Metafísica do gênero humano: natureza e história na obra de Giambattista Vico

Fabrizio Lomonaco, Humberto Guido e Sertório de Amorim e Silva Neto (orgs.) · Capítulo 14 de 14 · parte 3/4

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Metafísica do gênero humano: natureza e história na obra de Giambattista Vico

Posfácio

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

G. La natura integrale dell’uomo. Coscienza e facoltà nel “De

antiquissima italorum sapientia”. Bollettino del Centro di Studi

vichiani, Roma, vol.XL, n.1, p.93-113, 2010. Sobre o assunto

vale ver também as páginas bem documentadas de DIANA, R.

Depotenziamento del Cogito e disappartenenza dell’io: in

margine al “De antiquissima”. Bollettino del Centro di Studi

vichiani, Roma, vol.XL, n.1, p.115-124, 2010.

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12. Risp. II, p.156.

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13. De ant., p.80, 82 [134] e Risp. II, p.149.

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14. De ant., p.68 [90].

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15. É a conhecida tese da interpretação (e inclusive muito aguda e

estimulante) de CORSANO, A. G. B. Vico. Bari: Laterza, 1956,

p.106, 112-114, 118. Polêmico no confronto da leitura

nominalista é BOTTURI, F. La sapienza della storia.

Giambattista Vico e la filosofia pratica. Milano: Vita e Pensiero,

1991, p.90-92.

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16. Parece-me fundada a observação de MORRISON. J. C. Vico’s

Principle of Verum is Factum and the Problem of Historicism.

Journal of the History of Ideas, Pennsylvania, vol.XXXIX, n.4,

p.579-595, 1978, quando escreve que “verum is factum is not a

doctrine about the nature of truth but about the true” (Ibid.,

p.582) e reconhece que a novidade da Scienza Nuova é “the

conception of metaphysics as the science of the mind’s self-

making. The mind as self-made is the factum of which the

verum is the New Science itself. Philosophy is the history of the

History of mind” (Ibid., p.593).

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17. Cf. VITIELLO, V. Il medio assente. Sul concetto di verità nel “De

antiquissima”. In: MATTEUCCI, G. (org.). Studi sul De

antiquissima Italorum sapientia di Vico. Macerata: Quodlibet,

2002, p.88-89 (depois publicado em: VITIELLO, V. Vico. Storia,

Linguaggio, Natura. Roma: Edizioni di Storia e Letteratura,

2008, p.37 et seq), que imputou a Vico a radical impossibilidade

de tal transição de um ponto di vista ontológico. Sobre Vico e o

pensamento do infinito veja o estudo de LOLLINI, M. Vico e il

pensiero dell’infinito. In: MATTEUCCI, G. (org.). Studi sul De

antiquissima Italorum sapientia di Vico. Macerata: Quodlibet,

2002, p.59-64.

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18. Risp. II, p.164.

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19. De ant., p.76, 77 [112]. Cf. LACHTERMAN, D. Vico, Doria e la

geometria sintetica. Bollettino del Centro di Studi Vichiani,

Napoli, v.X, p.10-35, 1980.

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20. “Acredito ser necessário [lemos no De ratione] instruir os jovens

em todas as artes e as ciências com o juízo íntegro. Para tal

fim, a tópica os enriquece com os seus ‘lugares’, enquanto isso,

com o senso comum, progridem na vida prática e na

eloquência, com a fantasia e a memória se enrobustecem

naquelas artes que se servem dessas faculdades e, enfim,

aprendem a crítica para finalmente julgar com o próprio cérebro

sobre as coisas aprendidas […]. Assim, tornar-se-iam exatos

nas ciências, vigilantes na conduta prática da vida, ricos em

eloquência, imaginativos na poesia e na pintura, ardentes de

memória na jurisprudência” (VICO, G. De Nostri Temporis

Studiorum Ratione. Organização e introdução de Fabrizio

Lomonaco. Napoli: Scripta Web, 2010, p.81, 83; nova edição

com organização e introdução de Fabrizio Lomonaco. Napoli:

Diogene, 2014).

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21. Risp. I, p.136.

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22. CORSANO, 1956, p.135.

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23. Em vez de Ficino (objeto dos conhecidos Studi vichiani de

Gentile), Garin e G. Santinello dedicaram pesquisas originais a

Cusano e à “participação metafísica típica do neoplatonismo

cristão”, que foram debatidas por Botturi (1991, p.74-75).

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24. De ant., p.95 [183].

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25. De ant., p.94 [182].

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26. Risp. II, p.161.

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27. De ant., p.86, 88 [152, 154].

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28. Risp. I, p.143. A distância entre física e metafísica é acentuada

na interpretação de Badaloni sobre a “polêmica viquiana contra

a teoria cartesiana do movimento” (BADALONI, N. Laici credenti 37. No que diz respeito a essas expressões, o exemplar aqui

all’alba del moderno. La linea Herbert-Vico. Firenze: Le

Monnier, 2005, p.129-132).

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29. De ant., p.92 [176]. Cf. o contributo de MAZZOLA, R. Vico e

Zenone. In: SANNA, M.; STILE, A. (orgs.). Vico tra l’Italia e la

Francia. Napoli: Guida, 2000, p.311-341. Sobre a confiabilidade

do reclame viquiano da escola zenonista do seu tempo – que

não tem nada de mitológico, pois corresponde a “uma escola ou

uma tendência viva e vigorosa” – consultem as acuradas

considerações de ROSSI, Paolo. Le sterminate antichità e nuovi

saggi vichiani. Firenze, La Nuova Italia editrice, 1999, p.109-

154.

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30. Vita, p.8.

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31. Risp. I, p.141.

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32. De ant., p.104 [216].

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33. De ant., p.106 [218]. Sobre esse tema indico os ricos estudos

de PIZZANI, U. Presenze lucreziane nel giovane Vico. In: AAVV.

Letterature comparate. Problemi e metodo. Studi in onore di

Ettore Paratore. Bologna: Pàtron, 1981, p.1442-1443 e também:

Le ascendenze classiche della psicologia vichiana nel “De

antiquissima italorum sapientia” con particolare riferimento a

Lucrezio. Homo sapiens, homo humanus, Firenze, vol.II, p.151-

169, 1991.

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34. De ant., p.104 [216]. Sobre o tema Cf. PIZZANI, 1981, p.1445.

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35. Cf. PIZZANI, U. Ancora sulla distinzione lucreziana fra animus e

anima nell’interpretazione di G. B. Vico. Vichiana. Miscellanea di

studi in memoria di Francesco Arnaldi. Napoli, vol.XIII, 1984,

p.149 e 142-144.

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36. Risp. II, p.162 e De ant., p.115 [246].

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reproduzido contém uma correção de Vico, que após hominibus

introduz na margem direita: a diis. Trata-se de uma intervenção

objeto da filologia e da ecdótica viquiana de Gentile e Nicolini

até as recentes observações de ADAMO G. De Antiquisima

Italorum sapientia di Giambattista Vico. Indici e ristampa

anastatica. Firenze: Olschki, 1998, e de Vincenzo Placella. Este

último reconheceu elegantemente o sentido dessa variante,

confrontando-a com outra, presente em alguns exemplares

(“mens hominibus dari a diis, immitti”) e privilegiada por Nicolini,

que, porém, privilegiou contaminando-a com a errata do texto

impresso: Cf. PLACELLA, V. Mens hominibus a diis dari, indi,

immitti dicebatur. Tentativo di restauro di un luogo del “De

antiquissima Italorum sapientia”. In:____. Dalla “cortesia” alla

“discoverta del vero Omero”. Studi di critica e filologia italiana e

umanistica (con un inedito di G.B. Vico). Città di Castello:

Università degli studi di Perugia, 1979, p.135-140, assim como:

PLACELLA, V. Questioni ecdotiche relative al De antiquissima e

alle due Risposte del Vico al “Giornale de’ letterati d’Italia”.

