Mulheres Poderosas Têm Ambição

Heather McGregor · Capítulo 8 de 13

Páginas do PDF

Mulheres Poderosas Têm Ambição

Capítulo 6

 

… Mas precisa fazer tudo

 

C omo mulher, você com certeza tem de dar conta de mais coisas no seu dia a dia do que um homem.

Por quê?

E como fazer para não sabotar sua carreira por isso?

Este capítulo aborda especificamente mães que trabalham, mas se aplica também a mulheres que cuidam de pais idosos, àquelas que possuem uma casa de veraneio ou às que têm um relacionamento no qual gostariam de investir tempo etc. Mulheres com vidas profissionais têm de lidar com muito mais atividades do que os homens. Basta perguntar a Justine Roberts, que conheceu sua boa amiga Carrie Longton quando ambas frequentavam o mesmo curso pré-natal. Mais tarde, depois de um feriado estressante e supostamente familiar com os gêmeos de um ano, Justine procurou Carrie com a ideia de criar um fórum para mães trocarem informações entre si. O resultado foi o Mumsnet, site que, no verão de 2011, tinha 1,5 milhões de usuários por mês e 25 mil postagens diárias: a maioria de mães do Reino Unido. Agora, trata-se de uma voz importante, e a popularidade entre políticos comprova sua influência (a eleição geral ocorrida no país em 2010 foi batizada de “eleição do Mumsnet”).

Justine, com quase 50 anos, começou a carreira como analista de um banco de investimentos e depois se dedicou ao jornalismo esportivo. Ela é casada com um jornalista e tem quatro filhos. Quando abriu o Mumsnet, gerenciou-o durante cinco em um quarto vago da sua casa anos antes de mudar para um escritório próprio. O Mumsnet agora emprega 35 pessoas, principalmente mães em meio expediente. (Você consegue imaginar como o escritório deve ser organizado e certinho?) Com tantos dados a seu dispor, Justine costuma ser solicitada a opinar sobre temas ligados à maternidade. Em junho de 2011, ela declarou o seguinte em entrevista a um jornal:

Estou convencida – e as pesquisas do Mumsnet confirmam o fato – de que até mesmo as mães que trabalham fora ainda

dão conta do grosso dos afazeres domésticos e dos cuidados infantis [...], continuamos organizando as visitas dos

amiguinhos e as festas de aniversário. A escola liga para mim se acontecer alguma coisa com meu filho; eles não

telefonam para meu marido. 76

Segundo o órgão responsável pela igualdade de oportunidades no Reino Unido, as mulheres continuam sendo as principais responsáveis na hora de cuidar das crianças,

respondendo por quase 90% dos pais solteiros.77

Estamos em 2012 e as mulheres ainda arcam com a maior parte das responsabilidades do trabalho doméstico – e esse também é o caso quando pai e mãe trabalham. As autoras de Through the Labyrinth, livro sobre liderança feminina, nos lembram que “as tarefas das mulheres são mais frequentes, rotineiras e difíceis de ignorar, e essa falta de flexibilidade

contribui para o fardo delas”. 78

Não vá pensando que só porque você está ganhando e/ou trabalhando mais horas seu namorado ou marido cuidará mais da casa. Em média, nos Estados Unidos, os homens fazem uma hora de serviço doméstico a cada 1,7 hora das mulheres, e dão uma hora de atenção às

crianças a cada 2,1 horas das mulheres. 79

Se seu marido também estiver empregado, há uma boa chance de ele estar quase tão ocupado quanto você. Embora seu cônjuge possa ajudá-la durante sua ausência, se os dois estiverem em casa, há uma grande probabilidade de você cuidar do bebê e, provavelmente, também de preparar o jantar.

Não preciso ler nenhum livro para saber disso; sou casada há muito tempo.

Acredito que existem três motivos que fazem as mulheres continuarem tomando conta da maior parte da administração da casa e das responsabilidades sobre a criação dos filhos – até mesmo quando os pais trabalham ou nos casos em que somente a mãe trabalha.

A primeira razão é sermos boas em realizar várias tarefas ao mesmo tempo; no meu ponto

de vista, muito melhores do que os homens. (Essa sensação não provém de pesquisa, aliás.80 Na verdade, existe todo um conjunto de obras afirmando que multitarefas podem prejudicar o

desempenho.) 81

O segundo e o terceiro motivos são resultado direto do condicionamento social: 1) os homens esperam que as mulheres façam tudo isso e;

2) pior ainda, as mulheres também esperam fazer tudo isso.

O poder do condicionamento social

Este livro é sobre o aqui e agora, não sobre um mundo idealizado. De modo geral, os homens foram criados esperando que as mulheres façam coisas por eles.

Gostaríamos que eles tivessem sido criados de outra forma?

É claro.

As mulheres que possuem filhos precisam pensar em como os estão criando, a fim de evitar essa situação.

DeAnne Julius é uma mulher cuja carreira a afastou da folha de pagamentos da CIA para definir taxas de juros no Banco da Inglaterra e exercer outras atividades. Apesar de ter completado 60 anos, ela faz parte da diretoria de várias multinacionais privadas e continua a ter uma vida profissional muito ativa.

Certa vez, fui convidada a falar à rede de mulheres de um banco influente que promovia reuniões trimestrais. Como DeAnne foi oradora de uma dessas reuniões, pensei em prosseguir e ter uma noção de como tudo funcionara na vida dela, ouvir as perguntas que lhe seriam feitas etc. Ela apresentou uma série de slides somente reforçando o que eu já sabia: ela chegara a postos elevados concentrando-se bastante, construindo uma rede de contatos invejável e tendo uma formação financeira muito boa; todos os elementos defendidos neste livro.

