Louca para Casar

Sophie Kinsella · Capítulo 18 de 19

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Louca para Casar

Capítulo Dezessete

CAPÍTULO DEZES S ETE

 

 

Milly só parou quando chegou ao carro de Isobel. Então, encostou-se na porta do carona e procurou um cigarro no bolso, tentando ignorar a dor no peito, tentando não pensar na expressão assustada de Simon. Fizera a coisa certa, disse a si mesma. Tinha sido franca. Finalmente, tinha sido franca.

Com as mãos trêmulas, pôs o cigarro na boca e tentou acendê-lo, mas a brisa noturna apagou a chama diversas vezes. Por fim, com um grito de frustração, ela jogou o cigarro no chão e pisou nele. Sentiu-se subitamente impotente e desamparada. Não podia entrar no carro. Não podia dirigir sem a chave. Não tinha sequer trazido o celular. Talvez Isobel a encontrasse logo.

Ela ouviu passos e teve um sobressalto ao ver Simon se aproximando rapidamente, com ar decidido.

— Simon, não perca seu tempo — disse Milly, virando-se de costas para ele. — Está tudo acabado, entendeu?

— Não, não entendi! — exclamou Simon. Ele se apoiou no carro, ofegante. — Por que você disse que nos não podemos nos casar? É por causa do que eu falei? Milly, por favor, me perdoe. Eu farei qualquer coisa para reparar o que fiz. Mas não desista de nós dois só por causa disso!

— Não tem nada a ver com isso! Sim, você me magoou. Mas eu disse que o perdoaria.

— Bem, o que é, então?

— É mais profundo. É sobre... nós dois. Você e eu como um casal, é isso. — Ela deu de ombros e começou a se afastar.

— O que há de errado com a gente como casal? — perguntou Simon, começando a segui-la. — Milly, fale comigo! Não fuja!

— Não estou fugindo! — Milly virou-se de frente para ele, — Mas não adianta falar sobre isso. Pode acreditar, simplesmente não daria certo. Portanto, vamos agir com um pouco de dignidade, está bem? Adeus, Simon.

Ela começou a se afastar depressa.

— Foda-se a dignidade! — exclamou Simon, apressando-se atrás dela. — Não vou deixar você sair da minha vida assim! Milly, eu te amo. Quero me casar com você. Você não me ama? Deixou de me amar? Se é isso, basta me dizer!

— Não é isso!

— Então, qual é o problema? — A voz dele soou como uma pancada na cabeça de Milly. — Qual é o problema?

— Tudo bem! - disse ela, parando repentinamente. — Tudo bem! — Milly fechou os olhos e, quando os abriu, olhou diretamente para Simon. — O problema é que... Não fui franca com você. Nunca.

— Eu já disse que não me importo. Por mim, você pode ter dez maridos, não faz a menor diferença!

— Não estou falando de Allan. Estou falando de todas as outras mentiras que eu contei a você. — As palavras dela ecoaram no ar noturno como uma revoada de pássaros. — Mentiras, mentiras e mais mentiras!

Simon a fitou, transtornado, e passou a mão pelo cabelo.

— Que mentiras?

— Viu? Você não tem ideia! Você não imagina quem eu realmente sou! Não conhece a verdadeira Milly Havill.

— Kepinski — corrigiu Simon.

Milly semicerrou os olhos. Em seguida, começou a se afastar.

— Desculpe — disse Simon imediatamente. — Eu não quis dizer isso! Milly, volte!

— Não adianta! Não vai dar certo. Não posso continuar com isso.

— Do que você está falando? — Simon apressou-se atrás dela.

— Não posso ser quem você pensa que eu sou! Não posso ser a sua Barbie perfeita.

— Eu não trato você como uma Barbie! — refutou Simon, ofendido. — Pelo amor de Deus! Eu trato você como uma mulher inteligente e madura!

