A hora do crime

Francisco Luís Coutinho de Miranda · Capítulo 4 de 26

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A hora do crime

Izabel

Eu não duvido do prostigio do teu general, nem do valor dos seus briosos companheiros de Cadix, que ainda hoje o seguem; mas não creio na boa estrella que os monarchicos devisam onde eu só vejo negrura e trevas!

 

MARTINEZ

( Ancioso ) Explica-te!

 

IZABEL

Ouço o que dizem meu pae e meu irmão; escuto as palavras dos seus correligionarios politicos que aqui se reunem; conheço as valiosas relações que elles manteem entre as classes populares; sei que é grande a sua dedicação pela republica, que é immenso o seu enthusiasmo por ella, que é sublime a sua abnegação, e que todos elles estão dispostos a implantar no solo da patria a arvore frondosa e santa da republica, ainda mesmo a troco dos maiores sacrificios!

 

MARTINEZ

( Inquieto ) Queres tu dizer, Izabel, que os correligionarios de teu pae e de teu irmão estão dispostos... O que ouviste, Izabel?

 

IZABEL

( Com dignidade ) O que eu ouço nas reuniões que se realisam n'esta casa, não t'o digo eu agora, nem t'o direi jámais! Se o amor me prendeu o coração a um monarchico, não me obsecou o espirito a ponto de me fazer trahir a causa que a minha familia defende, e que eu reputo santa.