Mulheres Poderosas Têm Ambição
Capítulo 9
Divulgando a si mesma
T oda mulher deveria gastar 5% do seu tempo fazendo seu próprio trabalho de relações públicas (RP).
“Durante a maior parte da História, o ‘anônimo’ era uma mulher”, afirmou Virginia Woolf.
Está na hora de mudar isso.
Esse conceito não será divertido para quem não gosta de se autopromover. Afinal, todas nós podemos citar homens que parecem passar 55% do tempo se divulgando e não queremos ser identificadas com eles.
Por que fazer seu próprio trabalho de RP é tão importante?
Segundo uma pesquisa conduzida em 2009:
Existe uma crença profundamente arraigada entre as mulheres segundo a qual, se forem boas no trabalho, serão
promovidas, reconhecidas e recompensadas [...] [entretanto] assumir papéis de liderança […] requer mais do que fazer as
coisas certas.131
Não basta apenas ser boa no seu trabalho – é necessário certificar-se de que as pessoas saibam disso. As mulheres costumam ignorar esse aspecto porque acreditam que a autopromoção é inadequada. Kelly Watson, consultora de marketing norte-americana, classifica essas crenças prejudiciais em quatro categorias. Veja se por acaso você se identifica com alguma delas.
• O Mito da Cadela (“Autopromoção me fará parecer arrogante”);
• O Mito da Princesa (“Se eu for boa o bastante, as pessoas ficarão sabendo”);
• O Mito dos Amigos e da Família (“Os outros deveriam falar das minhas conquistas, não
eu”);
• O Mito da Mártir (“Não dá para controlar o que os outros pensam”).132
Com qual(is) mito(s) você concorda?
Quando convidaram a Melanie Healey, presidente da divisão América do Norte da Procter & Gamble, a aconselhar mulheres jovens, ela disse:
[na] P&G, costumamos nos referir a um modelo chamado PIE: foco na Performance (produzir os melhores resultados
possíveis); Imagem (formar imagem forte e sustentável, com reputação e credibilidade, incluindo uma forte integridade) e
Exposição (garantindo obter a exposição necessária para avançar ao próximo nível).133
Veja bem, duas dessas três áreas dizem respeito a uma RP eficaz: criar a imagem certa e obter a exposição correta.
Assim, comece anotando uma lista de coisas com as quais deseja estar associada e ser por elas conhecida.
Desempenho excelente, sem dúvida. Mas o que mais?
Apoio?
Generosidade?
Ser uma especialista em determinada área?
Ter conexões excelentes?
No geral, qual mensagem deseja projetar acerca de si mesma?
Com a mensagem aprimorada, é necessário comunicá-la. Em uma campanha de RP bem pensada, os canais de distribuição da mensagem são tão importantes quanto a mensagem em si.
Certifique-se de que a internet pode funcionar a seu favor, não contra Na segunda década do século XXI, a internet é um poderoso canal de distribuição da informação.
O que as pessoas podem descobrir a seu respeito na internet?
As mulheres jovens (e as mais velhas!) lendo este livro podem ter Facebook, LinkedIn, Twitter e outras páginas de rede social. Serão essas páginas, e tudo nelas, coerentes com a mensagem com a qual desejariam ser retratadas?
Seus perfis incluem fotografias ou comentários que poderiam denegrir a imagem em desenvolvimento?
Eu acho espantoso que jovens na faculdade, competindo no mercado de trabalho e precisando garantir os raros estágios disponíveis, costumem – deliberadamente – publicar fotografias de si mesmos na internet em vários estágios de nudez e embriaguez.
E nem venha me falar no que algumas pessoas tuítam!
Certifique-se de que o seu perfil no LinkedIn esteja atualizado e represente claramente as características que gostaria de passar a potenciais empregadores. Lembre-se: o LinkedIn é seu currículo digital – o balanço patrimonial pessoal para a internet.
Liste todos os empregos, principais conquistas, prêmios e características que a diferenciem.
Você fala quatro idiomas?
Escreve um blog acompanhado por milhares de pessoas?
Bem, o LinkedIn oferece espaço para promover esse aspecto (recorda-se da “terceira dimensão” mencionada anteriormente?). Quando possível, peça a clientes e ex-colegas que escrevam recomendações. Em uma época cada vez mais dominada pela internet, o perfil on-line é tão importante quanto qualquer ação de RP.
