Estudos Territoriais no Brasil e na Costa Rica
5. A dimensão espacial da atividade turística no território fluminense
5. A dimensão espacial da
atividade turística no território
fluminense
Nathan da Silva Nunes, Miguel Angelo Ribeiro
Introdução
Este artigo tem como proposta analisar a dimensão espacial do
turismo no estado do Rio de Janeiro, visto que tal atividade tem
importância econômica destacada para diversos municípios
fluminenses. A seleção do recorte espacial ocorreu em virtude da
observação de características que tornam o referido estado singular,
visto que é possível identificar a prática de atividades relacionadas a
diversas tipologias turísticas.
É válido ressaltar que estatísticas recentes apontam para um
crescimento mundial dos fluxos relacionados ao turismo, com cerca
de 1,2 bilhão de pessoas deslocando-se pelo planeta em 2015.
Nesse contexto, podemos pontuar que o estado do Rio de Janeiro
caracteriza-se por apresentar enorme diversidade de situações
topográficas e climáticas, bem como grande variedade de condições
histórico-culturais (Ribeiro, 2003). Assim, a atividade turística se
reveste de grande importância como fator de interiorização do
desenvolvimento econômico e social, considerada atualmente uma
expressão das mais autênticas do processo de globalização. O
fenômeno do turismo expande-se em âmbito mundial até as regiões
mais remotas, não sendo desconsiderado nenhum território. E, sob
esse aspecto, o Brasil encontra-se inserido nessa economia
globalizada por meio da atividade do turismo não só em decorrência
de suas mais diversas paisagens, entre elas, as tropicais, como
também em seus diferentes aspectos culturais e históricos, tornando-se, na América Latina, uma das principais áreas
receptoras desses fluxos (Ribeiro, 2003).
O Brasil recebeu em 2015 e 2016, aproximadamente, 6,0 e 6,6
milhões de turistas estrangeiros, respectivamente, sendo que mais
de 1,5 milhão (em ambos os anos) teve como destino o território
fluminense, como indicado pelo Ministério do Turismo. Por isso, o
estado do Rio de Janeiro (mapa 1) é uma das unidades federadas
que apresenta importância para a promoção do turismo brasileiro,
atividade esta que merece destaque no contexto do
desenvolvimento econômico de nosso estado.
Mapa 1: Regiões de governo do estado do Rio de Janeiro
Fonte: Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de
Servidores Públicos do Rio de Janeiro, 2014.
Em nível nacional, o Rio de Janeiro é o segundo ente federativo,
quando tratamos do número de viagens a negócio. Porém, está na
liderança quando a motivação do deslocamento é o lazer,
destacando-se não apenas a capital, mas também alguns municípios do interior, como Armação dos Búzios, Cabo Frio, Angra
dos Reis e Paraty.
Tais resultados ratificam o papel do estado do Rio de Janeiro
como uma das principais unidades receptoras de turistas nacionais
e internacionais, apresentando importância para a promoção do
turismo brasileiro.
Para que possamos atender aos desafios propostos, este capítulo
encontra-se estruturado em três partes. A primeira envolve as
condicionantes para o desenvolvimento das atividades turísticas no
território fluminense, destacando-se os elementos físicos ou
naturais, o elemento histórico e as atividades econômicas, o papel
dos transportes e as políticas de turismo. Na segunda seção,
procura-se discutir a institucionalização do turismo no estado,
partindo da década de 1960, quando são criadas as primeiras
empresas públicas voltadas para o setor, abordando ainda os
planos, as tipologias e as classificações oficiais desenvolvidas para
os municípios fluminenses. Por fim, na terceira seção, o foco será
analisar e descrever as atividades turísticas em alguns municípios
do estado, sendo selecionados aqueles em que o setor apresenta
maior representatividade no contexto nacional, segundo
classificações do Ministério do Turismo.
Condicionantes para o
desenvolvimento das práticas
turísticas nos municípios fluminenses
Para que possamos realizar uma análise acerca dos principais
aspectos da atividade turística verificados no estado do Rio de
Janeiro, é preciso apontar as condicionantes que viabilizam tal
fenômeno. Porém, é necessário, em um primeiro momento,
apresentar concepções e definições acerca do lazer, pois este
relaciona-se intimamente com o turismo.
Para tanto, Menoia (2000) destaca o caráter de oposição entre o
conceito de lazer e o de trabalho, visto que a redução na carga horária deste último tem propiciado mais tempo livre para o homem,
um ser lúdico. Para Barbosa e Silva (2011), por sua vez, data do
período pós-Revolução Industrial o início das discussões a respeito
do lazer, sucedendo aquelas que tinham como objeto principal de
análise o ócio, o não trabalho. Tais debates estavam inseridos no
contexto marxista e sua crítica ao sistema capitalista.
Há uma série de conceituações para o referido termo,
considerando, em sua maioria, a dimensão temporal, a atividade, a
função, a importância e a maneira como é usufruído pelo homem
(Menoia, 2000). A partir da concepção do sociólogo francês
Dumazedier, Menoia (2000, p. 11) faz considerações sobre o lazer.
