Arquitetura Mackenzie, 100 anos
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie: desafios e perspectivas para o século XXI
Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo Mackenzie: desafios
e perspectivas para o século
XXI
Angélica Tanus Benatti Alvim
A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie (FAU-
Mackenzie) prima por sua tradição enquanto escola de projeto e de preparação profissional em todos os seus cursos e atividades. Nessa Escola, relevantes profissionais foram formados (e continuam sendo) – Arquitetos, Urbanistas e Designers, Mestres, Doutores e Especialistas –, com o propósito de contribuir para uma sociedade melhor.
A capacitação acadêmica, da Graduação à Pós-Graduação Stricto
Sensu, na atualidade, é voltada à formação de profissionais e de pesquisadores altamente qualificados, aptos a atuar no mercado, na administração pública, na docência ou em empresas e indústrias de produtos e serviços ligadas a essas áreas de conhecimento.
Atualmente, a FAU-Mackenzie é um gigante: possui dois Cursos
de Graduação, o de Arquitetura e Urbanismo (com três turnos) e o de Design; Pós-Graduação Stricto Sensu, com Mestrado e Doutorado; e quatro cursos Lato Sensu (especialização); congrega
aproximadamente 2.800 alunos, 1 206 professores e 22 funcionários. Numerosas são as conquistas relacionadas aos cursos e à produção docente e discente.
Estamos caminhando para o final da segunda década do século
XXI. As transformações das cidades e da sociedade são muitas e indicam um cenário complexo de possibilidades e desafios para os profissionais diplomados pela FAU-Mackenzie.
A breve reflexão que busca encerrar este livro não parte de uma visão institucional, tal qual foram os capítulos precedentes. Este capítulo é um breve ensaio acerca de alguns desafios da formação
de Arquitetos e Urbanistas e Designers 2 no Brasil do século XXI. Trata-se de uma singela e ainda “limitada” contribuição para incentivar as mudanças e as transformações em curso das práticas didático-pedagógicas desta Escola, que tem um papel central na formação de profissionais de alta qualidade no cenário brasileiro.
As áreas de Arquitetura e Urbanismo
e Design no contexto da sociedade
contemporânea
Desde o início do século XX, as áreas de Arquitetura e Urbanismo
e Design3 vem desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento urbano mundial. Elas são parte ativa dos processos de industrialização, urbanização, produção, reorganização e modernização do território em suas várias escalas.
Alunos no saguão da Escola durante as atividades da I Semana
de Integração 2017/1, quando foram realizados debates e
elaboradas propostas para a cidade, integrando discentes e
docentes da Graduação à Pós-Graduação.
No Brasil, a Arquitetura e o Urbanismo sempre foram estratégicos
para o enfrentamento dos problemas nacionais ligados à crescente urbanização, à provisão habitacional, à infraestrutura urbana, entre outras questões. O Design foi incorporado à indústria nacional, pós-Segunda Guerra Mundial, como elemento de autonomia tecnológica e cultural, sinalizando, naquele momento, formas inovadoras de
produzir conhecimento (BRASIL, 2013).4
Na atualidade, a produção de conhecimento nas áreas de
Arquitetura e Urbanismo e Design se defronta com um rol de complexas questões que se interpõem como desafio aos estudiosos, pesquisadores e profissionais. A crescente e desigual urbanização, as alterações dos padrões urbanos e sociais e dos modos de vida, as rápidas transformações e as inovações tecnológicas e informacionais configuram situações distintas e mais complexas do que aquelas encontradas em meados do século XX, ocasião da fundação da FAU-Mackenzie.
O século XX foi marcado pela urbanização da sociedade, e, ao longo desses 100 anos, numerosas foram as transformações que ocorreram na produção, na distribuição, na troca, no consumo e nas relações sociais. Entre os anos 1950 e 1960, a urbanização brasileira era emergente; o país deixava de ser rural para se transformar em urbano. Os desafios que se colocavam aos profissionais naquele momento se relacionavam principalmente à contribuição para a modernização do país, que experimentava, pela primeira vez, um explosivo crescimento populacional das cidades. Esse fato fez emergir a necessidade de grandes investimentos públicos e privados aliados à industrialização do país, como: a construção de grandes empreendimentos, a provisão habitacional, novas e grandes infraestruturas de mobilidade, de saneamento, equipamentos públicos ou mesmo novas cidades (como Brasília), entre outros.
