e do ambiente.
Porém, segundo Bolea (1977, p. 13), “diz-se que há um impacto
ambiental quando uma ação ou atividade produz uma alteração no
meio ou em algum dos seus componentes”.
Com o avanço da tomada de consciência em relação ao meio
ambiente, proporcionada, principalmente, pelos inúmeros desastres
ambientais e por importantes conferências mundiais sobre o meio
ambiente, desde Estocolmo, em 1972, cresceu a consciência acerca
da necessidade de se ter maior conhecimento sobre os impactos,
interessando saber a dimensão alcançada e a intensidade das
ações humanas provocadas pelas atividades econômicas
(Christofoletti, 1997).
A Resolução nº 1, de 23 de janeiro de 1986, do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (Conama), define impacto ambiental
como “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de
matéria ou energia resultante de atividades humanas” (Brasil, 2008).
A geógrafa Susan Parker, em The Encyclopaedic Dictionary of
Physical Geography (apud Christofoletti, 1997, pp. 131-2), o define
como “a mudança sensível, positiva ou negativa, nas condições de
saúde e bem-estar das pessoas e na estabilidade dos ecossistemas
da qual depende a sobrevivência humana”. Segundo Coelho (2001,
p. 24), impacto ambiental é, portanto,
o processo de mudanças sociais e ecológicas causado por perturbações
(uma nova ocupação e/ou construção de um objeto novo: uma usina, uma
estrada ou uma indústria) no ambiente. Diz respeito ainda à evolução
conjunta das condições sociais e ecológicas estimulada pelos impulsos das
relações entre forças externas e internas à unidade espacial e ecológica,
histórica ou socialmente determinada. É a relação entre sociedade e natureza
que se transforma diferencial e dinamicamente. Os impactos ambientais são
escritos no tempo e incidem diferecialmente, alterando as estruturas das
classes sociais e reestruturando o espaço.
Na fase atual da globalização, quando se procura avaliar os
impactos ambientais, depara-se com a complexidade advinda da
dificuldade de se separar o impacto no ambiente físico do impacto
causado à sociedade (Coelho, 2001). Na realidade, os impactos
alteram mutuamente as condições naturais, culturais, sociais,
econômicas e históricas. Considera-se, portanto, impacto ambiental
o resultado de um processo de mudanças causadas no ambiente,
em determinada área e por determinado tempo, provocadas por
pertubações ou interferências concretas, advindas de novas
atividades e ocupações. Com frequência, essas transformações
levam a perdas da identidade, do mundo simbólico e das relações
sociais afetivas. Dessa maneira, os impactos podem interferir, de
forma direta ou indireta, no meio ambiente como um todo ou tão
somente em um ou mais elementos da natureza ou da sociedade.
Em virtude da diversidade de ambientes e formas de ocupação,
procura-se considerar, ao se estudarem os impactos, as
singularidades presentes, levando-se em conta aspectos como:
localização, distância dos centros, crescimento populacional,
densidade demográfica, atividades predominantes, classes sociais
envolvidas, características topográficas, geológicas e da vegetação,
entre outros (Aguiar, 2012). Por conseguinte, o estudo do impacto
ambiental deve comprometer-se com a análise dessas
particularidades, buscando-se o respectivo grau de gravidade.
No que concerne à elaboração de diagnósticos e estudos
ambientais, é possível afirmar que a questão dos conflitos nem
sempre é identificada e bem avaliada (Agra Filho, 2008). Esse
conceito merece maior atenção, pois houve poucos avanços teórico-
metodológicos nesse quesito (Bredariol, 2001). Os conflitos
ambientais podem ser definidos como decorrentes das formas de
relação entre dois ou mais segmentos sociais que apresentam
interesses incompatíveis, no uso ou na apropriação de determinado recurso natural, vindo ou não a gerar impacto na natureza (Aguiar,
2012; Cunha, 2003; IBGE, 1997). Embora os conflitos prevaleçam
entre atividades econômicas, também ocorrem entre grupos
distintos da população e entre a população e determinadas
atividades e/ou empreendimentos.
Quando nos voltamos para os efeitos da urbanização sobre o
meio ambiente, percebemos ainda a “ausência de uma teoria dos
processos ambientais integradora das dimensões físicas, político-
sociais, socioculturais e espaciais” (Coelho, 2001, p. 21). De fato, as
questões relacionadas ao ambiente construído das cidades estão
longe de ser equacionadas tão somente pelo emprego de
metodologias relativas aos diagnósticos geoambientais baseados no
levantamento de características físiográficas, potencialidades,
vulnerabilidades, estabilidades e usos. Nos estudos ambientais
urbanos, não é possível neglicenciar as condições físicas ou as
complexas condições socioeconômicas que interagem nas cidades.
Concorda-se com Chew (2001) quando ele afirma que a
urbanização, ao utilizar intensamente os recursos naturais, conduziu
a alterações tanto no entorno imediato quanto nas áreas mais
remotas. Com frequência, os espaços nas cidades foram utilizados
sem o devido respeito às suas características físicas. Esse uso
inadequado causou sérios problemas, como, por exemplo, a
alteração da paisagem, enchentes, deslizamento de terras e até
mesmo a proliferação de vetores de doenças. A urbanização ainda
esteve associada, nas diversas civilizações, ao desmatamento, ao
desequilíbrio hídrico e à poluição do ar e das águas dos rios (Aguiar,
2014).
Os estudos que abarcam os problemas, impactos e conflitos
ambientais na atualidade, quando os processos de globalização
estão intensificados, devem ser avaliados levando-se em conta
determinados fatores, como extensão, ritmo, número de elementos
envolvidos, capacidade de gerar problemas, gravidade que
assumem em relação ao contexto e número de pessoas afetadas,
entre outros. Tal exame pode conduzir ao entendimento de
fenômenos de alta gravidade, cujas consequências são
imprevisíveis, podendo ser definidos como um processo de degradação ambiental. O conceito de degradação ambiental,
apoiado na concepção de Chew (2001), pode ser entendido como
a consequência do modo como as civilizações interagem com o meio natural
em função da forma como estão organizadas as diversas atividades
econômicas e seus modos de vida. O nível intensivo do uso dos recursos
naturais, o estilo de vida, o consumo excessivo e extravagante, como ocorreu
em diversas civilizações, podem ocasionar o que ele denominou de stress
ecológico. [...] O desastre ambiental, ao atingir esse nível, pode interferir na
capacidade reprodutiva de determinada civilização, ocasionando o seu
declínio e a sua decadência (Aguiar, 2014, p. 116).
