A hora do crime
Izabel
E oxalá que assim seja! Oxalá que um dia chegue, em que aquelle valente militar possa comnosco bradar:--Viva a republica!
TODOS
Viva a republica!
IZABEL
Desculpa, Mantinez! O meu coração é teu, e da idéa generosa e sublime de que estes cavalheiros são dedicados apostolos!
MARTINEZ
E de que eu começo hoje o noviciado!
IZABEL
( Muito contente ) Converteste-te?!... Oh! é mais um presente da Providencia! Eu vol-o agradeço, meu Deus!...
D. RAMON
É um anjo, que sente como nós santo amor pela republica!
D. EMILIO
Acompanho, intimamente regosijado, as saudações angelicas da donzella innocente, que bem representa aqui a santa virgem da democracia! Mas que o nosso enthusiasmo nos não torne suspeitos de cumplicidade no crime nefando que tanto nos indignou! É mister que todos nós, em vez das projectadas manifestações de desagrado ao rei eleito, prestemos sincera homenagem ao vulto gigante, que ia sendo victima de um tão monstruoso attentado! Tão feio crime só póde ter sido perpetrado por facinoras, por miseraveis, por maus hespanhoes! Não foram de certo, não; não foram adeptos da nossa crença, religionarios convictos da nossa egreja, os que o perpetraram! Os republicanos não são covardes! Os republicanos não são vis! Os republicanos não são assassinos! As vestes alvas da democracia, a vestal que mantem o fogo sagrado da liberdade, a santa que tem por evangelho a tolerancia, a deosa que manda respeitar a vida humana, mancharam-se de sangue no Mexico, mas jámais se ennodoarão na nobre terra d'Hespanha! Amigos, protestemos todos, bem alto, contra um tal attentado! ( Signaes de approvação. )