Estudos Territoriais no Brasil e na Costa Rica

Glaucio José Marafon · Capítulo 1 de 14

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Estudos Territoriais no Brasil e na Costa Rica

Apresentação

 

O presente livro é fruto da cooperação entre o Instituto de

Geografia/PPGEO da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

(UERJ) e da escola de Ciências Geográficas da Universidade

Nacional da Costa Rica (UNA). Essa parceria teve início em 2011, e

nesses anos tivemos uma profícua colaboração por meio de visitas

técnicas, participação em eventos, publicações em periódicos, além

do ingresso de alunos da Costa Rica no Programa de Pós-

Graduação em Geografia, para a realização de mestrado e

doutorado. Destarte, dando continuidade a essa profícua

cooperação, estamos apresentando à comunidade geográfica o

presente livro denominado Estudos territoriais no Brasil e na Costa

Rica, que contém artigos de profissionais das duas universidades –

UERJ e UNA –, com resultados de investigações e que revelam um

pouco das pesquisas que estão sendo efetuadas nessas

instituições.

O livro está estruturado em duas partes, com artigos do Brasil e

da Costa Rica. Optamos por deixar os textos, na língua original de

cada autor para que possamos nos aproximar cada vez mais e

realizar mais trabalhos de forma conjunta, buscando uma maior

integração entre nossos países, não sendo a língua um obtáculo.

Na primeira parte, “Estudos territoriais no Brasil”, os autores

Monica Sampaio Machado e Thiago Adriano Machado, no capítulo

“Considerações sobre as categorias analíticas do espaço geográfico

em Milton Santos”, apresentam a trajetória desse intelectual, que

pode ser compreendida a partir de dois projetos por ele

desenvolvidos: o primeiro era de produzir uma teoria geográfica. Os

autores objetivam discutir alguns aspectos da sua teoria geográfica,

destacando as categorias analíticas do espaço por ele

desenvolvidas. É, então, tecida uma breve periodização da trajetória

de Milton Santos, que distingue três principais momentos, por meio

dos quais efetiva a sua produção teórica a partir de aproximações

sucessivas da relação entre o espaço geográfico e o fenômeno

técnico. Isso ocorre, porém, com uma renovada crítica à tradição geográfica, inclusive àquela em que o autor situa seus primeiros

trabalhos. Machado e Machado identificam uma primeira fase entre

1948 e 1960, caracterizada pelos seus estudos sobre a Bahia, nos

quais predominava a geografia regional de matriz lablachiana,

sucedida pelo período do exílio entre 1965 e 1987, em que

operacionaliza os conceitos marxistas para o estudo da urbanização

dos países subdesenvolvidos, e, por fim, uma última fase, entre

1988 e 2001, em que sua teoria geográfica atinge a maturidade em

profundo diálogo com a temática da globalização.

Para tanto, Milton Santos (1996) propõe pensar a geografia,

inserida no quadro mais amplo das ciências da sociedade, a partir

da consolidação e delimitação de seu objeto de estudo, o espaço

geográfico, elevando-o a ente analítico independente dentro do

conjunto das ciências sociais e de extremo valor para a análise e

compreensão da sociedade. E, para que o espaço geográfico possa

aspirar a ser esse ente analítico, independente e indispensável, é

fundamental que “os conceitos e instrumentos de análise apareçam

dotados de condições de coerência e operacionalidade” (Santos,

1996, p. 18). Essa tarefa, apesar de estar explícita em A natureza

do espaço, foi sendo elaborada ao longo de décadas de trabalho do

autor, que remontam aos finais dos anos de 1940, a partir do

exercício dialético e cumulativo, característico da sua forma de

produção de conhecimento.

