Mulheres Poderosas Têm Ambição

Heather McGregor · Capítulo 9 de 13

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Mulheres Poderosas Têm Ambição

Capítulo 7

 

Educação financeira

 

V ocê é boa com números? Em algum nível, será preciso ter uma compreensão deles – e se for, de fato, boa com cifras, provavelmente terá sua carreira garantida.

Existem três motivos pelos quais incentivo as mulheres a lidarem o melhor possível com algarismos:

• Em primeiro lugar, para dominar completamente as finanças pessoais, o que a liberará

para se concentrar na sua carreira;

• Em segundo lugar, para garantir a compreensão da linguagem usada pelas pessoas mais

graduadas na empresa – a diretoria;

• Por fim, e talvez o aspecto mais crítico, porque a maioria das mulheres no andar de cima

já esteve encarregada, em algum momento, do dinheiro da empresa.

Miranda Lane é dona de uma risada maravilhosa, do tipo que contagia e faz você gostar dela imediatamente. Miranda mora no interior, adora cavalos, é casada, tem dois filhos e uma elegância escondida em conjuntos pretos que lhe dão uma aparência inteligente e eficiente quando entra em uma sala. Ela é especialmente talentosa para explicar coisas, contar histórias e transformar ideias complexas em coisas fáceis de entender – algo muito bom, pois toca uma pequena e muito bem-sucedida empresa de treinamento, criada por ela, do zero, há cerca de dez anos.

Miranda não começou a vida profissional com treinamento. Ao contrário, se formou como contadora certificada em 1985 pela empresa agora conhecida como Deloitte Touche Tohmatsu. Ela entrou na Universidade de Exeter e estudou política – uma disciplina que não é óbvia para quem mais tarde iniciaria uma carreira baseada em números.

Por que Miranda tomou essa direção?

Ela explicou seus motivos para mim:

Decidi fazer contabilidade porque eu não havia correspondido à expectativa de todos, inclusive à minha, em razão da falta

de dedicação e ao excesso de diversão. Eu queria uma carreira de verdade e estava pensando em bancos de investimentos

quando percebi ser necessário fazer algo mais sério. Mencionei o fato a um homem arrogante que comentou: “Não canse

sua linda cabecinha com algo difícil feito contabilidade.” Fiquei irritada. Na hora me candidatei para ser contadora.

Nem toda mulher do mundo está motivada a ser contadora, mas se você busca o sucesso, recomendo que aja baseada nos três motivos dos quais falei anteriormente.

Entenda o suficiente sobre dinheiro para saber o que está acontecendo com o seu Mulheres ambiciosas se concentram no que fazem, mas se não estiverem trabalhando com dinheiro, sua energia e iniciativa geralmente são canalizadas para longe dos dólares e centavos de sua vida.

Pegue como exemplo Lady Gaga. Quando entrevistada por Stephen Fry para o Financial Times em 2011, ela esclareceu ser completamente dedicada à carreira. Ela havia comparecido a um programa de entrevistas no Reino Unido e, para Fry, a superestrela internacional tiraria de letra a entrevista com ele. Porém, ela assistiu ao programa mais tarde, quando foi ao ar.

Eu o assisti uma vez, duas vezes, três, quatro... E examinei as partes de que gostei e as de que não gostei [...] e falei:

“Muito bem, talvez nesta parte, se o controle da respiração estivesse diferente, talvez fosse o caso de tentar o seguinte...”

Eu estudo tudo o que faço para me tornar cada vez melhor na minha arte.

E completou:

Não sou obcecada por coisa materiais e não me importo com dinheiro, com a atenção do público, somente com o amor dos

fãs; então, para mim, a questão é: quanto sou dedicada, quanto posso melhorar como artista. 99

Assim, Lady Gaga se concentra. Isso é ótimo, e as mulheres ambiciosas deveriam seguir o exemplo dela nesse sentido. Mas, no que se refere ao lado financeiro, Lady Gaga não é um bom exemplo, pois é necessário prestar atenção às suas finanças.

Observe a menção da artista à sua falta de interesse por “coisas materiais”, fazendo soar como uma virtude. Não é. A parte da entrevista da qual me lembro mais foi quando ela descreveu sua relação com o dinheiro de forma mais detalhada, afirmando: “É a mais pura verdade: o dinheiro não significa nada para mim.”

Ela revelou ter ido à falência após a primeira extensão da turnê The Monster Ball.

Foi engraçado porque eu não sabia! Lembro-me de ligar para todo mundo e falar: “Por que só dizem que o dinheiro chegou

ao fim? É ridículo, tenho cinco singles em primeiro lugar.” E responderam: “Bem, sua conta está negativa em 3 milhões de

dólares.” 100

A revelação não me pareceu engraçada – mulheres ambiciosas precisam dominar suas finanças. Creio que Lady Gaga está ciente disso agora.