Contudo, seu último slide me fez sentar e prestar muita atenção.

“Você cria uma casa com oportunidades iguais?”, ela questionava. “Ou você, como mulher, continua fazendo tudo para

todos apesar de sair para trabalhar?”

De repente, reparei que eu era culpada das acusações.

Nunca eduquei meus filhos em termos de oportunidades iguais. Desde que meus três filhos nasceram, cuidei deles da melhor forma possível, correndo ao redor deles, recolhendo brinquedos, arrumando quartos, colocando a refeição na mesa, etc. Todos ingressaram no internato relativamente novos, onde todas as noites entregavam camisas, meias, calças sujas e de manhã, uma muda de roupa limpa aparecia na beirada da cama deles, trazida pela Fada da Lavanderia.

Não conseguia me desligar das palavras de DeAnne.

Ela afirmou: “Lembrem-se: vocês ficarão impressionadas com quanto uma criança de apenas 6 anos pode fazer em casa.”

Aparentemente, existe uma regra severa na casa da palestrante: quem prepara a refeição não recolhe os pratos nem os lava. Então, fui direto para casa e fiz os Centros de Custo esvaziarem a lava-louça.

É claro, foi uma decisão tardia, e já devo pedir desculpas às mulheres que se casarão com eles um dia. Se você tiver filhos e também desejar um mundo diferente para suas filhas (e para as filhas das outras pessoas), por favor, lembre-se disso. Ainda que tenha apenas filhas, o exemplo que você dá cuidando do seu marido pode muito bem se perpetuar de geração em geração e a ideia de que as mulheres devem fazer tudo permanecerá.

Porém, este não é um livro sobre criação de filhos; é um livro para mulheres ambiciosas.

Esteja preparada para tratamento e atitudes assimétricos Eu estava batendo papo recentemente com uma mulher de quase 40 anos, uma alta executiva casada e com filhos. Vamos chamá-la de Stephanie. Ela me disse o seguinte:

Não sou tratada com igualdade no trabalho. Após duas noites seguidas no escritório até três ou quatro da manhã, perguntei

se podia ir embora, pois não me julgava necessária para mais nada. Meu chefe respondeu: “Sim, vá para casa cuidar dos

filhos.” Meus colegas homens também têm filhos, mas eles não ouviriam esse tipo de resposta dele.

Para mim, não tem como ser mais assimétrico do que isso. Lembro-me de passar pela mesma situação depois de uns seis meses de casada. Todos estavam trabalhando até tarde em um documento importante sobre lançamento de ações e perguntaram, somente para mim, se eu precisava voltar para casa e cuidar do marido.

Perguntaram quem prepararia o jantar dele.

Tirei minha aliança de casamento naquela noite e nunca mais a coloquei de volta (exceto, é claro, se minha sogra vem da Austrália nos visitar).

Durante uma entrevista, perguntaram a Miriam González Durántez, esposa do ex-vice-primeiro ministro do Reino Unido, como ela conciliava trabalho e três filhos, principalmente com o marido tendo um emprego que o deixava tão ocupado. De imediato, ela salientou ao

entrevistador que não era apenas responsabilidade dela equilibrar tudo.82

Ninguém lhe perguntaria como ele dá conta de tudo. Por algum motivo, existe uma suposição na sua pergunta de que seria

meu papel correr atrás de tudo.

Por que ninguém lhe perguntava como ele se virava?

Afinal, ele tinha três filhos e a esposa também ocupava um cargo elevado.

Aparentemente, nada deve mudar – no mínimo, por uma geração –, e é melhor continuar fazendo tudo do mesmo jeito e esperando os mesmos resultados.

Lidando com a realidade do marido que fica em casa Donos de casa serão a norma no futuro, especialmente no caso de serem parceiros de mulheres destinadas ao topo.

Em 2010, o sr. M. decidiu abrir mão do emprego em tempo integral como comerciante de vinho para cuidar das crianças enquanto adquiria uma nova profissão: técnico de críquete.

Não tínhamos faxineira desde a crise do crédito e não contratamos uma nova au pair.83 Eu estava muito preocupada com essa nova situação e falei sobre isso na minha coluna.

Será que esse novo desafio lançado ao meu marido daria certo?

Chegou uma enxurrada de cartas das leitoras relatando como lidaram com situações similares em casa. Uma delas, uma senhora a quem chamarei de Liz, foi eloquente e bem-humorada, narrando sua história de peito aberto.

Segundo seu relato, quando o marido foi dispensado em 2007, dois anos antes da possibilidade mais prematura de aposentadoria, ela foi trabalhar em tempo integral, embora há muitos anos estivesse fora do mercado. Liz era bem mais jovem do que o marido e tinha uns vinte anos ou mais pela frente para contribuir com uma empresa.

O marido aceitou cuidar da casa e dos filhos, todos no ensino médio, e a família possuía apenas um animal de estimação. Então Liz avaliou ser o momento ideal para uma inversão de papéis e fez a divisão de tarefas.

O marido concordou em:

• limpar a geladeira e aprender quando era necessário fazer a limpeza;

• lavar e pendurar a roupa de forma a minimizar o trabalho na hora de passar;

• limpar a casa durante a semana para se livrar da sujeira e da bagunça visíveis (sem

contar os quartos dos filhos);

• levar o cachorro para passear uma vez por dia;

• comprar o básico do dia a dia;

• cozinhar (aparentemente, este item exigiu pouco esforço);

• ler os comunicados da escola e executar o que precisasse ser feito a respeito;

• verificar se a lição de casa estava sendo feita;

• conferir se os filhos compareciam às consultas médicas (embora Liz ainda fosse a

responsável pela marcação e, caso necessário, remarcação das consultas);

• cuidar do jardim eventualmente.

