Mulheres Poderosas Têm Ambição
Capítulo 3
Nunca é tarde demais
E spero, neste capítulo, inspirá-la a deixar sua zona de conforto. Muitas mulheres abrem mão das ambições com facilidade, e normalmente por uma razão simples e desnecessária. E a mais desnecessária de todas é: “é tarde demais.”
Eu tinha 26 anos quando percebi ter cometido um engano terrível. Eu estava noiva e prestes a me casar pela – verdade seja dita – quarta vez quando ocorreu-me que eu deveria ter tomado um caminho diferente na vida. Não, não terminei o noivado (como fui uma noiva em série durante algum tempo, eu tinha de seguir adiante e me casar, ou ninguém iria me levar a sério). Porém, tomei atitudes para consertar meu erro na vida profissional, não na pessoal.
Meu engano foi não ter estudado para ser contadora certificada. Percebi, quatro anos depois de me formar na faculdade, que teria adorado e teria sido boa nisso, então poderia ter ganhado credibilidade na carreira. Até hoje, é meu único arrependimento na vida (em geral, não aceito me lastimar, bem como não aceito me sentir culpada – são duas emoções que consomem energia demais e podem desviar mulheres ambiciosas).
Por que não me demiti naquela hora e me candidatei a uma vaga de estagiária na área de contabilidade?
Porque pensei ser tarde demais. Eu estava acostumada a ver as pessoas tornando-se contadores logo após deixar a universidade. E eu já estava no mercado de trabalho há alguns anos. Censurei-me por não ter feito o mesmo quando me formei e jamais sequer examinei a possibilidade de recomeçar aos 26 anos.
Eu pensava ser tarde demais.
Tarde demais?
Eu tinha 26 anos. Analisando minha decisão agora, não consigo acreditar. Eu mal havia deixado as fraldas! Poucos anos depois, a irmã caçula da minha Amiga Mais Antiga também percebeu, nessa mesma idade, que deveria ter feito contabilidade e mencionou à AMA que julgava ser tarde mais. A AMA disse para ela deixar de ser boba, pois nunca era tarde demais, principalmente aos 26 anos.
Ela largou o emprego e entrou para uma empresa de contabilidade. Vinte e poucos anos depois, ela está navegando pelo mundo com o marido enquanto eu trabalho 14 horas por dia.
Provavelmente existe uma lição aqui.
Na verdade, nunca é tarde demais para nada, seja para entrar na política, escrever o primeiro romance, tuitar, escalar o Everest ou para aprender a nadar.
Você não fez o A-levels28 em ciências e perdeu a chance de ser veterinária?
Conheço uma jovem que concluiu dois A-levels de ciências no supletivo (esses cursos se descomplicam quando envelhecemos – difícil é encontrar tempo para estudar) e foi cursar medicina veterinária com trinta e poucos anos.
O que fiz quando tinha 26 anos?
Candidatei-me a um MBA, para algumas pessoas, um “diploma de contabilidade de pobre”. Foi uma ótima decisão e estou feliz com o curso. (Também me casei com aquele noivo e me sinto feliz por ter feito isso.) Contudo, ainda gostaria de ter percebido que nunca é tarde demais.
Quando Anna Mary Robertson Moses morreu, em 1961, o presidente John F. Kennedy divulgou um comunicado elogiando suas pinturas por elas terem inspirado uma nação, observando que “todos os norte-americanos lamentam sua perda”. O governador do estado de Nova York, Nelson Rockefeller, declarara no seu último aniversário que não “havia uma artista mais renomada em todo nosso país”. O presidente Harry S. Truman chegou a tocar piano somente para ela.
Quem foi essa mulher que cativou presidentes dos Estados Unidos e fãs de arte em seu país e no exterior?
Anna Mary Robertson Moses era mais conhecida no mundo inteiro como vovó Moses, uma mulher que só começou a pintar aos 76 anos, quando as mãos ficaram prejudicadas demais pela artrite para segurar uma agulha de bordado. Como não conseguia ficar parada sem fazer nada, mesmo depois de passar a vida trabalhando em fazendas, ela pegou um pincel.
Quando morreu, suas pinturas podiam ser vistas em museus de lugares distantes de seu
país de origem, como Viena e Paris.29
Por que preciso contar essa história e muitas outras? Será que homens e mulheres podem pegar um pincel no crepúsculo da vida?
Na verdade, as mulheres são muito mais suscetíveis a criar obstáculos ao progresso do que os homens. Afirmar ser tarde demais para algo é a barreira encontrada com mais frequência.
Não faça isso! Nunca use essa desculpa!
Se você se vir dizendo “é tarde demais”, certamente estará errada.
Para começar, odeio suposições. Apesar de o ditado ser um tanto grosseiro até mesmo para mim, nunca devemos contar com o ovo dentro da galinha.
Nunca suponha nada.
Mulheres são pessoas ocupadas – em especial se estiverem trilhando o habitual caminho multifuncional de carreira, filhos e marido –, e talvez por conta disso são mais facilmente convencidas (ou, pior ainda, elas supõem) de que a estrada para o sucesso passa por uma porta já fechada e trancada.
Nunca é tarde (ou cedo) demais para buscar inspiração nos outros A TV e os jornais parecem cheios de pessoas que ganharam o primeiro milhão antes mesmo de poder votar. Em uma cultura de celebridades que venera o sucesso de empresas da internet tocadas por recém-formados – Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, por exemplo –, talvez você sinta que ficou para trás mesmo aos 25 anos, caso ainda não tenha embolsado centenas de milhares de libras, se seu site não receber um milhão de visitas semanais ou se não viver aparecendo nos tabloides.