Alertas do Google
Para manter-se em dia com seu perfil on-line, estabeleça um alerta do Google para si mesma. Se publicarem uma foto inapropriada sua, peça a remoção. Se escreverem algo inverídico e prejudicial, busque a correção ou retirada do texto. Há um limite para o que pode ser controlado, principalmente conforme você se torna mais conhecida e com o nome firmado na carreira.
Lembro-me da primeira vez em que publicaram algo muito desagradável sobre a sra. Moneypenny na internet. Tive de me acostumar aos comentários agressivos publicados ao fim de artigos contendo opiniões fortes, mas reportagens desagradáveis sobre mim em particular representavam uma novidade total. Procurei orientação, e disseram-me para não perder tempo tentando esclarecer os mal-entendidos, caso não fosse difamatório. Em vez disso, dispus-me a garantir o aumento da cobertura positiva da sra. Moneypenny, para ter um equilíbrio melhor.
O canal mais importante para passar a sua mensagem é... você Você pode julgar ser coisa de menina começar a falar em RP com algumas observações acerca da aparência, mas ela é tão importante quanto criar um perfil on-line. Trocando o que antes me referi como “capital erótico”, termo cunhado pela acadêmica Catherine Hakim, ele vai muito além da atração sexual para incluir:
encanto e habilidades sociais, aptidão física e vivacidade [...] habilidades de apresentar a si mesma, tais como pintar o
rosto, cortes de cabelo, roupas e todas as outras formas de arte do embelezamento pessoal. 134
Penso mais em Michelle Obama do que Jordan ou Pamela Anderson.
Observe os homens ambiciosos e bem-sucedidos – eles nunca vão conseguir um emprego somente por serem incrivelmente bonitos ou atraentes, mas, de forma consciente ou inconsciente, nunca perdem uma chance de progresso por estarem mal-apresentados. Ao se certificarem de estarem produzidos e apresentados adequadamente, a questão da aparência não mais é um impedimento.
É um absurdo exigir que as mulheres eliminem a aparência como um fator no progresso da vida profissional porque não existe um “uniforme” padrão, tais como cabelo curto, camisa e gravata. Porém, tenha em mente que a maioria das pessoas forma uma imagem sobre o interlocutor nos primeiros trinta segundos. Sua aparência, forma de falar e se envolver com os outros são fatores críticos para o progresso.
Vista-se para o sucesso
Uma vez fui procurada por uma jovem mulher em uma prestadora de serviços profissionais que aspirava ser elevada à condição de sócia. Apesar de trabalhar com afinco, fazer um esforço especial e já ter adotado todas as sugestões dos capítulos anteriores deste livro, ela não fora selecionada para a promoção. A jovem se sentou diante de mim, lamentou seu destino e perguntou o que poderia ter feito de forma diferente.
Sugeri que talvez um diferencial fosse se vestir como uma das sócias da firma. Pedi uma discrição das sócias existentes.
Perguntei quantas delas exibiam tantas fendas quanto ela?
E quantas delas usavam cores inadequadamente brilhantes como as dela no dia do nosso encontro?
Nunca devemos nos esquecer: as roupas são importantes.
Minha colega do Financial Times Vanessa Friedman escreveu uma reportagem no ano passado sobre a importância do visual para as mulheres na política. Sem dúvida, a aparência é importante para toda mulher ambiciosa – quer suas aspirações sejam na política, comércio ou em organizações sem fins lucrativos. Segundo escreveu Vanessa:
antes de qualquer discurso ser ouvido; antes de se decidir quem venceu ou perdeu um debate; antes de os votos serem
escolhidos, julgamentos são tomados. Julgamentos baseados, principalmente, em hipóteses sobre a aparência da pessoa –
começando pelos trajes escolhidos. 135
A afirmativa é verdadeira tanto para homens quanto para mulheres.
Ponha em ordem seu guarda-roupa – incluindo sapatos com os quais seja possível andar.
Encontre modelos a serem seguidos.
O que elas vestem?
Estou escrevendo isto ao lado de um exemplar do Financial Times com uma fotografia de Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional, com quem já me encontrei algumas vezes. Ela veste um conjunto azul-marinho, blusa creme e joias discretas com diamantes – ela parece elegante e profissional.
