Arquitetura Mackenzie, 100 anos
O percurso da Pesquisa e da Extensão na FAU-Mackenzie
O percurso da Pesquisa e da
Extensão na FAU-Mackenzie
Wilson Florio, Angélica Tanus Benatti Alvim, Eunice Helena Sguizzardi Abascal, Pérola Felipette Brocaneli
Entre as escolas de maior tradição no país, a FAU-Mackenzie, criada em 1947, é reconhecida por sua excelência no ensino de Projeto, transmitindo uma gama de conhecimentos sobre a produção do espaço em suas diversas escalas. A Pesquisa e a Extensão na FAU-Mackenzie são atividades recentes. Durante 15 anos, com a criação da Pós-Graduação Stricto Sensu na década de 1990, a Pesquisa esteve predominantemente ligada a esse nível de formação.
No início dos anos 2000, a aprovação pela Comissão de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) 1 do Programa de Pós-Graduação, com Mestrado Acadêmico, permitiu a ampliação das atividades de Pesquisa, iniciando um percurso integrado. A elaboração do Projeto Político-Pedagógico da FAU-Mackenzie ao longo de 2002, sob o estímulo das Diretrizes Curriculares Nacionais de Arquitetura e Urbanismo, teve como objetivo delinear instrumentos para uma reforma do processo de ensino-aprendizagem, para torná-lo integrado à Pesquisa e à Extensão, e irrigado pela produção de conhecimentos no âmbito de grupos e projetos de pesquisa.
A reforma universitária institucional de 20052 abriu oportunidade para considerar a Pesquisa atividade fundamental à produção de conhecimento, indissociável do Ensino e da Extensão em seus diversos níveis, tendo a Pós-Graduação Stricto Sensu estreitado seus vínculos com as Unidades Acadêmicas. Ao transformar a estrutura da Universidade, conferiu-se à Pesquisa papel seminal na produção e difusão de conhecimento nos cursos, evitando a fragmentação do ensino e a segmentação disciplinar.
Em 2004, criaram-se os primeiros Grupos de Pesquisa da FAU-
Mackenzie, vinculados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Os grupos logo foram definidos como unidades fundamentais de produção de conhecimento e interlocução de pesquisadores. A Extensão foi sendo construída em paralelo, muitas vezes articulada às pesquisas, e em outras ocasiões derivada de iniciativas isoladas (mas não menos importantes) de professores e alunos.
Outros fatos decorrentes da reforma universitária foram
fundamentais ao fortalecimento da Pesquisa e da Extensão: (i) em 2005, a incorporação da Pós-Graduação Stricto Sensu à Unidade e a criação da Coordenadoria de Pesquisa e Extensão (Cepex); (ii) em 2006, a incorporação do Curso de Design e a aprovação do Curso de Doutorado. Tais avanços permitiram ampliar as atividades de Pesquisa e Extensão, articular os cursos de Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design, envolver o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu com as atividades da Faculdade e
implementar um rol de Cursos em nível de educação continuada. 3
Mackenzie Day, setembro de 2016. Evento de divulgação e
apresentação dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design à
comunidade externa. Na foto, da esquerda para a direita, Profs.
Mauro Claro (Curso de Design); Lucas Fehr (Coordenador do Curso
de Arquitetura e Urbanismo); Nara Martins (Curso de Design);
Angélica Tanus Benatti Alvim (Diretora da FAU-Mackenzie); Reitor
da UPM Benedito Guimarães Aguiar Neto, Vice-Reitor da UPM
Marco Tullio de Castro Vasconcelos.
Data de 2005 a criação do Fórum de Pesquisa FAU-Mackenzie, idealizado a princípio para difundir a produção científico-acadêmica de professores e alunos e reforçar a cultura de Pesquisa nos níveis de Graduação e Pós-Graduação. O evento se estendeu a partir de 2008 à comunidade acadêmica nacional.
Nesse período, empreendeu-se reestruturação e aprofundamento das linhas de pesquisa existentes e dos Grupos de Pesquisa, e deu-se continuidade ao desenvolvimento de projetos de pesquisa, agora envolvendo docentes, discentes e pesquisadores, da Graduação à Pós-Graduação, além de participantes de outras instituições. No âmbito da Pós-Graduação, buscou-se o aprimoramento de disciplinas com novas propostas e novo elenco de optativas, além de disciplinas e atividades obrigatórias específicas do Doutorado.
Pesquisa e Extensão em Arquitetura e
Urbanismo
Em Arquitetura e Urbanismo, a Pesquisa e a Extensão se tornaram atividades indissociáveis do ensino-aprendizado, o que justifica a realização de pesquisas exploratórias, elaboração de métodos e abordagens científico-acadêmicas em Arquitetura, Urbanismo e Design, para estimular a produção de conhecimento como parte da dinâmica de ensinar e aprender.
Latour (2011) define duas modalidades de pesquisa: a positiva – sentenças que afastam o enunciado de suas condições de produção; e a negativa – sentenças que levam o enunciado na direção de suas condições de produção. Ao aplicar essas proposições à pesquisa em Projeto de Arquitetura e Urbanismo, pode-se dizer que em geral comparecem as duas modalidades. Quando o pesquisador investiga a produção de artefatos como croqui de concepção, opera na modalidade negativa, da mesma forma ao produzir ideias e conceitos que norteiam as decisões arquitetônicas. No entanto, quando o pesquisador estuda o projeto acabado, opera na modalidade positiva, investigando as condições de produção do artefato, no contexto social e histórico-cultural.
O exame atento dos estágios iniciais de elaboração dos fatos, no
processo de projeto, é no mínimo instigante, uma vez que o pesquisador se vê obrigado a enfrentar o desafio de interpretar as decisões e os caminhos trilhados pelo arquiteto no momento em que as ideias não estavam claras, e havia muitas possibilidades ainda abertas para explorar, constituindo-se em importante campo de pesquisa.