In:____. CACCIATORE, G.; STILE, A. (orgs.). L’edizione critica

di Vico: bilanci e prospettive. Napoli: Guida, 1997, p.104-105.

Sobre a definição de animi mens veja: PIZZANI, 1981, p.1437-

1438; 1984, p.152-153.

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38. Refiro-me naturalmente aos famosos estudos de Badaloni e de

Marcialis, de Agrimi, Botturi e Ingegno, além das páginas

recentes de Stile e Cerchiai.

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39. Risp. II, p.162. Na Autobiografia, a definição da ideia platônica

será alcançada mediante o reconhecimento da unidade da

mens divina e das suas “verdades eternas” independentes da

corporeidade: “Daí que isto serviu a ele somente de forte motivo

para confirmar-se, uma vez mais, nos dogmas de Platão, que, a

partir dessa forma da nossa mente humana, sem qualquer

hipótese, estabelece como princípio de todas as coisas a ideia

eterna, a ciência e a consciência que temos de nós mesmos

[…]; ou seja, todas as coisas que dependem do corpo e que,

por isso, são feitas no tempo, ou quando desejamos aplicá-las,

todas, quando conhecemos, são feitas e estão contidas dentro

de nós […] Mas no caso das verdades eternas que não estão

em nós e não dependem do nosso corpo, devemos entender

como princípio das coisas uma ideia eterna inteiramente distinta

do corpo, que em sua cognição, onde queira, cria todas as

coisas no tempo e as contém dentro de si, e ao contê-las, as

suporta. Tal princípio de filosofia estabelece, nas matemáticas,

que as substâncias abstratas têm mais realidade que as

corpóreas” (Vita, p.19-20).

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40. De ant., p.110-111 [232, 234].

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41. STILE, A. Anatomia dell’anima: tra Malebranche e Vico. In:

SANNA, M.; STILE, A. (orgs.). Vico tra l’Italia e la Francia.

Napoli: Guida, 2000, p.265-267.

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42. De ant., p.112 [240].

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43. De ant., p.112, 114 [240, 242, 246].

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44. De ant., p.120 [262].

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45. De ant., p.112 [240].

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46. Risp. I, p.138.

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47. De ant., p.116, 117 [252, 254].

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48. De ant., p.117 [252].

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49. De ant., p.124, 126 [278, 280]. Cf. CACCIATORE, G.

L’ingeniosa ratio di Vico tra sapienza e prudenza. In:

CANTILLO, C. (org.). Forme e figure del pensiero. Napoli: La

città del sole, 2006, p.225-240. Deste autor indicamos as

páginas recentemente reunidas em: In dialogo con Vico.

Ricerche, note, discussioni. Organização de Manuela Sanna,

Rosario Diana e Armando Mascolo. Roma: Edizioni di Storia e

Letteratura, 2015, p.111 et seq.

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50. Risp. II, p.163. Cf. BADALONI, 2005, p.136-139.

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51. Risp. II, p.152.

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52. De ant., p.117 [248].

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53. A este propósito se deve consultar os estudos fundamentais de

OTTO, S. Sachkommentar zu Giambattista Vico “Liber

metaphysicus”. München: Verlag, 1985 e Giambattista Vico.

Lineamenti della sua filosofia. Tradução italiana de M. Romano

e S. Caianiello. Napoli: Guida, 1992, p.54-56. Sobre esses e

outros estudos do pesquisador alemão vejam as reflexões de

CACCIATORE, G. Nuove ricerche sul “Liber Metaphysicus” di

Giambattista Vico. Bollettino del Centro di Studi Vichiani, Roma,

vol.XX, p.211-221, 1990. Sobre a leibniziana analysis situs

discorreu PINCHARD, B. Congruenza, schematismo, sintesi.

Prospettive leibniziane intorno al criterio di verità secondo

Giambattista Vico (tradução italiana de M. Sanna). Bollettino del

Centro di Studi Vichiani, Roma, vol.XX, 1990, p.143 et seq. e

p.151 et seq.

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54. De ant., p.70 [96].

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55. Risp. II, p.167.

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56. De ant., p.128 [286, 288]. Com magistral e eficaz reconstrução

crítica, Badaloni insiste sobre o tema da naturalezza (com o

qual conclui, não por acaso, o parágrafo dedicado por ele ao De

antiquissima), ou de uma filosofia derivada da natureza, visto

que do seu “fundo providente […] ergue-se o campo da história”

(BADALONI, N. Introduzione a G. B. Vico. Milano: Feltrinelli,

1961, p.354). O que autoriza, ainda que sem pretendê-lo, o

retorno à significação tradicional da metafísica viquiana e à tese

da continuidade entre a obra de 1710 e as posteriores edições

da Scienza Nuova. Sobre o verbum mentis que atua como nexo

originário em Deus e no homem veja AGRIMI, M. Et “factum” et

“verum” cum “verbo” convertuntur. In: TRABANT, J. (org.). Vico

und die zeichen / Vico e i segni. Atas do Congresso homônimo.

Berlin, 23-25 setembro 1993. Tübingen: Gunter Narr Verlag,

1995, p.115-117, 125.

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57. Risp. I, p.135.

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58. De ant., p.130 [292].

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59. Desse ponto de vista me parecem pouco convincentes aquelas

reconstruções (como as de SEMERARI, G. Sulla metafisica di

Vico. Quaderni Contemporanei. G. B. Vico nel terzo centenario

della nascita. Organização de Fulvio Tessitore. Salerno, vol. II,

1969, p.37-62) empenhadas em reiterar, da metafísica viquiana,

exclusivamente o seu significado tradicional de “ciência do

fundamento” (Ibid., p.39) identificada, sem mais, com a teologia

(Ibid., p.40). O que leva a uma desvalorização da nova

contribuição que a teoria do ingenium agrega ao senso comune,

expressão, segundo aquela leitura equivocada, de “um ulterior

aspecto do anistoricismo e do fideísmo de fundo da filosofia

viquiana” (Ibid., p.47) e de uma metafísica presente na “forma

ontologista (ou tendencialmente) do De antiquissima” e na

“forma da filosofia do espírito da Scienza Nuova” (Ibid., p.56).

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60. De ant., p.68, 70 [92]. Uma tensão entre “metafísica clássica” e

“construtivismo da nova ciência” emerge da aguda reconstrução

de CARILLO, G. Vico: Origine e geneaologia dell’ordine. Napoli:

Editoriale Scientifica, 2000, p.52-55.

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61. Sobre o tema Cf. BADALONI, 2005, p.142-143.

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62. “Mas nós, na nossa metafísica, às coisas inanimadas e aos

brutos havíamos denegado o esforço, o conato, e às razões

físicas, que os físicos e os mecânicos chamam, com o vulgo, os

esforços, os conatos dos corpos, nos opomos, dizendo serem

eles movimentos simples, reportando o esforço, o conato só à

mente, que, possuidora do livre-arbítrio, pode substare, subsistir

potencialmente […] e o movimento pode igualmente subsistir e

estar no esforço, por isso, o jus natural primário não pode

estender-se aos brutos, sentença com que parecem concordar

os Latinos, que, com o nome de brutum, significavam qualquer

coisa desprovida de força, quidquid est sine vi” (VICO, G. De

universi iuris uno principio et fine uno (1720). In:____. Opere

giuridiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de

Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1974, cap. LXXV, p.94. Para

as referências ao texto latino veja a reimpressão anastática do

exemplar conservado na Biblioteca Nacional de Nápoles

“Vittorio Emanuele III” [segn. XIII B 62]: VICO, G. De universi

iuris uno principio et fine uno. Organização de Fabrizio

Lomonaco e apresentação de Fulvio Tessitore. Napoli: Liguori,

2007.