Mesmo estando no começo da carreira, é fácil acreditar ter perdido o bonde. Às vezes, parece que se você “simplesmente” estudar com afinco na faculdade em vez de largar tudo para abrir uma empresa, você estará deixando o tempo passar.
É melhor se inspirar nas jovens que realizaram grandes conquistas com as quais você pode se identificar – examinando, por exemplo, as listas das “35 Mulheres com Menos de 35” da revista Management Today e sentindo que tudo é possível, e, além disso, que uma delas poderia ser você. A lista de 2011 trouxe uma ampla gama de qualificações, contando com mulheres dos setores de engenharia, administração de bens, roupas íntimas para modelar o corpo (surpreendentemente, foi encontrada uma lacuna no mercado), óculos escuros seguros para crianças, aluguel de roupas de estilistas (sem sombra de dúvida, isso teria me ajudado a entrar de penetra com estilo em jantares exclusivos), salgadinhos integrais e iniciativas
dignas, tais como ensinar crianças sobre diversos problemas de saúde. 30
O único aspecto negativo de ser tão jovem – principalmente no caso das mulheres – é que os homens mais velhos, em particular, podem não levá-la a sério no começo.
Esteja preparada para isso e não se preocupe.
Louise Hodge comprou sua empresa, a Pilot Flight Training, em 2004, aos 29 anos. Naquela época, ela já voava há cinco anos na escola, sediada em Oxfordshire.
Eu desejava ser dona de uma empresa ainda na faculdade. Adoro voar, então procurei o proprietário da Pilot Flight
Training e disse: “Você está ficando velho. Precisa se aposentar e vender a empresa para mim.” Ele me colocou contra a
parede durante um ano para ver se eu era séria e depois me vendeu, pois sabia que eu a adorava e cuidaria bem dela. Eu
não tenho dúvidas – elaboro o raciocínio após tomar a decisão. Eu nem imaginava o que estava fazendo. Aprendi no dia a
dia. No primeiro dia, me senti por fora. No segundo, pedi para os funcionários me ensinarem: “Vou aprender com vocês”,
afirmei. Foi muito estranho passar de aluna a chefe, por isso pensei ser melhor enfrentarmos tudo aquilo juntos. Para
financiar a aquisição, usei o dinheiro que poupei no meu antigo emprego em TI, além das verbas rescisórias. E vendi minha
casa. Foi difícil no começo, por ser jovem e mulher. Os clientes costumavam achar que eu era a recepcionista ou que iria
recorrer imediatamente a um instrutor homem. Isso não me abalava – eu vinha da área de TI, um campo dominado por
homens, e, com o passar do tempo, eles me conheceriam.
Outro setor dominado por homens é o da construção. Becci Taylor, 31 anos, de Lincolnshire, era uma das “35 Mulheres com Menos de 35” da Management Today em 2011. Engenheira formada em Cambridge, é especialista em alternativas para construção com pouco uso de energia na consultoria Arup. Para Becci, ser mulher tem suas vantagens.
Se alcançar o sucesso jovem, você pode se ver mandando em gente mais velha, tanto colegas quanto empreiteiros. Eu
tenho encontrado dificuldades em dar ordens a homens mais velhos do setor – por exemplo, gerentes de projeto –, porém,
ser uma mulher jovem também tem suas vantagens. Mulheres jovens na área da construção podem achar mais fácil do
que seus colegas homens enfrentar homens mais velhos. Após superar as barreiras iniciais, dá para ganhar respeito com
facilidade, talvez em resultado da novidade do gênero. É um estereótipo, mas as mulheres costumam saber lidar bem com
as pessoas; é um aspecto positivo. Eu tinha 26 anos quando gerenciei meu primeiro serviço. Eu estava trabalhando com
empreiteiros que iriam completar e construir um projeto iniciado por mim. Eles eram homens experientes com 50 ou 60
anos, mas não me desrespeitavam e me ouviam. Tratei-os com respeito e ouvi a opinião deles, sem arrogância. Entre nós,
o serviço foi executado sem problemas.
Embora ser bem-sucedida enquanto se é jovem possa ser inicialmente uma desvantagem, a boa gestão do fato pode se tornar um ponto positivo. De qualquer maneira, é uma experiência com a qual amadurecemos.
Assim, mesmo se você não arrebatar um dos muitos prêmios destinados a jovens conquistadores, o maravilhoso é nunca ser tarde demais!
Não use a idade como desculpa
No primeiro semestre de 2009, gente do mundo inteiro ficou espantada com o videoclipe de uma mulher cantando. Em apenas três semanas a apresentação foi vista milhões de vezes. A verdadeira surpresa era não se tratar de uma pop star famosa, mas de uma escocesa amadora, desconhecida, de 47 anos de idade, cantando a plenos pulmões uma canção de um musical da Broadway de 29 anos antes.
Ninguém esperava muito de Susan Boyle quando ela pisou no palco do programa Britain’s Got Talent, em parte porque sua apresentação de “I Dreamed a Dream”, do musical Les Misérables, foi muito cativante. De forma inconsciente ou não, esperamos o sucesso de pessoas jovens e bonitas. Nós nos deliciamos com prodígios infantis e podemos citar realizações juvenis, tais como Mozart compondo aos cinco anos e Bobby Fischer vencendo competições de xadrez aos 13. Quando alguém tem sucesso, costumamos atribuí-lo a um treinamento iniciado em idade precoce – afinal, Tiger Woods pegou o primeiro taco de golfe aos 2 anos.