Magnífico Reitor da UPM, Prof. Dr. Benedito Guimarães Aguiar Neto, conversa com o público no Mackenzie Day, setembro de 2016.
Assim, ao mesmo tempo que os problemas relativos à abordagem
científica parecem se tornar mais complexos, observa-se crescente elaboração, da parte dos arquitetos, da produção teórica, cujos instrumentos múltiplos e interlocuções definem um pluralismo de abordagens, o que dificulta qualquer chance de uma única e definitiva teoria. Esse pluralismo também é característica da produção arquitetônica recente. Na prática, o projeto devolve conceitos à teoria, permitindo que esta se enriqueça, confirmando-a ou negando-a. E de nada adiantará se o discurso teórico não se debruçar sobre o processo de projeto e o projeto em si, dessa maneira renovando e desafiando os conceitos e sua legitimação no âmbito da forma, da utilidade e dos procedimentos (ALVIM; ABASCAL, 2012).
Múltiplas possibilidades conceituais, formais e tecnológicas –
posturas arquitetônicas (MONTANER, 2003) – ampliam os critérios de crítica e julgamento de excelência. É nesse espaço plural que a produção acadêmica, compromissada com o ensino e a profissão, propicia reflexão que aproxima teoria e prática, contribuindo para enunciar os parâmetros de valor da Arquitetura e do Urbanismo, por um lado, e, por outro, para revelar os processos que geram a cidade e conformam a cultura arquitetônica.
A elaboração e a interpretação dos fatos e eventos constituem um processo social, em que cada pesquisador acrescenta uma camada ao conhecimento anterior, de modo que caminhe em direção à verdade, mesmo sendo provisória no âmbito do entendimento do que é a ciência hoje. Como tecnologia social, a ciência depende de olhares sobre a realidade, provindos de múltiplas experiências. Nesse campo de criação de ambiente de pesquisa amplo, é possível introduzir a inseparabilidade de Pesquisa e Extensão, que se alimentam reciprocamente.
A presença ou a ausência de referências a outros textos pode conferir credibilidade e consistência às argumentações, criando múltiplas referências para ampliar as abordagens de Pesquisa. Somente um texto carregado de referências provindas da experiência multifacetada é capaz de demonstrar quanto o pesquisador tem conhecimento da própria área de pesquisa e consciência de quais controvérsias existem e, sobretudo, quais são as lacunas de conhecimento e quais fronteiras devem ser ultrapassadas.
As ciências não são autônomas, pois dependem da ação coletiva. Pesquisas acadêmicas não são realizadas apenas no interior das universidades, tampouco se mantêm restritas ao conhecimento produzido nos laboratórios; elas se estendem para além dos muros das instituições e sinalizam forte viés extensionista. Grande número de esferas abrange o pesquisador, que deve ser capaz de atuar para realizar uma investigação de impacto em sua área de atuação. A visão sistêmica, propiciada pela interdisciplinaridade, favorece essa construção e troca de conhecimentos de modo mais intenso.
Centro de Cultura Judaica, São Paulo, 2003. Projeto do Arquiteto
Roberto Loeb (Mackenzie, 1965).
Latour (2016) diferencia o termo cogito, de Descartes, que
significa o pensamento em sua acepção ideal, do termo cogitamos, uma construção coletiva do conhecimento, realizado nas experimentações em laboratórios, nas Instituições de Ensino Superior (IES) e fora delas, com o apoio de agências públicas e privadas de financiamento. Do sujeito isolado ao sujeito coletivo, é o movimento que se relaciona à Pesquisa contemporânea, no qual o conhecimento avança sob estímulo de comprovações e refutações constantes que permitem que a ciência prossiga seu rumo. A definição de Latour (2016) lança um desafio de realizar pesquisas verdadeiramente interdisciplinares, e com abertura ao mundo extra-acadêmico, com financiamento e reconhecimento.
Na atuação profissional, é fundamental ter consciência dos saberes acumulados pela área de conhecimento, e, particularmente, da disciplina com a qual se está intimamente envolvido. Nesse sentido, torna-se essencial a consciência e a autopercepção do pesquisador para se posicionar diante do domínio de seu campo de atuação. A Teoria dos Campos (Field Theory, 1994), criada por Mihaly Csikszentmihalyi, permite explicar a relação entre o indivíduo, o campo (os pares) e a área (domínio) na qual ele está envolvido.
Para suprir essa condição contemporânea da Pesquisa e Extensão, a FAU-Mackenzie, a partir de meados dos anos 2000, apostou na estrutura de Grupos de Pesquisa e elevou a ação de pesquisar à posição de oportunidade de aprimoramento contínuo do ensino, nos níveis de Graduação e Pós-Graduação.
A integração entre Pesquisa e Extensão é uma das condições fundamentais à produção de conhecimento na Universidade do século XXI, que enfrenta grandes desafios: uma nova cultura de aprendizado, produção coletiva de conhecimento científico, adaptação às novas tecnologias e à ciência em construção e financiamento e eficiência. Para as universidades enfrentarem os quatro principais desafios gerais apresentados anteriormente, os conhecimentos produzidos devem ser amplamente difundidos e disseminados, e, para isso, são fundamentais as ações extensionistas.
A Constituição Brasileira, no Capítulo III, intitulado “Da Educação, da Cultura e do Desporto”, seção I, Artigo 207, define que “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão (EC n° 11/1996)” (BRASIL, 2016, p. 180). Desde então, o tripé Ensino-Pesquisa-Extensão tem sido um mote, porque não basta ensinar e produzir conhecimentos, é necessário planejar estratégias para transmiti-las a toda a sociedade. As ações de Extensão, que transcendem os muros das universidades, são formas de medida do impacto social do conhecimento.
