A Abadia de Northanger

Jane Austen · Capítulo 29 de 66

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A Abadia de Northanger

Capítulo 28

Logo depois disso, o general se viu obrigado a ir até Londres por um a

sem ana. Ele deixou Northanger, lam entando sinceram ente por qualquer necessidade que o roubasse, m esm o por um a hora, da com panhia da senhorita Morland, e ansiosam ente recom endando o estudo de seu conforto e diversão para seus filhos, com o o principal obj etivo na ausência dele. Sua partida deu a Catherine a prim eira convicção prática de que um a perda pode ser, às vezes, um ganho. A felicidade com que o tem po deles agora se passava, cada ocupação voluntária, cada risada solta, em cada j antar um a cena de tranquilidade e bom hum or, cam inhando por onde queriam e quando queriam , suas horas, prazeres e cansaços, ao com ando deles m esm os, tudo isso a fez inteiram ente ciente quanto ao controle que a presença do general lhes im punha, e m uito grata ao sentir a presença dos dois irm ãos, livre do pai. Tal tranquilidade e tais prazeres a fizeram am ar o lugar e as pessoas m ais e m ais, a cada dia. Se não fosse a apreensão de não ser igualm ente am ada por um , e pelo terror de logo ter de deixar a outra, ela teria, a cada m om ento de cada dia, sido perfeitam ente feliz. Mas ela estava agora na quarta sem ana de sua visita. Antes de o general voltar para casa, a quarta sem ana estaria findada, e talvez parecesse um a intrusão se ela ficasse por m ais tem po. Esta era um a consideração dolorosa, sem pre que lhe ocorria. Ansiosa por se livrar de tal peso em sua m ente, ela logo decidiu falar com Eleanor sobre isso de um a vez, propor ir em bora e ser guiada pela conduta dela, conform e o m odo com que sua proposta fosse recebida.

Ciente de que, se desse m uito tem po, ela sentiria dificuldade em tocar

em um assunto tão desagradável, Catherine aproveitou a prim eira oportunidade de estar repentinam ente sozinha com Eleanor, estando esta no m eio de um a conversa sobre algo bem diferente, para adiantar sua obrigação de ir em bora em breve. Eleanor a olhou e se declarou bem preocupada. Ela “esperava pelo prazer de sua com panhia por m uito m ais tem po, m as se enganou (talvez pelos seus desej os) em supor que um a visita bem m ais longa fosse prom etida, e não podia deixar de pensar que, se o senhor e a senhora Morland soubessem do prazer que era, para ela, tê-la ali, eles seriam m uito generosos em não apressar seu retorno”. Catherine explicou: “Oh! Quanto a isso, papai e m am ãe não tinham pressa algum a. Enquanto ela estivesse feliz, eles sem pre estariam satisfeitos”.

“Então por que, posso perguntar, há tanta pressa em nos deixar?”

“Oh! Porque eu j á fiquei aqui por m uito tem po”. “Não, se você pode usar tal palavra, não lhe pedirei m ais. Se você acha

que é m uito...”

“Oh! Não, não acho de form a algum a. Pelo m eu próprio prazer, eu

poderia ficar o m esm o tanto novam ente”. E foi im ediatam ente acertado que, até que ela fosse obrigada, sua partida não seria sequer considerada. Por ter esta causa de intranquilidade tão agradavelm ente dissipada, a força de outra igualm ente se enfraqueceu. A bondade e a sinceridade dos m odos de Eleanor em pressioná-la a ficar, e o olhar grato de Henry ao saber que a perm anência dela estava decidida, eram tais doces provas da sua im portância para eles, com o depositar nela tanta consideração, quanto a m ente hum ana nunca poderia ficar tranquila, se não a tivesse. Ela acreditava, quase sem pre, que Henry a am ava e, quase sem pre, que seu pai e sua irm ã a am avam tam bém e m esm o queriam que ela pertencesse a eles. Acreditando a este ponto, suas dúvidas e seus anseios eram apenas irritações travessas.