— Exatamente! — Milly virou-se para ele. — E esse é o problema! Você me trata como uma versão pensante da Barbie. Você quer uma mulher inteligente e atraente, que usa sapatos caros e acha novelas triviais, e que sabe tudo sobre o impacto da taxa de câmbio nas importações europeias. Bem, não posso ser assim! Eu cheguei a pensar que poderia me transformar nessa mulher, mas não consigo! Simplesmente não consigo!

— O quê? — Simon parecia perplexo. — Do que você está falando?

— Simon, não posso mais atender as suas expectativas. — Lágrimas brotaram nos olhos de Milly e ela as enxugou, impaciente. — Não posso interpretar um personagem a vida, inteira. Não posso ser algo que não sou. Rupert tentou fazer isso e veja no que deu!

— Milly, não quero que você seja algo que não é. Quero que seja autêntica.

— Você não pode querer isso. Você nem sequer me conhece.

— É claro que eu a conheço!

— Não conhece — retrucou Milly, desesperada. — Simon, tenho mentido desde o nosso primeiro encontro.

— Sobre o quê?

— Sobre tudo!

— Você tem mentido sobre tudo?

— Sim.

— Sobre o quê, por exemplo?

— Tudo!

— De um exemplo.

— Tudo bem. — Milly fez uma pausa e jogou o cabelo para trás. — Eu não gosto de sushi. — Houve um silêncio constrangedor.

— É isso? — perguntou Simon finalmente. — Você não gosta de sushi?

— Claro que não é só isso. Esse não foi um bom exemplo. Eu... nunca leio jornal. Só finjo.

— E daí?

— Não entendo nada de arte moderna. E assisto aos piores programas de televisão.

— Quais? — perguntou Simon, rindo.

— Programas de que você nunca ouviu falar! Como… como Family Fortunes!

— Ah, Milly... — Simon começou a se aproximar.

— E eu... compro sapatos baratos e não mostro a você.

— E daí?

— Como assim, e daí? — perguntou ela, chorando. — Todo esse tempo tenho fingido ser alguém que não sou. Naquela festa em que nós nos conhecemos, eu realmente não sabia nada a respeito de vivisseção! Eu apenas repeti o que vi no Blue Peter!

Simon parou. Mais um longo silêncio.

— Você viu no Blue Peter — disse ele.

— Isso mesmo — assentiu Milly, aos prantos. — Foi um documentário especial.

Com um súbito rugido, Simon jogou a cabeça para trás e começou a rir.

— Não é nada engraçado! — protestou Milly, ofendida.

— É, sim! — Simon continuou rindo. — É muito engraçado!

— Não é! Todo esse tempo tenho me sentido culpada por isso. Você não entende? Tenho fingido ser madura e inteligente. Enganei você. Mas não sou inteligente. Simplesmente não sou!

Simon parou de rir de repente.

— Milly, você está falando sério?

— Claro que estou — admitiu ela, com os olhos cheios de lágrimas. — Não sou inteligente! Não sou brilhante!

— É claro que é.

— Não sou! Não como a Isobel.

— Como a Isobel? — repetiu Simon, incrédulo. Você acha que Isobel é inteligente? Você considera inteligente engravidar do namorado? — Ele arqueou as sobrancelhas e deu uma risadinha. — Isobel pode ser intelectual, mas você é a estrela mais brilhante da família.

— Você acha mesmo? — perguntou Milly com a voz manhosa.

— Acho. E ainda que não fosse, ainda que você tivesse só um neurônio, eu te amaria. Eu amo você, Milly. Não o seu QI.

— Você não pode me amar — argumentou Milly bruscamente. — Você

não...

— ... Me conhece? — completou Simon. — É claro que conheço. Milly, conhecer uma pessoa não é como conhecer uma série de fatos sobre ela. É mais como... uma sensação. — Delicadamente, ele afastou uma mecha de cabelo da testa dela. — Posso sentir quando você vai rir e quando vai chorar. Posso sentir sua bondade, seu calor e seu senso de humor. Sinto tudo isso dentro de mim. E isso é o que importa. Não sushi. Ou arte moderna. Muito menos Family Fortunes. — Ele fez uma pausa e disse, reproduzindo a voz do apresentador do programa: — "De acordo com a nossa pesquisa..."