Em março de 2011, a MasterCard lançou o Índice de Educação Financeira na Ásia, no Pacífico, no Oriente Médio e na África.

Sabe em qual país da Ásia e do Pacífico (contando Austrália e Nova Zelândia) as mulheres tiveram nota mais alta? Não foi na Austrália. Nem em Hong Kong ou no Japão. Foi

na Tailândia.101

A Tailândia é muito mais pobre do que os outros países, ou seja, as mulheres precisam aprender a controlar o dinheiro. Com todos os recursos que temos na ponta dos dedos – quer seja somente uma renda modesta (no momento), quer tenhamos vários sucessos em primeiro lugar –, não existe desculpa para não saber como tirar o máximo proveito do nosso dinheiro.

Em 2006, formanda em Harvard, Alexa von Tobel teve a ideia do LearnVest, site de finanças pessoais para mulheres. Após constatar a inexistência de cursos formais e a existência somente de recursos medíocres para a gestão financeira feminina, ela criou um site que já levantou mais de 5 milhões de dólares e instruiu muitas mulheres.

Você sabe tudo sobre suas finanças?

Tem uma planilha com todos os investimentos ou todas as dívidas em algum lugar?

Lembre-se: dominar as finanças irá libertá-la.

Sou especialmente a favor disso no casamento ou em qualquer tipo de parceria.

Nunca, nunca mesmo, entre em uma parceria comercial ou pessoal com alguém sem entender direitinho sobre finanças e fazer as perguntas certas.

Para mim, toda mulher tem seus limites pessoais em um casamento – os quais, se ultrapassados, são levados muito a sério. Meu limite pessoal é a transparência financeira. O sr. M. pode deixar pilhas enormes de roupas espalhadas pelo chão do quarto, colocar todos os rádios da casa (e dos carros) em estações esportivas, e até se esquecer de me dar um presente no nosso aniversário de casamento, mas qualquer segredinho sobre dinheiro me fará perder as estribeiras. No meu casamento, isso pode ser traduzido na compra de um novo e caríssimo taco de golfe. No de outra mulher pode ser uma conta-corrente secreta mantida pelo marido ou a relutância em revelar o bônus anual.

Uma situação dessas implica desconfiança.

Ter domínio das finanças domésticas é um começo muito bom para qualquer mulher ambiciosa, casada ou não. Para a conquista das suas metas profissionais, você talvez precise dar uma folga na carreira, conquistar uma nova capacitação ou obter experiência em determinado segmento (ou com determinada empresa) para acrescentar ao currículo. Alguns (ou todos) desses cenários podem significar um salário menor – e, às vezes, você terá de trabalhar sem receber nenhum tipo de pagamento.

Como saberá se isso é possível sem saber de quanto necessita para viver?

O leque se ampliará se minimizar as dívidas e souber para onde vai cada centavo: se é gasto ou poupado.

Como mulher, você deveria economizar dinheiro. Durante minha carreira, fui aconselhada por muitas pessoas que considero mentoras (ainda que nunca tenham assumido esse título formalmente). Alguém cuja influência foi enorme na minha vida profissional uma vez se disse surpreso ao saber que eu não era mais rica. Era verdade: eu havia chegado no momento de comprar minha empresa e tive de pegar emprestada toda a quantia necessária. Parte do motivo foi ter passado oito anos no setor bancário sem ser remunerada adequadamente (durante a maior parte desse tempo eu me mudara com meu marido e, a exemplo de muitas mulheres, valorizei mais a flexibilidade do que o dinheiro), porém, o principal motivo foi nunca ter criado o hábito sério de poupar.

Quando dou palestras em escolas, conto esse fato às estudantes e saliento a importância de acumular capital financeiro. A expectativa de vida, em especial para as mulheres, está disparando. Todas nós vamos viver mais tempo do que nossas mães e muito mais do que nossas avós. Como daremos conta disso se não pouparmos desde cedo?

No Reino Unido, dois terços dos aposentados pobres são mulheres. Dada a alta taxa de divórcio no país e o fato de mais da metade das separações ocorrer quando a mulher tem mais de 45 anos, é essencial controlar e construir seu capital financeiro.

No site Millionaire Mommy Next Door, Jen Smith descreve como foi de garçonete, ganhando salário mínimo e trabalhando de madrugada, à liberdade financeira como milionária que se fez sozinha aos 40 anos. Jen financiou com o suor do próprio rosto meia dúzia de pequenas empresas enquanto trabalhava de pijama em casa. Ela aprendeu a investir no mercado de ações e nela mesma.