É por isso que histórias como a de Susan Boyle tendem a pegar as mulheres de surpresa. É normal envelhecermos e nos resignarmos com o fato de a janela para o estrelato ou para escrever o grande romance britânico ter se fechado. Susan Boyle, até então uma solteirona desconhecida, já gravou dois discos, e o primeiro vendeu 15 milhões de cópias em todo o mundo.
Escrever é uma carreira na qual várias mulheres bem-sucedidas começaram mais tarde na vida. Apesar de ter produzido muitas colunas com vinte e poucos anos (para mim, escrever nunca foi minha profissão principal; era um bico para ajudar a bancar as contas), eu não escrevia mais para consumo público depois de chegar aos 30 e virar corretora de valores. Porém, em 1999, aos 37 anos, comecei a escrever as colunas da sra. Moneypenny. Não virei celebridade por conta disso, mas foi um passaporte para muita coisa na minha vida. Diversas mulheres que conheço, pelo menos de ouvir falar, começaram a escrever com mais idade.
O convite do Financial Times foi uma surpresa total e não começou bem. Eles planejavam lançar uma revista semanal e queriam uma coluna sobre “sexo no trabalho”. Expliquei a eles que, apesar de trabalhar para um banco que, à época, empregava mais de 70 mil pessoas, até onde eu sabia, nunca fizera sexo com nenhuma delas (embora, com tantos escritórios espalhados pelo mundo, nunca se sabe quem eles podem contratar, então um ex-namorado pode estar à espreita por aí). Da mesma forma, nunca transei no escritório nem passei dos limites na sala da copiadora durante as festas da companhia (aliás, eu nem sabia onde ficava a dita cuja). No fim das contas, o jornal ambicionava uma coluna sobre gênero, não sexo no trabalho.
Expliquei, então, que provavelmente eu continuava sendo a pessoa errada.
Por não acreditar na já citada teoria do teto de vidro, creio que a melhor forma de vencer qualquer barreira é esmigalhando o mito de que as mulheres “podem fazer tudo”. Por isso citei um monte de argumentos para não escrever a coluna (ser muito ocupada por ser uma mãe que, além de trabalhar, estava tentando finalizar o doutorado), mas nenhum funcionou. Desde então, escrevo para o Financial Times. Só não falei uma coisa: “Estou muito velha para começar a escrever uma coluna para um jornal de âmbito nacional.”
Várias mulheres escrevem muito bem e só tomam consciência disso mais tarde. Mãe solteira, o que teria acontecido se Joanne Rowling julgasse ser tarde demais para começar a escrever um livro infantil sobre um menino mágico?
Ela pode ser rica hoje, mas, antes de publicar seus livros, não tinha praticamente um centavo, estava imersa em uma depressão profunda, era divorciada e tentava criar um filho sozinha enquanto cursava a faculdade. Rowling passou de dependente da assistência social para uma das mulheres mais ricas do mundo em apenas cinco anos, graças ao trabalho duro e determinação, tudo isso bem depois da idade na qual a maioria das pessoas inicia a vida profissional.
Quem começou ainda mais velha foi Mary Wesley, cujo primeiro livro para adultos, Jumping the Queue, foi publicado em 1983, quando ela tinha 70 anos. Mary se tornou uma das romancistas de maior sucesso da Grã-Bretanha, vendendo 3 milhões de exemplares e
emplacando dez best-sellers nas duas últimas décadas da vida. 31
Nunca é tarde demais para ser “irresponsável” Talvez algumas mulheres (mães, em particular) achem irresponsabilidade ou egoísmo mudar de carreira ou voltar à escola para cursar um MBA quando essa mudança custará muito ao orçamento familiar, podendo preocupar os outros membros em relação ao futuro financeiro da família. Contudo, se explicar o porquê da sua decisão, investir na carreira deixa de ser irresponsabilidade.
Ao menos você não faz parte do número crescente de mulheres com mais de 50 anos pulando de aviões simplesmente por vontade. Segundo uma instituição de caridade para idosos, a Age UK, a prática de esportes radicais entre cinquentões está crescendo na Grã-Bretanha. Embora sempre exista uma idade mínima para participar desse tipo de atividade,
não existe uma idade máxima!32 Seu marido e filhos certamente ficariam muito mais nervosos com isso do que se você voltasse a estudar ou mudasse de carreira. Completarei 50 anos no ano de publicação deste livro, e estou determinada a investir mais tempo em mim mesma e na minha saúde física. Embora talvez não pule das Cataratas Vitória, no Zimbábue, amarrada à ponta de um elástico, planejo estabelecer alguns desafios físicos menos aterradores.
Annie Clarke, de Suffolk, completou 60 anos no ano passado e decidiu que a melhor forma de comemorar essa ocasião especial era saltar de um avião a quase 4 quilômetros de altitude, um objetivo atrás do qual sempre correu, mas nunca conseguiu realizar. A intrépida Annie provou que nunca somos velhas demais para experimentar novas atividades. Na verdade, alguns podem considerá-la uma mera novata nesse esporte, uma vez que há relatos de paraquedistas na casa dos 90 anos – isso que é amadurecimento radical.
Aprendi a pilotar um avião aos 46 anos e tirei o brevê aos 47. Não deixei a idade atrapalhar minha formação, mesmo que um grande número de provas escritas tenha testado severamente minha massa cinzenta. (Incluindo uma na qual eu devia calcular o centro de gravidade de um avião conforme botava determinados itens no seu interior – como tentei explicar ao examinador, depois que alguém do meu tamanho entra em um avião, não importa se algo mais é colocado, o centro de gravidade permanecerá firmemente ao meu redor.)
