Cenas da Aldeia

A. Augusto de Miranda · Apêndice

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Cenas da Aldeia

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Scenas da Aldeia

 

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Title: Scenas da Aldeia

 

Author: A. Augusto de Miranda

 

Release date: January 12, 2010 [eBook #30947] Most recently updated: January 6, 2021

 

Language: Portuguese

 

Credits: Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images

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A. Augusto de Miranda

 

SCENAS DA ALDEIA

 

Editor

 

A. Augusto de Miranda

 

1909

 

SCENAS DA ALDEIA

Compos. e impres.—Typ. Universal

54, Trav. de Cedofeita, 56

e Rua das Oliveiras, 75, 77 Porto

 

A. Augusto de Miranda

 

SCENAS DA ALDEIA

 

PORTO

Typographia Universal, a vapor

75, Rua das Oliveiras, 77

1909

Ao Ill. mo mo e Ex. Snr.

 

Conselheiro Albano de Mello

 

Permitta-me V. Ex.ª, confidente das vicissitudes que tem agitado a minha vida de ha sete annos a esta parte, que eu colloque o seu nome illustre nesta pagina d'esta insignificante producção litteraria, que para V. Ex.ª só tem o merecimento de ser um testemunho de gratidão.

 

A. A. Miranda.

 

AOS MEUS PROFESSORES

 

Aos meus Condiscipulos

 

AOS MEUS AMIGOS

Meu amigo:

As resumidas linhas em que eu condensarei as impressões que da leitura do seu livro me ficaram não podem constituir, de fórma alguma, isso a que, nas nossas lettras, se chama—um prefacio. Serão apenas uma ligeira carta sem subtilezas de critica profunda— a critica que nunca soube formular, porque os criticos são personalidades todos de intellecto raciocinado e frio e eu sou um homem todo de emoções.

Esses criticos diriam ao meu amigo que as obras realisadas aos vinte annos não deviam ser atiradas aos alaridos da publicidade sem que primeiro os seus auctores tivessem, além de um exacto conhecimento da vida, completamente afinadas as suas faculdades d'observação, e sem que o seu temperamento esthetico adquirisse uma perfeita sagacidade, para que depois, já em pleno triumpho, não se arrependessem dos inconsiderados impulsos da juventude. Eu, pelo contrario, digo-lhe que nenhum escriptor deve envergonhar-se da sua actividade artistica dos primeiros annos, mesmo quando na superior florescencia do seu talento um dia sentir a viva anciedade de vêr como principiou. Os trabalhos da iniciação representam até um documento essencial para o estudo das intelligencias evolutivas e ascendentes...

Não affirmarei que o seu livro seja impeccavel. Nem o meu amigo terá a vaidade d'assim o julgar nem eu desfiguraria a verdade simplesmente para ser-lhe agradavel—e isto pela viva sympathia que me inspirou. A novella, para que a illumine a belleza, carece de unidade de concepção e de realisação, da plasticidade e do vigor da fórma, da perspicacia da analyse psychologica, de dextreza na modelação das figuras, da diversidade dos coloridos na pintura dos scenarios: e estes dons apenas advêm da tenacidade disciplinada e do estudo, porque ninguem nasce com um quinto sentido capaz de tudo adivinhar e tudo comprehender.

Não lhe esconderei, no emtanto, que o seu livro me communicou um certo prazer espiritual pela sua candura, pelo poetico sentimento que enternece algumas paginas—que é o sentimento d'uma alma pura e com finas delicadezas emotivas. Ora isto indica, no escriptor que agora começa, um evidente talento ainda balbuciante mas que ardentemente deseja orientar-se e que virá a impôr-se ás admirações se fôr animado por uma vontade sem desfalecimentos. E tão certo estou d'essa victoria futura que desde já calorosamente o applaudo, lamentando no emtanto que para a sua apresentação se houvesse lembrado do meu nome humilde e sem auctoridade para estas ceremonias solemnes.

 

Porto, 5 d'Abril de 1909.

Amigo muito affectuoso

João Grave.