Se em 1950 a população urbana do país representava 36%, em 2010 o Brasil já era um país altamente urbanizado, com 85% de
seus habitantes vivendo em cidades,5 em um mundo também predominantemente urbano. Ao longo desse período, a dinâmica socioespacial passou a ser caracterizada pelo “modo de vida urbano”.
Nos dias atuais, novas questões emergem no campo profissional nas áreas de Arquitetura, Urbanismo e Design, as quais se entrelaçam com a imensa complexidade da realidade das cidades brasileiras e, particularmente, com seus problemas.
A urbanização no século XXI decorre do desenvolvimento industrial e tecnológico exponencial que têm os centros urbanos como ponto estratégico. Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que em 2030 mais de dois terços da população mundial residirá nas cidades (UN-HABITAT, 2016). Tal fato poderia ser motivo para comemoração, já que as cidades são os centros do desenvolvimento econômico, das oportunidades, da cultura, entre outros tantos atributos que representam a vida urbana. No entanto, as mesmas estimativas apontam para um mundo urbano desigual e excludente.
Conjunto habitacional Sehab Heliópolis – Gleba G, São Paulo, 2014. Projeto dos Arquitetos Mario Biselli (Mackenzie, 1985) e Artur
Katchborian (Mackenzie, 1985).
No contexto brasileiro, apesar de as cidades, nas últimas
décadas, experimentarem uma redução significativa do crescimento
demográfico, 6 a expansão da mancha urbana de forma extensa e fragmentada com baixa densidade populacional é uma realidade e uma questão crucial para os Arquitetos e Urbanistas, conforme apontam Magalhães e Izaga (2017). Em pesquisa recente sobre o tema, os autores demonstram que a cidade brasileira incorporará ao seu estoque habitacional o equivalente à metade daquele hoje existente. “Mais meio Brasil urbano nesta geração”, destacam os autores.
Enfrentar como e onde esse estoque habitacional será construído,
equacionar o passivo socioambiental, atual e futuro, o atendimento à infraestrutura de saneamento ambiental, de serviços públicos, o problema emergente da mobilidade urbana, da segurança pública, dos equipamentos de saúde e de educação, a melhoria do espaço público, do mobiliário urbano, dos resíduos sólidos e principalmente da intensificação das áreas degradadas e dos bolsões de pobreza (MAGALHÃES; IZAGA, 2017) são temas emergentes com que esses profissionais, especialmente os Arquitetos e os Urbanistas, se defrontam na atualidade e com certeza continuarão a se defrontar no futuro. Aliam-se a esses problemas questões ligadas ao uso das novas tecnologias e novos materiais, ao envelhecimento da população, às mudanças climáticas, à assistência técnica às populações desassistidas e a tantas outras situações que em um passado recente não faziam parte do imaginário social e do campo de atuação dos profissionais dessas áreas de conhecimento e áreas afins.
Em síntese, o modelo da urbanização das cidades brasileiras da atualidade, aliado ao aumento da precarização das formas de moradia, à curva ascendente do consumo, em um mundo cada vez mais globalizado e desigual, acarretam fortes impactos no modo de vida contemporâneo e representam desafios para as área de Arquitetura e Urbanismo e Design. A aceleração e a complexidade das transformações sociais, advindas especialmente dos processos produtivos e culturais ligados à sociedade da informação, impõem novos desafios a esses profissionais.
Como a FAU-Mackenzie e seus cursos prepararão seus alunos, futuros profissionais, para os desafios ao século XXI? Visualiza-se a necessidade de formar profissionais aptos a responder às demandas sociais, articulando, cada vez mais, teoria e prática, saberes inter e transdisciplinares. Exige-se a construção de novas e criativas soluções comprometidas com o papel social desses campos de conhecimento.
Arquitetos e Urbanistas7 8 e Designers devem receber, ao mesmo tempo, formação técnica e humanista, para que sejam capazes de entender a complexidade do mundo contemporâneo e de atuar em equipes inter e transdisciplinares. Tendo como cenário de atuação a cidade e a sociedade contemporâneas, esses profissionais devem ser capazes de atuar frente aos complexos problemas (de caráter ambiental, econômico, social ou tecnológico) que se apresentam. Necessitam, portanto, equacionar e apresentar soluções competentes nos campos de habitação, sustentabilidade, mobilidade urbana e de produção do ambiente construído e do projeto do objeto e do produto, em múltiplos contextos de incerteza e transformação da realidade. Temas como direito à cidade e seus desdobramentos – ao ambiente, à mobilidade, ao espaço público, à inclusão digital, à informação, ao habitar pleno com uma vida digna – devem integrar-se a outros temas essenciais que compõem a formação dos profissionais que atuam com a criação e a transformação do espaço, em suas diversas escalas. Isso implica utilizar novas tecnologias, materiais e processos construtivos de forma eficiente, criativa e inovadora, tendo como objetivo a ampliação desses campos de atuação para todos os segmentos sociais. Ainda, isso implica capacitar o profissional para a flexibilidade de ações e para a autonomia na aquisição de conhecimentos, valorizando o protagonismo nos diversos campos de conhecimento que integram as áreas de Arquitetura e Urbanismo e Design.