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Com Vico nos “subterrâneos da alma”

 

Pesquisadora doutora do Dipartimento di Studi Umanistici da

Università degli Studi di Napoli “Federico II”.

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1. VICO, G. De nostri temporis studiorum ratione (1709).

Organização e introdução di Fabrizio Lomonaco. Napoli:

ScriptaWeb, 2010, p.47; nova edição com organização e

introdução de Fabrizio Lomonaco. Napoli: Diogene, 2014 (de

agora em diante De rat.).

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2. De rat., p.72-73.

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3. DONZELLI, M. Natura e humanitas nel giovane Vico. Napoli:

Istituto Italiano per gli studi storici, 1970, p.101. Cf. BADALONI,

N. Introduzione a G.B. Vico. Milano: Feltrinelli, 1961, p.327.

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4. BADALONI, 1961, p.327.

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5. GRASSI, E. Vico e l’umanesimo. Milano: Guerini & Associati,

1990, p.139.

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6. VICO, G. De antiquissima italorum sapientia (1710). In:____.

Opere filosofiche. Organização di Paolo Cristofolini e introdução

de Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.108 (de agora em

diante De ant.).

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7. LOMONACO, F. Introduzione. In: VICO, G. Sull’antica sapienza

degli italici. Organização e introdução de Fabrizio Lomonaco,

apresentação de Fulvio Tessitore. Napoli: ScriptaWeb, 2011,

p.XXIX (nova edição com organização e introdução de Fabrizio

Lomonaco, posfácio de Claudia Megale. Napoli: Diogene,

2013).

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8. VICO, G. Diritto universale. In:____. Opere giuridiche.

Organização de Paolo Cristofolini e introdução de Nicola

Badaloni. Firenze: Sansoni, 1974, p.387-388.

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9. De ant., p.70-72.

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10. CASSIRER, E. Dall’umanesimo all’Illuminismo. Firenze: La

Nuova Italia, 1995, p.276.

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11. De ant., p.72, 74.

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12. De ant., p.104.

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13. De ant., p.112.

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14. VICO, G. Oratio I. In:____. Le Orazioni inaugurali. I-VI.

Organização e tradução italiana de G. Visconti. Bologna: Il

Mulino,1982, p.78-79.

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15. D’ANTUONO, E. Su Vico e la psicologia moderna. Bollettino del

Centro di studi vichiani, Napoli, vol.VII, p.180, 1977.

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16. JUNG, C. G. La dinamica dell’inconscio. In:____. Opere. Torino:

Boringhieri, 1976, v.VIII, p.402.

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17. D’ANTUONO, 1977, p.180.

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18. CASSIRER, 1995, p.266.

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19. CASSIRER, 1995, p.266.

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20. HILLMAN, J. L’anima del mondo e il pensiero del cuore. Milano:

Garzanti, 1993, p.8.

↲

21. HILLMAN, J. Re-visione della psicologia. Milano: Adelphi, 1983,

p.14.

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22. CAROTENUTO, A. Trattato di psicologia della personalità.

Milano: R. Cortina Editore, 1991, p.268.

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23. HILLMAN, J. Psicologia: monoteistica o politeistica? In:

HILLMAN, J.; MILLER, D. Il nuovo politeismo. Milano: Edizioni

di Comunità, 1983, p.123.

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24. CAROTENUTO, 1991, p. 272.

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25. HILLMAN, J. Sulla creatività psicologica. In:____. Il mito

dell’analisi. Milano: Adelphi, 1979, p.198.

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26. De ant., p.104.

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27. JUNG, La dinamica dell’inconscio, op. cit., p.445.

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28. JUNG, C. G. L’Io e l’inconscio. In:____. Opere. Torino:

Boringhieri, 1976, v.VII, p.173.

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29. JUNG, L’Io e l’inconscio, op. cit., p.110.

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30. JUNG, L’Io e l’inconscio, op. cit., p.112.

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31. HILLMAN, 1993, p.13.

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32. HILLMAN, 1993, p.23.

↲

33. JUNG, C. G. Tipi psicologici. In:____. Opere. Torino: Boringhieri,

1976, v.VI, p.56-57, 62-63.

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34. TREVI, M. Introduzione. In: JUNG, C. G. L’Io e l’inconscio.

Tradução italiana de A. Vita. Torino: Boringhieri, 1985, p.25.

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Vico moderno além da modernidade

 

Pesquisador do Istituto per la Storia del Pensiero Filosofico e

Scientifico Moderno (ISPF-CNR) de Nápoles, que atualmente

abriga o Centro di Studi Vichiani. O capítulo propõe na parte

central, com alguma leve modificação, um estudo publicado

pelo autor há alguns anos: DIANA, R. Depotenziamento del

cogito e disappartenenza dell’io. In margine al “De

antiqüíssima”. Bollettino del Centro di Studi Vichiani, Roma,

v.XL, n.1, p.115-124, 2010.

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1. “Podemos demonstrar as verdades geométricas por que as

fazemos; se pudessemos demonstrar aquelas físicas, as

faríamos [geometrica demonstramus, quia facimus; si physica

demonstrare possemus, faceremus]” (VICO, G. De nostri

temporis studiorum ratione (1709). In:____. Opere. Organização

de Andrea Battistini. Milano: Mondadori, 2001, cap.IV, p.116-

117). Esta auto-citação do De ratione encontra-se em: VICO G.

De antiquissima italorum sapientia (1710). Organização e

tradução italiana de Manuela Sanna. Roma: Edizioni di Storia e

Letteratura, 2005, cap.III, p.54-55 (de agora em diante De ant).

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2. Sobre isto, ver as sintéticas e eficazes páginas de ROSSI, P. Le

sterminate antichità e nuovi saggi vichiani. Firenze: La Nuova

Italia, 1999, p.18 et. seq.

↲

3. SANNA, M. Introduzione. In: VICO G., De antiquissima italorum

sapientia. Organização e tradução italiana de Manuela Sanna.

Roma: Edizioni di Storia e Letteratura, 2005, p.XXI. Esse denso

estudo introdutório de Sanna apresenta um mapa

históricodocumental e teorético-problemático aprofundado do

De antiquissima e, por isso, muito útil (p.XVII-XXXV). Para

investigações temáticas sobre essa obra viquiana: OTTO, S.;

VIECHTBAUERS, H. (orgs.). Sachkommentar zu Giambattista

Vico ‘Liber metaphysicus’. München: Fink, 1985; MATTEUCCI,

G. (org.). Studi sul ‘De antiquissima italorum sapientia’ di Vico.

Macerata: Quodlibet, 2002.

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4. Sobre estas questões, especificamente no De antiquissima, e

para uma bibliografia relativa ao assunto indico: DIANA, R.

Ragione narrativa ed elaborazione dialogica del sapere.

L’autobiografia di Giambattista Vico e il suo contenuto

problematico. Bollettino del Centro di Studi Vichiani, Roma,

v.XXXIV, p.127-143, 2004. Sobre a natureza ficcional da

referência de Vico à antiga sabedoria itálica insistem – como já

havia feito Giovanni Gentile (GENTILE, G. Studi vichiani.

Organização de V. A. Bellezza. Firenze: Sansoni, 1968, p.107;

também na carta a Benvenuto Donati de 10 janeiro de 1936. In:

GENTILE, G., DONATI, B. Carteggio 1920-1943. Organização

de P. Simoncelli. Firenze: Le Lettere, 2002, p.65) – Enzo Paci

(PACI, E. Ingens Sylva. Organização de V. Vitiello. Milano:

Bompiani, 1994, p.61) e Nicola Badaloni (BADALONI, N.

