Arquitetura Mackenzie, 100 anos
Mestrado e Doutorado em Arquitetura e Urbanismo: uma história de sucesso
Mestrado e Doutorado em
Arquitetura e Urbanismo: uma
história de sucesso
Angélica Tanus Benatti Alvim, Eunice Helena Sguizzardi Abascal, José Geraldo Simões Jr., Nadia Somekh, Roberto Righi
A Pós-Graduação Stricto Sensu em Arquitetura e Urbanismo no Brasil insere-se no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) em conjunto com os programas de Pós-Graduação em Design. Trata-se de um campo recente no âmbito da Coordenadoria de Aperfeiçoamento em Pessoal de Nível Superior (Capes), quando comparado às demais áreas do SNPG. Em 2014, a área de Arquitetura, Urbanismo e Design (AUD) representava 1,42% do total de 3.791 programas em funcionamento no país.
Os primeiros Programas de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (AU) datam dos anos 1970, e os de Design, de meados de 1990. Até junho de 2017, a área de AUD possuía 67 programas, totalizando 91 cursos, a saber: 42 programas em Arquitetura e Urbanismo (16 com Mestrado e Doutorado, 17 com Mestrado Acadêmico e nove com Mestrado Profissional) e 25 programas em Design (11 com Mestrado Acadêmico e Doutorado, seis com Mestrado Acadêmico e oito com Mestrado Profissional) (CURSOS RECOMENDADOS, 2016).
Reconhecer e reforçar as especificidades da área de Arquitetura e Urbanismo, articular as formas de produzir conhecimento à inovação e às áreas estratégicas do país é fundamental. A pesquisa aplicada em Arquitetura e Urbanismo, traduzida por reflexões científicas aliadas a proposições projetuais, é, a nosso ver, um possível caminho. É nesse contexto que se insere o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (PPGAU/FAU-Mackenzie), que deriva do papel destacado que, há um século, o Curso de Arquitetura do Mackenzie vem desempenhando no panorama arquitetônico brasileiro, além da tradição e pioneirismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), um dos mais antigos centros de ensino superior do país.
Com cursos de Mestrado Acadêmico e Doutorado, o
PPGAU/FAU-Mackenzie tem como principal objetivo produzir uma reflexão sobre o campo do projeto de Arquitetura e Urbanismo. Destina-se à capacitação de docentes, pesquisadores e profissionais de excelência, que atuam com projeto em suas diversas escalas e perspectivas de representação e intervenção, promovendo reflexão sobre processos socioculturais de atuação e transformação da Arquitetura e da cidade.
Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-Mackenzie
em 2006, durante a inauguração do Curso de Doutorado: ao fundo,
da esquerda para a direita, a doutoranda, prof. Claudia Virginia
Stinco, Profa. Nadia Somekh (então Diretora) e o mestrando Arquiteto Jaime Cupertino. À frente, o doutorando Engenheiro Prof.
Izac Roisemblatt.
Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-Mackenzie
em 2006, durante a inauguração do Curso de Doutorado: da
esquerda para a direita, trás, o mestrando Ricardo Luís Silva; na fileira da frente, da esquerda para a direita, o então doutorando Prof.
Alfredo Mario Savelli, e o mestrando Vinicius Stump.
Em sua primeira fase, o Programa funcionou durante dez anos de modo experimental e pioneiro. Mesmo sem o reconhecimento oficial da Capes, a fase inicial contribuiu para disseminar a relevância da Pós-Graduação para a carreira acadêmica no âmbito dos professores da Faculdade. Em sua versão atual, o Curso de Mestrado Acadêmico foi aprovado pela Capes em 2000 e o de Doutorado, em 2006. Com área de concentração em Projeto de Arquitetura e Urbanismo, o Programa privilegia o avanço do pensamento arquitetônico e urbanístico no que diz respeito às suas relações com a prática do projeto; estimula e desenvolve atividades de pesquisa avançada com finalidades didática, científica e profissional nas áreas específicas de Arquitetura e Urbanismo.
Este capítulo busca regatar, ainda que de modo sumário, a trajetória do Programa de Pós-Graduação da FAU-Mackenzie, indicando alguns desafios futuros para o ensino, a pesquisa e a extensão neste nível de formação.
Os primeiros anos da Pós-Graduação
em Arquitetura e Urbanismo: 1990-
1999
A primeira fase da Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo
da UPM corresponde ao período compreendido entre 1990 e 1999, época em que ocorreram grandes transformações na FAU-Mackenzie. Os anos iniciais de funcionamento permitiram, até sua reestruturação e reconhecimento, em 2000, o acúmulo de experiência, tendo em vista sua organização e estruturação definitivas, inaugurando disciplinas e outras atividades posteriormente incorporadas ao Programa, e possibilitaram a abertura para a incorporação de professores convidados de outras Universidades, os quais ajudaram a consolidar a identidade do Curso.
