Viagem Solitária
João W. Nery veio a público em 1984, com Erro de Pessoa, como o primeiro caso de trans-homem de que se teve notícia no Brasil. Vinte e sete anos depois, reconta a mesma história e acrescenta o que veio desde então. Começa na casa de dois andares da zona sul do Rio, com o pai comandante de avião e a pracinha onde gritavam “Maria-homem”. Com a irmã caçula, Vânia, inventou Zé e Zeca, dois viúvos com muitos filhos, espelhados em seu Sebastião, o pintor de paredes que morava na garagem. Depois vêm o salto ornamental e as 29 medalhas, o ano e meio como motorista de táxi, Darcy Ribeiro como mentor intelectual, a cirurgia com Roberto Farina em 1977 e o diploma de psicologia que nunca mais pôde usar. As quatro partes se chamam Desencontros, Descobertas, Metamorfose e Paternidade; o prólogo é do filho, Yuri, terminando Erro de Pessoa às quatro da madrugada.