Introduzione a G.B. Vico. Milano: Feltrinelli, 1961, p.338). Como

alternativa a esta famosa e plausível hipótese de leitura, deseja-

se aqui acentuar – como feito já em outro lugar (DIANA, 2004,

p.131 et. seq. e nota 56) – os motivos intrínsecos ao estilo do

filosofar viquiano, que conduzem o autor do De antiquissima, no

ato de fixar os alicerces do próprio pensamento, a pesquisar a

relação (real ou imaginária) com um antiquíssimo saber. Para

uma visão ampla e bem documentada sobre o mito do antigo

saber dos itálicos: CASINI, P. L’antica sapienza italica.

Cronistoria di un mito. Bologna: il Mulino, 1998; MAZZOLA, R.

L’antica sapienza italica. In:____. Metafisica, Storia, Erudizione.

Saggi su Giambattista Vico. Firenze: Le Cáriti, 2007, p.205-220.

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5. De ant., cap.IV, §1, p.66-67.

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6. De ant., cap.I, §2, p.30-31.

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7. De ant., cap.I, §2, p.30-31. Os grifos são meus, exceto tabula

rasa, que é de Manuela Sanna.

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8. VICO, G. Risposta di Giambattista Vico all’articolo X del tomo

VII del “Giornale de’ Letterati d’Italia”. In:____. Opere filosofiche.

Organização de Paolo Cristofolini e introdução de Nicola

Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.167 (de agora em diante

Risp. II). Os três artigos do Giornale e as duas respostas de

Vico estão agora reunidos em: STILE, A. Polemiche relative al

De antiquissima italorum sapientia 1711-1712. Laboratorio

dell’ISPF. Napoli, vol.III, n.2, 2006. Sobre a relação de Vico com

Descartes, ver também: BOVÉ, P. A. Vico and Philological

Criticism. In:____. A Poetry against Torture. Criticism, History

and the Human. Hong Kong: University Press, 2008, p.14 et

seq. Naturalmente o anticartesianesimo de Vico, que “na

primeira década do 700 em Nápoles […] constituía uma posição

seguramente heterodoxa em relação à ideologia dominante na

classe dos intelectuais” (DE GIOVANNI, B. “Facere” e “factum”

nel “De antiqüíssima”. Quaderni Contemporanei. G. B. Vico nel

terzo centenario della nascita. Organização de Fulvio Tessitore.

Salerno, v.II, 1969, p.21), é muito mais rico e articulado e não

se reduz somente às questões que aqui estamos colocando

(para indicações bibliográficas atualizadas, indico: ARMANDO,

D.; RICCIO, M. Settimo contributo alla bibliografia vichiana

2001-2005. Roma: Edizioni di Storia e Letteratura, 2008, bem

como os volumes precedentes da bibliografia viquiana

publicados por outros estudiosos).

↲

9. De ant., cap.I, p.14. Sobre o verum-factum “antes” e “depois” de

Vico: MONDOLFO, R. Il “verum-factum” prima di Vico. Napoli,

Guida, 1969; CHILD, A. Fare e conoscere in Hobbes, Vico e

Dewey. Napoli: Guida, 1970; NAVE, A. Il “verum-factum”

vichiano tra filosofia scotistica e filosofia crociana. In: VERRI, V.

(org.), Vico e il pensiero contemporaneo. Lecce: Milella, 1991,

p.342-349; MARTIRANO, M. Vero-fatto. Napoli: Guida, 2007.

↲

10. VICO, G. Risposta del signor Giambattista di Vico nella quale si

sciolgono tre opposizioni fatte da dotto signore contro il primo

libro ‘De antiquissima italorum sapientia’ ovvero metafisica degli

antichissimi italiani tratta da’ latini parlari. In:______. Opere

filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de

Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.144 (de agora em

diante Risp. I). Sobre o conceito viquiano de causa ver também:

Risp. I, p.136.

↲

11. Risp. II, p.149.

↲

12. De ant., cap.III, p.52-53.

↲

13. De ant., cap.I, p.14-15.

↲

14. De ant., cap I, p.14-15.

↲

15. De ant., cap.I, p.16-17.

↲

16. PACI, 1994, p.62.

↲

17. De ant., cap.I, p.16-17, grifos meus. Sobre tais questões, ver

também: De ant., cap.III, p.136-137 e cap.I, §1, p.18-19; Risp.

II, p.156. Com eficiência Mark Lilla sintetizou assim este ponto:

“Deus cria com elementos que ele mesmo contém dentro dele

[…]. O homem é um ente criado, para quem todos os objetos

criados por Deus são elementos externos, não internos” (LILLA,

M. Giambattista Vico: the Making of an Anti-Modern.

Cambridge-London: Harvard University, 1993, p.25). Sobre a

distinção ontognoseológica entre Deus e o homem Cf.

ROTENSTREICH, N. Between Partecipation and Constitution.

In: OTTO, S.; VIECHTBAUERS, H (orgs.). Sachkommentar zu

Giambattista Vico ‘Liber metaphysicus’. München: Fink, 1985,

p.87-97; CASTELLANI, C. Metafisica della mente e “verum-

factum”. Un confronto di Vico con Cartesio. In: KELEMEN, J.;

PÁL, J. (orgs.), Vico e Gentile. Atas da Giornate di Studio sulla

Filosofia Italiana. Roma, p.25-27 maggio 1994. Soveria

Mannelli: Rubbettino, 1995, p.81 et seq.

↲

18. De ant., cap.III, p.52-53, grifos meus; ver também: De ant.,

cap.VII, p.114-115. Escreve de forma inequívoca Vico: “As

matemáticas são as únicas ciências que induzem a verdade

humana, porque unicamente elas procedem à semelhança da

ciência de Deus” (Risp. I, p.135, grifos meus); Cf. também Risp.

I, p.139 e Risp. II, p.156.

↲

19. De ant., cap.VII, p.114-115.

↲

20. Risp. II, p.156.

↲

21. Risp. II, p.156, grifos meus.

↲

22. De ant., cap.I, p.38-39; Cf. também Risp. II, p.156. Escreve

oportunamente Paci: “Deus […] é a verdade primeira, é […] a

norma do verdadeiro: a regra do conhecer humano” (PACI,

1994, p.64).

↲

23. De ant., Conclusione, p.142-143. Cf. também Risp. II, p.135. A

“gnosiologia do De antiquissima” – observa para tal propósito,

com recorte crítico, Mario Agrimi – indica a “fundação

intencional de uma ‘ciência humana’, que claramente define as

próprias fronteiras em relação ao ‘ceticismo’ e ao ‘dogmatismo’

[…], abrindo criticamente o conhecimento somente aos reais

saberes humanos que são os verossímeis e os prováveis”

(AGRIMI, M. Et “factum” et “verum” cum “verbo” convertuntur.

In: TRABANT, J. (org). Vico und die Zeichen / Vico e i segni.

Atas do Congresso homônimo. Berlin 23-25 setembro de 1993.

Tübingen: Gunter Narr Verlag, 1995, p.121 et seq.). Sobre o

tema da metafísica a partir do tema da limitação/debilidade do

homem, veja também as interessantes observações de

CACCIATORE, G. Filosofia civile e filosofia pratica in

Giambattista Vico. In: CACCIATORE, G.; MARTIRANO, M.

(orgs.). Momenti della filosofia civile italiana. Napoli: Città

nuova, 2008, p.39 et seq.

↲

24. CACCIATORE, G. Finito e infinito nella filosofia vichiana della

storia. In:____.L’infinito nella storia. Saggi su Vico. Napoli: Esi,

2009, p.9, 16 et seq.

↲

25. CACCIATORE, G. Metaphysik, Poesie und Geschichte. Über

die Philosophie von Giambattista Vico, Berlin: Akademie Verlag,

2002, p.53.