Chew (2001) atribui ainda a degradação principalmente aos
processos de acumulação de capital e de urbanização, bem como
ao intenso crescimento demográfico, com o aumento da população
de forma exponencial. Esses três fenômenos foram responsáveis
por grandes perdas do ponto de vista ecológico, notadamente o
desmatamento e a transformação física da paisagem (idem, ibidem).
A degradação ambiental ocorre em situações-limite, quando vários
elementos da natureza são impactados, abrangendo o ambiente
como um todo.
Entende-se que a degradação ambiental tem uma dinâmica
própria e uma evolução de acordo com as características locais,
sendo causada por um conjunto de fatores que se relacionam de
forma sistêmica (Nascimento, 2013). A degradação é um processo
complexo que está associado a formas inadequadas de manejo da
terra, à erosão dos solos, às mudanças climáticas, a grandes
extensões desflorestadas e à urbanização. Nascimento também
enfatiza que as atividades econômicas é que causam impacto e
conduzem à degradação. Nas áreas tropicais, por exemplo, a
desestabilização do ambiente pode desencadear ou até mesmo
acirrar vários problemas, como intemperismo, lixiviação dos solos,
instabilidade das encostas e degradação ambiental generalizada
(idem, ibidem).
Para a identificação e a compreensão dos impactos e conflitos
ambientais no estado do Rio de Janeiro, conta-se com um acervo de
pesquisas, estudos e relatórios elaborados pelo meio acadêmico,
por órgãos públicos e ONGs, na última década, documentos que
contribuíram para o melhor entendimento dos processos que se encontram em curso no território fluminense. Além desse vasto
material bibliográfico, contou-se, para a elaboração deste artigo,
com informações oficiais, dados e várias reportagens de jornais e
revistas pertencentes ao arquivo da autora. Conta-se também com
pesquisas realizadas pela própria em diferentes áreas do estado do
Rio de Janeiro.
Para a análise da distribuição espacial do impacto ambiental,
optou-se pela divisão regional do estado do Rio de Janeiro tal como
adotada pela Lei Estadual nº 1.227/87. Desde então, esse recorte
regional passou por algumas alterações quanto à denominação e à
sua composição (Ceperj, 2014). As chamadas regiões de governo,
com seus respectivos municípios, totalizam oito unidades. São elas:
Metropolitana, Noroeste Fluminense, Norte fluminense, Baixadas
Litorâneas, Serrana, Centro-Sul Fluminense, Médio Paraíba e Costa
Verde, englobando 92 municípios (Quadro 1).
Quadro 1. Regiões de governo, municípios e população do
estado do Rio de Janeiro
Regiões/ Municípios
População
2010*
Metropolitana Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito,
11.945.532 Itaguaí, Seropédica, Rio de Janeiro,
hab. Nilópolis, Queimados, Japeri,
Paracambi, Nova Iguaçu, Belford Roxo,
São João de Meriti, Duque de Caxias,
Magé, Guapimirim, Itaboraí, Tanguá,
Maricá, Mesquita, Niterói e São
Gonçalo
Noroeste Varre-Sai, Porciúncula, Natividade, Laje
Fluminense do Muriaé, Itaperuna, Bom Jesus de
317.493 hab. Itabapoana, São José de Ubá,
Miracema, Santo Antônio de Pádua,
Aperibé, Itaocara, Cambuci e Italva
Norte São Francisco de Itabapoana, Cardoso
Fluminense Moreira, São Fidélis, Campos dos
849.515 hab. Goytacazes, São João da Barra,
Quissamã, Conceição de Macabu,
Carapebus e Macaé
Baixadas Rio das Ostras, Casimiro de Abreu,
Litorâneas Silva Jardim, Cabo Frio, Araruama,
700.842 hab. Saquarema, São Pedro da Aldeia,
Iguaba Grande, Arraial do Cabo e
Armação de Búzios
Serrana Carmo, Cantagalo, São Sebastião do
805.627 hab. Alto, Santa Maria de Madalena, Duas
Barras, Cordeiro, Macuco, Sumidouro,
Bom Jardim, Trajano de Morais, Nova
Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e São
José do Vale do Rio Preto
Centro-Sul Comendador Levy Gasparian, Paraíba
Fluminense do Sul, Vassouras, Engenheiro Paulo de
272.227 hab. Frontin, Miguel Pereira, Paty de Alferes,
Três Rios, Areal, Sapucaia e Mendes
Costa Verde Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba
243.500
Médio Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia,
Paraíba Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis,
855.193 Resende, Rio Claro, Rio das Flores,
Valença e Volta Redonda
Fonte: Ceperj, 2014; IBGE, Cidades, 2010.
3. Contexto e distribuição espacial
dos impactos ambientais
Nesta seção, apresenta-se a distribuição dos impactos, problemas
e conflitos, bem como o contexto em que ocorrem, levando-se em
conta a análise integrada segundo as regiões de governo. A relação
com o contexto torna-se relevante para colaborar com o
entendimento das singularidades e dar sentido à problemática
identificada.
3.1.1 Região Metropolitana Fluminense
O perfil metropolitano de concentração populacional afirmou-se no
passado remoto e eclodiu dos anos 1940 em diante, atraindo um
grande fluxo de migrantes, predominantemente nordestinos. Essa
concentração metropolitana culminou nos anos 1960, consolidando-
se nas décadas seguintes (Galvão, 2009; Ribeiro e O’Neill, 2012;).
Em 2010, a Região Metropolitana fluminense contava com um
contingente populacional de 11.945.532 habitantes (IBGE, 2010).
Seus principais problemas ambientais, relacionados ao intenso
processo de metropolização, estão associados à proliferação de
loteamentos sem infraestrutura, falta de saneamento e de
destinação adequada do lixo, precariedade dos transportes públicos,
baixo nível de renda e de escolaridade da população. Nas áreas de baixadas, verificam-se, com frequência, enchentes e inundações
nos períodos chuvosos (Costa, 2001).
No entorno da Baía de Guanabara, coexistem diferentes usos e
ocupações: usos residenciais, intensa urbanização, eixos viários,
diversas indústrias, refinarias, atividades comerciais e de serviços.
Em suas margens, encontra-se o núcleo metropolitano – a cidade
do Rio de Janeiro. No seu espelho d’água, circulam transatlânticos e
embarcações de pescadores artesanais, bem como aquelas que
dão apoio às atividades de extração de petróleo, desenvolvidas
principalmente na bacia de Campos.