Henry não pôde obedecer à ordem de seu pai de perm anecer o tem po

inteiro em Northanger, acom panhando as dam as durante sua ausência em Londres, pois os com prom issos de seu pároco, em Woodston, obrigaram -no a deixá-las, no sábado, por duas noites. Sua perda não era, agora, com o teria sido se o general estivesse em casa. Dim inuiu a alegria, m as não destruiu o conforto. As duas garotas, concordando em ocupação e aproxim ando a intim idade, descobriram que se bastavam tanto naquele m om ento – eram onze horas, um a hora bem tardia na abadia –, antes de deixarem a sala de j antar, no dia da partida de Henry. Tinham acabado de chegar ao fim da escada, quando pareceu, tanto quanto a espessura das paredes perm itiria j ulgar, que um a carruagem se dirigia para a porta e, o m om ento seguinte, confirm ou a ideia pelo alto ruído da sineta de entrada. Depois que a prim eira perturbação de surpresa se passou em um “Pelos céus! O que pode ser?”, foi-se rapidam ente intuído por Eleanor que seria seu irm ão m ais velho, cuj a chegada era frequentem ente abrupta, senão tão irracional e, de acordo, ela desceu apressadam ente para recebê-lo.

Catherine foi para o seu quarto, tom ando a resolução – tanto, quanto

podia – de travar relações com o capitão Tilney, consolando a si m esm a pela desagradável im pressão que a conduta dele tinha lhe causado, convencida de que certam ente ele seria um fino cavalheiro para aceitá-la, e que, ao fim , eles não deveriam , sob nenhum a circunstância, se encontrar, pois tal encontro se tornaria substancialm ente doloroso. Ela confiava que ele nunca m encionaria a senhorita Thorpe. De fato, enquanto ele estivesse envergonhado do papel que interpretara, não poderia haver perigo quanto a isso. Enquanto todas as m enções às cenas de Bath fossem evitadas, ela achava que poderia se com portar m uito educadam ente para com ele. Em tais considerações, passou-se o tem po, e era certam ente por causa do irm ão que Eleanor estava tão feliz e tinha tanto a dizer, pois quase m eia hora tinha se passado desde sua chegada, e Eleanor não tinha subido.

Naquele m om ento, Catherine pensou ouvir os passos dela na galeria, e

esperou sua continuidade, m as tudo era silêncio. Mal, porém , ela tinha se convencido da fantasia de seu erro, quando o barulho de algo se m ovendo próxim o à sua porta a fez se assustar. Parecia com o se alguém estivesse tocando a porta e, em outro m om ento, um leve m ovim ento da fechadura provou que algum a m ão deveria estar sobre ela. Ela trem eu um pouco com a ideia de alguém se aproxim ando tão cuidadosam ente, m as, resolvida a não ser dom inada novam ente por triviais aparências de alarm e, ou enganada por um a im aginação exacerbada, ela deu um passo tranquilo e abriu a porta. Eleanor e apenas Eleanor estava lá. O hum or de Catherine, porém , ficou tranquilo por apenas um instante, pois o rosto de Eleanor estava pálido, e seus m odos, m uito agitados. Em bora evidentem ente querendo entrar, parecia ser um esforço adentrar ao quarto, e um ainda m aior falar, um a vez lá dentro. Catherine, supondo algum a intranquilidade por causa do capitão Tilney, e apenas expressando sua preocupação por um a silenciosa atenção, obrigou-a a se sentar, esfregou sua têm pora com água de lavanda e se sentou ao seu lado com afetuosa solicitude. “Minha querida Catherine, você não deve, de fato, não deve”, foram as prim eiras palavras concatenadas por Eleanor. “Estou m uito bem . Esta bondade m e distrai – não posso suportá-la – venho até você com tal m issão!”

Missão! Para m im !”

“Com o devo lhe contar! Oh! Com o devo lhe contar!” Um a nova ideia então se lançou através da m ente de Catherine e,

ficando tão pálida quanto sua am iga, ela exclam ou, “É um m ensageiro de Woodston!”

“De fato, você está errada”, devolveu Eleanor, olhando para ela com

m uita com paixão. “Não é ninguém de Woodston. É m eu próprio pai”. Sua voz lhe faltou e seus olhos caíram ao chão enquanto m encionava seu nom e. Seu retorno inesperado era, por si só, de fazer m urchar o coração de Catherine e, por alguns m om entos, ela m al supôs que houvesse algo pior a ser dito. Ela não disse nada. Eleanor, tentando se recom por e falar com firm eza, m as com os olhos ainda baixos, logo prosseguiu. “Você é m uito boa, estou certa, para pensar o pior de m im por causa do papel que sou obrigada a executar. De fato, sou um a m ensageira bem indesej ável. Depois do que se passou ultim am ente, do que acertam os ultim am ente, de m odo tão alegre, tão grato de m eu lado, sobre você continuar aqui, com o eu esperava, por m uitas, m uitas sem anas m ais, com o posso lhe dizer que sua bondade não pode ser aceita, e que a felicidade que sua com panhia até agora nos deu deve ser retribuída, m as não devo confiar em m im m esm a com as palavras. Minha querida Catherine, devem os nos separar. Meu pai se lem brou de um com prom isso que exige a saída de toda nossa fam ília na segunda-feira. Devem os ir à casa de Lorde Longtown, próxim o a Hereford, por um a quinzena. Explicações e desculpas são igualm ente im possíveis. Não posso tentar nenhum a delas”.