Sempre pautado na crítica de estudos anteriores que realizava,

Milton Santos incorporava novas leituras e observações do mundo

empírico que permitiam dar um passo à frente ao tema investigado

e, aos poucos, construía sua teoria geográfica. Dessa forma, os

autores problematizam a formação de suas categorias analíticas,

iniciada com a discussão sobre a Geografia como viúva do espaço,

ideia apresentada em Por uma Geografia nova (1978), a provocação

do autor para ressaltar a crise da Geografia na década de 1970 e a

necessidade de pensá-la a partir do seu objeto, o espaço

geográfico, como um produto social. Em seguida, buscando discutir

e contextualizar essas categorias analíticas na teoria geográfica do

autor, será assinalada a centralidade da técnica e sua incorporação

ao território nos estudos por ele realizados.

No capítulo “O setor sucroenergético no Brasil: efeitos e

contradições”, os autores Matos e Marafon abordam como o Brasil

tornou-se, há quase duas décadas, um importante produtor e

consumidor de biocombustíveis como alternativa energética, com

destaque para o etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar. A

necessidade de substituição dos combustíveis fósseis por

“combustíveis mais limpos” conferiu uma posição de destaque ao

etanol brasileiro. Com o mercado promissor, o Brasil tem visto um

crescimento das monoculturas de cana-de-açúcar para abastecer o

setor sucroenergético para produção de açúcar, álcool anidro

(aditivo para gasolina), álcool hidratado e cogeração de energia

(produzida pelo bagaço da cana). Os referidos autores enfatizam

que, no início do século XXI, ocorreu uma expansão acelerada do

cultivo da cana no território brasileiro devido ao projeto dos

biocombustíveis, que a colocou como principal opção na produção

de álcool, criando novas paisagens e formas de produção, além de

modificar os usos do território, especialmente de oito estados

brasileiros. Eles ainda exemplificam esse processo a partir do

avanço do setor sucroenergético no estado de Minas Gerais,

especificamente no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba. Esse estado,

no contexto da política de incentivos por parte do governo federal

para expansão da produção dos biocombustíveis, teve um aumento

significativo no volume produzido a partir de 2000. Cerca de 9% das

78 milhões de toneladas no Brasil, em 2016, foram produzidas em

Minas Gerais, e destes, 6% foram produzidas no Triângulo

Mineiro/Alto Paranaíba. Desse modo, o texto apresenta uma

reflexão do setor sucroenergético no Brasil, e em Minas Gerais, com

atenção especial para as formas de acesso à cana-açúcar.

No capítulo “Na trilha das reservas particulares do patrimônio

natural (RPPN): novas interfaces paisagísticas?”, os autores

Gonçalves e Marafon abordam como a proliferação de unidades de

conservação privadas no espaço rural, demandantes de novas

representações paisagísticas, parece se associar aos segundo e

terceiro grupos citados anteriormente. Eles defendem que o

fenômeno em questão é acompanhado a priori de uma dinâmica

imobiliária que se caracteriza pela crescente demanda de atores

citadinos de médio a alto poder aquisitivo à procura de segundas residências (casas de campo e de veraneio, chácaras e sítios)

consorciadas ou não a projetos agroecológicos, os quais incorporam

a funcionalidade e a integridade de componentes ecossistêmicos

como variáveis de valoração paisagística. A mobilização territorial

desses atores citadinos produz novos discursos e significados que,

paradoxalmente, promovem uma revalorização qualitativa e

temática do espaço rural. Assim, entendem como uma forma de

ruralidade a lógica espacial dos outsiders urbanos e as relações por

eles tecidas no interior dos espaços rurais, inaugurando novos

(re)arranjos paisagísticos que têm nas Reservas Particulares do

Patrimônio Natural (RPPN) um de seus componentes. Isso tem

induzido a uma nova demanda social por bens e serviços

ambientais e de lazer, tais como ecoturismo, paisagens “naturais”,

alimentos e artefatos artesanais. Tal procura, oriunda principalmente

de moradores de grandes centros urbanos, constitui-se como uma

importante variável de reestruturação rural, sobretudo em áreas

mais próximas de grandes metrópoles.

