A hora do crime

Francisco Luís Coutinho de Miranda · Capítulo 8 de 26

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A hora do crime

Scena Ii

 

Izabel ( só )

( Triste e encostada á janella ) Socega e espera!... Que tranquilidade ha de existir no peito de uma pobre mulher, que vê quasi a despenhar-se no abysmo metade da sua alma! Que esperança pode abrigar-se-me no coração, se eu vejo Martinez, o meu noivo, o homem que eu amo mais que a minha vida, affrontar indifferente a morte, ao lado d'aquelle pelo qual metade da Hespanha se julga illudida, fazendo parte do sequito do rei que transformou por um--sim--imprudente as esperanças da patria em illusões e sonhos, que podem amanhã produzir a guerra civil! ( Caindo anniquillada n'uma cadeira ) Oh! que infeliz eu sou! Oh! quão desgraçada serei! Condemnada a viver perpetuamente entre os odios mortaes dos correligionarios d'aquelles que mais queridos me são no mundo! De um lado o receio da perseguição dos monarchicos ao pae e ao irmão que estremeço! Do outro, o temor da represalia dos republicanos, contra o homem com quem em pouco vou partilhar a sorte, e ao qual de ha muito dei inteiro o coração! Oh fatalidade!