Escolhidos pelo amor
Cinco
TONY
Dizer que estou apreensivo com a
proximidade da viagem de Mia seria eufemismo, meu coração está apertado e tenho problemas para me concentrar no trabalho. Desde o nosso encontro na casa da vovó, sinto que as coisas estão diferentes, em um momento de fraqueza dominado pela vontade desesperada de impedir que ela vá, eu quase contei sobre os meus sentimentos.
Acredito que minhas palavras foram
entendidas, apesar de aquela garota ser um tanto desatenta quando se trata dela mesma.
O dia da viagem chegou e estou inquieto,
leio os processos sobre a minha mesa várias vezes, sem conseguir absorver um único parágrafo. Neste momento, estou de pé, observando a rua movimentada lá embaixo, com uma ruga de preocupação marcando a minha testa. Conforme as horas passam, fico cada vez mais angustiado, é como um mal pressentimento.
Almoço em um restaurante próximo do
escritório e volto em seguida para adiantar um pouco as coisas de um processo de adoção que estou cuidando. Quando consigo me concentrar minimamente, meu celular toca, o número de Mia surge na tela, fazendo com que a minha apreensão retorne com tudo.
— Tony, você poderia me levar ao
aeroporto hoje à tarde? — pergunta, sem rodeios.
— Seu pai não ia te levar? — Tento parecer
o mais natural possível e me desligar do peso em meu peito.
— Aconteceu um imprevisto no hospital e
ele não vai poder ir, mamãe está cheia de trabalho na loja desde que se tornou sócia da sua avó, não quero incomodá-los. Sei que ela iria se eu pedisse, só que não quero ver a preocupação em seus olhos quando nos despedirmos. Eles escondem muito mal a preocupação desde que contei sobre o meu próximo destino, apesar de me apoiarem nesta decisão.
— Eles têm todo direito de estarem assim,
Mia. Você é maluca e eu deveria te prender em uma masmorra. — A ouço sorrir e juro que faria isso se pudesse.
— Amigos se apoiam, é essa sua função —
ela rebate. — E, então, pode me levar?
— Sim, fiz uma promessa, lembra? Já estou
arrependido, mas a vida tem dessas coisas. A que horas passo aí?
Combinamos o horário, a família já se
despediu dela ontem, lhe desejando uma boa viagem e todas aquelas recomendações que fazem quando ela está prestes a partir. Ninguém tem coragem de contrariá-la, todos estão apreensivos, mas apenas eu sou capaz de falar o que sinto em relação a isso. Não tenho medo de magoá-la expressando minha opinião sobre esse assunto e ela sabe muito bem disso.
Vou para casa, tomo um banho para tentar
aliviar a tensão e, quando me apronto, minha mãe aparece na porta do quarto. Pela expressão em seu rosto, sei que a partida da prima a preocupa mais do que deveria.
— Mia me ligou para que eu a leve ao
aeroporto. Tudo bem, mamãe? — pergunto, ao abraçá-la.
— Não, nada está bem. Por que ninguém
impede essa menina de embarcar nesta loucura, filho? — Seus olhos enchem-se de lágrimas quando ela me encara. — Tais e Álvaro a amam e não têm coragem de dizer, vovó e vovô acham que ela deve seguir o seu chamado, minha mãe sabe que é loucura e também está com o coração apertado.
— Temos que acreditar que Deus irá
guardá-la. — Não há convicção em minhas palavras.
Nos sentamos na beirada da cama e mamãe
toca meu rosto, como se soubesse exatamente o que estou sentindo.
— Como está o seu coração? — Sua
pergunta me surpreende.
— Não entendi. — Arqueio a sobrancelha e
percorro os olhos pelo quarto, tentando não a encarar.
Será que sou tão transparente assim com os
meus sentimentos?
— Acha que não vejo como a olha? Sei que
não tem dormido direito nos últimos dias. Pare de negar o que sente, filho! Diga a ela o que seu coração quer.