Todas as funções citadas vêm contribuindo para a ocorrência de
inúmeros impactos na Baía de Guanabara, tais como: lançamento
de esgoto sanitário sem tratamento e de lixo de todo tipo, com
origem nos afluentes da baía ou jogados diretamente no espelho
d’água; óleo das embarcações; aterro em suas margens; e retirada
de manguezais. As atividades existentes, somadas com aquelas
que se estão instalando em suas bordas, em função da nova lógica
econômica, vêm afetando, de forma drástica, as atividades de pesca
artesanal.
A instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro
(Comperj) no município de Itaboraí teve início em 2008, sendo
considerado o maior empreendimento da Petrobras e um dos
maiores do mundo, envolvendo a instalação de várias indústrias
(Secretaria de Estado do Ambiente, 20152). Com essa construção,
novos problemas emergiram na porção leste do núcleo
metropolitano, potencializando os problemas já existentes no
entorno da baía. Nessa área, chama-se também a atenção para as
alterações vindouras no município de Maricá, em função da
especulação imobiliária e dos inúmeros empreendimentos previstos
(Prefeitura de Maricá, 2016).
O emissário submarino do Comperj, cujas obras estão em fase
final, transportará os dejetos químicos provenientes do Complexo
Petroquímico, em Itaboraí, lançando-os a dois quilômetros da praia
de Itaipuaçu. Ainda haverá outro emissário para efluentes, de
construção polêmica e cujo duto também passa por Maricá
(Prefeitura de Maricá, 2016).
O processo de licenciamento dos diferentes empreendimentos
que integram o Comperj identificou um conjunto de impactos que
atingem diversos elementos do ambiente físico e daquele
relacionado à sociedade, provocando acentuada alteração na
paisagem, intenso fluxo migratório para a área e expansão urbana
(Secretaria de Estado do Ambiente, 2015).
O Arco Metropolitano é outro grande projeto levado a efeito nessa
porção do território fluminense, ligando o Comperj ao Porto de
Itaguaí e passando pelos municípios de Duque de Caxias, Nova
Iguaçu, Japeri, Seropédica, Magé, Guapimirim e Queimados. Esse
trajeto oferece a vantagem de reduzir os custos de transporte ao
encurtar distâncias, o que beneficia a cidade do Rio de Janeiro, por
desviar os impactos do fluxo de transporte de cargas. Sua
construção impactou quatro unidades de conservação de uso
sustentável: a Flona Mário Xavier, a APA Rio D’Ouro, a APA Retiro e
a APA do Guandu. Entretanto, alguns estudos apontam para seu
potencial em termos de crescimento econômico, considerando esse
o projeto viário mais importante para o estado do Rio de Janeiro.
Sua implantação é avaliada como um fator favorável ao
estabelecimento de indústrias, notadamente aquelas ligadas às
atividades de petróleo e gás. Faz parte, portanto, das iniciativas de
logística de inserção do Porto de Itaguaí e demais empreendimentos
(Secretaria do Estado do Ambiente, 2015).
Sua construção, contudo, gerou um número elevado de impactos
à natureza e à sociedade. A referida rodovia também corta
numerosas áreas de baixa ocupação e com vazios urbanos. Essas
áreas merecem especial atenção, pois podem atrair intenso fluxo de
população, tornando-se, assim, vulnerável a ocupações
desordenadas (Secretaria de Estado do Ambiente, 2015).
Na porção oeste da Região Metropolitana fluminense, outro
grande empreendimento – o Porto de Itaguaí – vem atraindo um
grande fluxo de população e novas atividades, provocando um novo
surto de crescimento nesse município e nas adjacências. O Porto de
Itaguaí vem-se destacando em importância, sendo considerado um
dos mais modernos da América Latina e o primeiro concentrador de
cargas do Atlântico Sul (Unacoop, 2011). No município de Itaguaí,
também estão em desenvolvimento vários projetos, dentre os quais o que envolve a Petrobras, a Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN) e a Gerdau, prevendo a construção de um porto
compartilhado, no qual se instalará o apoio à exploração do pré-sal
(idem, ibidem).
Seropédica é outro município que integra essa região de governo
e que tem, na produção de areia para a construção civil,
especialmente no rio Guandu, importante atividade. No entanto,
nesse município, ocorrem inúmeros casos de extração ilegal.
Embora seja uma atividade que assume grande relevância
econômica, abastecendo 70% da construção civil da Região
Metropolitana, nem sempre é realizada com respeito às as leis do
licenciamento ambiental, que incluem as condicionantes e um plano
de recuperação. Entre os problemas ambientais causados por essa
atividade, verificam-se impacto visual, assoreamento dos rios e
abandono dos terrenos (crateras), deixando para trás um grande
passivo ambiental. A retirada de areia, realizada por dragas,
interfere diretamente no fluxo de água subterrâneo (Marques, 2006),
podendo atingir o lençol freático (aquífero Paranaense) e dando
origem a grandes lagoas. Pesquisas realizadas na área ressaltam
que essa ação representa um grave problema ambiental, pois os
aquíferos, ao serem atingidos, afetam a bacia do rio Guandu, fonte
de abastecimento de água do Grande Rio (Tubbs et al., 2011). Essa
questão chama a atenção também pela capacidade de gerar
conflitos graves, pois as atividades relacionadas à extração de areia,
praticadas em um número considerável de rios, geram impactos
ambientais que conflitam com as atividades agrícolas desenvolvidas
nesse município (Unacoop, 2011).
Outra questão que se deve considerar diz respeito ao lixão de
Gramacho, situado no município de Duque de Caxias e que
recebeu, durante 35 anos, o lixo da cidade do Rio de Janeiro e dos
municípios vizinhos. Considerada uma área de grande impacto, com
a formação de chorume, originado da decomposição do lixo
depositado, constituiu-se, durantes muitos anos, em um grande
causador da poluição da Baía de Guanabara. Em 2012, procedeu-
se à transferência do lixão de Gramacho para o Centro de
Tratamento de Resíduos, em Seropédica, e à recuperação da área,
transformando-se o lixão em um aterro com o reaproveitamento do gás e atuando em um longo processo de eliminação do chorume
(Ribeiro, 2016).
3.2. Região do Médio Paraíba
A região do Médio Paraíba, área do eixo Rio–São Paulo,
apresenta intenso fluxo de mercadorias e de pessoas, com a
dinâmica econômica vinculada à expansão industrial, destacando-se
as indústrias automobilística e siderúrgica. Inclui-se entre as áreas
que receberão o maior número de empreendimentos no estado do
Rio de Janeiro. Conta ainda com vários projetos de grande porte,
em fase de implantação, ligados principalmente à indústria
automobilística. Seus problemas ambientais estão relacionados ao
desmatamento, à poluição dos rios e à expansão de periferias
urbanas, além de pressão sobre o patrimônio natural: o Parque
Nacional de Itatiaia. Em Volta Redonda, há graves problemas
decorrentes do despejo em grande quantidade de lixo químico,
contaminando o solo e o lençol freático.
