Mulheres Poderosas Têm Ambição
Capítulo 8
A terceira dimensão
I nfelizmente, não basta ser boa na sua função. Nem ser boa na sua função e cuidar bem da vida doméstica.
Para ser bem-sucedida de verdade você precisa de uma terceira dimensão na vida. E necessita planejá-la e executá-la bem.
Por quê?
Porque uma terceira dimensão na vida a tornará uma funcionária mais interessante e, quando chegar a níveis mais graduados, isso poderá ajudá-la a também obter experiência de gestão e de administração, além de poder ajudá-la a estabelecer sua rede de contatos (que, como visto no capítulo 2, é muito importante).
Percebi tudo isso após observar as mulheres bem-sucedidas que conheço e admiro e também aquelas que estão nos primeiros estágios de suas carreiras. Uma delas é Helena Morrissey, nossa velha conhecida do capítulo 6. Helena tem uma beleza extraordinária. Esguia, possui pele branca e luminosa, olhos castanho-escuros; parece o tipo de mulher que os grandes artistas gostariam de pintar. Se você for uma artista jovem no Reino Unido atual, tem motivos para ser grata a Helena, integrante da diretoria da Real Academia de Artes (RA).
Em abril de 2011, ela intermediou um acordo de três anos entre seu empregador (o Bank of New York Mellon) e a RA para patrocinar as RA Schools, parte integral da instituição desde sua fundação em 1768. O acordo gerará subsídios para os alunos em casos de dificuldade financeira. Como disse Helena: “O papel das escolas da Real Academia é inestimável ao proteger o talento e as ideias de artistas jovens, além de servir como salvaguarda da arte do
futuro.” 115
Helena é uma defensora comprometida com a RA há muitos anos. Todavia, ela não ocupa seu tempo livre somente com essa atividade. Em novembro de 2010, criou o 30% Club, grupo cuja intenção é elevar a porcentagem da representação feminina nos conselhos administrativos e nos cargos mais elevados das sociedades anônimas para 30% até 2015.
Entrevistada em dezembro de 2010, Helena deu a seguinte declaração:
A tendência das mulheres é de não abrir caminho e não trabalhar o lado político das coisas [...] Nós precisamos nos expor
mais, gritar um pouco mais alto. 116
Seu trabalho com a RA e a fundação do 30% Club são os dois motivos pelos quais o nome de Helena está no começo deste capítulo. Quero encorajar todas as mulheres a encontrar essa terceira dimensão – um elemento nas suas vidas além do trabalho e da vida em família.
Se você tem a ambição de alcançar o sucesso profissional, uma terceira dimensão será fundamental. Ela pode – e, na verdade, em algum nível deveria – se ligar aos seus interesses profissionais ou domésticos, mas também pode ser algo completamente diferente. Quando se conhece Helena, percebe-se que ela não está envolvida nessa questão em uma tentativa de autopromoção, mas por se sentir verdadeiramente motivada a apoiar causas merecedoras como a RA e fazer a diferença no mundo por meio do 30% Club. Porém, se você não tiver a menor propensão à filantropia, é preciso inventar outra coisa.
Lembre-se: no capítulo 2, salientei a importância de construir relacionamentos com pessoas importantes. Para tanto, é necessário abordar os relacionamentos de dois ângulos.
• Interesse-se pelas pessoas. Espero que você seja habilidosa socialmente o suficiente
para se interessar pelas pessoas ao seu redor – caso contrário, por favor, aprenda a ser. Encontrar um denominador comum com os outros criará uma ligação genuína e ancorada em interesses mútuos. Prepare perguntas, certifique-se de antemão que serão boas caso saiba que irá conhecer alguém. Demonstre ter interesse pelas pessoas, por seus negócios, carreira, família, passatempos. Se a conversa esfriar, faça uma nova pergunta para retomar o bate-papo. Segundo o escritor norte-americano Dale Carnegie: “Para ser
interessante aos olhos dos outros, primeiro deve-se estar interessado neles.”117
• Seja interessante para as pessoas. Certifique-se de ser interessante. Para tanto, é
necessário encontrar o que chamo de “terceira dimensão” na sua vida. Trata-se de uma atividade não ligada à sua principal fonte de renda nem à sua família. Ache algo com o qual possa se envolver fazendo uma contribuição significativa.