Segundo o autor, o lazer completo possui caráter liberatório, de livre escolha;
caráter desinteressado, sem fim lucrativo; caráter hedonístico, de satisfação;
caráter pessoal, onde as expectativas superam as necessidades. Classifica
então o lazer em quatro tipos, conforme o tempo disponível: lazer do fim do
dia, do final de semana, do final do ano e do fim da vida.
Visando a relacionar tal conceito à temática proposta para este
capítulo, utilizaremos a abordagem de Barbosa (2011, p. 4) para
associá-lo ao turismo, pois a autora entende que o lazer está
vinculado à liberação e ao prazer, podendo apresentar três funções
distintas, que seriam: “a do descanso (libera-se da fadiga); do
divertimento, recreação e entretenimento (liga-se à fadiga, e esta,
ao tédio) e do desenvolvimento (desenvolve a personalidade que
depende de autonomia do pensamento e da ação cotidiana)”.
Após apresentar o lazer a partir do turismo, iniciaremos a análise
de tais atividades de forma mais abrangente, destacando, em um
primeiro momento, que não podem ser pensadas sem as bases
geográficas e, nesse contexto, podemos distinguir três
condicionantes que influenciam seu desenvolvimento em território
fluminense. Tais condicionantes estão intimamente relacionadas.
São elas: a) o elemento físico ou natural; b) o elemento histórico e
as atividades econômicas; e c) o papel dos transportes.
O elemento físico ou natural
O quadro físico fluminense apresenta-se muito diversificado, em
contraponto à limitada extensão territorial (Cide, 1997). Nesse
sentido, o estado do Rio de Janeiro se configura como uma
sucessão de paisagens, cujo alinhamento segue, aproximadamente,
a direção geral SW-NE, dominada pela disposição do relevo, que
condiciona, em grande parte, a variedade do clima e da cobertura
vegetal, entre outros elementos. Sendo assim, distinguem-se como
principais unidades físicas: o trecho litorâneo, o conjunto
montanhoso e o planalto ondulado até o Vale do Paraíba, como
apontou, grosso modo, Ribeiro (2003).
I. O trecho litorâneo abrange a linha costeira e a região das
baixadas, em direção à parte setentrional do estado, constituído
por lagoas e cordões litorâneos, com vegetação de restinga.
Parte dessa área integra a região turística denominada Costa
do Sol, iniciando-se nos limites da área Metropolitana
(município de Maricá) até o município de Rio das Ostras; e a
parte meridional, de constituição rochosa e muito recortada em
baías e enseadas, prolongando-se até o município de Parati.
Nessa unidade física, a modalidade de turismo mais
desenvolvida é a do aproveitamento das praias e das práticas
náuticas, apesar de atualmente novas modalidades de turismo
serem utilizadas, como a histórico-cultural, a rural e o
ecoturismo.
II. O conjunto montanhoso da Serra do Mar, representado pela
frente escarpada e seu reverso, atravessando quase todo o
estado, com altitudes de até 2.000 metros (Serra dos Órgãos),
em alguns pontos, é caracterizado por temperaturas mais
amenas, quando comparado com as demais unidades físicas,
imprimindo características peculiares às diferentes modalidades
turísticas. Essa porção é conhecida como Região Serrana.
III. Por fim, distingue-se o planalto ondulado, que perde altitude até
o Vale do Paraíba do Sul, sendo que o rio de mesmo nome
representa o traço mais marcante nessa paisagem, cortando o
território fluminense de sul para norte e formando uma
depressão encaixada entre as escarpas das Serras do Mar e da
Mantiqueira, esta exibindo o paredão do Pico das Agulhas
Negras, com aproximadamente 2.800m de altitude, muito
aproveitado para diferentes modalidades de turismo.
Esse quadro físico constitui-se em suporte material para a
organização econômica e social fluminense, estando diretamente
associado ao desenvolvimento da atividade do turismo e exercendo
influência na produção de lugares para o consumo.
O elemento histórico e as atividades econômicas
O elemento histórico e as atividades econômicas são importantes
condicionantes para o desenvolvimento da atividade turística. Nesse
sentido, de modo geral, podemos analisar a ocupação do atual
estado do Rio de Janeiro pelos portugueses a partir do século XVI.
Esse século foi marcado pela descoberta da faixa litorânea do
Estado, pela expedição em que tomou parte Américo Vespúcio
(1501-02), sendo que, em 1503, foi instalada uma feitoria na futura
cidade de Cabo Frio, enquanto em 1565 fundou-se a cidade do Rio
de Janeiro. Assim, formas pretéritas criadas no século XVI ainda
persistem nesses espaços e são testemunhas importantes para a
preservação da memória e da cultura.
Esse período foi marcado pela Coroa Portuguesa com a
ocupação do litoral, como defesa e conquista da terra (Rahy, 1999),
destacando-se a importância do sítio, ou seja, do local no qual
estabeleceram-se as futuras cidades, geralmente ocupando a
entrada de baías, rios etc., com a presença de inúmeras
fortificações, como as encontradas na Baía de Guanabara.