O Curso de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo teve início em
1990, 1 representando o ápice de um movimento de renovação acadêmica e cultural da FAU-Mackenzie, que vinha acontecendo desde o final do regime autoritário. O Curso foi concebido na Congregação da Escola e mobilizou parte do corpo docente, que precisou se preparar e se titular numa época em que apenas existiam em São Paulo os cursos de Mestrado e Doutorado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo (FAU-USP).2
Na sequência dos primeiros anos, o prestígio da instituição
angariou também muitos alunos externos, certos da qualidade e segurança do Curso nascente. Nessa trajetória pioneira, também se deve dar relevância à figura da Profa. Dra. Aurora Albanese, então Reitora da Universidade, pela iniciativa e hercúlea tarefa de implementar 14 programas de Mestrado e três de Doutorado na UPM, muitos que, ao longo dos anos, desdobraram-se nos atuais Programas. A proposta do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da UPM, com os cursos de Mestrado e Doutorado na área de Arquitetura e Urbanismo, foi enviada à Capes pela primeira vez em agosto de 1990, não tendo sido aprovada naquele período. No entanto, a oferta de disciplinas e as pesquisas prosseguiram contribuindo para titular diversos colegas. A estrutura de gestão adotada era de que a coordenação de pós-graduação possuía o status de uma unidade independente da direção da escola, ligada à Reitoria, por meio de uma Coordenadoria de Pós-Graduação. Essa estratégia superava as dificuldades políticas e a natural oposição encontrada diante da novidade que parecia ameaçar as estruturas vigentes.
Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-Mackenzie,
em 2006, durante a inauguração do Curso de Doutorado. Na foto,
da esquerda para a direita, na fileira de trás, o então doutorando
Prof. Dominique Fretin; na fileira imediatamente à frente, a
doutoranda Arquiteta Elisabete França e outros colegas. À frente, da
esquerda para a direita, Prof. Dr. Carlos Guilherme Mota e em
primeiro plano, a então mestranda Arquiteta Maria Cecilia Barbieri
Gorski.
Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-Mackenzie,
em 2006, durante a inauguração do Curso de Doutorado. Na foto,
da esquerda para a direita, na fileira de trás, o então doutorando
Prof. Paulo Giaquinto; na fileira imediatamente à frente, o Prof.
Rafael Perrone, a doutoranda Profa. Claudia Virginia Stinco; na
primeira fileira, a Profa. Gilda Collet Bruna, então Coordenadora do
Programa.
O sucesso da Pós-Graduação da UPM como um todo está evidenciado em balanço realizado na Reunião nº 69, de 5 de agosto de 1998, do Conselho de Ensino e Pesquisa (Cepe). Segundo esse documento, nos cursos de Stricto Sensu, entre 1992 e aquela ano, haviam sido finalizados 32 Doutorados e 299 Mestrados.
Em linhas gerais, a estrutura deste Programa de Pós-Graduação
em Arquitetura e Urbanismo se fundamentava em duas áreas de concentração de ensino e pesquisa que se interpenetravam, com suas respectivas disciplinas: a) Planejamento e Projeto do Espaço Urbano, com as disciplinas: Economia Urbana e Regional; A Qualidade do Meio Ambiente Urbano; Planejamento e Desenho Urbano; Produção e Planejamento do Espaço Urbano; Teoria e Prática do Planejamento Urbano e Regional; Processo de Criação Aplicado a Arquitetura e Urbanismo; Tópicos Avançados em Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo; b) Planejamento e Projeto da Edificação, com as disciplinas: Computação Gráfica na Projetação Arquitetônica; Espaço no Projeto Arquitetônico; História Crítica da Arquitetura Contemporânea no Brasil; A Percepção Espacial e Sintaxe da Representação Bidimensional; Teoria da Projetação Arquitetural; Fundamentos do Gerenciamento da Construção Civil; Trabalhos Programados na Área de Projetação Arquitetônica.
A ênfase nas duas áreas traduzia a tradição e a vocação de
planos e projetos presentes no Curso de Arquitetura e Urbanismo da UPM, sintetizada pelos Departamentos de Projeto, Planejamento Urbano e Urbanismo, e de História e Teoria da Arquitetura. Naquela ocasião, o edifício Chamberlain passou a abrigar a Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (RIGHI, 1997)
Nessa etapa pioneira da Pós-Graduação houve a participação de
docentes internos, alguns ainda hoje atuantes no Programa, formadores do núcleo constituído pelo Prof. Dr. Roberto Righi, e os também dedicados Profs. Carlos Egídio Alonso, Haroldo Gallo, Maria Assunção Ribeiro Franco e Nadia Somekh, que se alinharam a esse desafio (RIGHI, 1997).
Edifício Funcef, antigo Banco de Crédito Comercial, São Paulo,
1978. Projeto dos Arquitetos Samuel Szpigel (Mackenzie, 1960) e
José Magalhães Junior (Mackenzie, 1964).
Devido à exiguidade de tamanho e carência de titulação do quadro próprio, participaram prestigiosos docentes externos da área de Arquitetura e Urbanismo, principalmente da FAU-USP, que colaboraram de forma generosa e construtiva, como os Doutores: Abrahão Sanovicz, Bruno Roberto Padovano, Carlos Eduardo Zahn, Eduardo Abdo Yazigi, Harold Cruz Hirth Jr., João Walter Toscano, João da Rocha Lima Jr., Paulo Julio Valentino Bruna, Percival Tirapeli e Vicente Del Rio (este último advindo da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ). Devem ser lembrados os que participaram de forma ímpar das bancas, que se somaram aos docentes internos e externos desta etapa, como os Profs. Drs.: Adilson Macedo, Anésia Barros Frota, Brenno Cyrino Nogueira, Carlos Westphal, Eduardo Corona, Geraldo Gomes Serra, Hugo Segawa, Issao Minami, José Cláudio Gomes, Ludovico Martino, Percival Tirapeli, Sylvio de Barros Sawaya, Telmo Luiz Pamplona e outros.
