A hora do crime

Francisco Luís Coutinho de Miranda · Capítulo 20 de 26

Páginas do PDF

A hora do crime

Izabel

Horror! Infamia!

 

IZABEL

( Desvairada ) E Martinez... tambem ia... tambem morreu?

PABLO

Eu sei lá, menina! Eu não o vi; mas se lá ia dentro...

 

IZABEL

( Desfallecendo ) Morto!... elle!... ( Desmaia; mas só Pablo lhe presta soccorro, porque os demais personagens estão preoccupados com a noticia )

 

D. EMILIO

( Em tom solemne e com sentimento ) Meus senhores, tinhamos razões de desamor, não sei se profundo; mas quero bem crer que temporario, pelo heroe que depois de affrontar mil vezes a morte, no campo aberto da batalha, e de conquistar, para si e para a patria, immarcessiveis louros, acaba de soccumbir a um tão covarde crime! Foi nosso companheiro no exilio, não chegou a comprehender os generosos intuitos do nosso partido, opôz uma barreira de ferro ás nossas aspirações democraticas; mas era hespanhol e christão, e cumpre-nos, primeiro que tudo, enviar a Deus uma prece fervente pelo repouso da sua grande alma! De joelhos, amigos, e oremos! (Joelham todos.--Martinez aparece ao fundo.)