Talvez você prefira roupas amalucadas, e até mesmo as veja como uma oportunidade de manifestar sua individualidade, mas sugiro que desde uma idade bastante jovem devemos nos vestir como se esperássemos chegar ao topo.
Comprei meu primeiro lenço da Hermès aos 26 anos. Segundo minhas observações, as mulheres que me influenciavam tinham lenços da Hermès. (Desde então, acumulei muitos mais. Tenho até um livro, publicado pela empresa e dado nas lojas a quem o solicita, intitulado How to Wear Your Hermès Scarf, o qual recomendo às mulheres ambiciosas!)
Minha melhor atitude foi pedir ajuda. Fui a uma loja de roupas de que gostava, pois eram clássicas e formais, e pedi que me ajudassem. Tal medida me poupou tempo (a atendente trouxe um monte de roupas para eu provar em um cômodo, coisa que fiz no fim de um dia de trabalho) e dinheiro (ao não comprar um artigo errado). Agora, vou regularmente com uma amiga ou duas, passar uma hora ou mais na loja, à noite, com uma assistente de compras.
Pense no seu guarda-roupa como um investimento importante na carreira, pois o investimento na sua imagem pode superar em muito os custos.
Use o corte de cabelo certo
Caso você considere um passo para trás incentivar mulheres ambiciosas a se preocuparem com o que vestem, talvez não vá gostar do próximo conselho.
O cabelo também é importante.
Em 2001, Hillary Rodham Clinton foi oradora da tricentésima turma de formandos da Universidade de Yale. Trajando um conjunto azul-marinho, ela ficou diante de uma plateia de quase 20 mil pessoas e falou sobre serviço público, questões ligadas às crianças e à crise global da Aids.
Porém, qual foi o trecho mais citado do discurso?
Do que as pessoas se lembram?
Em um tom de grande seriedade, a então senadora e ex-primeira-dama lhes disse:
a coisa mais importante a dizer hoje é que o cabelo é importante. Trata-se de uma lição de vida não ensinada pela minha
família. Wellesley [College] e a Faculdade de Direito de Yale [também fracassaram] ao ensiná-la. Seu cabelo mandará
uma mensagem significativa para as pessoas ao redor [...] Preste atenção ao seu cabelo, pois todo mundo fará isso.136
A vida não se resume ao cabelo, mas é um bom lugar para começar a definir como você deseja se apresentar.
Para os homens é muito fácil, não é?
Alguns deles podem se preocupar em sofrer de deficiência folicular, mas manter o que restou do cabelo está longe de ser uma imposição. Nós, mulheres, temos de nos preocupar com o corte, a cor, o estilo, principalmente aquelas que aparecem em público.
Segundo fontes bem informadas, a falecida Diana, princesa de Gales, via o cabeleireiro toda manhã. Aparentemente quem faz o mesmo é Anna Wintour, editora-chefe da Vogue norte-americana.
É claro, mulheres no começo da carreira não conseguem pagar por isso. Porém, podem avaliar qual corte e cor usar, para facilitar a manutenção. Talvez investir em uma escova progressiva, se tiver cabelo crespo, seja preferível a um vestido novo. Se você tiver o tipo de cabelo que parece muito melhor quando é secado por outra pessoa, adote essa tática antes de todos os eventos importantes, se for possível.
Eu costumava lamentar o tempo gasto no cabeleireiro, mas isso me deixa muito mais confiante – e eles têm tomadas elétricas por todo o salão, assim consigo continuar trabalhando. Minha verdadeira dica para poupar tempo é fazer o cabeleireiro vir até você – porém esse é um luxo somente acessível a poucas de nós. Uma sugestão mais econômica é sempre carregar uma escova de cabelo. Antes das apresentações (e até mesmo antes de entrar na reunião matinal), dê uma passadinha no banheiro e ajeite o cabelo. Isso faz uma diferença enorme na forma como as pessoas a percebem.
A solução final pode ser namorar um cabeleireiro – como faz Julia Gillard, a primeira-ministra da Austrália. Ou fazer a filha se casar com um. Recentemente conheci a sogra de Frédéric Fekkai, o guru das madeixas.
