O fim do envelhecimento
15. Títulos de guerra para a campanha contra o envelhecimento
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Títulos de guerra para a campanha
contra o envelhecimento
Acredito, como sabem, de forma ousada mas firmemente embasada, que há grandes chances de que vocês — os leitores desse livro — vivam o suficiente para poderem experimentar o rejuvenescimento de seu corpo até este ser anos ou até décadas mais jovem, biologicamente, que sua idade cronológica, levando por fim a um verão interminável de juventude literalmente perpétua. Mas essa é uma previsão sobre o que pode acontecer, não o que deve acontecer. Para que fique claro: uma vez que comece a guerra contra o envelhecimento, ela deve ser concluída com nossa vitória, e o futuro de saúde por tempo indefinido será nosso. Mas se esse processo vai começar a tempo de salvar nossos pais, ou somente nós mesmos, ou somente nossos filhos, ou até mesmo somente os filhos deles, depende inteiramente de quando a primeira bomba dessa guerra — o alcance do Rejuvenescimento Robusto de Camundongos (RRC) — vai finalmente cair. Portanto, compreendendo-se isso, a pergunta chave para cada um de nós é: o que farei a respeito disso?
Dado que a guerra contra o envelhecimento pode vir a começar em relativamente pouco tempo, como por exemplo uma década, faz sentido cuidarmos de nós mesmos e de nossas famílias, de forma que não percamos a chegada do rejuvenescimento robusto humano por somente alguns anos. Há muitos fatos científicos bem estabelecidos neste front: comer mais frutas e verduras, ingerir os ácidos graxos essenciais, exercitar-se e manter um peso saudável. Porém, uma forma muito mais efetiva de aumentar suas chances pessoais de ver seu corpo rejuvenescido — e que tem a vital vantagem de também aumentar as chances de sobrevivência daqueles próximos a vocês e de milhares e milhares de outras pessoas que vocês nem sequer conhecem — é apressar o dia em que a batalha começará a ser verdadeiramente travada. Felizmente, existem algumas coisas muito relevantes que vocês podem fazer, hoje, para ajudar a garantir que vidas sejam salvas — novamente, relembro, dezenas de milhares de vidas por dia, possivelmente incluindo a sua própria ou a de seus entes mais queridos. As ações mais instantaneamente óbvias estariam relacionadas a fazer lobby para haver mais financiamento para a pesquisa relativa a rejuvenescimento, e para que ocorra a crucial retirada das restrições ao financiamento federal das pesquisas de células-tronco nos Estados Unidos, escrevendo cartas a seus representantes políticos e demandando mudanças.
Mas uma coisa ainda mais poderosa que podem fazer é doar para a
Fundação Matusalém*.
Vamos recuar um pouco por um momento para lembrar onde estamos atualmente, e ver como podemos afetar nosso futuro.
Lembram-se do impasse que descrevi no Capítulo 13? A razão pela qual os investimentos necessários para adiantar a chegada do Rejuvenescimento Robusto de Camundongos — o primeiro marco fundamental para incentivar o ser humano a iniciar uma batalha completamente de vida ou morte contra o envelhecimento biológico — são tão difíceis de serem obtidos baseia-se em um ciclo mutuamente reforçado de restrições de financiamento politicamente direcionadas, cautela científica excessiva em declarações públicas e solicitações de financiamento, e opinião pública. A forma mais rápida de se sair desse círculo vicioso é criar-se uma fonte independente de financiamento, colocando-se o (aproximadamente) bilhão de dólares necessário diretamente no trabalho direcionado para se alcançar o RRC. Infelizmente, seria muito difícil angariar os fundos necessários para se fazer isso em um curto período de tempo, precisamente por causa do difundido pessimismo engendrado no público por cientistas que temem por suas carreiras em um mundo onde o mencionado impasse existe.
Há duas maneiras plausíveis de se mudar isso, e a Fundação Matusalém encabeça ambas em escala global.
A primeira é apoiar diretamente a pesquisa referente às SENS. Vocês podem fazer isso doando recursos para a Fundação Matusalém, porque somos uma organização de financiamento de pesquisa convencional. Exatamente como os Institutos Nacionais de Saúde (EUA) ou a Fundação Nacional de Ciência (EUA), nossa equipe científica, encabeçada por mim como diretor científico, avalia publicações científicas e resultados de pesquisas e fornece financiamento para professores de todo o mundo. A diferença entre nós e outras agências, evidentemente, é que nos focamos em um objetivo específico e não temos medo de financiar projetos que podem levar bastante tempo para alcançar suas metas.
