Mulheres Poderosas Têm Ambição
Capítulo 10
Não dá para fazer tudo sozinha
N ão existe a frase “eu não consigo”. É o que digo a jovens mulheres quando dou palestras em escolas e faculdades. Estou tentando elevar suas aspirações, confiança e dar o mesmo trampolim que gerações de homens tiveram no passado.
Aquelas de nós que já concluíram a faculdade também precisam manter essa ideia em mente. É fácil esquecê-la enquanto somos confrontadas com os desafios do dia a dia no escritório e em casa.
Hoje em dia, não existe mais a frase “eu não consigo” para mulheres. Tendo em mente as dez atitudes discutidas neste livro, as mulheres podem chegar ao topo, com um porém. Para “eu não consigo” ser uma sentença válida, falta acrescentar uma palavra. A verdadeira frase é “eu não consigo sozinha”.
Birgit Neu, diretora de operações de desenvolvimento corporativo do HSBC, depende de sua equipe.
Vários integrantes são muito dedicados e se esforçam para dar 110%, mesmo em atividades aparentemente ingratas – é
por causa deles que me levanto toda manhã. 143
Existe outra maneira de encarar a situação: “O trabalho em equipe é tão importante que chega a ser praticamente
impossível atingir o máximo de sua capacidade ou ganhar o dinheiro desejado sem se tornar muito bom nesse aspecto”, 144
segundo Brian Tracy, autor de The 100 Absolutely Unbreakable Laws of Business Success.
A importância de uma equipe de apoio
Anos atrás, eu era editora colaboradora de um suplemento produzido pela revista britânica Bazaar (anteriormente chamada Harpers & Queen). O suplemento se concentrava em mulheres de negócios e eu me lembro vividamente de uma reportagem sobre Christian Rucker, fundadora e diretora executiva da The White Company, e em particular da fotografia usada para ilustrá-la. Christian era assistente de saúde e editora de beleza em uma revista quando teve a ideia de criar uma empresa para obter todos os tipos de produtos de estilo de vida para a casa e os vender pelo correio – todos brancos. Aos 24 anos, ela abriu a White
Company.145
Entrevistada em 2004, Christian declarou:
Tocar uma empresa tendo quatro filhos é uma montanha-russa. É um caos controlado. Porém, o segredo é se cercar das
pessoas certas. Eu não tinha filhos quando abri a empresa [...] É exigente, e é por isso que preciso de pessoas nas quais
posso confiar ao meu redor; elas são uma parte essencial para fazer tudo funcionar [...] A coisa desmorona facilmente
sem elas.146
Christian então (e provavelmente agora) contava com um exército à disposição: assistente pessoal, fornecedor de mantimentos, decorador, instrutor de pilates, cabeleireiro, diretor-gerente da White Company, governanta, babá e – finalmente, mas igualmente importante – o marido, diretor-gerente de vendas por catálogo da empresa de vestuário Charles Tyrwhitt.
Nós tiramos uma fotografia com ela e a equipe de apoio; e a imagem passava a ideia com exatidão, muito mais do que a lista de cargos. Somente para uma mulher conseguir atuar com a maior desenvoltura possível no comando de uma empresa, dez pessoas eram necessárias para apoiá-la diariamente.
Hoje em dia, a equipe de Rucker vai bem além dessas dez pessoas. Existe o pessoal da White Company, todos os fornecedores e clientes. Para qualquer mãe trabalhadora atuar diariamente pode ser necessário contar com uma dezena de auxiliares, porém, para produzir os resultados que a ajudarão a concretizar as ambições, você precisará da ajuda de muito mais – e, provavelmente, nunca conhecerá pessoalmente uma boa parte dessas pessoas. Caso a White Company fosse uma empresa de capital aberto, como é o caso de diversas companhias, seria necessário acrescentar os acionistas à lista de auxiliares de Christian nessas ambições. E, também, as pessoas que a influenciam – os analistas financeiros, a imprensa, etc.
Lembra-se da nossa discussão acerca das 11 bilionárias chinesas no capítulo 6? Essas mulheres compreendem o fato de não serem capazes de conseguir sozinhas. Como discutido no Financial Times, graças a uma combinação de cuidados infantis e apoio da família, as
mulheres chinesas conseguem trabalhar em média 71 horas semanais.147
Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, proferiu o discurso de formatura no Barnard College, em Nova York. Ela discutiu a importância de escolher “um parceiro de
vida com quem dividir as responsabilidades da casa”.148 Embora naturalmente caiba às mulheres a maioria das responsabilidades domésticas, é importante que, em conjunto com outros auxiliares, os maridos também façam parte da equipe.