As mulheres precisam de mais dinheiro do que os homens. Por quê? (Não, não é para comprarmos mais sapatos, bolsas e

pagarmos a manicure.) Necessitamos de mais dinheiro porque vivemos mais tempo do que eles, porque recebemos

significativamente menos do que nossos colegas homens, e porque temos uma probabilidade maior de sermos mães

solteiras sustentando a família com apenas uma fonte de renda. As mulheres representam, no Reino Unido, 87% dos

idosos pobres. Uma mulher trabalhando em tempo integral por 40 anos receberá 523 mil dólares a menos do que um

homem. Aos 65 anos, aquele meio milhão de dólares a mais poderia impedi-la de ser tornar uma idosa pobre! O que nos

ensinam essas estatísticas sinistras? Que as mulheres, em especial quando ficam mais velhas, não estão muito bem

preparadas para se cuidar financeiramente. Ainda assim, quase 90% delas terminarão cuidando sozinhas das próprias

finanças em algum momento da vida. 102

Vá a uma livraria e compre uma obra sobre finanças pessoais como Love is Not Enough: The Smart Woman’s Guide to Making (and Keeping) Money, escrito por Merryn Somerset

Webb (mais conhecida como Minha Amiga Mais Inteligente).103

Vale a pena investir um pouco mais de tempo (e até mesmo dinheiro) para pensar em um assunto vital e cada vez mais complexo. A professora de economia Annamaria Lusardi sublinhou o quanto é importante para as mulheres economizar para a aposentadoria. Ela reconhece não ter seguido o próprio conselho e agora se encontra “correndo atrás, aos 50 anos; nessa que não é uma das melhores idades, e certamente limitando minhas opções de

vida”.104

É lógico que ter uma poupança não é importante apenas para a aposentadoria.

Se você for casada e planeja dar uma folga na carreira para ter filhos, já reservou uma parcela do seu rico dinheirinho ganho até hoje com seu trabalho em uma conta-corrente individual?

Não existe nada mais chato do que ter de pedir dinheiro para o marido quando precisar ir ao cabeleireiro ou almoçar fora com a mãe. Quem estiver lendo este livro em uma fase inicial da carreira, antes de se casar ou de dar uma pausa na carreira, por favor, não subestime quanto você irá se sentir miserável. Minha Amiga Mais Antiga descreve o momento como “arrasador da alma”, até mesmo para uma mulher cujo marido fica feliz e a deixa gastar quanto ela quiser.

Ter de pedir dinheiro afeta sua confiança, provocando a sensação de ter perdido a independência, um sentimento desencorajador.

Caso você considere essa obsessão com as finanças mera tagarelice de uma mulher com excesso de educação, recomendo que consulte uma bibliografia específica.

A educação financeira é muito importante. Pessoas com baixa educação financeira:

• têm maior probabilidade de se endividar ao longo da vida;

• têm menor tendência a se envolver com o mercado financeiro;

• são menos propensas a escolher fundos mútuos com taxas baixas;

• estão menos dispostas a acumular riqueza e administrá-la eficazmente;

• são menos inclinadas a planejar a própria aposentadoria.105

Em julho de 2010, segundo o Serviço de Insolvência do Ministério do Comércio da Grã-Bretanha, o número de britânicas indo à falência quase quintuplicara desde 2000. Aparentemente, mulheres mais jovens, entre 25 e 44 anos, estavam considerando difícil administrar seu dinheiro, respondendo por quase dois terços dessas falências. A tradicional organização feminina Fawcett Society diz se tratar de uma questão exclusiva das mulheres, e que a dívida seria causada pelo fato de elas geralmente ganharem menos, possuírem menos e terem um potencial de ganho mais baixo. Para outros, as mulheres são irresponsáveis com o

dinheiro e lhes falta educação financeira.106

Provavelmente, a culpa deve ser das duas coisas, porém, o aspecto mais importante é ambas estarem diretamente conectadas.

Além disso, para consultores financeiros, muitas mulheres precisam ser estimuladas a avaliarem se recebem o justo, pois elas simplesmente não possuem a confiança e o

conhecimento das questões financeiras que os homens possuem.107

Temos de nos tornar mais confiantes e bem informadas, por isso incentivo todas vocês a aprenderem mais sobre finanças.

Comece certificando-se de saber tudo sobre as próprias finanças.

Sabe onde está cada conta bancária?

Sabe qual é o saldo em aberto dos cartões de crédito (e sabe classificá-los de cima para baixo em termos de taxas de juros)?

Tem um plano para quitar a hipoteca?

Bom.

Aprenda a falar como as pessoas no topo da hierarquia Agora podemos passar ao segundo motivo pelo qual você precisa aprimorar sua educação financeira – é essencial aprender a linguagem das outras pessoas que conhecerá durante a escalada para o nível mais alto da hierarquia profissional.