No capítulo “Turismo rural: resgatando conceitos e atualizando

reflexões” os autores Lima e Marafon apontam como as atividades

turísticas no campo desempenham o papel de mais uma fonte de

renda para muitas famílias, contribuindo para a manutenção e a

reprodução das atividades agrárias. Enfatizam que a preservação e

a proteção da natureza, a valorização e a busca da autenticidade

dos elementos paisagísticos locais, a conservação e a proteção dos

patrimônios históricos e culturais e o resgate da memória e da

identidade são importantes fatores na mercantilização das

paisagens, com a consequente expansão das atividades de turismo

e de lazer. Essa realidade já se faz presente nos campos de todos

os estados brasileiros, como o caso observado na relação campo-

cidade nos estados da Paraíba e do Rio de Janeiro − em análise

nesse texto −, identificando o turismo rural como importante

elemento de transformações nas áreas rurais. Destarte, aprofundam

a reflexão acerca das atividades turísticas em espaços rurais,

resgatando noções sobre como estas se organizam em segmentos

para fins de estratégias de planejamento, recurso importante de ser

observado na busca pela melhor compreensão do comportamento

altamente dinâmico desse complexo fenômeno. Os autores também identificam que a cada dia surgem novos temas sobre o turismo,

respondendo ao apelo de impulsos específicos que levam aos

deslocamentos e às viagens. Para eles, pensar a segmentação do

turismo para além das noções de mercado e de concorrência é um

desafio que leva ao esforço de capturar do fenômeno turístico a sua

essência, ou seja, o potencial transformador inerente à experiência

turística que pode ou não se realizar. Nessa perspectiva, a força

transformadora do turismo parece estar mais presente em alguns

temas, como é o caso do turismo rural. Assim, as múltiplas

concepções sobre o turismo praticado no espaço rural têm tantas

vertentes quanto são os recortes possíveis de serem feitos em

relação ao que pode ser considerado rural, enriquecendo a

diversidade de conceitos e a gama de vivências turísticas. É nesse

contexto das relações globais e frenéticas da atualidade que os

referidos autores buscam atualizar as reflexões sobre o turismo

rural, no enredo do território e do espaço.

No capítulo “A dimensão espacial da atividade turística no

território fluminense”, para os autores Nunes e Ribeiro, o turismo,

atividade econômica que move milhões de pessoas anualmente

pelo mundo, tem no estado do Rio de Janeiro importante recorte

espacial de desenvolvimento. A abrangência do setor extrapola a

Região Metropolitana e encontra em municípios do interior atrativos

capazes de alavancar as economias locais. Nesse sentido,

estabelecem como objetivo do referido capítulo apresentar a

dimensão espacial do turismo no estado do Rio de Janeiro. Para

tanto, o mesmo encontra-se dividido em três partes: a primeira

procura evidenciar as condicionantes para o desenvolvimento das

práticas turísticas nos municípios fluminenses, como o elemento

físico ou natural, o elemento histórico e as atividades econômicas, e

o papel dos transportes; a segunda parte trata da institucionalização

da atividade no estado, partindo da década de 1960, quando são

criadas as primeiras empresas públicas voltadas para o setor,

abordando ainda os planos, as tipologias e as classificações oficiais

desenvolvidas para os municípios fluminenses; e, por último,

abordam ainda a categorização desenvolvida pelo Ministério do

Turismo para analisar brevemente o processo de consolidação

dessa atividade como importante vetor econômico dos municípios de Angra dos Reis, Paraty, Armação dos Búzios, Cabo Frio e Rio de

Janeiro, classificados pela referida instituição como de categoria A.

