Metafísica do gênero humano: natureza e história na obra de Giambattista Vico
Posfácio
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
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30. Os lugares e tempos da barbárie, e sua substancial
“temporalização” (que não exclui, contudo, também a
consideração de uma sua mais “natural” “espacialização”)
constituem um argumento cujo aprofundamento pode contribuir
com a problemática deste estudo. Para uma introdução ao tema
me remeto a NUZZO, E. Figuras de la barbarie. Lugares y
tiempos de la barbarie en Vico. Cuadernos sobre Vico, Sevilla,
v.15-16, p.151-162, 2003; texto publicado também em versão
portuguesa: NUZZO, E. Lugares e tempos da barbárie em Vico.
In: GUIDO, H.; SEVILLA, J. M.; SILVA NETO, S. A. (orgs.).
Embates da Razão: mito e filosofia na obra de Giambattista
Vico. Uberlândia: EDUFU, 2012, p.35-53.
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31. Marco Vanzulli – com quem me agrada dialogar aqui em
particular – expressou eficazmente, em suas páginas, a
questão dos fatores contingentes e da causalidade na
determinação viquiana dos caracteres dos povos, mas, talvez,
tenha supervalorizado a força explicativa que, no discurso de
Vico, podia assumir sozinho o “como” ou o “onde” histórico:
“Determinando as diferentes histórias das nações, aqui, por
exemplo, da grega e da romana, existem, portanto, inalienáveis
elementos de contingência constitutivos, que, na realidade,
também fornecem quase tudo que indica a identidade de um
povo: como (onde, em que condições históricas) um povo surge
explica que coisa um povo se tornou, a história ideal eterna.
Deve-se recordar, além disso, que poucos povos percorreram
todo o ciclo, alcançaram desenvolvimento pleno, sujeitos à
causalidade do existir, tal como os indivíduos” (VANZULLI, M.
Caso e necessità nella nuova scienza vichiana. Quaderni
materialisti, Milano, v.I, 2002, p.13).
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32. Sobre os caracteres, momentos e exemplos desta “antropologia
do mar” indico: NUZZO, E. Spazi e tempi del Mediterraneo nella
storia vichiana della civiltà. Il “Diritto Universale”. Bollettino del
Centro di Studi Vichiani, Roma, v.XXXIX, n.2, p.7-69, 2009.
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33. Pode assumir a função de útil esboço, sobre vários pontos, o
aprazível livro de um consistente e curioso geógrafo, cujo título,
contudo, anuncia já seus limites: PINNA, M. La teoria dei climi.
Una falsa dottrina che non muta da Ippocrate a Hegel. Roma:
Società geografica italiana, 1988. Por outro lado, vai além
daquilo que promete o subtítulo, o robusto trabalho, em vários
versos fascinante, de VASAK, A. Météreologies. Discours sur le
ciel et le climat, des Lumières au Romantisme. Paris:
Champion, 2007. Esta não pode constituir, porém, a obra
completa de que seria importante dispor visando, sobretudo, à
constituição da meteorologia como ciência e, portanto, também,
aos seus antecedentes longínquos.
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34. Apresento algumas sóbrias anotações sobre esta linguagem em
um recente estudo meu: NUZZO, E. Mediterraneo e caratteri dei
popoli. Paradigmi della misura alle origini del modello “etno-
geografico-climatico”. In: BUFALO, R.; CANTARANO, G.;
COLONNELLO, P. (orgs.). Natura storia società. Studi in onore
di Mario Alcaro. Milano-Udine: Mimesis, 2010, p.109-145.
Diversas páginas suas refluem no presente texto, e o indico
como esboço de uma primeira trajetória na teoria dos climas e
dos caracteres dos povos, de Hipócrates a Aristóteles. Um
desenho mais amplo da conceituação das relações entre
fatores naturais climáticos e caracteres dos povos, que se
estende a boa parte da antiguidade, está no livro de SASSI, M.
M. La scienza dell’uomo nella Grecia ântica. Torino: Bollati
Boringhieri, 1988. Sobre o período settecentesco, em particular
“napolitano”, foi publicado já um breve estudo meu sobre
Filangieri: NUZZO, E. Tra geografia e storia. Caratteri delle
nazioni e identità patrie in Gaetano Filangieri. In: AMODIO, P.;
D’ANTUONO, E.; GIANNINI, G. L’etica come fondamento. Scritti
in onore di Giuseppe Lissa. Napoli: Giannini Editore, 2012, p.25-
32.
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35. Retomo aqui as indicações críticas de um outro estudo de
minha autoria, já citado: NUZZO, 2009, p.7-69. Nesse estudo, e
já noutro precedente, intitulado: Gli “Sciti” e i “Chinesi” di Vico.
In: ARMANDO, D.; MASINI, F.; SANNA, M. (orgs.). Vico e
l’Oriente: Cina, Giappone, Corea. Roma: Tiellemedia, 2008,
p.301-35, iniciei uma série de análises sobre as reconstruções
que o pensador napolitano elaborou das vicissitudes e da
função dos caráteres de uma série de nações (caldeus, citas,
chineses, etruscos, egípcios, fenícios, cretenses, gregos etc.)
na laboriosa obra de preparação de uma verdadeira e própria
história da civilização.
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36. Sobre o tema remeto, sobretudo, a NUZZO, E. Vico e il “mito
veneziano”. In: DE MICHELIS, C.; PIZZAMIGLIO, G. (orgs.).
Vico e Venezia. Firenze: Olschki, 1982, p.199-222.
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37. VICO, G. Oratio V. In:____. Le orazioni inaugurali, I-VI.
Organização e tradução italiana de G. Visconti. Bologna: Il
Mulino, 1982, p.166, 182.
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38. VICO, G. Oratio IV. In:____. Le orazioni inaugurali, I-VI.
Organização e tradução italiana de G. Visconti. Bologna: Il
Mulino, 1982, p.153-154.
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39. Vico esteve muito interessado em introduzir Nápoles também
em um discurso de tipo comparatista. Sobre os últimos êxitos,
do “Vico maduro”, na reconstrução das origens fenícias e
gregas de Nápoles, na esteira de suas teorias sobre as
“colônias” no Mediterrâneo: Cf. Sn44, §304, p.534.
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40. ISIDORO DI SIVIGLIA, Etymologiae, IX, I, 11.
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41. VICO, G. De nostri temporis studiorum ratione. In:____. Opere.
Organização de Andrea Battistini. Milano: Mondadori, 1990,
p.140-142.
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42. Sn44, §158, 159, p.501-502. “A nossa França” é a “Grécia
deste nosso Mundo presente”, assim havia escrito Vico numa
carta de 1726 a Eduard de Vitry (Cf. VICO, G. Epistole.
Organização de Manuela Sanna. Napoli: Morano, 1992, p.131).
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43. NUZZO, E. La tradizione filosofica meridionale. In: AAVV. Storia
del Mezzogiorno. Napoli: Edizioni del Sole, vol.X, tomo III, 1992,
p.24 et seq.
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44. VICO, G. De antiquissima italorum sapientia. In:____. Opere
filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de
Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.57-59.
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45. VICO, G. Risposta di Giambattista Vico all’articolo X del tomo
VIII del “Giornale de’ Letterati d’Italia” (1712). In: ______. Opere
filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de
Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.147, grifo meu.