Enquanto isso, Liz manteve as seguintes tarefas:

• lavar as janelas;

• passar a roupa;

• lavar peças de seda e de lã (ela assumiu a tarefa depois de perder um conjunto de

caxemira);

• comprar roupas e calçados dos filhos (as filhas estavam saindo da adolescência, então

ela sentia necessidade de supervisionar as compras);

• toda documentação oficial dos membros da família (por exemplo, renovação de

passaportes, restituição de impostos, devolução de livros);

• cuidar do carro dela.

Depois Liz definiu tarefas para todos, assim não precisaria falar o que cada um deveria fazer, e acrescentou-as no e-mail enviado a mim.

Foi uma leitura cativante.

Contudo, ao ler as duas listas anteriores, percebe-se que continuaram nas mãos de Liz muitas das responsabilidades da casa. Na verdade, ela estava fazendo tudo, inclusive a administração do lar (de sua família).

Como ela se virou?

Nas palavras dela:

Segui o conselho da minha irmã (“se não pode bancar uma faxineira, aguente a sujeira!”) e da terapeuta (“sua situação é

como dirigir no gelo: se reclamar, é como pisar no acelerador ou brecar com tudo no gelo... você não vai conseguir o que

queria”).

Liz tentou me explicar como se sentiu com essa situação de não poder fazer tudo: “Na minha cabeça, eu desejava paz, tranquilidade e tempo livre, mas, na minha vida real, simplesmente toquei o barco.” Às vezes, Liz diz que se sente sobrecarregada, mas quando chega ao escritório e se lembra do quanto gosta de trabalhar, a coisa muda de figura: “Gosto do meu emprego; é melhor do que todas as ocupações de meio expediente que tive antes.”

Liz também precisou enfrentar situações inesperadas: “Você vê crianças desarrumadas na rua e, de repente, percebe ser as suas.”

Ela é um bom exemplo do que o livro Spousonomics: use a economia para lidar melhor com seus relacionamentos sugere, isto é, uma divisão vantajosa das tarefas domésticas em

que a eficiência é levada em consideração em vez de uma divisão meio a meio.84 Ela também aprendeu a não esperar que os afazeres sejam executados como se deseja. Em vez disso, o melhor é aprender a viver com as atividades sendo realizadas de forma diferente.

Todas nós temos nossos limites. É preciso ter a consciência de que, quando delegarmos funções, a pessoa conheça tais limites. Eu, por exemplo, consigo viver com cama desfeita, roupa não lavada ou carro não levado para a revisão. Entretanto, o sr. M. sabe que se eu voltar para casa no fim da semana e a correspondência não tiver sido aberta, meu humor virará do avesso.

Ann Moore, ex-diretora executiva da Time Inc., é casada há muitos anos e tem um filho. Ela apoia entusiasticamente uma mistura de trabalho e vida doméstica, mas adverte: “Encontre seu equilíbrio e seja feliz.”

Em relação à divisão dos afazeres domésticos, Ann lembra-se da forma diferente como ela e o marido compravam artigos de necessidade básica. Quando Ann se tornou mãe em 1984, ela e o marido faziam listas dos itens de que mais precisavam e entregavam-nas à governanta: “Nunca minha lista e a do meu marido batiam, nem em um único artigo sequer.” Da lista de Ann faziam parte produtos básicos como fraldas, ovos, leite e papel higiênico. O marido listava noz de macadâmia e suco de uva da Welch’s entre os cinco principais.

“Temos de viver com isso. Existem diferenças. As coisas são assim mesmo.” 85

Da mesma forma, a babá não cuidará das crianças exatamente como você espera. Seu marido não limpará a geladeira ou trocará a roupa de cama quando você achar necessário. Caso pretenda partir para a terceirização, principalmente com o marido, é preciso aprender a se preocupar menos.

Algumas das cartas que recebi julgavam que a ideia do marido em casa terminaria em choro. Eis algumas ideias de uma leitora; vou chamá-la Catherine:

Li sua coluna desta semana com alguma preocupação. Você coloca que o sr. M., recém-aposentado, será capaz de

substituir o “exército externo de apoio aos filhos” antes contratado. Não pretendo jogar um balde de água fria no que

parece, à primeira vista, uma decisão economicamente lógica e pessoalmente satisfatória, mas eu a aconselho a ter

cautela.

Alguns anos atrás meu ex-marido e eu, cheios de otimismo, tomamos o mesmo caminho, com apenas dois Centros de

Custo. Talvez você descubra que, além das letrinhas miúdas na papelada da escola, tais como o primeiro dia de aula,

reuniões de pais e mestres, datas de provas, etc., outros detalhes, como cortar as unhas e escovar os dentes, só ocorram

ocasionalmente sem a sua (ou de uma babá) supervisão.

Catherine continuava com outro aviso:

Ademais, os assuntos para conversa se estreitam. Sei que você trabalhou em um banco de investimentos e que pilota

aviões, assim, sem dúvida, você tem inúmeras histórias para a mesa de jantar, mas talvez ache pouco estimulante ficar

sabendo que o dia do sr. M. teve como ponto alto o fato de terem passado por engano o carrinho dele no caixa do

supermercado ou de a Blockbuster ter fechado mais cedo.

Talvez, então, você deseje incentivar seu marido a praticar golfe ou outros esportes, mas tenha em mente que isso só

servirá para reduzir a capacidade dele de executar as tarefas maiores, como levar e buscar os jovens Centros de Custo à

escola, à prática esportiva, etc., certamente impedindo qualquer chance do sr. M. de dominar os detalhes.