Essa abordagem sistêmica na FAU-Mackenzie vem sendo um
grande desafio há pelo menos uma década; justifica-se pelo fato de que o indivíduo, embora talentoso, somente extrai os melhores conhecimentos e desenvolve experiências e habilidades a partir de sua atuação no meio social. O campo da Pesquisa e Extensão é formado por coletividade que domina conhecimentos diversos e acumulados, e que não somente controla e influencia a área de conhecimento, mas pode ampliá-la ao compartilhar visões e perspectivas. A área, ou o domínio, é constituída pelos conhecimentos acumulados pelo campo; nela, encontram-se os juízes, os pares que arbitram debates e discussões acadêmicas. Essa é a justificativa que fundamenta os Projetos Político-Pedagógicos da FAU-Mackenzie que insistem no protagonismo estudantil e na ação coletiva de grupos e projetos de pesquisa, que se materializam com o fomento de recursos provindos de agências públicas e privadas – entre eles, o Fundo Mackenzie de Pesquisa (MackPesquisa), com excepcional contribuição à realização da Pesquisa no Mackenzie hoje.
Nesse âmbito, justifica-se cada vez mais a realização da pesquisa
acadêmica e científica para o enriquecimento do ensino e da profissão de Arquiteto e Urbanista. A Extensão alia-se à Pesquisa como parte de uma ação fundamental de aplicação do conhecimento, visando o seu retorno à sociedade.
As ações de Extensão, que transcendem os muros das
Universidades, são formas de mensuração do impacto social do
conhecimento. 4 De forma geral, a maneira mais usual de medir o impacto científico é contabilizar publicações compartilhadas pelos pares de uma mesma área de atuação. Mas o impacto social é derivado da capacidade de cada Instituição de atingir e de beneficiar pessoas em outras áreas, e de todas as idades e extratos sociais, sendo esses o objetivo e o público-alvo da Extensão. Os cursos gratuitos concedidos pelas Universidades a toda a sociedade, as ações sociais realizadas em comunidades carentes, as prestações de serviço dos pesquisadores aos menos favorecidos e as palestras e oficinas sobre temas de interesse público são alguns dos exemplos de atividades de Extensão que professores e alunos podem oferecer.
Ideias criativas podem ser testadas a partir de experimentações. Tanto as ações extensionistas que têm impacto social, bem como as ações inovadoras, com potencial de impacto econômico e tecnológico, contribuem para fortalecer a missão da Universidade na sociedade contemporânea. Além das pesquisas científicas, várias ações socioculturais podem e devem ser realizadas em benefício de toda a sociedade, uma vez que os aportes financeiros públicos e incentivos fiscais devem dar retorno a todos aqueles que contribuem com seus impostos.
Nesse contexto, vale relembrar que, no âmbito da reestruturação da UPM ocorrida entre 2004 e 2005, a estrutura departamental vigente foi suprimida e o Ensino, Pesquisa e a Extensão passaram a se organizar por unidades e cursos, e em eixos temáticos e coordenações pedagógicas. A fim de consolidar a tríade nas Unidades Universitárias, o Art. 1º, da Resolução 03/2013, do Conselho Universitário da UPM, de 20 de março de 2013, define que “o objetivo das Atividades Complementares é fomentar complementação da formação acadêmica do corpo discente, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de competências e de habilidades imprescindíveis à formação profissional”.
Evento de premiação do Desafio OpenLab São Paulo 2030
(Mobilidade e a Cidade do Futuro). Concurso promovido no segundo
semestre de 2016 pela FAU-Mackenzie em parceria com o Instituto Cidade em Movimento (IVM–Brasil) e com apoio do Grupo PSA. Da
esquerda para a direita, Luiza Andrada e Silva, Diretora-Executiva
do IVM-Brasil, Prof. Luís Alexandre Ogasawara (Curso de Design e
Coordenador do concurso), Emmanuel Hedouin, do Grupo PSA, e a
Equipe 1 vencedora recebendo o troféu e os certificados.
Ainda em seu Art. 7º, a resolução estabelece que:
[...] as Atividades Complementares têm a finalidade de enriquecer o processo
de ensino-aprendizagem destinando-se a:
I – Ampliar os horizontes do conhecimento, bem como de sua prática, para
além da sala de aula, em atividades de ensino, de pesquisa e de extensão,
viabilizando sua integração complementar à formação profissional e social;
II – Encorajar o reconhecimento de conhecimentos, habilidades e
competências adquiridas fora do ambiente escolar, inclusive as que se
referirem às experiências profissionalizantes, julgadas relevantes para a área
de formação considerada;
III – Estimular práticas de estudo independentes, visando à progressiva
autonomia profissional e intelectual do aluno;
IV – Propiciar a inter e a transdisciplinaridade no currículo, dentro e entre os
semestres;
V – Fortalecer a articulação da teoria com a prática, valorizando tanto a
pesquisa individual e coletiva quanto a participação em atividades de
extensão;
VI – Favorecer o relacionamento entre grupos e a convivência com as
diferenças sociais no contexto regional em que se insere a instituição.
A Reitoria, ainda preocupada com a qualidade do Ensino, da Pesquisa e da Extensão, adota políticas institucionais que constam da Visão 150, plano que estabelece uma série de diretrizes que norteiam a atuação de todos os segmentos e instâncias da UPM no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2013-2018. O PDI orienta que as ações devem atender a um perfil de formação holística de concepção dos fenômenos naturais, do meio ambiente e da sociedade, contudo, sem abandonar demandas mais específicas da sociedade, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão universitária.