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46. VICO, G. Sinopsi del diritto universale (1721). In:____. Opere
giuridiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de
Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1974, p.7. Tais
considerações se apoiavam na meditada formulação dos
princípios gerais que prefiguravam sucessivas “dignidades”
célebres. “A natureza dos homens é feita de tal modo que,
primeiro, almeja o necessário, depois o cômodo, finalmente o
prazer”. “A natureza própria dos homens é feita de tal modo
que, primeiro, advertem as coisas que tocam os nossos
sentidos, depois os costumes, enfim as coisas abstratas” (Ibid.)
Estamos diante já dos elementos de uma inalcançada estrutura
do dinâmico mundo humano, elementos que confluirão na
noção madura da “história ideal eterna”.
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47. De uno, CXLV, p.179. Como é conhecido, já em Hipócrates
estava presente um tipo de explicação de “condicionamento
reciproco” entre fatores naturais e institucionais.
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48. De uno, CXLV, [1-2], p.179.
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49. De uno, CXLV, [3-4], p.179. A oposição entre a disposição à
tirania, aos “regna mera”, “apud asianos” e, por outro lado, o
ódio por tais formas de governo por aqueles mais “apud
occidentales”, mas não entre os “siculi” ou os “aethrusci”,
retornaria em: VICO, G. De constantia Iurisprudentis (1721).
In:____. Opere giuridiche. Organização de Paolo Cristofolini e
introdução de Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1974, II,
CXXXVIII, [8-9], p.169 (de agora em diante De const.).
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50. Para Vico – conforme um estudo indiscutível sobre o tema –,
Roma é “o paradigma da história, que ele deve examinar e
reexaminar para encontrar as demonstrações de sua filosofia”.
Entre os “povos privilegiados pela sua investigação” – os
Gregos, os Romanos, os povos ocidentais constituídos após a
queda do Império romano de que falava Meinecke – “o povo
romano é, por excelência, o ‘povo campeão’ porque Roma é,
por sua natureza, por sua origem e por seu destino histórico,
cidade fortemente definida e significativamente universalizada:
a mais viquiana das cidades” (PIOVANI, P. Il debito di Vico
verso Roma. Studi romani, Roma, vol. XVII, p.1-17, 1969, mas
que cito a partir de PIOVANI, P. La filosofia nuova di Vico.
Organização de Fulvio Tessitore. Napoli: Morano, 1990, p.103,
107).
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51. De uno, CXLV, [5], p.179.
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52. Diferentemente dos gregos e, depois, dos franceses, “os
romanos […] caminharam, em seus costumes, com justo passo”
(Sn44, §158, p.502), “se fazendo regular pela providência por
meio da sabedoria vulgar […] de modo que, em meio às causas
internas e externas que destroem tal forma de Estados,
puderam humanamente resistir” (Sn44, §1.088, p.953-954).
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53. Sobre as problemáticas do “desmesurado”, do “deformado” e,
vice-versa, da “medida”, ver NUZZO, E. Tra il corpo “sformato” e
l’universale “informe”. L’ “indiffinita” forma della mente umana in
Vico. In: AAVV. Filosofia e storiografia. Studi in onore di
Giovanni Papuli. L’Età moderna. Galatina: Congedo, 2008, tomo
III, p.263-277.
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54. De uno, CXLVI, [1, 3], p.181. O caminhar dos romanos “com
justo passo” implicava, ao contrário, sua subtração ao inovador
juízo viquiano, sucessivamente formulado, acerca da natureza
brutal das formas de “heroísmo antigo”, como aquele
personificado pela renomada virtude do patriciado romano.
Também por ter traçado precedentemente um rápido desenho
da identidade pátria em Vico, talvez não seja supérfluo recordar
a energia teórica, e também ética, da desmistificação viquiana
da gênese nobre de todas as pátrias. “Pátria” vinha do “unir-se
em ordens, para resistir às multidões de fâmulos sublevados”,
dos “reis das famílias”, “polifemos” de “natureza feroz”, “os
quais, sem humano discernimento ou conselho, perceberam a
unidade dos seus interesses privados, comum a cada um deles,
que se chamou ‘patria’, que […] quer dizer ‘interesses dos pais’,
e assim os nobres se disseram ‘patricii’: razão pela qual
deveram ser só os nobres os cidadãos das primeiras pátrias”
(Sn44, §584, p.697).
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55. Sn44, §369, p.565.
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56. Sn44, §231, 454, 462, p.518, 620, 622-623.
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57. Cf. De const., II, XVI, [14], p.503. “Aethiopes a primis aegyptiis,
continente sibi proximis, […] a chaldeis aut a phoenicibus per
aegyptios provenisse verisimilis est”. De fato, de uma gente de
pele inicialmente branca e de belas feições (“gentem albam
pulchram principio”) – segundo um preconceito avaliativo
“normal” – chegaram à conformação corpórea dos Etíopes (a
conformação alongada do pescoço, a carne negra) por meio da
aquisição duradoura, hereditária, de características próprias da
prática de certos costumes (o alongamento artificial e
deformante da cabeça, o colorir do vulto negro com a crença na
maior santidade de tais cores). Isaac Voss (Ad Pomponium
Mela) e sobretudo Johan Jacob Hoffmann (Lexicon) ofereceram
testemunhos importantes da doutrina (largamente e
correntemente difusa nos ambientes científicos do
cartesianismo, basta pensar em De la Forge) segundo a qual da
possante “vis phantasiae generantium” nascem filhos com
determinadas características, depois estavelmente transmitidas
(no caso dos “nigri filii”) e, portanto, que “curatura in naturam
conversa est”. Como se vê, temos aqui uma esfera de
fenômenos que atestam como é possível que os costumes se
transformem em natureza. Especialmente com as explicações
de tipo “biológico” da transmissão dos caracteres hereditários
baseadas no sangue (explicações que começaram a aflorar no
final do século XVII e claramente inclinadas a empregos de teor
racista) resultará debilitada e, então, desmentida a teoria usual
da transmissão, também, dos caracteres adquiridos.
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58. De const., II, XII, [5,7], p.451-453. No mesmo capítulo
aparecem qualificações antropológicas dos carácteres dos
povos – como a “gens acutíssima” florentina ou, pelo contrário,
a “stupidissima gens” peruana – que devem ser inscritas num
registro viquiano dos carácteres das nações e merecedoras de 62. Na realidade, por causa das inundações do Nilo, que
uma acurada investigação analítica (De const., II, XII, [32, 35],
p.461-463).
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59. De const., II, XII, [8-11], p.453.
