Escolhidos pelo amor
Catorze
MIA
“Casa comigo, Mia?”
Ainda consigo ouvir a voz de Tony
carregada de emoção, me fazendo o pedido que mudará a minha vida para sempre. É claro que eu disse sim, depois de tudo que passei e de ter tanto medo de não conseguir viver o que sentimos, não haveria outra resposta.
Assim que cheguei, tive dificuldades para
dormir, sempre que fechava os olhos, eu voltava naquela cabana e revivia os momentos iniciais, tinha pesadelos horríveis, mamãe dormiu comigo várias noites. Na primeira semana, Tony conversou comigo abertamente e me convenceu de que precisava de ajuda profissional, foi a melhor decisão que tomei. Estou melhorando a cada dia, quase não sonho mais com as coisas ruins, fora isso, eu posso dizer que estou bem.
Pouco mais de um mês se passou, desde
então, estou em casa com os meus pais e prestes a tomar outra decisão que mudará tudo. Na escrivaninha do meu quarto, leio o e-mail novamente, enquanto mordo a mão fechada em punho, a porta do meu quarto está aberta e, mesmo assim, a batida leve me faz girar a cadeira para ver quem está ali. Sorrio ao ver meu irmão, com um olhar de quem ainda não acredita que realmente estou aqui.
— Oi, maninha. Posso entrar? — Preciso
me acostumar com o fato de que ele já se tornou um homem feito.
— Claro. Só estou lendo o contrato da
gravadora, pela milésima vez. — Murilo beija meus cabelos e senta na beirada da minha cama.
— Isso não é trabalho para o seu advogado
particular?
Não me adaptei aos olhares conspiratórios
de todos para mim e Tony, não contamos sobre o pedido de casamento — ele quis conversar com meu pai primeiro e explicar tudo e estamos esperando o meu aniversário, daqui a dois dias, para contarmos de uma vez para todos. Pelo que Beca me disse, nossa revelação não causará espanto, ninguém tinha dúvidas de que cedo ou tarde enxergaríamos que havia muito mais que amizade entre nós.
Estamos namorando de um modo diferente,
como diriam algumas amigas, entre nós existe mais conversa que ações. A primeira coisa que Tony fez quando chegamos foi sentar com o meu pai e contar tudo o que estava acontecendo, mas disse que eu precisava de um pouco de espaço, depois dos dias atribulados que vivi e que iríamos devagar, até que eu me sentisse segura de novo. Ele sempre sabe o que é melhor para mim e isso é incrível.
A família toda sabe, só que fingem o
contrário. Com a proximidade do jantar em comemoração ao meu aniversário e a minha vida voltando à normalidade, eles meio que esperam alguma coisa da gente.
— Tony está ocupado com o processo de
adoção dos gêmeos esta semana, mas prometeu vir aqui, ainda hoje, para resolvermos isso logo.
Murilo sorri e segura as minhas mãos. — Tem certeza de que é isso que quer? —
Os olhos castanhos claros me encaram, sérios.
— Olha, Mu. Por muito tempo, eu achei
que só seria completa se estivesse falando de Jesus para as pessoas ao redor do mundo, mas os últimos acontecimentos da minha vida me fizeram ver que eu posso fazer isso aqui no meu país também e ser feliz do mesmo modo. — Noto quando ele tenta disfarçar o suspiro aliviado. Sei que ele não me quer longe e que sente a minha falta, como sinto a dele. — Eu sempre amei cantar e através da música posso transmitir a minha mensagem pelo mundo, sem estar longe da minha família.
— Ah, Deus! Eu estou tão feliz por tê-la
aqui, Mia. Apesar de significar que vou ter as minhas bochechas apertadas com mais frequência. — Sorrimos juntos. — Eu já sou um homem feito, maninha. Já pode parar de fazer isso?
— Para mim, você sempre será aquele bebê
gorduchinho, que eu amava sentir o cheirinho. Venha aqui, preciso de um abraço do irmão mais lindo do mundo.
É incrível como Deus me deu tudo que pedi,
do modo que pedi. Quando eu era criança, tinha meu próprio modo especial de pedir as coisas a Jesus e fico muito feliz que, mesmo adulta e orando de um modo mais sério, Ele continua atendendo aos meus pedidos.