Na FAU-Mackenzie, Pesquisa e Extensão na atualidade integram o processo de ensino-aprendizagem, tendo na experimentação importante protagonista, ao envolver docentes e discentes, da Graduação à Pós-Graduação. No último Projeto Político-Pedagógico dos seus cursos de Graduação (Faculdade de Arquitetura , 2013) previu-se a incorporação de instrumentais ao processo de ensino-aprendizagem em que a experimentação e a ação do estudante e seu protagonismo na produção de conhecimento são o cerne da formação universitária, incentivando-se o uso dos diversos laboratórios nas disciplinas regulares, a participação em projetos de pesquisa, realização de Iniciação Científica (IC) e de atividades extensionistas. O Projeto Pedagógico visou eliminar a fragmentação do conhecimento e a especialização precoce, diminuindo o número de disciplinas, valorizando a formação continuada e a escolha de componentes curriculares pelo aluno, possibilitando modalidades diversas para a prática da tríade Ensino, Pesquisa e Extensão.
Linha 1 – Azul (Norte – Sul), do Metrô, São Paulo, anos 1970.
Projeto dos Arquitetos Marcello Fragelli (Coordenador Geral), Vasco
de Mello (Mackenzie, 1964), Luiz Gonzaga de Oliveira Camargo
(Mackenzie, 1966), Álvaro de Macedo Neto (Mackenzie, 1966),
Flavio Marcondes (Mackenzie, 1966), Silvio John Heilbut
(Mackenzie, 1966) e João Batista Martinez Corrêa (Mackenzie,
1967).
A Pesquisa na FAU-Mackenzie: da
Iniciação Científica aos Grupos de
Pesquisa
Inicialmente, a Pesquisa na FAU-Mackenzie estava restrita aos
docentes da Pós-Graduação, e tinha como principal financiador MackPesquisa, órgão vinculado ao Instituto Presbiteriano Mackenzie, que financiou importantes projetos de pesquisa para a consolidação do Programa em sua etapa inicial. Em 2004, como já ressaltado, deu-se a formação de vários Grupos de Pesquisa com chancela do CNPq, articulando docentes e discentes de Graduação e Pós-Graduação, permitindo iniciar uma nova etapa de contínua alimentação do Ensino pela Pesquisa e Extensão.
Os Grupos de Pesquisa elaboraram seu patrimônio intelectual fundamentado na atividade de investigação científica – do Doutorado à Iniciação Científica. Atualmente, a FAU-Mackenzie conta com 22 grupos de pesquisa devidamente cadastrados no CNPq e certificados pela instituição, sendo 20 alocados no Curso de Arquitetura e Urbanismo, e dois, no Curso de Design.
A Iniciação Científica é importante protagonista nesse contexto, permitindo que professores e alunos, principalmente aqueles que ainda não participam da Pós-Graduação, adentrem o universo da Pesquisa.
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Mackenzie foi estruturado na UPM pelo Ato da Reitoria no 47/2003, de forma inteiramente compatível com as determinações do CNPq, contando com subsídios não só da Entidade Mantenedora da Universidade, como também do MackPesquisa. Em 2005, a UPM obteve o credenciamento de seu Pibic no CNPq, quando foram concedidas 24 bolsas Pibic/CNPq; em 2006, a universidade disponibilizou mais seis cotas, totalizando 30 bolsas Pibic/CNPq, as quais foram mantidas para o período de agosto de 2007 a julho de 2008. Atualmente, o CNPq disponibiliza 42 bolsas de Iniciação Científica.
A Iniciação Científica é um período especial, quando os estudantes de Graduação, sob a supervisão de seu orientador, têm a possibilidade de se integrar, por meio da vivência em pesquisa, com mestrandos e doutorandos. Esses objetivos são alcançados pelo envolvimento do aluno em atividades práticas e teóricas de Pesquisa, sob a orientação de um professor-pesquisador e principalmente pela participação em um Grupo de Pesquisa, convivendo com pesquisadores de diversos níveis. Os resultados são apresentados nas Jornadas de Iniciação Científica, eventos realizados anualmente pela Pró-Reitoria e Pós-Graduação via
Coordenadoria de Pesquisa da UPM.5
Até 2016, a Iniciação Científica da UPM incluía dois processos
seletivos: no início do semestre letivo, contando com bolsas subsidiadas pelo MackPesquisa, e, em agosto, com bolsas subsidiadas pela Entidade Mantenedora da UPM e pelo CNPq. A partir de 2017, o processo passou a ser anual. O número de projetos inscritos tem sido crescente a cada processo seletivo, propiciando relevante e dinâmico vínculo entre o Ensino e a Pesquisa na Graduação, assim como proporcionando a contínua integração entre os docentes da Pós-Graduação com os discentes dos diversos Cursos de nossa UPM.
Na FAU-Mackenzie, muitos alunos de Graduação receberam
bolsa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic); o primeiro processo Pibic-Mackenzie para a Arquitetura e Urbanismo iniciou-se em março de 2004 com 33 bolsistas e 42 voluntários. Até 2017, cerca de 500 alunos estiveram envolvidos com o Pibic, 80% deles provenientes do Curso de Arquitetura e Urbanismo.
Quadro 1 – Relação dos Grupos de Pesquisa em
funcionamento na FAU-Mackenzie (2017)
GRUPO LÍDER(ES)
A Paisagem da Cidade Pérola Felipette Sustentável Brocaneli
Arquitetura e Construção Maria Augusta Justi
Pisani e Valter
Caldana
Arquitetura Ensino e Profissão Eunice Helena
Sguizzardi Abascal
Arquitetura: Projeto & Rafael Antonio Pesquisa & Ensino Perrone
Arquitetura: Projeto e Crítica Maria Isabel Villac
Arquitetura, Processo de Wilson Florio Projeto e Análise Digital
A Construção da Cidade: Marcos José Carrilho
Arquitetura, Documentação e
Crítica
Cidades e Edifícios Gilda Collet Bruna Sustentáveis
Cidade, Arquitetura e Filosofia Igor Guatelli
Design, Arte, Linguagens e Ariane Daniella Cole
Processos
Design, Teoria e Projeto Nara Silvia M. Martins
Estratégias Projetuais em Carlos Andrés Territórios Arriagada Urbanos/Degradados e
Portuários
Laboratório de Projetos e Valter Caldana Políticas Públicas
Paradigmas para o Estudo de Eunice Helena Cidades Ibero-americanas no Sguizzardi Abascal Século XXI
Políticas Públicas e Habitação Denise Antonucci Social
Questões Urbanas: Design, Mauro Claro Arquitetura, Planejamento,
Paisagem
Sistemas Construtivos na Celia Moretti Meirelles Arquitetura Contemporânea
Teoria e Projeto na Era Digital Eduardo Sampaio
Nardelli
Urbanismo Brasileiro e Ibero- José Geraldo Simões americano Jr.