O século XVII foi marcado pelas experiências agrícolas vinculadas
à produção de cana-de-açúcar e seus engenhos no Norte
Fluminense, ou mesmo nos arredores da capital. Essa atividade
marca a paisagem da região até os dias atuais, encontrando-se
fazendas dos antigos barões do açúcar e usinas, enquanto na área
metropolitana, pelas grandes transformações ocorridas, poucos
vestígios foram deixados na paisagem.
No século XVIII, com a descoberta das reservas auríferas das
Minas Gerais, a organização do povoamento fluminense foi
profundamente alterada. A exploração do ouro influenciou indiretamente na ocupação do território. Concomitantemente à
exploração aurífera nas Minas Gerais, nos primeiros anos desse
século, a cana-de-açúcar atingiu definitivamente a baixada
campista, na porção norte do Estado.
Quanto à atividade aurífera, as cargas do referido metal desciam
do planalto das Minas Gerais em lombos de burros, na direção de
Parati (Caminho Velho) e eram conduzidas pelo mar até o Rio de
Janeiro (Mota e Lopez, 2016).
O Rio de Janeiro tornou-se rapidamente o principal porto e a mais
ativa cidade do país, ao mesmo tempo, a atividade aurífera
contribuiu para o aparecimento de vilas − embriões para futuras
cidades − que serviam de passagem para o interior, como
Vassouras, Paraíba do Sul e Paty do Alferes, entre outras (Rahy,
1999).
No século XVIII, do ponto de vista histórico e político, merece
destaque a transferência da sede do governo colonial de Salvador
para a antiga Província do Rio de Janeiro (1763), em decorrência do
comércio do ouro das Minas Gerais, além das condições
geográficas.
Cumpre lembrar que, no período compreendido entre os séculos
XVII e XVIII, os portos tiveram importância fundamental na história
econômica fluminense, primeiramente com o transporte de cana-de-
açúcar e, logo em seguida, com o ouro.
O início do século XIX foi marcado, primeiramente, pela extinção
do ouro das Minas Gerais (decadência da mineração), enquanto a
cana-de-açúcar voltou a concentrar, mas por pouco tempo, todas as
atenções.
Outro fato histórico e político importante para o atual estado do
Rio de Janeiro e, mais diretamente, para a cidade do Rio de Janeiro,
foi a chegada da Corte Portuguesa, em 1808, que afetou a estrutura
organizacional da urbe carioca. Em 1834, essa cidade separou-se
de sua província, e a capital imperial foi elevada à condição de
Município Neutro, enquanto a cidade de Niterói tornou-se capital da
Província Fluminense, em 1835 (Ribeiro, 2001).
À medida que o Império se consolidava, surgia um novo produto-
rei na economia fluminense: o café. Essa nova cultura de base
exportadora começou o seu trajeto na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente no Maciço da Carioca, nas encostas de
Jacarepaguá, além dos Maciços da Pedra Branca e do Mendanha.
Foi plantado em várias áreas do território fluminense, embora não
tenha obtido o resultado esperado, em decorrência da declividade
do terreno e das condições climáticas. Mas, a maior expressão
cafeeira da antiga província iria ocorrer quando, a partir do
Mendanha, a rubiácea atingiu São João Marcos (parte do atual
município de Rio Claro), Piraí e Resende, chegando, portanto, ao
Vale do Paraíba, em seu trecho médio.
O café, no Médio Paraíba Fluminense, teve seu plantio expandido
para várias direções, sendo cultivado ao norte em Entre Rios (atual
município de Três Rios), seguindo para Nova Friburgo e Cantagalo,
na Região Serrana, terminando sua expansão em Itaocara e São
Fidélis e seguindo a direção da Zona da Mata Mineira e do Espírito
Santo.
As encostas foram ocupadas com cafezais, e o fundo dos vales,
com as sedes das fazendas e instalações de beneficiamento do
produto. Atualmente, muitas dessas fazendas, principalmente
aquelas localizadas no Médio Paraíba, nos municípios de
Vassouras, Valença, Paraíba do Sul, entre outros, estão sendo
resgatadas para a atividade turística, a partir de um processo de
refuncionalização.
Os elementos históricos na paisagem, muitos deles, frutos das
atividades econômicas desenvolvidas em território fluminense,
representam importantes marcos no processo de ocupação, e que
hoje podem ser resgatados como elementos culturais e da memória
de um povo, constituindo-se em vetores das diferentes modalidades
de turismo.
Tais elementos históricos tiveram sucesso graças ao papel dos
transportes, e sua evolução, graças às técnicas que foram sendo
desenvolvidas.
O papel dos transportes
Os transportes são importantes aliados no desenvolvimento da
atividade do turismo. Esses sistemas de engenharia são relevantes no sentido de promoverem a rapidez dos deslocamentos e das
comunicações.
Para o estado do Rio de Janeiro, tais sistemas tiveram papel
preponderante no tocante à expansão do turismo interno,
primeiramente com a difusão das estradas de ferro, a partir de 1854,
impulsionadas com o esplendor da cultura cafeeira, a partir de 1870,
e principalmente com o advento das rodovias, iniciadas no final da
década de 1940.