Simplesmente não existe maneira (sem recorrer a medicamentos) de evitar a frustração de ver tão pequena realização

em um dia de trabalho ou a inveja de vê-lo descansado e imperturbável pelos afazeres não levados até o fim. Sugiro fazê-

lo voltar a trabalhar ou continuar recorrendo ao seu exército externo.

Veja bem, Catherine menciona um “ex”-marido. Agora, ela paga a ele uma pensão considerável.

No entanto, existem muitas mulheres que fizeram dar certo.

Angela Braly, presidente do conselho administrativo, além de presidente e diretora executiva da Well-Point Inc. (WLP), é casada, tem três filhos, e costuma dar crédito ao fato de o marido ficar em casa para cuidar dos filhos enquanto ela corre atrás do sucesso na carreira. “Agradeço muito à escolha tomada por ele; e ele é tão bom nessa vida!” Segundo Angela, a maioria das pessoas estranha quando o pai fica em casa e duvidam – como minha leitora Catherine – de que isso pode dar certo. Na avaliação de Angela: “É fabuloso;

funciona muito bem.”86

Ela não é a única – existem muitas mais.

O marido da diretora executiva da PepsiCo, Indra Nooyi, largou um emprego em tempo integral e virou consultor para ter maior flexibilidade no trabalho e estar mais disponível

para ajudar a esposa.87

Quando Angela Ahrendts, diretora executiva da Burberry, precisou mudar dos Estados Unidos para Londres, o marido dela, Gregg (eles se conheceram no primário; adoro essa história), precisou fechar a bem-sucedida construtora que possuía e passar a residir na Grã-

Bretanha para tomar conta da família.88 Patricia Woertz, diretora executiva da Archer Daniels Midland, reconhece os sacrifícios feitos pelo ex-marido, consultor de logística, que lhe permitiram continuar crescendo dentro da corporação. “Em determinado momento, um falou para o outro: ‘Xi, a carreira de um dos dois precisará ganhar prioridade’.”, ela conta.

O casal optou pela dela.89

Foi exatamente a mesma coisa que Helena Morrissey, diretora executiva da Newton Investment Management, e o marido decidiram fazer. O marido dela, jornalista, trabalha em casa, e eles contam com o auxílio de uma babá. Segundo Helena, “talvez exista um estigma quando os homens ficam em casa, mas esse é um dos elementos que com certeza ajudam a

livrar as mulheres desse trabalho”.90 Ela incentiva as mulheres a conversarem com os maridos para ver qual dos dois deve dar um tempo na vida profissional, ou mesmo abrir mão dela, para cuidar dos filhos.

Concordo plenamente com essa iniciativa.

Não existe motivo para a mulher sempre abrir mão da carreira. Você deve ter uma conversa franca e esclarecedora com seu marido ou parceiro e decidir qual carreira dará mais suporte à família a longo prazo.

Sem dúvida, existirão desafios em um casamento com um marido dono de casa que provavelmente não surgiriam no caso de uma dona de casa. Um marido dono de casa provavelmente se sentirá exausto e pronto para entregar a administração da casa e dos filhos à companheira quando o final de semana começar. (O tratamento assimétrico dado às mulheres, sem dúvida, ataca novamente.)

Você é capaz de imaginar uma dona de casa dizendo ao marido que trabalha que, durante o final de semana, ele fica encarregado da casa – filhos, cozinha, tudinho – até retornar ao expediente na segunda-feira?

Certamente, não.

Na verdade, ele, em geral, joga golfe no final de semana – e provavelmente mal se envolve com a criação dos filhos, pois necessita descansar após uma semana puxada no escritório, viagens ao exterior etc. Todavia, em uma situação inversa, a mulher assume a casa nos finais de semana para o marido descansar.

Stephanie, já mencionada aqui, é a única provedora da família e o marido fica em casa para cuidar dos filhos.

Como esse arranjo está funcionando?

Priorizar é essencial. Ter filhos torna as decisões mais difíceis de serem tomadas, mas fico acordada até 1 hora da manhã

fazendo bolo ou cerzindo um par de calças jeans porque sinto essa obrigação, mesmo meu marido sendo um dono de casa.

Observe a palavra “obrigação”. Não há necessidade da existência dessa palavra no vocabulário de qualquer mulher que trabalha. “Sentir-se obrigada” significa tentar viver sua vida pela perspectiva dos outros, não pela sua.

Stephanie explicou:

Tenho um senso de responsabilidade em relação a atividades não ligadas ao trabalho não compartilhado por meus colegas

homens. Em uma sexta-feira, senti a necessidade de voltar a representar o papel de mãe e rasgar o manto corporativo.

Assim, nos finais de semana, assumo completamente as funções do meu marido – esse é o acordo. É necessário ser boa

fechando as portas a outras áreas da vida. É o que desejo fazer – minha folga é estar com meus filhos. A comunicação

entre nós é essencial – assim como respeitar os limites conforme o acordo.

Ainda segundo ela as pessoas fazem julgamentos quanto ao fato de ela trabalhar e o marido permanecer em casa. Suspeito ser o mesmo tipo de julgamento que impede muitos casais de seguirem um caminho semelhante.

Talvez Stephanie esteja certa, e seu momento de lazer seja cuidar dos filhos. Para mim, ela simplesmente está fazendo demais.

Resistindo à pressão de ser uma “supermãe” Um pedaço de mim suspeita que o verdadeiro problema é que as próprias mulheres exigem demais umas das outras e, com a ajuda da imprensa, surge a ideia de que a mulher precisa ser uma “supermãe”.

Nunca me esquecerei de quando uma de minhas colegas mandou um e-mail para o escritório inteiro com a ótima receita de um bolo de chocolate rápido de preparar: “Fiz ontem à noite enquanto colocava meu filho para dormir, cozinhava para a família do meu marido, fazia as malas para o feriado e trabalhava!”