↲

26. De ant., cap.I §1, p.26-27.

↲

27. De ant., cap.I, §2, p.36-37.

↲

28. Risp. I, p.135.

↲

29. De ant., cap.I, §2, p.36-37.

↲

30. Risp. I, p.135.

↲

31. De ant., cap.I, §2, p.32-35.

↲

32. Na primeira Risposta Vico explica que o cogito, ergo sum

cartesiano deveria ser traduzido utilizando o verbo existir e não

ser, assim: penso, logo existo e não penso, logo sou. Isto

porque “existir [esistere] não soa senão como esserci, esser

sorto, star sovra […]. Isto que surgiu [è sorto], surge de alguma

outra coisa […]. O subjugar [sovrastare] afirma outra coisa, que

está sob [sotto]” (Risp. I, p.143; Cf. também Risp. II, p.158-159).

Ao homem, por sua vez, é próprio o existir e não o ser, pois a

sua natureza é a de um atributo. O ser diz respeito só a Deus,

que tem estatuto de substância e, por isso, em absoluta

autossuficiência ontológica, “sustenta, mantém, contém tudo;

dele tudo parte, para ele tudo retorna” (Risp. I, p.144).

↲

33. De ant., cap.I, §2, p.32-35. A referência é ao Amphitruo plautino

e ao personagem Sósia, servo de Anfitrião. Sósia, levado a

duvidar da própria identidade pessoal por Mercúrio – plantando-

se, com as semelhanças do servo, diante da casa do seu

senhor em Tebas, a fim de consentir a Júpiter (nas vestes do

dono da casa, por sua vez) de possuir tranquilamente Alcmena,

que estava prometida a Anfitrião –, se livra do embaraço ao

final de um interessante diálogo com o deus enganador

afirmando autodefensivamente: “Mas quando penso nisso, não

tenho dúvida de que sou aquilo que sempre fui [sed quom

cogito, equidem certo idem sum qui semper fui]” (PLAUTO, T.

M. Anfitrione. Tradução italiana de M. Scàndola. Milano: Rizzoli,

2002, v.447, p.142-143).

↲

34. Se é verdade, como quer Vico, que as “coisas humanas” estão

dominadas pelo “capricho, temeridade, oportunismo, fortuna”

(De ant., cap.VII, §4, p.120-121), não é possível não

compartilhar aqui das rigorosas observações di Fulvio Tessitore,

quando – iluminando outros aspectos cruciais do dissídio

metodológico de Vico com Descartes – escreve que “proceder

com o método das ideias claras e distintas em um mundo do

qual não são conhecidos os bem numerosos elementos e suas

conexões […], significa desligar o método da vida das coisas,

quer dizer, realizar um exercício de lógica silogística vão, sem

condições de assegurar a certeza do conhecimento […], à qual

serve, ao mesmo tempo, a investigação […] e o juízo”

(TESSITORE, F. Senso comune, teologia della storia e

storicismo in Giambattista Vico. In:____. Nuovi contributi alla 41. CROCE, B. La filosofia di G.B. Vico. Bari: Laterza, 1911. Sobre

storia e alla teoria dello storicismo. Roma: Edizioni di Storia e

Letteratura, 2002, p.17).

↲

35. VITIELLO, V. Il medio assente. Sul concetto di verità nel “De

antiquissima”. In:_____. Vico. Storia, linguaggio, natura. Roma:

Edizioni di Storia e Letteratura, 2008, p.47.

↲

36. De ant., cap.I, §2, p.34-35.

↲

37. De ant., cap.I, §2, p.36-37.

↲

38. É a expressão usada por Mario Papini no início de um estudo

de 1991 sobre o De antiquissima, no qual, com entusiasmo

profético – apoiado em razões compartilhadas, mas diversas

daquelas aqui indicadas e desenvolvidas –, se dizia “convicto

de que os anos 90” do século passado teria visto “uma

formidável recuperação do até agora desconhecido De

antiquissima italorum sapientia. Esta fascinante redescoberta”

teria acontecido “não somente no âmbito circunscrito da

hermenêutica viquiana”, mas também “no teatro muito mais

vasto da história do pensamento filosófico e científico da inteira

idade barroca” (PAPINI, M. Opzione barocca per il “De

antiquissima”. In: VERRI, V. (org.). Vico e il pensiero

contemporaneo. Lecce: Milella, 1991, p.352).

↲

39. Cf. DI FRANCESCO, M.; MARRAFFA, M. Introduzione. Il

soggetto e l’ordine del mondo. In: DI FRANCESCO, M.;

MARRAFFA, M. (orgs). Il soggetto. Scienze della mente e

natura dell’io. Milano: Mondadori, 2009, p.4.

↲

40. JOICE, J. Our Exagmination Round His Factification for

Incamination of Work in Progress. Paris: Shakespeare and C.,

1929; também publicado em versão italiana: JOICE, J.

Introduzione a ‘Finnegan’s Wake’. Tradução italiana de F. Saba

Sardi. Milano: Sugar, 1964.

↲

Beckett leitor de Vico e de Croce: BATTISTINI, A. Beckett e

Vico. Bollettino del Centro di Studi Vichiani, Napoli, v.V, p.78-86,

1975, em particular p.81 et seq.

↲

42. CROCE, B. The Philosophy of G.B. Vico. Tradução inglesa de

R. G. Collingwood. London: Howard Latimer, 1913.

↲

43. BECKETT, S. Teatro completo. Drammi. Sceneggiature.

Radiodrammi, Pièces televisive. Organização de P. Bertinetti,

tradução italiana de C. Fruttero. Torino: Einaudi-Gallimard,

1994, p.407-413.

↲

44. BECKETT, S. Catastrophe et autres dramaticules. Paris: Minuit,

1982.

↲

45. Cf. BECKETT, 1994, p.439-449, 489-499, 501-507.

↲

46. Cf. BECKETT, 1994, p.179-191.

↲

 

O critério do verum-factum de Vico e

 

seus antecedentes escolásticos e

 

medievais

 

Professor do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-

Graduação em Filosofia da Universidade Estadual Paulista

(UNESP).

↲

 

1. FERNANDEZ, J. M. S. L’argomentazione storica del criterio

verum-factum. Considerazioni metodologiche, epistemologiche

e ontologiche. Bollettino del Centro di Studi Vichiani, Vol.XVI,

Napoli, 1986, p.307.

↲

2. VICO, G. Dell’antichissima sapienza italica da dedursi dalle

origini dela lingua latina. In:____. Opere. Organização de

Fausto Nicolini. Milano-Napoli: Riccardo Ricciardi Editore, 1953,

I, 1 (de agora em diante De ant.).

↲

3. De ant., loc. cit.

↲

4. De ant., I, 2.

↲

5. MONDOLFO, R. Verum factum desde antes de Vico hasta

Marx. Tradução espanhola de Oberdan Caletti. Buenos Aires:

Siglo Veintiuno Argentina Editores, 1971, p.21-22.

↲

6. FERNANDEZ, 1986, p.317.

↲

7. De ant., I, 3.

↲

8. De ant., I, 4.

↲

9. Imediatamente, na sequência, Vico explica esta distinção entre

o pensar, que é próprio da mente humana, e o entender, que

pertence à mente divina: “Quanto a este fato, Deus reúne todos

os elementos das coisas, tanto extrínsecos quanto intrínsecos,

que contém e ordena; a mente humana, que por ser limitada

estão fora dela todas as outras coisas que não são ela mesma,

reúne somente as coisas remotas, nunca todas elas; assim

pois, decerto pode pensar sobre as coisas, não pode entendê-

las; por isso, participa da razão, não está na posse dela.” (De

ant., I, 4)

↲

10. De ant., I, 1.

↲

11. De ant., I, 3.

↲

12. De ant., I, 2.

↲

13. De ant., I, 3.

↲

14. De ant., loc. cit.

↲

15. De ant., I, 4.

↲

16. De ant., I, 1.

↲

17. GENTILE, G. Studi vichiani. Firenze: Sansoni, 1968.

↲

18. MONDOLFO, 1971, p.17. Cf. ISNARDI PARENTE, M. Il Vico e il

pre-Vico di Rodolfo Mondolfo. Bolettino del Centro di Studi

Vichiani, Napoli, vol.VII, 1977, p.73.