Fui inspirada a voar por Polly Vacher. Minha ladainha de “nunca ser tarde demais” foi maravilhosamente bem comprovada por ela, moradora da minha vila. Musicista talentosa, mãe de três filhos e ex-professora, Polly fez um salto duplo de paraquedas como obra de caridade aos 49 anos e adorou! Duzentos e quarenta e cinco saltos depois, passou a voar e tirou o brevê em 1994, aos 50 anos. Incansavelmente, Polly arrecada dinheiro para a instituição de caridade Flying Scholarships for the Disabled (FSD), e em 2002 foi sagrada Membro da Ordem do Império Britânico por sua dedicação.
Polly foi descoberta pelo mundo em 2001, quando deu a volta no globo em 124 dias para ajudar a FSD. Sua circum-navegação solo do planeta, no sentido do Oriente, foi realizada na menor aeronave pilotada por uma mulher na rota passando pela Austrália – o monomotor Piper PA-28 Cherokee Dakota G-FRGN. A jornada incluiu um trecho de 16 horas do Havaí à
Califórnia. E eu sofro para voar até Southend!33
Em maio de 2003, Polly partiu de Birmingham para sobrevoar o Polo Norte, a Antártida e os sete continentes, voltando apenas um ano depois, em abril de 2004, tornando-se a primeira mulher a voar solo sobre as regiões polares. Ela diz:
Passei a ter muita confiança em mim mesma, bem como nos deficientes para quem arrecado dinheiro. Eu não pensava
precisar disso, mas minha confiança triplicou depois do meu primeiro voo solo. Tudo depende de como você se prepara – o
treinamento para sobreviver em todas as condições me deu confiança. Aprendi a navegar pelo sol (caso o GPS parasse de
funcionar) e a me virar em um bote salva-vidas (pois dois terços da superfície do mundo são cobertos de água). Sem
dúvida, me assusto com o desconhecido – com o “e se?” –, afinal, sou humana.
Polly vive incentivando os outros a “continuar aprendendo”. É uma sorte morar perto de quem me inspira tanto; ela é um lembrete constante de que não importa a idade, sempre existe algo a ser conquistado na vida.
Independentemente de onde você more, sempre haverá mulheres a lhe inspirar, mesmo que não tenham fama mundial.
Conhece alguém muito dedicada a obras de caridade?
Procure-a e se ofereça como voluntária para ajudar no próximo evento.
Conhece alguém que possui um escritório político regional ou nacional?
Procure-a e se ofereça como voluntária no escritório ou ajude com a campanha nas próximas eleições.
Nunca se é velha demais para aprender – e nunca se é velha demais para ser voluntária.
Pode não ser um caminho tranquilo. Não se deixe enganar: as incríveis conquistas detalhadas neste capítulo e em outras partes do livro não aconteceram facilmente. Nem se deram sem desafios. O que me lembra o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht: “Quem luta muitas vezes, fracassa; mas quem não luta, já fracassou.”
É uma grande verdade.
O fracasso pode dar a impressão de você ter tomado a decisão errada, que está na hora de encerrar o expediente por hoje. No entanto, é normal sentir uma mistura de desespero e mortificação quando algo não funciona – só não se sinta incapacitada por conta disso. O livro Backwards in High Heels resume a questão desta forma:
É o fracasso que expõe seu núcleo de aço; ele a lança de volta aos princípios elementares e lhe dá a chance de descobrir
recursos interiores desconhecidos. Ele lhe possibilita estrelar seu filme de reaparição [...] Na vida real, o fracasso é assim:
ruim demais. É muito provável que você sinta seu efeito físico, como se tivesse sido atingida por um instrumento
contundente [...] pode chegar como um terrível choque surpreendente [...] Você ficará recoberta pela neblina da
vergonha. 34
Entretanto, não significa desistir.
Perguntaram uma vez a Carol Bartz, ex-diretora executiva da Yahoo! Inc., se ela já havia sofrido de falta de autoestima. Ela respondeu:
É claro! Ainda sofro. Um pouco de falta de autoconfiança é saudável porque você se mantém alerta: fica tentando se
aprimorar de muitas formas. O fracasso é uma parte muito importante da vida. Ah! Você deve fracassar! Você precisa
fracassar. Se não fracassar, não conhecerá os graus do sucesso. Já cometi muitos erros. Nenhum deles se destaca.
Cometo erros toda semana, todo mês, todo ano. Você necessita ter a coragem de apresentar uma ideia. E precisa ter a
coragem de ver muitas delas fracassar.
No começo dessa mesma entrevista, Carol havia dito:
É como, por exemplo, esquiar. É preciso cair para aprender a ser um esquiador melhor. Sou uma grande jardineira, e se
você não matar um monte de plantas no processo, nunca saberá cuidar de um jardim. 35
Tenha prazer em ficar livre do estrogênio
As mulheres são bem mais obcecadas com a idade do que os homens. Isso porque o visual (seu “capital erótico”) é uma de suas qualidades e você o sente ir embora com maior intensidade.
Também sei que sou muito sensível a isso (não que eu fosse muito atraente na juventude). Ano passado, cheguei a fazer um dia de filmagem para o programa de TV sem maquiagem e com o cabelo cheio de bobes. Uma integrante da plateia daquele dia exclamou como eu parecia nova.
“Eles deixam você com cara de velha na TV”, ela afirmou. “Eles deixam você aparentando uns 50 anos!”
Expliquei calmamente que eu tinha uns 50 e a questão da idade deixou de ser mencionada.