Edifício Camburiú, São Paulo, 2015. Projeto do Arquiteto Juan
Pablo Rosenberg (Mackenzie, 1999) e da Arquiteta Marina Acayaba.
O projeto, principal ferramenta desses campos de conhecimento, deve ser entendido como atividade e processo, dotado de natureza complexa, fruto de diálogos de referências, escalas e disciplinas, no âmbito de uma abrangência sistêmica. O projeto, em suas diversas escalas, enquanto instrumento de concepção e “desígnio”, ao buscar soluções para a complexidade da realidade do espaço em suas múltiplas dimensões deve ser compreendido como parte de um processo, como um objeto de mediação de “conflitos e desejos” entre os diversos atores que constroem e habitam as cidades na contemporaneidade (ALVIM; ABASCAL, 2012; ALVIM; CASTRO, 2008).
Nesse contexto, é fundamental a atualização constante das
formas de projetar e de intervir na realidade das cidades, na paisagem, no patrimônio construído, nos edifícios, nos artefatos, nos sistemas de informação e serviços etc., de modo a reforçar o papel estratégico dessas áreas de conhecimento em um mundo que se transforma intensamente.
A formação precisa ser ampla e flexível, com boa capacitação na
área de projeto aliado à instrumentação técnica atualizada. Assim, o resultado será não apenas um profissional que alie a própria capacitação técnica ao raciocínio científico e crítico necessário para resolução de problemas já conhecidos, mas que tenha a capacidade e a iniciativa para o reconhecimento de novos problemas e o desenvolvimento das respectivas soluções. Trabalho em equipe com proatividade e iniciativa, e a capacidade de harmonizar e articular diferentes pontos de vista ou processos devem integrar os processos de ensino-aprendizagem.
Na graduação, o processo didático-pedagógico em formato de
ateliê deve relacionar o conhecimento a proposições e a conceitos relevantes na estrutura cognitiva com materiais pedagógicos, como mediadores da aprendizagem e posturas interacionistas entre professores e alunos. Como parte da dinâmica, a pesquisa e a extensão aliadas a outras atividades que desenvolvem o protagonismo estudantil e a interação entre alunos e professores com problemas concretos da realidade são essenciais para a complementação da formação.
Casas AV, Avaré, 2011. Projeto dos Arquitetos Daniel Corsi
(Mackenzie, 2003) e Dani Hirano (Mackenzie, 2003).
A educação continuada e o aperfeiçoamento constante em âmbito de pós-graduação são requisitos atuais para o exercício da profissão nas mais diferentes áreas de atuação – daí a importância dos cursos de especialização e de aperfeiçoamento para mestrado e doutorado, cada vez mais procurados não apenas por aqueles que pretendem desenvolver atividade acadêmica, mas por aqueles que buscam uma oportunidade para seu aperfeiçoamento como profissionais atuantes.
A contemporaneidade das cidades brasileiras é parte de um país a ser transformado, compreendido e qualificado. Nesse contexto, são emergentes a promoção de um debate nacional sobre os possíveis campos de atuação e a preparação desses profissionais para os desafios da cidade do século XXI. E, com certeza, a FAU-Mackenzie tem um papel a cumprir e a contribuir com esse debate. A FAU-Mackenzie: desafios atuais e
futuros
No contexto dos desafios e das complexidades impostos pela
sociedade contemporânea, a FAU-Mackenzie vem realizando permanente atualização e constante revisão de temas e das abordagens que envolvem suas áreas de conhecimento, tanto os seus componentes curriculares da graduação à pós-graduação quanto as suas atividades de Pesquisa, Extensão, entre outras. Essa atualização ocorre sem perder de vista as suas especificidades, particularmente aquelas que envolvem a reflexão para e sobre o projeto, em suas múltiplas escalas de atuação.