Ela desejava dividir conosco uma dica para economizar tempo – mas eu só pude pensar no seguinte: a) ela ficaria exausta mantendo esse ritmo; b) em vez de mandar esse e-mail, a colega poderia ter ido se deitar!

Historicamente, as mulheres passam mais tempo hoje com os filhos do que na época das avós; a informação é verdadeira mesmo quando as mulheres trabalham fora. Existe uma pressão enorme para que as mães passem mais tempo com seus filhos, o que também pode ser um resultado influenciado pela mídia. Além disso, a pressão também é feita pelos parentes e é mais intensa sobre as mães cujas carreiras têm maior potencial. Mas apesar da pressão, as mulheres que trabalham fora e são bem-sucedidas conseguem ter mais tempo

para os filhos, pois são mais críticas e mais exigentes.91

Aproveite o poder da terceirização

Qual é o segredo para executar bem várias tarefas ao mesmo tempo?

Simples: você deve aprender a terceirizar.

A terceirização é, evidentemente, fundamental para uma carreira de êxito.

A baronesa Virginia Bottomley, atualmente chefe do setor encarregado pela busca de presidentes e diretores executivos da empresa de recrutamento Odgers Berndtson, falou durante o lançamento, no começo de 2011, de um estudo sobre a diversidade de gênero. Ela afirmou: “Se deseja um emprego ambicioso, precisa contar com uma ajuda igualmente

ambiciosa. Se pretende ter tudo, invista em estruturas domésticas.” 92

Então, chega de bater bolo ou cerzir jeans uma hora da manhã.

Compre o bolo e se orgulhe de poder comprá-lo. E peça para a lavanderia consertar as calças jeans.

Seja dona das suas escolhas! Supere a culpa!

Quando você for realmente bem-sucedida, a empregada poderá preparar o bolo.

Será que seus filhos farão terapia daqui a vinte anos, lamentando-se pelo fato de a mamãe não fazer os bolos?

Duvido muito.

Jenny Knott, diretora executiva do Standard Bank, era a principal palestrante do lançamento do estudo em que Virginia Bottomley compareceu. O público era misto, mas muito do que ela disse tinha a ver com suas experiências como mulher. Assim, o conselho foi dirigido às mulheres ali presentes: “Vocês devem aprender a delegar e a não ter vergonha de

não conseguir dar conta de tudo. Não dá para ser uma supermulher.” 93

A terceirização não é popular entre algumas pessoas. Eu me lembro muito bem de uma mulher na plateia de um evento promovido por mim declarar que não ia atrás da carreira se para isso outra mulher tivesse de assumir suas tarefas. De que forma isso representaria o progresso?

Para começar, todas nós devemos nos orgulhar do trabalho executado – quer seja limpando, quer seja comandando uma companhia –; assim, não vejo o fato de receber um salário decente por serviços domésticos prestados como uma forma de escravidão. Além disso, a ajuda doméstica pode até surgir na forma de um homem – nunca se sabe!

Este livro é sobre seu progresso, não sobre o das mulheres como um todo – embora se em resultado da leitura do meu livro mais algumas chegarem ao topo, ele terá ajudado bastante a causa feminina. Se você tiver um cargo bem pago, provavelmente terá criado vários empregos, e muitos deles podem ser ocupados por mulheres, o que é um aspecto positivo. Por exemplo, eu dupliquei o tamanho da minha empresa e o número de funcionários (a maioria é feminina), além de ter terceirizado inúmeras tarefas domésticas.

Tudo isso criou empregos, diretos e indiretos, para outras mulheres.

Encontre a sua solução para cuidar da casa e/ou dos filhos As autoras de Backwards in High Heels alertam que “deixar o filho com um quase estranho é uma experiência muito particular”, e que muitas mães não estão preparadas para lidar com o “estranho relacionamento” com um empregado.

Para muitas mulheres, a incapacidade de lidar com o dilema entre trabalho e babá pode ser providencial na decisão de

levá-las a parar de trabalhar de uma vez; elas podem sentir uma forte necessidade de reafirmar a própria autoridade como

mães. 94

Em outubro de 2010, o Hurun Report anunciou a lista das vinte principais bilionárias por conta própria. Curiosamente, onze delas são chinesas. Embora parte do sucesso seja resultado do crescimento econômico, uma bela parcela, como observado pelo Financial Times, é resultado da ambição das mulheres chinesas. Segundo um estudo do Center for Work-Life Policy, de Nova York, 76% das mulheres na China aspiram a cargos elevados, em comparação a 52% das norte-americanas. Para o Center for Work-Life Policy, as mulheres da China e outros mercados emergentes “são capazes de sonhar alto, em parte por terem mais pessoas a quem recorrer do que as colegas europeias e norte-americanas na hora de cuidar

dos filhos”.95 Nesses países, educar os filhos é fácil e livre de estigmas, assim, as mulheres podem terceirizar a vida doméstica.

Ao longo dos anos, contei com a sorte de ter tido algumas babás excelentes e que permaneceram comigo um tempão. Sei que muitos podem odiar a ideia de terceirizar a educação dos filhos – seja uma babá, creche, pré-escola, atividades extraclasse ou qualquer outra forma –, porém, acredito piamente ser muito melhor para os filhos ter um outro alguém para cuidar deles do que pais estressados.

Você se sente culpada por colocar seu filho na creche ou por contratar uma babá para ele?

A culpa não tem lugar na vida de uma profissional (veja a seção “lição de casa” no final do capítulo 5).