Em Volta Redonda, um estudo que teve por objetivo analisar a
vulnerabilidade da região e os riscos ambientais envolvidos no que
diz respeito ao sistema de drenagem, mostrou as alterações
ocorridas na rede de drenagem, os processos erosivos e suas
implicações nas enchentes havidas (Castro e Peixoto, 2015). A
pesquisa concluiu que os processos erosivos e os movimentos de
massa são importantes, mas confirmou a situação de risco
ambiental nesse município. Tais riscos, associados a obras e
intervenções urbanas “que, em princípio, organizariam novos
espaços, potencializam os impactos existentes, além de criar novos”
(Castro e Peixoto, 2015, p. 192). Levou-se em conta também que os
efluentes domésticos e industriais apresentam situações de risco
ambiental para a população da referida cidade.
3.3. Região das Baixadas Litorâneas
A área do conjunto das Baixadas Litorâneas se destaca pela
expansão do setor de turismo e lazer, assim como o de segunda residência, recebendo também os impactos provenientes das ações
ligadas ao setor de petróleo. Nas últimas décadas, apresentou
intenso crescimento populacional, observando-se um grande
descompasso entre a demanda e a oferta de serviços públicos.
Seus principais problemas ambientais dizem respeito à ocupação
desordenada e ao uso inadequado em ambientes considerados
frágeis, como manguezais, praias, costões e restingas. O município
de Rio das Ostras vem sofrendo intenso processo de erosão em sua
linha de costa, o que altera sobremaneira a praia, derruba árvores e
destrói edificações, conforme se observa na Figura 1.
Outro elemento importante está relacionado ao impacto nos
ambientes marinhos, com a ocorrência de desastres ambientais que
têm origem nos vazamentos de óleo nas atividades de exploração
de petróleo. Em novembro de 2011 e março de 2012, verificou-se
um vazamento de óleo causado pela empresa Chevron, ocorrido em
uma sonda de perfuração em Campo de Frade, na bacia de
Campos (Nitahara, 2013).
Figura 1. Processos erosivos na linha da costa desmatando e
destruindo as edificações: Rio das Ostras
Fonte: Arquivo pessoal da autora, fevereiro de 2016.
A BR-101 é uma das mais importantes rodovias federais do país,
cortando praticamente todo o litoral brasileiro. Por atender a
importantes centros e áreas econômicas, gera intenso fluxo de bens
e mercadorias. Essa rodovia pode ser considerada um eixo de
grande impacto, causado pelos inúmeros acidentes envolvendo
mortes e longos engarrafamentos. Embora atendendo às áreas mais
importantes do país na produção de petróleo e nas atividades turísticas, com relevante papel socioeconômico, só recentemente
vem sendo finalizada sua duplicação (Figura 2).
Figura 2. BR 101: engarrafamento em Rio das Ostras e
duplicação em Rio Bonito
Fonte: Aquivo pessoal da autora, fevereiro de 2016.
3.4. Região Centro-Sul Fluminense
A região que compreende o Centro-Sul Fluminense sofreu,
durante anos, as consequências da decadência da produção de
café. Atualmente, sua economia se baseia nas atividades
agropastoris tradicionais, renovadas pelas atividades turísticas
fundamentadas em seu patrimônio histórico e cultural, oriundas da
cafeicultura.
Três Rios é um importante centro regional, enquanto Vassouras
se destaca como centro educacional de expressão nacional. A
construção da usina hidroelétrica de Simplício no município de Três
Rios é responsável pelo maior impacto ambiental nessa região. O
município de Paty do Alferes vem-se destacando pela produção de
tomates, embora o uso intensivo e sem controle dos agrotóxicos
seja motivo de preocupação.
Nessa área, verifica-se uma perda muito grande da vegetação
natural, encontrando-se predomínio das pastagens ralas, muito
sujeitas a queimadas nas épocas de seca, e ocorrendo diminuição
dos corpos hídricos (Secretaria de Estado do Ambiente, 2011). Essa
questão motivou a criação, no município de Vassouras, do projeto
“Cadê a Água de Andrade Costa?”, desenvolvido pela ONG Vale
Verdejante, com o apoio da Assessoria e Planejamento para o
Desenvolvimento (Asplande), em face do risco de se extinguirem algumas nascentes e de diminuírem as águas desses córregos.
Essa questão assume relevância pelo fato de muitas nascentes e
pequenos rios dessa porção do território fluminense serem
contribuintes de afluentes maiores do Paraíba do Sul. A
caracterização da área no referido projeto destaca esse problema,
conforme se observa no seguinte excerto:
Relatos na área relembram que no passado o córrego de Andrade Costa fluía
com mais água do que hoje, propiciando banhos em cachoeiras e alagados.
Comumente, mesmo na época de chuvas, o volume do córrego não é
comparável em volume ao que existia antigamente. Concluímos que, apesar
de ser um córrego de expressão local, assume um papel diferenciado, pois é
um contribuinte de um dos afluentes do rio Paraíba do Sul integrando-se,
desta maneira, a uma bacia hidrográfica de relevância regional e estadual
(Asplande e Vale Verdejante, 2014).
O relatório também comprovou que o pequeno núcleo urbano de
Andrade Costa, com uma população em torno de 1 mil habitantes,
não conta com um sistema adequado de esgotamento sanitário, o
que prejudica a qualidade de vida da população. O conjunto de
problemas ambientais encontrados nessa pequena localidade levou
a uma situação crítica, em face de eventuais consequências
imprevisíveis (Asplande e Vale Verdejante, 2014).
Figura 3. Andrade Costa – Pastagem com capim ralo/queimadas
na estação seca. Rodovia RJ-131, solos erodidos, com a formação
de voçorocas
Fonte: Arquivo pessoal da autora, setembro de 2014.
Outra questão relevante diz respeito ao rio Paraíba do Sul, que
margeia o território nas regiões do Médio Paraíba, Centro-Sul,
Noroeste e Norte fluminenses, e sofre outros impactos além dos citados, decorrentes do lançamento de esgoto doméstico das
cidades ribeirinhas e de várias indústrias. O efeito desses danos
repercute na poluição de suas águas, com a mortandade de peixes
e a diminuição da atividade de pesca artesanal. Não menos graves
são as alterações verificadas em seu curso e em sua foz.