Porém, não apenas a docência se destacou, como também as
atividades de Pesquisa e Extensão foram relevantes. O saldo desses primeiros anos da Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UPM foi muito expressivo. Já em 1991, o Prof. Hans Joachin Aminde, da Universidade de Stuttgart, atuou como visitante e proferiu um curso intitulado “Teoria e prática do urbanismo – novas praças nas cidades”, incorporado à disciplina do Curso de Mestrado e Doutorado.
O Curso de Mestrado foi muito importante, embora não tivesse
sido aprovado naquele momento, e até recentemente houvesse um processo em tramitação que tratava do pedido de convalidação dos
títulos obtidos3 sob a égide da Resolução CFE nº 5/83, ou seja, antes da publicação da Resolução CNE/CES nº 1/2001. A decisão favorável foi baseada no parecer CNE/CES nº 504/2011 do relator Milton Linhares, de 6 de dezembro de 2012, do processo nº 23001.000062/2010-97, homologado por despacho do ministro (BRASIL, 2012), constante do website do Ministério da Educação. A resposta favorável mostra que tudo foi feito de acordo com o necessário na elaboração e desenvolvimento desse programa pioneiro.
Apesar de o resultado do reconhecimento oficial tardar 22 anos,
fez-se justiça ao empenho de todos que participaram dessa empreitada, colocando a Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UPM entre as primeiras do país, fazendo repetir em 1990 o pioneirismo do Curso de Graduação, que neste ano de 2017 completa 100 anos de existência, junto à Escola de Engenharia do Mackenzie College, e 70 anos de vida autônoma, a partir da fundação da Faculdade de Arquitetura Mackenzie.
Os anos 2000 a 2005: Mestrado com a
chancela da Capes
Em fins de 1999, sob a coordenação da Profa. Dra. Nadia Somekh, o Curso de Mestrado Acadêmico foi reformulado de forma a atender aos requisitos exigidos pela Capes. Uma nova proposta foi elaborada e enviada para a análise desse órgão, que a validou, recomendando oficialmente a abertura do Curso em 21 de setembro de 2000 – com a nota 3, atribuída aos cursos novos. Suas atividades foram iniciadas formalmente em 2001 com o funcionamento da primeira turma.
A proposta enviada em fevereiro de 2000, resultado de uma construção coletiva, contou com a colaboração de colegas atuantes na área de Arquitetura junto à Capes, em especial dos Profs. Paulo Bruna, Carlos Martins e Carlos Eduardo Comas. Todo esse processo obteve também grande apoio institucional, por meio do então Reitor Prof. Dr. Cláudio Lembo, que em sua gestão reorganizou todo o setor de Pós-Graduação da UPM, sob a eficiente coordenação da Profa. Dra. Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos, conseguindo nesse mesmo ano a validação de seis novos cursos pela Capes.
Evento de abertura da XIX Clefa 2001, Conferência Latino-
Americana de Escuelas y Facultades de Arquitectura, organizada
pela FAU-Mackenzie. A organização envolveu o Prof. Carlos Egídio
Alonso (o primeiro, da esquerda para a direita), então Diretor da
FAU-Mackenzie e Diretor Regional da Udefal Unión de Escuelas y
Facultades de Arquitectura de Latinoamerica. Na foto vê-se o então
Reitor da UPM, Prof. Dr. Claudio Lembo (o terceiro, da esquerda
para a direita).
No novo desenho, o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura
e Urbanismo (PPGAU) passava a ter uma única área de concentração – Projeto de Arquitetura e Urbanismo –, valorizando os atributos históricos do Curso de Arquitetura do Mackenzie, associados à prática projetual, atributos esses advindos do início do Curso no Mackenzie College, concebido por Christiano Stockler das Neves e fundamentado nos exercícios projetuais e práticas em ateliers, próprios das fine-arts schools norte-americanas (PEREIRA, 2005). O Curso foi estruturado em duas linhas de pesquisa em formato espelho, que se mantêm até os dias atuais: Arquitetura Moderna e Contemporânea: representação e intervenção e Urbanismo Moderno e Contemporâneo: representação e intervenção – por sugestão dos avaliadores da Capes, o Mestrado previa dar conta de um campo de pesquisa em processo de consolidação.
Nos dois primeiros anos,4 a participação do Prof. Dr. Carlos
Guilherme Mota foi essencial para imprimir um caráter diferenciado ao Programa em relação aos outros similares do estado de São Paulo. A concepção do Mestrado era baseada no tripé Arquitetura-Urbanismo-Cultura, em que as duas linhas básicas de pesquisa articulavam-se entre si com enfoque globalizante, de forma a promover, por meio das disciplinas e pesquisas associadas, uma reflexão histórica e crítica baseada na contextualização de processos inerentes à produção da Arquitetura e do Urbanismo, tanto no âmbito nacional quanto internacional.