Por causa de uma babá muito eficiente, eu pude ser igualmente eficaz e utilizava um esquema de pagamento com incentivo – a babá recebia um bônus semestral que subia um pouco por vez (na verdade, uma espécie de aumento salarial programado). Quando ela chegava, eu deixava por escrito minhas principais preocupações, assim ninguém teria dúvidas. Também deixava claro que, além de estabelecer uma longa lista de regras básicas, não pretendia controlá-la nos mínimos detalhes.

Em outras palavras, dedico à carreira de minha babá o mesmo esforço que dedico aos funcionários da minha empresa. Essa visão também é usada nos acertos domésticos de Catherine May, diretora de assuntos corporativos da Centrica. Ela me disse:

Muitas mulheres se queixam de as faxineiras esquecerem detalhes importantes – não aspirar embaixo do sofá –, mas as

pessoas parecem achar difícil dar instruções claras às empregadas. E por mais estranho que pareça, elas não têm

escrúpulos quanto a isso no escritório. O funcionário doméstico deveria passar por revisões anuais, análises salariais e ser

tratado como um profissional da mesma maneira que tratamos nossos colegas de escritório.

Gosto da minha roupa de cama passada a ferro (principalmente porque os lençóis têm uma densidade alta de fios), embora o resto da casa não seja tão mimado. Como o sr. M. – a exemplo das babás e faxineiras antes dele – não sabe passar os lençóis muito bem, eu os mando para a lavanderia, que pode quebrar ou até mesmo perder botões das capas dos cobertores, mas pelo menos retiram e entregam a roupa de cama passada.

A compra do supermercado agora pode ser feita on-line. Ela nem sempre é perfeita, principalmente quando algum artigo está em falta e fazem substituições estranhas, mas pelo menos não é preciso passar horas fazendo compras no mercado.

Outra atividade passível de ser terceirizada é o planejamento social da família e das tarefas domésticas. Por apenas 49 libras mensais, prestadores de serviços como TEN e Quintessentially podem fazer reservas em restaurantes, fornecer um faz-tudo e comprar presentes de Natal.

Os sogros estão vindo à cidade e você não tem tempo para reservar um jantar com antecedência?

Envie um e-mail para a empresa e eles providenciarão isso na mesma hora.

Agora, prepare uma lista de tudo que deve ser feito regularmente na sua vida – existe alguém para realizar o serviço no seu lugar?

Por exemplo, uma das minhas melhores atitudes foi abrir uma conta com o serviço de táxi local, em 1998. Se algum dos meus filhos estiver preso em algum lugar, ou se eu precisar chegar voando à estação de trem, eles são a solução.

Seja organizada e empregue bem o tempo

Quando recebi meu diploma honorário da Universidade de East London, o outro homenageado era o fundador de uma grande empresa de cartões de felicitação, um homem bem-sucedido de mais ou menos 70 anos que, graças a muito trabalho, lutou e acumulou riqueza e sucesso.

No discurso, ele disse aos milhares de estudantes se formando naquele dia: “Existem 24 horas no dia. Usem bem essas horas.”

Para ele, os homens precisam de seis horas de sono; as mulheres, sete; e as crianças, oito.

Passando disso, estamos desperdiçando tempo.

Concordo que todas as horas do dia existem para serem usadas. Nada me irrita tanto quanto a sensação de ter desperdiçado meu tempo. A consequência direta disso é raramente ir ao banheiro sem uma papelada para ler. Assentos de privada podem ser muito confortáveis; assim,quando a natureza se impõe, tire proveito do tempo para cuidar dos documentos longe do agitado escritório sem divisórias. Recomendo bastante isso.

Estou sempre propensa a descobrir novas formas de poupar tempo. As pessoas costumam me perguntar como dou conta de tudo – da empresa, de escrever, das aulas, do trabalho de caridade, dos meus três Centros de Custo. Na verdade, não é tanto assim, apenas parece ser muito para cuidar.

Minha principal dica para mulheres ocupadas é aprender como economizar tempo.

Serei eternamente grata à mulher que me ensinou que apertando a letra “T” do BlackBerry, vamos diretamente ao e-mail mais recente ou, caso já tenha aberto o e-mail, direto ao topo da própria mensagem.

Por sua vez, aqui estão minhas principais dicas para poupar tempo se, como eu, você quiser fazer muitas coisas ao mesmo tempo:

• Para começar, leve o laptop ao cabeleireiro, principalmente se for pintar o cabelo. O

aspecto mais maravilhoso dos salões é ter tomadas espalhadas por todos os ambientes. E, é claro, trata-se também de uma dica para economizar dinheiro, pois chamar um profissional ao seu escritório pode custar um pouco mais, mas vale o tempo que se economiza;

• Em segundo lugar, use táxi de vez em quando, assim você conseguirá dar mais três

telefonemas, tarefa impossível se estivesse dirigindo ou indo de metrô. Os telefonemas para meus filhos, meus pais ou para a empresa que não forem urgentes, mas provavelmente formadores de reputação, saem lucrando por eu não estar no metrô nem dirigindo. Pode custar caro, mas o ganho será inestimável.

Quando a recessão mundial terminar, pense em ser transportada regularmente por alguém. Poucos empresários podem pagar um motorista em tempo integral, mas choferes podem custar menos do que se pensa. Qualquer noite com mais de dois coquetéis imperdíveis justificam o gasto: não é preciso ficar verificando o casaco a todo momento, pois é possível deixar a bolsa no carro (além de reservas extras de cartões de visita e uma meia-calça sobressalente), e você pode bancar a generosa se oferecendo para deixar as pessoas em casa em algo melhor do que um táxi.

Diane Benussi, a advogada especializada em divórcio de Birmingham, concorda comigo.