“Minha querida Eleanor”, exclam ou Catherine, reprim indo seus

sentim entos tão bem quanto podia, “não devem os ficar agoniadas. Um segundo com prom isso deve dar sequência ao prim eiro. Lam ento m uito, m uito, pela nossa separação, tão rápida, e tão abrupta tam bém , m as não ofendida, de fato que não. Posso encerrar m inha visita aqui, você sabe, a qualquer tem po. Ou espero que você m e visite. Você pode, quando voltar desse lorde, ir até Fullerton?”

“Não estará em m eu poder, Catherine”.

“Vá quando puder, então”.

Eleanor não respondeu e Catherine, recorrendo em seus pensam entos a

algo m ais im ediatam ente interessante, acrescentou, pensando alto, “Segunda, tão rápido com o segunda. E todos vocês irão. Bem , estou certa de que serei capaz de m e despedir. Não preciso ir até quase você partir, você sabe. Não se incom ode, Eleanor, posso partir segunda m uito bem . Que m eu pai e m inha m ãe não saibam disso é de pequena m onta. O general enviará um criado com igo, ouso dizer, até a m etade do cam inho e, então, logo estarei em Salisbury e, depois, a apenas quase 15 quilôm etros de casa”.

“Ah, Catherine! Fosse isso assim aj ustado, seria um pouco m enos

intolerável, em bora por tais com uns atenções você teria recebido apenas m etade do que deveria. Mas, com o posso lhe dizer? Sua despedida está m arcada para am anhã de m anhã, e nem m esm o a hora você pode escolher. A carruagem foi solicitada e estará aqui às 7 horas e nenhum criado lhe foi oferecido”.

Catherine sentou-se, sem respirar e sem falar. “Mal pude acreditar em

m eus sentidos, quando ouvi isso. Nenhum desprazer, nenhum ressentim ento que você possa sentir neste m om ento, em bora j ustam ente grande, pode ser m aior que o m eu próprio, m as não devo falar o que eu senti. Oh! Se eu pudesse sugerir qualquer coisa para aliviar! Bom Deus! O que dirão seu pai e sua m ãe! Depois de tirá-la da proteção de am igos verdadeiros para isso! Quase o dobro da distância de sua casa! Ter você levada daqui, sem m esm o as considerações de decente educação! Querida, querida Catherine, ao ser a portadora de tal m ensagem , pareço eu m esm a culpada por todo este insulto. Ainda confio que você m e absolverá, pois você esteve o bastante nesta casa para ver que sou um a patroa apenas no nom e, que m eu poder real é nada”.

“Eu ofendi o general?”, disse Catherine, com um a voz débil. “Ah! Pelos m eus sentim entos com o filha, tudo o que sei, tudo o que

posso responder é que você não lhe deu nenhum a causa j usta de ofensa. Ele certam ente está m uito, m uito descom posto. Raram ente eu o vi assim . Seu tem peram ento não está feliz, e algo ocorreu para agitá-lo a um grau incom um . Algum desapontam ento, algum a irritação que, j usto neste m om ento, parece im portante, m as que eu m al posso supor se você está envolvida, pois com o é possível?”

Era com dor que Catherine podia falar, e era apenas pelo bem de

Eleanor que ela tentou. “Estou certa”, ela disse, “que lam ento m uito se eu o ofendi. Era a últim a coisa que eu teria feito de bom grado. Mas não fique triste, Eleanor. Um com prom isso, você sabe, deve ser m antido. Apenas lam ento que não tenha sido lem brado antes, para que eu pudesse ter escrito para casa. Mas isso não im porta”.