Faça um esforço extra para ter mais a dizer
É suposto que as pessoas bem-sucedidas se envolverão com atividades sem fins lucrativos para “devolver alguma coisa”. Contudo, considero improvável ser bem-sucedida sem estar envolvida com alguma atividade além do meu lar e da minha família.
Quando estiver sentada ao lado de alguém influente no jantar, quando conhecer uma pessoa assim em um avião, quando for entrevistada para um cargo, será a terceira dimensão da sua vida que a ajudará a se destacar, ser memorável, a despertar interesse nos outros. Caso seu emprego seja muito incomum ou exótico, talvez isso baste (embora, se você for uma stripper ou agente secreta do FBI, talvez não pretenda mencionar o trabalho), mas quero ressaltar que sua fonte de renda pode não ser o bastante para sustentar uma conversa de qualquer duração ou despertar o interesse de uma pessoa da alta diretoria. Tal fato é especialmente verdadeiro no começo da carreira.
Sua família pode ocupar uma parte central da sua vida, mas não costuma ser um bom assunto para conversa. Na verdade, conforme envelhecemos e temos filhos, conversa sobre a família podem ser pura e simplesmente enfadonhas. Poucos empresários, ou até mesmo empresárias, querem ficar presos ao lado de alguém cujo único assunto são os limites confinados de um emprego limitado e/ou se vale a pena pagar mais caro por comida orgânica para bebês.
No começo da vida profissional, quando se tenta entrar em uma faculdade, a terceira dimensão é decisiva e assim permanece ao longo da carreira. Existe um motivo pelo qual as universidades pedem comprovações de uma terceira dimensão. Notas altas não dizem tudo sobre uma pessoa; elas não bastam para destacá-la. Barry Taylor, diretor de comunicação da Universidade de Bristol, afirma:
Se você pretende estudar inglês em uma universidade de ponta, será necessário ter descoberto seus autores favoritos e ter
ideias sobre eles. Talvez você seja tão empenhado [grifo da autora] a ponto de organizar um clube do livro ou escrever
algo por conta própria. 118
Para exemplificar como o anticonvencional e o incomum (além do pessoal) se fixam na cabeça das pessoas, veja a lista abaixo.
1. Taxas de juros
2. Trabalho voluntário com vítimas de tráfico humano
3. Casamento real
4. Política externa dos Estados Unidos
5. Mudança climática
Feche os olhos por vinte segundos, agora abra-os e repita a lista.
Há uma boa chance de você ter se lembrado do voluntariado ligado ao tráfico humano.
Sua terceira dimensão não precisa ser a caridade. Pode ser o esporte. Conheço uma mulher muito bem-sucedida que jogava hóquei em um nível bem elevado até completar 40 anos; e uma mulher de vinte e poucos anos extremamente hábil no pôquer e que dedica as férias ao circuito de torneios. O esporte pode ser uma terceira dimensão muito aceitável se puder jogar em um nível elevado ou caso se envolva administrativamente com ele.
Lucy Pearson, que completará 40 anos em 2012, é a cabeça inspirada por trás de uma escola secundária mista em grande expansão nos arredores de Manchester, a Cheadle Hume School. Lucy começou na escola em meados de 2010. É sua primeira posição de chefia, embora tenha ocupado cargos elevados em duas outras escolas importantes antes desta. Lucy formou-se na Universidade de Oxford e, segundo o Centro de Custo 1, é uma professora de inglês impressionante. Contudo, menos de um terço do seu verbete de 244 palavras na Wikipédia é dedicado à sua carreira professoral, pois Lucy jogou críquete pela seleção feminina inglesa e detém um recorde mundial pelo desempenho contra as australianas, em 2003, quando derrubou 11 wickets em uma única partida internacional. Essa terceira dimensão se manifestou em toda entrevista de trabalho pela qual passou, além de ter ensinado muito acerca de liderança e trabalho em equipe.