Arrume um motorista – nunca mais precisará se preocupar com o carro e poderá entrar e sair das reuniões sem o estresse

de dirigir e ter de encontrar um lugar para estacionar. Se pago por hora, o custo é compensador, porque é possível

trabalhar mais tempo no carro e ganhar mais do que o motorista me custa.

O gerenciamento de tempo é um tema bastante analisado nas literaturas de administração e acadêmica, e muitos cursos sobre isso são oferecidos. Contudo, a gestão do tempo para as mulheres vem a ser uma capacidade muito particular, pois exige disposição para cuidar de mais de uma coisa em vez de apenas uma.

O livro de Ruth Klein sobre administração do tempo para mulheres tem uma longa lista de sugestões, incluindo uma agenda abrangente de planejamento prospectivo. Também tenho uma agenda dessas, com disposições domésticas (consultas com o ortodontista, compromissos sociais de final de semana, provas escolares, a data do tratamento contra pulgas para os cachorros etc.), além de todos os meus compromissos de viagem e os noturnos, os quais minha assistente, Olivia, a Observadora, manda para minha casa todos os dias.

Aprenda a “integrar ou sufocar”

Uma das sugestões da Ruth Klein de que gosto em especial é uma que coloco em prática há anos sem descrevê-la formalmente.

Klein a chama de “integrar ou sufocar”. Ela enumera diversas dicas específicas sobre como integrar compromissos familiares, profissionais e domésticos. As dicas são excelentes,

mas parece-me importante que você crie as suas próprias também.96

Por exemplo, se eu precisar viajar a negócios durante as férias escolares, será que um ou mais filhos ou até mesmo meu marido podem ir junto?

Sou convidada para participar de vários eventos importantes, geralmente podendo levar apenas um acompanhante. Hoje, existe uma grande probabilidade de ser o Centro de Custo 1 ou até mesmo o CC 2 no papel do sr. M. Assim, eles já foram ao balé, à ópera e ao teatro – o tempo todo apoiando minha carreira.

Falei no festival do livro mundialmente famoso em Hay-on-Wye, País de Gales, em 2010 e 2011, e nas duas ocasiões levei um dos Centros de Custo junto. Em 2011, ao chegar com o CC 3 em Hay, percebi ter me esquecido de levar os livros didáticos dele, pois ele tinha provas na semana seguinte. Meu filho não ficou exatamente infeliz com o descuido porque, afinal, como lhe disse, o Festival de Hay é um aprendizado em si.

Em primeiro lugar, atualidades: uma sessão na qual um painel analisava os jornais diários. O CC 3 está determinado a servir o Exército e se manteve adequadamente pensativo enquanto era discutida uma reportagem emocionante do correspondente de iatismo do jornal The Independent a respeito da perda do filho no Afeganistão.

Próxima lição: tecnologia. Fiz uma sessão on-line de perguntas e respostas para quem não pôde comparecer a Hay para me ver. Esta foi seguida por uma aula de matemática – meu filho precisou calcular o troco a ser recebido após pagar um chocolate quente com uma nota de dez libras – e de economia, quando então percebemos que eu havia sido transferida da sala original com cem lugares para um auditório para 430 pessoas.

Após minha palestra, fomos ouvir Jonathan Stroud (o CC 3 é um estudante aplicado dos livros de Bartimaeus), que nos deu uma aula sobre escrita criativa, arte e tipografia. A seguir foi a vez da aula de ciências no espaço da Wiggly Worm (minhocas, terra e planta), antes de terminarmos com teatro, música e história, quando assistimos a uma leitura dramática de Cavalo de guerra.

Fui capaz de substituir a escola. Realmente, é interar ou sufocar.

Não tem problema estar “de folga” e pedir ajuda Para encerrar, duas sugestões sobre como fazer tudo, também mencionadas por Klein.

Certifique-se de conservar energia para conseguir lidar com tantas atividades. Você precisará de um tempo livre só para si. Klein chama a solução de “mamãe está de folga”: tirar um tempo para recarregar as baterias e achar uma forma de isso acontecer sem interrupções.

Em outras palavras: sua família deve compreender o que um dia de folga significa.

O conceito soa inacreditavelmente egoísta e, novamente, você se sentirá culpada por tirar um tempo só para si. Contudo, qualquer coisa que restaure sua energia – desde uma hora de sono em um sábado à tarde até uma pausa anual de dois dias em um spa com uma amiga – vale o investimento.

Além disso, certifique-se de poder confiar em sua substituta. Klein enfatiza a criação de uma equipe de crise antes de precisar dela. A autora a descreve como se fosse uma equipe da SWAT: um grupo particular de pessoas especiais de reserva que podem entrar em ação em casa ou no trabalho quando surgir uma emergência. Esse grupo pode incluir vizinhos, amigos e parentes, e um acordo deve ser fechado sobre a maneira de compensá-los – em

espécie ou de outra forma.97

A vida é imprevisível, assim, uma equipe da SWAT de prontidão pode ser uma rede de proteção decisiva – a “Panelinha” descrita por Lynda Gratton (mencionada no capítulo 2).

Conheço gente que até muda de casa e passa a morar perto do grupo de apoio.

Vale a pena.

Neste capítulo, espero ter explicado um dos principais desafios encarados pelas mulheres a caminho do topo. Na verdade, elas precisam abraçar muito mais atividades no dia a dia porque continuarão sendo responsáveis por boa parte das tarefas domésticas. E o cenário permanecerá igual, mesmo que o marido fique em casa para cuidar de tudo.

Assim, selecione as prioridades segundo o que é importante para você, depois terceirize, seja organizada, explique suas necessidades, conserve energia e seja tolerante e paciente quando os afazeres não forem feito da forma como gostaria.

