Louca para Casar
Capítulo Oito
Eles foram a um antigo bar na Fleet Street, onde havia escadas sinuosas, muita madeira escura e pequenos reservados. Rupert comprou uma garrafa de vinho e duas porções de pão com queijo e levou-as até uma pequena mesa em um canto. Logo depois, sentou-se pesadamente, bebeu um gole de vinho e recostou-se na cadeira. Milly não tirava os olhos dele. Sua raiva cedera um pouco, e agora ela conseguia examiná-lo com calma. Percebeu que havia algo errado. Ele continuava bonito, ainda chamava atenção, mas seu rosto estava mais rosado e carnudo do que na época em que estudava em Oxford. A mão dele tremeu quando pousou o copo na mesa. Há dez anos, ela pensou, Rupert era um jovem belo e radiante. Agora parecia um homem de meia-idade. E quando ela olhou bem nos olhos dele, percebeu uma infelicidade sedimentada, permanente.
— Vou ter que ser breve — disse ele. — Estou muito ocupado. Então, o que exatamente você quer que eu faça?
— Você não parece bem, Rupert — observou Milly, francamente. — Você é feliz?
— Sou muito feliz. Obrigado. — Ele bebeu um enorme gole de vinho, praticamente esvaziando a taça, e Milly arqueou as sobrancelhas.
— Tem certeza?
— Milly, estamos aqui para falar de você — disse Rupert, impaciente. — Não de mim. Qual é o seu problema?
Milly olhou para ele por um momento, em seguida recostou-se na cadeira.
— O meu problema — começou ela devagar, como se analisasse a situação. — O meu problema é que vou me casar no sábado com um homem que amo muito. Minha mãe organizou o casamento mais grandioso do mundo; uma cerimônia linda, romântica e perfeita em cada detalhe, exceto em um. — Ela lançou-lhe um olhar afiado como um punhal. Ainda estou casada com seu amigo Allan Kepinski.
Rupert estremeceu.
— Não entendo. Por que você não pediu o divórcio?
— Pergunte a Allan! Ele é quem deveria ter feito isso.
— E não fez?
— Ele chegou a dar entrada no processo. Eu recebi alguns papéis pelo correio, assinei o canhoto e enviei de volta. Mas não soube de mais nada.
— E você nunca procurou se inteirar disso?
— Ninguém sabia de nada — explicou Milly. — Ninguém nunca perguntou nada. Não parecia ser importante.
— O fato de estar casada não parecia importante? — perguntou Rupert, incrédulo. Milly olhou para ele e percebeu sua expressão.
— Não comece a me responsabilizar! Isso não é culpa minha!
— Você deixa para correr atrás do seu divórcio apenas alguns dias antes do seu casamento e diz que a culpa não é sua?
— Não pensei que tivesse que correr atrás disso — retrucou Milly, furiosa. — Tudo estava indo bem. Ninguém sabia de nada! Ninguém suspeitava de nada!
— Então, o que aconteceu? — perguntou Rupert. Milly pegou a taça de vinho e a segurou com ambas as mãos.
— Agora há uma pessoa que sabe. Alguém nos viu em Oxford. E está ameaçando contar tudo.
— Entendi.
— Não se atreva a me olhar desse jeito — disse Milly, indignada. — Tudo bem, eu sei que devia ter feito algo. Mas Allan também. Ele disse que resolveria tudo e eu confiei nele! Confiei em vocês dois. Pensei que vocês fossem meus amigos.
— E éramos — disse Rupert, após uma pausa.
— Mentira! — gritou Milly, começando a enrubescer. — Vocês eram uma dupla de aproveitadores. Apenas me usaram para o que interessava a vocês e depois, assim que eu saí de Oxford, me esqueceram. Nunca escreveram, nem telefonaram. — Ela bateu com a taça na mesa. — Você recebeu minhas cartas?
— Sim — respondeu Rupert, passando a mão pelos cabelos. — Desculpe. Eu devia ter respondido. Mas... foi uma época difícil.
— Pelo menos Allan escreveu. Mas você não quis se dar ao trabalho, e eu continuei acreditando em vocês. — Ela balançou a cabeça. — Ah, Deus, como eu era tola.