Primeiro foi papai, depois a cura da mamãe,
o namorado perfeito para a melhor prima do mundo, a possibilidade de ter um irmão como o Murilo e, agora, Tony, um homem íntegro que é, em suma, um espelho do meu próprio pai... Tudo isso é motivo suficiente para que eu tenha certeza de que sou muito amada por Jesus.
— Eu amo você, irmãozinho. — Aperto
suas bochechas quando nos afastamos só para irritá-lo.
— Também te amo, Mia. Uma pena que já
está indo embora desta casa.
— Ah, não diga isso.
— Vai mesmo se casar com o seu melhor
amigo? — Ele enruga o nariz ao perguntar.
— Acho que sim. — Meu sorriso se alarga
com a menção de Tony. — É estranho para você?
Murilo balança a cabeça e exibe um olhar
travesso.
— Apenas vocês não tinham enxergado
isso, Mia. Não será nada estranho vê-los como um casal agora, confesso que estou ansioso, aliás, todos estão. Não sei para que esse suspense todo! — ele ralha comigo.
Tenho a sensação de que toda a família
esperava que descêssemos do avião e anunciasse o casamento para daqui a um mês, só que eu precisava desse tempo.
— Ah, Murilo. Tudo que é feito com calma
tem um sabor mais especial.
— Sei — ele crispa os olhos —, e os beijos
roubados no jardim?
— Temos a patrulha do beijo por aqui
agora?
— Preciso proteger a minha irmãzinha do
meu primo espertinho. Falando sério, eu torço muito por vocês, acho que serão muito felizes juntos, Mia. Estou orando para que Deus abençoe em tudo que fizerem.
— Obrigada, Mu.
Nos abraçamos e conversamos um pouco
sobre minhas sessões de terapia, eu me fechei um pouco depois do sequestro, confesso que ainda tenho resquícios daqueles dias gravados no fundo das minhas memórias. Graças ao bom Deus, eu tenho a melhor família do mundo, um namorado compreensivo e tenho a música, que me ajudou bastante a esquecer essa fase ruim.
— Eu sei que está se aposentando das suas
missões, por enquanto. — Murilo tem um olhar travesso enquanto fala e pressinto que vou rir da próxima coisa que irá me dizer. — Acha que poderia aproveitar a sua estreita relação com Jesus e me descolar uma boa moça para casar?
Rimos juntos, esse é o meu irmãozinho.
Sempre achando um jeito de me fazer rir em meio às tempestades da vida.
— Me lembrarei do seu pedido nas
próximas conversas com Ele.
— Acha mesmo que fiz a coisa certa, Tony?
— Deve ser a milésima vez que faço essa pergunta, desde que assinei o contrato com a gravadora e respondi o e-mail.
Caminhamos lado a lado de mãos dadas no
cair da tarde, em direção à pracinha do condomínio, as coisas a todo vapor com a arrumação do jantar do meu aniversário esta noite e mamãe exigiu que Tony me tirasse de lá, porque preciso estar descansada para a noite. Não entendo a razão disso, é só um jantar em família.
— Não vai se arrepender, a música te dá
asas, Mia, e poderá ir a muitos lugares sem, ao menos, sair de perto da nossa família. — Confesso que ele tem razão, mas ainda tenho a sensação de que estou dando um salto no escuro. — Não quero que se sinta presa, acredito que seus shows levarão a mensagem do evangelho a inúmeras pessoas, vai ficar tudo bem e, caso tenha esquecido, eu sempre estarei aqui ao seu lado, querida.
— Eu sei que sim, Tony!
Paramos de caminhar assim que chegamos
ao nosso destino e seus braços me envolvem, cheios de carinho, só de pensar que não preciso mais sufocar meus sentimentos, dá um alívio. As demonstrações de carinho entre nós tornaram-se mais frequentes, mas ainda me sinto um pouco tímida quanto a isso, ele é meu primeiro namorado e não sei direito o que os namorados fazem, principalmente, as moças de outra época, como eu. Rio do meu pensamento.
Sempre amamos esta pracinha, tivemos
longas conversas sobre coisas importantes ao longo de nossa vida. É um lugar arborizado, com um lindo jardim cheio de flores de muitas espécies e me lembra muito o local onde comecei a perceber que o que sentia por Tony era mais que amizade. Nos sentamos no banquinho de madeira, ele deita a cabeça em meu colo e começamos a fazer planos para o nosso futuro juntos.
— Acha que podemos nos casar logo ou a
família vai pensar que fizemos algo errado? — Seu tom é de uma preocupação exagerada.