Certamente não digo “obrigada” o bastante ao sr. M. Então, lá vai: obrigada! OBRIGADA!
Como ampliar a equipe de apoio no trabalho
Podem existir carreiras nas quais o sucesso depende somente de você – mas não consigo me lembrar de nenhuma. Até mesmo o mais solitário cientista em um laboratório necessita de técnicos. O mais solitário escritor necessita de leitores, editores – e até mesmo juízes de concursos – para apoiar suas carreiras, para realizar suas ambições.
Você verá que estou ampliando o conceito de “trabalho em equipe” além da descrição usualmente compreendida, muito além do pequeno grupo de pessoas com as quais interagimos diariamente no trabalho. As mulheres realmente bem-sucedidas reconhecem necessitar de legiões de ajudantes ao seu lado para terem êxito.
O que nos leva à primeira regra da formação de uma equipe de apoio.
Encare todos que conhecer como alguém com algo a contribuir Esta é uma maneira muito educada de falar o que toda mulher bem-sucedida sabe: tenha cuidado com as cabeças nas quais pisa a caminho do sucesso, pois elas estarão conectadas aos traseiros que precisará beijar na hora da descida.
Esses não são os meus valores porque sou uma pessoa maravilhosa e inclusiva; são meus valores porque produzem resultados.
Quando o Financial Times perguntou-lhe em junho de 2010 “qual era sua regra de ouro”, Barbara Stocking, agraciada com a medalha de Comandante do Império Britânico e diretora executiva da Oxfam GB desde 2001, respondeu:
Que as pessoas têm o mesmo valor. Assim, não mudo de estilo ao falar com o lojista da vila nem com o secretário-geral da
ONU. 149
Empregue as pessoas certas
A pedra angular do sucesso da minha empresa são meus funcionários. Pergunte a qualquer mulher bem-sucedida e ela lhe dirá o mesmo.
Julie Diem Le, 34 anos, era cirurgiã oftalmológica antes de abrir uma empresa, Zoobug, para fabricar óculos escuros infantis seguros, em 2006. A ideia surgiu quando não conseguiu encontrar óculos de sol para a sobrinha que fossem seguros e (crucialmente) legais. A empresa cresceu bastante deste então: os óculos de Julie Diem Le agora são distribuídos em mais de 21 países e ela está projetando uma linha especial baseada nas olimpíadas para os
jogos de 2012, em Londres.150 A ex-médica tem um único conselho para quem for abrir uma
firma: “Coloque pessoas boas ao seu redor.” 151
A regra acima é válida tanto para quem está tocando uma pequena empresa recém-fundada quanto uma consagrada com um exército de funcionários.
Para Ann Moore, ex-diretora executiva da Time Inc., a única tarefa difícil em uma empresa é encontrar pessoas boas e colocá-las no serviço certo. “Esse é o segredo”, Ann afirmou durante palestra na Conferência Anual de Mulheres de Negócios da Wharton [School], “e é
bastante simples”.152
Andrea Jung, diretora executiva da Avon, afirma gastar no mínimo 25% do tempo desenvolvendo, planejando e executando talentos.
O talento é a principal prioridade de um diretor executivo. Poder-se-ia pensar que fossem visão e estratégia, mas antes é
necessário encontrar as pessoas certas. 153
Deanna Jurgens, vice-presidente de vendas (de bebidas nos Estados Unidos) do Sam’s Club, concorda.
Minha maior conquista nos últimos quatro anos foi identificar, desenvolver e promover talentos de peso na nossa equipe.
Os seus resultados são tão bons quanto as pessoas que temos, e a equipe tem sido nosso maior apoio e verdadeira
vantagem competitiva neste mercado.154
Equipes boas são essenciais para o sucesso de qualquer líder empresarial – homem ou mulher. Contudo, elas são especialmente importantes para as mulheres, já responsáveis por boa parte das responsabilidades dos cuidados da casa e dos filhos.
Promova as pessoas certas
Em maio de 2010, Ursula Burns se tornou a primeira negra a chefiar uma empresa da Fortune 500, como presidente e diretora executiva da Xerox (XRX). Ela entrou como estagiária em 1980.