As palavras de minha mãe me deixam em
um estado catatônico. Nunca quis que as pessoas soubessem do que sinto por minha prima, até porque sempre fomos amigos e não quero estragar o que temos. E se a família se decepcionasse comigo por conta disso?
De todos os medos que já tive na vida, há
alguns que nunca se foram totalmente, o abandono é o que mais me assombra. Apesar de eu fingir muito bem que ele não me afeta, tenho medo de que tudo que construí nos últimos anos desmorone com um único deslize meu.
Precisa superar, Tony! Quase posso ouvir a
voz da minha psicóloga, nas sessões que frequentei até uns cinco anos atrás. Demorei bastante tempo para conseguir aceitar que todas as agressões e o abandono que sofri na infância não eram culpa minha. Eu fui a abandonado pela mulher que deveria me proteger...
— Agora, você tem uma família que te ama,
Tony. Quando essas lembranças ruins ameaçarem vir à tona, pense que você tem todo o apoio das pessoas que te amam.
— Mas e se eu me tornar como o Chico, se
eles me abandonarem ou se eu decepcionar a todos? — Minha voz sai trêmula.
— Sua família te ama, eles não vão te
abandonar. Você está recebendo ajuda para se tornar alguém muito melhor do que todos aqueles que te machucaram. Veja só, não estou te pedindo para esquecer tudo que aconteceu, mas quando as lembranças vierem procure pensar nas memórias boas que foram criadas com a sua nova família. Não pode se culpar por isso, pelas escolhas erradas de um adulto. Precisa acreditar que seus pais estão do seu lado para te ajudar, eles já provaram isso tantas vezes.
Penso um pouco nas minhas conversas na
terapia, antes de admitir meus sentimentos à minha mãe, a conheço e já tive provas suficientes de que ela jamais irá me abandonar. Passo as mãos pelos cabelos e sacudo a cabeça, na tentativa de encontrar um bom argumento.
— Não é assim tão simples, sabe disso,
mamãe. Talvez não seja o plano de Deus para nós e, mesmo que eu me declare para Mia, não tenho a mínima ideia de como reagiria, além do que, sabemos que nada a fará desistir desta viagem. — Mamãe me abraça forte, eu retribuo o gesto e beijo seus cabelos. — A conhece melhor do que eu, sabe muito bem o quanto aquela garota é determinada.
— Ao menos, tente, Tony. Estou sofrendo
com a partida dela para aquele lugar onde matam os cristãos sem piedade alguma e isso não é paranoia da minha cabeça. Já viu os vídeos na internet?
Balanço a cabeça, afirmando, depois deito a cabeça no colo de mamãe e ela afaga meus cabelos, não conseguimos controlar o choro. Nem sequer sou capaz de consolá-la, porque neste momento eu só quero impedir Mia de entrar naquele avião.
— Sei que está sofrendo também, filho. Se
realmente a ama, faça alguma coisa para evitar que ela vá — diz, limpando as lágrimas teimosas em seu rosto.
Levanto-me do seu colo e tento inutilmente
controlar toda a desordem de sentimentos que me dominam. Engulo o nó em minha garganta, preciso ser forte e apoiar Mia nesta decisão, porque prometi que estaria sempre ao seu lado, mas nunca foi tão difícil fazer isso como agora. É como se estivesse a mandando direto para o precipício, massageio meu peito, fecho os olhos e inspiro profundamente antes de falar.
— Meu coração está doendo, mamãe, mas
não consigo fazer isso. Prometi que iria apoiá-la em suas decisões sempre e, apesar de tudo, o chamado dela é esse e não sou capaz de ficar no meio disso. É injusto! Nunca foi tão difícil me despedir dela. Fico pensando em inúmeras coisas que podem acontecer com ela naquele lugar. Precisamos confiar que Deus a guardará, estou orando muito para que Ele a proteja. — Fecho os olhos por um momento. — Eu só queria que Mia ficasse onde meus olhos pudessem vê-la, porém, há um enorme abismo entre o querer de Deus e o meu. Não vou me opor a isso.