— Sinceramente? — Faço uma careta engraçada, enquanto deslizo os dedos em seus cachos macios. — Eles vão se sentir aliviados por finalmente ter um casamento para planejarem, o último foi o da sua mãe e, como bem sabe, nossa família adora uma festa.
— Vai mesmo casar comigo?
— Claro que sim! Se meu pai permitir, é
claro — brinco, apertando seu nariz levemente.
— Ah, por ele já estaríamos casados... —
Ele dá uma pausa e parece ter se lembrado de algo. — Aliás, não sabia que minha mãe queria tanto se livrar de mim, até contar a ela sobre nossos planos de casar em breve. Eu sou tão organizado e meu quarto é o sonho de toda mãe, mas a minha quer me ver pelas costas.
Sorrimos, sim, ele continua sendo
dramático.
— Para de drama, Tony!
— Prometo fazer de você a mulher mais
feliz do mundo inteiro, Mia. — Sua voz muda e nossos olhos se encontram. — Um ano é muito tempo?
— Acho que sim, mas com a assinatura do
contrato com a gravadora, precisaremos de um tempinho. Eles já querem planejar a primeira turnê, a gravação do DVD... Nem acredito que vou poder cantar todas as minhas composições, sabe o que eu queria?
— Me conta, Mia.
— Que cantasse, pelo menos, uma música
comigo, nesse álbum. — Ele me olha espantado, levanta do meu colo e se arruma no banco. — Por que o espanto? Você sempre se gabou de que formamos uma bela dupla.
— Cantando para duas dezenas de pessoas,
né ?! — A expressão no seu rosto é como se eu tivesse sugerido a coisa mais absurda do mundo e me empenho em fazer o que sei de melhor: convencê-lo a ceder. — Nem adianta fazer essa carinha tão linda, você já me convenceu a fazer coisas que eu não queria, juro que agora vamos colocar um limite no seu poder de persuasão.
Finjo que estou chateada, no fundo sei que
ele vai acabar cedendo, mas é divertido deixa-lo pensar que será o contrário desta vez.
— No máximo, vou cantar contigo no
próximo domingo lá na igreja — continua, certo de que não vou conseguir convencê-lo. — Voltando ao casamento, ficamos combinados para daqui um ano, então?
Balanço a cabeça e sinto um frio na barriga,
teremos uma linda história para escrever nos próximos anos e eu não poderia estar mais contente. Lembro-me do problema que a Vivi insinuou dias atrás, enquanto jantávamos juntas.
— Ainda temos que resolver a questão da
casa, sua mãe me persuadiu, usando fortes argumentos, de que aquele apartamento não seja um lugar para construir uma família... — Ele brinca com uma mecha do meu cabelo enquanto falo.
— Minha mãe tem um alto poder de
persuasão. — Rimos juntos, a Vivi consegue que os filhos e o marido façam as coisas mais inusitadas, possíveis.
— Agora entendo a razão das minhas
orações serem tão engraçadas na infância, minha professora tinha uns parafusos soltos. — Tony me olha feio, mas em seguida põe-se a sorrir. — Confesso que depois da conversa com ela, até me senti culpada por ter sido a favor de que você o comprasse.
Na época fiquei tão empolgada com a
conquista dele, que nem pensei muito, talvez por não imaginar que seria comigo que o meu melhor amigo gostaria de dividir a vida. Hoje quando penso em um lar, é uma casa como a dos meus pais, avós e tios que me vem à mente...
— Eu sei no que está pensando, amor.
Vamos conquistar todos os nossos sonhos juntos e começaremos muito em breve. Você vai ver que valeu a pena cada oração que fizemos todos esses anos. — Há um tom misterioso em sua voz e me lembro de que ele está cheio de segredos com meus pais.
— Tenho certeza que sim. — Estou
emocionada com as palavras dele, porque ele é exatamente o homem que pedi a Deus e não me resta dúvidas disso.
Tony acaricia meu rosto e deposita um beijo
em minha testa.
— Não chore, querida. A noite ainda nem
começou... — Tenho absoluta certeza de que ele vai me fazer chorar neste jantar.
— O que está aprontando, Tony? — O
encaro, curiosa, mas ele finge não entender e ainda faz graça.
— Paciência é um dom que você nunca
conseguiu ter, amor. — Eu ainda não me acostumei com ele me chamando assim, meu coração erra a batida a cada vez que o ouço falar “amor”.