Ursula lembra-se do seu supervisor lhe dizer:
Você é muito inteligente, tem lábia. Entretanto, a menos que consiga fazer tudo sozinha, será o seu fim. Para executar as
tarefas, é preciso contar com o apoio de partidários. Não apenas de pessoas a seguindo, mas levando-a a um lugar. É
necessário abdicar do centro. 155
Recentemente examinei os critérios empregados por prestadores de serviços profissionais sobre como escolher quem promover aos postos mais elevados. Eis uma lista desenvolvida por uma dessas firmas.
ESPECIALISTA
Profissional reconhecido em nível industrial.
Desenvolve e dissemina conhecimento.
LÍDER
Motivador, competente, motivado, respeitado e seguido.
FOCADO NO NEGÓCIO
Gera resultados, ganha negócios para si mesmo, para a equipe e os outros.
VISIONÁRIO
Vê e planeja de antemão, desemaranha problemas, encontra soluções e leva os outros ao resultado.
RECONHECIDO
Visto pelos colegas como uma autoridade.
MENTOR
Bom para localizar, treinar e estimular o talento. Capaz de cuidar da sucessão.
DEFENSOR DA MARCA
Apaixonado – fala/vive o ideal da cultura organizacional.
ESTRATÉGICO
Fortemente focado em objetivos da empresa como um todo, não apenas na sua própria área.
E aqui estão outras três listas de três empresas.
Empre sa de contabilidade Consultoria Banco de inve stime ntos
Relacionamentos com os clientes Contribuições dos clientes Julgamento
Capacidade de desenvolver negócios com os
Aplicação de conhecimento técnico Desenvolvimento do pessoal
clientes
Contribuições ao
Caráter comercial Capacidades técnicas
conhecimento
Credibilidade e comunicação Formação de reputação Orientação
Desenvolvimento de si mesmo e dos Coaching/
Comportamento firme
outros recrutamento
Ajuda a empresa a crescer
Inovação e mudança
Julgamento e tomada de decisão Liderança Liderança
Organização
O aspecto marcante nessas listas é a pequena quantidade de itens presentes nelas relacionados ao capital humano – isto é, a capacidades técnicas. Muitos deles estão ligados aos relacionamentos pessoais – como desenvolvedores de outros indivíduos (recrutamento, formação/treinamento, tutoria) e como influenciadores dos outros (clientes, colegas do setor e amigos).
Ganhe o apoio dos outros
Você pode afirmar que suas ambições não estão no campo dos serviços profissionais, uma afirmação verdadeira para muitas leitoras deste livro. Porém, veja novamente as listas acima, elas salientam as qualidades das pessoas no topo, por exemplo, de uma firma de engenharia ou de um fabricante de refrigerantes.
Assim, como você se torna boa recrutando e gerenciando equipes?
Existem montanhas de livros de administração sobre esse tema, os quais não pretendo reproduzir – e, de qualquer forma, minha intenção é aconselhar especificamente as mulheres. Minha sugestão mais importante, como já mencionei, é sempre identificar e reconhecer as contribuições dos outros.
As mulheres costumam ser boas nisso.
Contudo, não durma sobre os louros da vitória – só porque você é mulher não quer dizer que automaticamente será uma gestora de equipe vencedora de prêmios.
Seja acessível e encorajadora
Infelizmente, existe um lado sombrio nisto tudo.
Segundo a diretora executiva de uma grande corporação (falando anonimamente):
as mulheres podem ser completamente terríveis umas com as outras. Nós [mulheres] somos grandes comunicadoras, mas
as mulheres podem ser muito intimidadoras – não é preciso ser. Tente ser acessível.
Ela dá outro alerta. Criar equipes eficazes não deveria significar estar vinculada a elas – nem ao seu empregador, por falar nisso – além do aspecto útil.
As mulheres se tornam leais em excesso. A lealdade pode comprometer a experiência.
Os homens podem não gerar muitas manchetes por serem traiçoeiros em relação aos integrantes da equipe, mas, por outro lado, raramente demonstram incentivo. Uma exceção é o editor do Financial Times. Ele se dá ao trabalho de escrever pessoalmente e elogiar quem lhe prestou um serviço muito bom, escreveu uma coluna ou reportagem particularmente boa. Ele gasta tempo em um dia ocupado, mas o resultado é ganhar o comprometimento e a lealdade dos membros da equipe muito além do que seria obtido por alguma recompensa financeira.