O que me leva a outro fator importante para explicar por que as mulheres nunca devem pensar ser tarde para nada: contamos com ajuda extra da Mãe Natureza depois de certa idade, o que nos abre um monte de portas.
Sim, um dia ficamos livres do estrogênio.
Soa melhor do que pós-menopausa?
Estou livre do estrogênio há três anos, o que, com quase 50, é uma idade razoavelmente jovem. Porém, estou adorando e não me sinto privada de nada.
Talvez seja a consciência de não ser mais capaz de ter filhos e assim poder dirigir minhas energias para outra coisa que me faz sentir uma maior liberdade. Talvez a culpa seja apenas da falta de hormônios chatos. Seja lá o que for, sinto ter a energia e a ambição para encarar as coisas na segunda metade da minha vida profissional (espero chegar aos 75 e além) com a mesma disposição que tinha na primeira metade.
Também consegui passar por essa mudança na minha composição química sem recorrer à TRH. (Caso algum homem esteja lendo este livro, essa é a sigla para Terapia de Reposição Hormonal – quando fiz minha apresentação em Edimburgo, em 2010, um homem na plateia pensou ser a sigla do Tribunal Regional de alguma coisa.)
Não sou contra a TRH – apoio a ingestão de qualquer medicamento que funcione. Eu só tinha medo de ganhar ainda mais peso. Minha única oscilação aconteceu quando o Financial Times me enviou à Irlanda para escrever um artigo para a seção de “Buscas” do Weekend Financial Times e fiquei em um hotel de congelar os ossos. Acordei às 3 da manhã com a pior crise de menopausa que já havia experimentado. Resolvi ligar para um médico assim que o dia clareou e marquei uma consulta.
Foi só então que percebi que havia deixado o cobertor elétrico ligado.
Fico entusiasmada com as pessoas contando como é a vida das mulheres após os 50. Em 2006, Nora Ephron publicou Meu pescoço é um horror: e outros papos de mulher, coleção
de contos e crônicas sobre envelhecimento. 36 E em 2011, Jane Shilling publicou sua visão
sobre a meia-idade em 37 The Stranger in the Mirror .
No mesmo ano, Jill Shaw Ruddock, verdadeira pin-up da irmandade “mulheres livres do estrogênio”, lançou The Second Half of Your Life, no qual defende que as mulheres pós-menopausa ainda contam com a fertilidade, só que de outra forma: por meio da criação de
ideias e de propósito nas suas vidas. 38
Faltavam ideias e propósito na minha vida antes da menopausa?
Espero que não. Contudo, suspeito que muitas mulheres mais velhas não aproveitam ao máximo suas habilidades e tempo.
Só de ler sobre tudo que podemos experimentar de vez em quando após a menopausa já fiquei exausta – se eu fosse fazer tanto exercício e tanto sexo quanto Jill defende (o tipo de livro de autoajuda que leio não costuma indicar a compra de um vibrador), não restaria um momento sequer para realizar os desafios propostos pela autora. Claramente, Jill tem muita energia: ela abriu uma instituição de caridade para a construção de centros integrados de assistência médica e social que oferecem oportunidades a pessoas na “segunda metade” da vida.
Nunca é tarde demais para encontrar a verdadeira paixão O nome Julia Child é sinônimo de excelência culinária. Assim, pode surpreender o fato de que com trinta e poucos anos ela não sabia o que era uma chalota. O ano era 1948 e a futura
estrela da culinária mal havia terminado de se mudar para a França com o marido.39 Julia não falava francês e mal sabia cozinhar, mas se apaixonou pela culinária do país e se determinou a dominá-la, estudando na famosa Cordon Bleu, escola de gastronomia em Paris. “E pensar que levei quarenta anos para encontrar minha verdadeira paixão”, ela escreveu
para a cunhada. 40
Embora tenha identificado essa paixão, passaram-se vários anos até o trabalho duro ser recompensado. Levou mais de uma década, e “várias sessões de rejeição”, até o livro Mastering the Art of French Cooking, uma coautoria de Julia, ser publicado, e ela só começou a apresentar The French Chef, programa transmitido durante anos na PBS, aos 51
anos.41
Desenvolver uma nova habilidade ou interesse em qualquer idade pode realmente ajudar sua autoconfiança (já comentei como a falta de confiança pode prejudicar a carreira de uma mulher). Um livro cujo objetivo é examinar como as mulheres podem progredir em ambientes tradicionalmente masculinos descreve a “síndrome da impostora”, quando elas sofrem crises de insegurança na carreira e atribuem o sucesso à sorte, timing, bons contatos etc. Tal sentimento pode ser composto nos locais onde a mulher trabalha principalmente com homens – sua mera presença é “uma bizarrice”, e o sucesso pode ser considerado da mesma forma, quem sabe até “suspeito”. Segundo a autora: “Se achar que o sucesso somente chegará
quando tiver certeza absoluta de si mesma, você vai esperar para sempre.”42
Concordo com isso – e o sucesso, mesmo em uma área não ligada ao trabalho, a ajudará, e muito, na questão da confiança.
Francesca Halsall é uma nadadora britânica e, aos 21 anos, já era campeã europeia,
medalhista de ouro nos Jogos da Comunidade Britânica e de prata no Campeonato Mundial.43 Entrevistada pelo jornal The Guardian em julho de 2011, Fran não se mostrou nem um pouco desanimada pela perda recente do primeiro lugar, às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2012. Ela declarou:
Bem, fui a número 1 do mundo até a semana passada, mas perdi a posição por um centésimo de segundo [...] Na verdade,
gosto que nadem mais rápido do que eu. Assim, intensifico minha dedicação. 44
Essa é uma atitude vencedora. Além da condição física, Fran considera o estado mental fundamental.