↲

19. VASOLI, C. Vico, Tommaso d’Aquino e il tomismo. Bollettino del

Centro di Studi Vichiani, Napoli, vol. IV, 1974, p.10.

↲

20. CROCE, B. Le fonti della gnosiologia vichiana. In:____. Saggio

sullo Hegel seguito da altri scritti di storia della filosofia. Bari:

Laterza, 1913, p.245, 247.

↲

21. Cf. LÖWITH, K. Verum et factum convertuntur: le premesse

teologiche del principio di Vico e le loro conseguenze secolari.

In: AAVV. Omaggio a Vico. Napoli: Morano, p.73-112, 1968.

↲

22. VASOLI, 1974, p.10; 12-13.

↲

 

Vico e a tradição cartesiana

 

Professor de História das Ideias e Filosofia Política Italiana na

Faculté des Langues da Université Jean Moulin Lyon 3.

↲

 

1. A respeito do confronto Vico-Descartes, ver: BELAVAL, Y. Vico

et l’anticartésianisme. Les Études philosophiques. Giambattista

Vico: une philosophie non-cartésienne. Paris, n.3-4, p.311-325,

1968; SEMERARI, G. Intorno all’anticartesianesimo di Vico. In:

AAVV. Omaggio a Vico. Napoli: Morano, 1968, p.195-232;

CREASE, R. Vico and the Cogito. In: TAGLIACOZZO, G. (org.).

Vico, Past and Present. Atlantic Highlands: Humanities Press,

1981, vol.I, p.171-1821; CASTELLANI, C. La metafisica tra “De

antiquissima” e “Scienza nuova”. Un confronto di Vico con

Cartesio. In:____. Della cronologia alla metafisica della mente.

Saggio su Vico, Bologna: Il Mulino, 1995, p.115-143;

BERMUDO, J. M. Vico y Descartes. Cuadernos sobre Vico,

Sevilla, n.9-10, p.23-41, 1998. Citamos, por fim, um estudo

recente de DAMIANI, A. M. Giambattista Vico: la ciencia

anticartesiana. Buenos Aires: Editorial Almagesto, 2000.

Permitimonos igualmente evocar nosso estudo: GIRARD, P.

Giambattista Vico critique de Descartes? In: KOLESNIK-

ANTOINE, D. (org.). Qu’est-ce qu’être cartésien? Lyon: ENS

Éditions, 2013.

↲

2. VICO, G. Risposta del Signor Giambattista Di Vico nella quale si

sciogliono tre opposizioni fatte da dotto Signore contro il primo

libro “De antiquissima italorum sapientia” ovvero Metafisica degli

antichissimi italiani tratta da’ latini parlari (1711). In:____. Opere

filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de

Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.135.

↲

3. A respeito da influência de Newton no pensamento italiano, ver:

FERRONE, V. Scienza, natura, religione: mondo newtoniano e

cultura italiana nel primo Settecento. Napoli: Jovene, 1982. A

respeito da rivalidade entre Descartes e Newton em Nápoles,

ver: LOJACONO, E. Immagini di René Descartes nella cultura

napoletana (1644-1755). Lecce: Conte, 2003, p.132 et seq.

Mais genericamente, a respeito da evolução do estatuto do

cartesianismo em Nápoles, ver: AJELLO, R. Cartesianismo e

cultura oltremontana al tempo dell’Istoria civile. In: AJELLO, R.

(org.). Pietro Giannone e il suo tempo. Napoli: Jovene, 1980,

v.1, p.1-181.

↲

4. VICO, G. Œuvres choisies. Organização de J. Michelet. Paris:

Hachette, 1835.

↲

5. A respeito do confronto Vico-Michelet, ver: FASSÒ, G. Un

presunto discepolo del Vico: Giulio Michelet. In: AAVV. Omaggio

a Vico. Napoli: Morano, 1968, p.483-550; PONS, A. De la

nature commune des nations au peuple romantique. Note sur

Vico et Michelet. Romantisme, n.9, 1975, p.39-49.

↲

6. MICHELET, J. Discours sur le système et la vie de Vico. In:

GAUCHET, M. (org.). Philosophie des sciences historiques.

Paris: Le Seuil, 2002, p.195.

↲

7. A respeito desse ponto, ver: NUZZO, E. Vico, lo storicismo, gli

storicismi. In: _______. Tra ordine della storia e storicità. Saggi

sui saperi della storia in Vico. Roma: Edizioni di Storia e

Letteratura, 2001, p.1-55.

↲

8. “Em nenhuma parte os abusos da nova filosofia foram atacados

com mais força e moderação: o distanciamento dos estudos

históricos, o desdém do senso comum da humanidade, a mania

de reduzir à arte o que deve ser legado à prudência individual, a

aplicação do método geométrico às coisas que não comportam

em nada uma demonstração rigorosa etc.” (MICHELET, 2002,

p.198-199).

↲

9. Ver notadamente: VERENE, D. P. Vico’s Science of Imagination.

Ithaca and London: Cornell University Press, 1981; GRASSI, E.

Vico e l’umanesimo. Milano: Guerini & Associati, 1990.

↲

10. Ver: STERNHELL, Z. Les anti-Lumières. Du XVIIIe siècle à la

guerre froide. Paris: Fayard, 2006, p.7. Ver igualmente: LILLA,

M. G. B. Vico. The Making of an Anti-Modern. Cambridge:

Harvard University Press, 1993.

↲

11. É a expressão que emprega Gueroult em seu estudo a respeito

de Vico e Descartes: GUEROULT, M. Vico: le renversement du

refus cartésien en Italie; prélude à une philosophie de l’histoire

des idées. In:____. Histoire de l’histoire de la philosophie. Paris:

Aubier, 1984, t.1, p.225-235.

↲

12. O segundo volume redigido por Vico, De aequilibrio corporis

animantis, foi perdido.

↲

13. Ver, por exemplo, Otto que considera que o De antiquissima é o

escrito “fundamental” de Vico e que constitui, por conseguinte,

uma etapa obrigatória para abordar verdadeiramente o conjunto

de sua obra: OTTO, S. Vor allem das lange vor der Arbeit an

der Neuen Wissenschaft verfaßte Metaphysische Buch wird

dem Leser dann zur “Grundschrift” für eine nicht bloß

entzifferende, sondern verstehende Vico-Lektüre werden

müssen. In:____. Giambattista Vico. Grundzüge seiner

Philosophie. Stuttgart-Berlin-Köln: Kohlhammer, 1989, p.28.

↲

14. VICO, G. Vita di Giambattista Vico scritta da se medesimo.

In:____. Opere. Organização de Andrea Battistini. Milano:

Mondadori, 1990, p.41-43 (de agora em diante Vita).

↲

15. A respeito desse ponto, ver: MAZZOLA, R. Vico e l’antica

sapienza itálica. Bollettino del Centro di Studi Vichiani, Napoli,

v.XXX, p.199-211, 2000.

↲

16. VICO, G. Princìpj di Scienza nuova d’intorno alla comune natura

delle nazione (1744). Organização de Fausto Nicolini. Milão:

Ricciardi, 1992, §127-128 (de agora em diante Sn44). “A tal

vaidade de nações se acrescenta aqui a vaidade dos doutos, os

quais, isto que sabem, querem que seja antigo tanto quanto o

mundo”.

↲

17. Sn44, §125-126. “Da vaidade das nações ouvimos aquele

áureo dito de Diodoro Sicolo: que as nações, ou gregas ou

bárbaras, tiveram tal vaidade: de ter encontrado, antes de todas

as outras, as comodidades da vida humana e de conservar as

memórias das suas coisas desde o princípio do mundo”.