3.5. Região da Costa Verde
O litoral sul do estado, denominado Região da Costa Verde, é
uma área que tem passado por transformações decorrentes da
expansão dos setores turístico e imobiliário, da implantação de
grandes indústrias e das atividades ligadas à logística de transporte
global, com a expansão portuária e a construção da Usina Nuclear
de Angra 3 (zuleika, 2012).
Nessa região, há previsão de um grande aporte de recursos
financeiros para atender à implantação de inúmeros projetos
(Secretaria de Estado do Ambiente, 2015). Entretanto, tais
empreendimentos envolvem muitos impactos ambientais e conflitos
com as populações tradicionais e as atividades econômicas. Para se
ter uma ideia da magnitude dos problemas ambientais que afetam
essa área, pode-se citar a lista de impactos relacionados à “Fase de
Implantação e Operação de Angra 3”, conforme apresentada pela
Eletronuclear no processo de licenciamento. O referido estudo
chama a atenção ainda para o raio de ação dos impactos de Angra
3 e para sua proximidade com o Núcleo Metropolitano, área mais
densamente ocupada do estado do Rio de Janeiro (zuleika, 2012).
As instalações termonucleares são empreendimentos polêmicos
que devem ser considerados com muito cuidado, por apresentarem
impacto elevado e de alto risco. Por essa razão, há exigência legal
de planos de evacuação na hipótese de ocorrência de acidentes
nucleares. Essa é outra grande preocupação na região, devido às
dificuldades de acesso, em função da logística da área, que conta
com a Rodovia Rio–Santos como único eixo de circulação (Aguiar,
2013; Unacoop, 2011).
A Costa Verde destaca-se ainda pelo aumento da relevância das
atividades turísticas, hoje sobressaindo-se no ERJ pela presença de muitos hotéis de luxo, estabelecimentos que atraem turistas de
várias áreas do território nacional e do exterior. Apesar dos
benefícios que a atividade proporciona em termos de emprego e de
renda, deve-se observar que a implantação do turismo está
associada a conflitos de uso com as populações tradicionais e a
impactos relacionados a aterros nos manguezais, desmatamento,
privatização da orla e pressão sobre os serviços urbanos, mais
precisamente nos locais em que o fluxo turístico é mais elevado
(SEA/INEA, 2015).
A região também é importante para a produção pesqueira,
especialmente a pesca artesanal. Suas condições naturais são
propícias a essa atividade, o que a coloca em posição de destaque
no conjunto do ERJ. Contudo, os vazamentos de óleo na baía da
Ilha Grande causam sério impacto ambiental, especialmente à
comunidade pesqueira e às populações tradicionais (Aguiar, 2013;
Unacoop, 2011). Outro impacto para a atividade de pesca é a
retirada de lama para aprofundar os canais que dão acesso a navios
de grande calado (SEA/INEA, 2015).
Os problemas ambientais nessa área são bastante complexos.
Relacionam-se à expansão de periferias com o uso inadequado do
solo urbano, à falta de infraestrutura de saneamento básico, à
poluição de baías e à redução de espécies de peixe (Motta, 2011),
bem como ao desmatamento em diversas áreas e aterros em
manguezais (Unacoop, 2011). Nos últimos anos, a área por sérios
problemas de deslizamentos de terra no município de Angra dos
Reis, prejudicando um grande número pessoas e atividades (Aguiar,
2013; SEA/INEA, 2015).
A expansão das atividades econômicas provoca ainda prejuízo às
comunidades tradicionais, incluindo quilombolas, indígenas,
caiçaras e agricultores familiares, levando à perda de suas terras, a
conflitos e à alteração de seu modo de vida. O risco de as práticas
dessas comunidades se extinguirem é muito grave, pois equivaleria
a se perder grande parte dos conhecimentos que dominam,
especialmente aqueles relacionados ao meio ambiente. A
permanência dessas comunidades tradicionais colabora e garante a
sustentabilidade, melhorando o equilíbrio entre as atividades
desenvolvidas no conjunto da região (Aguiar, 2013; Unacoop, 2011). 3.6. Região Noroeste Fluminense
A antiga área de produção cafeeira, situada na Região Noroeste
Fluminense, parece ainda ressentir-se do processo de erradicação
dos cafezais. Além da baixa renda de sua população, apresenta
problemas de enchentes, inundações e degradação dos solos
(Costa, 2001). Em 2003, verificou-se um desastre ambiental de
grande proporção, proveniente do derramamento de mais de 1
bilhão de litros de resíduos tóxicos de uma indústria em
Cataguases, no rio Pomba, afluente da margem esquerda do rio
Paraíba do Sul, afetando-o da confluência à foz.
O Noroeste Fluminense destaca-se na agropecuária, com ênfase
para a produção leiteira, e notabiliza-se pelas atividades ligadas às
rochas ornamentais (granito e mármore) que se destinam à
construção civil. É o principal produtor do estado, com maior
relevância para os municípios de Santo Antônio de Pádua, Italva e
Itaperuna, que abrangem duzentas pedreiras e cem serrarias3 em
atividade. Nessa região, há explorações ilegais responsáveis por
desmatamento e descarte de rejeitos em áreas impróprias,
ocasionando impacto ao ambiente. O modelo de produção com
baixa eficiência gera uma série de impactos ambientais: dano à
saúde dos trabalhadores, problemas dos efluentes gerados nas
serrarias, uso de explosivos (causando ruídos e tremores à
população), alteração da paisagem e dos corpos hídricos, poluição
do ar, entre outros (Silvestre et al., 2014).
3.7. Região Norte Fluminense
A região Norte Fluminense, considerada uma das mais
problemáticas do estado do Rio de Janeiro, apresenta inúmeros
problemas que advêm dos impactos provenientes das atividades
relacionadas à exploração do petróleo, à implantação de grandes
empreendimentos e à expansão desordenada de suas cidades. A
área apresenta intenso fluxo de pessoas, bens e mercadorias,
associado aos problemas de expansão urbana acelerada, como, por exemplo, a precariedade do saneamento básico e do transporte, e o
uso inadequado do solo urbano.
A Região Norte Fluminense passou por um processo de
modernização do setor sucroalcooleiro, mas mantém suas
discrepâncias econômicas e sociais, por não ter levado essas
mudanças aos demais setores de atividades da região (Prado,
2015). Contudo, ela teve seu desenvolvimento alavancado a partir
dos anos 1970, graças às operações da Petrobras em Macaé.