O dinheiro, como qualquer estudante de economia sabe, é um meio de troca, uma unidade de conta e uma reserva de valor. É uma linguagem por meio da qual os valores de um mundo – uma tonelada de trigo, um barril de petróleo – podem ser expressos em outro – um automóvel, um vestido de estilista. Compreender o dinheiro – no mínimo no que chamo de nível “básico” – e o que ele compra lhe dará um idioma com o qual você poderá falar com todos sobre praticamente qualquer assunto. Todas as pessoas bem-sucedidas compreendem o dinheiro, mesmo se o êxito delas não for na arena financeira.

Madonna saberá o valor bruto da venda de ingressos na sua turnê mais recente, até o último dólar. Melinda Gates saberá quanto custa uma dose de vacina contra pólio.

Fiona Reynolds, diretora do National Trust no Reino Unido – organização não recebedora de subsídios públicos responsável pela maioria dos prédios antigos do país e por boa parte do interior –, terá conhecimento do seu orçamento anual e de quais são suas principais fontes de receita e centros de custo.

Independentemente do patrão, se faça estas perguntas fundamentais.

Você conhece qual foi o desempenho financeiro do seu empregador?

Você leu o último balanço anual, incluindo as notas, e entendeu a maior parte dele?

Como a empresa se compara com os concorrentes e os colegas?

Se for uma empresa privada, ela terá contas bancárias em algum lugar. Se não tiver fins lucrativos ou for um departamento governamental, contará com indicadores de desempenho. Você os conhece ou conhece somente seu departamento?

Aconselho toda mulher ambiciosa a aprender a ler o Financial Times. Hoje é possível encontrá-lo em todo lugar, até mesmo em papel – caso contrário, leia o jornal financeiro do seu país. Compreender se o desempenho financeiro está em discussão – quer sejam empresas ou países – pode propiciar o aprendizado do linguajar das pessoas no topo das organizações. E é necessário aprender a ler esses jornais; não é como pegar uma revista Hello!. Tive de aprender a ler o Financial Times quando era estudante e tento instruir todos meus funcionários a fazer o mesmo. À primeira vista, é um jornal impenetrável, mas se aprender a lê-lo pedaço por pedaço, irá perceber a existência de várias partes bastante legíveis – até mesmo para um iniciante.

Ao ler o Financial Times regularmente, você se juntará ao clube mais exclusivo do mundo – cujos membros são pessoas importantes, que respiram o ar ao qual você aspira, que dobram à esquerda no avião (ou possuem um só para elas), e que controlam as empresas e países que fazem as coisas acontecer. Mesmo depois de ler o jornal inteiro na internet, ainda compro um, e carrego comigo um exemplar em papel sempre que possível, principalmente quando estou viajando. O jornal que escolho dá uma informação ao meu respeito: “Sou uma adulta com a qual vale a pena conversar, mesmo você sendo um dos indivíduos mais importantes do mundo.”

Obtenha educação financeira no caminho para o topo Vamos presumir que você domina totalmente as próprias finanças e leia o Financial Times com regularidade. Assim, poderá discutir a decisão da empresa XYZ de abrir mão dos dividendos ou a explosão da bolha econômica irlandesa com qualquer pessoa que encontrar na sala de espera da classe executiva (ou, tomara, da primeira classe).

Porém, pode não ser o bastante para chegar ao topo.

A terceira e talvez a mais irrefutável razão para se educar financeiramente é que o setor de finanças é um caminho comprovado para o alto escalão. Se você está lendo este livro e deseja dirigir uma grande organização um dia – e, principalmente, se ambiciona comandar um gigante cotado na Bolsa de Valores –, eu a incentivo a buscar uma qualificação financeira formal.

Uma mulher com uma carreira plural tremendamente gabaritada, como citado pelo “Female FTSE Index” da Escola de Administração da Universidade de Cranfield, é Alison Carnwath. As mulheres aspirantes ao topo podem se animar: Alison não estudou em Oxford ou em

Cambridge, mas nos reconfortantes tijolos vermelhos108 da Universidade de Reading. E ela não tem MBA. Entretanto, se tornou contadora certificada na Peat Marwick Mitchell, a qual viria a dar origem, mais tarde, à KPMG, e banqueira de investimentos em 1980. Alison passou vinte anos construindo essa parte da carreira antes de se demitir para assumir a posição de diretora que atualmente engloba a presidência da Land Securities, Barclays e Man Group – todas integrantes do índice FTSE 100. Sua qualificação como contadora certificada ajudou-a a abrir caminho para a primeira divisão.

Em outros lugares, surge o mesmo padrão.

Muitas das mulheres desempenhando um papel nos conselhos supervisores de integrantes do índice das principais ações europeias FTSE Eurofirst 300 têm histórico e/ou qualificações financeiras, e um bom número tem formação jurídica, outro excelente caminho para uma carreira bem-sucedida.

Quando a PepsiCo indicou a indiana Indra Nooyi, que vestia constantemente um sári e cantava em uma banda de rock só de mulheres, como diretora executiva em agosto de 2006, a nomeação gerou comentários: “A sra. Nooyi irá se tornar a diretora executiva mais

importante do mundo”,109 afirmou The Economist.