↲

18. Essa consideração, de resto, é válida igualmente para algumas

teses célebres do De antiquissima, como o princípio do verum-

factum, a saber, a convertibilidade entre o verdadeiro e o fazer,

que alguns comentadores consideram ser a chave interpretativa

do conjunto da obra de Vico: “Latinis verum et factum

reciprocantur, seu, ut Scholarum vulgus loquitur, convertuntur

(VICO, G. De antiquissima italorum sapientia. In:_____. Opere

filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de

Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.63. De agora em

diante De ant.). Parece-nos que há aqui um passo interpretativo

que força, de alguma forma, a complexidade do pensamento de

Vico, mesmo sua evolução, tentando reduzi-la, a todo custo, a

um princípio heurístico único. Se, ao contrário, se observa o

texto em detalhe, os problemas, as polêmicas nas quais ele se

insere, vê-se claramente que o contexto de 1710 não pode ser

considerado como homogêneo àquele da Scienza nuova. O que

impõe dificuldade em tal leitura, é que se retira artificialmente

de um texto abandonado por Vico um princípio explicativo e se

lhe isola, para lhe outorgar em um segundo momento um valor

explicativo global do conjunto da obra. A respeito dessas

leituras, ver: LÖWITH, K. Verum et factum convertuntur: le

premesse teologiche del princípio di Vico e le loro conseguenze

secolari. In: AAVV. Omaggio a Vico. Napoli, Morano, 1968, p.73-

112; FELLMANN, F. Das Vico-Axiom: Der Mensch macht die

Geschichte. Friburg-München: Alber-Broschur Philosophie,

1976; OTTO, S. Interprétation transcendantale de l’axiome

verum et factum convertuntur. Archives de philosophie, Paris,

t.40, p.13-39, 1977. Ver, por fim, as análises recentes e

convincentes de VANZULLI, M. La scienza di Vico. Il sistema

del mondo civile. Milano: Mimesis, 2006, p.95-118.

↲

19. A respeito desse ponto, ver: CRISTOFOLINI, P. La Scienza

nuova di Vico. Introduzione alla lettura. Roma: La Nuova Italia,

1995, p.16-18.

↲

20. De ant., p.121.

↲

21. De ant., p.73.

↲

22. Ver, por exemplo, a crítica desenvolvida por DORIA, P. M.

Discorsi critici filosofici intorno alla filosofia degl’Antichi, e de’

Moderni; ed in particolare intorno alla filosofia di Renato

Descartes. Con un progetto di una metafisica. Venezia, 1724.

↲

23. Vita, p.22.

↲

24. Vita, p.20.

↲

25. Vita, p.20.

↲

26. Mais genericamente, a respeito do sucesso da física na

recepção de Descartes na Itália, ver: MICHELI, G. Le Discours

de la méthode et la science cartésienne chez les scientifiques

italiens du XVIIe siècle. In: MÉCHOULAN, H. (org.).

Problématique et réception du Discours de la méthode et des

Essais. Paris: Vrin, 1988, p.153-169.

↲

27. Vita, p.21.

↲

28. A respeito desse ponto, evocamos nosso estudo: GIRARD, P.

Matérialisme et politique: les enjeux de la réception du

cartésianisme à Naples à l’Âge classique. Corpus. Matérialisme

et cartésianisme. n.61, p.113-132, 2011.

↲

29. Vita, p.7.

↲

30. A respeito desse ponto, ver: GRASSI, E. Le refus du modèle

mathématique de la science chez Vico. In:____. Humanisme et

marxisme. Paris: L’Âge d’homme, 1978, p.123-125; CORSANO,

A. Vico and Mathematics. In: TAGLIACOZZO, G.; WHITE, H.

(orgs.). Giambattista Vico. An International Symposium.

Baltimore: Johns Hopkins Press, 1969, p.425-437. Evocamos

também o nosso artigo: GIRARD, P. Science et sagesse 48. A respeito do confronto Vico-Spinoza, Cf. MORRISON, J. Vico

poétique dans la philosophie de Giambattista Vico. Noesis. La

Scienza nuova de Giambattista Vico. Organização de Andre

Tosel. Nice, 8, 2005.

↲

31. VICO, G. Risposta di Giambattista Vico all’articolo X del tomo

VIII del “Giornale de’ Letterati d’Italia”. In:______. Opere

filosofiche. Organização de Paolo Cristofolini e introdução de

Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1971, p.156.

↲

32. De ant., p.63.

↲

33. A respeito desse ponto, ver: MINER R. C. Verum-factum and

Pratical Wisdom in the early Writings of Giambattista Vico.

Journal of the History of Ideas, Pennsylvania, v.59, n.1, 1998,

p.66-67.

↲

34. De ant., p.67.

↲

35. VICO, G. De nostri temporis studiorum ratione. In:____. Opere.

Organização de Andrea Battistini. Milano: Mondadori, 1990,

p.114 (de agora em diante De rat.).

↲

36. TOSEL, A. La Science nouvelle de Vico face à la mathesis

universalis. In: PONS, A.; SAINT GIRONS, B. (orgs.). Vico, la

science du monde civil et le sublime. Autour de la traduction de

la Science nouvelle par Alain Pons. Nanterre: Publications du

Département de philosophie Paris X-Nanterre, 2004, p.67-87.

↲

37. Vita, p.22.

↲

38. De rat., p.126.

↲

39. De rat., p.94.

↲

40. De rat., p.128.

↲

41. Sn44, §1.096.

↲

42. Ver notadamente o alerta de Vico a propósito de uma “ciência

puramente contemplativa” no início da: VICO, G. Pratica della

Scienza nuova. In:____. Opere. Organização de F. Nicolini.

Milano-Napoli: Ricciardi, 1953, p.875. A respeito do papel

prático da ciência viquiana, ver: BADALONI, N. Introduzione a

G. B. Vico. Milano: Feltrinelli, 1961, cap. IV; PONS, A. Prudence

and Providence: The “Pratica della Scienza nuova” and the

problem of theory and practice in Vico. In: TAGLIACOZZO, G.;

VERENE, D. P. (orgs.). Giambattista Vico’s Science of

Humanity. Baltimore and London: Johns Hopkins University

Press, 1976, p.431-448; NUZZO, E. Tra religione e prudenza.

La ‘filosofia pratica’ di Giambattista Vico. Roma: Edizioni di

Storia e Letteratura, 2007; BOTTURI, F. La sapienza della

storia. Giambattista Vico e la filosofia pratica. Milano: Vita e

Pensiero, 1991.

↲

43. Evocamos a respeito desse ponto a nossa análise: GIRARD, P.

Influences et stratégie des références dans la “Scienza nuova”.

In:____. Giambattista Vico. Rationalité et politique. Une lecture

de la Scienza nuova. Paris: PUPS, 2008, p.25 et sq.

↲

44. FASSÒ, G. I “quattro auttori” del Vico. Saggio sulla genesi della

Scienza nuova. Milano: Giuffrè, 1949.

↲

45. Ver: PACI, E. Ingens sylva. Milano: Bompiani, 1994. Ver

igualmente nosso estudo: GIRARD, P. La tradizione epicurea e

lucreziana nella filosofia di Giambattista Vico. Quaderni

materialisti, Milano, Edizioni Ghibli, n.5, p.161-182, 2006.

↲

46. Cf. RATTO, F. Materiali per un confronto Hobbes-Vico. Perugia:

Guerra Edizioni, 2000.

↲

47. Cf. CANTELLI, G. Vico e Bayle: Premesse per un confronto.

Napoli: Guida, 1971

↲

and Spinoza. Journal of the History of Ideas, Pennsylvania,

n.16, p.49-68, 1980; TOSEL, A. Le déplacement de la critique

de Spinoza a Vico. Revue de Métaphysique et de Morale, Paris,

v.LIV, n.4, p.489-514, 1999; CRISTOFOLINI, P. Une république

de marchands. Note sur le Spinoza de Vico. In: GIRARD, P.;

REMAUD, O. (orgs.). Recherches sur la pensée de Vico. Paris:

Ellipses, 2003, p.7-14; CRISTOFOLINI, P. Vico pagano e

barbaro. Pisa: ETS, 2001.