Essa região vem-se destacando pela retomada do crescimento
econômico e pela implantação de vários empreendimentos
associados às atividades de petróleo e gás, as quais, contudo, têm
suscitado polêmica devido ao significativo impacto ambiental
provocado. O Complexo Logístico Industrial Farol Barra do Furado,
na divisa de Quissamã e Campos dos Goytacazes, o Complexo do
Superporto do Açu, em São João da Barra, e o Terminal Portuário
Offshore Canaã, no município de São Francisco do Itabapoana, são
exemplos de empreendimentos formados por vários projetos
previstos para a área.
Esses projetos foram os grandes responsáveis pelas rápidas
transformações que se desencadearam no Norte Fluminense, além
de terem causado um grande número de conflitos e impactos no
ambiente natural e na sociedade. Como exemplo do impacto
causado por essas transformações, observa-se que, com o Projeto
do Porto do Açu, o município de São João da Barra passará a ter,
como principais atividades, aquelas ligadas à função portuária,
enquanto as atividades tradicionalmente tidas como mais
importantes (agrícolas e pecuárias) não mais funcionarão como
setor econômico básico. Esse projeto muita polêmica, com o
questionamento e a solicitação de revisão do licenciamento
ambiental (Pacheco, 2015). Prado (2015, p. 125) cita ainda os
impactos sociais causados por esse projeto: “A desapropriação em
São João da Barra é um nítido exemplo de ações corporativas,
legitimadas pelo Estado, que negligenciaram a história dos lugares,
a dimensão simbólica/afetiva das relações sociais e, principalmente,
os aspectos materiais dos residentes”.
Prado também destaca o processo de violência que acompanhou
as ações de implantação, levando inúmeras famílias a serem deslocadas de suas casas e reassentadas em outras áreas. Os
impactos ambientais geram foram muitos, conforme se identifica no
processo de licenciamento dos diferentes empreendimentos do
Complexo do Açu (Secretaria de Estado do Ambiente, 2015).
Entretanto, o projeto vem apresentando um freio em sua inserção,
devido à crise na EBX, holding responsável por sua implantação
(Pacheco, 2015).
Outros pontos dignos de destaque são o rápido crescimento
populacional e a expansão urbana em Macaé (Ribeiro e O’Neill,
2015) como centro das atividades ligadas à exploração de petróleo,
conforme se verifica no estudo realizado por Cadena (2012):
[...], o crescimento populacional gerou uma série de outras transformações na
geografia macaense, como a intensificação da mobilidade espacial da
população (migrações e mobilidade interna), os impactos ambientais de toda
ordem, as mudanças em sua paisagem urbana, entre outras. A segunda
transformação de destaque em Macaé se relaciona ao intenso processo de
urbanização socioespacial no município. Nos últimos trinta anos, a taxa de
urbanização elevou-se de 72% em 1980 para 98% em 2010. A rápida
urbanização provocou sérios impactos na configuração do sítio urbano
macaense, sobretudo caracterizados pelo processo de periferização da
população mais pobre e pela expansão da favelização, acompanhada do
vertiginoso aumento das tensões sociais e da violência urbana [...].
As demandas surgidas com as atividades de petróleo em Macaé,
especialmente no que diz respeito à moradia, levaram o município a
um crescimento extraordinário da população, revelado pelas
maiores taxas verificadas no estado: 11,25% entre 2000 e 2010
(Ribeiro e O’Neill, 2012).
3.8. Região Serrana Fluminense
A chamada Região Serrana Fluminense é uma área que se
reestrutura em torno de novas organizações industriais, aliando
itens tradicionais e modernos, como a agricultura, o turismo, o
centro de informática e a tendência às agroindústrias alimentar e
têxtil, ambas apoiadas na presença de um grande mercado
metropolitano próximo. As enchentes e os deslizamentos de terra ocorridos em 2011 e 2013, que configuraram um desastre ambiental
de grandes proporções, foram traumáticos para a população, e as
atividades econômicas da região, especialmente nos municípios de
Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, ainda se ressentem dos impactos
sofridos. Além disso, desmatamento, uso inadequado do solo
urbano/rural, uso intensivo de agrotóxicos, ocupação desordenada
das encostas, falta de fiscalização dos órgãos públicos e desvios de
recursos públicos também estão no centro das catástrofes.
Petrópolis vem ampliando, com sucesso, um centro de estudos e
desenvolvimento de sistemas de informática, denominado
Petropólis-Tecnópolis (Costa Jr., 2012). Essa iniciativa, baseada em
empresas de tecnologia, é capaz de modificar a estrutura
econômica da cidade, com a vantagem de reunir atividades com
menor grau de impacto ambiental.
No que diz respeito à agricultura desenvolvida na Região Serrana,
nota-se a prática intensiva, durante todo o ano, de diversos produtos
hortícolas, além da produção de frutas, muitas vezes recorrendo-se
a modernos sistemas de produção. Isso envolve o uso de grande
quantidade de insumos, cujos produtos químicos são avaliados
como inadequados ao ambiente. Essas práticas trazem consigo o
risco de poluição das águas e do solo, comprometendo também a
qualidade ambiental. As características da agricultura nessas áreas
apontam para a necessidade de acompanhamento e orientação
técnica de práticas conservacionistas e de manejo, bem como para
o controle do uso de agrotóxicos e de produtos químicos (Barros,
2015).
Igualmente, é necessário dispensar cuidados com as áreas rurais,
cuja densidade populacional é elevada, com baixa infraestrutura de
saneamento. Esse é o caso, por exemplo, da bacia do Rio Grande,
em Friburgo, que, através de pesquisa realizada, identificou, “na
maioria das sub-bacias, valores de coliformes totais e fecais acima
do permitido pela legislação, o que compromete a utilização da água
para o consumo humano. Esse quadro é reflexo da falta de uma
rede de esgoto na área” (Barros, 2015, p. 156).
4. Problemas ambientais decorrentes
da urbanização
O estado do Rio de Janeiro sobressai-se pelo predomínio da
população urbana sobre a rural e pela elevada concentração
populacional na Região Metropolitana. Destaca-se também pela
maior taxa de urbanização do país, tendo em vista que 96,6% de
seus habitantes vivem nas cidades, perfazendo um total de
15.446.996 pessoas (Ribeiro e O’Neill, 2015). A urbanização é
considerada o processo mais relevante em termos de organização
do território fluminense, sendo a metropolitanização uma de suas
características principais. Entretanto, verificou-se que esse
fenômeno, com tamanha dimensão, não conta com o apoio contínuo
de um órgão de Estado dedicado a questões urbanas, observando-
se, nesse aspecto, uma fraca atuação em termos de políticas
públicas urbanas (idem).