Pouco, porém, foi escrito sobre o caminho escolhido e percorrido por ela até o topo. Antes de se tornar diretora executiva, Indra era presidente e diretora financeira da Pepsi, mesmo sem ser contadora profissional. Seu diploma universitário, pelo Madras Christian College, na Índia, é em Química, Física e Matemática; ela fez mestrado em Finanças e Marketing no Indian Institute of Management, em Calcutá. Indra também fez mestrado em Gestão pública e privada na Yale School of Management. Seu progresso até a sala da diretoria da PepsiCo passou por várias posições (inclusive na Asea Brown Boveri e na Motorola, de cujo conselho ainda faz parte) e por um período como consultora administrativa.

Seria uma boa aposta afirmar que, quando tomaram a decisão sobre Indra, os diretores da PepsiCo estavam impressionados de forma positiva com seu conhecimento da empresa e capacidade de compreender todas as suas facetas; seu cargo anterior foi descrito pela associação norte-americana de diretores executivos, Business Roundtable, como responsável pelas “funções corporativas da PepsiCo, incluindo finanças, estratégia, otimização do processo de negócios, plataformas corporativas e inovação, suprimento, relações com os

investidores e tecnologia da informação”. 110

Assim como Indra, várias outras mulheres seguiram o mesmo caminho rumo ao sucesso.

Quando se tornou diretora financeira da Lloyds TSB, Helen Weir era provavelmente a profissional mais poderosa nessa posição na Grã-Bretanha. (Sim, voltamos a Helen – é importante compreender como alicerçar a carreira para ganhar mais de 1 milhão de libras anuais.) A exemplo de Indra, ela se formou em Matemática e cursou pós-graduação em Administração, além de, como já mencionamos, possuir qualificação em contabilidade gerencial desde a época da Unilever. Sem dúvida, tudo isso ajuda quando se administra as finanças de um banco capitalizado em 30 bilhões de libras. Outra semelhança impressionante com a diretora executiva da PepsiCo é o fato de que Helen passou o início da carreira fazendo consultoria administrativa na McKinsey. Em 2006, recebeu o prêmio de Empresária do Ano da Harper’s Bazaar/Chanel, honra concedida às mulheres que chegaram ao topo da hierarquia e aos mais altos escalões empresariais.

Nos quatro anos anteriores, as vencedoras tinham forte histórico financeiro. Bibiana Boerio, diretora financeira e de estratégia de operações internacionais da Ford, em 2011 era diretora executiva da Jaguar e acumulou várias posições no setor de finanças, inclusive a de vice-presidente executiva e de diretora financeira da Ford Credit, além de anteriormente ter caído de paraquedas na Jaguar como diretora de finanças, quando a empresa foi adquirida pela Ford.

Viu? É útil ter um cargo financeiro no caminho para o topo.

Outra ganhadora do prêmio foi Vivienne Cox, então vice-presidente executiva de uma divisão da British Petroleum (BP), empresa que, se fosse listada em separado, faria parte do FTSE 100 por si só. À época, ela era a única mulher no comitê executivo da British Pretoleum. Ao seu diploma universitário (como Helen, em Oxford, e como parte do diploma de Indra, em Química) seguiu-se um mestrado na mesma disciplina. A formação a levou à empresa, na qual logo passou a uma função financeira, tornando-se parte da equipe que arquitetou a privatização da empresa. Trata-se de mais um exemplo que demonstra a importância das finanças no caminho do sucesso.

Levando-se em conta que tudo isso está muito bem documentado, por que mais mulheres ambiciosas não seguiram na mesma estrada?

Jeremy Rickman, da Russell Reynolds Associates, é um respeitado caça-talentos de Chicago especializado em encontrar diretores financeiros talentosos para algumas das empresas mais bem-sucedidas do mundo. Segundo Jeremy, ele próprio contador certificado e ex-diretor financeiro, a qualidade das candidatas não para de subir. “Mais e mais mulheres estão deixando sua marca como diretoras financeiras e, a meu ver, a tendência deve continuar”, ele me assegurou. A Russell Reynolds Associates também recruta diretores executivos, e Jeremy tem plena consciência de que os diretores financeiros de hoje são cada vez mais cotados como opções de sucessão para o posto máximo no futuro.

Helen apoia o conceito segundo o qual a qualificação profissional ajudará as mulheres ambiciosas.