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60. De const., II, IX, [3-4], p.431. As duas “dignitates” sucessivas
afirmam que “in Oriente […] inter Chaldaeos”, advém a precoce
restauração (duzentos anos depois do dilúvio) de uma refinada
forma de “magia”, que reclamava “astrorum observationes”,
todavia – claro fator causal ambiental – mais atuante nas
extensas planícies mesopotâmicas (“in ingentibus camporum
aequoribus”); enquanto isso “in Occidente genus divinationis
natum tam rude quam orientalium eruditum” (De const., II, IX,
[5-6, 18], p.431, 435). Assim, os primeiros sábios das gentes
foram os caldeus. Mas “Chami posteritas in Phoenicia ob
chaldeorum, et aegyptiii ob phoenicium vicinitatem, mature
interiores disciplinas invenire potuerunt” (De const., II, IX, [18],
p.435). Portanto, Cam é apresentado como o fundador das
gentes habitantes do Egito e, depois, com maior precisão,
também daquelas estanciadas na África setentrional e, então,
no Mediterrâneo meridional; Jafet é o fundador daqueles que
povoaram a Europa (mas depois também a Ásia setentrional,
dos citas) e, então, o Mediterrâneo setentrional. Noutro estudo
observei a discrasia que parece surgir do fato de que, embora
nas diversas versões da opus magnum Vico tenda cada vez
mais a identificar as dissidências de Cam e Jafet, mas também
aquela de Sem, já na “Tábua Cronológica” que aparece nas
duas últimas versões da Scienza nuova, só “Jafet” é indicado
como aquele “de que provêm os Gigantes” (Sn30, p.58; Sn44,
p.449).
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61. “At Iaphetidae, longe a semitidis et chamitidis dissiti […], ad
brutum stuporem redacti omnes, fulmine excitandi fuerunt ut
caelum crederent deum eiusque voluntatem putarent Iovem”
(De const., II, IX, [18], p.435).
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constantemente desmarcavam os confins dos campos, os
egípcios, que haviam recebido dos caldeus as ciências da
geometria, da aritmética e, derivada delas, a astronomia, para
fins práticos “a caelo ad terras mathesim revocarunt” (De const.,
II, XIV, [3-4], p.481). Sobre as consequências da “necessitas”
representadas pelas inundações do Nilo: Cf. De const., II, XVII,
[21], p.505-507. O grande rio, com suas inundações, “peracuit”
il “praestans ingenium” dos egípcios. A mesma pressão
ambiental das inundações do Nilo impeliu os egípcios, depois, à
obtenção de “navalem et nauticam aliis maturius”.
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63. “Ita, his artibus instructi, gentes rudes, inermes et inconditas
facile debellabant, et cito maritimam Interni maris potentiam
adepti sunt” (De const., II, XVII, [21], p.507).
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64. De const., II, XXIX, [11], p.655. A agudeza particular dos
cretenses, mas, em geral, dos gregos (e em particular da parte
ocidental da Grécia) foi logo em seguida confirmada. Veja, por
exemplo, a celebração do “mirum gentis acumen”, isto é, da
gente da Grécia ocidental, de Samos, pátria de Homero e de
Pitágoras, e que, não por acaso, “italicae et grecanicae
philosophiae sublimioris magnum incrementum” (De const., IV,
[18], p.841).
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65. De const., II, XVII, [4, 8], p.499, 501.
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66. De const., II, XVII, [9], p.501. Surge, neste sentido, um caráter
que distingue os Citas dos hebreus e dos “orientais” em geral,
também representados por Vico, anteriormente, como
predispostos à obediência, embora, nesse texto, distinguidos da
tendência a fundar, logo após o dilúvio, “monarchica regna” (De
const., II, XI, [16], p.449).
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67. De const., II, XVII, [8-9], p.501. Vico já havia observado no De
rebus gestis Caraphaei a singularidade das estruturas sociais e
políticas dos povos da Transilvânia, caracterizados por
elementos igualitários consistentes.
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68. De const., II, XVII, [8], p.501.
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69. De const., XVII, [10], p.501, grifo meu.
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70. Deconst.,XVII,
[10],p.501,grifomeu.Aqui,amolezaorientalassumecaracterísticas
positivas que não encontrarão espaço na mais madura
representação histórica de Vico acerca das vicissitudes da
“moleza”, da “delicadeza”.
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71. Como acontecia – segundo o De rebus gestis Antonj Caraphaei
– no caso da “Galliarum potentia”, a qual, embora sempre
ocupada com as suas pretensões de hegemonia sobre os
estados italianos e germanicos, permanecia uma grande nação
cristã e refinadamente culta (VICO, G. Le gesta di Antonio
Carafa. Organização de Manuela Sanna. Napoli: Guida, 1997,
p.76).
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72. As populações americanas setentrionais, vieram “ex Norvegia
[…] per Groenlandiam terrestri itinere”. Depois, provavelmente,
como “é mais crível”, se estanciaram por todo o estreito de
Magalhães: onde se fixaram – por claras razões climáticas – os
gigantes patagônicos (De const., II, XVII, [13], p.503).
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73. Sn25, §92, p.1033. O trecho citado integralmente sublinha, em
primeiro lugar, a operação do princípio demonstrativo de que
acima se falou, baseado no repúdio à “impossibilidade”, à
“torpeza”, que conduz, por outro lado, ao reconhecimento do
“dever ter”, do “dever acontecer”. Assim, o recurso à teoria dos
climas se dá aqui no interior de um dos lugares principais da
definição e abordagem em termos “demonstrativos” da ciência
viquiana, mostrando o caráter indubitável que, aos olhos do
pensador napolitano, reveste o nexo causal “natureza dos
sitas/natureza dos homens”, dentro do qual se situava, também,
a determinada doutrina, bem consolidada, sobre a necessidade
de que as formas dos governos não contradissessem as
modalidades pelas quais se dão aquele essencial
condicionamento causal.
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74. Sn25, §208, p.1.083.
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75. Sn44, §445, p.613. Este passo se lê já na segunda versão da
obra: Sn30, p.168.
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76. Sn30, p.367-368, Sn44, §1.088-1.092, p.953-955.
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77. Sn44, §445, p.613. Isso porque – como nos lembra a dignidade
XXII – uma mesma estrutura mental dinâmica se apresenta em
todas as nações, como “uma língua mental comum a todas as
nações, que uniformemente compreenda a substância das
coisas factíveis na vida humana sociável, e as explique com
tantas diversas modificações quanto são diversos os aspectos
que essas coisas possam ter” (Sn44, §161, p.503). Eis então as
formas diversas da análoga representação dos fenômenos
humanos estruturais (o “histórico-estrutural”). Assim “Júpiter
fulmina e aterra os gigantes, e toda nação gentia teve um
Júpiter”; “Toda nação gentia teve um Hércules seu” etc. (Sn44,
§193, 196, p.511). Pode-se dizer, portanto, que o “dicionário
mental” comum à humanidade (gentia) constitui talvez a
máxima atestação, ao menos na esfera antropológica, do
universal que se dá em meio às contingências (não absolutas)
do mundo histórico, uma das manifestações mais eloquentes do
“histórico-estrutural”, das estruturas que se dão ou se formam
na história, do histórico que se deixa reconduzir às formas
universais e à “ciência”.
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78. Sn44, §1.088-1.091, p.953-954; Sn30, p.367-369.
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79. Sn44, §1.088, p.953. Como foi indicado, Vico recorre
largamente às teorias relativas à transmissão dos caracteres da
composição da “terra” às “fibras” do corpo humano. Da tradição A eterna república natural: direito,
“hipocrático-galênica” da teoria dos climas Vico assumia a
temática essencial da influência do “céu”, do “ar”, largamente
retomada e renovada no Settecento, deixando à parte a
temática dos “ventos” também largamente presente nas
derivações, do início da modernidade, da teoria dos climas
(Bodin etc.). No século XVIII, no quadro da retomada e
revisitação das teorias climáticas, seria adensada a pesquisa
sobre as influências dos ares. Mas Vico, ao menos nas
primeiras duas edições da sua obra prima, não podia ter
conhecido os ecos da obra de Arbuthnot, An Essay Concerning
the Effects of Air on Human Body, de 1733, nem mesmo pela
tradução francesa de Boyer de Pebandrié, Essai des effets de
l’airs sur le corps humain, de 1742.