O jardim dos fundos da minha casa está
lindo! Os últimos raios de sol ainda estão indo embora e a vista é espetacular. Mamãe, Vivi e tia Luciana arrasaram na decoração, fico um tempo estática, admirando. O varal cheio de lâmpadas sobre a longa mesa decorada com velas e pequenos jarros de rosas brancas traz um ar romântico ao nosso quintal. É uma comemoração íntima, mas as mulheres da nossa família fazem tudo com tanto amor e esses jantares sempre se tornam memoráveis.
Essa é a razão para eu ter aceitado a
sugestão da mamãe para me arrumar um pouco mais, Vivi fez a minha maquiagem do jeito que ela ama, como se eu fosse sua bonequinha. Tia Lu fez um dos penteados lindos que valorizam o meu rosto — palavras dela. Beca achou pouco o penteado que sua avó me fez e tratou de decorar a trança com margaridas brancas e o resultado não poderia ser melhor. O vestido tubinho rendado nude, com detalhe na pelerine de crepe, me deixaram com um ar romântico.
Estou emocionada, porque algumas
semanas atrás pensei que nunca mais os veria e sei que, para todos nós, não é apenas o meu aniversário, mas sim, uma forma de me dizer que sou importante para eles.
Desci sozinha, enquanto os outros
terminavam de se arrumar. Mamãe disse que eu só poderia ver tudo quando estivesse pronto e agora entendo a razão, eu precisava sentir todo esse amor e carinho.
— Tudo está tão lindo! — digo, ao ver meu
pai se aproximar, com um sorriso bobo no rosto.
— Você merece, filha! — Sua voz está
cheia de orgulho.
Seus braços me envolvem, encosto a cabeça
em seu ombro e ficamos assim por um tempo.
— Eu sempre soube que você roubaria o
coração de todos nesta família — ele começa a falar, depois de um tempo em silêncio —, mas nunca imaginei que seria nessa magnitude. Quando a vi pela primeira vez, senti um amor tão grande tomando conta de mim e um sentimento de que eu precisava te proteger do mundo. Então, você me pediu para ser seu pai e me fez o homem mais feliz deste mundo. A possibilidade de perder a minha filha me deixou sem chão. Deus sabe o quanto eu orei para que pudéssemos estar aqui hoje.
— Não me faça chorar, papai. — O sinto
beijar meus cabelos.
— Hoje está liberado chorar, desde que
sejam lágrimas de alegria. Minha filha está viva e, juro, nunca mais vou deixá-la ir para tão longe de mim...
— Vai monitorar minha agenda de shows?
— pergunto, sorrindo.
— Talvez...
Ele tem o sorriso mais lindo do mundo e
enche meu coração, saber que tenho o privilégio de chamá-lo de pai, dou um tapa em seu ombro.
— Ah, meu amor, eu sei que você nasceu
para fazer a diferença na vida das pessoas, mas vá com calma, que seu pai não é mais tão jovem.
— Vou tentar não lhe causar fortes emoções
pelos próximos anos, mas não sei se poderei cumprir. Daqui a pouco tem o casamento, depois terão os netos e não é como se eu pudesse controlar essas coisas, papai.
O vejo balançar a cabeça e sorrir, nervoso,
sei que a ideia de ter sua princesinha se casando o incomoda, mesmo aprovando, a verdade é que, ele sempre morreu de ciúme dos filhos e meus tios e primos adoram isso.
— Eu realmente tenho que deixar você se
casar com o Tony?
— Acho que sim, é a ordem natural das
coisas... Os filhos se casam, papai, devia ter se preparado para isso.
— Nunca vou estar pronto para deixá-los ir,
porém, admito que fez uma ótima escolha... Quem ia adivinhar que meu genro estava bem debaixo do meu nariz esse tempo todo?
— O mundo inteiro, seria a resposta, meu
filho. — Vovô Miguel chega, todo silencioso, e se envolve em nossa conversa. — Somos bem cegos quando se trata dos filhos. Feliz aniversário, Mia.
Nos abraçamos calorosamente, vovó chega
também, acompanhada pelo tio Paulo e tia Lu, os outros vão chegando e logo estamos todos espalhados pelo jardim, conversando animadamente.