Milly ficou boquiaberta.

— Você assiste?

— De vez em quando. — Ele sorriu. — Qual é Milly, eu também sou humano. Não sou?

Houve silêncio. À distância, um relógio soou. Milly suspirou.

— Acho que seria um bom momento para... — disse para si mesma.

— Fumar? — interrompeu Simon. Milly olhou para ele.

— Talvez.

— Viu? — Simon sorriu. — Eu não adivinhei? Isso não prova que eu conheço você?

— Talvez.

— Admita! Eu conheço você! Sei quando quer um cigarro. Deve ser amor verdadeiro. Não é?

— Talvez — repetiu Milly após um breve silêncio. — Ela tateou o bolso a procura do maço de cigarros e permitiu que Simon protegesse a chama com as mãos.

— Então — disse ele, quando ela deu o primeiro trago.

— Então — repetiu ela.

O silêncio surgiu carregado de tensão. Milly deu outra tragada sem olhar para ele.

— Eu estava pensando... — começou Simon.

— Em que?

— Se você quiser, podemos comer um a pizza. E talvez… você possa me falar um pouco a seu respeito.

— Tudo bem. — Ela deu uma baforada e sorriu. — Seria ótimo.

— Você gosta mesmo de pizza?

— Sim. Gosto.

— Você não está fingindo só para me impressionar, não é?

— Simon. Pare com isso.

— Vou pegar o carro — disse ele, procurando a chave no bolso.

— Não, espere. Vamos caminhar. Estou a fim de andar. E... conversar.

— Daqui até Bath?

— Por que não?

— São cinco quilômetros!

— Viu, isso prova que você não me conhece. Eu posso andar cinco quilômetros. Na escola, eu fazia parte da equipe de cross-country.

— Mas está muito frio!

— A gente se aquece enquanto anda. Vamos, Simon. — Ela pôs a mão em torno do braço dele. — Par favor.

— Tudo bem. — Simon guardou as chaves do carro. — Vamos caminhar.

— ELES ESTÃO INDO para o jardim — anunciou Isobel. — E juntos, mas ainda não se beijaram.

— Talvez eles não queiram uma plateia — observou Harry. — Principalmente a da irmã mais velha e curiosa.

— Eles não sabem que estou olhando! Tive todo o cuidado. Ah! Eles se foram. — Ela mordeu o lábio e acomodou-se no assento abaixo da janela. — Espero que... você sabe.

— Calma — sugeriu Harry, sentado na poltrona perto da lareira. — Tudo vai acabar bem.

Isobel o fitou. Ele tinha um pedaço de papel e uma caneta nas mãos.

— O que você está fazendo? — perguntou ela.

— Nada. — Ele dobrou o papel imediatamente.

— Mostre para mim!

— Não é nada importante. — Harry estava prestes a guardar o papel no bolso quando Isobel atravessou a sala rapidamente e o arrancou das mãos dele.

— São apenas alguns nomes que me vieram à mente — explicou Harry, nervoso, quando ela abriu a folha dobrada.

— Pensei em anotá-los.

Isobel leu a lista e começou a rir.

— Harry, você é louco! Temos sete meses para pensar nisto! — Ela olhou a lista novamente, sorrindo e fazendo caretas ao ler alguns nomes. Então, virou o papel. — E o que é isso no verso?

— Ah, isso? — disse Harry. Uma expressão ligeiramente constrangida tomou conta de seu rosto. — É para o caso de serem gêmeos.

MILLY E SIMON CAMINHAVAM lentamente pelos jardins de Pinnacle Hall em direção a um portão de ferro forjado que se abria para a estrada principal.

— Não era isso que eu deveria estar fazendo esta noite disse Milly, fitando o céu estrelado. — Esta noite eu deveria jantar tranquilamente em casa e fazer as malas para a lua de mel.

— Eu deveria estar fumando um charuto com meu pai, indeciso a respeito do casamento — disse Simon.