Todo gerente sênior que conheço se sente muito à vontade com números – eles sabem olhar uma conta de lucros e perdas

ou o balancete e compreender seu significado. Ter essa capacidade é um pré-requisito muito importante para chegar ao

topo de uma empresa. Nem todo executivo tem formação profissional financeira, mas esse é um ótimo lugar para

começar. 111

Logicamente, nem toda mulher que termina como diretora executiva de uma empresa privada começou a vida como contadora, e algumas escolheram deliberadamente não seguir esse caminho. Belinda Earl, nomeada diretora executiva da Debenhams aos 38 anos e agora ocupando a mesma cadeira da Jaeger e Aquascutum, formou-se em Economia e recusou um contrato de treinamento na Arthur Andersen para participar do programa de estágios da Harrods. Dois anos depois, em 1985, entrou na Debenhams, subindo na hierarquia até comandar o setor de comercialização e, finalmente, a empresa inteira.

É bom saber da existência de outras rotas para chegar ao topo, mas me interessa saber que foi oferecido a Belinda um contrato de treinamento em contabilidade, embora ela o tenha recusado. A oferta mostra sua aptidão com dinheiro, até mesmo em uma idade jovem. Em outros momentos, ela já salientou a importância de possuir uma boa base financeira.

Eu encorajaria os indivíduos dispostos a subir na hierarquia corporativa a obter não apenas uma visão, mas um

entendimento sólido de finanças; não apenas do balancete padrão ou de lucros e perdas, mas uma compreensão completa

dos alavancadores do negócio. O varejo, tocar uma loja comprando e vendendo em uma área de produto, requer todas

essas habilidades.112

Você está entendendo a mensagem?

Mulheres bem-sucedidas têm educação financeira e geralmente possuem qualificações correspondentes.

A Avon é uma das empresas de cosméticos de maior êxito do mundo. Em novembro de 2011, ela indicou como diretora financeira Kimberly Ross, que passara a década anterior trabalhando no gigante holandês do varejo, a Ahold. Nesse meio-tempo, a executiva passou por vários postos graduados nos setores de tesouraria, impostos e finanças, até se tornar diretora financeira e integrante do conselho de administração, em novembro de 2007. Quando sua saída foi anunciada, o diretor executivo da Ahold, Dick Boer, elogiou sua contribuição à empresa, conferindo-lhe os créditos pela Ahold se tornar “uma companhia

estável e financeiramente sólida, com um balanço patrimonial de peso”. 113

Kimberly não é contadora certificada, mas é bacharel em contabilidade pela Universidade do Sul da Flórida. A seguir, ela começou a carreira como auditora interna da Anchor Glass. Auditora interna não costuma ser considerada uma escolha de carreira atraente, porém, possibilita ver as entranhas da empresa e saber como esta funciona – um treinamento quase melhor do que um MBA.

Costumo aconselhar as pessoas determinadas a entrar na área de banco de investimentos, mas que encontram dificuldade em conseguir um posto no departamento de fusões e aquisições, a tentar a auditoria interna. É uma ótima maneira de entrar em qualquer organização.

Sem dúvida, a área financeira não é a única escada para o topo. O direito, outra qualificação profissional bastante conhecida presente nos currículos de muitos homens de alto escalão, é outro itinerário. Várias mulheres bem-sucedidas, como Marjorie Scardino (diretora executiva da Pearson plc, proprietária, em última análise, da editora original deste livro), Amelia Fawcett (diretora do Guardian Media Group), Maria da Cunha (consultora jurídica geral da British Airways) e Sara Geater (diretora executiva da produtora de televisão Talkback Thames) são formadas em direito. Examinando a ganhadora do primeiro prêmio da Harper’s, Sian Westerman, ela se formou em direito pela Universidade de Birmingham e acumulou experiência na banca Slaughter and May antes de mudar de carreira e se tornar a primeira mulher a integrar o escritório londrino do banco de investimentos Rothschild.

Porém, a contabilidade é um trajeto muito mais garantido.

Em 2011, a Catalyst (organização sem fins lucrativos dedicada à expansão das oportunidades destinadas às mulheres) publicou números sobre mulheres no setor financeiro nos Estados Unidos. Apresento a seguir meus pensamentos sobre os resultados do estudo.

• As mulheres representam 60,1% de todas as contadoras e auditoras. Genial!;

• Em um estudo de 2009, as mulheres somavam 55% dos bacharéis em contabilidade

recém-contratados e 41% de todos os contadores públicos certificados. Isso é muito encorajador;

• As mulheres respondem por 23% dos sócios das empresas, embora sejam 49% de todos

os contabilistas nas empresas de contabilidade. Isso é bem menos encorajador;

• Em um estudo de 2010, concentrado no número de sócias nas quatro maiores empresas

de contabilidade do mundo no ano anterior, as mulheres somavam 18,1% dos sócios participantes. Não é bom o bastante.

A proporção de integrantes mulheres das seis maiores sociedades de contadores certificados do mundo saltou de 22%, em 1999, para 33%, em 2009, segundo o Financial Reporting Council. Contudo, o número de alunas permaneceu constante (exceto em 2008) desde 2004: 48%, embora, entre 2004 e 2009, a porcentagem de alunas no Instituto de

Contadores Certificados da Inglaterra e País de Gales tenha caído 3%.114

Como sabemos que a educação financeira é o caminho para o sucesso, precisamos de mais contadoras.