A interação entre teoria e prática para atuar em um contexto
amplo, que abranja desde o objeto à cidade, considerando as dimensões social, cultural, técnica, econômica e estética, é um importante desafio na atualidade. Alia-se a isso a necessidade de formação de profissionais aptos a atuarem em novas fronteiras do conhecimento ainda desconhecidas e inexploradas.
Os conhecimentos oriundos de diversas disciplinas humanísticas,
científicas e tecnológicas, aliadas a outras de cunho prático e atividades de Pesquisa e de Extensão, são essenciais para projetar de forma criativa e inovadora o amplo conjunto de artefatos, sistemas e espaços que envolvem as áreas de conhecimento da Escola, em um contexto de crescente complexidade do mundo contemporâneo. Do objeto arquitetônico isolado entendido como protagonista da práxis e da crítica, passa-se ao entendimento do projeto como processo em construção de uma linguagem apta a abrigar e a responder a solicitações e a problemáticas múltiplas.
Edifício Rouxinol, São Paulo, 2014. Projeto do Arquiteto Yuri Vital
(Mackenzie, 2004).
No centro desse debate, encontra-se a percepção do papel do
projeto – em suas diversas escalas –, entendido como processo e método aliado à necessidade de ampliação e incremento de um conjunto de componentes curriculares e atividades com abordagens inter e transdisciplinares, cujas raízes têm Edgar Morin (2005) como um de seus pensadores mais importantes. Ao refletir sobre a educação e as relações inter e transdisciplinares na sociedade contemporânea, Morin define um sistema de vida para o homem contemporâneo de abrangência planetária e pensa na expressão da cultura humana nesse tempo. Com relação à “condição humana” atual, diante da situação de dependência global, Morin nos lembra de que um sistema integrado de conhecimento é a saída para uma identidade humana face à fragmentação e à complexidade de conteúdos que constituem os saberes.
A transdisciplinaridade, como bem observa Freitas, Morin e
Nicolescu (1994), não procura o domínio sobre outras disciplinas, mas a abertura de todas àquilo que as atravessa e as ultrapassa. Por meio da transdisciplinaridade é possível complementar a aproximação disciplinar: ela faz emergir da confrontação das disciplinas dados novos que faz com que elas se articulem; oferece-nos uma nova visão da natureza e da realidade.
Essa transformação de perspectiva incide diretamente na
formação das áreas de Arquitetura e Urbanismo e Design, em formas pedagógicas que propiciem a articulação entre o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Tal tríade é indissociável do binômio ensino-aprendizagem, que busca implementar a cultura de produção de um novo conhecimento como parte do círculo virtuoso do ensinar e do aprender (ALVIM; ABASCAL, 2012). No âmbito central dos cursos da FAU-Mackenzie, não é apenas um movimento de domínio de disciplinas variadas e integradas, mas temas e abordagens diversas que estabelecem articulações entre si, escalas distintas, alimentando a compreensão do projeto entendido como processo, instrumento estratégico no âmbito da formação dos profissionais dessas áreas de conhecimento.
De acordo com os Projetos Pedagógicos dos Cursos de
Arquitetura e Urbanismo e de Design 9 da FAU-Mackenzie, a organização proposta se dá a partir dos núcleos de conhecimentos de fundamentação e de conhecimentos profissionais definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais, “com particular atenção às relações de afinidade e complementaridade existentes entre os seus conteúdos gerais e específicos no âmbito de cada etapa (horizontalidades), de seu desenvolvimento seriado (verticalidades) e de seu conjunto (transversalidades)” (UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE, 2014, p. 75). A qualidade dos cursos é corroborada por uma adequada carga horária e uma relação professor/aluno estabelecida para os componentes curriculares, sobretudo nos componentes curriculares de caráter prático desenvolvidos em formatos de ateliês. As atividades de Pesquisa e de Extensão permeiam os cursos e dão suporte para os componentes de formação e de fundamentação. Os textos que precedem este capítulo, principalmente nas Partes 2 e 3 desta publicação, relatam detalhadamente as transformações e a atualidade da Escola.
Longe de se igualar a escolas que oferecem o mínimo de carga horária exigida pelo Ministério da Educação (MEC) ou mesmo laboratórios e bibliotecas insuficientes, a FAU-Mackenzie oferece infraestruturas, salas de aula, laboratórios, bibliotecas, salas de apoio e espaços administrativos que são exemplares, ainda que pesem críticas e necessidades de adequação constante.
Parklet Maria Antônia, São Paulo, 2014. Projeto do Arquiteto
Homã Alvico (Mackenzie, 2013).