“Eu espero, sinceram ente espero que, para sua real segurança, isso não

sej a nada. Mas, para tudo o m ais, é de grande consequência: ao conforto, aparência, propriedade, para sua fam ília, para o m undo. Estivessem seus am igos, os Allen, ainda em Bath, você poderia voltar com eles com relativa tranquilidade. Em poucas horas você estaria lá, m as um a j ornada de praticam ente 113 quilôm etros, a ser tom ada por correio, na sua idade, sozinha, desacom panhada!”

“Oh, a j ornada não é nada. Nem pense nisso. E se devem os nos

separar, poucas horas antes ou depois, você sabe, não faz diferença. Posso estar pronta às 7 horas. Faça com que eu sej a cham ada em tem po”. Eleanor viu que ela queria ficar sozinha; e, acreditando ser m elhor para cada um a que elas evitassem qualquer outra conversa, a deixou com “Eu lhe verei pela m anhã”.

O coração dolorido de Catherine necessitava de alívio. Na presença de

Eleanor, a am izade e o orgulho tinham igualm ente contido suas lágrim as m as, assim que ela se foi, elas j orraram em torrentes. Dispensada da casa, e de que m aneira! Sem nenhum m otivo que pudesse j ustificar, sem desculpa que pudesse reparar a brusquidão, a rudeza, a insolência. Henry longe, nem m esm o capaz de se despedir dela. Cada esperança, cada expectativa por ele em suspenso, pelo m enos, e quem poderia dizer por quanto tem po? Quem poderia dizer quando se veriam novam ente? E tudo isso por tal hom em com o o general Tilney, tão polido, tão educado e, até então, tão particularm ente apaixonado por ela! Isso era tão incom preensível quanto constrangedor e triste. De tudo o que isso poderia sugerir, e aonde isso poderia chegar eram considerações de igual perplexidade e preocupação. A m aneira com o isso foi feito foi tão rudem ente grosseira, apressando sua despedida, sem nenhum a referência à própria conveniência dela, ou lhe perm itindo m esm o a aparência de escolha quanto ao tem po ou m odo de sua viagem . De dois dias para o quanto antes a ser m arcado, e quase na prim eira hora do dia, com o se tivesse decidido a tê-la distante antes de se espreguiçar pela m anhã, para que não fosse m esm o obrigado a vê-la. O que isso tudo poderia significar, além de um a afronta intencional? Por algum m eio ou outro, ela teve o infortúnio de ofendê-lo. Eleanor quis poupá-la de um a ideia tão dolorosa, m as Catherine não acreditava ser possível que qualquer ofensa ou infortúnio poderia provocar tam anha m á vontade contra um a pessoa não relacionada, ou, pelo m enos, aparentem ente não relacionada com ela.

A noite passou-se pesada. O sono, ou o repouso que m erecia o nom e de

sono, estava fora de questão. Aquele quarto, no qual sua im aginação perturbada atorm entou sua chegada, era novam ente o cenário de m ente agitada e descansos intranquilos. Com o ainda era diferente a fonte de sua inquietude pelo que então tinha acontecido, e quão era m elancolicam ente superior em realidade e substância! Sua ansiedade era fundam entada em fatos, e seus m edos, em probabilidade. Com um a m ente tão ocupada na contem plação de m ales verdadeiros e naturais, a solidão de sua situação, a escuridão de sua câm ara e a idade do edifício eram sentidos e considerados sem a m enor em oção. Em bora o vento estivesse veloz e frequentem ente produzindo estranhos e súbitos ruídos por toda a casa, ela os ouvia enquanto insone, hora após hora, sem curiosidade ou terror.