Nessa esfera, a disciplina obrigatória Teoria do Conhecimento: História e Cultura possuía essa missão integradora, articulando-se aos conteúdos ministrados em outras duas obrigatórias: O Edifício e a Cidade: Produção, Planejamento e Projeto e Teoria e Metodologia do Projeto de Arquitetura e Urbanismo. Os créditos eram complementados por mais três disciplinas optativas (escolhidas dentre as 11 existentes) e Atividades Programadas Obrigatórias (APO): Metodologia de Pesquisa Aplicada à Arquitetura e Urbanismo, Jornadas de Comunicação Discente e Leituras Programadas de Textos Referenciais. Essa estrutura se mantém até os dias atuais, com ampliação das disciplinas optativas, após a criação do Curso de Doutorado.
Desde os primeiros anos, a internacionalização foi construída, inicialmente com Universidades portuguesas e espanholas (Universidade Técnica de Lisboa, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e Universidade de Salamanca) e logo ampliada para o contexto latino-americano, com a inserção do Programa no âmbito da Unión de Escuelas y Facultades de Arquitectura de América Latina (Udefal), responsável pela organização da Conferência Latinoamericana de Escuelas y Facultades de Arquitectura (Clefa).
Semana de Atividade Programada da Pós-Graduação. Alunos
desenvolvendo atividade projetual, 2012.
Semana de Atividade Programada da Pós-Graduação. Alunos
desenvolvendo atividade projetual, 2012.
O Fundo MackPesquisa, então recém-criado, teve papel
fundamental na expansão das pesquisas e no financiamento da Pós-Graduação nessa fase inicial, num cenário em que a obtenção de financiamentos externos (Capes, CNPq e Fapesp) era ainda difícil, pelo fato de o Curso ser recente. Mesmo assim, foi obtida uma verba da Capes que viabilizou o primeiro grande projeto de âmbito internacional: “A cidade ibero-americana: o espaço urbano brasileiro e hispano-americano em perspectiva comparada”, coordenado pelo Prof. Dr. José Geraldo Simões Júnior, cujos resultados foram divulgados em meio digital. Pela primeira vez o PPGAU recebeu docentes estrangeiros, da mesma forma que seus professores estavam participando de visitas internacionais para coleta de dados e projetos de estudo.
O MackPesquisa, por sua vez, financiou e permitiu a publicação dos primeiros e relevantes resultados de pesquisa, com os livros A cidade que não pode parar: planos urbanísticos de São Paulo no século XX (coordenado pelos Profs. Drs. Nadia Somekh e Candido Malta Campos Neto) e Projeto residencial contemporâneo: análise gráfica dos princípios da forma, ordem e espaço de exemplares da produção arquitetônica residencial paulista de 1980/1990 (coordenado pelos Profs. Drs. Haroldo Gallo e Wilson Florio, este último docente da Graduação, naquele momento).
Merece destaque também outra produção coletiva do grupo, desta vez com apoio da editora Scipione, que deu origem a uma pesquisa e livro sobre o bairro da Luz, em São Paulo, intitulado Um século de luz.
Esses anos iniciais foram de grande sinergia do pequeno núcleo de integrantes. As disciplinas eram ministradas sempre por dois docentes, o que favorecia a discussão e a visão crítica junto aos alunos. O Programa era ainda pequeno e funcionava em uma única sala do Edifício João Calvino, onde os docentes tinham suas estações de trabalho junto com o coordenador e o secretário.
O Mestrado contava com 20 vagas por semestre e demandava um importante trabalho a ser feito: divulgação nas mídias específicas (revistas da área) e grande imprensa; atualização e ampliação do acervo da Biblioteca – ocasião em que foram adquiridos mais de 1.500 livros; organização de uma publicação para divulgar os resultados das pesquisas dos alunos – o periódico do Programa, Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (2001), que adquiriu uma forma mais ampliada e hoje se constitui em periódico de referência na área.
Importantes eventos também começaram a ser organizados e
sediados no Mackenzie, favorecendo a integração regional e nacional com outras faculdades e cursos de Pós-Graduação da área. Merecem destaque a XX Conferéncia Latinoamericana de Escuelas e Facultades de Arquitectura (Clefa), o encontro regional do DoCoMoMo SP (Documentação e Conservação dos Monumentos Modernos, núcleo São Paulo), o Encontro do Lincoln Institute of Land Policy e o Colóquio Richard Morse.
Mesa-Redonda com representantes da Capes e CNPq, realizada
durante o III ENANPARQ – Encontro da Associação Nacional de
Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (Anparq),
um dos mais relevantes eventos nacionais da área de Arquitetura e
Urbanismo. O encontro foi sediado pelo PPGAU/FAU-Mackenzie,
em 2014.
Em meados da década de 2000, durante a gestão do então
Reitor, Prof. Dr. Manassés Claudino Fonteles (2003-2010), a criação dos Decanatos (atuais Pró-Reitorias), vinculando a Coordenação Geral de Pós-Graduação ao então Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação, foi fundamental para o percurso ascendente do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Adquirindo visibilidade, fortalecendo as parcerias nacionais e internacionais e divulgando em congressos, anais de eventos, artigos em periódicos e livros os resultados de suas pesquisas, o Programa em pouco tempo conseguiu congregar os atributos para obter bons indicadores já na primeira avaliação trienal, realizada em 2004, quando então conseguiu elevar para 4 seu conceito junto à Capes, coroando com sucesso esses primeiros anos, resultado da intensa dedicação de todos, sob a coordenação do Prof. Dr. José Geraldo Simões Jr.