— Éramos todos tolos — completou Rupert. — Olha, Milly, sei que não adianta nada, mas quero dizer que sinto muito. Do fundo do coração, eu preferia que nada daquilotivesse acontecido. Jamais!
Milly o fitou. Ele movia os olhos rapidamente, e uma mecha de seu cabelo louro caia sabre a testa.
— Rupert, o que está acontecendo? Que história é essa de você estar casado?
— Estou casado — disse Rupert, dando de ombros. — Isso é tudo.
— Mas você era gay. E era apaixonado por Allan.
— Não era, não. Eu estava confuso. Estava... foi um erro.
— Mas vocês formavam um par perfeito!
— Não é verdade! — vociferou Rupert. — Estava tudo errado. Você não consegue aceitar isso?
— Bem, claro que consigo. — Mas é que vocês pareciam se dar tão bem. — Ela hesitou. — Quando você se deu conta?
— Me dei conta de quê?
— De que era hétero?
— Olha, eu não quero falar sabre isso, está bem? — pediu Rupert. Ele pegou sua taça com a mão trêmula e bebeu um gole de vinho.
Milly recostou-se novamente na cadeira. Distraidamente, olhou ao redor: à esquerda, na áspera parede de gesso, havia o desenho de um jogo da velha incompleto, feito a lápis. "Uma partida destinada a terminar em um impasse”, pensou.
— Você mudou muito, sabia? — disse Rupert abruptamente. — Amadureceu. Eu não a teria reconhecido.
— Estou dez anos mais velha — lembrou Milly.
— Não é só isso. É... Não sei. — Ele fez um gesto vago. — Seu cabelo. Sua roupa. Eu não podia imaginar que estaria tão diferente.
— Diferente como? — perguntou Milly, insegura. — O que há de errado comigo?
— Nada! Você apenas parece mais... elegante do que eu teria imaginado. Mais refinada.
— Bem, eu sou assim agora. — Milly lançou-lhe um olhar crítico. — Todos têm o direito de mudar, Rupert.
— Eu sei — assentiu Rupert, ruborizando. — E você está... ótima. — Ele inclinou-se para a frente. — Fale sabre o rapaz com quem você vai se casar.
— Ele se chama Simon Pinnacle — disse Milly, percebendo a mudança na expressão de Rupert.
— Não tem nada ver com...
— É filho dele — completou Milly. Rupert ficou abismado.
— Sério? O filho de Harry Pinnacle?
— Sério. — Ela deu um meio sorriso. — Eu não falei que era o casamento do século?
— E ninguém sabe de nada?
— Ninguém.
Rupert suspirou. Depois, tirou do bolso um pequeno caderno de couro preto e uma caneta.
— Bem, diga-me exatamente até que ponto chegou o processo do divórcio.
— Não sei. Conforme falei antes, eu recebi alguns papéis pelo correio, assinei e devolvi.
— E o que eram exatamente esses papéis?
— Como é que vou saber? — perguntou Milly, exasperada. — Você seria capaz de diferenciar um documento de outro?
— Eu sou advogado. Mas entendo o que você quer dizer.
— Ele guardou o caderno e olhou para ela. — Você precisa falar com Allan.
— Eu sei! Mas não faço ideia de onde ele está. Você sabe? Uma expressão de sofrimento surgiu no semblante Rupert.
— Não — respondeu ele imediatamente. — Não sei.
— Mas tem como descobrir?
Rupert permaneceu em silêncio e Milly o fitou, ansiosa.
— Rupert, você tem que me ajudar! Você é o único elo entre mim e ele. Para onde ele foi depois que saiu de Oxford?
— Manchester.
— Por que ele saiu de Oxford? Ele foi dispensado da universidade?
— Claro que não. — Rupert bebeu um gole de vinho. — Não foi esse o motivo.
— Então por que...
— Porque nos separamos — completou Rupert, com a voz irregular. — Ele foi embora porque nós nos separamos.
Milly ficou surpresa.
— Sinto muito. — Ela passou o dedo na borda da taça. Foi quando você percebeu que não era... que você era... — Não conseguiu completar a frase.
— Sim — disse Rupert, olhando a própria taça.
— E quando foi isso?