Urbanismo Contemporâneo, Angélica Tanus Redes, Sistemas e Processos Benatti Alvim e Luiz
G. R. de Castro
Verticalização, Patrimônio Nadia Somekh Cultural e Urbanidade
Fonte: Elaborado pelos autores.
O Fórum de Pesquisa FAU-Mackenzie: breve
histórico6
Criado em 2005, o Fórum de Pesquisa nasceu como uma
realização endógena, tendo sido aberto ao público externo a partir de 2008. Em 2010, foi consolidado em âmbito nacional, com repercussões internacionais. Concebido como espaço privilegiado de debate das pesquisas em Arquitetura e Urbanismo e Design,
pretendeu valorizar e aprofundar a inter e a transdisciplinaridade. 7
Em seu início, constituiu-se no âmbito da II Semana Viver
Metrópole (Semana de Arquitetura e Urbanismo e Design da FAU-
Mackenzie) 8 com o objetivo de disseminar e integrar a pesquisa aos diversos níveis de ensino – da Pós-Graduação à Graduação.
Entre os anos de 2005 e 2007 o evento, organizado pela
Coordenação de Pesquisa e Extensão (Copex),9 era realizado pelos Grupos de Pesquisa, que concebiam atividades como apresentação de trabalhos e mesas de debates envolvendo diversos pesquisadores internos e externos, convidados para compartilhar pesquisas e difundir suas atividades. Os dois primeiros fóruns obtiveram sucesso expressivo, com total adesão dos Grupos de Pesquisa, atraindo alunos interessados nas atividades, quer de Iniciação Científica, quer de Pós-Graduação.
Nessa primeira fase, houve importantes avanços, com destaque para o reconhecimento e consequente fortalecimento dos Grupos de Pesquisa no âmbito da própria Unidade e da Universidade, assim como a publicação de artigos científicos, frutos de pesquisas em andamento, nos Anais do evento e em site específico, estimulando alunos e professores a sistematizarem o conhecimento para a sua divulgação.
Nos anos de 2008 e 2009, o evento inicia sua segunda fase, buscando remodelar seu formato. Organizado pela Coordenação de Pesquisa e com a participação das Coordenações de Extensão e de
Pós-Graduação 10 Stricto Sensu , propôs-se um novo desenho, procurando integrar os Grupos de Pesquisa, estabelecer interlocuções entre os trabalhos dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo e Design em andamento, registrar o estado da arte das pesquisas nesses campos do conhecimento e, principalmente, divulgar às comunidades interna e externa a produção dos Grupos de Pesquisa da FAU-Mackenzie, favorecendo sua integração a todas as instâncias de ensino e pesquisa da Escola – da Iniciação
Científica ao Doutorado. A partir do 4º Fórum de Pesquisa, 11 o
evento foi indexado 12 e os artigos, selecionados e publicados digitalmente.
Ao comemorar cinco anos do Fórum de Pesquisa FAU-
Mackenzie,13 e, ao mesmo tempo, dando o passo inicial para a sua terceira fase, aberta à comunidade nacional, definiu-se como tema central Retrospectivas e Desafios para a Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo. Compreendeu-se que era necessário iniciar maior interlocução com as agências de fomento, disseminando a pesquisa da FAU-Mackenzie em âmbito maior. Naquele momento, foi fundamental a participação de pesquisadores representantes de área no CNPq: Prof. Marco Aurélio Andrade Filgueiras Gomes (UFBA), representando a Arquitetura e o Urbanismo; e Profa. Maria Cecilia Loschiavo dos Santos (FAU-USP), representando a área de Design.
Casa Bola, São Paulo, 1979. Projeto do Arquiteto Eduardo Longo
(Mackenzie, 1966).
Ampliou-se a Comissão Organizadora envolvendo todas as áreas
de conhecimento da Escola, tendo, então, sido proposto um comitê científico, ainda em âmbito interno, integrado pelos pesquisadores mais destacados, responsáveis por selecionar os melhores artigos a serem apresentados nas diversas mesas do Fórum. Essas mesas foram organizadas a partir das seguintes temáticas de pesquisas em curso: Arquitetura Moderna e Cidade; Cidade, Ambiente e Política Pública; Design, Cultura e Ambiente; Habitação, Mercado e Ambiente; Pesquisa, Ensino e Tecnologia; Política e Projeto Urbano; Projeto e Meio Ambiente; Projeto e Cultura; Projeto, Representação e Processo Criativo; Projeto, Construção e Cidade; Urbanização e Meio Ambiente.
Entre 2010 e 2014, em sua terceira fase, e, respectivamente, a
partir de sua 6ª edição,14 o evento assumiu o formato recente, aberto à comunidade científica nacional.
As últimas edições do evento estruturaram-se em três frentes:
conferências de pesquisadores de renome nacional e internacional; sessões de comunicação com apresentação de um conjunto de artigos selecionados; e mesas-redondas, com o objetivo de estabelecer diálogos e interlocuções que expressam uma amostra do universo de pesquisas produzidas pelos Grupos de Pesquisa, em instituições de ensino.