A partir de 2004, no último ano da gestão do Prof. Dr. Carlos Egídio Alonso, instalase na FAU-Mackenzie uma importante mudança de espírito, advinda de diretrizes emanadas da Reitoria, com a ampliação do regime de trabalho de um terço dos docentes da Graduação para dedicação em tempo integral e a formação de vários grupos de pesquisa integrando Pós-Graduação e Graduação.
A conquista do conceito 4 abriu portas para que no ano de 2005 o PPGAU, já agora sob a coordenação da Profa. Dra. Gilda Bruna e tendo na direção da unidade a Profa. Dra. Nadia Somekh, conseguisse elaborar um projeto de Curso de Doutorado e aprová-lo no ano seguinte, ampliando assim a relevância do Programa e agregando novos docentes ao seu corpo permanente.
O Doutorado e o percurso ascendente
no contexto nacional
Em 2005 a Profa. Dra. Nadia Somekh assumiu a direção da FAU-Mackenzie com o objetivo precípuo de integrar Graduação e Pós-Graduação e estruturar o Curso de Doutorado.
Naquele ano, a UPM passava por uma importante reestruturação, com destaque para a gestão dos Programas de Pós-Graduação pelas unidades acadêmicas e a definição das Coordenações de Curso e da Coordenação de Pesquisa e de Extensão (Copex), também no âmbito de cada unidade. Perante o novo desafio, a Profa. Nadia Somekh integra à sua equipe os Professores Gilda Collet Bruna, que se manteve como Coordenadora do Programa, Valter Caldana, que assumiu a Coordenação do Curso de Graduação em Arquitetura, e Carlos Leite, que assumiu a Copex. Em 2006, o Curso de Design se integra à FAU-Mackenzie, sob coordenação da Profa. Dra. Nara Martins (alocado anteriormente na Faculdade de Comunicação e Artes).
A partir de 2005, o PPGAU experimentou uma série de relevantes
transformações, que determinaram um novo momento de sua evolução, com ampliação significativa de seus componentes curriculares e atividades. Com a ajuda de diversos professores, e de forma articulada pelas disciplinas de Projeto e de Urbanismo e com os Grupos de Pesquisa, iniciou-se a elaboração de uma proposta para o Curso de Doutorado. Foi essencial para esse novo passo contar com um mosaico de temáticas e questões que os Grupos de Pesquisa vinham debatendo.
Com a implantação do Curso de Doutorado, foram incorporados
outros docentes que incrementaram substancialmente o núcleo permanente, em termos quantitativos e qualitativos, de acordo com as necessidades derivadas dessa nova etapa. Eles foram contratados ou aproveitados do Curso de Graduação para compor, com aqueles citados anteriormente, o corpo permanente do
Programa. 5
Entre 2008 e 2010, a Coordenação do Programa esteve sob
responsabilidade da Profa. Dra. Maria Isabel Villac, que teve como principal propósito fortalecer a relação com as disciplinas de projeto e valorizar a identidade da área de concentração. Data daquele período a intensificação das parcerias nacionais com cursos de Arquitetura e Urbanismo que tinham o projeto de Arquitetura e Urbanismo como principal mote, com destaque para a primeira proposta elaborada para o futuro Mestrado em Associação Temporária do País na área, em parceria com o Centro Universitário
Ritter dos Reis (UniRitter).6
O período correspondeu a uma nova etapa do Programa:
ocorreram as primeiras defesas de Doutorado; maior integração com o Curso de Graduação, com destaque para o desenvolvimento de projetos de pesquisa integrados no âmbito dos Grupos de Pesquisa; o aprimoramento das disciplinas e atividades acadêmicas; o incremento qualitativo e quantitativo da produção científica; e ainda os intercâmbios de pesquisa e publicações conjuntas com instituições nacionais e internacionais.
Importante destacar que em 2008 foi organizada a primeira edição do Colóquio Brasil-Portugal – evento que já vinha acontecendo em forma de seminários integrados desde 2001 –, vindo a fortalecer a internacionalização e as parcerias nacionais. Com o objetivo de discutir os principais problemas da metrópole contemporânea e as novas estratégias desenvolvidas para a intervenção urbanística na atualidade, o evento é fruto de parceria com o Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa e o Curso de Urbanismo da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, também de Lisboa. No âmbito dessa parceria, merece menção a oferta da disciplina conjunta Novas Estratégias de Projeto e Intervenção Urbana com o Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP e a participação dos colegas portugueses, desde 2002.
A partir de 2010, na gestão do então diretor da FAU-Mackenzie Prof. Dr. Valter Caldana, assume a coordenação do PPGAU a Profa. Dra. Angélica Tanus Benatti Alvim, com a principal meta de elevar o conceito do Programa e consolidá-lo nos cenários nacional e internacional. As ações estruturadas, a partir de então, foram realizadas com base em um processo de planejamento anual, buscando valorizar a relação entre teoria e prática e contribuir para a formação científica, em bases consolidadas, de docentes e pesquisadores com ênfase na maior integração da área de concentração Projeto de Arquitetura e Urbanismo, com suas duas linhas de pesquisa.