Na hora, perguntei se, quando a filha levou Frédéric em casa pela primeira vez, a sogra calculou o valor líquido de vinte anos de cabeleireiro gratuito e reservou a data na igreja.
Pois eu teria feito isso!
Não descuide dos cuidados essenciais diários Vanessa Friedman incluiu os comentários de Hillary Clinton sobre cabelo na reportagem e, também, esta observação:
Vejamos. Antes de disputar a presidência do Brasil, Dilma Rousseff cuidou dos dentes e dos olhos, clareou o cabelo e
contratou o estilista Alexandre Herchcovitch como consultor e, durante a eleição, ninguém nem piscava, de tão importante
que era seu visual.
Sim, unhas, sobrancelhas, qualquer pelo facial – é preciso dar um jeito nisso tudo. Eu enxergo tais cuidados como um investimento necessário para uma carreira bem-sucedida.
Eis minha recomendação de artigos absolutamente essenciais para o dia a dia que toda mulher ambiciosa deve trazer na bolsa para se manter perpetuamente renovada como se fosse o começo do dia:
• Corretivo;
• Meia-calça reserva;
• Batom;
• Escova de cabelo.
Não perca o foco da mensagem que está tentando passar acerca de si mesma (no mundo real e no virtual) e certifique-se de ter o visual necessário.
E agora?
Seja visível para as pessoas certas
É por isso que as lições do capítulo 2 são tão importantes.
Uma diretora, no relatório da Catalyst nos Estados Unidos, fez o seguinte comentário sobre mulheres no conselho administrativo:
apresente-se em um ambiente no qual as pessoas possam vê-la em ação [...] eles a considerarão uma candidata e a
considerarão mais rapidamente do que se batesse à porta de alguma pessoa e desse seu currículo.
Tais redes de contatos estratégicos costumam ser amplas (inclusive contatos razoavelmente distantes indicando mulheres para vagas no conselho), profissionais e baseadas na comunidade. Outra diretora considerou que mesmo com o crescimento das empresas de recrutamento de executivos, a maioria dos novos membros do conselho diretor ainda é
indicada por meio de redes internas.137
Torne-se uma inovadora
Faça duas perguntas decisivas a si mesma.
Você vai aos lugares onde estão as pessoas certas?
É convidada para esses lugares?
Se a resposta for não, uma sugestão é se tornar uma líder de pensamento. Não importa se está em uma etapa inicial da carreira, é possível se tornar uma especialista em um assunto relevante ligado à vida profissional e fazer que todos fiquem sabendo disso. Não estou falando em incomodar as pessoas em banquetes, mas talvez em criar um blog ou escrever artigos para as publicações do setor.
Quando entrei na empresa da qual sou dona hoje, 12 anos atrás, eu me perguntava como conseguiria ser vista como uma inovadora em meu campo. Encontrei uma revista setorial especializada na área e me propus o desafio de ver se me dariam uma coluna. No fim das contas, terminaram dando – revistas setoriais são famosas por terem pouco dinheiro e eu me ofereci para ser colunista de graça. Eu já possuía experiência (escrevia a coluna da sra. Moneypenny há dois anos naquela época) para provar que eu daria conta. Além disso, fiz uma série de testes para mostrar que não usaria a coluna simplesmente como uma oportunidade para destacar minha empresa.
No ano seguinte, escrevi mensalmente a respeito dos assuntos pelos quais estava tentando ficar conhecida.
Uma década depois, não sei se me daria a esse trabalho.
Hoje em dia, teria simplesmente criado um site, publicado um comentário semanal nele e enchido o resto do site com links para outros artigos relevantes e notícias disponíveis na internet. O importante é criar um conjunto de provas escritas, acessível por meio de outras fontes relevantes que a estabeleçam como uma autoridade na área escolhida. A seguir, você pode ser convidada a falar em conferências ou contribuir com outra publicação.
Eu a incentivo a refletir com muita seriedade em ser uma líder de pensamento e avaliar a melhor forma de conquistar a meta. Caso esteja em uma etapa inicial da vida profissional, eu a encorajaria a estudar em meio período e publicar estudos durante esse processo. Como parte de minha jornada de autopromoção, eu estudei meio período para o doutorado (fora dos Estados Unidos é muito comum os doutores serem premiados pela pesquisa em vez de possuírem um componente de sala de aula, como um programa acadêmico em tempo integral) e assim dispunha dos recursos da universidade e de um monte de coautores potenciais com quem trabalhar.