— E você está? Indeciso?

— Você está?

Milly não respondeu, mas continuou fitando o céu. Continuaram andando em silêncio; atravessaram o jardim, a fonte congelada e entraram no pomar.

— Olha lá. — Simon parou de repente. — O banco. Onde eu pedi você em casamento. Lembra?

Milly estremeceu.

— Sim. É claro que me lembro. Você tirou a aliança do bolso. E o champanhe estava escondido na árvore.

— Passei dias planejando tudo — confessou Simon, saudoso. Ele acariciou a árvore. — Eu queria que tudo fosse perfeito.

Milly o fitou, cerrando os punhos na lateral do corpo. Verdade, disse a si mesma com firmeza. Seja verdadeira.

— Foi perfeito demais — afirmou ela, sem rodeios.

— O quê? — Simon teve um sobressalto, e Milly sentiu uma pontada de culpa.

— Simon, desculpe. Eu não quis dizer isso. — Ela se afastou e observou as árvores. — Foi lindo.

— Milly, não finja — pediu ele, com a voz magoada. Diga a verdade. O que você realmente achou?

Houve uma pausa.

— Tudo bem — disse Milly. — Já que eu realmente pretendo ser verdadeira... foi lindo, mas... — Ela se virou de para ele — Um tanto planejado demais. Você colocou a aliança no meu dedo antes que eu pudesse respirar. No minuto seguinte, estava abrindo o champanhe e já éramos oficialmente noivos. Eu nem sequer... — Sua voz falhou, e ela esfregou o rosto. — Eu nem sequer tive tempo para pensar.

Os dois ficaram em silêncio.

— Entendo — disse Simon finalmente. — E se houvesse tido tempo para pensar, o que teria dito?

Milly o fitou por alguns segundos e em seguida desviou o olhar.

— Vamos — disse ela. — Vamos comer aquela pizza.

— Tudo bem — assentiu Simon, desapontado. — Tudo bem.

— Ele deu alguns passos e parou. — Tem certeza de que quer andar?

— Tenho, andar clareia minha mente. — Ela estendeu a mão. — Vamos.

MEIA HORA DEPOIS, NO meio da rua escura, Milly parou.

— Simon, estou com frio.

— Vamos andar mais rápido, então.

— Mas meus pés estão doendo. O sapato está me dando bolhas.

Simon percebeu que Milly havia coberto as mãos com a manga do suéter e as enfiara sob as axilas. Os lábios dela estavam roxos, e ela batia os dentes.

— Já clareou a mente? — perguntou ele.

— Não — respondeu Milly, desolada. — Só consigo pensar em um bom banho quente.

— Bem, não falta muito agora — disse Simon de forma encorajadora. Milly perscrutou a rua escura diante de si.

— Não aguento mais. Será que a gente não consegue um táxi?

— Acho que não. Mas eu posso te emprestar minha jaqueta. — Ele a tirou e entregou a ela, que se aconchegou no agasalho quente.

— E você, não vai ficar com frio?

— Vou ficar bem. Podemos continuar?

— Podemos — disse Milly, retomando a caminhada.

— É o mais rápido que pode andar? — Simon parou.

— Meus pés estão sangrando — choramingou Milly. Simon olhou para os pés dela.

— Sapato novo?

— Sim — respondeu Milly, aflita. — Foi baratinho, mas agora eu o odeio. — Ela deu outro passo para frente e estremeceu.

Simon suspirou.

— Venha. Ponha os seus pés em cima dos meus. Vou andar por você.

— Jura?

— Vamos. Guarde os sapatos no bolso.

Ele passou os braços com firmeza ao redor da cintura de Milly e começou a andar desajeitadamente na escuridão da noite, com os pés dela sobre os seus.

— Isso é bom — confessou Milly após um momento.

— Sim — resmungou Simon. — É ótimo.

— Você anda bem rápido.

— Principalmente quando estou com fome.