As rodovias tiveram papel vital na expansão do turismo em
território fluminense, concretizando-se, notadamente, a partir da
década de 1970, com a construção da Ponte Presidente Costa e
Silva, que liga as duas principais cidades do estado, Rio de Janeiro
e Niterói; a abertura da BR-101; além da duplicação das rodovias
Presidente Dutra (BR-116) e Washington Luís (BR-040), ligando a
capital do estado às cidades mineiras de Juiz de Fora e Belo
Horizonte.
Com a implantação da BR-101 em território fluminense, além da
construção da Ponte Rio-Niterói, concretizada em 1974, a tendência
foi haver uma expansão da atividade turística em direção ao litoral
sul (Costa Verde) e ao litoral norte (Costa do Sol). Esses são dois
grandes vetores de expansão do turismo litorâneo, secundados pela
BR-116 (Rodovia Presidente Dutra), que corta a região do Vale do
Paraíba.
A duplicação e o melhoramento desses eixos de transporte
vieram a contribuir de forma positiva para o desenvolvimento da
atividade turística em terras fluminenses, principalmente para os
municípios localizados externamente à metrópole, tanto os
litorâneos como os do interior. Tal fato, associado aos outros
elementos, como o quadro natural diversificado, e aos
condicionantes históricos, ensejou a difusão da atividade turística
por alguns municípios fluminenses, tornando-os verdadeiros lugares
para o consumo.
Sendo assim, no próximo segmento, relacionaremos a influência
dos elementos apresentados com os tipos de turismo praticados na
região das Baixadas Litorâneas fluminense, objetivando caracterizar
essa atividade a partir das estratégias e políticas adotadas pelo
poder público.
Institucionalização turística,
tipologias e categorização dos
municípios do estado do Rio de
Janeiro
A atividade turística apresenta grande destaque quando tratamos
do estado do Rio de Janeiro, muito em razão da fama e do
simbolismo que tem a capital, com pontos turísticos conhecidos
mundialmente, como o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a praia de
Copacabana, o estádio do Maracanã, entre tantos outros. De acordo
com Fratucci (2005, p. 82), “o Rio de Janeiro sempre foi, e continua
sendo, o estado brasileiro onde a atividade turística apresenta
dimensões mais marcantes, tanto para a sua economia, quanto para
sua estrutura sociocultural”. Porém, a atividade também apresenta
dinamicidade no interior, o que é destacado por esse autor, quando
diz que o estado
tem no turismo um dos suportes de desenvolvimento mais importante,
apresentando sobreposto ao seu território uma rede bastante ampla de
nós/lugares turísticos, interligada por uma extensa malha de rodovias,
hidrovias, ligações aéreas (a malha ferroviária existente praticamente não é
utilizada pelo sistema turístico) e de uma complexa rede de comunicações.
O discurso oficial corrobora com o autor, tendo em vista que o
Caderno de turismo do estado destaca a atividade turística como
influenciada pela vasta diversidade de paisagens, características
topográficas e climáticas, além das singularidades culturais
encontradas no estado do Rio de Janeiro, para em seguida alertar
sobre a importância que representa para alguns municípios e para o
estado de maneira geral, destacando que tais práticas muitas vezes
surgem de potencialidades até então pouco exploradas em
características peculiares a cada município (Gomes, 2010).
É na década de 1960 que tem início o ordenamento territorial a
partir do turismo no estado do Rio de Janeiro, visto que neste
período começa a haver uma preocupação institucional em relação à atividade, com a criação do Instituto Brasileiro de Turismo (atual
Embratur), em nível nacional, e da Companhia de Turismo do
Estado do Rio de Janeiro (Flumitur), segundo Fratucci (2005). Já
nos anos 1970, começa a ser mais evidente o processo de
interiorização da atividade, muito em virtude da fusão dos estados
da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975, o que ocasionou a
transferência da sede da Flumitur de Niterói para o Rio de Janeiro,
passando a desenvolver ações que tinham como foco principal o
interior, visto que o turismo da capital era gerido pela Riotur
(Fratucci, 2005).
Buscando evidenciar tal preocupação dos agentes públicos no
desenvolvimento turístico do interior, selecionamos a definição de
Cabo Frio como centro turístico nacional, de acordo com a
Embratur, na década de 1980. Nessa mesma década, foi
desenvolvido o Plano Indutor de Investimentos Turísticos na Região
dos Lagos, do governo do estado do Rio de Janeiro, com apoio do
governo da Catalunha. Fratucci (2005, p. 91) tece considerações a
respeito das razões para a elaboração e os objetivos do plano.