Apresentei minhas descobertas em conferências científicas (é muito fácil encontrá-las e fazer parte da programação). Em 2008, entrei para a Academy of Management e tive um estudo aceito.
Participar de conferências me deu a oportunidade de conhecer muita gente interessante e relevante – até mesmo no saguão de embarque no aeroporto de Heathrow, onde me vi sentada perto de uma famosa personalidade do rádio e da televisão. Eu havia participado do seu programa no começo daquele ano e tive uma longa e agradável conversa com ele.
Depois, a bordo do avião, fiquei ao lado de um roteirista indicado ao Oscar. Infelizmente, suas primeiras palavras comigo serviram para explicar que levantaria a tela de privacidade.
Qual é a etiqueta para as telas de privacidade?
Será que se deve perguntar à pessoa ao lado se está tudo bem em usá-la?
E o que fazer se elas não aceitarem?
E se for casada com esse alguém?
Contudo, a tela subiu e fiquei sentada me perguntando se estava com algum odor corporal (ou, para piorar, halitose) ou se, talvez, não estivesse com uma cara suficientemente glamorosa ou intelectual – é improvável, eu sei, mas nunca podemos descartar essas hipóteses.
Eu examinei minha leitura de bordo:
• Financial Times;
• The Economist;
• Air Law, de Jeremy Pratt;
• The PowerBook, de Jeanette Winterson.
A seleção diz alguma coisa sobre fazer sua própria divulgação – quando for ler livros em lugares públicos, certifique-se de ser um material que a posicione corretamente (veja o capítulo 7 para se lembrar por que sempre trago comigo um exemplo do Financial Times).
Nunca se sabe em quem se vai esbarrar.
Assuma as rédeas da sua divulgação no escritório Este assunto deve ser abordado quer você esteja ou não sendo bem gerenciada.
O que não significa copiar seu chefe em todos os e-mails para mostrar como está trabalhando com afinco. Porém, eu incentivaria as pessoas dando os primeiros passos na carreira a marcar reuniões mensais com seus superiores. Não posicione o evento como uma oportunidade para “exibição” – ao contrário, encare como análises regulares de orientação. Ou seja, você ficará cara a cara com o gerente de linha mensalmente, permitindo-lhe repassar as coisas que gostou de ter conquistado nas quatro semanas anteriores.
Nós todos somos pessoas ocupadas e, se você não for cuidadosa, o chefe talvez não enxergue todas as suas conquistas.
Caso ele aparente ser muito agressivo, observe o comportamento masculino!
Em um estudo de 2011 com mais de cem mulheres em cargos elevados em serviços financeiros, muitas disseram sentir os homens mais preparados para a alta direção.
Chefes mulheres deram exemplos de subordinados diretos que arrumavam qualquer desculpa para entrar em suas salas e serem vistos. Em contraste, elas falam em orientar as
funcionárias a serem mais visíveis na organização. 138
Consultores de comunicação da Steven Pearce Associates sugerem que, quando você se apresentar para uma tarefa, sempre deve ter alguns estudos de caso preparados, demonstrando quais são suas credenciais, dizendo algo como “fiz isso, aquilo e agreguei um valor muito específico ao longo do caminho”.
Recomendo a elaboração de um estudo de caso após o término bem-sucedido de cada tarefa. Após um ano, quando pensar em trocar de departamento ou empresa, irá se lembrar especificamente dos atos que agregaram valor à empreitada. Também procure oportunidades internas para mudar de departamento, ainda mais se estiver trabalhando em uma empresa grande, para formar seu perfil dentro dela, além de aproveitar a chance de ganhar experiência.
Não se limite ao “emprego fixo” – participe de eventos, projetos de marketing, recrutamento e investimentos na comunidade, responsabilidade social corporativa ou iniciativas voluntárias. Aproveite todas as oportunidades oferecidas, não importa se, a
princípio, parecerem pequenas, ou se julgar incapaz de levá-las a cabo.139
Mantenha as pessoas essenciais a par de suas conquistas Outro elemento-chave de qualquer campanha de RP é o release.