A metodologia utilizada consiste no levantamento bibliográfico

acerca do lazer, do fenômeno turístico e sua institucionalização e do

processo de ocupação e desenvolvimento econômico dos

municípios fluminenses. Dessa forma, para os autores, a dimensão

espacial do turismo merece uma profunda reflexão, pois, no estado

do Rio de Janeiro, essa atividade tem importância econômica

destacada para diversos municípios fluminenses.

No capítulo “Ser ‘carioca’/ser ‘fluminense’: la creación de

identidades por las fronteras politico-administrativas en el espacio

sudamericano”, para Pinheiro da Silva, a criação de identidades

territoriais é dada por meio de historicidades espaciais associadas a

movimentos político-administrativos e econômicos em tempos e

espaços específicos. O autor assinala que uma das características

mais marcantes dessas criações é a fronteira, um mecanismo limite

e definidor de projetos de políticas territoriais, cujos agentes

históricos instituídos devem ser identificados na pesquisa

acadêmica das ciências sociais e políticas. Assim, a cidade-estado

do Rio de Janeiro, Brasil, tem uma história sui generis na criação de

suas identidades socioespaciais, expressa não apenas em seus

diferentes territórios, mas também em perspectivas antropológicas e

sociológicas diferenciadas, com forte impacto no espaço brasileiro.

Dessa forma, a construção do “ser ‘carioca’ e ser ‘fluminense’” no

país está envolvida em condições espaciais muito diferentes nos

seus respectivos territórios, reforçando a ideia de que hoje, contra a

metropolização no mundo, as fronteiras territoriais são fluidas.

Destarte, para Pinheiro da Silva, entre o estatuto de “cidade real” do

Rio de Janeiro, no século XVII, e sua situação geopolítica como a

sede do Reino de Portugal, no século XIX, a sua separação da

província do Rio de Janeiro em 1834, seu status como Distrito

Federal (1891-1960) e de capital de uma unidade federativa (1975),

depois mesclando-se após quase 150 anos de separação da

província fluminense, as diferentes gestões políticas além fronteiras

não impediram que a vida social desses dois fragmentos territoriais

mantivesse suas questões geográficas. E essas são questões fundamentais para a compreensão do Rio de Janeiro, hoje, e para

os estudos metropolitanos do Brasil.

En la segunda parte, denominada “Estudios territoriales en Costa

Rica”, y compuesto por cinco capítulos, Lilliam Quirós Arias, en el

capítulo “Políticas Públicas habitacionales: la vivienda social en

Costa Rica”, se hace un análisis de las acciones de la política

pública costarricense, que atiende las necesidades de vivienda de la

población de escasos recursos económicos y su relación con las

políticas de ordenamiento territorial. En contexto se plantea, que en

el país el crecimiento urbano principal se ubica en el Gran Área

Metropolitana (GAM). Con una concentración poblacional,

desordenado y de forma horizontal, aunado a la carencia de una

planificación del nivel regional. Aun así la Política Nacional de

Ordenamiento Territorial, del Ministerio de Vivienda y Asentamientos

Humanos (MIVAH), es un instrumento valioso para avanzar en este

proceso. Para este análisis, Quirós hace un recuento cronológico de

las diferentes políticas relacionadas a este tipo de vivienda en el

país, que van desde los años 40s del siglo XX, hasta los inicios de la

administración Solís Rivera (2014-18), referentes a la legislación y a

la creación de instituciones con el fin de atender la situación de la

vivienda de bien social y la problemática de la vivienda de la clase

media, complementando con datos estadísticos de diferentes

ministerios, instituciones y organizaciones nacionales. Dando

énfasis en los siguientes subtemas: surgimiento de instituciones

públicas para atender las necesidades de vivienda, la vivienda en el

marco de la creación del sistema nacional del hábitat humano, el

sector de la vivienda en costa rica, servicio financiero nacional de la

vivienda (SFNV) social y el bono de la vivienda, características y

distribución geográfica. Como consideraciones finales la autora

indica que existen esfuerzos importantes en la política pública para

promover la integración de la vivienda con el ordenamiento territorial

y asentamientos humanos, que el tema vivienda de bien social,

posen una amplia normativa y se cuenta con un sistema financiero

estratificado en bonos individuales y colectivos. Aun así la carencia

o desactualización de los planes reguladores limitan la capacidad de

planificación territorial. Por otra parte se ha propiciado un modelo de

urbanizaciones para todos los estratos sociales, y condominios para las clases altas. Manteniendo siempre el modelo de crecimiento