Garanto que ela chegaria muito longe como professora e diretora sem nunca ter jogado críquete, mas também tenho certeza de que ter jogado a destacou da multidão quando estava iniciando a carreira de professora.
Você é louca por um esporte, mas não boa o bastante para praticá-lo em um nível elevado?
Torne-se árbitra. Administre uma equipe. Pois não basta apenas comparecer ao bar local de futebol uma vez por mês ou de vez em quando ligar a TV e assistir a uma partida de tênis – isso não criará interesse suficiente sobre você.
De forma reveladora, essa terceira dimensão é uma atividade valorizada por empregadores e colegas. Dei uma palestra sobre o tema na Conferência de Mulheres de Negócios na London Business School e, segundo a plateia, questões sobre a terceira dimensão é algo cada vez mais presente nas entrevistas de emprego.
Por favor, não tente dizer que o trabalho toma todo seu tempo.
Lembra-se da Helena? Descrita no começo deste capítulo?
Ela é diretora executiva da Newton, especialista global em ações e fundos multiativos do BNY Mellon com sede no Reino Unido, e que administra 50 bilhões de libras. Helena se tornou diretora executiva em 1994, aos 45 anos. Como um extra, ela é diretora da Investment Management Association – um organismo comercial – do Reino Unido e representa o setor de gestão de fundos em um dos grupos de trabalho da Autoridade de Serviços Financeiros.
E ainda consegue trabalhar com a RA e o 30% Club.
Então qual é sua desculpa?
Caso esteja pensando em usar a vida doméstica como desculpa, também não vai adiantar. Helena tem nada mais nada menos do que nove filhos. Sinto-me cansada só de escrever isso. Talvez você fique surpresa ao saber que ela conseguiu tudo isso usando os serviços da mesma babá o tempo todo. Segundo Helena, administrar o lar é “como uma operação militar”, e ela conta com a sorte de ter um marido dono de casa, o que não facilita ter uma terceira dimensão.
Prefira dar a receber
Você já se julga muito interessante?
Bom!
Porém, mesmo sendo, existe outro motivo justificando a utilidade de criar uma terceira dimensão na sua vida. É o que a ajudará a formar sua rede regenerativa (conceito defendido no capítulo 2). Dê uma olhada nos integrantes das diretorias de organizações sem fins lucrativos. De modo geral, são pessoas nas quais todos estariam interessados em conhecer e fazer parte do seu círculo de amizades.
Quando se está criando uma rede de contatos, é mais importante dar do que receber, como sublinhei no capítulo 2.
Jovens no começo da carreira costumam me perguntar como poderiam ter algo a oferecer a pessoas mais velhas, graduadas e bem-sucedidas após as conhecerem e desejarem manter o relacionamento. Recomendo que descubram quais são as terceiras dimensões desses indivíduos (se ainda não pesquisou a esse respeito antes de conhecê-los) e se ofereça para auxiliá-los nessa tarefa.
No mínimo, você pode se oferecer como voluntária em um evento de arrecadação de fundos.
Quando conheço quem me impressiona e decido querer passar mais tempo ao lado dessa pessoa e, por fim, contá-la como conhecida, eu me pergunto: “O que posso fazer por ela?” Até mesmo sendo um recém-formado, você deveria adotar essa mentalidade.
Ganhou uma competição mundial de piano?
Fez escaladas solitárias pelo mundo?
Ganhou o primeiro milhão aos 21 anos?
Mesmo se você for tremendamente interessante, contar com uma rede brilhante de amigos e defensores, ajudar um conhecido no seu projeto de terceira dimensão é uma maneira muito boa de fazer algo por ele, uma maneira de dar em vez de receber.
Empregue a terceira dimensão para chegar à diretoria Existe outro motivo para as mulheres adotarem uma terceira dimensão na vida e persegui-la no caminho até o topo.