— No final daquele verão — respondeu ele em tom baixo. — Setembro. Milly o fitou, incrédula, com o coração acelerado.
— O mesmo verão em que eu conheci vocês? O verão em que eu e Allan nos casamos?
— Exatamente.
— Você está dizendo que, dois meses depois que me casei com Allan, vocês se separaram?
— Isso. — Rupert olhou para ela. — Mas eu prefiro...
— Quer dizer que só ficaram juntos por dois meses? — gritou Milly, angustiada. — Eu prejudiquei a minha vida para vocês ficarem juntos dois meses? — O tom de sua voz aumentava a cada palavra. — Dois meses?
— Sim!
— Vá se foder! — Furiosa, Milly jogou o vinho bem na cara dele. — Vá se foder — disse novamente, trêmula, olhando o líquido vermelho escorrer feito sangue pelo rosto ofegante de Rupert, sujando sua bela camisa. — Eu infringi a lei para ajudar vocês! E agora estou presa a um marido que não quero para mim! Tudo para vocês terminarem dois meses depois!
Durante um longo tempo os dois ficaram em silêncio. Rupert permaneceu imóvel, fitando Milly através de uma máscara de líquido vermelho.
— Você tem razão — disse, finalmente. Ele parecia arrasado. — Eu fiz merda. Fodi a sua vida, fodi a minha vida. E Allan...
Milly pigarreou, constrangida.
— Por acaso ele...
— Ele me amava — completou Rupert, como se pensasse em voz alta. — Foi isso que não percebi: ele me amava.
— Rupert, desculpe — disse Milly, sentindo-se envergonhada. — Por ter jogado vinho em você. E... por tudo.
— Não peça desculpas — retrucou ele com veemência. — Não peça desculpas. Milly, eu vou encontrar Allan para você e esclarecer tudo a respeito do seu divórcio. Mas não posso fazer isso até sábado. É humanamente impossível.
— Claro.
— E o que você vai fazer?
Houve um longo silêncio.
— Não sei — respondeu Milly, finalmente. Ela fechou os olhos e massageou a testa. — Não posso cancelar o casamento agora. Simplesmente não posso fazer isso com a minha mãe. Com ninguém.
— Então vai seguir em frente? — perguntou Rupert, incrédulo. Milly deu de ombros. — Mas e o tal fulano que está ameaçando contar tudo?
— Eu... vou mantê-lo calado. De alguma forma.
— Você tem consciência — disse Rupert, abaixando o tom de voz — de que está prestes a cometer bigamia? Você estaria fazendo algo ilegal.
— Obrigada pelo aviso — disse Milly em tom sarcástico. — Mas já fiz isso antes, lembra? — Por um memento, ela o fitou em silêncio. — O que você acha? Será que vou conseguir me safar?
— Espero que sim. Você pretende mesmo fazer isso?
— Não sei. Realmente não sei.
ALGUM TEMPO DEPOIS DE beberem o vinho, Rupert se levantou e foi até o balcão, de onde trouxe duas xícaras de café preto, de gosto horrível. Quando voltou, Milly olhou para ele. Seu rosto estava limpo, mas a camisa e o paletó ainda estavam sujos de vinho.
— Você não vai ter como voltar ao trabalho hoje — observou ela.
— Eu sei. Não importa. Não tenho nada pendente no escritório. — Rupert entregou a xícara de café a Milly e sentou-se. Durante algum tempo, ambos permaneceram em silêncio.
— Rupert? — disse Milly.
— Sim?
— Sua esposa sabe? Sobre você e Allan?
Rupert olhou para ela com os olhos injetados.
— O que você acha?
— Por que não contou? — perguntou Milly. — Você acha que ela não entenderia?
Rupert deu uma risada.
— Isso é subestimar a situação.
— Por quê? Se ela o ama...
— Você entenderia se seu noivo dissesse que já se envolveu com outro homem?
— Sim — respondeu Milly, sem convicção. — Acho que entenderia. Desde que nós tivéssemos uma conversa apropriada sobre o assunto...
— Duvido — disse Rupert, de maneira fulminante. — Agora eu posso afirmar isso. Você nem sequer tentaria entender. Nem Francesca.