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80. Sn44, §1.089, 1.091, p.954-955. Por outro lado, o modelo
romano, favorecido pelo clima temperado, é um modelo
temporal alheio à intervenção dos fatores históricos externos,
de tal modo que pôde proceder com “justo passo”.
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81. Vale lembrar que Vico assimilava os povos americanos (alguns
ao menos) muito próximos da maturidade por terem saído do
patriarcado, isto é, de uma condição de articulação social não
conflitiva, em cuja imersão não se pode caminhar em direção à
“potestade civil”. Vico, como assinalava Landucci, indicando a
presença de fâmulos-escravos nas “famílias” dos Americanos
no tempo da descoberta pelos europeus e, portanto, que já
haviam abandonado o estado das “famílias só de filhos”,
tornava “plausível um avanço daqueles povos rumo a
‘potestade civil’” (LANDUCCI, S. I filosofi e i selvaggi. 1580-
1780. Bari: Laterza, 1972, p.285).
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82. Sn44, §796, p.818.
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natureza e história nas obras de Vico
Professor titular do Instituto de Filosofia e do Progama de Pós-
graduação em Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia.
Este trabalho teve o apoio do CNPq.
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1. Uma apresentação crítica do perfil filosófico de Vico pode ser
encontrada em meu livro: GUIDO, H. Giambattista Vico, a
filosofia e a educação da humanidade. Petrópolis: Vozes, 2004.
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2. Séculos depois, em 1911, Husserl publicou um artigo em que
condenava a pretensão naturalista positivista de querer reduzir
a filosofia à ciência positiva, essa motivação prendia-se à ideia
de progresso tipicamente iluminista, contudo questionável
quanto aos seus resultados nas esferas teóricas e práticas,
dizia Husserl: “Não há, sem dúvida, no mundo contemporâneo
uma ideia em que o progresso seja mais potente, mais
irresistível, do que no ideal científico. Nada detém a sua marcha
triunfal” (HUSSERL, E. La philosophie comme science
rigoreuse. Tradução francesa de Marc B. de Launay. Paris:
PUF, 1989, p.22).
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3. Conforme Paolo Rossi, o livro físico limitou-se ao esboço
redigido por volta de 1713, intitulado De aequilibrio corporis
animantis, porém, tal texto se perdeu; o livro moral, acredita-se,
nunca chegou a ser escrito (ROSSI, P. Le sterminate antichità,
studi vichiani. Pisa: Listri-Nischi, 1969, p.32).
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4. VICO, G. De antiquissima italorum sapientia. Organização e
tradução italiana de Manuela Sanna. Roma: Edizioni di Storia e
Letteratura, 2005 (de agora em diante De ant.).
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5. De ant., p.17.
↲
6. Rodolfo Mondolfo realizou um estudo minucioso a respeito da
teoria do verum ipsum factum, começando por Marcilio Ficino e
culminando em Vico. Contudo, na introdução de seu livro,
Mondolfo afirma que já na antiguidade a relação entre conhecer
e fazer ocupava a atenção dos primeiros filósofos
(MONDOLFO, R. Il “verum-factum” prima da Vico. Nápoles:
Guida, 1969, p.9).
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7. Dez anos antes, em uma aula inaugural do ano letivo da
Universidade Régia de Nápoles, Vico havia afirmado que “Deus
é o criador da natureza; o ânimo [humano], me seja consentido
dizê-lo, é o Deus criador das artes” (VICO, G. Oratio I.
In:______. Le orazioni inaugurali I-VI. Organização e tradução
italiana de G. Visconti. Bolonha: Il Mulino, 1982, p.81).
↲
8. De ant., p.29.
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9. VICO, G. De nostri temporis studiorum ratione. In:____. Opere.
Organização de Andrea Battistini. Milão: Mondadori, 2007,
p.117.
↲
10. Nicola Badaloni comentou essa articulação entre a criação
divina e a ciência humana: “O impulso do conatus da alma do
mundo sobre a nossa mente dá lugar à ordem que esta pode
criar no âmbito da aritmética, da geometria, da mecânica, […].
Quando se tem consciência da finitude do nosso cigitare, que é
‘sinal’ do nexo entre movimentos ideais e realidade, o fingir
[ficcionar], o compor, equivalem ao fazer que cria as condições
da ciência” (BADALONI, N. Introduzione a Vico. 5ed. Bari:
Laterza, 2001, p.25).
↲
11. VICO, G. Princìpi di scienza nuova d’intorno alla comune natura
delle nazioni. In:_______. Opere. Organização de Andrea
Battistini. Milão: Mondadori, 2007 (de agora em diante Sn44).
↲
12. Enrico Nuzzo destaca essa novidade da Scienza nuova para a
epistemologia das ciências humanas, ressaltando a primazia de
Vico na introdução da concepção dialética da história, que
surgiu no momento em que estudava a evolução das formas de
governo, para o filósofo ficava nítida nas diferentes
configurações históricas o antagonismo entre “ordo civilis” e
“ordo naturalis” (NUZZO, E. Tra religioni e prudenza. La
“filosofia pratica” di Giambattista Vico. Roma: Edizioni di Storia
e Letteratura, 2007, p.289).
↲
13. Habermas em seu livro Teoria e práxis de 1978, dizia que a
filosofia da história começou com Vico, em seguida ele
reconhece a novidade de Vico na autonomia do curso da
história que pela primeira vez se apresenta independente da
história universal cristã que “construiu o início e o fim na
qualidade de origem e meta, e a extensão entre ambos
enquanto acontecimento de desgraça e salvação […] a história
estava projetada de uma só vez na forma de totalidade e
processo de crise”; Vico introduziu a nova concepção de
história: “a filosofia da história precisa estar desprovida daqui
em diante da hipótese de Deus como sujeito da história; mas
em seu lugar [do sujeito da história] Vico retém [inseriu] na
verdade a espécie humana” (HABERMAS, J. Teoria e práxis,
estudos de filosofia social. Tradução portuguesa de Rúrion
Melo. São Paulo: Editora da Unesp, 2013, p.417, 419).
↲
14. Sn44, §2, p.415. Quando Max Horkheimer se deteve nos
escritos de Vico ele percebeu o vínculo entre a mente humana
e a realidade social, dizia Horkheimer que se tratava do
movimento sincrônico da ontogênese e da filogênese: “Vico foi
o primeiro a reconhecer, de modo consciente e explícito, a
analogia existente entre os primeiros povos históricos e os
primitivos da atualidade, assim como a identidade que se dá
entre a mentalidade dos primitivos e a das crianças, ou seja, a
correspondência entre ontogênese e filogênese humanas”
(HORKHEIMER, M. Los comienzos de la filosofia burguesa de
la historia. In:______. História, metafísica y escepticismo.