Precisamos de mais mulheres nas diretorias e atuando como administradoras de organizações sem fins lucrativos. Juntar-se à diretoria desse tipo de entidade lhe dará as habilidades e experiências necessárias na sala da diretoria. Esse processo envolve mais aconselhar do que botar a mão na massa e orientar de forma consensual. Diretorias de organizações sem fins lucrativos, especialmente das grandes, funcionam como as diretorias das empresas comerciais: contam com comitês, necessitam identificar e assegurar novos curadores, precisam eleger presidentes e indicar diretores executivos.
Toda essa experiência será vantajosa no futuro na hora de conseguir uma posição na diretoria de uma empresa comercial. Você obterá as habilidades e a confiança para buscar uma posição na diretoria da própria empresa. Ou, aliás, de qualquer outra.
E de fato precisamos de mais mulheres nas diretorias das organizações.
No Reino Unido, aproximadamente 12% dos diretores das cem maiores empresas cotadas na Bolsa de Valores são mulheres – e, se excluir os diretores não executivos, o número cai
para 6%. 119 Nos Estados Unidos, a representação feminina na diretoria das companhias do índice Standard & Poor’s 500 somava 16% em 2011, segundo análise anual da Bloomberg
Rankings.120
Na Grã-Bretanha, essa foi a razão para Helena fundar o 30% Club. Ela utiliza o cargo de diretora executiva de um gestor de fundos e, portanto, de grande acionista institucional, para lutar pela mudança. Nas suas palavras:
Percebo que você tem um pouquinho de responsabilidade se conquistou certa posição e depois sabe usá-la com eficácia. A
Newton não é a maior empresa do mundo, mas gerimos 50 bilhões de libras. Temos um monte de relacionamentos, de
fundos de pensão e clientes, e estou envolvida em atividades mais amplas do nosso setor. E se isso significar que as
pessoas virão conversar comigo, então devo estar preparada para isso.121
Nem Helena nem eu somos fãs de cotas. Elas foram introduzidas na Noruega e agora o país tem a maior proporção de diretoras de empresa da Europa, assim, à primeira vista, essa ideia parece ser a resposta. Contudo, nenhum dos dados publicados até agora mostraram qualquer melhoria no desempenho das empresas norueguesas. Para os fãs das cotas, elas ajudam a aumentar o número de mulheres qualificadas nas diretorias ao garantir a existência de mais mulheres com experiência. Para mim, cotas levam a indicações pro forma. Existe um site listando todas as mulheres indicadas anualmente às diretorias da FTSE 100 e 250, e o genial é o fato de todas elas terem sido nomeadas pelas próprias capacidades e experiências,
não porque o presidente tinha de preencher uma cota governamental.122
Caso se queira mais mulheres nas diretorias, é útil ter presidentes que apoiem ativamente uma representação maior, e é isso o que Helena e o resto de nós no 30% Club estamos ativamente buscando alcançar. Todavia, isso, em si, não bastará. Também precisamos contar com muito mais mulheres prontas para a diretoria.
Como ficar pronta para a diretoria?
Para começar, leia e siga os conselhos deste livro. E, mais importante, entre para a diretoria de uma entidade sem fins lucrativos – em especial uma cujos integrantes já sejam diretores de empresas comerciais. Assim, você terá experiência útil no corpo diretivo e, também, melhorará seu perfil, o que a auxiliará a ficar pronta para a diretoria.
Outros aspectos da sua terceira dimensão entrarão em ação. Um livro sobre esse tema fala da necessidade de “levar tudo de si para a mesa”, isto é, iniciar relacionamentos com outros indivíduos por meio da discussão de assuntos não comerciais pode ser de grande valia, e você pode fazer isso treinando na sala da diretoria de uma entidade sem fins lucrativos. Tal conselho produz confiança e facilita a empatia, pois você estará dividindo muito mais de si do que apenas suas visões sobre o tema comercial da vez. Quanto mais interessante você for,
mais fácil será conquistar tal meta.123 Não se esqueça de se armar com assuntos não limitados à família e ao trabalho.