Não obstante, do ponto de vista ambiental, a urbanização é
responsável por mudanças significativas na paisagem e no
ambiente físico, bem como por um conjunto de problemas de alta
gravidade no estado do Rio de Janeiro, como desmatamento,
poluição de recursos hídricos, pressão sobre áreas de proteção
ambiental, expansão de periferias urbanas, favelização, aterros em
ambientes frágeis, falta de saneamento, poluição do ar, falta de
serviços públicos, enchentes, deslizamento de terra, baixa renda da
população, pobreza, desemprego, baixo nível de escolaridade, falta
de fiscalização, falta de segurança e violência, entre muitos outros.
Um traço marcante no crescimento das cidades fluminenses é que
esse processo nem sempre veio acompanhado de bem-estar da
população.
Os problemas ambientais urbanos encontram-se disseminados
pelas diversas regiões do território fluminense, associados ao
crescimento das atividades econômicas em áreas urbanas e ao
intenso fluxo de população oriunda das áreas rurais. As formas de
construção e vivência nas cidades, especialmente naquelas de
maior população e de alta densidade demográfica, como, por exemplo, na área metropolitana e nas periferias de cidades como
Angra dos Reis, Macaé, Teresópolis, Petrópolis, Friburgo, Volta
Redonda e Rio Bonito, entre outras, não atenderam a muitas das
condições requeridas para a satisfação de suas necessidades.
Outra grande preocupação no que diz respeito às cidades mais
populosas do estado do Rio de Janeiro é o abastecimento de água.
As cidades exigem água em grande quantidade, seja para as
atividades econômicas, como as indústrias, seja para as
necessidades da população. Assim, a proteção dos mananciais que
suprem esses centros urbanos mais populosos já se tornou uma
questão estratégica.
Merece destaque o fato de que, nessas áreas urbanas,
especialmente as maiores cidades e as de características
metropolitanas, foram criados ambientes em que as conexões e os
laços afetivos com a natureza estavam enfraquecidos. Algumas
abordagens que permitem a identificação dessas perdas, pensando-
se em ações que visam ao maior equilíbrio entre as ocupações
humanas e a natureza, sempre serão bem-vindas. No entanto,
precisam ser trazidas para o centro das discussões.
5. Interação dos impactos ambientais
e reflexões sobre políticas públicas
Os numerosos problemas ambientais no território fluminense
preocupam porque a permanência deles pode comprometer a
qualidade de vida, a saúde da população, atingir patrimônios
naturais protegidos pelas convenções nacionais e internacionais,
bem como potencializar os impactos entre si, criando cenários de
uma degradação ambiental mais grave e, em consequência,
interferir negativamente no crescimento econômico do estado do Rio
de Janeiro.
No caso do ERJ, chamamos a atenção para uma particularidade
quanto aos Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA), que tendem a
subestimar os danos causados, uma vez que fazem a avaliação por
empreendimento, e não para o conjunto de projetos existentes em uma mesma área. Conforme mencionado, estão em curso, no
estado, grandes projetos formados por vários empreendimentos,
como é o caso do Comperj, do Complexo do Superporto do Açu, do
Terminal Portuário Offshore Canaã, do Complexo Logístico Industrial
Farol Barra do Furado e do Porto de Itaguaí.
Após avaliar os impactos causados ao meio ambiente físico e à
sociedade, provenientes dos diversos empreendimentos que se
instalaram ou se encontram em processo de implantação, foram
identificadas sete áreas de maior vulnerabilidade, em função do
número e da gravidade que apresentam. Entre elas, destacamos
cinco situadas ao longo do litoral e no eixo Rio–São Paulo, cujos
impactos estão diretamente associados aos grandes
empreendimentos, à instalação de indústria pesada e às ocupações
inadequadas em ambientes já degradados ou frágeis (Figura 4).
Ainda foram identificadas duas áreas situadas nas Regiões Serrana
e Noroeste Fluminense cujos recortes espaciais envolvem
atividades tradicionais que, ao serem dinamizadas nas últimas
décadas, também geraram sérios impactos e conflitos ambientais.
Trata-se de áreas que já apresentam suscetibilidade à erosão, solos
erodidos e impactos potencializados por atividades altamente
agressoras ao ambiente.
Figura 4. Visão integrada dos impactos ambientais
Fonte: a autora, 2016.
Nesses conjuntos destacados, é relevante considerar que os
efeitos dos impactos devem ser percebidos de forma integrada,
levando-se em conta sua complexidade. Neles, são evidentes as
transformações no território e na paisagem, surgidas de forma muito
rápida e trazendo consequências graves a vários elementos do
ambiente físico e da sociedade. Do ponto de vista espacial, esses
impactos se caracterizam pela grande extensão e pela possibilidade
de afetar áreas mais remotas. A importância de se apontarem essas
áreas decorre, como já mencionado, do risco de potencializar
problemas e impactos entre si, de gerar cenários mais graves, com
tendência à degradação ambiental. Merecem, portanto, cuidados
especiais. A preocupação com os recortes indicados se prende ao
fato de que, ao desencadear desastres e degradação, o
desenvolvimento socioeconômico regional e estadual pode tornar-se
seriamente comprometido. Os recortes espaciais apresentados na
Figura 4 são tão somente um esboço a ser aprimorado por novas
pesquisas e trabalhos de campo.
A grande pressão sobre a infraestrutura dos municípios que não
estão preparados para as novas demandas é uma questão
relevante. De fato, o poder público municipal, em sua maioria, não
está tecnicamente capacitado, mostrando-se, do ponto de vista
político, muito frágil como promotor do desenvolvimento econômico
ou diante do poder das grandes empresas multinacionais que se
instalam no âmbito dos municípios. Nesses municípios fluminenses
em geral, os empreendimentos se desenvolveram sem discussão
prévia acerca do destino das populações direta ou indiretamente
afetadas e das atividades tradicionais que se desenvolviam nessas
áreas e com as quais conflitam.
Esses dois aspectos conduzem à reflexão sobre as dificuldades
de se atuar de forma planejada e de se promoverem ações que
integrem esses megaprojetos às atividades municipais e regionais,
articulando, de fato, um processo de desenvolvimento. Embora
planejados pelo governo estadual, percebe-se que esses complexos
de empreendimentos não encontram sinergia entre si ou, então, tais
interdependências não estão claramente explicitadas.