Sob o tema geral Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo e Design:
interlocuções e perspectivas, o 6º Fórum teve como objetivos diálogos e interlocuções entre Arquitetura e Urbanismo e Design, enfatizando o estado da arte das pesquisas nesses campos do conhecimento. Procurou ainda divulgar informações e experiências referentes a abordagens, tipos de pesquisa, abrangência e metodologias, e aprofundar e debater a produção de conhecimento realizada nacionalmente.
O 7º Fórum, cujo tópico foi Pesquisa em Arquitetura Urbanismo
Design: Transdisciplinaridades, assumiu a reflexão crítica contemporânea em Arquitetura e Urbanismo e Design como expressão de relações e afinidades possíveis de campos temáticos. Com base no entendimento de que a transdisciplinaridade compreende diálogos e um amplo e complexo tecido de relações a partir da aproximação de disciplinas e saberes, apostou na possibilidade de articulação recíproca entre conhecimento prático e teórico, ensino e crítica.
O 8º Fórum de Pesquisa, intitulado A Condição Contemporânea do Projeto: Arquitetura, Urbanismo e Design, abordou o projeto como agenciamento, mediação de temas e agendas complexas, como proposta para nossa condição histórica. Além disso, teve outros temas, tais como o projeto como instrumento de participação social – Projeto Inclusivo e de Ecologia Reverencial, Projeto, Programa e Agenciamento foram tratados. Nesse momento, também foi realizada a Conferência inaugural Mil Palavras-Chave sobre a Condição Contemporânea do Projeto.
As conferências de Pesquisadores, Arquitetos e Designers buscaram enfatizar o papel da pesquisa em projeto em suas diversas escalas.
As mesas-redondas constituíram-se em locais privilegiados de estímulo a intercâmbios de conhecimento e divulgação dos avanços das pesquisas. Foram propostas pelos Grupos de Pesquisa de diversas Instituições de Ensino, que de certa forma possuem parcerias e/ou interlocuções com os Grupos de Pesquisa da FAU-Mackenzie. Nas mesas das últimas edições, contaram-se com interlocutores privilegiados, com experiência na atuação e na política de fomento à Pesquisa das agências de pesquisa – CNPq, Capes e Fapesp –, debatendo as especificidades da Pesquisa na área de Arquitetura e Urbanismo e Design.
Os artigos destinados às Sessões de Comunicação foram submetidos ao Comitê Científico e passaram por seleção rigorosa; em seguida, foram apresentados e publicados nos Anais do
Evento. 15 De modo geral, os artigos selecionados, frutos de pesquisas concluídas ou em andamento, foram distribuídos em sessões organizadas a partir de temas que se inter-relacionavam.
As mesas-redondas e artigos propostos evidenciam amplo leque de assuntos inter e transdisciplinares, que refletem sobre teoria e prática, em suas diversas escalas – do objeto ao urbano/regional –, congregando temas como: fundamentos teóricos; história; processos e métodos de projetação; ensino; representação; arte e cultura; processos construtivos; tecnologias e modelagem; políticas públicas; gestão do espaço e do objeto; meio ambiente e sustentabilidade urbana e ambiental, entre outros.
O percurso do evento contribuiu para a maior integração entre a
Pós-Graduação e os dois cursos de Graduação, para o avanço da produção do conhecimento científico sobre as temáticas em que atuamos, e, principalmente, para a ampliação dos intercâmbios com outras Instituições de Ensino, possibilitando o desenvolvimento de pesquisas conjuntas, eventos, convênios, entre outros.
A Extensão na FAU-Mackenzie
A FAU-Mackenzie vem se mostrando proativa no campo da
Extensão ao enfatizar o relacionamento dinâmico da tríade ensino, pesquisa e extensão com a rotina acadêmica. É hoje da natureza de seu funcionamento pedagógico a abertura do conhecimento produzido em pesquisa e disseminado em sala de aula à comunidade, quer científica, quer acadêmica e à sociedade em geral, sem distinção de classe, raça ou gênero. A Arquitetura, por se compreender como arte e técnica a serviço da sociedade, afirma por definição o ímpeto de se estender para além dos estreitos e tímidos limites universitários. Por essa razão, o trabalho da Coordenação de Extensão tem sido estimular essa comunidade ativa e empenhada à consolidação extensionista, na figura de Programas, Projetos e Eventos que possam ganhar em densidade, por sua importância, alcance e vitalidade sociais.
Participação de alunos e professores da FAU-Mackenzie na
Jornada da Habitação – SÃO PAULO CALLING, evento organizado
em 2012/1, pela Sehab/PMSP, que contou com o Projeto de
Extensão da Escola. Na foto, o Arquiteto Marcos Boldarini e as
Professoras Angélica Tanus Benatti Alvim e Maria Augusta Justi
Pisani discutem com alunos da Graduação e da Pós-Graduação em
Arquitetura e Urbanismo aspectos da intervenção proposta no
Loteamento Cantinho do Céu.
Após 2005, a UPM instituiu a Coordenação de Extensão nas Unidades Acadêmicas, que é então exercida pelo Coordenador de
Extensão, 16 nomeado pelo Reitor, sendo o órgão responsável por zelar pela excelência das atividades de extensão na unidade.
Conforme orienta o Projeto Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo de 2013, a Coordenação de Extensão da FAU-Mackenzie pauta-se por uma política que contempla os seguintes aspectos: a harmonia com o pensamento institucional da UPM, sua Missão, Visão e seus Princípios Institucionais, o pleno envolvimento de alunos da Graduação à Pós-Graduação, a elaboração de propostas que contribuam para o desenvolvimento cultural, científico e tecnológico da universidade, assumindo um compromisso com “o desenvolvimento do ser humano na sua integralidade, respeitando o meio ambiente; e que permita a socialização do conhecimento” (FACULDADE DE ARQUITETURA, 2013, p. 90).