Por favor, encoraje o maior número possível de jovens mulheres que conhecer a ir atrás dessa qualificação. Impeça-as de se candidatarem a Wall Street após obterem o diploma universitário; elas podem se qualificar primeiro e Wall Street continuará de braços abertos. Na verdade, se tornará ainda mais receptiva.

Minha principal dica para a qualificação é obtê-la em uma cidade na qual encontre clientes muito interessantes com os quais trabalhar. No Reino Unido, por exemplo, costumo incentivar as jovens a se capacitar em Birmingham ou em Bristol, não em Londres, assim poderão auditar empresas de um tamanho mais manejável e observar como operam.

Nos Estados Unidos, Contador Público Certificado (CPA) é o título legal dos contadores qualificados que passaram pelo exame oficial. Os critérios para poder prestar esse exame variam um pouco de um estado para outro, mas geralmente requerem uma carga horária de cerca de 150 horas por semestre para quem não tiver diploma em contabilidade.

No entanto, você sabia que também pode prestar esse exame fora dos Estados Unidos, incluindo Japão, Bahrein, Kuwait, Líbano e Emirados Árabes?

Após passar no exame, é necessário acumular experiência relevante – geralmente de um a dois anos – antes de exercer a profissão.

E eu?

Como já mencionei neste livro, não me formei contabilista. Eu não lamento – a exemplo da culpa, esse sentimento é uma perda de energia emocional. Contudo, quase lamento nunca ter me tornado contadora certificada. Assim, como escrevi no capítulo 3, planejo fazer a prova de contabilidade gerencial como forma de celebrar meu quinquagésimo aniversário, mesmo ano no qual a 1ª edição deste livro será publicada. Caso me encontre por aí, pergunte como estou me saindo.

Estudei contabilidade gerencial como parte do MBA na London Business School, disciplina lecionada por Andrew Liekerman, o atual reitor da instituição – e estou certa de que é por isso que vejo meus filhos como centros de custo.

Todavia, seria valioso acrescentar esse título ao meu nome.

Por fim, mais uma palavrinha sobre Miranda Lane (um dos meus muitos alvos de inveja contabilista). Sua empresa de treinamento chama-se Finance Talking e ela forma pessoas no mundo inteiro, tornando-as aptas a compreender o idioma dos mercados de capital e as métricas do desempenho financeiro. Talvez você não deseje ser contadora, mas o motivo de a empresa de Miranda ser tão bem-sucedida se deve ao fato de muitas pessoas perceberem que, para conseguir progredir na carreira, necessitam adquirir com ela e sua equipe a compreensão dos números. Minha esperança é que muitos clientes dela no futuro sejam mulheres: sinal de que mais mulheres estão a caminho do sucesso.

Espero ter demonstrado o quanto a educação financeira é uma habilidade importante para as mulheres ambiciosas. No mínimo, por favor, aprenda a controlar as próprias finanças, pois isso lhe abrirá mais opções no futuro.

O melhor e mais certeiro caminho para o sucesso é por meio da aquisição de qualificação financeira formal. Tal conquista não é para todas, mas aquelas que a obtiverem seguirão, provavelmente, a rota mais rápida para o sucesso na vida profissional.

 

LIÇÃO DE CASA PARA MULHERES AMBICIOSAS

Como se tornar mais esclarecida financeiramente Domine suas finanças

Crie uma planilha com uma lista de todas as suas dívidas (hipoteca, cartões de crédito, cheque especial, empréstimos estudantis e até mesmo de familiares) e uma relação com todos os juros pagos.

Atualize essa planilha no primeiro dia de cada mês ou quando receber o extrato bancário.

Mantenha na mesma planilha todos os bens (propriedades, economias) e o valor deles.

Você está construindo bens?

Ou está aumentando dívidas?

Coloque a receita e as despesas em equilíbrio para ser possível poupar – o mínimo que seja, a princípio.

Que providências serão necessárias: cortar gastos ou arrumar um segundo emprego?

Defina quais deveriam ser suas metas financeiras Elabore qual deve ser sua “linha de chegada financeira”.

No evento TEDx na London Business School, em maio de 2011, Payal Patel defendeu veementemente a definição exata de quanto dinheiro é “suficiente”.

Eu, por exemplo, gostaria de não ter dívidas, possuir três propriedades específicas agora mesmo e acumular um valor adicional e específico no meu fundo de pensão antes de me aposentar. Eu sei o número exato. Assim que chegar lá, passarei a ter uma carreira plural, dedicando mais tempo às minhas atividades de “terceira dimensão”.

Você conhece sua “linha de chegada financeira”?

Aprenda o idioma das pessoas bem-sucedidas Aprenda a ler Financial Times e The Economist.

