A hora do crime

Francisco Luís Coutinho de Miranda · Capítulo 16 de 26

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A hora do crime

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Apoiado! Apoiado! ( D. Emilio agradece com o gesto )

 

D. CARLOS

Meus senhores, o rei está a chegar, o general Prim parte esta noute para Cartagena, a fim de o acompanhar a Madrid; é mister pois que o partido republicano tome uma deliberação definitiva ácerca do procedimento que deve adoptar no dia da coroação do italiano.

 

UMA VOZ

Formule a sua proposta.

 

D. CARLOS

( Continuando ) É o que vou fazer. Eu proponho que nós todos empreguemos os esforços possiveis, para que os nossos correligionarios madrilenos, sem excepção de um só, se apresentem vestidos de lucto pesado no dia da chegada de Amadeu a Madrid. Creio que faremos assim uma imponente manifestação, visto que imperiosas rasões partidarias obstam a que ella seja mais ruidosa e mais energica. É um protesto solemne contra a invasão ambiciosa do estrangeiro, e ao mesmo tempo um aviso ao seu espirito, que verá de certo no lucto do povo um argumento vehemente contra os que por adulação, por servilismo, por vil baixesa lhe hão de dizer no paço real, que elle inspira amor áquelles que só sentem por elle profunda indifferença, se não lhe votam do intimo d'alma rancor e odio!