Ficamos em silêncio, o quarto é preenchido
pelo som baixo do choro de mamãe, enquanto luto contra o nó que se forma em minha garganta. Tenho orado muito por Mia, preciso acreditar que voltará para nós sã e salva. Sei que foram as nossas orações que a sustentaram até aqui, por isso, vou aceitar os desígnios de Deus e continuar intercedendo por ela em minhas preces.
— Deus vai trazê-la de volta, precisamos ter
fé — mamãe diz, por fim, limpa suas lágrimas, beija meu rosto e afaga meus cabelos. — Me prometa que vai contar a ela o que sente e fazer o que tem que fazer, meu filho! Dê àquela garota um motivo para voltar logo para casa e lembre-se de que sou sua mãe, estarei aqui para o que precisar.
Assinto, sem muita convicção de que farei o
que ela me pede, pego as chaves do carro sobre a cômoda, me despeço com um beijo em seus cabelos e sigo até a casa dos meus tios. Quando viro a esquina, vejo Mia na varanda com sua pequena mala e uma mochila nas costas, ela está tão linda, meu coração se agita no peito e penso nas palavras da minha mãe.
Será que devo contar sobre meus
sentimentos?
Estaciono, respiro fundo, antes de descer
para ir ao seu encontro. Nos abraçamos, inspiro seu perfume adocicado, ela se afasta mais rápido do que gostaria e seu rosto exibe uma expressão que não consigo decifrar. Pego sua mala, levo para o carro, abro a porta para que Mia entre e ela sorri, em agradecimento a gentileza.
Sinto uma familiar pontada no peito, preciso
acreditar que tudo vai dar certo e que logo estaremos juntos novamente e que todo esse medo foi apenas o meu velho drama, como ela insiste em dizer.
— E então, do que exatamente está
arrependido? — Mia pergunta, assim que dou partida e o carro começa a andar, há uma pontada de tristeza em sua voz.
Estou tentando ser altruísta e pensar apenas
na felicidade dela, aperto o volante como se quisesse destruí-lo e, sinceramente, não consigo ser o amigo que ela espera que eu seja. Não consigo apoiá-la como prometi, todo o controle que eu fingi ter até agora escorre pelo ralo.
Neste momento eu tenho vontade de sacudi-
la, fazer com que acorde e veja como está se colocando em risco, sem necessidade alguma. Sei que tudo acontece por permissão de Deus, só que às vezes nossas decisões fazem com que permita que sigamos por caminhos desconhecidos, o que não significa que Ele se afastou, mas que apenas nos deu o livre arbítrio para escolher para aonde iremos.
— Só queria que ficasse em um lugar onde
eu pudesse vê-la, Mia. É egoísta, eu sei. Você já assistiu aos vídeos sobre o que os muçulmanos fazer com os cristãos lá na Nigéria, Moçambique e em boa parte dos lugares por onde vai passar?
— Não acredite em tudo que vê, Tony. Lá é
uma zona de conflitos, mas as pessoas exageram muito. Entendo sua preocupação...
— Será que entende mesmo? Se fosse o
contrário, como se sentiria? E se fosse eu a embarcar em viagens para o desconhecido, o que você faria, Mia?
Ela fecha os olhos e balança a cabeça,
contrariada com os meus questionamentos.
— Iria orar muito. Sua fé é pouca, Tony.
Deus já provou tantas vezes que está ao seu lado e você insiste em não confiar Nele.
Um silêncio constrangedor toma o veículo.
Não é que eu não tenha fé, é pecado querer manter a mulher que amo perto de mim?
Mia faz o percurso sem dizer uma palavra e
me sinto culpado por isso. Chegamos ao aeroporto, estaciono o carro e abro a porta para que desça, pego sua mala, sei que a magoei e preciso reparar isso.
— Me perdoe! — digo, encarando-a,
enquanto caminhamos para o saguão do aeroporto em direção ao balcão de check-in. — Por favor, não quero que vá chateada comigo.