— Desculpe — disse ela, envergonhada. — Mas foi uma ótima ideia, não foi? — Simon não respondeu e Milly se virou, fazendo com que ele quase perdesse o equilíbrio. — Não foi, Simon?

Ele começou a rir, com a voz rouca por causa do sereno. — Foi, Milly — assentiu, ofegante. — Uma das melhores que você já teve.

QUANDO FINALMENTE CHEGARAM A pizzaria, mal conseguiam falar, de tanto frio e cansaço. Quando abriram a porta, o calor do lugar e o cheiro carregado de alho da comida os atingiram em uma rajada inebriante. O lugar estava cheio, fervilhando de gente e música; de repente, a rua fria e escura pareceu muito distante.

— Uma mesa para dois, por favor — pediu Simon, colocando Milly de volta no chão. — E dois conhaques duplos.

Milly sorriu, esfregando o rosto frio e ruborizado.

— Meus pés não estão mais doendo — constatou, pisando no chão de mármore. — Acho que dá para andar até a mesa.

— Que bom. — Simon alongou as costas. — Ótimo.

Eles foram conduzidos a uma mesa em um local mais reservado por um garçom vestido de vermelho, que voltou logo em seguida com os dois conhaques.

— Saúde — disse Milly, hesitante, fitando Simon. — Não sei exatamente a que estamos brindando. Ao... ao casamento que não aconteceu?

— Vamos brindar a nós — sugeriu Simon com o semblante sério. — Vamos brindar a nós. Milly...

— Sim?

Silêncio. O coração de Milly passou a bater mais forte. Nervosa, ela começou a rasgar o guardanapo de papel.

— Não planejei isso — confessou Simon. — Deus sabe que eu não planejei nada disso. Mas não posso esperar mais.

Ele pousou o cardápio na mesa e se ajoelhou. Houve uma agitação no restaurante; algumas pessoas começaram a observar os dois e a cutucar umas as outras.

— Milly, por favor. Estou pedindo novamente. E... Espero, de todo o coração, que você diga sim. Quer casar comigo?

Outro longo silencio. Por fim, Milly ergueu a cabeça. Seu rosto estava ruborizado, seu guardanapo havia se transformado em um papel totalmente amassado em suas mãos.

— Simon, não sei. Eu... preciso pensar.

QUANDO ACABARAM DE COMER, Milly pigarreou, nervosa, e fitou Simon.

— Gostou da pizza? — perguntou ela, desinteressada.

— Estava ótima. E você, gostou?

— Adorei. — Seus olhos se encontraram por um breve momento, então Simon desviou o olhar.

— Você... Por acaso...

— Sim — disse Milly, mordendo o lábio. — Já decidi.

Ele permanecia ajoelhado próximo à mesa, como estivera durante toda a refeição, com a comida a sua volta, como se estivesse em um piquenique. Ela sorriu de leve.

— Quer se levantar agora? — perguntou ela.

— Para quê? — indagou Simon, bebendo um gole de vinho. — Estou confortável aqui.

— Tenho certeza que sim — disse Milly, com os lábios trêmulos. — Tenho certeza. Só achei que... talvez você pudesse querer me beijar.

Houve um silêncio tenso.

— Posso? — perguntou Simon. Ele pousou a taça na mesa e a encarou. Por um momento, apenas se olharam, alheios a tudo, ignorando os garçons que se cutucavam e se aglomeravam próximos à cozinha. — Posso mesmo?

— Sim. — Milly tentou controlar o tremor na voz. Ela pousou o guardanapo, deslizou o corpo pelo banco até o chão de mármore e o abraçou. Quando seus lábios se tocaram, todos aplaudiram. Lágrimas começaram a rolar no rosto de Milly, escorrendo pelo pescoço de Simon e por seus lábios unidos. Ela fechou os olhos e se aninhou no peitoral largo dele, inalando o odor de sua pele, sentindo-se fraca demais para se mover. Estava esgotada, destituída de emoção, incapaz de enfrentar qualquer outro desafio.

— Só uma pergunta — disse Simon no ouvido dela. — Quem vai contar a sua mãe?