E contar com um incentivo governamental não faz mal, é claro. No Reino Unido, o Davies Report foi publicado em 2011 pedindo às diretorias que se formassem por pelo menos 25%
de mulheres até 2015.124 O relatório pede ao Conselho de Relatórios Financeiros (FRC, na sigla em inglês) que aprimore o Código de Governança Corporativa do país, exigindo das empresas registradas em Bolsa:
o estabelecimento de uma política relativa à diversidade da sala da diretoria, incluindo objetivos mensuráveis para
implementá-la, e divulgar um resumo anual da política e do progresso alcançado na conquista de tais objetivos.125
Enquanto este livro era redigido, ainda não estava definido se o FRC alteraria o código, embora o Conselho reconheça que a falta de mulheres nas diretorias:
pode enfraquecer a diretoria ao encorajar o “pensamento coletivo” [...] pode demonstrar o fracasso do emprego total do
pool de talentos [... e pode] enfraquecer [...] a conectividade ou a compreensão dos clientes e mão de obra, oferecendo
pouco incentivo à aspiração entre as funcionárias. 126
Tal incentivo, além da requisição da publicação das metas e do progresso feito na direção de sua conquista é, a meu ver, muito melhor do que cotas, às quais me oponho decididamente. Pessoalmente, não tenho a intenção de fazer parte da diretoria de uma empresa comercial – posso conquistar todas as metas e objetivos da minha vida profissional sem isso, e não gosto das responsabilidades jurídicas e financeiras que acompanham essa indicação. Já tenho um monte delas na minha empresa e em casa.
Porém, sou a favor de ver mais mulheres nas diretorias porque ambas (mulheres e diretorias) lucrarão enormemente com isso.
Falando da União Europeia, a Comissão Europeia lançou a “Estratégia para Igualdade entre Mulheres e Homens 2010-2015” em setembro de 2010. Como parte dessa estratégia, Viviane Reding, comissária de justiça, vem pedindo a todas as empresas que se comprometam a possuir ao menos 30% de integrantes femininas nas diretorias até 2015, e
40% até 2020. 127
Nos Estados Unidos, acho necessária a existência de um clube exclusivo dos 30%.
Quem sabe alguém lendo este livro abra um?
E por que não existem iniciativas do governo norte-americano nesse sentido?
Um estudo da Corporate Women Directors International mostra que os Estados Unidos ficam atrás de países como Bulgária, Letônia e África do Sul nas estatísticas sobre a representação feminina na diretoria. O único raio de luz vem do fato de algumas corporações (tais como American Express, Cisco, Deloitte, Morgan Stanley e Intel) estarem testando iniciativas para dar às mulheres de alto desempenho as habilidades e o apoio para assumir
posições de liderança. 128
A professora Susan Vinnicombe da Cranfield School of Management se especializou em pesquisar a diversidade nas diretorias. Todos os anos, sua unidade publica um relatório acerca do número de mulheres no alto escalão das cem principais empresas britânicas. A professora tem informado alguma melhora, mas não muita. Isso pode terminar sendo um assunto em si. Se a situação não melhorar nos dois lados do Atlântico, podemos terminar com as cotas levando mulheres a ser indicadas somente para fazer número, não por mérito. Ou seja, poderemos ter mulheres de baixa capacidade no cargo, o que não ajudará nem a mudar o comportamento feminino nem a oferecer os exemplos corretos.
A maioria dos acionistas não está nem aí se a companhia na qual investiram indicará um homem, uma mulher ou um marciano como próximo diretor não executivo. Eles desejam que o não executivo agregue valor em termos de monitoramento do desempenho empresarial, estratégia e risco em nome dos acionistas, e ajude os diretores executivos a conquistar o maior lucro possível sobre o capital empregado. Assim, se você for uma mulher desejando integrar a diretoria, acumule experiência em monitoramento do desempenho, estratégia e risco, e fazer isso no emprego fixo e no conselho diretor de uma organização sem fins lucrativos é uma ótima ideia.
Obteremos um número crescente de mulheres na diretoria, não apenas de iniciativas suplementares, mas também daquelas se prendendo à carreira e acumulando experiência valiosa, como fez a falecida e muito admirada dama Hilary Cropper. Hilary foi diretora da Xansa, grupo de informática nascido como uma empresa apenas de mulheres. Ela também era uma grande defensora de oportunidades iguais para homens e mulheres e chegou ao topo por mérito próprio. E assim outras pessoas também vencerão.