Tradução espanhola de Maria del Rosario Zurro. Madri: Alianza
Editorial, 1982, p.110).
↲
15. FOUCAULT, M. As palavras e as coisas, uma arqueologia das
ciências humanas. Tradução portuguesa de Salma Tannús
Muchail. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p.361
↲
16. No original: favella, tanto pode ser língua ou fala, realçando o
aspecto comunicativo, portanto com ênfase na fala.
↲
17. Sn44, §1.045, p.930.
↲
18. O leitor de Vico sabe que a filologia significou para o filósofo
muito mais do que o estudo linguístico, no sétimo parágrafo da
Scienza nuova de 1744 ele definiu a filologia da seguinte
maneira: “a doutrina de todas as coisas que dependem do
arbítrio humano, como são todas as histórias das línguas, dos
costumes, dos feitos tanto da paz quanto da guerra dos povos”
(Sn44, p.419, §7).
↲
19. Sn44, p.967, §1.106.
↲
20. Habermas, além de Horkheimer, teve a oportunidade de se
deter na leitura das obras de Vico; a respeito dessa situação de
barbárie da reflexão gerada pela razão instrumental, há o
seguinte comentário em Teoria e práxis (primeiro capítulo,
primeira seção) que resgata o começo da filosofia de Vico, o
livro de 1709: “essa objetivação ‘científica’ (muito mais tarde se
deverá dizer: objetivação de uma ciência estritamente
experimental) se separou de tal modo da práxis da vida que a
própria aplicação dos discernimentos obtidos permanece
incontrolável” (HABERMAS, 2013, p.89).
↲
21. A afirmação de Vico é veemente, nela é perceptível a sua
pretensão de estabelecer o cogito do homem civil: “Mas em tal
densa noite de trevas onde está encoberta a primeira e de nós
distantíssima antiguidade, aparece este lume eterno, que não
se põe, desta verdade, a qual não se pode de modo algum
coloca-la em dúvida: que este mundo civil ele certamente foi
feito pelos homens, e neles se pode, porque se deve, encontrar
os princípios nas modificações da nossa própria mente
humana” (Sn44, p.541, §331).
↲
22. Na seção segundo do Livro primeiro da Scienza nuova de 1744
há uma sequência de axiomas que chamam a atenção para a
abdicação da filosofia do século XVII no tratamento das
questões políticas para deter-se nos estudos formais da
demonstração da existência de Deus e da exploração da
natureza; Vico advertia o seu leitor para essa deficiência da
grande filosofia moderna e, primeiro, insistia na tarefa da
filosofia desde Platão: “A filosofia para auxiliar o gênero
humano, deve levantar e sustentar o homem caído e fraco, sem
distorcer a natureza nem abandoná-lo em sua corrupção”
(Sn44, p.496, §129); depois criticava abertamente o formalismo
da filosofia: “A filosofia considera o homem como deve ser, e
assim não pode desfrutar senão de pouquíssimos que queiram
viver na república de Platão, ao invés de se refocilarem nas
fezes de Rômulo” (Sn44, p.496, §131).
↲
23. Um passo significativo a respeito da ideal república natural
como o plano da história, um plano imanente, era anunciado no
livro de 1710: “e porque o ânimo se move livremente, deseja o
infinito e igualmente a imortalidade” (De ant., p.98); esse é o
argumento que diferencia o homem saído da natureza daquele
que ainda permanece nela, com as religiões os primeiros
homens acreditaram ter um ânimo imortal e com isso eles
almejavam o infinito.
↲
24. Certamente o cientista econômico não deixa de apresentar os
fatores que garantem o êxito da nascente produção capitalista:
“o aumento da aptidão de cada trabalhador em particular;
segundo, à economia do tempo que comumente se perde ao se
passar de um tipo de ocupação para outro; e, finalmente, à
invenção de um grande número de máquinas que facilitam e
abreviam o trabalho, e permitem que um homem realize a tarefa
de muitos” (SMITH, A. A mão invisível. Tradução portuguesa de
Paulo Geiger. São Paulo: Penguin; Companhia das Letras,
2013, p.12). Contudo, a divisão do trabalho não tem
fundamentação em uma lei natural, tal procedimento decorre
unicamente das práticas associativas que a comunidade
humana cria para suprir as suas necessidades tendo em vista a
conservação da sociedade.
↲
25. Há uma proximidade lexical entre a afirmação de Hegel e o
segundo parágrafo da Scienza nuova de 1744, porém, a
semelhança cessa na forma literal porque na obra de Vico são
as práticas sociais que erigem o Estado e as sucessivas formas
de governo, sem nenhuma teleologia, o que para Hegel, em
contrapartida, é fundamental: “Nesse contexto, percebemos
que, na história universal, resulta das ações humanas algo além
do que foi intencionado. Por meio de suas ações os seres
humanos conseguem o que querem de imediato. Porém, ao
concretizar os seus interesses, eles realizam algo mais
abrangente; algo que se oculta no interior de suas ações”, e,
“Pois é também da atividade do particular e de sua negação
que resulta o universal. É o particular que se desgasta em
conflitos, sendo em parte destruído. Não é a ideia geral que se
expõe ao perigo na oposição e na luta. Ela se mantém intocável
e ilesa na retaguarda. A isso se deve chamar astúcia da razão”
(HEGEL, G. W. F. Filosofia da História. Tradução portuguesa de
Maria Rodrigues e Hans Harden. 2ed. Brasília: Editora da UnB,
1998, p.31 e 35, respectivamente, grifos do autor). Apenas para
reforçar a diferença entre os dois pensadores, Vico não se
dedicou à história universal, o seu objeto foram as histórias das
nações.
↲
26. Júpiter para os romanos, assim como Zeus para os gregos,
Thoth (Hermes Trimegisto) para egípcios, enfim, toda nação
gentia criou para si – sem que uma soubesse nada das demais
– a sua divindade salvadora que a submeteu à vida social e
cujo temor conservou-a, essa uniformidade de ideias atesta a
existência “na natureza das coisas humanas uma língua mental
comum a todas as nações” (Sn44, p.503, §161), segundo Vico,
tal língua confirma a história ideal eterna.
↲
27. Sn44, p.416, §2.
↲
28. Sn44, p.519, §238.
↲
29. “A ordem e a conexão das ideias é o mesmo que a ordem e
conexão das coisas” (ESPINOSA, B. Ética. Tradução
portuguesa de Tomaz Tadeu. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica,
2013, p.55).
↲
30. Na edição de 1730, Livro primeiro, seção segunda, axioma LX:
“A ordem das ideias humanas deve proceder segundo a ordem
das coisas humanas” (VICO, G. La Scienza nuova 1730.
Organização de Paolo Cristofolini com colaboração de Manuela
Sanna. Nápoles: Guida, 2004, p.107).
↲
31. Ernesto Grassi destaca a posição historicista de Vico, pois, o
filósofo italiano “não parte do problema dos entes [metafísicos]
nem de nenhuma concepção a priori, mas da manifestação da
realidade na sua historicidade concreta através da palavra”
(GRASSI, E. Vico e l’umanesimo. Milão: Guerini & Associati,
1992, p.194, grifos do autor).
↲
32. CRISTOFOLINI, P. Vico pagano e barbaro. Pisa: ETS, 2001,
p.58.