Logo depois das 6 horas, Eleanor entrou em seu quarto, ansiosa para

m ostrar atenção ou aj udar no que fosse possível, m as pouco restava a ser feito. Catherine não se dem orou. Estava quase vestida e suas m alas quase prontas. A possibilidade de algum a m ensagem conciliadora do general lhe ocorreu quando sua filha apareceu. O que era m ais natural, j á que a ira deveria se dissipar e o arrependim ento sucedê-la. Porém , ela apenas queria saber até que ponto, depois do que tinha se passado, um a desculpa seria apropriadam ente recebida por ela. Mas o conhecim ento teria sido inútil aqui. Isso não ocorreu. Nem clem ência nem a dignidade se puseram à prova. Eleanor não trazia m ensagem algum a. Pouco se passou entre elas durante o encontro. Cada um a encontrou m ais segurança no silêncio, e poucas e triviais foram as frases trocadas enquanto perm aneceram no quarto, com Catherine em ocupada agitação, com pletando suas vestes, e Eleanor, com m ais boa vontade do que experiência, tentando encher o baú. Quando tudo estava pronto, deixaram o quarto, com Catherine apenas se dem orando m eio m inuto atrás de sua am iga, pois lançou um olhar de despedida para cada obj eto, querido e bem conhecido, e desceu para a sala de desj ej um , onde o café da m anhã era preparado. Catherine tentou com er, assim com o se poupar da dor de ser levada a fazer sua am iga confortável, m as ela não tinha apetite e não poderia engolir m uitas m ordidas. O contraste entre este e seu últim o café da m anhã, no dia anterior, naquela sala, dava-lhe nova tristeza, e fortalecia seu desgosto por tudo diante dela. Não foram nem 24 horas atrás desde que se encontraram para aquele m esm o repasto, m as em circunstâncias tão diferentes! Com que alegre tranquilidade, que feliz, porém falsa, segurança ela tinha então olhado ao seu redor, apreciando tudo no presente e tem endo pouco no futuro, além de Henry ir para Woodston por um dia! Feliz, feliz desj ej um ! Pois Henry estava lá. Henry tinha se sentado ao seu lado e a tinha aj udado. Estas reflexões foram , por m uito tem po, apreciadas sem perturbação de qualquer frase pela sua com panheira, a qual se sentava tão im ersa em seus pensam entos com o ela m esm a. E a aparição da carruagem foi a prim eira coisa a despertar e a lem brá-las do presente m om ento. A cor de Catherine acendeu ao vê-la, e a indignidade com que foi tratada, atingindo-a naquele instante em sua m ente, com força peculiar, a fez, por pouco tem po, sensível apenas ao ressentim ento. Eleanor parecia agora em purrada a falar.

“Você tem de escrever para m im , Catherine”, ela exclam ou; “você

tem de m e avisar tão logo quanto possível. Até que eu saiba que você está segura em casa, não terei um a hora de conforto. Pois um a carta, por todos os riscos, todos os perigos, eu posso rogar. Deixe-m e ter a satisfação de saber que você chegou segura em Fullerton e que encontrou sua fam ília bem e, então, até que eu possa pedir para m e corresponder com você, com o deverei fazer, não esperarei m ais. Envie para a casa de Lorde Longtown e, eu devo pedir, com o se fosse para Alice”.

“Não, Eleanor, se você não está autorizada a receber um a carta de

m im , estou certa de que é m elhor não escrever. Não haverá dúvidas de que chegarei com segurança em casa”.

Eleanor apenas respondeu, “Não posso m e surpreender com seus

sentim entos. Não a im portunarei. Confiarei na própria bondade de seu coração, quando estiver longe de você”. Mas isto, com o olhar de m ágoa que acom panhava, foi o bastante para derreter o orgulho de Catherine em um m om ento, e ela im ediatam ente disse, “Oh, Eleanor, claro que escreverei para você”.

Havia ainda outro assunto que a senhorita Tilney estava ansiosa para

acertar, em bora um pouco em baraçada em m encionar. Ocorreu-lhe que depois de tão longa ausência de casa, Catherine poderia não ter dinheiro suficiente para os gastos da sua j ornada e, ao dar deixas sobre isso com as m ais afetuosas ofertas de acom odação, provou-se ser exatam ente o caso. Catherine nunca tinha pensado no assunto até aquele m om ento, m as, ao exam inar sua bolsa, ficou convencida de que se não fosse pela bondade de sua am iga, ela sairia da casa sem m esm o ter os m eios para voltar; e o incôm odo que ela teria tido, portanto, envolvendo as m entes das duas, fez com que m al trocassem outras palavras durante o tem po em que ficaram j untas. Curto, porém , foi este tem po. Logo se anunciou que a carruagem estava pronta. Catherine, ergueu-se instantaneam ente; um longo e afetuoso abraço substituiu a linguagem , ao se despedirem . Enquanto adentravam o corredor, Catherine, incapaz de deixar a casa sem m encionar aquele cuj o nom e ainda não tinha sido falado por am bas, parou um m om ento e, com trêm ulos lábios, apenas fez inteligível que ela deixava “sua terna lem brança pelo am igo ausente”. Mas esta aproxim ação ao nom e dele term inou com qualquer possibilidade de conter seus sentim entos. Escondendo seu rosto tão bem quanto podia, com seu lenço, ela correu através do corredor, pulou para a carruagem e, em um m om ento, afastou-se da porta.