No período, o planejamento do Programa buscou alinhar-se às recomendações advindas da Avaliação Trienal da Capes, realizada no triênio anterior (2006-2009). Um conjunto de diretrizes e ações integradas foi paulatinamente implementado ao longo do período: revisão da estrutura curricular; ampliação da produção docente e discente em veículos qualificados; aumento do número de pesquisas financiadas; fortalecimento dos intercâmbios internacionais e implementação de parcerias interinstitucionais com instituições de ensino superior (IES) localizadas em regiões prioritárias, ampliando a solidariedade, a nucleação e a abrangência do Programa no âmbito nacional.
Se no início de 2010 o Programa atendia à demanda crescente de
discentes provenientes da região Sudeste do país, as ações empreendidas em 2012 ampliaram a sua área de abrangência para as regiões Nordeste e Sul, com a proposta e aprovação de um Mestrado Interinstitucional (Minter) com a Universidade de Fortaleza, Ceará (Unifor), e com a aprovação do Mestrado em Associação Temporária com o UniRitter, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Merece destaque a atuação dos Professores Maria Augusta Justi Pisani, que coordenou o Minter com a Unifor, Carlos Egídio Alonso, José Geraldo Simões Jr., Nadia Somekh e Wilson Florio, que, em parceria com os colegas da UniRitter (liderados pela Profa. Dra. Anna Paula Canez), passaram a participar da primeira iniciativa de um Mestrado em Associação Temporária de Arquitetura e Urbanismo e Design da Capes, no Brasil.
O patamar de excelência alcançado na avaliação trienal da Capes
2010-2012 levou o Programa a obter o conceito 5, tornando-o um dos oito Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu na área de Arquitetura, Urbanismo e Design da Capes, do Brasil, a atingir essa posição, o único de instituição privada.
O apoio institucional da UPM, nas gestões do então Reitor Prof.
Dr. Manassés Fonteles e do atual Reitor, Prof. Dr. Benedito
Guimarães Aguiar Neto, 7 foi fundamental para a evolução positiva do PPGAU neste triênio. Algumas ações fundamentais que ocorreram no período merecem ser lembradas: a autorização em 2010 para o PPGAU empreender o Minter com a Unifor e a Associação Temporária com o UniRitter de forma simultânea; o auxílio à participação em reuniões científicas; o incentivo à formação pós-doutoral dos docentes a partir de 2011; a implementação em 2012 da bolsa de Isenção Integral de Mensalidades e Taxas para importante parcela dos doutorandos; e a concessão de apoio financeiro aos discentes, pelo Fundo MackPesquisa, para a participação em eventos e tradução de artigos, ampliando significativamente a internacionalização, também em 2012.
Abertura do 4º Senau – Seminário Nacional de Pesquisa e Pós-
Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Anparq, 2015. Na mesa,
da esquerda para a direita, Prof. Eduardo Nardell (Coordenador de
Pesquisa), Profa. Angélica Tanus Benatti Alvim (Coordenadora
Geral de Pós-Graduação e Presidente da Anparq, Profa. Helena
Bonito (Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação), Prof. Marcel
Mendes (Vice-Reitor), Prof. Valter Caldana (Diretor da FAU-
Mackenzie), Profa. Eunice Abascal (Coordenadora do Programa de
Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo) e Reverendo José
Carlos Piacente (Capelania).
A partir de 2013, o Programa, sob coordenação da Prof. Dra. Eunice Abascal, volta-se à manutenção da qualidade alcançada até então e à implementação das ações de solidariedade e nucleação deflagradas no período anterior. Em 2013 implementou-se o Minter com a Unifor/CE, encerrado em 2015 com a titulação de 12 professores daquela Instituição. Também em 2013 deu-se início ao Mestrado em Associação Temporária (MAT UniRitter-Mackenzie) com o Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), cuja parceria tem duração prevista de seis anos, até 2018. O apoio institucional no período, representado pela Reitoria e pela Pró-Reitoria de
Pesquisa e Pós-Graduação 8 tem sido fundamental.
Atualmente, o Programa é composto por 21 docentes, sendo 17
permanentes e 5 colaboradores; ingressam anualmente 56 novos alunos, 40 mestrandos e 16 doutorandos . Até 2017, ano do aniversário da FAU-Mackenzie, o PPGAU formou aproximadamente 482 mestres e 73 doutores que atuam em instituições de ensino (públicas e privadas), organismos públicos e empresas privadas da área de Arquitetura e Urbanismo e áreas afins.
A maioria dos projetos de pesquisa possui financiamento e
envolve docentes e discentes da Pós-Graduação e da Graduação, com bolsas advindas das agências de fomento interna ou públicas.