↲
33. No anúncio da obra jurídica (Il diritto universale) Vico deixou
clara a sua posição no debate moderno, advertindo para o fato
de que os pensadores políticos e os jusnaturalistas do século
XVII: “não perceberam que outras são as causas, outra as
ocasiões das coisas, as utilidades mudam, mas a igualdade
daquelas coisas é eterna; e, não podendo o temporal ser a
causa do eterno, nem o corpo produzir o abstrato, a utilidade é
a ocasião pela qual desperta na mente do homem a ideia da
igualdade, que é a causa eterna do justo” (VICO, G. Sinopsi del
diritto universale. In:________. Opere giuridiche. Organização
de Paolo Cristofolini e introdução de Nicola Badaloni. Florença:
Sansoni, 1974, p.6).
↲
34. VANZULLI, M. La scienza nuova dele nazioni e lo spirito
dell’idealismo. Sul Vico, Croce e Hegel. Milão: Guerini &
Associati, 2003, p.85.
↲
35. De acordo com Badaloni: “As leis que regulam a constituição e
o desenvolvimento da humanidade ‘gentia’, são, pois,
autônomas, autossuficientes, totalmente independentes da
história sagrada e dão lugar para uma série ideal-eterna”
(BADALONI, 2001, p.75).
↲
36. Outra diferença importante que não permite vincular a filosofia
de Vico com a de Hegel é a ausência no pensador italiano de
qualquer menção à essência, para Vico só a história se
apresenta aos olhos do pesquisador do mundo civil. Em Hegel
ainda é relevante se valer da razão como essência: “O
verdadeiro é o todo. Mas o todo é somente a essência que se
implementa através de seu desenvolvimento. Sobre o absoluto
deve-se dizer que é essencialmente resultado; que só no fim é
o que é na verdade” (HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do
espírito. Tradução portuguesa de Paulo Menezes. 7ed.
Petrópolis; Bragança Paulista: Vozes; Editora da USF, 2002,
p.36).
↲
37. Sn44, p.495, §123.
↲
38. O homem é dotado de livre arbítrio, essa prerrogativa o
distingue dos brutos sem sociedade, mas, nos tempos obscuros
e mesmo nos tempos fabulosos, o livre arbítrio era fraco “para
fazer das paixões virtudes; mas que por Deus é ajudado
naturalmente com a providência divina” (Sn44, p.497, §136).
↲
39. Sn44, p.497, §133.
↲
40. A gravura deviria servir “ao leitor para conceber a ideia desta
obra antes de lê-la, e para conserva-la mais facilmente na
memória, com a ajuda que lhe subministre a fantasia, depois de
tê-la lido” (Sn44, p.415, §1). Quatro elementos se destacam na
referida gravura: um triângulo luminoso com um olho vidente
(Deus), uma mulher com têmporas aladas (a metafísica), a
estátua de um ancião (Homero), e ao fundo densas trevas (o
objeto da nova ciência, isto é, o mundo civil).
↲
41. Sn44, p.446, §41.
↲
42. A linguagem como imagem se materializa no mito e na fantasia
(PACI, E. Ingens sylva, saggio sulla filosofia di G. B. Vico. Milão:
Mondadori, 1949, p.61).
↲
43. PACI, 1949, p.61. O argumento de Paci contrasta com a
interpretação sartreana do método fenomenológico, na primeira
nota de L’être et le neant o filósofo invalida a experiência do
verum-factum, ao dizer que “toda tentativa de substituir o
percipere por uma outra atitude da realidade humana seria
igualmente infrutífera. Mesmo que se queira admitir que o ser
se revela no ‘fazer’, ainda assim seria preciso assegurar o ser
do fazer fora da ação” (SARTRE, 2001, n.1, p.17). O erro de
Sartre reside em considerar uma frustração a pretensão de
obter o conteúdo total da experiência da consciência quando
investiga o mundo da vida, o que não é possível por causa da
obscuridade que envolve o objeto tanto quanto a consciência.
Vico combateu a pretensão dos doutos, admitindo a
obscuridade da mente humana, mas que não invalida o seu
esforço permanente de desvelamento do real, ao contrário,
permite o constante aperfeiçoamento do homem.
↲
44. Ernesto Grassi é outro nome dentre os poucos que fazem uma
leitura fenomenológica da Scienza nuova, a sua postura é
valiosa porque não funde a filosofia de Vico com o idealismo
alemão; Grassi esteve mais próximo de Heidegger, embora o
filósofo alemão desconhecesse a obra viquiana; mesmo assim
Grassi foi categórico ao afirmar que a obra de Vico “é uma
verdadeira fenomenologia, uma descrição que paulatinamente
faz aparecer (phainesthai) o real humano. […] a palavra e
mesmo os mitos na sua origem engenhosa são as formas
originárias do desvelamento do real” (GRASSI, 1992, p.195,
grifo do autor).
↲
45. Sn44, p.438, §31.
↲
46. Sn44, p.496, §130.
↲
47. Sn44, p.961, §1097.
↲
48. Sn44, p.500, §150. Vico foi leitor de Francis Bacon, o lorde de
Verulamo é um dos quatro autores paradigmáticos enumerados
por Vico em sua autobiografia (VICO, G. Vita scritta da se
medesimo. In:____. Opere. Organizadas por Andrea Battistini.
Milão: Mondadori, 2007, p.30), Bacon foi uma das inspirações
para a De antiquissima de 1710; Vico ao falar das provas
filológicas parece refazer à sua maneira um passo baconiano
extraído do pequeno livro A sabedoria dos antigos, ali Bacon se
reportava à filosofia, na crença de uma arcana sabedoria
filosófica desaparecida, restando da mesma apenas os
“fragmentos, dispersos aqui e ali como destroços de naufrágio”
(BACON, F. A sabedoria dos antigos. Tradução portuguesa de
Gilson César Cardoso de Souza. São Paulo: Editora da Unesp,
2002, p.49).
↲
49. A experiência do pensamento é o que garante o estatuto
científico da obra, assim pensava Vico, quando reiteradamente
insistia no passo metodológico, designado como a nova arte
crítica, que ao invés da suspensão de juízo sugerida por
Descartes, na nova ciência tratava-se da descida, uma primeira
proposição da rememoração do sujeito como chave explicativa
do comportamento humano; dentre as cinco passagens da
Scienza nuova de 1744 que fazem esse apelo à experiência do
pensamento, é oportuno citar a que segue: “assim agora nos é
naturalmente negado de poder adentrar na vasta imaginação
daqueles primeiros homens, cujas mentes em nada eram
abstratas, em nada eram sutilizadas, em nada espiritualizadas,
porque estavam todas imersas nos sentidos, todas dobradas
pelas paixões, todas sepultadas nos corpos: por isso dizíamos
acima que agora apenas podemos entender, de fato imaginar
não se pode, como pensaram os primeiros homens que
fundaram a humanidade gentia” (Sn44, p.572, §378).