Essa é uma forma rápida de conseguir as duas coisas – e não se esqueça: no caso das duas publicações, é muito mais barato assiná-las.

• Financial Times: comece lendo as partes digeríveis durante quatro semanas. Um

exemplo é Lucy Kellaway no Financial Times às segundas-feiras, e um pedaço da coluna Lex todos os dias. Também leia os resumos na lateral esquerda das primeiras páginas de cada editoria. Então, pelas quatro semanas seguintes, acrescente uma reportagem a mais por dia. Igualmente, experimente um novo colunista por semana. John Kay, Tim Harford, Andrew Hill ou Michael Skapinker escrevem sobre administração ou economia. Aprenda a ler os textos de Gillian Tett, começando pela coluna mais acessível aos sábados, e depois passando aos seus comentários mais incisivos e técnicos a respeito de questões financeiras. Cadastre-se no Financial Times on-line e programe alertas acerca das empresas pelas quais se interessa – seu empregador ou o empregador do namorado, dos pais ou do marido;

• The Economist: comece lendo as páginas com resumos, “The Week in Politics” e “The

Week in Business”. Depois, dê uma olhada no índice e escolha duas reportagens por semana para ler, além de uma crítica de livro e o obituário (só publicam um por edição).

Escolha uma empresa por mês para estudar.

Leia seu relatório anual (toda sociedade anônima publica o seu no próprio site). A seguir, tente encontrar quem trabalhe nela e pergunte a respeito.

Faça um curso da Finance Talking.

Os cursos da Miranda enfocam como as empresas são analisadas e julgadas por terceiros e como elas informam seu desempenho financeiro. Trata-se de introduções excelentes ao funcionamento dos mercados financeiros; existem versões para os Estados Unidos e para o Reino Unido. Contudo, ainda mais proveitoso é poder fazer os cursos on-line, onde quer que

você esteja. Visite http://www.financetalking.com e, se não souber qual escolher, mande um e-mail para Miranda e pergunte: miranda@financetalking.com.

Acelere a jornada rumo ao sucesso

Capacite-se como contabilista.

Não importa qual tipo de especialização (contas administrativas ou estatutárias). Lembre-se: nem todos os cursos são em tempo integral.

Pense em ser Analista Financeira Certificada.

Veja o capítulo 1 para entender por que ser Analista Financeiro Certificado (CFA, na sigla

em inglês) é uma qualificação financeira tão útil – http://www.cfainstitute.org .

99 “Lady Gaga studies performance footage to improve.” 30 de maio de 2011. Site Star Pulse. <http://www.starpulse.com>.

100 “Looking THIS wacky doesn’t come cheap! Lady Gaga admits she went bankrupt after spending millions on tour costumes.” 31 de maio de 2011. Daily Mail.

101 “eMasterCard launches inaugural Index of Financial Literacy in Asia/Pacific.” 7 de março de 2011. Site MasterCard

Worldwide. <http://www.mastercard.com>.

102 “My story: From minimum wage to millionaire mommy.” Millionaire Site Mommy Next Door.

<http://millionairemommynextdoor.com>. Visitado em 9 de agosto de 2011.

103 WEBB, Merryn Somerset. 2007. Love is Not Enough: The Smart Woman’s Guide to Making (and Keeping) Money. Londres: HarperPress.

104 LUSARDI, Annamaria. “Women and finance.” 1º de abril de 2010. International Business Times.

105 LUSARDI, Annamaria; MITCHELL, Olivia S.; CURTO, Vilsa. 2010. “Financial literacy among the young.” Journal of Consumer Affairs, 44 (2): 358-380.

106 SHIELDS, Rachel. “Debt is a feminist issue: Huge leap in bankruptcy among women.” 25 de julho de 2010. Independent.

107 BERNARD, T. Siegel. “Financial advice by women for women.” 23 de abril de 2010. New York Times.

108 “Red brick (ou redbrick) university” é um termo empregado informalmente para designar outras universidades que não Oxford e Cambridge. (N. do T.)

109 “Women in business: The Pepsi challenge.” 17 de agosto de 2006. Economist.

110 “About us: Members.” Site Business Roundtable. <http://businessroundtable.org>. Visitado em 25 de agosto de 2011.

111 “One 2 One – Helen Weir FCMA, group finance director, Lloyds TSB.” Novembro de 2006. Site Financial Management –

Chartered Institute of Management Accountants. <http://www.cimaglobal.com>.

112 MCGREGOR, Heather. “Routes to the top: Follow the money.” 6 de outubro de 2001. Financial Times.

113 “Chief financial officer Kimberly Ross to leave Ahold.” 23 de maio de 2011. Site Ahold. <http://www.ahold.com>.

114 Key Facts and Trends in the Accountancy Profession. Junho de 2010. Londres: Financial Reporting Council.