Não estou sugerindo o envio de comunicados à imprensa sobre si mesma, mas eu recomendo escrever uma vez por ano às pessoas que talvez queiram ficar inteiradas do seu progresso.
Tal prospecto é particularmente verdadeiro para as pessoas que talvez precisem lhe servir de referência no futuro. Nada é mais chato para o orientador da sua faculdade do que receber o pedido de referenciar um aluno formado há vários anos e não ter a menor ideia acerca do que o estudante andou fazendo nesse meio tempo.
A melhor prática das pessoas ambiciosas é selecionar uma pessoa de cada fase da vida antes de tocar o barco e permanecer em contato com elas para sempre.
Assim, quando você deixar a faculdade, geralmente o contato será o orientador ou um professor que a conheça bem. Pode ser seu chefe ou alguém com quem trabalhou de perto, em todos os empregos. Em janeiro de todo ano, escreva uma carta (ou e-mail) a todos eles contando como foi seu último ano profissionalmente – e até mesmo pessoalmente, caso tenha vivenciado um grande episódio (casou-se, teve um filho).
Explique à pessoa selecionada ao fim de cada fase da vida por que gostaria de manter o contato: “Importa-se de eu ficar em contato caso um dia precisar de uma referência?”
O investimento regular (anual está bom, uma frequência maior pode dar a impressão de perseguição) nas redes de referência é uma parte importante do processo de divulgar a si mesma. Caso necessite de referências em determinada conjuntura da vida e há muito tempo não envia a atualização anual, quando for escrever perguntando se aceitam lhe fazer uma referência, acrescente algumas linhas contando as últimas novidades e explique por que está se candidatando àquela posição em particular.
Também existem as redes de informação naturais às quais você tem acesso: sua turma no ensino médio, na faculdade, na escola de negócios.
Está em contato com todos eles?
O que nos leva de volta ao mundo do Facebook, pois a internet é uma ferramenta muito importante na hora de manter contatos.
Todos os fóruns organizados por suas antigas escolas estão atualizados com suas atividades recentes?
Por fim, não se esqueça de fortalecer e valorizar, para sua própria campanha de RP, a marca das suas escolas e faculdade(s). Lá no capítulo 1 defendi ser necessário dar suporte a essas marcas para investir no balanço patrimonial que é o seu próprio currículo. Elas também são oportunidades importantes para manter redes de contatos e fazer a sua divulgação.
Não vista a carapuça
É verdade que neste mundo de julgamentos assimétricos (ele é “fofo”, ela é “gorda”; ele é “meio mulherengo”, ela é “galinha”, etc.), as mulheres que se apresentam de forma proativa podem receber rótulos severos.
Não seja vítima do famoso “dilema” segundo o qual as mulheres tentam com força excessiva e são valentonas ou são acanhadas demais e não deixam claro o desejo de
participar do jogo.140
Daisy Goodwin, produtora de televisão e romancista, lamentou esse problema.
As mulheres em cargo de chefia são caracterizadas por adjetivos pejorativos como ‘cretina’, ‘passiva-agressiva’,
‘teimosa’, ‘hormonal’, ‘exigente’ e, o pior de todos, ‘louca’ – palavras que nunca, nunquinha, são aplicadas aos homens
[...] As mulheres são ‘mandonas’, enquanto os homens são ‘o chefe’ [...] A paixão, encarada como visionária nos homens,
ainda é muito vista como histeria nas mulheres. 141
Meu objetivo neste capítulo foi o de incutir em você a importância de fazer sua própria divulgação. Embora a autopromoção seja estranha a muitas mulheres, é essencial para auxiliar na carreira.
O bom-senso nos diz que as mulheres assertivas podem parecer severas e egoístas se também não manifestarem calor humano. A mulher que se expressa de uma forma competente e cordial suprime a um só tempo as dúvidas acerca de sua capacidade e simpatia, e esta
abordagem pode aumentar sua influência.142
Assim, certifique-se de gastar 5% do tempo fazendo sua própria divulgação, mas a faça com calor humano e humor. Se também conseguir injetar um pouco de personalidade no processo, você será capaz de apoiar sua carreira com o mesmo nível de sucesso dos homens.
LIÇÃO DE CASA PARA MULHERES AMBICIOSAS
Em qualquer estágio da carreira
O currículo é seu principal documento de venda, assim certifique-se de ele estar atualizado e de ser possível enviá-lo a qualquer momento – mesmo que sejam apenas informações biográficas para uma palestra.