Você diz “obrigada” com frequência?
Até mesmo para os colegas?
Ou subordinados?
Ou superiores?
Cultive a autoconsciência
A autoconsciência é outra pedra fundamental do sucesso da equipe. Saiba no que é boa – e no que não é tão boa – e se cerque de outros indivíduos cujos pontos fortes complementem os seus.
Essa sugestão é mais complicada do que parece – é necessário garantir o recebimento do crédito pelo sucesso caso deseje progredir (ver capítulo 9), assim pode não ser simples aceitar o fato de não ser tão boa em tudo. Aqui, como em muitas áreas do sucesso, a autoconfiança é fundamental.
Foi somente quando passei a me orgulhar de minhas habilidades em determinadas áreas que me senti capaz de admitir minhas falhas em outros setores. Então, eu fui capaz de recrutar o auxílio de outras pessoas, fortes nas minhas áreas fracas.
Fui muito influenciada nos primeiros dias de condução da minha pequena empresa quando ouvi Jill Garrett, então diretora-geral do Gallup na Europa, falando em um evento para líderes empresariais. Ela salientou ser possível gastar um monte de recursos (tempo e dinheiro) tentando deixar as pessoas melhores no que são ruins, ou investir os mesmos recursos no que são boas, para torná-las brilhantes por inteiro.
Makgotso Letsitsi, diretora dos serviços de consultoria de riscos da KPMG, afirma:
você precisa reconhecer quais são seus pontos fortes e empregá-los de forma eficiente na busca pelo sucesso – em vez de
tentar copiar o que qualifica como os pontos positivos dos outros. 156
Jill também falou outra coisa muito interessante quando ouvi sua palestra vários anos atrás: se não mensurar seu valor, você terminará valorizando somente as coisas que mede.
Se o único item mensurado pela sua empresa é quanto dinheiro você gera, o dinheiro será a único item valorizado por todos.
Depois de ouvi-la falar isso, voltei ao escritório, joguei fora o sistema de mensuração da minha firma e criei outro para as pessoas reconhecerem a contribuição dos outros. Desse jeito, nos certificamos de não sermos dominados por uma cultura de vendas – a qual não teria atendido aos melhores interesses dos nossos clientes.
Olivia Garfield, diretora de estratégia da British Telecom, acredita em investir o tempo necessário para aprender o que motiva os integrantes da equipe e tirar o máximo proveito deles – e, também, de você.
Conheça a pessoa. A chance de motivar uma pessoa a trabalhar para você e dar o melhor de si é desprezível se nunca
tentou descobrir que ela tem dois filhos, chamados Luke e Charlie, de 4 e 6 anos. Não é preciso acumular informações em
excesso. Não é preciso virar amiga delas. Porém, é necessário ter uma noção do que está acontecendo nas suas vidas.
[...] Quando compreender o lado humano do funcionário, você terá uma noção de suas motivações. Se o dinheiro motiva
uma pessoa, não significa que também motivará a outra. Conforme vamos subindo na hierarquia, corremos o risco de falar
demais e ouvir de menos. 157
Ao tentar conhecer as outras pessoas, não se esqueça de continuar aprendendo acerca dos seus próprios pontos fortes, fracos, suas motivações e ambições. Quando esses aspectos tiverem sido mutuamente comunicados, as expectativas podem ser administradas e uma equipe funcionará de forma mais eficiente e, portanto, com maior sucesso – especialmente se existirem membros na equipe que a desafiem ou até mesmo se oponham.
Trata-se de um desenvolvimento de mão dupla. Você sempre está nos dois papéis, independentemente do estágio da vida profissional.
Aja de acordo com seus pontos fortes
“Eu não consigo sozinho” é um slogan muito usado por técnicos de futebol, cantores de música pop, organizações de voluntários e pelo lorde Kitchener (“seu país precisa de você” implica em a nação não conseguir se virar sozinha). No entanto, é um princípio essencial conectado a explorar os pontos fortes e progredir.
