A hora do crime

Francisco Luís Coutinho de Miranda · Capítulo 17 de 26

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A hora do crime

D. Emilio

Approvo a idéa; mas peço para fazer uma observação, talvez desnecessaria. A manifestação dos republicanos deve ser digna e nobre, para ser magestosa! Envidemos toda a nossa energia, ponhamos em acção toda a nossa actividade, para que nem o italiano, nem o general que o fez rei d'Hespanha, soffram sequer um insulto! Amadeu é um principe ambicioso, talvez; mas julga acceitar legalmente a corôa, por que legalmente lh'a julgou offerecer a maioria da assembléa constituinte, no erro fatal a que a levou o seu grande respeito por Prim, e o desconhecimento dos poderes limitados que lhe conferia o seu mandato! O marquez de los Castillejos, por mais fatal que fosse para a patria a sua obsecação, ou quem sabe se a difficuldade da sua posição politica, é hespanhol e liberal, foi o mais valente caudilho da revolução de Cadix, é um cidadão benemerito, é um general aguerrido, é o heroe do Mexico, de Reus, de Castillejos, de Marrocos e de Saragoça! Que um e outro sejam pois respeitados por nós! Que Amadeu, quando o povo lhe indicar imperiosamente o caminho da sua patria, não possa accusar os republicanos d'Hespanha de uma grosseria, ou de uma crueldade! Que Prim possa ser de futuro o esteio solido da republica, como tem sido mais de uma vez o sustentaculo valente da liberdade! ( Ouve-se fóra uma grande detonação. )

 

TODOS

( Erguendo-se e correndo á janella ) Que é isto? Que é isto?

 

D. RAMON

( Á janella ) Vejo muito povo aglomerado na esquina da rua do Turco... soldados e populares que correm para aquelle lado... e um fumo denso que é de certo produzido pelos tiros que ouvimos!