— Você nem deu uma chance a ela! O que é isso, Rupert. É sua esposa! Seja franco com ela.
— Ser franco? Você está dizendo isso para mim?
— Aí é que está! — disse Milly com ar sério, inclinando-se para frente. — Eu deveria ter sido franca com Simon desde o início. Deveria ter contado a verdade. Nós poderíamos ter resolvido o problema do divórcio juntos e tudo estaria perfeito. Mas como eu não fiz isso... — Ela estendeu as mãos sobre a mesa. — Como eu não fiz isso, acabei numa enrascada. — Ela fez uma pausa e tomou um gole do café. — O que estou querendo dizer é que se eu tivesse a oportunidade de voltar atrás e contar tudo a ele, eu o faria, sem pestanejar. E você tem essa chance, Rupert! Você tem a possibilidade de falar a verdade a Francesca, antes... antes que tudo comece a dar errado.
— É diferente — argumentou Rupert, de modo inflexível.
— Não é não. É apenas outro segredo. Todos os segredos são revelados um dia. Se você não contar, ela vai descobrir de alguma outra forma.
— Isso não vai acontecer.
— Pode acontecer! — afirmou Milly incisivamente. — Facilmente! E você quer arriscar? Conte a ela, Rupert! Conte tudo.
— Contar o quê?
Uma voz feminina ecoou atrás de Milly como o som de uma chicotada, e ela pulou de susto. De pé, ao lado da mesa estava uma bela moça de cabelos ruivos vestida de maneira formal. Ao lado dela, estava o amigo de Rupert, Tom.
— Contar o quê? — repetiu a mulher em um tom de voz mais alto, olhando para Rupert e Milly. — Rupert, o que aconteceu com você?
— Francesca — disse Rupert, trêmulo — , não se preocupe é apenas vinho.
— Oi, Rupe! — disse Tom, descontraidamente. — Eu tinha certeza de que o encontraríamos aqui.
— Então, está é Milly — disse a mulher, lançando um olhar penetrante ao marido. — Tom me contou que você tinha encontrado uma velha amiga, Milly de Oxford. — Ela deu um riso estranho. — O mais engraçado é que você tinha dito que não queria falar com a Milly de Oxford. Inclusive me pediu para ignorar os recados dela. Disse que ela era maluca.
— Maluca? — perguntou Milly, indignada.
— Eu não queria falar com ela! — disse Rupert. — E ainda não quero. — Ele olhou para Milly com uma expressão desesperada.
— Olha, acho melhor eu ir embora. — Milly se levantou apressadamente e apanhou a bolsa. — Prazer em conhecê-la — disse, dirigindo-se a Francesca.
— Sinceramente, sou apenas uma velha amiga.
— Jura? — O tom de voz de Francesa era sarcástico. Em seguida, ela olhou para Rupert.-— Então, o que você tem para me contar?
— Adeus, Rupert — disse Milly. — Adeus, Francesca.
— O que você tem para me contar, Rupert? O que é? — Ela se virou para Milly. — E você fica!
— Tenho que pegar o trem — justificou Milly. — Juro, preciso ir. Desculpe!
Evitando o olhar de Rupert, Milly atravessou o bar rapidamente. Ao chegar à rua, percebeu que deixara o isqueiro na mesa. Um pequeno castigo por ter fugido.
ISOBEL ESTAVA NA COZINHA, no número 1 da Bertram Street, costurando um laço azul sobre uma liga de renda. Olivia estava sentada a sua frente, fazendo um laço com a seda cor-de-rosa. De vez em quando, ela olhava para Isobel com uma expressão insatisfeita. Por fim, pousou o trabalho na mesa e se levantou para encher a chaleira.
— Como vai Paul? — perguntou, em tom alegre.
— Quem? — indagou Isobel.
— Paul! O médico. Você ainda esta saindo com ele?
— Ah, Paul — disse Isobel com uma careta — Não o vejo há meses. Só saí com ele algumas vezes.
— Que pena. Ele era tão gentil. E muito bonito.
— Ele era legal. Mas não deu certo.
— É uma pena.
— Não. Fui eu que terminei.
— Mas por quê? — perguntou Olivia, irritada. — O que havia de errado com ele?