urbano horizontal, con las tendencias inmobiliarias de viviendas

alejadas de la ciudad, desaprovechando el potencial de servicios y

centralidades que ofrecen las áreas urbanas, propiciando la

degradación de los recursos naturales. También que se deja en

manos de desarrolladores las decisiones que determinan el tipo de

oferta disponible en el mercado (tipología de la vivienda) y el lugar

donde será satisfecha la demanda por viviendas. Se tiene un sector

de la clase media que se incorpora recientemente como una

prioridad de atención, dado que no tiene acceso a la vivienda, tanto

como por la disponibilidad de recursos como la oferta inmobiliaria

disponible.

En el capítulo denominado, “Planes de sostenibilidad turística

para el turismo rural comunitario de Costa Rica: metodología para

su elaboración”, los autores, Alvarado y Miranda, presentan una

sistematización de la metodología diseñada e implementada en los

proyectos de extensión universitaria, en la Escuela de Ciencias

Geográficas de la Universidad Nacional de Costa Rica (UNA), para

la elaboración de planes de sostenibilidad en iniciativas de Turismo

Rural Comunitario (TRC). Al inicio hacen referencia a la evolución

del turismo costarricense, donde los procesos de transformación de

la actividad turística desde la década de los años 80s, llevó al

surgimiento del turismo sostenible, que de pasó permeó en las

comunidades rurales, por medio del TRC, situaciónque justifica la

implementación de esta metodología. En cuanto al referente

conceptual, los autores, se centran en definiciones relacionadas el

de desarrollo sostenible, el cual fue utilizado por primera vez en

1987 por la Organización de las Naciones Unidas (ONU), como el

de turismo sostenible, definido por la Organización Mundial del

Turismo (OMT) y Raintforest Alliance, además del concepto de

Buenas Practicas de Sostenibilidad Turística, de acuerdo a

diferentes guías nacionales e internacionales. Por su parte el

contenido de dicha metodología, se basa en la norma del Certificado

de Sostenibilidad Turística (CST), decretadas por el Instituto

Costarricense de Turismo (ICT), establecida por Decreto Ejecutivo

en mayo de 1998 y en la Ley del Fomento del Turismo Rural

Comunitario (Ley N.° 8724), del 1 de Octubre de 2009. En los resultados, presentan los diferentes procesos para la aplicación de

esta metodología, como son: inserción en la comunidad, inducción,

evaluación, acompañamiento, campañas comunitarias y finalmente

el diseño del plan de sostenibilidad, que se ilustran con datos,

derivados de los procesos participativos comunitarios. Como

consideraciones finales de la investigación, indican que los planes

de sostenibilidad, son una herramienta que permite cumplir con las

exigencias de la demanda turística a nivel nacional e internacional,

además estos son el primer paso para optar a cualquier certificación

de sostenibilidad y que también facilitan la creación de

encadenamientos locales y articulaciones interinstitucionales.

