Místico
Dezenove
Dace
Outro visitante.
Desde que Suriel foi embora, vieram muitos – a maior parte deles demônios trabalhando para Cade.
Até mesmo o Coiote parou por tempo suficiente para empurrar o focinho contra minha bochecha, para se assegurar de que eu ainda respirava, antes de ir embora.
Mas não importa quanto eu tenha implorado, nenhum deles estava disposto a acabar com a minha desgraça. Por que dessa vez seria diferente?
Viro de barriga para baixo, enterro o rosto na terra. Murmuro:
– Vá embora! – Mesmo assim, ele se aproxima. – Se não vai ajudar, então sinta-se à vontade para sumir. Curiosos não me servem de nada, então desapareça. Pode dizer a Cade que ainda estou respirando, ainda existo, assim como ele planejou.
– E por que eu faria isso?
Um véu brilhante de luz vem de cima – seus raios quentes permeando minha pele. Descongelando lugares há muito tempo frios.
– Você está horrível – a voz diz. – Mas estou aqui para ajudar. Posso curar você. Apagar seus ferimentos como se nunca tivessem existido.
– Não é exatamente o tipo de ajuda que eu quero, então saia daqui. – Eu me afundo mais na terra. – Não estou buscando luz, mas exatamente o oposto.
– Não entendo. – A voz demonstra gentileza e um pouco de confusão. Provavelmente combinam com a expressão do rosto. Mesmo assim, permaneço como estou e me recuso a vê-lo. Mas isso não o impede de perguntar. – Se não está procurando cura, o que quer?
– Salvação. Expiação. Daire – respondo, meus lábios raspando na terra. – Acha que consegue isso? – Meu tom de voz é propositalmente mal-humorado e sarcástico, e meu pedido é recebido com silêncio, como eu imaginava. – Vá embora. Suma daqui – resmungo, com as palavras roucas, mas um significado claro.
– Dace, eu...
– Vá embora!
É só quando a luz recua que levanto a cabeça e dou uma olhada rápida.
Cabelo platinado. Túnica branca. Pele pálida. E ele brilha.
Vai entender.
São incríveis as coisas que vemos por aqui.