↲
50. Sn44, p.427, §18.
↲
51. Sn44, p.963, §1.099.
↲
52. Sn44, p.966, §1.105.
↲
53. Sn44, p.968, §1.106.
↲
54. Expressão muito próxima daquela de Leibniz em sua
Monadologie, que por sua vez reproduz a locução de
Agostinho: a cidade de Deus, mas com sentido próprio, dizia
Leibniz: “Esta Cidade de Deus, esta Monarquia
verdadeiramente universal, é um Mundo Moral dentro do mundo
Natural, e ele tem o que há de mais elevado e de mais divino
dentre as obras de Deus” (LEIBNIZ, 2005, p.188).
↲
55. “[l’] universo de’ popoli, ordinato con talli ordini”, a redundância
de Vico tem a finalidade de reforçar a capacidade legisladora da
mente humana.
↲
56. Sn44, p.968, §1.107.
↲
Vico e a natureza poética primitiva
Professor adjunto do Instituto de Filosofia e do Progama de
Pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal de
Uberlândia.
↲
1. DESCARTES, R. Discurso do método: para bem conduzir a
própria razão e procurar a verdade nas ciências. Tradução
portuguesa de J. Guinsburg e Bento Prado Junior. São Paulo:
Nova Cultural, 1996, p.68.
↲
2. DESCARTES, 1996, p.69.
↲
3. Questionava-se, desse modo, um dos pilares do humanismo do
Renascimento, isto é, a crença na oportunidade de se tornar
Poeta mediante o estudo e a imitação dos modelos clássicos
(KRISTELLER, P. O. Los antecedentes medievales del
humanismo renacentista. In:____. Ocho filósofos del
renacimento italiano. Tradução espanhola de Maria Peñaloza.
México: Fondo de Cultura Econômica, 1996, p.197).
↲
4. DESCARTES, 1996, p.70.
↲
5. VICO, G. De nostri temporis studiorum ratione. Organização e
introdução de Fabrizio Lomonaco. Napoli: ScriptaWeb, 2010,
p.145 (de agora em diante De rat.).
↲
6. VICO, G. De constantia Iurisprudentis. In:____. Opere
giuridiche. Organização di Paolo Cristofolini e introdução de
Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1974, p.470.
↲
7. VICO, G. Princìpj di Scienza nuova d’intorno alla comune natura
delle nazione. Organização de Fausto Nicolini. Milão: Ricciardi,
1992, §213 (de agora em diante Sn44).
↲
8. VICO, G. Commento all’arte poetica di Orazio. Organização e
tradução italiana de Guido De Paulis. Napoli: Guida, 1998, p.95,
grifo meu (de agora em diante Ars).
↲
9. Ars, p.101.
↲
10. Ars, p.101.
↲
11. De rat., p.145.
↲
12. Sn44, §185.
↲
13. Sn44, §384.
↲
14. De rat., p.69, grifo meu.
↲
15. De rat., p.67.
↲
16. De rat., p.65.
↲
17. DESCARTES, 1996, p.66.
↲
18. LOMONACO, F. Introduzione. In: VICO, G. De nostri temporis
studiorum ratione. Organização e introdução de Fabrizio
Lomonaco. Napoli: ScriptaWeb, 2010, p.17.
↲
19. De rat., p.69.
↲
20. De rat., p.147.
↲
21. De rat., p.149.
↲
22. Sn44, §131.
↲
23. Sn44, §134.
↲
24. Sn44, §375.
↲
25. Aristóteles, na primeira frase da Poética, define assim a
natureza do seu livro: “Falemos da natureza e espécies da
poesia, do condão de cada uma, de como se hão de compor as
fábulas para o bom êxito do poema” (ARISTÓTELES. Poética.
In: ARISTÓTELES, HORÁCIO, LONGINO. Poética clássica.
Tradução portuguesa de Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix, 2005,
p.19). Também a Arte Poética de Horácio pretende orientar a
composição literária: “ensinarei as regras do mister, as fontes
de recursos, o que nutre e forma o poeta, o que fica bem, o que
não, aonde leva o acerto, aonde o erro” (HORÁCIO. Arte
poética. In: ARISTÓTELES, HORÁCIO, LONGINO. Poética
clássica. Tradução portuguesa de Jaime Bruna. São Paulo:
Cultrix, 2005, p.64).
↲
26. Sn44, §121
↲
27. PAREYSON, L. Estética e Poética. In:____. Os problemas da
estética. Tradução portuguesa de Maria Helena Nery Garcez.
São Paulo: Martins Fontes, 2001, p.15-19.
↲
28. Conforme Pareyson, a poética teria “um caráter programático e
operativo”, tratar-se-ia das instruções de uma arte em particular
e, por isso, seria incapaz de exprimir uma reflexão sobre a arte
em geral, o “caráter filosófico e especulativo” da estética
(PAREYSON, 2001, p.15), o que certamente não constituía um
problema para Vico, pois, em vez de uma filosofia da arte, a
poética orientaria uma precisa epistemologia, que sequer
almejava o conhecimento em geral, mas as operações pelas
quais a mente primitiva constrói o seu conhecimento, diga-se,
poético.
↲
29. Os argumentos do Libro Secondo seguem uma ordem
sistemática: versam detidamente sobre a metafísica e a lógica
e, em seguida, tratam da moral, da economia, da política, da
história, da física, da cosmografia, da astronomia, da cronologia
e da geografia, todas poéticas.
↲
30. Sn44, §374.
↲
31. BOTTURI, F. La sapienza della storia: Giambattista Vico e la
filosofia pratica. Milano: Vita e Pensiero, 1991, p.359.
↲
32. Sn44, §447.
↲
33. Sn44, §215.
↲
34. Sn44, §216.
↲
35. Cf. LOLLINI, M. Le Muse, Le Maschere e il sublime: G. B. Vico
e la poesia nell’età della “ragione speigata”. Napoli: Guida,
1994, p.136-138. Como notou Lollini há um anti-intelectualismo
na poética viquiana que a distingue radicalmente daquela
aristotélica; isso não é suficiente, porém, para desligá-lo
daquela influência, como, em substância, defendemos nesse
nosso texto.
↲
36. ARISTÓTELES, 2005, p.21 et seq.
↲
37. A afirmação da Poética evoca aquela das primeiras linhas da
Metafísica onde lemos que “Todos os seres humanos
naturalmente desejam o conhecimento” (ARISTÓTELES.
Metafísica. Tradução portuguesa de Edson Bini. Bauru:
EDIPRO, 2006, p.43). Segundo Marcello Zanatta, Aristóteles,
com sua teoria da mimese poética, “reivindica a verdade da
poesia”, ou seja, “indica à poesia uma natureza cognitiva e o fim
do conhecimento é alcançar a verdade” (ZANATTA, M.
Introduzione. In: ARISTOTELE. Retorica e poética. Organização
de Marcello Zanatta. Torino: UTET, 2006, p.459).
↲
38. SEVILLA, J. M. Universalismo fantástico: ragione poetica e
ragione narrativa. In: CACCIATORE, G et al. (orgs). Il sapere
poetico e gli universali fantastici. La presenza di Vico nella
riflessione filosofica contemporânea. Napoli: Guida, 2004,
p.247.
↲
39. Sn44, §403.
↲
40. BOTTURI, 1991, p.153, grifo meu.
↲
41. Sn44, §209, grifo meu.
↲
42. ARISTÓTELES, 2005, p.28.
↲
43. BOTTURI, 1991, p.156.
↲
44. ARISTÓTELES, 2005, p.28.
↲
45. PAREYSON, L. Il verossimile nella poetica di Aristotele. Torino:
Pubblicazioni della Facoltà di Lettere e Filosofia, 1950, p.17.