O Programa conta hoje com sete bolsistas Produtividade (CNPq). 9 No rol de pesquisas financiadas ao longo desta segunda fase, destacam-se: Arquitetura brasileira, tradição moderna, cultura contemporânea, com recursos do edital Capes-Procad, desenvolvida pelo Propar-UFRGS (Carlos Eduardo Comas), PPG-FAU-USP (Paulo Bruna) e PPGAU-UPM (Ruth Verde Zein); Feminino e plural: percursos e projetos de arquitetas (Ana Gabriela G. Lima), com recurso da Fapesp; A cidade ibero-americana – história, cultura e urbanismo: passagens do ideário urbanístico entre Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo (Candido Malta Campos Neto); Culturas e cidade – teorias e projeto (Maria Isabel Villac), Habitação social no Brasil: projetos e sustentabilidade no século XXI (Maria Augusta Pisani); A geometria das colunas, rampas e coberturas curvilíneas nos projetos de Oscar Niemeyer (Wilson Florio); O ideário urbanístico internacional: referências para os projetos e atuação dos primeiros urbanistas em São Paulo (José Geraldo Simões Jr.); Das políticas ambientais e urbanas às intervenções: conflitos, desafios e possibilidades para áreas protegidas (Angélica Tanus Benatti Alvim); Operações urbanas: entre o poder público e o mercado imobiliário. Conflitos entre plano e realidade (Eunice Abascal), todas com recursos CNPq; Metrópole contemporânea, projetos urbanos, patrimônio e inclusão: um manual de experiências e Projetos urbanos, desenvolvimento local e inclusão social (Nadia Somekh), com financiamento do Fundo MackPesquisa, entre muitas outras.
Cerimônia de outorga de título de Doutor (2016). A Dra. Eliana
Rosa de Queiroz Barbosa (cuja tese foi orientada pela Profa. Dra.
Nadia Somekh) recebeu o título fruto da primeira cotitulação
realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura
e Urbanismo da UPM com a Katholieke Universiteit Leuven
(Bélgica), sob supervisão do Prof. Dr. Bruno de Meulder. Na foto, da
direita para a esquerda, o Reverendo Davi Charles Gomes
(Chanceler da UPM), o Presidente do Instituto Presbiteriano
Mackenzie José Inácio Ramos entregando o título à Eliana Barbosa, observados pelo Magnífico Reitor Benedito Guimarães Aguiar Neto,
e o então Pró-Reitor de Graduação e Assuntos Acadêmicos, Prof.
Cleverson Pereira de Almeida.
Foram vários os projetos de pesquisa, teses e dissertações que resultaram em importantes publicações com financiamentos de agências de pesquisa, algumas premiadas, com segunda edição etc. Entre as publicações, destacam-se: América, cidade e natureza (Maria Isabel Villac, Estação Liberdade Editora, 2012); Avaliação de políticas urbanas: contexto e perspectivas (Angélica Tanus Benatti Alvim e Luiz Guilherme Rivera de Castro, Editoras MackPesquisa e Romano Guerra, 2010); Brasil: arquiteturas após 1950 (Maria Alice Junqueira Bastos e Ruth Verde Zein, Perspectiva, 2010); Cidades sustentáveis, cidades inteligentes (Carlos Leite, Editora Bookman, 2012); Anhangabau: história e urbanismo (José Geraldo Simões Jr, Imprensa Oficial/Senac, 2005); Palacete Santa Helena: um pioneiro da modernidade em São Paulo (José Geraldo Simões Jr. e Candido Malta Campos, Editora Senac, 2006); Textos fundamentais sobre história da Arquitetura Moderna brasileira – Parte 1 e Parte 2 (Abílio
Guerra, Editora Romano Guerra 2010), 10 Urbanismo de colina: uma tradição luso-brasileira (José Geraldo Simões Jr. e Manuel Leal da Costa Lobo, Editora Mackenzie e IST Press, Instituto Superior Técnico de Lisboa, 2012), Brutalist connections (Ruth Verde Zein, Altamira Editorial, 2014), entre outros. Com edições revistas e ampliadas, importantes publicações também são referências, como: História do Brasil: uma interpretação (Carlos Guilherme Mota e Adriana Lopez; 4ª edição, Editora 34, 2016); A cidade que não pode parar e Planos urbanísticos de São Paulo no século XX (Nadia Somekh e Candido Malta, 2ª edição, coedição Editora Mackenzie e Romano Guerra, 2014); A cidade vertical e o urbanismo modernizador (Nadia Somekh, 2ª edição, coedição Editora Mackenzie e Romano Guerra, 2014).
O avanço da internacionalização foi notável desde a aprovação do
Curso de Doutorado. Várias são as universidades com as quais o Programa mantém convênios, prevendo a realização de mobilidade discente e docente, pesquisas e publicações conjuntas: Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica), que propiciou a primeira defesa de Doutorado internacional da UPM em cotitulação e Universita’ degli
Studi di Ferrara. 11 Desde 2006, após a implantação do Curso de Doutorado, 22 discentes passaram um período de sua pesquisa no exterior, em importantes universidades: École Supériure d’Architecture de Versailles; Friedrisch-Schiller Universität-Jena; Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST); Leibniz Hannover Universität; Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Lisboa; Lund University; Pennsylvania University e Universidade de Ferrara.
Outras universidades conveniadas geram importantes
interlocuções e parcerias: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Universidade de Coimbra, Universidade do Minho, Universidade da Beira Interior (Portugal); École Nationale Supérieure d’Architecture Paris-Val de Seine, L’École Nationale Supérieure d’Architecture de Versailles (Ensa-V), Université de Sorbonne (França). Importantes convênios foram firmados com organizações não governamentais, a exemplo do Instituto Cidade e Movimento (IVM), Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo (DPH) e Secretaria de Desenvolvimento Urbano Municipal (SMDU).
