Cadeiras Proibidas

Ignácio de Loyola Brandão · Capítulo 28 de 38

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Cadeiras Proibidas

O homem que entrou no cano

Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois

se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos

familiares. Vez ou outra, um desvio, era uma secção que terminava em torneira.

Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era

interessante.

No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Ficou na torneira, à

espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta

era um branco imenso, uma água límpida. A cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-

lo interessada. Ela gritou:

“Mamãe, tem um homem dentro da pia.”

Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu

pelo esgoto.