É necessário ganhar a batalha mental antes mesmo de entrar na água. Se tiver um pingo de dúvida, não vencerá. Todos
passam por isso, mas tento espairecer, e, antes da largada, digo algo simples, como: “Vamos lá, Fran, você é capaz.” E
depois me lembro qual estilo devo nadar.
Como deixou a escola aos 15 anos para correr atrás da carreira de nadadora, ela agora voltou a estudar, preparando-se para um A-level em filosofia aos 21 anos de idade. No caso de Fran, nunca se é jovem ou velha demais. Quanto a nadar por uma medalha nos Jogos de Londres em 2012, ela afirmou: “Estou pronta para dar tudo de mim.”
Diante de tais exemplos, constatamos que nunca é muito tarde para experimentar algo novo, e isso poderá trazer na sua esteira confiança e sucesso na vida profissional. O que tentar? Acredito muito em metas pessoais, pois se forem específicas, mensuráveis, conquistáveis, realísticas, e se existir tempo disponível, elas podem ter o inestimável efeito de bloquear a insegurança.
Em 2010, minha meta foi escrever e encenar um espetáculo da sra. Moneypenny no Festival Fringe, de Edimburgo; o bônus foi vê-lo ser encenado durante uma semana em Nova York.
Em 2011, apresentei uma série de TV, com contrato renovado para 2012.
Meu desafio para 2012 é botar o pé na estrada e conseguir uma qualificação do Instituto de Contadores Gerenciais (CIMA, na sigla em inglês).
Cinquenta é ser velha demais para me tornar uma contadora gerencial qualificada?
Penso que não.
É um jeito sem graça de comemorar meu 50º aniversário?
Bem, faz todo sentido para mim. Sempre me lamentei por não ter essa qualificação. Outras mulheres podem desejar uma bolsa Hermès, sapatos Jimmy Choo ou lençóis de cetim. Conseguir algo que sempre desejei me parece um jeito muito bom de comemorar uma data tão significativa. Além disso, o simples fato de fazê-lo me tornará mais interessante – e, em consequência, conseguirei ampliar meus horizontes. Por fim, pode ser útil na administração da minha empresa, o que é sempre um ganho extra.
Então, o que existe de desinteressante nisso?
A aposentadoria abre novas portas
Carreiras podem ser iniciadas da estaca zero, até mesmo quando já se está recebendo a aposentadoria.
Aqui estão três exemplos de mulheres na casa dos 60 começando novas carreiras na Escócia – uma advogada estagiária; uma sacerdote; e uma admistradora de bens –, conforme noticiado pelo jornal The Herald em janeiro de 2011. A reportagem começava relatando um comentário no site Legal Week, no qual um aspirante a advogado escreveu: “Tenho 27 anos de idade, desejo advogar e me pergunto se passei da idade para pensar em conseguir um estágio.”
Não causará surpresa você ficar sabendo que era uma mulher.
Velha demais? Aos 27?
Leia o começo deste capítulo!
O jornal também citou uma pessoa igualmente ansiosa no Yahoo! Respostas: “Estou velho demais, aos 31 anos, para me reciclar como chef de cozinha?”
Lembre-se: existe um motivo ainda mais irrefutável para as mulheres precisarem banir a idade como desculpa para a falta de satisfação na carreira ou promoção: elas vivem mais tempo do que os homens.
Não sei por quê: afinal, nós trabalhamos muito mais arduamente. Contudo, apesar disso, os pobrezinhos parecem se consumir mais cedo do que nós. Em todo o mundo, nota-se que as mulheres vivem mais tempo do que os homens. A diferença está diminuindo, mas no Reino
Unido, as mulheres ainda vivem três anos a mais do que eles (até 81,9 anos de idade), 45 e,
nos Estados Unidos, mais de cinco (até 80,9 anos). 46
A aposentadoria está muito mais distante para a maioria de nós do que para a geração anterior. O estado das finanças governamentais, o desempenho deplorável do mercado acionário, o envelhecimento da população – tudo isso significa que a aposentadoria provavelmente só é possível aos 80 anos. É o que espero para mim. Aos 50, suspeito que vou trabalhar no futuro tanto quanto trabalhei no passado.
É uma perspectiva e tanto.
Pamela Smith, avó e primeira das três sexagenárias entrevistadas pelo Herald, se qualificou como enfermeira, instrutora de ginástica, graduou-se em zoologia e comandou o próprio negócio – tudo isso antes de o filho crescer e estudar direito. Ela se viu fascinada pelos livros didáticos do filho e voltou à universidade, encorajada pelo marido, um médico. Ela já se aproximava dos 60 anos.
Pamela estava muito preocupada no começo do curso, principalmente porque a idade média dos seus colegas estudantes era de 20 anos. Ela não apenas se formou como também se tornou estagiária de uma firma de Aberdeen. Aos 60 anos, adorei sua declaração: “Gosto de fazer parte da sociedade, não me importo de mudar. Tentaria qualquer coisa nova.”
A segunda mulher entrevistada nessa reportagem inspiradora foi Shelia Cameron, que assumiu sua primeira igreja quando já recebia aposentadoria. Ela passou quarenta anos trabalhando como bibliotecária, aparentemente uma carreira da qual nunca gostou muito. Shelia desejava ser assistente social, mas “seria muito difícil me qualificar”. Com mais idade, tornou-se pregadora leiga e foi trabalhar como voluntária em uma igreja em Cambridge, enquanto sondava bispos da Escócia tentando arrumar emprego. O quarto bispo procurado era de Edimburgo e a colocou na igreja de Santa Ana. Shelia tinha 62 anos.