A justificativa para a elaboração desse plano estava calcada em um
diagnóstico do turismo brasileiro da época, que apontava para o fato de,
apesar da forte demanda potencial (nacional e internacional) existente, o Rio
de Janeiro não oferecer um produto turístico coerente e compatível com as
exigências do mercado. Segundo relatórios da época, esse desajuste era
causado pela ausência de uma política de turismo específica para um
segmento de mercado, o que demonstrava a ausência de um produto
turístico altamente qualificado e competitivo internacionalmente. A escolha
da Região dos Lagos do Rio de Janeiro baseou-se na sua proximidade com
a cidade do Rio de Janeiro e com o Aeroporto Internacional (média de 60
km); nas características fisiográficas locais: grande extensão do litoral, clima
tropical, baixo índice pluviométrico e inverno com temperaturas médias em
torno de 20ºC; na sua topografia ideal para implantação de campos de golfe
e, nas características culturais dos seus centros urbanos.
À época, foram elaboradas diversas propostas para a aplicação
do plano, porém uma série de dificuldades políticas o inviabilizaram,
como alterações nas legislações municipais quanto ao uso do solo,
a ausência de recursos financeiros suficientes e a eleição estadual,
que colocou no poder um novo governo (Fratucci, 2005).
Silva (2008, p. 272) ressalta os resultados obtidos recentemente
pelos municípios do Rio de Janeiro que têm o turismo como
principal atividade, pois “há algum tempo podem ser relacionados
entre os que apresentam as maiores taxas de crescimento, o que,
de maneira geral, só confirma uma tendência mundial nesse
sentido”. Porém, há nesse estado uma variedade considerável de
tipologias relacionadas ao turismo, o que contribui decisivamente
para o crescente número de visitantes, visto que há opções para os
mais variados públicos.
Cumpre fazer referência que, além das políticas na escala
nacional e estadual, não podemos deixar de mencionar as
respectivas Secretarias Municipais de Turismo ou órgãos similares.
Essas secretarias desenvolvem políticas específicas com relação
aos atrativos e atividades que conferem singularidades aos
municípios turísticos, incentivando, por meio do marketing,
calendários e folders, a promoção da atividade em tela. Podemos
exemplificar, na Região das Baixadas Litorâneas, o município de
Armação dos Búzios, que procura difundir uma imagem relacionada
aos aspectos da natureza, especialmente os ambientes de praia.
Outro exemplo é a Costa Verde, que difunde uma imagem de
paraíso em seus prospectos como uma forma de “vender” esse
trecho do litoral sul fluminense com suas belezas naturais.
Para inserir uma discussão a respeito das tipologias da atividade
turística no estado do Rio de Janeiro, cabe recorrer a Ribeiro (2003),
que destaca três fatores que acabam condicionando o
desenvolvimento dessa atividade nos municípios fluminenses, que
seriam suas características físicas ou naturais, os elementos
culturais formados a partir da história e a atuação fundamental dos
transportes, alicerçado nas rodovias, como já abordado na primeira
parte deste capítulo.
Tratando diretamente dos modelos desenvolvidos em território
fluminense, serão utilizadas como referências as tipologias
indicadas por Ribeiro (2003) e as classificações de áreas turísticas
do estado do Rio de Janeiro, segundo o Núcleo de Estudos de
Geografia Fluminense (NEGEF, 2010).
Ribeiro (2003) utiliza o Guia Quatro Rodas da Editora Abril (1999)
para fundamentar sua argumentação a respeito das localidades classificadas como de função turística, utilizando ainda, para a
elaboração da tipologia, outros dois elementos, a saber: as atrações
e os diferentes tipos de hospedagem. Após considerar tais fatores, o
autor elaborou a tipologia a partir de cinco grandes tipos,
acrescendo ainda as localidades de apoio. Os tipos seriam: 1 -
Litorânea; 2 - Histórica/Rural; 3 - Rural/Ecológica/Aventura; 4 -
Estância/Rural; e 5 - Cultural/Rural. Cabe ainda ressaltar que os
tipos 1 e 3 apresentam subtipos (quadro 1). Essa tipologia, apesar
de ser do final do século XX e, por isso, precisar de novos ajustes,
ainda tem validade.
Quadro 1: Tipologia das funções turísticas no estado do Rio de
Janeiro
TIPOS (FUNÇÕES) SUB-TIPOS
1- Litorânea 1.1- Diversificada
1.2- Praia-Náutica/Rural
1.3- Praia-Náutica
1.4- Praia-Náutica/Histórica
2- Histórica/Rural
3- 3.1- Diversificada
Rural/Ecológica/Aventura 3.2- Rural
3.3-
Rural/Ecológica/Aventura
4- Estância/Rural
5- Cultural/Rural
6- Apoio ao Turismo
Fonte: Guia Quatro Rodas, Brasil. São Paulo: Editora Abril, 1999.
Elaborado por RIBEIRO, Miguel Angelo, 2000-2001.
O Ministério do Turismo (2015), por sua vez, categorizou os
municípios fluminenses de acordo com o desempenho econômico
de cada um destes no setor, classificando-os de “A” a “E”. Por meio
do quadro 2, procuramos destacar aqueles que apresentaram resultados mais expressivos, evidenciando a consolidação do
turismo como importante atividade econômica.