Quando Tony chega, acompanhado de
Beca, sinto o ar me faltar. Sempre achei lindo o modo meio largado dele, mas quem o conhece, como eu, sabe que é tudo fachada e, no fim, ele é a pessoa mais organizada do mundo e cuida muito bem de sua aparência. Não consigo tirar os olhos dele, os cabelos continuam aquela bagunça que eu amo, tenho certeza de que a irmã o ajudou a deixá-lo assim, a barba está bem aparada, a camisa branca com listras bege não tira seu ar formal, a calça social bege combina perfeitamente com todo o resto.
Ele caminha em minha direção, todos param
de conversar e nos olham, cheios de expectativas, tenho certeza absoluta de que estou vermelha igual as rosas do jardim da vovó Ângela. Tony me abraça e beija minha testa, sob os olhares curiosos e sorri, travesso.
— Você gosta, não é mesmo? — ralho,
baixinho.
— O quê? Todos eles sabem e logo será
minha noiva, isso não é um segredo. Está estampado na nossa cara, Mia. — Ele continua sorrindo ao falar, depois segura a minha mão e caminhamos juntos até a mesa onde todos já se organizam, como se fosse algo previamente combinado.
Vejo o sorrisinho cúmplice da minha mãe
para ele e a minha pulsação acelera, quando olho para o homem ao meu lado, me encarando tão apaixonado, com uma das mãos no bolso, eu sinto as lágrimas se formarem em meus olhos.
Ele não vai fazer isso! — penso, quando ele
se ajoelha no gramado, como os príncipes dos contos de fada, abre a caixinha aveludada e estende para mim, a joia linda e delicada, que descansa lá dentro.
Sim, ele vai!
— Mia, por muito tempo pensei que não era
bom o suficiente para você, por muito tempo sufoquei meus sentimentos. Quase a perdemos e... Deus, como fiquei assustado com todas as possibilidades do que poderia ter acontecido. Minha vida não faria sentido em um mundo onde você não existisse para me completar, porque eu amo você e não é mais como minha melhor amiga, que fique claro, caso haja alguma dúvida ainda. — Todos sorriem e pela visão periférica, vejo vovó secar as lágrimas e Tony continua, deixando-me sem palavras. — Quero hoje, diante de todos que importam para nós, te fazer a pergunta mais valiosa de nossa vida. Você aceita se casar comigo e me deixa te fazer feliz para sempre?
Um silêncio se faz e todos me encaram, fecho os olhos por um momento. Eles não sabem, mas eu já respondi a essa pergunta antes e responderei da mesma forma, pois não há outra pessoa no mundo com quem eu queria dividir a minha vida.
— Sim, é claro! — Ouço os suspiros à
nossa frente, enquanto ele coloca o anel em meu dedo, levanta, me envolve em seus braços e deposita um beijo casto em meus lábios.
— Eu não esperei esse tempo todo para ver
um selinho, maninho — Beca reclama. — Capricha nesse beijo aí, Tony. Nós merecemos isso.
— Até eu beijo melhor que isso! — André
grita, Vivi lhe dá uns tapas e briga com ele em seguida.
— Não foi isso que te ensinei, menino, mas
admito que queremos um beijo de verdade — Vivi diz, firme, encarando o filho mais velho. — Nem adianta essa carinha de timidez, viu, mocinha? Eu quero um beijo de verdade!
— Já podemos comer? — Papai tenta
mudar o foco da conversa.
— Pelo amor de Deus, Álvaro. Meu filho é
um bom partido, tira essa expressão de sogro chato do rosto, senão eu juro que dou um jeito deles morarem no Alasca quando se casarem — Lucas alfineta. — Dê um beijo decente nessa garota, tô morrendo de ciúme também, mas é a lei da vida.
Todos — menos papai — batem palmas e
gritam em coro: Beija! Beija!
Tony me encara e sinto seu amor preencher
todos os espaços que faltavam no meu coração, minhas mãos envolvem seu pescoço, ele se aproxima devagar e nossos lábios se fundem em um beijo que me tira o ar e desperta as mais diversas sensações em mim.
Ouço as palmas, suspiros, desejos de
felicidades ao fundo e sinto-me a mulher mais feliz do mundo inteiro, por todas as bênçãos que recebi até agora. Esse é só o começo de tudo de bom que ainda virá, sei que Deus nunca irá me abandonar e todos que aqui estão, são prova disso.
Obrigada, Jesus! Agradeço baixinho
quando nos afastamos.