Acresce que, devido ao fenômeno das mudanças climáticas,
muitas áreas poderão ter, como consequência, o avanço das águas
sobre o território litorâneo, onde foi priorizada a maioria dos projetos
considerados estruturantes do estado (Secretaria de Estado do
Ambiente, 2015). Assim, são evidentes os riscos que tais
empreendimentos podem enfrentar no futuro e os prejuízos que
podem trazer para as atividades econômicas que se implantaram
nessa área ou estão em processo de implantação. Esses danos não
recairão somente sobre as empresas, afetarão também o poder
público e a população local ou aquela que se deslocou ao se sentir
atraída pelas oportunidades oferecidas. De acordo com Suzana
Kahn, os grandes projetos previstos para o estado do Rio de Janeiro
vão sujar ainda mais a base industrial do estado nos próximos anos,
porque o planejamento para o crescimento econômico do estado do
Rio está centrado numa economia que não leva em consideração os
efeitos da mudança climática (Melo, 2011; Secretaria de Estado do
Ambiente, 2012).
O estado do Rio de Janeiro possui uma extensão significativa do
território que é considerada patrimônio natural e, no conjunto, são
446.000 hectares de áreas estaduais protegidas, sendo 19 unidades
de conservação de proteção integral (parques, reservas biológicas e
estação ecológica), 14 unidades de uso sustentável (áreas de
proteção ambiental e reserva extrativista marinha), além de cinco
parques nacionais (INEA, 2015). Essas áreas, quando próximas à
implantação de novas atividades econômicas e de grandes
empreendimentos, correm um risco muito elevado de desencadear
problemas relacionados ao desmatamento e à perda da
biodiversidade, entre outros impactos. Esse é outro ponto crucial a
ser observado, pois as consequências dessas pressões não se
restringem exclusivamente à localização de determinado
empreendimento e, por isso, requerem uma visão espacial
integrada.
Nas diversas regiões fluminenses também se verificam iniciativas
positivas em que se buscam desenvolver atividades que
apresentem uma relação mais harmoniosa com a natureza. Esse é
o caso, por exemplo, das atividades ligadas ao turismo, em área de
patrimônio natural e histórico-cultural, e à produção de produtos
orgânicos, na Região Serrana, sendo essas ações de grande
relevância para o desenvolvimento com sustentabilidade do estado.
Tais práticas, contudo, também ficam expostas a impactos e
conflitos. Necessitam, da mesma forma que outras, de cuidados,
especialmente quanto ao controle mais efetivo do uso de
agrotóxicos e à ausência de saneamento rural.
Embora esteja previsto, para as próximas décadas no estado do
Rio de Janeiro, um grande aumento das atividades de exploração
de petróleo, notadamente aquelas associadas à exploração do pré-
sal, instalou-se no uma séria crise, provocada por fatores internos e
externos, que afetou diretamente o andamento das obras desses
empreendimentos e, por conseguinte, todos os setores de
atividades dessas áreas. As consequências desse freio ainda terão
de ser avaliadas, porém já se observam seus efeitos no
desemprego, no fechamento de lojas e serviços ligados ao petróleo,
bem como no enfraquecimento dos serviços públicos prestados à
população. Outra situação que deve passar por um processo de paralisação é o projeto do Porto do Açu, cuja empresa responsável,
a EBX, recuou na aplicação de investimentos.
O certo é que, apesar de esses projetos colaborarem para o
crescimento econômico das regiões do ERJ, também criam muitos
problemas para os quais o Poder Público, que os apoiou, tem
mostrado baixa capacidade de articular soluções e coordenar ações
que evitem seu surgimento e/ou a minimização de seus efeitos.
Episódios de enchentes e chuvas intensas em curto período têm-se
repetido no território fluminense, onde os problemas ambientais já
estavam deflagrados e ocasionaram desastres ambientais de
consequências severas. Essas catástrofes trouxeram acentuada
perda material, sofrimento para as populações atingidas e
espantosos gastos por parte do Poder Público. Em consequência,
há o risco de retrocesso no nível de desenvolvimento das regiões
afetadas.
6. Conclusão
As avaliações realizadas nas diferentes regiões de governo
apontam para o aumento da vulnerabilidade à degradação e para a
ocorrência de desastres em diversas áreas do território fluminense.
Entretanto, o ERJ, em virtude de sua dimensão territorial, de suas
características naturais e da formação socioespacial, tem condições
excepcionais de se desenvolver de modo sustentável e harmônico
com a natureza, reduzindo o impacto ambiental e o risco de
desastres. Alterar as prioridades e repensar novos caminhos
representam a melhor alternativa para o ERJ, direcionando-o
progressivamente para a escolha de atividades econômicas que
apresentem maior possibilidade de conciliação com o meio
ambiente e o bem-estar de sua população. O futuro do ERJ
dependerá dessa capacidade de se empreenderem atividades sob
uma nova perspectiva e de se encontrarem soluções que reduzam
as emissões de gases de efeito estufa e os impactos e conflitos
ambientais com menor vulnerabilidade.
No processo de planejamento, a compreensão e a espacialização
dos problemas, os impactos e conflitos ambientais constituem peça-chave, revelando-se essenciais para se desenvolver uma postura
preventiva, diminuindo, assim, a ocorrência desses danos, bem
como auxiliando a administração pública, de modo que possa atuar
menos nas situações de emergência. O freio verificado nas
atividades econômicas, em função da crise pela qual o estado e o
país passam, em que pese o prejuízo que acarreta, pode ser um
momento oportuno para se repensarem as iniciativas em novas
bases.
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Janeiro: Faperj/Gramma, 2012.
ERRATA
No capítulo "Uma visão integrada dos impactos ambientais no
estado do Rio de Janeiro", do livro Revisitando o território
fluminense VI, na página 65, onde se lê:
"Uma visão integrada dos impactos ambientais no estado do Rio de
Janeiro1."
Leia-se:
"Uma visão integrada dos impactos ambientais no estado do Rio de
Janeiro" [nota de rodapé excluída].
No mesmo capítulo, na página 71, § 2º, onde se lê:
"(Secretaria de Estado do Ambiente, 2015)."
Leia-se: "(Secretaria de Estado do Ambiente, 2015). " 2
"Este estudo compõe o Projeto ZEE/RJ, que foi elaborado pelo
Consórcio Cobrape-Oikos, coordenado pela Secretaria de Estado e
Ambiente (SEA)." [nota de rodapé incluída].
No mesmo capítulo, na página 83, na fonte do mapa, onde se lê:
"Luiza Boechat, 2016."
Leia-se: "a autora, 2016.".