Shonie White, a terceira senhora da reportagem, tem 60 anos e recentemente, em sociedade com o marido, abriu uma empresa de aluguel e manutenção de propriedades em Dundee. Eles haviam se aposentado, mudado para a Escócia e comprado dois apartamentos como investimento. Antes de se dar conta, o casal estava administrando dezenas de propriedades. Segundo a reportagem, ela pretendia continuar trabalhando até os 70 anos, mas declarou: “Quem sabe?”
Shonie gosta de uma frase cunhada por uma amiga: “Você não fica velha, só muda de
direção.” 47
Qualquer idade é boa para agir
Se você está lendo este livro e se encontra em um estágio inicial da carreira, toda essa conversa sobre vovozinhas ambiciosas deve tê-la feito pensar se é realmente relevante no seu caso. Pensando assim, você pode levar a vida sem muito esforço porque consegue fazer tudo lá na frente. Porém, o tema se aplica a você, sim, bem como a qualquer outra profissional. Como afirmei no começo deste capítulo, eu tinha 26 anos quando decidi, erroneamente, que era muito tarde para mudar de direção. A Julia do capítulo 1 (Sim! Ainda estamos falando dela! Aquela aplicação de gloss labial demorou uma eternidade…) mudou sua história aos 30 anos.
Não existe uma hora certa ou perfeita para mudar de carreira, abrir um negócio ou correr um risco, como demonstrou Catriona Welsby, jovem mãe que abriu, no Reino Unido, a Brand Financial Training, empresa on-line fornecedora de recursos para aprendizado e voltada aos trabalhadores do setor de serviços financeiros do país.
Minha primeira empresa on-line (que ainda comando) gera uma renda de seis dígitos [em dólares] por ano. Poucos meses
antes de deixar meu marido e virar mãe solteira do meu jovem filho, criei um negócio on-line de extremo êxito [...]
Conquistei esse sucesso quando minha vida estava de pernas para o ar – deixei a casa onde morávamos com um filho
pequeno e logo me vi precisando sustentar nós dois. A não ser que desejasse voltar a ser empregada (não, obrigada!), eu
não tinha escolha além de transformar minha empresa em um sucesso. Em vez de usar a bagunça da minha vida como
motivo para fugir e depender de um empregador, eu a empreguei como “razão” sólida para meter a cara. Tomei uma
atitude e fiz o necessário para criar uma empresa bem-sucedida. 48
Como saber se você deveria mudar de direção? Uma boa lista de controle pode ser:
• Você acorda pela manhã e tem pavor de ir trabalhar?
• Acha que acrescenta pouquíssimo valor ao trabalho que faz?
• Você olha seu chefe e não deseja o lugar dele?
Caso tenha respondido “sim” a qualquer uma dessas perguntas, é melhor começar a pensar em exercer outra atividade.
O que, então, você deveria fazer?
Talvez você saiba disso, é claro. Entretanto, se não souber, comece fazendo listas de carreiras ou organizações que gostaria de considerar e, a seguir, encontre alguém que trabalhe na área e pergunte coisas a respeito. Peça para que essa pessoa lhe dê sugestões. Mantenha a lista em um bloco de notas e vá riscando quando definir quais não servem para você. Quando decidir o que experimentar, pode ser necessário pensar lateralmente acerca de como acumular experiência no campo desejado (discuti a questão do pensamento lateral voltado à carreira no capítulo 1).
Muitas mudanças de carreira demandaram formação específica ou outro tipo de qualificação. A maneira pela qual cuidará disso, se necessário, dependerá inteiramente de circunstâncias pessoais. É sempre melhor estudar em período integral para uma nova qualificação, se for possível.
Você paga hipoteca?
Então pense em alugar sua casa durante o período de reciclagem e mudar para outro local, onde o custo de vida seja mais barato. Uma de minhas colegas de trabalho fez isso: ela se afastou por um ano, alugou o apartamento onde morava e foi viver com os pais enquanto cursava MBA.
Tem filhos?
Se forem jovens, talvez eles curtam morar e frequentar a escola em um lugar diferente por uns tempos.
Seu marido tem emprego fixo e não pode se mudar?
Bem, se tiver algum tipo de renda familiar, considere a hipótese de pegar dinheiro emprestado para investir em sua carreira.
Contudo, sempre haverá pessoas – e eu sirvo como exemplo – que não podem abrir mão da renda. Na época do meu MBA, estudei meio período enquanto trabalhava e tinha meu primeiro filho. Quase morri, por isso recomendo estudar em período integral, se existir tal possibilidade. Porém, se você for disciplinada e conhecer suas prioridades, isso é possível.
Provavelmente será necessário começar por baixo na nova carreira.
Talvez isso não seja lá muito agradável, mas o que você prefere: um bom salário por algo que detesta fazer ou menos dinheiro e mais satisfação?
Passamos tempo demais no trabalho para não gostar dele. Se você tiver aptidão e trabalhar com afinco, a diferença financeira logo desaparecerá.
Neste capítulo, vimos como é fácil pensar ser “tarde demais” mesmo quando se é jovem, em especial se você for mulher. O próprio ritmo da nossa vida e as atividades que consomem nosso tempo (trabalho, filhos, pais idosos, etc.) estimulam o engavetamento das ambições e/ou o fracasso em dar um jeito em uma vida profissional apática. No entanto, vivemos mais tempo do que os homens e temos muitos anos para conquistar nossos sonhos – mesmo se existirem obstáculos no caminho –, como comprovam as mulheres aqui mencionadas.
