A hora do crime

Francisco Luís Coutinho de Miranda · Capítulo 22 de 26

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A hora do crime

Izabel

Mas o general... não morreu?

 

IZABEL

( Despertando ) Estas vozes... Estes rostos alegres... ( Vendo Martinez ) Tu... vivo!... ( Palpando-o ) Nem sequer foste ferido? ( A D. Ramon ) Perdão meu pae! ( Aos demais ) Desculpem, meus senhores! Martinez é meu noivo... e em poucos dias será meu marido!

 

MARTINEZ

Socega! Não morreu ninguem! Eu estou são; o meu general foi levemente ferido n'uma das mãos, pelos tiros d'aquelles miseraveis, e Nandin tambem tem um ferimento, que felizmente não é grave.

 

TODOS

Ainda bem! Ainda bem!

 

D. CARLOS

( A si mesmo ) Não digo eu--ainda bem--porque sou medico. Receio bastante que a ferida seja mortal, por que sei que o ferimento produsido pela arma de fogo é quasi sempre fatal, quando o frio é intenso, como o d'estes dias tem sido.

 

D. EMILIO

Rendamos graças a Deus, por ter permitido que se frustrasse um tão negro crime. É que a Providencia reserva ainda de certo o general Prim, para algum grandioso commettimento em favor do seu paiz!