Quadro 2: Municípios do estado do Rio de Janeiro inseridos na
categoria “A” na categorização turística do Brasil1
Município Região Turística
Angra dos Reis Costa Verde
Armação dos Búzios Costa do Sol
Cabo Frio Costa do Sol
Paraty Costa Verde
Rio de Janeiro Metropolitana
Fonte: Ministério do Turismo, 2015. Elaborado por Nunes (2016).
A partir do quadro 2, Costa (2010, p. 82) afirma algo já
diagnosticado, que a sociedade atual tem nos ambientes naturais os
principais polos de atração turística. Prossegue analisando
especificamente a praia, visto que, segundo ele, esta
é potencialmente turística por dois motivos básicos: a segurança que esse
ambiente confere, com suas reentrâncias e o seu imenso e belo horizonte,
que suscita nos seres humanos o sentimento de aventura. Importante
ressaltar que a praia também permite uma fusão entre atividades
econômicas e recreativas, portanto constitui também um ambiente de fixação
populacional.
Após a apresentação das funções turísticas e da categorização
dos municípios do estado, no próximo segmento discutiremos o
turismo a partir de municípios específicos, evidenciando aspectos
relacionados à inserção da atividade e do cenário verificado
atualmente.
O papel do turismo nos municípios de
Angra dos Reis, Paraty, Armação dos
Búzios, Cabo Frio e Rio de Janeiro2
Buscando finalizar este capítulo sobre a dimensão espacial da
atividade turística no estado do Rio de Janeiro, abordaremos a
temática a partir dos municípios inseridos na categoria A da
classificação do Ministério do Turismo, visto que estes são os de
maior destaque na escala nacional, conforme variáveis indicadas na
nota de rodapé 1 deste capítulo.
No caso de Angra dos Reis, destacamos o processo de ocupação
do território que atualmente delimita o município, extremamente
vinculado ao processo de colonização do país, com a chegada dos
portugueses em seu litoral, em um primeiro momento, e posterior
ocupação do interior. Em virtude das condições propiciadas pelo
sítio, a denominada Baía da Ilha Grande exerceu importante função
portuária para escoamento de ouro vindo de Minas Gerais.
Posteriormente, o município teve na produção cafeeira sua principal
atividade econômica.
No final dos anos 1970, Angra dos Reis foi escolhida como sede
de importantes projetos, como ressalta Corrêa (2010),
exemplificados o estaleiro Verolme e as Usinas Nucleares Angra I e
II, contrastando com a atividade turística, empreendimento que
proporcionou a chegada de fluxos cada vez maiores ao município da
Costa Verde fluminense, com a construção da Rodovia Rio-Santos
na referida década.
Tratando dos elementos angrenses atrativos aos turistas, Corrêa
(2010, p. 118) aponta que
Angra dos Reis é internacionalmente conhecida por seus recursos naturais,
como as 365 ilhas e as duas mil praias exaustivamente mencionadas em
sites e panfletos encontrados em estabelecimentos turísticos do município e
de outras localidades. A condição atribuída de paraíso natural, assim como a
ideia construída acerca de sua vocação turística se apresentam como alguns
dos argumentos que impulsionam o setor de turismo na localidade.
Para além do distrito sede, destaca-se também o distrito de Ilha
Grande. Nas palavras de Costa (2012, p. 104),
o turismo se aproveita da beleza cênica da Ilha Grande para permanecer,
ainda hoje, como principal atividade econômica deste distrito fluminense. A
Ilha Grande segue a orientação turística do seu município de origem, Angra
dos Reis, que é pautada na concretização do ambiente náutico.
Entretanto, é necessário ressaltar o caráter segregador do
turismo, nesse caso, visto que é possível observar o
desenvolvimento da atividade em áreas específicas da ilha, com a
desvalorização de áreas outrora importantes economicamente,
como aquelas ocupadas por população caiçara (Costa, 2012).
Na mesma região de governo, a Costa Verde, está situado o
município de Paraty. O caso desse município reflete o cenário
verificado em diversos outros no Brasil onde o turismo apresenta-se
como responsável por transformações espaciais que afetam
significativamente a sociedade.
Paraty, assim como Angra dos Reis, no século XVII, serviu como
entreposto para escoamento aurífero, posteriormente exerceu a
mesma função para a produção cafeeira. Após tais atividades
econômicas, o município retornou, no fim do século XX, ao grande
circuito da economia brasileira por meio do turismo, conforme
destaca Silva (2008). Ainda segundo esse autor, a atividade
ocasionou inúmeras transformações no município, notadamente no
que tange à especialização de serviços, restaurantes e pensões.
A primeira leva de turistas em Paraty era composta pelos
chamados hippies, que praticavam o chamado turismo “mochileiro”,
caracterizado por acampamentos ou hospedagens de baixo custo.
Porém, Silva (2008) afirma que a dimensão do turismo nesse
município da Costa Verde é alterada na década de 1970, com a
chegada da classe média a Paraty, facilitada pela abertura da
Rodovia Rio-Santos.
Atualmente, a Secretaria de Turismo de Paraty aponta um
calendário anual bastante diversificado (figura 1) para atender
diferentes segmentos de visitantes, destacando-se como ponto alto
a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), que ocorre no mês
de julho, e o Festival da Cachaça, Cultura e Sabores de Paraty.