São também previstas a interdisciplinaridade e a indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão. A Extensão visa o desenvolvimento docente e das atividades de pesquisa e da habilidade acadêmica dos alunos envolvidos, de sua vivência profissional a integração de conhecimentos teóricos e práticos (FACULDADE DE ARQUITETURA, 2013, p. 90).
Ao entender as atividades de Extensão como integrantes e
essenciais à formação discente, o Projeto Pedagógico (2013) caracteriza as seguintes atividades:
a. consultoria ou participação consultiva em instituições privadas
ou da administração pública;
b. cursos de difusão cultural ou de extensão universitária, visando
a propagar conhecimentos para o tecido social, conscientizando-o de aspectos sociais ou culturais relevantes;
c. palestras, conferências e simpósios, tendo como alvo a difusão
de conhecimentos especializados e o intercâmbio com profissionais e especialistas. A outra modalidade, também relacionada às práticas da docência e profissional, como também à pesquisa, mas que se diferencia da primeira em virtude de sua abrangência, responsabilidade ou custos operacionais envolvidos, necessitando, portanto, do estabelecimento de convênios ou da elaboração de documentos bilaterais, caracterizando-se por:
d. elaboração de planos diretores, urbanísticos e paisagísticos
para municípios carentes de corpo técnico adequado ou sem possibilidades orçamentárias para a utilização dos serviços de escritórios profissionais especializados;
e. planejamento e orientação de projetos arquitetônicos que
representem efetivamente propostas inovadoras ou modelos didáticos para a comunidade;
f. serviços técnicos especializados nas condições ambientais, que
envolvam aspectos ergonômicos ou sanitários;
g. cursos de extensão ou especialização, presenciais ou a
distância, que necessitam formalização, por envolverem outras entidades (públicas ou privadas) e responsabilidades financeiras de maior vulto (FACULDADE DE ARQUITETURA, 2013, p. 90-91).
Centro Cultural São Paulo, 1982. Projeto dos Arquitetos Eurico
Prado Lopes (Mackenzie, 1963) e Luiz Telles (Mackenzie, 1966).
Na FAU-Mackenzie, a Extensão perpassa diferentes instâncias de Ensino e Pesquisa, de forma que um projeto extensionista pode ser idealizado em sala de aula, acolhido em um grupo de pesquisa e alcançar desenvolvimento técnico nos vários laboratórios, para desenvolver-se parcialmente no Núcleo de Pesquisa e Extensão em Arquitetura e Urbanismo (NAU), no MoSaIco Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo (Emau) e na Empresa Júnior. Além de poder se valer de todos os laboratórios e espaços comuns à Escola para as experimentações físicas, os projetos vinculados às atividades de Extensão podem utilizar o canteiro experimental, espaço que conta com enorme potencial para ampliação de seu uso. Idealizado para o desenvolvimento de atividades experimentais relativas à prática construtiva, as atividades de Pesquisa e Extensão no canteiro buscam incentivar o pensamento crítico.
Projetos e Programas de Extensão contam com a participação de alunos e professores dos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design. Desde meados dos anos 2000, muitos foram os programas e projetos extensionistas desenvolvidos, promovidos por docentes e discentes. Podemos destacar alguns que, ao longo dos anos, obtiveram mais repercussão:
Design Possível: caracterizado como projeto inovador para o
desenvolvimento de propostas fundamentadas em preceitos de autogestão e
sustentabilidade atuando em rede, este projeto foi pioneiro na Escola em
meados dos anos 2000. Liderado por docentes do Curso de Design,17 desde
sua origem visou o desenvolvimento social ao aplicar o design para
desenvolver produtos, executar gestões produtivas, contribuindo para
geração de renda, desenvolvimento humano e social em comunidades
carentes. O Design Possível também se articulou com o Programa MackVida,
coordenado pelo então Decanato de Extensão (DEX), atual Pró-Reitoria de
Extensão e Educação Continuada (PREC), como política extensionista
universitária.
MoSaIco Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo (Emau): apoia
atividades relacionadas ao cotidiano da prática profissional, por meio de
desenvolvimento de projetos arquitetônicos, conforme define o Projeto
Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo (2013). Além disso, dá
suporte para atividades de Extensão, dentre as quais se pode ressaltar o
Programa de Extensão Comunidade Mackenzie: Arquitetura e
responsabilidade social no entorno do campus Itambé, vinculando o trabalho
do MoSaIco ao Programa MackVida, apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão e
Educação Continuada (Prec). O Programa obteve grande visibilidade com a
gravação pela TV Mackenzie do evento Arena da Solidariedade, com
participação dos Profs. Lucas Fehr e Luiz Benedito C. Telles (in memoriam).
Nos dias atuais, outras ações do Escritório Modelo se desenvolvem com a
comunidade, por exemplo, atuando na recuperação e requalificação da Praça
Capitão Gino Struffaldi, no bairro da Bela Vista, em São Paulo; na elaboração
de projeto e montagem de uma brinquedoteca para Casa do Índio (Casai),
em São Paulo; e na proposta de transformação de um dos abrigos da
entidade Abba.18
Semana Viver Metrópole: evento organizado pelo Dafam, e desde 2003,
realizado anualmente em outubro, envolvendo todos os alunos e professores
durante a Semana de Arquitetura. Com temas diversificados, envolve
inúmeras atividades, oficinas e palestras realizadas por convidados
reconhecidos no âmbito da Arquitetura e Urbanismo e Design e áreas afins.
Projeto de Extensão integrado à atividade Tópicos Especiais em 2017/1: Imagine Paraisópolis – Oficina de Produção de Lugar.