↲
46. VANZULLI, M. La Scienza di Vico: il sistema del mondo civile.
Milano: Mimesis, 2006, p.177.
↲
47. BOTTURI, 1991, p.149.
↲
48. AMOROSO, L. Ratio e aesthetica. La nascita dell’estetica e la
filosofia moderna. Pisa: ETS, 2008, p.88.
↲
49. Sn44, §379
↲
50. Sn44, §339.
↲
51. LONGINO. Do sublime. In: ARISTÓTELES, HORÁCIO,
LONGINO. Poética clássica. Tradução portuguesa de Jaime
Bruna. São Paulo: Cultrix, 2005, p.72.
↲
52. LONGINO, 2005, p.76.
↲
53. LONGINO, 2005, p.79.
↲
54. LACERDA, S. Metamorfoses de Homero: história e antropologia
na crítica setecentista da poesia épica. Brasília: Editora UNB,
2003, p.278.
↲
55. Sn44, §785.
↲
56. Sn44, §785.
↲
57. Sn44, §806.
↲
58. HORÁCIO, 2005, p.66.
↲
59. De rat., p.49.
↲
60. Cf. PIOVANI, P. Vico senza Hegel. In:____. La filosofia nova di
Vico. Organização de Fulvio Tessitore. Napoli: Morano Editore,
1990, p.173-208.
↲
61. GRAVINA, G. Della ragion poetica. Libri due. Organização e
introdução de Fabrizio Lomonaco. Napoli: ScriptaWeb, 2008.
Estimulando essas reflexões estavam o livro As Paixões da
alma de Descartes e o estudo das relações entre a mente e os
movimentos do corpo-máquina. Um rico quadro da influência
deste livro na Itália de Vico pode ser encontrado em:
LOMONACO, F. Passiones del alma y passiones civiles.
Nápoles y Europa en los siglos XVII y XVIII. Bogotá: Planeta,
2011.
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62. LOMONACO, F. Della “sapientia” alla “prudentia”. In:____. Le
orationes di G. Gravina: scienza e diritto. Napoli: La Città del
Sole, 1997, p.47.
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63. GRAVINA, 2008, p.30.
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64. GRAVINA, 2008, p.20.
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65. ROSSI, P. Le sterminate antichità: studi vichiani. Pisa: Listri-
Nischi, 1969.
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66. LOLLINI,1994, p.74.
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67. Sn44, §3.
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Vico e a metafísica de 1710
Professor catedrático de História da Filosofia do Iluminismo e
de História da Historiografia Filosófica no Dipartimento di Studi
Umanistici da Università degli Studi di Napoli “Federico II”.
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1. De / antiquissima italorum / sapientia / ex / Linguae Latinae
Originibus / eruenda / libri tres/ joh. Baptistae a vico/ neapolitani/
Regii Eloquentiae Professoris./ neapoli, mdccx. / Ex
Typographia Felicis Mosca/Permissu Publice. A tradução
italiana utilizada nessas páginas é aquela presente em: VICO,
G. Opere filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e
introdução de Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971 (de
agora em diante citada pela abreviação De ant, indicando em
colchetes as páginas correspondentes à republicação da
tradução italiana: VICO, G. Sull’antichissima sapienza degli
italici. Introdução e organização de Fabrizio Lomonaco,
apresentação de Fulvio Tessitore. Napoli: Scripta Web, 2011;
nova edição com organização e introdução de Fabrizio
Lomonaco, posfácio de Claudia Megale. Napoli: Diogene,
2016).
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2. VICO, G. Risposta di Giambattista Vico all’articolo X del tomo
VIII del “Giornale de’ Letterati d’Italia” (1712). In:____. Opere
filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de
Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.151 (de agora em
diante Risp. II).
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3. VICO, G. Vita di Giambattista Vico scritta da se medesimo.
In:____. Opere. Organização de Andrea Battistini. Milano:
Mondadori, 1990, p.29 (de agora em diante Vita). Disponível
também com reimpressão anastática do exemplar original e
literatura crítica atualizada: VICO, G. Vita di Giambattista Vico
scritta da se medesimo 1723-1728. Organização de Fabrizio
Lomonaco, com Posfácio de Rosario Diana e contributo
bibliográfico de Salvatore Principe. Napoli: Diogene Edizioni,
2012.
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4. De ant., p.60 [58, 60]. Sobre o cartesianismo e o
anticartesianismo no tempo do De antiquissima, além das
investigações magistrais de Badaloni e de Ricuperati sobre o
ceto intellettuale a Napoli e sobre a passagem da Accademia
degli Investiganti àquela dos Medinaceli, são úteis também as
reconstruções de DE GIOVANNI, B. “Facere” e “factum” nel “De
antiquissima”. Quaderni Contemporanei. G. B. Vico nel terzo
centenario della nascita. Organização de Fulvio Tessitore.
Salerno, vol. II, 1969, p.13-16.
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5. De ant., p.62 [64, 66].
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6. De ant., p.66 [80]. Sobre o tema do cogitare e sobre sua fonte
agostiniana insiste oportunamente SANNA, M. Dallo scire al
conscire: un moderno itinerario cognitivo. Bollettino del Centro
di Studi vichiani, Roma, vol.XL, n.1, 2010, p.85-86. Da mesma
autora é valido ver também: Introduzione. In: VICO, G. De
antiquissima italorum sapientia. Organização e tradução italiana
de Manuela Sanna. Roma: Edizioni di Storia e Letteratura,
2005, p.XXXIII-XXXIV (com bibliografia crítica atualizada nas
páginas IX-XV) e o sintético, mas denso contributo: La
métaphysique comme question de méthode. Noesis. La Scienza
Nuova de Giambattista Vico. Organização de Andre Tosel. Nice,
vol.8, 2005.
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7. De ant., p.58 [48, 50].
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8. Risp. II, p.149. Esta impostação do discurso torna pouco
verossímil a “recuperação da cosmologia” conjugada com a
“nova construção metafísica” do último capítulo da monografia
de DONZELLI, M. Natura e humanitas nel giovane Vico. Napoli:
Istituto Italiano per gli Studi Storici, 1970, p.118.
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9. De ant., p.64, 62, 126 [70, 72, 66, 282].
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10. De ant., p.72, 74 [106, 108]. Cf. VICO, G. Risposta del Signor
Giambattista Di Vico nella quale si sciogliono tre opposizioni
fatte da dotto Signore contro il primo libro “De antiquissima
italorum sapientia” ovvero Metafisica degli antichissimi italiani
tratta da’ latini parlari (1711). In:____. Opere filosofiche.
Organização de Paolo Cristofolini e introdução de Nicola
Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.135 (de agora em diante
Risp. I). Cf. também Risp. II, p.156. Os três artigos do Giornale
e as duas Risposte de Vico foram reunidos em: STILE, A.
Polemiche relative al “De antiquissima italorum sapientia” 1711-
1712. Laboratorio dell’ISPF, Napoli, vol.III, n.2, 2006.
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11. Risp. II, p.166. Sobre este tema veja o contributo de CERCHIAI,