Como disse o belo folheto de 16 páginas Diretorias brilhantes para um futuro brilhante, publicado, em 2004, pelo Departamento do Comércio e Indústria britânico:
Você começou uma longa jornada. Talvez não seja recrutada imediatamente, mas não desista. Continue acumulando a
capacitação que um dia poderá colocá-la na sala da diretoria a qual pertence. 129
Como acrescentar uma terceira dimensão à sua vida Pode ser difícil agregar uma terceira dimensão à sua vida. É ainda mais complicado em um estágio bastante inicial da carreira.
Eis algumas dicas para começar.
Não se destaque por algo desconhecido
Todos deveriam saber um pouquinho de um monte de coisas. Todas nós deveríamos saber algo sobre as áreas de arte, música e literatura. Todas nós deveríamos ter uma compressão geral da história e da política.
Todos nós deveríamos estar a par da atualidade. Os noticiários são muitos úteis para mim, principalmente quando estou sem tempo. No mínimo, toda semana eu leio o seguinte:
• As páginas de resumo da Economist (“The Week in Business” e “The Week in Politics”);
• A sinopse semanal da revista Spectator;
• A primeira página do site da BBC (missão que tento cumprir diariamente).
Inspire as pessoas e as faça ter entusiasmo
Contudo, mesmo presumindo que você tenha leituras razoáveis, ainda necessita ter uma terceira dimensão específica para distinguir sua vida da do resto das pessoas. Idealmente, deveria ser um assunto no qual tenha interesse genuíno, além de ser bom para sua carreira.
Enquanto era entrevistada por Oprah Winfrey em 2009, Maya Angelou declarou: “As pessoas esquecerão o que você disse, elas esquecerão o que fez, mas nunca esquecerão
como as fez sentir.” 130
Um bom ponto inicial é formular uma lista de controle antes de selecionar com o que gastará seu tempo valioso longe do trabalho e da vida doméstica. Esta aqui é a minha.
• Estou apaixonada pelo tema? (Destacar-se envolve não apenas saber falar, de forma
competente, sobre um novo interesse, também depende de conseguir gerar empolgação, interesse autêntico, vitalidade e confiança a respeito. Tudo isso irá transparecer quando você comentar sobre sua nova aventura.)
• O tema se encaixa bem com o emprego fixo? (Por exemplo, eu pensaria bastante antes de
me oferecer como voluntária para a Anistia Internacional se trabalhasse em um fabricante de armas.)
• Existe a chance de agregar valor genuíno à organização?
• A terceira dimensão oferecerá o perfil público correto (veja o capítulo 9)?
Em 2010, eu conferi minha lista de controle com a organização Tomorrow’s People, que trabalha com desempregados a longo prazo. Eu me sinto apaixonada em relação à exclusão social, em elevar as aspirações das pessoas (das mulheres em especial) e aumentar sua confiança para conseguirem encontrar um emprego e contribuir positivamente para a economia. “Emprego” era um setor que casava bem com meu emprego fixo; assim, durante o primeiro ano, fui voluntária uma tarde por quinzena em um centro de orientação no sul de Londres, agregando (espero eu) valor genuíno.
Abri meu caminho de voluntária ao comitê de desenvolvimento e, por fim, ao conselho de administração, o qual, por sua vez, me fez conhecer vários dos fundadores corporativos da organização e, dessa forma, consegui formar meu perfil.
Doei muito tempo e até, posteriormente, dinheiro à organização, e também trouxe meus contatos, mas eu seria a primeira a lhes agradecer pelo apoio que meu envolvimento com a Tomorrow’s People deu à minha carreira. Como encontrei a Tomorrow’s People?
Perguntei a uma pessoa que conheço e respeito sobre onde deveria oferecer meu tempo e energia, e disse que meu interesse geral era trabalhar com organizações de caridade no Reino Unido (existe o mesmo número de causas merecedoras no exterior, porém, eu começaria em casa) e com exclusão social, em vez de áreas médicas.