Responsável pelo Projeto: Prof. Ms. Wagner Resende (Doutorando
do PPGAU/FAU-Mackenzie), integrante do Grupo de Pesquisa
Urbanismo Contemporâneo, Redes, Sistemas e Processos (Líderes:
Profa. Dra. Angélica Tanus Benatti Alvim e Prof. Dr. Luiz Guilherme
Rivera de Castro).
Além desses projetos, outros apresentam importantes desdobramentos e envolvem professores e alunos: projeto de pesquisa Design, Videografismo e Efeitos para TV, que promove a integração entre o Curso de Design e a TV Mackenzie, por meio do núcleo de produção MackPro; projeto Comunicação Visual para Regularização Fundiária e Plano de Bairro dos Jardins Piratininga e São Francisco (Penha, São Paulo), que promove a integração entre o Curso de Design e comunidades assentadas em áreas de risco de
inundação; 19 projeto Educação para a Formação da Cidadania Ambiental Urbana: Colégio Claretiano SP, que promove o debate entre alunos e professores do Ensino Médio do Colégio Claretiano e
da Graduação e Pós-Graduação da FAU-Mackenzie.20
As atividades desenvolvidas pela Empresa Júnior de Design, que acabou de completar dois anos de atividades com pleno sucesso, destacam-se como fundamentais ao protagonismo estudantil, complementando a formação dos futuros profissionais e cidadãos.
Com o intuito de dar suporte à formação complementar dos alunos e amparar tantas ações de Extensão, a FAU-Mackenzie desenvolve o programa Tópicos Especiais em Arquitetura e Urbanismo, que se destaca como importante meio de Ensino, articulado à Pesquisa e à Extensão, e contribui para a formação docente e discente. Tratam-se de componentes curriculares complementares à formação regular oferecida na FAU-Mackenzie, na forma de atividades propostas por professores e pós-graduandos (doutorandos e mestrandos), que podem assumir as modalidades de aulas, visitas guiadas, cursos concentrados, atividades culturais e similares. Tem como propósito colaborar para a formação dos alunos e ampliar a experiência docente dos pós-graduandos – integrando Graduação e Pós-Graduação, e proporcionando experiências de colaboração e integração social.
Esta importante atividade está definida no Projeto Pedagógico do
Curso de Arquitetura de 2013:
“Tópicos especiais” tratam-se de instrumentos totalmente desvinculados de
quaisquer programação e conteúdo definidos a priori no curso e, portanto,
abertos para serem preenchidos por eventos acadêmicos que contribuam
para a complementação dos saberes ligados diretamente à formação
profissional, ou de natureza simplesmente cultural. (FACULDADE DE
ARQUITETURA, 2013, p. 24-25).
O programa Tópicos Especiais apresenta resultados bastante
satisfatórios, pois abrange a cada semestre de 10% a 15% dos graduandos da FAU–Mackenzie em atividades de extensão acadêmica, com importantes impactos na integração direta com a Pós-Graduação.
Além dos Projetos e Programas de Extensão, a FAU-Mackenzie
vem sediando inúmeros workshops e eventos nacionais e internacionais, realizados com o espírito integrador da Graduação à Pós-Graduação, dos quais se pode ressaltar, em 2016, o IV Colóquio Brasil Portugal – Estratégias de Projeto e Intervenção nas Metrópoles Contemporâneas: experiências e perspectivas, evento
histórico internacional, organizado pelo PPGAU/FAU-Mackenzie 21 que abrigou exposição organizada pelo Prof. Roberto Righi, em homenagem ao Prof. Manuel da Costa Lobo, emérito Urbanista português; Desafio Openlab Mobilidade: São Paulo 2030, que explorou cenários de aplicação do transporte na São Paulo de 2030, incluindo carros autômatos – realizado em parceria com o Instituto
Cidade e Movimento (IVM) e a Citroen/PSA; 22 Palestras Internacionais das Designers Ellen Lupton e Susan Melshop;
eventos dedicados à elaboração de protótipos, como o 23 RhinoDay
e Prototype Is Cool 24 (Escola de Protótipos) e, ainda, a integração de atividades às Jornadas do Patrimônio, parceria com o
DPH/PMSP 25 .
Deve-se ressaltar que as visitas e consequente abertura à integração com instituições, empresas e outras escolas consistem em prática quase diária, distribuídas a cada etapa e a cada ano para os cursos da FAU-Mackenzie. Realizam-se ainda cursos de extensão e de atualização, dos quais se destacam aqueles promovidos em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP); a Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM); a Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro); a Associação
Brasileira do Alumínio (Abal); e o Instituto do PVC.26
Considerações finais
A última década corresponde a uma nova etapa para a FAU-Mackenzie, decorrente principalmente do incremento qualitativo e quantitativo das atividades de Pesquisa e de Extensão, como fundamentais à formação de profissionais protagonistas e conscientes.
Tópico Especial em Fotografia de Arquitetura e Interiores – ao
centro na foto, Arquiteto Prof. Dr. Rafael Schimidt com uma turma
em frente ao Centro Histórico e Cultural Mackenzie, no primeiro
semestre de 2015.
A participação expressiva da FAU-Mackenzie no cenário do
ensino e da produção de novos conhecimentos contribui na atualidade para seu posicionamento como uma das mais qualificadas escolas de Arquitetura e Urbanismo e Design do país, alcançando patamares expressivos de Pesquisa e Extensão.
A FAU-Mackenzie tem como princípio educar o ser humano para
o exercício consciente e crítico da cidadania, preparando-o para a liderança e contribuindo para o desenvolvimento da sociedade. Com certeza, o tripé Ensino, Pesquisa e Extensão proporciona o fortalecimento dos processos de ensino e aprendizagem no âmbito acadêmico e contribui para a formação de profissionais e cidadãos comprometidos com a construção de sociedades mais justas e inclusivas.
Referências
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<https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/viewFile/1807
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______. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2011.
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Alunos reunidos em atividade no MoSaIco, Escritório Modelo da
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