El capítulo “Geografía de las juventudes: corporeidad y

espacialidad urbana”, presentado por la máster Iliana Araya

Ramírez, tiene como objetivo analizar las perspectivas teóricas en la

construcción de la espacialidad urbana desde la corporeidad y las

emociones por parte de las personas jóvenes. Porque los abordajes

de la geografía de la juventud han sido poco estudiados, a pesar de

ser el mayor grupo demográfico. La juventud es una categoría de

análisis de lo social, situada en un tiempo histórico particular y en un

espacio cultural definido; donde los jóvenes son una construcción

sociocultural de determinada sociedad que se expresa en sus

prácticas sociales y culturales. Este grupo etario se apropia de los

espacios que devienen en lugares en la cotidianidad, la experiencia

de habitar los lugares conforma un conjunto de relaciones, y a la

vez, éstas se explican por las estructuras y las prácticas socio-

espaciales de cada ciudad en particular. De acuerdo a la

localización geográfica, la juventud participará en la vida urbana

para apropiarse de los lugares, aunque algunas veces podrá ser

excluido de estos (Horschelmann y Van Blerk, 2013). En la primera

parte de este capítulo se aborda la espacialidad urbana desde la

perspectiva de la juventud y su diferenciación según sean sus

características respecto al género, la clase y el lugar de

precedencia. En el segundo apartado se conceptualiza al espacio

público y su función social como un lugar donde la juventud

establece relaciones sociales a partir de las cuales cimenta su

espacialidad; destaca la importancia de la alfabetización callejera

como parte de las formas de apropiarse de los lugares. En el tercer apartado plantea la relación entre corporalidad, espacialidad y

emociones y la forma que esta deriva en prácticas socio espaciales,

ya sea de permanecer o desplazarse; en este sentido la

experimentación del lugar deviene de la actuación y la convivencia

en la ciudad. Finalmente, el último apartado se propone las

relaciones proxémicas en las escalas de la espacialidad urbana

elaboradas a partir de las relaciones sociales que inician en la

escala del cuerpo, la casa, la calle, el barrio, la ciudad y el ámbito

metropolitano. Como consideraciones finales la Máster Araya,

plantea que la juventud como categoría de análisis constituye un

constructo socio cultural que está expresada en sus prácticas socio

espaciales donde articulan los espacios públicos de las ciudades. La

espacialidad urbana respecto al uso del espacio público presenta

variantes según sean las escalas de proximidad, donde la

centralidad de la calle asume rasgos definitorios en la construcción

de la espacialidad urbana porque constituye un lugar de

aprendizaje. Aunado a lo anterior la aceleración de la sociedad

actual en la expansión del sistema capitalista transforma las

dimensiones espacio temporales; también cambian las nociones de

proximidad. Si bien la espacialidad urbana está configurada en

diferentes escalas de proximidad, también hay un recorrer biográfico

que inicia en la infancia. Finalmente, las formas de apropiarse del

espacio están asociadas con aquellas maneras de pertenecer y

relacionarse con los lugares.

El capítulo “El ordenamiento del territorio y los procesos en la

elaboración de planes reguladores en Costa Rica”, presentado por

la máster Lidia Orias Arguedas analiza los conceptos de espacio y

territorio como categorías de análisis desde la geografía y sus

aportes a la planificación y ordenamiento del territorio, como

preámbulo para describir la forma como estos son concebidos en

Costa Rica desde las instituciones públicas y el marco jurídico que

los acuerpan. Se analizan los factores que influyen en los largos

procesos de elaboración y aprobación de los planes reguladores en

Costa Rica, tanto en la planificación como en el ordenamiento del

territorio, la inacción supera las expectativas para los actores

sociales o agentes institucionales que lo enfrentan. Plantea como la

orientación de ocupación y manejo del territorio, debe ser competencia del Estado y desde los gobiernos locales, desde la

política pública como ordenanza y el marco legal que la refuerza. En

Costa Rica el Ordenamiento Territorial (OT) suele considerarse

como un rol de las municipalidades, que deben respetar el marco

institucional y jurídico vigente, este último establece quiénes son sus

responsables en la formulación de planes de OT; el plan regulador

se constituye en el modelo de OT en Costa Rica a nivel municipal.