Recomendo com veemência buscar uma terceira dimensão da mesma forma que se procura um emprego novo – ou até mesmo um namorado.
Peça sugestões aos amigos sobre atividades das quais você poderia gostar.
Veja o todo
Quando encontrar alguma atividade, pense em como ela casa com a visão geral de, por exemplo:
• Importância cultural nacional;
• Significado ambiental ou;
• A arena internacional.
Sempre existe um panorama maior. Descubra qual é a implicação maior do seu interesse e quais são os grandes protagonistas, tanto organizações quanto indivíduos.
Quero dar um exemplo.
Você tem interesse em arte?
Sabe quais trabalhos artísticos sofrem ameaça de produtos de exportação, por que e o que será feito para salvá-los?
Sabe o que será leiloado e por qual preço?
Saber as respostas a essas perguntas pode torná-la muito interessante.
Existem incontáveis organizações artísticas para as quais você pode se voluntariar. Examine o conselho diretor de todas as grandes instituições de arte – a maioria das pessoas bem-sucedidas e influentes tem interesse por arte e cultura. O Museu de Arte Moderna de Nova York, por exemplo, conta com não menos do que três Rockefellers no conselho. No Reino Unido, entre os conselheiros da Tate Gallery estão Elisabeth Murdoch e Lionel Barber, o editor do Financial Times.
O quadro geral é sempre útil.
No começo da carreira, se você se concentrar em ser interessante e se mostrar interessada, as oportunidades surgirão, seja para servir nas áreas do esporte, ecologia, educação, saúde, seja para muitas outras organizações e arenas. Comece oferecendo seu tempo e sua capacidade organizacional – ninguém espera que uma jovem tenha um monte de dinheiro. Contribuir com seu capital humano – suas capacitações – terá a mesma importância. Todas as entidades de caridade e sem fins lucrativos precisam de conhecimentos financeiros, jurídicos, de recursos humanos. Tenha certeza de que sua capacidade e experiência, caso tenha investido o capital humano, serão bem-vindas.
Colaborar com o capital social será igualmente valioso. Muito antes de conseguir passar qualquer cheque de valor significativo, é possível convidar pessoas detentoras dessa capacidade para um evento de arrecadação de fundos.
Uma das coisas mais úteis a ser feita, até mesmo em um estágio relativamente inicial da carreira, é se voluntariar para ajudar na gestão de uma escola. Até mesmo uma pequena escola primária terá problemas administrativos, questões ligadas à distribuição de recursos, de personalidade etc. Essa experiência providenciará um treinamento valioso para o futuro e, enquanto isso, você investirá seus recursos em uma escola que precisa deles.
Este capítulo girou em torno de fazer trabalho voluntário para favorecer sua carreira.
Talvez você considere isso uma atividade mercenária.
Certamente, a maioria dos voluntários age assim pelo bem da organização a que servem e das pessoas beneficiadas por ela.
É claro que sim.
Entretanto, elas pensaram cuidadosamente sobre como e a quem doar seu tempo e sua energia para apoiar sua carreira e vice-versa.
O trabalho de Helena Morrissey com a Real Academia e o patrocínio ofertado por sua empresa lhe permitem entreter os clientes da Newton em eventos aos quais normalmente nunca teriam acesso. Assim, sua iniciativa funciona a favor da RA e do empregador.
Encontrar uma terceira dimensão para beneficiar você de alguma forma, sua carreira, empresa ou família, ao mesmo tempo em que lhe possibilite oferecer capacidades, cria um círculo virtuoso no qual todos saem lucrando.
Eu expliquei como criar uma terceira dimensão na sua vida ajudará você a se tornar mais interessante, a desenvolver ainda mais sua rede de contatos e, finalmente, auxiliará a conquistar qualificações e experiência que também beneficiarão sua carreira. Todavia, se realmente desejar auxiliar os menos afortunados do que você, leia este livro e concentre-se na sua carreira – e me refiro a todos os aspectos dele, não apenas às áreas de caridade.
Por quê?
Porque a melhor maneira de ajudar os pobres é fazer de tudo para não virar um deles.