Nunca é tarde demais para seguir adiante, sejam quais forem suas ambições.
Você consegue!
LIÇÃO DE CASA PARA MULHERES AMBICIOSAS
Em começo de carreira
Como podemos definir sua ambição?
Escreva o que deseja fazer daqui a dez anos. Não digo “ser vice-presidente de um banco de investimentos”, mas algo como “comandar uma equipe, trabalhar no exterior, ganhar mais de 200 mil dólares anuais”, ou algo do gênero.
A seguir, anote os motivos para isso não acontecer.
Depois, pense em como enfrentá-los.
É necessário desenvolver uma abordagem flexível. Assim, pensando nisso, anote quais podem ser as suas alternativas em relação à carreira. O piloto, quando planeja um voo para algum lugar, sempre precisa escolher um aeroporto alternativo caso, por alguma razão, não pouse no destino pretendido.
Pense na sua carreira dessa forma.
O que mais gostaria de fazer caso não dê para correr atrás do Plano A?
No meio da carreira
Analise sua carreira para garantir que não está estagnada. As mulheres podem viver mais tempo, mas é melhor não desperdiçá-lo.
Seja franca com você: tudo está correndo conforme o planejado?
Faça para si a questão dos dez anos (ver o tópico anterior) e, também, uma para daqui a cinco anos.
Consegue se enxergar no lugar do seu chefe? Caso contrário, por que não sai?
Anote os motivos e os analise.
Serão tais razões fortes o bastante para mantê-la onde você está?
Se forem, estabeleça uma data para voltar a revisá-las – e não se esqueça de fazê-lo.
Algo a impede de progredir na vida profissional?
Descreva o que pode ser feito e como irá enfrentar a questão.
Existe algo, além do trabalho, que gostaria de ter conquistado?
Talvez pretenda tocar um instrumento, fazer parte de um coral, escrever um romance, atravessar o Canal da Mancha a nado ou estabelecer um recorde mundial. Anote três coisas que gostaria de fazer e tente conquistar uma por ano.
Rumo à aposentadoria
Análises da carreira são necessárias em todos os estágios, até mesmo quando nos aproximamos da aposentadoria. Em qualquer caso, defendo um “ajuste na carreira” em vez da “aposentadoria” – espero passar os últimos 15 anos da minha vida profissional lecionando. Mesmo tendo poupado dinheiro suficiente, eu a incentivo a assumir um trabalho voluntário.
Então, agora é a hora de um novo plano!
Anote as três carreiras as quais teria considerado se não tivesse optado pela atual.
Por que não tentar uma delas mais tarde?
O que a detém?
Como pode lidar com esse empecilho?
28 Conjunto de exames para ingresso nas universidades britânicas. (N. do T.)
29 “Grandma Moses is dead at 101: Primitive artist ‘just wore out’”. 14 de dezembro de 1961. New York Times.
30 PREVETT, Hannah. “35 Women Under 35: A vision of enterprise”. 27 de junho de 2011. Site da Management Today.
<http://www.managementtoday.co.uk>.
31 “Obituaries – Mary Wesley”. 1º de janeiro de 2003. Telegraph.
32 ‘Extreme growing up’. Site Age UK. <http://www.ageuk.org.uk>. Visitado em 9 de agosto de 2011.
33 Southend-on-Sea é uma região do condado de Essex, a cerca de 60 quilômetros de Londres. (N. do T.)
34 KINDERSLEY, Tania e VINE, Sarah. 2009. Backwards in High Heels. Londres: Fourth Estate, pp. 60–61.
35 TALITENU, Monique e WOLFSON, Jill. “An interview with Carol Bartz”. Site The Tech Museum.
<http://www.thetech.org >. Visitado em 9 de agosto de 2011.
36 EPHRON, Nora. 2006. I Feel Bad About My Neck. Nova York, NY: Knopf.
37 SHILLING, Jane. 2011. The Stranger in the Mirror. Londres: Chatto & Windus.
38 RUDDOCK, Jill Shaw. 2011. The Second Half of Your Life. Londres: Vermilion.
39 PRUD’HOMME, Alex. “Mastering the Art of Julia Child”. 20 de agosto de 2004. New York Times.
40 MELLOWES, Marilyn. “About Julia Child”. 15 de junho de 2005. Site Public Broadcasting Service. <http://www.pbs.org>.
41 “In pursuit of dreams: Our next 5 question challenge”. Site Women at forty. <http://womenatforty.com>. Visitado em 9 de agosto de 2011.
42 DOYLE-MORRIS, Suzanne. 2009. Beyond the Boys’ Club. Londres: Wit and Wisdom Press, pp. 51–2.
43 “Profile of a Champion Swimmer”. Site de Francesca Halsall. <http://www.francescahalsall.com>. Visitado em 9 de agosto de 2011.
44 MCRAE, Donald. “Fran Halsall: ‘My only bad dreams are where I forget my goggles’ ”. 4 de julho de 2011. Guardian.
45 “Life expectancy”. 30 de setembro de 2010. Site Office for National Statistics. <http://www.statistics.gov.uk>.
46 “The World Factbook – United States”. 12 de julho de 2011. Site da Central Intelligence Agency: <https://www.cia.gov>.
47 MCQUILLAN, Rebecca. “Never too old to change career”. 3 de janeiro de 2011. Herald.
48 BELL, Gina. “How does she do it? Interview with Catriona Welsby of the Women’s Online Business Academy”. 3 de
novembro de 2010. Site do Institute for Aspiring Women in Business Online. <http://www.iawbo.com>.