Vale destacar a atuação do PPGAU/FAU-Mackenzie na realização de importantes eventos da área, de âmbitos nacional e internacional, com financiamentos de agências de fomento como Capes, CNPq e Fapesp, e do MackPesquisa: IV Projetar (2009), Sigrad (2009), Colóquio Brasil-Portugal (2008, 2010, 2012 e 2016); I Seminário Diálogos França–Brasil (2012), Congresso Internacional “O que é uma escola de Projeto na contemporaneidade; Clefa Intermédia (2013); III Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação – Enanparq (2014); IV Seminário Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação da Anparq (SeNAU 2015); Conferéncia Latinoamericana de Escuelas y Facultades de Arquitectura – Clefa (Intermediária, 2015); 3º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (Cihel, 2015), International Planning History Society Conference (IPHS, 2012); DoCoMoMo – SP (2017).
Projetos de extensão também são parte da atuação dos docentes do PPGAU, com destaque para a Jornada da Habitação São Paulo Calling, desenvolvido em 2012 em parceria com a Secretaria
Municipal de Habitação (Sehab); 12 o Laboratório de Cocriação em Territórios Informais, em parceria com a Parsons School for Design de Nova York, a Academia de Arquitetura de Amsterdã, a ONG
Cedeca/CasaDez e a Etec Heliópolis; 13 as I e II edições da Jornada
do Patrimônio 14 (2015 e 2016), em parceria com o Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura Municipal de São Paulo (DPH), e o projeto em formato de curso intitulado Arquitetura e Construção:
Materiais, Técnicas e Aplicações 15 , em parceria com diversas empresas da construção civil (Associação Brasileira de Cimento Portland [ABCP]; Associação Brasileira do Alumínio [Abal], Abravidro, Instituto do PVC e Associação Brasileira da Construção Metálica [Abcem]).
Alunos e professores da Graduação e da Pós-Graduação em
atividade extensionista em 2012: Jornada de Habitação (SP Calling),
evento realizado pela Secretaria de Habitação do Município de São
Paulo. Na foto, a Arquiteta e Profa. Maria Augusta Justi Pisani, na
quarta posição da esquerda para a direita.
Considerações finais
Na atualidade, o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e
Urbanismo da FAU-Mackenzie é um importante espaço de formação voltado à capacitação e aprimoramento de novos pesquisadores e docentes, disseminando conhecimento em bases científicas de modo a garantir a qualidade ao ensino e à pesquisa, com efeito multiplicador na área de Arquitetura e Urbanismo.
Longe de esgotarmos as inúmeras atividades que envolvem o
PPGU/FAU-Mackenzie, e na certeza de termos valorizado apenas aspectos que o enaltecem, não podemos nos esquecer de que são inúmeras as dificuldades que o coletivo do Programa enfrenta hoje, particularmente num contexto de recessão econômica, dificuldades de financiamento à pesquisa, retraimento do Estado diante da gestão da cidade, descontinuidades técnico-políticas enfrentadas na gestão urbana pública, desvalorização da profissão e de sua atividade-meio, o projeto de Arquitetura e Urbanismo.
De modo geral, a Pós-Graduação Stricto Sensu em Arquitetura e
Urbanismo tem como propósito a qualificação de Arquitetos, Urbanistas e profissionais de áreas afins para o exercício da pesquisa e da docência no ensino superior, contribuindo também para uma melhor atuação profissional em órgãos públicos e privados, no âmbito de um círculo virtuoso em prol de uma transformação da sociedade.
Com certeza, o PPGAU/FAU-Mackenzie, ao longo dos últimos 27 anos, foi (e tem sido) um importante investimento realizado pela UPM. O percurso ascendente do Programa sinaliza o alcance de um nível de excelência, em um futuro próximo, indicando que novos investimentos por parte da instituição serão necessários, especialmente aqueles voltados para a qualificação e a ampliação de recursos humanos, para o incremento da infraestrutura de pesquisa e extensão, bem como para a intensificação de ações ligadas à internacionalização. Com certeza, tal percurso envolverá muito trabalho do coletivo de docentes e discentes do Programa e, por consequência, da FAU-Mackenzie, cuja sinergia indica um horizonte promissor para a Escola.
Trecho parcial do projeto Nova Avenida Paulista, São Paulo,
1967. Projeto do Arquiteto Nadir Curi Mezerani (Mackenzie, 1964).
Na condição contemporânea da área de Arquitetura e Urbanismo se observa, junto à crescente produção teórica, o pluralismo de abordagens em forte articulação com a produção técnica. No Programa de Pós-Graduação da FAU-Mackenzie, a pesquisa em Arquitetura e Urbanismo, que tem como matriz principal a ação de projeto, tem sido objeto de pesquisas historiográficas, teóricas, críticas e analíticas. São várias aquelas que discutem os resultados e efeitos de projetos em suas diversas escalas e se empenham em buscar sentido para aprimorar a Arquitetura e a cidade.
Nos processos de ensino e pesquisa da Pós-Graduação, é fundamental refletir sobre o projeto, o ensino de projeto, as práticas projetuais e os resultados das ações do projeto, em suas diversas escalas. Pesquisas com tal amplitude assumem um caráter inovador, à medida que extrapolam os muros da Universidade e se integram a propostas efetivas em prol da melhoria da qualidade de vida das cidades. É nesse espaço que a produção acadêmica do PPGAU/FAU-Mackenzie vem construindo seu percurso.
Referências
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