LIÇÃO DE CASA PARA MULHERES AMBICIOSAS
Em começo de carreira
Como pensar estrategicamente sobre formas de criar uma terceira dimensão Escreva os elementos do seu interesse em todos os tipos de áreas: esportes, pesquisa médica, questões sociais. Eles são terceiras dimensões potenciais.
Agora, escolha uma e pesquise as entidades envolvidas com ela.
Elas têm presença local e nacional?
Ainda que a resposta seja não, ofereça seu tempo livre e o trate como um compromisso feito escovar os dentes ou ir à academia.
Pretende ajudar a educação da sua comunidade?
Pense em participar da administração da escola. No Reino Unido, veja o site dedicado ao
tema em http://www.sgoss.org.uk/home.
No meio da carreira
Analise todas as atividades de terceira dimensão com as quais está envolvida Se não estiver envolvida com nenhuma, veja a lição de casa citada acima.
Você tem mais do que duas?
Se for esse o caso, é necessário priorizar. Analise todas as suas metas e prioridades pessoais e compare as atividades da terceira dimensão com elas. Idealmente, você deveria, no máximo, ter três:
• Uma na qual invista bastante tempo, sua terceira dimensão “principal”;
• Uma na qual invista algum tempo;
• Uma na qual praticamente não invista tempo.
Qualquer coisa além disso será difícil de administrar, e certamente você estará executando atividades demais.
A menos de dez anos da aposentadoria
Se tivesse dinheiro suficiente para se aposentar, com qual atividade da terceira dimensão gostaria de gastar mais tempo?
Existem cargos voluntários ou de meio expediente nessa área?
Você precisa ter alguma qualificação ou experiência especial para conseguir tais postos? (Por exemplo, caso queira trabalhar com crianças no Reino Unido, é necessário obter autorização especial.) Agora é hora de pensar em obtê-las.
115 Royal Academy Schools Annual Dinner and Auction 2011. 9 de março de 2011. Site Reported on the Royal Academy. <http://www.royalacademy.org.uk>.
116 “More women makes business sense.” Reportagem do Financial Times. 7 de dezembro de 2010. YouTube.
117 MARCUS, Charles M. “Eight ways to stand out from the crowd.” Site Self Growth. <http://www.selfgrowth.com>.
118 LEONARD, Sue. “Stand out from the crowd.” 13 de setembro de 2009. Sunday Times.
119 VINNICOMBE, Susan; SEALY, Ruth; GRAHAM, Jacey; DOLDOR, Elena. 2010. The Female FTSE Board Report. Opening up the Appointment Process. Bedford: Cranfield University School of Management.
120 GREEN, Jeff. “Women lose out on US boards as Europeans get quota help.” 16 de junho de 2011. Site Bloomberg News.
<http://www.bloomberg.com/news>.
121 OWEN, Vicki. “Funds boss steps up a challenge to put more women in the boardroom.” 20 de fevereiro de 2011. Site
Financial Mail Women’s Forum. <http://www.fmwf.com>.
122 Site Board Watch. <http://www.boardsforum.co.uk/boardwatch.html >.
123 THOMSON, Peninah; GRAHAM, Jacey; LLOYD, Tom. 2008. A Woman’s Place is in the Boardroom. Basingstoke: Palgrave Macmillan, p. 58.
124 DAVIES, Lord. Women on Boards. 24 de fevereiro de 2011. Londres: Department for Business Innovation and Skills.
125 Ibidem, p. 4.
126 Consultation Document: Gender Diversity on Boards. Maio de 2011. Londres: Financial Reporting Council, p. 3.
127 Ibidem, p. 4.
128 HEWLETT, Sylvia Ann. “Women on boards: America is falling behind.” 4 de maio de 2011. Site Bloomberg News.
<http://www.bloomberg.com/news>.
129 Women and Equality Unit. Brighter Boards for a Brighter Future. 2004. Londres: Department of Trade and Industry.
130 “Maya Angelou on Oprah.” 14 de agosto de 2009. Blog Dr. Kashonia’s. <http://www.kashonia.com>.