A atualização e a revisão constante dos PPCs e as adaptações
curriculares como parte de um processo devem contribuir para a formação de um profissional flexível e apto a lidar com temas emergentes, atuais e futuros da sociedade contemporânea. Para tanto, abordagens inter e transdisciplinares devem permear as atividades da FAU-Mackenzie. Atividades como a “Semana Viver Metrópole”, a “Semana de Integração” ou mesmo o Mackenzie Day são exemplos dessas práticas. Vale mencionar que a “Semana de Integração” proposta no primeiro semestre de 2017 se traduziu em experiência rica e profícua. Com o tema “Transforma(ação)”, a “I Semana de Integração”, lançou a semente para as diversas e múltiplas possibilidades de comunicação entre cursos e níveis de formação, culminando em riqueza de reflexões apresentados, que indicam as possibilidades de temas transdisciplinares.
A abordagem predominante e contemporânea da FAU-Mackenzie
deve envolver a discussão do Projeto, perpassando todos os temas e, de certa forma, integrando-se ao relevante papel social desempenhado por um profissional que produz e transforma o ambiente, o espaço construído e os objetos. Nesse contexto, uma abordagem integrada dos campos do saber afins deve superar a visão de disciplinas estanques e estereotipadas.
Casa da “Dona Dalva”, Vila Matilde em São Paulo, 2015. Projeto
dos Arquitetos Danilo Terra (Mackenzie, 2003), Pedro Tuma
(Mackenzie, 2004).
Longe de dar conta de todos os aspectos e da complexidade dos temas que aqui são lançados, alguns desafios são essenciais para dar sequência ao processo permanente de aprimoramento dos Cursos e das atividades da FAU-Mackenzie – da Graduação à Pós-Graduação:
adequação dos componentes curriculares, quando possível, às temáticas contemporâneas e aos avanços tecnológicos;
incentivo à inter e à transdisciplinariedade, necessárias para a renovação das práticas e dos processos de ensino-aprendizagem, integrando componentes curriculares, práticas e teóricas, atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão; promoção da pesquisa aplicada como alternativa de proposição direta nos segmentos público e privado;
utilização de novos instrumentos no processo de ensino-aprendizagem em que a experimentação seja protagonista; ampliação das relações com a sociedade, de forma a ampliar o alcance das áreas de conhecimento em direção às camadas excluídas da sociedade, contribuindo também para a promoção de cidadania e formação de novos talentos; proposição de novos meios para melhorar a inserção social, promovendo diálogo mais amplo entre teoria e prática, como instrumento de aproximação entre os distintos campos de conhecimento e a sociedade;
maior aproximação ao mercado e às demandas crescentes da sociedade;
valorização da formação continuada dos profissionais Arquiteto e Urbanista e Designer;
consolidação da internacionalização, permeando as diversas áreas de conhecimento e níveis de formação; fortalecimento das instâncias de representação da Escola – órgãos colegiados, grupos de trabalho, representantes docentes e discentes, Congregação –, de forma a envolver diversos atores nas formulação e nas implementações de ideias e concretização das ações;
reforço dos valores éticos e cidadãos no desenvolvimento das habilidades, competências e atitudes dos estudantes, para que sejam profissionais criativos e com espírito de liderança que contribuam para suas áreas de atuação.
Por fim, ao longo do século XXI, a FAU-Mackenzie continuará a
expandir-se e a demonstrar que, como Escola tradicional e pioneira, a atualidade e inovação são contínuas. Seu principal compromisso é a formação e a capacitação de profissionais atualizados e aptos para contribuir para um país melhor, para uma sociedade mais justa e equitativa. A Escola que queremos deve ser parte de uma construção coletiva.
Referências
ALVIM, A. T. B.; ABASCAL, E. H. S. Fórum de pesquisa em Arquitetura e Urbanismo: percurso e desafios futuros. In: COLÓQUIO DE PESQUISA PROARQ – Fronteiras e transversalidades da pesquisa em arquitetura: os 25 anos do PROARQ-FAU/UFRJ (2012), 3., 2012, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Proarq: UFRJ, 2012. p. 1-10.
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Zulin (Mackenzie, 2007) e Renata Coradin (Mackenzie, 2007).
Integrando gerações: Maio de 2017 – Alunos e alunas da FAU-
Mackenzie representando algumas gestões recentes das entidades
estudantis ao lado de Professores que participaram, enquanto
estudantes, de gestões do Dafam e da Atlética, e a equipe da atual
gestão da Escola.