Figura 1: Calendário anual de eventos de Paraty
Fonte: Secretaria de Turismo de Paraty, 2018.
Para concluir a abordagem acerca de Paraty, é fundamental
regressar à década de 1950, quando seu conjunto histórico foi
tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
A beleza arquitetônica característica do Brasil colonial atrai até os
dias atuais importantes fluxos turísticos, além de seus parques,
reservas ecológicas e praias.
Quanto a Armação dos Búzios, esta possui história mais recente
como município emancipado, mas o processo de ocupação de seu
território é extremamente antigo, visto que, antes da chegada dos
portugueses, já habitavam seu território tribos indígenas. Após a
inserção portuguesa, o atual município de Armação dos Búzios
verificou uma exploração econômica vinculada à atividade do pau-
brasil. Posteriormente, o século XVIII foi marcado pela pesca de
baleias na sua enseada, prática que perduraria até 1767, quando a
presença do animal já era rara.
No que diz respeito ao turismo, o município é conhecido
internacionalmente, tendo a década de 1960 como marco inicial do
início do desenvolvimento mais destacado da atividade turística, em
razão da presença da atriz francesa Brigitte Bardot na então vila de
pescadores ainda pertencente ao município de Cabo Frio (Nunes,
2017).
Atualmente, a atividade é a de maior destaque na economia
desse município localizado nas Baixadas Litorâneas, sendo
valorizadas pelos turistas, especialmente, suas praias, diretamente
responsáveis pela sua classificação na categoria A do Ministério do
Turismo, confirmando a relevância da atividade para sua economia,
bem como a expressividade municipal não apenas nos contextos
regional e estadual, mas também em âmbito nacional.
Com base no trabalho de campo realizado no ano de 2016, foi
possível verificar uma busca pela manutenção do perfil turístico
municipal, por meio da atuação dos agentes promotores, sejam eles
oriundos do setor público ou da esfera privada. Há uma tentativa de
romantizar os atrativos/paisagens do município, pela associação
entre linguagem e imagem na criação de representações que
cativem o observador. Frases como “a natureza convida você e sua
família para um encontro inesquecível” e “desfrute dos pequenos
paraísos iluminados pelo sol e bordados pelo mar” são
acompanhadas de imagens fotográficas diversas, mas onde
predominam as relacionadas aos ambientes de praia (figura 2).
Figura 2: Material publicitário referente a Armação dos Búzios
Fonte: Secretaria de Turismo de Armação dos Búzios, s/d.
No caso de Cabo Frio, cabe destacar que, desse município,
emanciparam-se diversos outros que compõem a Região de
Governo das Baixadas Litorâneas, na qual exerce um papel de
centralidade que perdura até os dias atuais. Sobre a região, esta
observou, a partir da década de 1970, um incremento econômico e
populacional em razão especialmente da melhoria das condições de
acesso a partir da Região Metropolitana. Na década de 1990,
emergiu ainda o setor petrolífero, com destacada influência na
região, visto que quatro de seus municípios (Armação dos Búzios,
Cabo Frio, Casimiro de Abreu e Rio das Ostras) estão na
denominada Zona de Produção Principal (Nunes, 2015).
Barcellos (2016) afirma que o desenvolvimento econômico de
Cabo Frio ocorreu historicamente a partir de recursos oriundos da
pesca e da produção salineira, havendo uma modificação desse
cenário a partir da fusão entre os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975, pois foram criados planos de integração para o
território fluminense, incluindo eixos rodoviários que articulassem o
recém-criado estado do Rio de Janeiro. Com essas novas condições
de acesso e incentivos econômicos diversos, “o turismo torna-se
atividade marcante” (Barcellos, 2016, p. 28).
De acordo com a Secretaria de Turismo, no ano de 2016, o
número de turistas que chegaram a Cabo Frio, na chamada alta
temporada, ultrapassou 800 mil pessoas, o que representa cerca de
quatro vezes o tamanho da população local. O município é ainda
importante exemplo para a análise do fenômeno da segunda
residência em território fluminense, pois, de acordo com o IBGE
(2010), 33% dos domicílios desse município eram de uso ocasional.
Em relação à capital fluminense, a cidade do Rio de Janeiro,
verificamos que, nas últimas décadas, há uma preocupação
crescente com a valorização e a criação de elementos a serem
vendidos externamente, pautando a atuação do poder público
especialmente na reestruturação urbana, que se apoia nos
megaeventos esportivos sediados pela cidade. Barre (2013, p. 46)
entende que
os megaeventos seriam então o pretexto para repensar, planejar e executar
uma transformação profunda da cidade do Rio, a fim de urgentemente fazer
dela uma cidade ‘de fluxos’, ‘global’, ‘cosmopólita’, ‘inteligente’, ‘criativa’,
‘tecnológica’, ‘festiva’, ‘sede’ (host city), e talvez, sobretudo, afinal, ‘(ainda
mais) atrativa’.