↲

49. Cf. BATTISTINI, A. Intertestualità e angoscia dell’influenza: Vico

lettore agonistico. In:____. La sapienza retorica di Giambattista

Vico. Milano: Guerini & Associati, 1995, p.115-138.

↲

50. A respeito da perspectiva própria de Doria: NUZZO, E. Verso la

Vita civile. Antropologia e politica nelle lezioni accademiche di

Gregorio Caloprese e Paolo Mattia Doria. Napoli: Guida, 1984.

↲

51. De rat., p.130.

↲

52. VICO, G. Lettere à Francesco Saverio Estevan. In:____. Opere.

Organização de Andrea Battistini. Milano: Mondadori, 1990,

p.335.

↲

53. Ibid.

↲

54. Ibid., p.332-333.

↲

55. A respeito desse confronto, ver nosso estudo: GIRARD, P.

Educazione collettiva e politica nel pensiero di Giambattista

Vico. In: AAVV. Vico tra l’Italia e la Francia. Napoli: Guida, 2000,

p.135-165. Mais genericamente, a respeito da questão da

educação: GUIDO, H. Giambattista Vico. A filosofia e a

educação da humanidade. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.

↲

Manifestações da aparência e engano

 

da presença no conceito moderno de

 

imaginação

 

Diretora do Istituto per la Storia del Pensiero Filosofico e

Scientifico Moderno (ISPF-CNR) de Nápoles, que atualmente

abriga o Centro di Studi Vichiani. Este capítulo é uma versão

reduzida e modificada do livro: SANNA, M. Immaginazione.

Nápoles:Guida,2007.

↲

 

1. VICO, G. Princìpj di Scienza nuova d’intorno alla comune natura

delle nazione (1744). In:____. Opere. Organização de Andrea

Battistini. Milano: Mondadori, 1990, p.572 (de agora em diante

Sn44).

↲

2. A respeito desse tema, ver: VELOTTI, S. Sapienti e bestioni.

Parma: Pratiche, 1995, p.62.

↲

3. CROCE, B. Immaginare e intendere. In:____. Discorsi di varia

filosofia. Bari: Laterza, 1949, v.II, p.18.

↲

4. HUME, D. Ricerche sull’intelletto umano e sui principi della

morale. Tradução italiana de R. Gilardi. Milão: Rusconi, 1980,

v.II, 11, p.144.

↲

5. HUME, 1980, v.VII, 59, p.227.

↲

6. DAMASIO, A. R. L’errore di Cartesio. Tradução italiana de

Filippo Macaluso. Milão: Adelphi, 1995, p.193.

↲

7. DESCARTES, R. Meditazioni metafisiche. In:____. Opere

filosofiche. Organização e tradução italiana de B. Widmar.

Turim: Utet, 1981, p.243.

↲

8. SARTRE, J. P. L’essere e il nulla. Tradução italiana de G. Del

Bo. Milão: Il Saggiatore, 1964, p.170.

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9. Cf. também BASSI, R. Favole vere e severe. Sulla fondazione

antropologica del mito nell’opera vichiana. Roma: Edizioni di

Storia e Letteratura, 2004.

↲

10. Sn44, p.572.

↲

11. VICO, G. De antiquissima Italorum sapientia (1710).

Organização e tradução italiana de Manuela Sanna. Roma,

Edizioni di storia e letteratura, 2005, VI, IV (de agora em diante

De ant.).

↲

12. Sn44, p.586.

↲

13. Para exemplificar, todos os modos de pensar podem ser

reduzidos, para Descartes, a dois modos gerais: o da

percepção, operação do intelecto; e, o da volição, operação da

vontade. Sentir, imaginar, entender são modos de perceber;

desejar, sentir, afirmar, negar são modos do querer (Principia,

Art. XXXII). No perceber jamais nos enganamos, entretanto,

caímos no erro ao julgar o que não percebemos corretamente

(Principia, Art. XXXIII).

↲

14. SARTRE, J. P. L’immaginazione. Tradução italiana de E.

Bonomi. Milão: Bompiani, 1962, p.19.

↲

15. “Fisicamente a memória, ou seja, a retentiva, tem a sua sede na

Fantasia. Apesar disso, nós somos acostumados

indevidamente a dar o nome de memória à essa mesma

Fantasia” (MURATORI, L. Della forza della fantasia umana.

Veneza: Giambattista Pasquale, 1724, p.31). Recordar equivale

a atingir as imagens custodiadas pela fantasia, como se ela

fosse um enorme repositório.

↲

16. MURATORI, 1724, p.15.

↲

17. MURATORI, 1724, p.18.

↲

18. RICOEUR, P. Ricordare, dimenticare, perdonare. L’enigma del

passato. Tradução italiana de N. Salomon. Bolonha: Il Mulino,

2004, p.11-12. “O engano da memória é também muito patente,

mas se poderia reprovar a memória por imaginar que ela nos

engana, se ela não visasse a exatidão, a fidelidade? Nisso

consiste o modo específico de visar a verdade, algo que a

imaginação não faz. É sobre esse ponto, no meu modo de

entender, que a teoria da memória é fortememente oprimida por

aquilo que eu chamo de colonização da teoria da imaginação”

(Ibid., p.69).

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19. RICOEUR, P. La memoria, la storia, l’oblio. Tradução italiana de

D. Iannotta. Milão: Cortina, 2003, p.75.

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20. BACHELARD, G. La poetica della rêverie. Tradução italiana de

G. Silvestri Stevan. Bari: Dedalo, 1972, p.109-153. “No seu

primitivismo psíquico, Imaginação e Memória aparecem em um

complexo indissolúvel. Se analisamos mal elas se referem à

percepção. O passado recordado não é simplesmente o

passado da percepção. Agora, no momento em que nos

recordamos, em um devaneio o passado se determina pelo seu

valor de imagem” (Ibid., p.115).

↲

21. Sn44, p.827-828.

↲

22. Sn44, p.766

↲

23. ARISTOTELE, Della memoria e della reminiscenza. In:____.

Opere. Tradução italiana de A. Russo e R. Laurenti. Veneza:

Marsilio, 2003, p.240.

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24. ARISTOTELE, 2003, p.241-242.

↲

25. CARDANO, G. Sul sonno e sul sognare. Organização de M.

Mancia e A. Grieco. Veneza: Marsilio, 1992, p.30.

↲

26. VICO, G. De uno universi iuris principio et fine uno (1720).

In:____. Opere giuridiche. Organização de Paolo Cristofolini e

introdução de Nicola Badaloni. Firenze: Sansoni, 1974, p.36-37.

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27. De ant., IV, I.

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28. De ant., IV, I, p.79.

↲

29. De ant., IV, I, p.79.

↲

30. De ant., VII, p.113.

↲

31. VICO, G. Institutione oratoriae. Organização e tradução italiana

de G. Crifò. Nápoles: S. Orsola, 1989, p.105.

↲

32. Sn44, p.825.

↲

33. VICO, G. Orazioni inaugurali I-VI. Organização e tradução

italiana de G. G. Visconti. Bologna: Il Mulino, 1982, p.82-83.

↲

34. HUME, 1980, p.146.

↲

35. HILLMAN, J. L’anima del mondo e il pensiero del cuore.

Tradução italiana de A. Bottini. Milano: Adelphi, 2002, p.16.

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36. HILLMAN, 2002, p.39.

↲

37. HILLMAN, 2002, p.46.

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38. DURAND, G. Le strutture antropologiche dell’immaginario.

Tradução italiana de Ettore Catalanno. Bari: Dedalo, 1972.

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39. BACHELARD, G. On Poetic Imagination and Reverie. Tradução

Continuar: parte 4 de 4