Não se deixe levar pelo velho conselho de trabalhar os pontos fracos. Ao contrário, adote estas estratégias simples:
• Contrate quem seja bom em um ponto no qual você é fraca;
• Delegue as tarefas das quais não gosta para quem gosta de realizá-las;
• Automatize as ocupações repetitivas;
• Terceirize os afazeres nos quais não é boa.
Não importa o quanto tente, é improvável que você seja mais do que medíocre nas áreas nas quais não nasceu com o dom. Concentrar-se nos pontos fracos prejudica a autoestima, pois, assim, irá se concentrar principalmente nas deficiências.
Reconhecer as fraquezas e enfrentá-las de forma decisiva a colocará à frente dos homens – os quais, por serem muito competitivos, têm menor probabilidade de admitir alguma fraqueza.
No começo da carreira, você não terá a oportunidade ou meios de delegar tarefas. Todavia, é possível ser inventiva – troque tarefas com as outras pessoas para maximizar a eficiência e pôr os pontos fortes em ação.
Por exemplo, ofereça-se para fazer a declaração de imposto de renda de uma amiga em troca de ela preparar, em segredo, um bolo para o aniversário do seu namorado.
Menos de duas em cada dez pessoas passam a maior parte do tempo empregando seus pontos fortes, segundo a reportagem “O que fazem os grandes gerentes”, de Marcus Buckingham, publicada pela revista Harvard Business Review. Existem duas grandes
implicações para as mulheres utilizarem a seu favor:158
• Em primeiro lugar, reconheça as fraquezas e certifique-se de encontrar uma maneira de
lidar com elas. Isso me lembra o que Susan Gilchrist, diretora-geral da divisão norte-americana da Brunswick, respondeu quando seu agora marido, o historiador Andrew Roberts, perguntou-lhe no primeiro encontro se ela sabia cozinhar. “Não, mas posso pagar o restaurante.”;
• Em segundo lugar, não desperdice recursos aprimorando os pontos fracos das pessoas
além do que for necessário para elas funcionarem no nível básico. Não se esqueça disso quando for a encarregada de uma equipe – em vez disso, concentre-se em investir nos aspectos positivos dos envolvidos. Essa medida provocará resultados muito mais rápidos para a equipe do que qualquer outra atitude.
A maioria dos países no mundo – e certamente todas as principais instituições financeiras, militares e intergovernamentais – não é governada por um chefe de Estado, chefe de gabinete, secretário-geral ou diretor executivo sozinho, mas por uma equipe de ministros, consultores, auxiliares e assistentes. Essa filosofia criou as democracias liberais funcionais, levou militares a vitórias, canalizou socorro a países em desenvolvimento e estimulou economias.
O mesmo princípio se aplica em qualquer nível ou escala. Você é tão forte e eficiente quanto as pessoas que a cercam.
Não é por nada que Hillary Clinton, secretária de Estado dos Estados Unidos, batizou seu
site de “equipe Hillary Clinton”.159 No esporte profissional, como futebol e beisebol, os jogadores que não ajudam os colegas são vistos como agitadores e costumam ser transferidos. Nos negócios e nos esportes, quem joga para a equipe é altamente valorizado. “Quem trabalha junto vence, seja contra os sistemas defensivos complexos do futebol
americano ou os problemas da sociedade moderna”, 160 disse Vince Lombardi, técnico de futebol norte-americano cujo nome integra o Pro Football Hall of Fame.
Como ampliar a equipe de apoio no lar
Mulheres trabalhadoras e, especialmente as mães, precisarão ampliar o raio de ação da equipe de apoio no lar da mesma forma que no trabalho.
Reconheça e recompense quem lhe permite sair para trabalhar Por exemplo, uma iniciativa que funcionou bem para mim foi o pagamento de incentivos.
Ter babá não é mais indispensável agora que o sr. M. é responsável pelo grosso dos cuidados com os filhos, mas eu tive ajuda nessa área de 1989 a 2010 – um total de 21 anos.
Quando eu contratava babás, sempre pagava bônus semestrais, um deles ancorado ao meu bônus anual. Caso saíssem durante o semestre, o bônus não era pago proporcionalmente. Eu sempre agradecia, lembrava delas nos aniversários e no Natal e elogiava por escrito quando haviam realizado uma função excepcionalmente.
Como disse Catherine May (ver capítulo 6), os empregados domésticos – babás, governantas, motoristas, faxineiras, etc. – deveriam passar por avaliações anuais, como qualquer funcionário de uma empresa.