Entre os anos de 2007 e 2016, o Rio de Janeiro sediou três dos
principais eventos esportivos mundiais, os Jogos Pan-Americanos, a
Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas de verão, que
ocasionaram a criação de variados fixos ligados ao esporte no
espaço urbano carioca, como o Estádio Olímpico João Havelange
(posteriormente renomeado para Estádio Olímpico Nilton Santos), o
Parque Aquático Maria Lenk, a Arena Multiuso, o Complexo
esportivo de Deodoro, diversas instalações que compõem o Parque
Olímpico, entre outros, além de intervenções sobre a aparência de
elementos que fazem parte da paisagem carioca há décadas, como
as reformas pelas quais passou o estádio do Maracanã. Cumpre
fazer referência que muitos desses empreendimentos estão abandonados e sem utilização, principalmente aqueles localizados
na Zona Oeste carioca, mais precisamente, na Barra da Tijuca,
bairro que teve instalações importantes para os Jogos Pan-
Americanos de 2007 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Associados a outros elementos, como a predisposição do quadro
natural, os elementos históricos e a evolução dos transportes, a
cidade do Rio de Janeiro constitui-se como um dos principais
destinos brasileiros, segundo classificação do Ministério do Turismo
(2015), que a inclui na categoria A, juntamente com outros
cinquenta municípios brasileiros. Ribeiro (2003), ao desenvolver a
tipologia das localidades com atividades turísticas e de apoio, insere
a capital fluminense no tipo (função) litorânea e subtipo
diversificada, caracterizada por englobar diversas modalidades de
turismo. Essas duas categorizações evidenciam, portanto, a
variedade da oferta e a importância adquirida pela atividade turística
para a economia carioca ao longo do período selecionado.
Fratucci (2005) apresenta tentativas de desenvolvimento do
turismo, sendo válido ressaltar algumas das que inserem a cidade
do Rio de Janeiro em seu recorte, como o Projeto Turis (1973-75); a
identificação do espaço turístico estadual (1979-81), proposta
realizada pela Embratur e desenvolvida no estado do Rio de Janeiro
pela Flumitur; a Campanha Cidades Maravilhosas do Estado do Rio
de Janeiro (1988-90), estabelecida pela TurisRio; o Plano Diretor de
desenvolvimento de polos de turismo náutico (1988-90); o Plano
Diretor de Turismo do estado do Rio de Janeiro (1997-2001). Mais
recentemente, verificamos a proposição de campanhas como “Rio
de Janeiro a Janeiro”, realizada mediante a parceria entre a
prefeitura municipal, o Governo Federal e empresários, tendo como
foco o aumento do fluxo de turistas por meio da exposição do
potencial turístico da cidade.
As iniciativas apresentadas constituem algumas das propostas
estabelecidas pelo poder público para a gestão do turismo,
pautando-se muitas vezes em recortes espaciais amplos, mas que
incluem a cidade Rio de Janeiro.
A partir do que foi exposto, procuramos evidenciar algumas
práticas e localidades privilegiadas pelos fluxos turísticos em
território fluminense, cabendo ressaltar, entretanto, que há diversos outros municípios e tipologias de imensa representatividade para a
atividade no contexto estadual, mesmo que não classificadas como
de nível A pelo Ministério do Turismo.
Arremates
O território fluminense tem nas atividades de lazer importante
fator no que diz respeito a seu desenvolvimento social e econômico,
notadamente quando tratamos das atividades relacionadas ao
turismo, sendo o referido recorte espacial uma das unidades
federadas de maior importância para a promoção do Brasil como
destino de visitantes nacionais e estrangeiros.
Pudemos constatar a relevância de elementos, como a história
dos municípios e as atividades econômicas neles desenvolvidas, a
melhor acessibilidade ao interior, especialmente por meio da
construção e melhorias de rodovias que ligam a metrópole ao
interior, a partir da década de 1970, e o elemento físico/ natural,
imensamente valorizado por agentes promotores e consumidores do
turismo, quando tratamos do recorte espacial em tela.
Apesar da representatividade da capital estadual, exacerbada
após a realização de megaeventos esportivos neste século XXI,
também identificamos diversos municípios do interior que
conseguiram usufruir de suas possibilidades turísticas, como são os
casos de Armação dos Búzios, Cabo Frio, Paraty e Angra dos Reis.
Estes, de acordo com o Ministério do Turismo, são aqueles nos
quais o turismo apresenta maior grau de desenvolvimento no
estado, estando entre os cinquenta no país que se encaixam nas
especificações necessárias para compor a categoria A da
classificação já indicada.
Mas, mesmo tratando de uma atividade que traz divisas em nível
estadual e municipal, os órgãos competentes em diferentes
instâncias poderiam elaborar políticas mais eficientes, que
permitissem a inclusão de maior parte da população local,
oferecesse incentivo educacional e qualificação da mão de obra e
promovesse infraestrutura e empreendimentos mais adequados e
com melhor localização, não copiando modelos de países e cidades centrais (caso de modelos europeus), que muitas vezes não se
adequam às realidades locais, excluindo a população. Tais questões
ficam para discussão em outra oportunidade.
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