— Não estou chateada, Tony. Só acho que
você deveria ter mais fé em Deus, acreditar que esse é o meu chamado e não posso me desviar dele facilmente — Mia me repreende, um pouco antes de entregar os documentos para a atendente.
Espero-a terminar o check-in e despachar
sua mala, depois caminhamos até a sala de embarque.
— Em resposta às suas acusações, eu confio
em Deus e sei que este é o seu chamado, só que continuo achando que é loucura esta viagem. — Ela me olha feio. — Desculpe! Vai me perdoar, por me meter tanto na sua vida?
— Sinceramente, queria entender por que
esse drama todo para que eu fique.
Paro de andar, me ponho à sua frente e
seguro suas mãos.
— Já crescemos o suficiente para entender o
que está acontecendo entre a gente, Mia! — Seus olhos fogem de mim ao me ouvir tão decidido. — Você sempre partiu o meu coração todas as vezes que nos despedimos e sai em viagem. Fico desesperado cada vez que meu celular toca e sei que está em algum lugar remoto do mundo...
— Está ficando paranoico como sua mãe,
Tony! — Mia interrompe e sorri, nervosa.
— Me deixa falar, sei que não vai adiantar
nada e que entrará naquele avião independente de qualquer coisa que sair da minha boca. Mas preciso te dar um motivo para ficar ou voltar mais rápido, tenho sufocado isso há muito tempo e suponho que você também esteja fazendo a mesma coisa... Acontece que já não aguento mais guardar isso, Mia. — Encurto ainda mais a distância entre nós, seguro seu rosto entre minhas mãos. — Sei que temos nossos propósitos, o tempo passou, acabamos seguindo por caminhos opostos, mas em algum momento dessa nossa caminhada enfiei os pés pelas mãos e me apaixonei por você.
Os olhos castanho-esverdeados adquirem
um tom mais escuro e mergulho neles em busca da resposta que preciso, porque eles nunca me escondem nada. Compartilhamos segredos silenciosos há muitos anos e neste momento constato que o que sinto é recíproco. Mesmo tentando esconder, ela está em choque com a revelação que acabei de fazer. É como se esperasse que fosse acontecer em algum momento de nossa vida.
Pessoas passam por nós alheias ao momento
que adiei por tanto tempo, sinto todo o meu corpo reagir às emoções que transbordam, minhas mãos estão tremendo, o coração galopa desenfreadamente, recebo uma descarga de adrenalina e coragem que nunca havia sentido antes.
— Tanto oramos pelos nossos futuros pares,
que nem percebemos que havia uma grande possibilidade de sermos um casal. — As palavras saem sem controle, não sou mais capaz de impedir. — Todo o meu drama tem apenas um motivo: tenho medo de perdê-la antes mesmo de tê-la. Tenho medo de viver em um mundo onde você não seja o centro dele, Mia. É exatamente isso que tem sido desde que a conheci: meu ponto de equilíbrio, a razão por eu querer me tornar um homem de bem e ir contra todas as perspectivas que o destino quis impor para mim. Entende por que me tornei paranoico como a mamãe?
Ela balança a cabeça, afirmativamente, não
há outra reação senão confusão em seu rosto, talvez esteja em um tipo de transe. Seus olhos me dizem uma coisa, mas as atitudes — ou a falta delas — em Mia são opostas.
Fecho e abro as mãos em punho, tentando
conter a ansiedade, esperando que ela reaja de alguma forma e nada acontece. Não sei ao certo como agir. A voz nos alto-falantes faz a chamada para o voo dela, que começa a andar para trás lentamente.
— Preciso ir — Mia diz baixinho, depois
me dar as costas, como se fosse capaz de renunciar ao que o seu coração deseja.
Me irrito com sua reação diante de tudo que
levei anos para ter coragem de dizer, não vou permitir que me ignore desse modo. Dou alguns passos largos para acompanhá-la, seguro seu braço, virando-a para mim, nosso corpo se choca e a seguro pela cintura.