Invista tempo e esforço nas pessoas e, pela minha experiência, no geral elas ficarão felizes em investir seu tempo e esforço em você.
Indique claramente as prioridades
Também considero importante explicar aos seus subordinados diretos quais são suas maiores prioridades.
Quais são suas tarefas?
A todas as babás contratadas, expliquei que, se elas não viessem trabalhar, eu não poderia trabalhar, causando sérios desdobramentos em tudo – inclusive na minha capacidade de lhes dar um emprego seguro e bem remunerado. Explico que, caso não estejam morrendo de peste bubônica (ou algo igualmente contagioso), ou sofreram um acidente de carro, preciso da presença delas. Sentir só um pouquinho de mal-estar não conta. Se for esse o caso, venha se sentar no meu sofá, assistir às novelas na TV com uma xícara de chá de camomila em vez de ficar em casa.
Confiabilidade é muito importante para mim na minha ajuda doméstica; algo explicado em detalhes.
Aceitar que “menos de perfeito” está bom demais A incapacidade de delegar impede o progresso de muitas pessoas; é uma verdade válida para ambos os sexos, mas especialmente para as mulheres.
Somos educadas a acreditar que devemos ser brilhantes em inúmeras áreas – escolar, carreira, namorada, amante, esposa e mãe –, sendo difícil aceitar que um trabalho seja executado com qualidade inferior à nossa. Contudo, se nos ocuparmos unicamente dos afazeres diários dos quais damos conta, nunca seremos capazes de conquistar nossas ambições.
Esteja preparada para aceitar serviços feitos com 80% de perfeição, ou até mesmo 75%. Estabeleça quais são os aspectos mais importantes nas tarefas delegadas e depois explique isso ao responsável por sua execução.
A microgestão, o ficar prendendo-se a detalhes, sempre irá atrasá-la.
Convoque outros pais e familiares
Como muitas de vocês sabem, a “equipe” que leva a mãe trabalhadora até sua escrivaninha se estende muito além do auxílio contratado.
Conhecer outros pais na escola pode ser essencial quando a babá está doente ou de férias.
Construir essa equipe de retaguarda é vital.
Uma de minhas colegas de trabalho, quando decidiu pisar fundo na carreira, se mudou para uma região completamente diferente de Londres para ficar mais perto da mãe e da irmã, pois sabia que iria necessitar de um sistema de cobertura para cuidar dos filhos.
Seja proativa ao fazer favores às pessoas
Mesmo sem ter filhos, você precisará de uma rede de auxiliadores – a sua “equipe”.
Que tal o porteiro do prédio?
Ou o encanador no qual confia e deixa a chave para não ser preciso ficar em casa quando a lava-louça quebrar?
A melhor forma de criar uma rede é fazer um favor a essas pessoas antes de ser preciso pedir-lhes algo. O Natal, por exemplo, deveria ser a época de elaborar uma lista com os nomes de quem a ajudou – não apenas amigos e familiares – e enviar um presentinho com um bilhete de agradecimento.
Os melhores integrantes que “recrutei” para a equipe Moneypenny quando trabalhava em um banco de investimentos foram:
• A senhora responsável pela mesa telefônica (ela sempre sabia onde estavam todos e
como encontrá-los);
• O coordenador da cantina (pois este movia céus e terras quando se precisava dele).
Coordenar equipes é tema de muitos mais trabalhos acadêmicos do que relaciona este livro (veja a seção Recursos Úteis no final do livro). Participar de equipes (aceitar seu papel, efetuar sua parte, desafiar e aconselhar quando necessário) também é assunto frequente da imprensa especializada em administração e negócios.
Porém, as mulheres precisam construir equipes no sentido mais amplo da palavra – por isso uso a palavra “auxiliador” – muito mais do que os homens, pois necessitamos e necessitaremos de mais apoio se pretendermos criar uma família enquanto corremos atrás das ambições. E quando você chegar a um estágio posterior da carreira – tendo filhos ou não – seus pais podem muito bem começar a precisar mais e mais de você.
As mulheres bem-sucedidas, como nós vimos nos capítulos anteriores, não podem ter tudo, mas precisam fazer de tudo, pois elas (em escala muito maior do que os homens) costumam ser as guardiãs da família.