Esse é o preço (relativamente pequeno) a ser pago por uma carreira bem-sucedida.

Acima de tudo, lembre-se de que você consegue fazer tudo – de um jeito ou de outro – com ajuda.

Theresa Ahlstrom, sócia-diretora da KPMG LLP e mãe de dois filhos, explica melhor do que eu: “Eu digo às mães novatas que não se deve desistir por pelo menos seis meses.

Demora até todas as peças se encaixarem, mas vai acabar acontecendo.”98

 

LIÇÃO DE CASA PARA MULHERES AMBICIOSAS

Em qualquer estágio da carreira

Determine quais atividades poderiam ser terceirizadas para ganhar tempo Mantenha um diário semanal, anotando todas as suas ações.

Agora, revise e escolha três itens passíveis de terceirização.

Pense no que poderia fazer se tivesse esse tempo extra.

Se não fosse necessário limpar o apartamento, seria possível cursar um MBA em meio expediente?

Use listas para ser mais organizada Quando piloto um avião, preparo uma lista de controle com tudo o que devo fazer a cada etapa. Eu a datilografei e plastifiquei, e espalho diversas cópias pela cabine para não correr o risco de ficar sem ela. Essa postura é fundamental para todos os nossos afazeres.

Vai viajar no feriado?

Escreva uma lista do que deve ser levado. Ela poupará seu tempo.

Fará compras de supermercado?

Liste os artigos necessários. Depois, você pode comprar tudo pela internet ou ir pessoalmente à loja – independentemente da escolha, será mais rápido.

Preparando-se para o Natal?

Crie listas para tudo – inclusive para a comida e para quem comprar presentes. Tenho um bloco de anotações e sempre o levo comigo, e depois uso os momentos livres para consultar minhas listas e acrescentar itens.

Conserve sua energia

Experimente estas dicas simples. Você ficará surpresa com quanta energia conseguirá preservar e quanto tempo livre será gerado.

• Tenha papel e caneta perto da cama se acordar pensando nos afazeres do dia. Caso

contrário, ficará deitada acordada preocupando-se se irá se esquecer pela manhã;

• Liberte-se da tirania do e-mail. Ponha o celular em uma gaveta no final de semana e

somente o utilize meia hora por dia. Tente fazer o mesmo durante a semana. Reserve determinada quantidade de tempo do seu dia para conferir e responder às mensagens, em vez de ficar o tempo todo de olho nelas.

76 CRAIK, Laura. “London’s supermum”. 2 de junho de 2011. Evening Standard.

77 Household Labour Force Survey. 2010. Cited in Gender Equality Duty fact sheet. Site Government Equalities Office.

<http://homeoffice.gov.uk/equalities>.

78 EAGLY, Alice H. e CARLI, Linda L.. 2007. Through the Labyrinth. The Truth about how Women Become Leaders. Boston, MA: Harvard Business School Press, pp. 50–51.

79 Ibid.

80 University of Hertfordshire. “First concrete evidence that women are better multitaskers than men”. 19 de julho de 2010.

Site ScienceDaily. <http://www.sciencedaily.com>.

81 GLENN, David. “Divided Attention”. 28 de fevereiro de 2010. Site The Chronicle of Higher Education.

<http://chronicle.com>.

82 HOPE, Christopher. “Nick Clegg ‘killing himself’ trying to balance work and family”. 11 de julho de 2011. Telegraph.

83 Jovem estrangeiro (em geral, moça) que mora com uma família para aprender o idioma local, sendo responsável por alguns afazeres domésticos. (N. do T.)

84 SZUCHMAN, Paula e ANDERSON, Jenny. 2011. Spousonomics. Or how to maximize returns on the biggest investment of your life. Londres: Transworld Publishers, pp. 14–20. [Spousonomics: Use a economia para lidar melhor com seus relacionamentos. Rio de Janeiro: Campus, 2010.]

85 “Nine business insights from Time CEO Ann Moore, plus the mix-and-match women”. 30 de novembro de 2005. Site

Knowledge@Wharton. <http://knowledge.wharton.upenn.edu>.

86 BOURNE, Leah. “Most powerful moms of 2010 in pictures.” 29 de dezembro de 2010. Site Working Mother.

<http://www.workingmother.com>.

87 LEITH, James. “It’s a tough, man-sized job being a househusband.” 5 de julho de 2011. Telegraph.

88 PROSSER, David. “Angela Ahrendts: Exactly the right material.” 28 de maio de 2011. Independent.

89 BIRGER, Jon. “Patricia Woertz, the Outsider”. 2 de outubro de 2006. Fortune.

90 GRIFFITHS, Sian. “Top women need ‘him indoors’.” 3 de julho de 2011. Sunday Times.

91 EAGLY, Alice H.; CARLI, Linda L., Through the Labyrinth, p. 52-54.

92 BOTTOMLEY, Virginia. Falando durante lançamento de estudo sobre a diversidade de gênero. 21 de março de 2011. Realizado na Nomura, Londres.

93 KNOTT, Jenny. Ibidem.

94 KINDERSLEY, Tania; VINE, Sarah. 2009. Backwards in High Heels. Londres: Fourth Estate.

95 WALDMEIR, Patti. “Chinese dominate list of richest women.” 12 de outubro de 2010. Financial Times.

96 KLEIN, Ruth. 2000. Time Management Secrets for Working Women. Getting Organized to Get the Most Out of Each Day. Naperville, IL: Sourcebooks Inc., p. 41-49.

97 Ibidem.

98 BOWERS, Katherine. “Secrets to climbing the career ladder.” 25 de janeiro de 2011. Site Working Mother.

<http://www.workingmother.com>.