Seus cabelos sedosos caem em ondas sobre
os ombros emoldurando o rosto delicado, deixando-a tão bela quanto uma pintura renascentista. Eu a amo, mas não sou capaz de controlar o ímpeto de confrontá-la.
— Acha que vai embora assim, sem se
despedir? — Minha voz soa mais irritada do que gostaria. — Eu deixei o meu trabalho para te trazer aqui. Cometi a loucura de abrir meu coração e você quer ir como se nada houvesse acontecido? Onde é que eu estava com a cabeça quando me apaixonei pela minha melhor amiga?
— Você nunca bateu bem da cabeça, Tony.
— Ela sorri, por fim, e suas mãos descansam em meu peito. — Desculpe, só não sei o que dizer. Não consigo administrar muito bem essa coisa de sentimentos, logo eu, que sempre me gabei por nunca deixar para depois o que se pode fazer hoje. Não poderia ter esperado que eu voltasse desta viagem para termos essa conversa?
— Não dava para esperar, você ainda vai me matar, Mia. Estou envelhecendo rápido e a culpa é sua. Eu precisava tentar fazer com que ficasse — admito, encarando-a, e toco seu rosto delicadamente.
— Sabe que nem mesmo isso mudará minha
decisão, não sabe? — Seus olhos brilham, aquecendo o meu coração. Sou correspondido e, por ora, é o suficiente.
— Sim, você é uma garota mimada e muito
teimosa. Só que, além disso, não posso mais guardar esses sentimentos apenas para mim, Mia. Eu amo você.
Pela primeira vez, desde que nos
conhecemos, essas palavras tem um significado diferente ao saírem da minha boca. Eu sempre a amei, só que antes tinha medo de admitir a mim mesmo que esse amor ia muito além da amizade que compartilhávamos.
— Eu também, Tony, mas é tudo muito
novo para mim, preciso digerir... Sabe como sou.
Ela me abraça apertado, encostando a
cabeça em meu peito e inspiro seu cheiro adocicado. Fico procurando indícios de que as palavras dela tenham soado diferente das outras vezes que falamos e não consigo identificar. Seguro seu queixo para encará-la, fico preso em seus olhos, inclino a cabeça devagar, sentindo a respiração entrecortada dela me aquecendo. Encosto suavemente os lábios nos seus, é como se nossos lábios tivessem sido feitos para se encaixarem perfeitamente. Seu gosto é exatamente como imaginei e tenho medo de que tudo isso seja mais um dos meus sonhos.
Provavelmente, seja errado beijá-la, porém,
preciso provar a ela que há um novo significado nas palavras que acabei de lhe dizer. As mãos dela segurando minha camisa com uma força descabida é prova suficiente para que eu saiba que tudo isso é real.
Meu coração bate descompassado, ainda
sem acreditar que a tenho em meus braços. Com o polegar traço a linha do seu rosto em um carinho leve, interrompemos o contato e sua boca exibe um sorriso tímido, que me faz querer tomar seus lábios nos meus novamente, mas não o faço.
Quero guardar cada detalhe desse momento,
beijo seus cabelos e ficamos abraçados, por um momento, em silêncio. A voz nos alto-falantes faz a última chamada para o voo e me desperta para a realidade.
— Preciso ir — ela sussurra. — Vai me
esperar?
Encosta a testa na minha, seu nariz se
encosta ao meu em um carinho que me faz querer prendê-la para sempre no meu abraço. Mia fecha os olhos, esperando a minha resposta.
— O tempo que for necessário. — Acaricio
seus cabelos. — Promete que vai se cuidar?
— Prometo.
Beijo seus cabelos e a aperto em meus
braços novamente. Não ouso beijá-la, por medo de que o encanto entre nós se acabe repentinamente, ela se afasta devagar, tocando os lábios e sorrindo, enquanto assisto-a partir com o coração apertado. Faço uma prece para que os anjos cuidem dela nesta jornada e luto bravamente contra a vontade de impedi-la de entrar no avião. Algo me diz que ela não será a mesma quando retornar, mas eu preciso confiar que Deus irá protegê-la.