El plan regulador como Instrumento de Ordenamiento Territorial,

establece las bases y las directrices de la planificación y gestión de

nivel local, siendo necesario una gestión sistemática de sus

recursos económicos y humanos dirigidos a materializar el

ordenamiento o la planificación del territorio. Muchos planes

reguladores no se implementan por la carencia en la gestión de los

recursos y medios para lograr los objetos de los planes. La autora

presenta además una cronología de la suma de procedimientos del

marco jurídico administrativo, político y técnico, para la elaboración y

aprobación de planes reguladores en Costa Rica, resaltando el rol

en la planificación urbana a escala nacional del Instituto de vivienda

y urbanismo (INVU), y el ordenamiento del territorio (OT) es función

de los gobiernos locales, según estipula la Ley de planificación

urbana N.° 4.240 del año 1968, de elaborar y ejecutar sus planes

regulares. Así otras instituciones en la financiación y apoyo logístico

y de capacitación como Instituto de Fomento y Asesoría Municipal

(IFAM) y el Ministerio de planificación nacional y política económica

(MIDEPLAN). Se retoma el rol de Secretaria Técnica Nacional

Ambiental (SETENA) en la aprobación de la Variable ambiental, la

cual contempla en su procedimiento técnico el estudio tres etapas:

Índices de Fragilidad Ambiental (IFA), Análisis de Alcance Ambiental

(AAA) y el Reglamento de Desarrollo Sostenible (RDS). Además los

procedimientos técnicos del Sistema de Nacional de Riego y

Avenamiento (SENARA) y la directriz para la elaboración de la

Metodología de estudios hidrogeológicos y los términos de

referencia para planes reguladores. En el documento se resaltan los

esfuerzos por la “flexibilización” para la aprobación de los planes

reguladores; como el balance entre la viabilidad técnica y política;

dado los intentos fallidos por lograr la aprobación de los mismos en

los cantones del país. Se describen las etapas de elaboración de los estudios de planes reguladores, una vez aprobada la variable

ambiental, de acuerdo al Manual de Planes Reguladores como

Instrumento de Ordenamiento Territorial, del INVU: Fase de Análisis

y Diagnóstico, Fase de Pronóstico, Fase Propositiva y Fase de

Implementación (gestión). Proceso que culmina con la convocatoria

a una audiencia pública y la aprobación de la Dirección de

Urbanismo del INVU. La autora concluye que es un privilegio desde

la Geografía la profundización de los conceptos teóricos

trascendentes como el espacio, el territorio y su planeación y

contribuir con los aportes teóricos y metodológicos a la planeación

del territorio. Sin embargo la burocracia administrativa impiden que

estos procesos de planificación se concreten en propuestas

concretas de ordenamiento del territorio.

El capítulo “Modelos de zonificación urbana y su implementación

en Costa Rica”, presentado por el Licenciado Omar E. Barrantes

Sotela; discute las principales líneas de pensamiento que

intervienen en la construcción de una zonificación urbana; analiza

para el caso de Costa Rica la implementación de este instrumento

en los diferentes procesos de planificación y las características que

presenta, así como los inconsistencias y violaciones más comunes a

esta normativa. El autor plantea las funciones de la zonificación

urbana como instrumentos de regulación en el Ordenamiento

Territorial; los diseños de zonificación que se orientan tanto por la

regulación, el control y establecer patrones de densidades

constructivas; así como por la forma y la capacidad de enlazar usos

múltiples o mixtos que pueden ser compatibles, creando lugares

más confortables para habitar. Estas nuevas prácticas de

planificación incluyen un diseño urbano con desarrollo compacto de

usos mixtos, protección de áreas naturales y agropecuarias, así

como la incorporación de la gestión del riesgo por afectaciones de

amenazas (antrópicas y naturales), que incluyen la mitigación del

impacto por cambio o variabilidad climática. Una de las principales

críticas a la zonificación, se deriva de separar el territorio en zonas

según su función predominante o por necesidad de control especial.