Aqui estão minhas principais dicas para um currículo excelente.
• Ponha seu nome bem em cima e os detalhes de contato na linha de baixo. Nada aborrece
mais um possível empregador do que ser obrigado a procurar no currículo inteiro até descobrir como contatá-la;
• Não o deixe maior do que uma folha A4, se possível. O currículo é um registro factual da
carreira, não um documento de venda. Os motivos explicando por que você é altamente adequada para uma posição devem ser ressaltados na carta de apresentação que acompanha o currículo;
• Divida o currículo em três seções: “Educação” (incluindo qualificações profissionais,
tais como o de contadora certificada), “Experiência Profissional” e “Informações Adicionais”;
• Não se esqueça de explicar as atividades de cada ano – lacunas cronológicas serão
percebidas e questionadas.
Mas não inclua no seu currículo
• A expressão “Curriculum Vitae” não precisa entrar como título, pois está na cara do que
se trata;
• Seus “interesses” com verbos sem complemento. Assim, “esquiar, viajar, ler” não
impressionarão. Com sorte, você possuirá uma terceira dimensão a descrever. Se tiver, também informe o quanto já conquistou ou qual é seu nível de comprometimento. Assim, “correr regularmente com os Hampstead Harriers” ou “colaborar mensalmente com a revista da comunidade local” soam melhor;
• O estado civil e o número de filhos – é uma informação irrelevante acerca da capacidade
de executar um serviço e sempre é possível contar isso durante a entrevista, caso julgue apropriado;
• Um tipo de letra rebuscada que ninguém consegue ler. Arial ou Times New Roman são
boas;
• Não arrume alguém para escrevê-lo no seu lugar, a menos que seja o rascunho. Os
empregadores gostam de ver como você se apresenta, não como fazem esse trabalho no seu lugar.
Por fim, uma palavra sobre “declarações pessoais” que tanto colocam na parte superior do currículo. Pessoalmente (e sei que nem todos concordarão comigo), eu as odeio e nunca leio. Elas são escritas por você e são uma afirmativa de venda, assim, não têm valor. Por exemplo:
A sra. Moneypenny tem muita iniciativa, é a proprietária e administradora de uma empresa de sucesso e escreve
regularmente para um jornal internacional. Ela seria um trunfo para qualquer organização.
Qualquer outra “venda” além do currículo em si deve ser feita em uma carta de apresentação – ou pelo recrutador a apresentá-la, se existir algum.
131 WITTENBERG-COX, Avivah; MAITLAND, Alison. 2009. Why Women Mean Business. Chichester: Wiley, p. 240.
132 WATSON, Kelly. “The four myths of self-promotion.” 29 de junho de 2010. Forbes Woman.
133 “Melanie Healey.” 27 de abril de 2009. Site Women Worth Watching. <http://www.womenworthwatching.com>.
134 HAKIM, Catherine. “Have you got erotic capital?” 24 de março de 2010. Prospect Magazine.
135 FRIEDMAN, Vanessa. “Power dressers.” 18 de fevereiro de 2011. Financial Times Weekend Magazine.
136 Ibidem.
137 JENNER, Laura; DYER, Monica; WHITHAM, Lilly. 2007 Catalyst Census of Women Board Directors of the FP500: Voices From the Boardroom. 2008. Nova York, NY: Catalyst, p. 23-24.
138 Past Perspectives; Future change. A Study into the Experiences of Senior Women in Financial Services. 2011. Londres: Muika Leadership and Odgers Berndtson, p. 13.
139 Women in Professional Firms: Strategies for Success. 2011. Bristol: Steven Pearce Associates.
140 THOMSON, Peninah; GRAHAM, Jacey; LLOYD, Tom. 2008. A Woman’s Place is in the Boardroom. Basingstoke: Palgrave Macmillan, p. 51.
141 GOODWIN, Daisy. “We’re too harsh on the bitchy boss.” 27 de março de 2011. Sunday Times.
142 EAGLY, Alice H.; CARLI, Linda L. 2007. Through the Labyrinth. The Truth about how Women Become Leaders. Boston, MA: Harvard Business School Press, p. 165.