Místico
Seis
Daire
Odeio admitir, mas esperar não é uma das minhas habilidades naturais.
Embora comece bem, não demora muito até que eu fique cada vez mais impaciente. E, uma vez que meu corpo comece a se agitar, não demorará muito até que minha mente se agite também. Minha cabeça dá lugar a um desfile interminável de pensamentos autodestrutivos. Duvida das minhas habilidades. Questiona minha estratégia. Preocupa-se que eu tenha julgado Axel com muita dureza. Que esteja sendo paranoica. Que tenha entendido tudo errado.
No final das contas, ele me salvou.
Ele impediu que Cade roubasse minha alma.
Sem mencionar o jeito que cuidou de mim, me curou, sem pedir nada em troca nem uma única vez.
E, mesmo assim, toda vez que me vejo soterrada pela longa lista de possíveis más interpretações, tudo o que tenho a fazer é dar uma olhada para esse vestido de noiva assustador que estou usando, e isso basta para que eu resolva seguir adiante com meu plano.
Lembro-me de algo que Paloma disse certa vez, que a paciência é companheira da sabedoria, e me restabeleço para esperar novamente. Uso o tempo para examinar cada último detalhe, ciente de que terei apenas uma chance de fazer dar certo. Se eu hesitar, se vacilar mesmo que de leve, estará tudo perdido.
Axel é maior. Mais forte. Com habilidades mágicas que superam as minhas.
Não há espaço para falhas.
O cascalho é pisoteado e remexido do lado de fora da porta.
O ferrolho da porta range e recua.
Eu me aperto contra a parede, seguro a cadeira com força e observo a porta se abrir e Axel atravessar o chão de pedra calcária até minha cama.
Ele chama meu nome. Cutuca gentilmente a roupa de cama amontoada que acha que sou eu. Não tem ideia de que eu coloquei meu roupão ali, recheado com as toalhas limpas que ele deixou para a hora do meu banho, para imitar uma versão minha dormindo, até que a farsa desmorona com o seu toque.
Ele se vira, o olho cor de lavanda arregalado por estar confuso, quando me encontra espreitando atrás dele, com a cadeira erguida bem alto.
– Daire?
É a última coisa que ele diz antes que eu acerte a cadeira com força em sua cabeça. Já estou correndo em direção à liberdade quando ele despenca inconsciente aos meus pés, e eu dou uma última olhada para o seu corpo imóvel, a boca fazendo um pedido de desculpas silencioso, e tranco a porta com firmeza atrás de mim.