— Se você quer saber, ele estava ficando um bocado esquisito.
— Esquisito? — indagou Olivia com ar suspeito. — Como assim?
— Esquisito — repetiu Isobel.
— Maluco?
— Não! Não chegava a ser maluco. Esquisito! Sério, mãe é melhor deixar para lá.
— Eu o achei bem simpático — disse Olivia, vertendo água fervente no bule de chá. — Um jovem muito simpático.
Isobel não argumentou, mas sua agulha entrava e saía do tecido de forma brusca.
— Eu vi Brenda White outro dia — disse Olivia, como se pretendesse mudar de assunto. — A filha dela vai se casar em junho.
— É mesmo? — Isobel olhou para a mãe. — Ela ainda está trabalhando na Shell?
— Não sei — respondeu Olivia, impaciente. Então sorriu e acrescentou:
— O que eu ia dizer é que ela conheceu o rapaz em um jantar oferecido pela empresa a jovens profissionais em um restaurante elegante de Londres. Eles fazem isso todo ano. Ao que parece, o lugar estava apinhado de homens interessantes.
— Imagino.
— Brenda disse que poderia conseguir o número de alguns deles, se você estiver interessada.
— Não, obrigada.
— Querida, você precisa se dar um tempo!
— Pare com isso! — gritou Isobel. Ela pousou a agulha e olhou para a mãe. — Você não está me dando um tempo! Está me tratando como se eu não tivesse nenhum objetivo na vida exceto encontrar um marido. E o meu trabalho? E os meus amigos?
— E filhos? — perguntou Olivia abruptamente.
Isobel enrubesceu.
— Eu posso ter um filho sem ter um marido — respondeu ela após uma pausa. — As pessoas fazem isso, sabia?
— Ah, agora você está falando bobagens — disse Olivia, contrariada. — Criança precisa de família. — Ela trouxe o bule até a mesa, sentou-se e abriu seu caderninho vermelho.Certo. O que mais precisa ser feito?
Imóvel, Isobel fitou o bule de chá. Ele era grande, decorado com desenhos de patinhos e vinha sendo usado desde quando ela conseguia se lembrar. Desde que ela e Milly se sentavam lado a lado, com seus vestidinhos idênticos, e comiam sanduíches.
Criança precisa de família. O que seria uma família?
— Quer saber? — disse Olivia, surpresa. — Acho que já fiz tudo por hoje. Todos os itens da minha lista foram assinalados.
— Que bom. Assim, pode tirar a noite de folga.
— Acho melhor conferir com a assistente de Harry.
— Não confira nada — retrucou Isobel em tom firme. — Você conferiu tudo um milhão de vezes. Tome uma xícara de chá e descanse.
Olivia verteu o chá, tomou um gole e suspirou.
— Nossa! — disse, reclinando-se na cadeira. — Houve momentos em que cheguei a pensar que não organizaríamos este casamento a tempo.
— Bem, agora está organizado. Portanto, você deverá passar a tarde fazendo algo diferente. Nada de folhetos de igreja, nada de colocar laços em sapatos. Algo diferente! — Ela lançou um olhar severo a Olivia e, quando o telefone tocou, ambas começaram a rir.
— Eu atendo — disse Olivia.
— Se for a Milly — recomendou Isabel rapidamente — , quero falar com ela.
— Alô, Bertram Street, número 1 — disse Olivia. Ela olhou para Isobel e fez uma careta. — Oi, cônego Lytton. Como vai? Sim... Sim... Não!
A voz da mãe mudou repentinamente e Isobel ficou atenta.
— Não. Não faço ideia do que o senhor está falando. Eu acho melhor. Até mais tarde.
Olivia desligou o telefone e olhou para Isobel, perplexa.
— Era o cônego Lytton — explicou.
— O que ele queria?
— Ele está vindo para cá. — Olivia sentou-se. — Não estou entendendo.
— O que houve? Algum problema?
— Bem, não sei! Ele disse que tinha recebido uma informação e gostaria de falar conosco.
— Informação? — repetiu Isobel, como coração disparado. — Que informação?
Não sei. — Olivia olhou para Isabel com uma expressão confusa. Algo relacionado à Milly. Ele não disse o que era.