Para conseguir fazer tudo, você necessita ser capaz de recrutar o apoio dos outros. Consulte o capítulo 2 para saber como formar uma rede de contatos e o capítulo 9, com orientações para cuidar da própria divulgação.
Essas duas atividades ajudarão a formar aquela “equipe” mais ampla.
Se você for ambiciosa, será capaz de conquistar tanto quanto qualquer homem. Contudo, como qualquer homem, precisará fazer escolhas, sacrifícios e concessões. Estar consciente de quais são eles e por que está fazendo é meio caminho andado.
O resto é apenas execução – para as mulheres, algo muito mais fácil do que se costuma pensar.
Boa sorte! E me conte como está se saindo.
LIÇÃO DE CASA PARA MULHERES AMBICIOSAS
Em qualquer estágio da carreira
Você trabalha bem em equipe?
Envolva-se trabalhando com outros indivíduos dentro e fora do escritório.
• No trabalho, estenda a mão para ajudar colegas envolvidos em um projeto extra ou se
ofereça como voluntária para participar do comitê organizador de eventos de recrutamento;
• Envolva-se em um empreendimento sem fins lucrativos fora do escritório, para trabalhar
com outros tipos de pessoas;
• Em casa, delegue tarefas entre os familiares. Se o orçamento permitir, avalie a
possibilidade de contratar uma equipe para cuidar da casa;
• Se ainda não escolheu o cônjuge, pense em um marido que a apoie como um parceiro em
casa.
Em começo de carreira
Ofereça-se como voluntária de projetos, atividades no escritório e trabalhos sem fins lucrativos, para ganhar exposição e trabalhar em equipes.
Em um estágio mais avançado
Sim:
• Aprenda a delegar tarefas profissionais a colegas nos quais confia;
• Atribua serviços nos quais não é boa ao marido, filhos ou empregada.
Não:
• Tente fazer tudo sozinha – lembre-se: não existe uma supermulher!
143 “Birgit Neu.” Site Britt Lintner. <http://brittlintner.com>. Visitado em abril de 2011.
144 CHANG, Samantha. “Being a good team player can help your personal success.” Site Single Minded Women.
<http://singlemindedwomen.com>. Visitado em 9 de agosto de 2011.
145 TOBIAS, Emma. “The whites and wrongs of going it alone.” 18 de janeiro de 2003. Independent.
146 JACKSON, Carrie. “So solid crew.” Outubro de 2004. Harpers Business.
147 WALDMEIR, Patti. “Chinese dominate list of richest women.” 12 de outubro de 2010. Financial Times.
148 AULETTA, Ken. “A woman’s place.” 11 de julho de 2010. New Yorker.
149 JACOBS, Emma. “20 questions: Barbara Stocking, Oxfam.” 17 de junho de 2011. Financial Times.
150 PREVETT, Hannah. “35 Women Under 35: A vision of enterprise.” 27 de junho de 2011. Site Management Today.
<http://www.managementtoday.co.uk>.
151 BRIDGE, Rachel. “Boom or bust? Checking up on our three entrepreneurs.” 25 de maio de 2008. Sunday Times.
152 “Nine business insights from Time CEO Ann Moore, plus the mix-and-match women.” 30 de novembro de 2005. Site
Knowledge@Wharton. <http://knowledge.wharton.upenn.edu>.
153 JONES, Del. “Avon’s Andrea Jung: CEOs need to reinvent themselves.” 15 de junho de 2009. USA Today.
154 “The Complete Q&A’s!” 11 de janeiro de 2010. Site Celebrate Arkansas Magazine. <http://celebratearkansas
magazine.blogspot.com>.
155 BURNS, Ursula. “A Conversation on Leadership.” 3 de março de 2011. Site MIT World. <http://mitworld.mit.edu>.
156 “KPMG.” Site Top Women in Business and Government. <http://www.businesswomen.co.za>. Visitado em abril de 2011.
157 “Profile – Olivia Garfield: A winning strategy pays off for a woman on her way to the top.” 15 de março de 2011. Yorkshire Post.
158 BUCKINGHAM, M. “What great managers do.” 1º de março de 2005. Harvard Business Review.
159 Site Team Hillary Clinton. <http://www.teamhillaryclinton.com>. Visitado em 9 de agosto de 2011.
160 “Famous quotes by Vince Lombardi.” Site de Vince Lombardi. <http://www.vincelombardi.com>. Visitado em 9 de agosto de 2011.