Su diseño no necesariamente ocurre mediante criterios claros que

faciliten las labores de gestión. Como alternativas de regulación

urbana los profesionales proponen enfoques que incluyen criterios calidad de vida de los habitantes de un área urbana, a través de la

inclusión y mixtura de usos, así como controlar el tamaño y el

desarrollo urbano disperso de las áreas periurbanas. En el artículo

se desarrollan cinco métodos de regulación urbana según su

fundamentación básica: la zonificación por rendimiento, la

reglamentación de zonas con derechos de desarrollo transferible,

zonificación por incentivo, el modelo de control y administración del

crecimiento y por último la regulación por crecimiento inteligente. Se

documenta además los modelos de zonificación implementados en

Costa Rica; los primeros esfuerzos de zonificación en 1949, la Ley

N.o 1.788 que crea el Instituto Nacional de Vivienda y Urbanismo

(INVU) y su suplemento la Ley Planificación Urbana N.o 4.240 en

1968; con lo que se inicia formalmente la planificación urbana en

Costa Rica. Las posteriores propuestas: Plan GAM-82, el PRUGAM

(2008-2030), Plan de Ordenamiento Territorial de la Gran Área

Metropolitana (POT/GAM 2011-2030), el Plan GAM 2013-2030;

propuesta esta última que surge ante el fallido intento de aprobación

de las anteriores. El autor concluye que a pesar de las propuestas

alternativas de zonificación urbana, el abordaje más utilizado en la

regulación urbana es el de prueba y error, que se evidencia en como

los enfoques alternativos de zonificación se originan, es decir del

análisis de los resultados empíricos. Sin embargo, a pesar de que

este proceso constructivista no es muy buen visto por un grupo de

académicos y especialistas de diversas disciplinas y ciudadanos en

general; esta ha sido una respuesta pragmática, al entender que la

dinámica urbana sobrepasa la capacidad de gestión que tiene la

misma sociedad sobre los espacios que habita y transforma.

El capítulo “Esbozo con perspectiva geográfica de los estudios

sobre la ciudad, el espacio y las cuestiones urbano-regionales en

América Latina”, presentado por el Dr. Omar Arrieta Chavarría;

presenta un esbozo de las publicaciones realizadas en América

Latina, de los estudios relacionados con la ciudad y las cuestiones

urbanas; el urbanismo y la planificación; y la cuestión urbana

regional y el ordenamiento del territorio. Esto con el objetivo de

comprender las experiencias logradas en esta materia, aprender de

ellas, y reorientar y fortalecer la producción científica sobre estos

temas particularmente en Centroamérica. Para estudiar este tema, se identificó algunas instituciones que se destacan por su trayectoria

en el campo de la investigación científica y técnica en la temática, se

incluyen algunos centros académicos que se ocupan de estos

problemas con el fin de sintetizar las principales líneas de trabajo;

en el caso brasileño, dado la magnitud de los estudios relacionados

se tomó una muestra significativa de universidades, departamentos

e institutos brasileños que se dedican al análisis científico y técnico

de estos temas. Se realiza además una revisión crítica, detenida de

los artículos y textos de la extensa producción que desde diversas

disciplinas se ha producido, y que son las líneas fundamentales de

trabajo en América Latina. En la exposición, el texto se dividió en

tres acápites, el primero hace un repaso de aportes teórico

metodológicos sobre la ciudad y el espacio urbano regional vistos

desde la geografía; la segunda es una revisión de las cuestiones

urbano-regionales y una síntesis de los temas recientes en el ámbito

de la geografía con enfoques posmodernos y socio críticos; la

tercera es una reflexión de los aportes y posibilidades futuras en las

investigaciones de este tipo con miras a enfrentar los retos que se

tienen en el campo de las ciencias sociales vinculadas al análisis del

espacio geográfico, la ciudad y la cuestión regional, asuntos que

interesa profundizar en el caso centroamericano.

Rio de Janeiro e Heredia, outono-primavera de 2018.