Ou... que podem nunca alcançá-las. E é por isso que, para minimizar os riscos, temos a segunda estratégia.
Acredito que as SENS são de longe a forma mais promissora de se alcançar logo o RRC, e a seguir, as correspondentes terapias humanas — mas, como qualquer cientista, posso estar errado. Metas tecnológicas muito difíceis, tanto na medicina quanto em qualquer outra área, variam muito em termos de quão confiantes os especialistas do campo em questão estão de que sua abordagem preferida funcionará. Em um extremo, em alguns casos não há quase nenhuma dúvida quanto a como proceder — tudo o que impede o avanço do projeto é a disponibilidade de recursos. O projeto Apollo foi um bom exemplo disso: uma vez que a questão do orgulho nacional liberou o dinheiro necessário, o projeto foi do começo ao fim mais rapidamente do que o Big Dig de Boston (EUA). Mas no outro extremo — o voo motorizado antes de 1900, por exemplo, ou basicamente toda a medicina antes de 1800 — as pessoas têm ideias sobre o que poderia funcionar que ainda são extremamente especulativas, e muitas tentativas fracassam uma após a outra ou essas ideias nem sequer chegam a ser testadas. Testar tudo o que poderia funcionar simplesmente tem um custo alto demais para que qualquer organização financie (até mesmo um governo muito motivado) quando há muitas possibilidades comparativamente plausíveis.
Felizmente, há uma estratégia implementada com sucesso repetidamente ao longo dos anos para solucionar desafios de engenharia deste tipo sem ter que se arrecadar nem uma pequena fração da soma total necessária para se completar o projeto. Esta estratégia é o prêmio de pesquisa.
Prêmios de pesquisa com um objetivo específico têm um longo e ilustre histórico de levar ao desenvolvimento de tecnologias prototípicas efetivas com somente um pequeno investimento de fundos. O famoso voo transatlântico de Charles Lindbergh em 1927, a invenção de John Harrison de uma forma de definir a localização longitudinal de uma embarcação no mar (algo crucial para a navegação bem-sucedida longe da costa), e a dramática corrida extremamente disputada para o primeiro voo suborbital com tripulação humana financiado pelo setor privado que foi impulsionada pelo Ansari X Prize, são exemplos da capacidade de tais prêmios de estimular ousadas inovações tecnológicas.
O que é muito poderoso em relação a esses prêmios de pesquisa é que eles só recompensam algo bem-sucedido. Nenhum dólar do prêmio é dado até que alguém alcance a meta estabelecida por seus criadores. Como resultado, a existência de um único prêmio motiva muitas equipes de cientistas e engenheiros independentes a tentarem ganhar o prêmio — cada uma delas usando uma abordagem diferente, e cada uma delas investindo seu próprio dinheiro independentemente. O resultado é que o fato de se investir dinheiro equivocadamente em abordagens que por fim se mostram malsucedidas não reduz nem em um único centavo o montante do prêmio. No final, aproximadamente entre US$ 10 e US$ 20 acabam sendo investidos pelos competidores para cada dólar angariado para ser colocado no montante de um prêmio de pesquisa — embora cada competidor geralmente arrisque menos dinheiro privado do que aquele que constitui o total da premiação — e o objetivo do prêmio é alcançado com uma despesa para os responsáveis pelo prêmio muito menor do que seria necessária em uma abordagem monolítica do tipo "Projeto Apollo".
Vocês devem estar percebendo aonde esse raciocínio leva.
O Prêmio Camundongo da Matusalém (ou Mprize, nome que "tira o chapéu" para o recente sucesso do X Prize) é um projeto que foi idealizado independentemente na época da virada do século por alguns biogerontologistas (começando com o conceito de Gregory Stock do Prêmio Prometheus) e pelo visionário humanitário de longa data David Gobel. Quando David e eu descobrimos um ao outro, nossos talentos complementares nos permitiram rapidamente transformar o prêmio em realidade. O propósito do projeto é quebrar o impasse que estivemos analisando, usando um prêmio de pesquisa estruturado similarmente ao modelo do X Prize. Contando com o apoio de Peter Diamandis — presidente e diretor-executivo do X Prize — como assessor-chefe, o projeto principal do Mprize é o Prêmio Rejuvenescimento para o maior prolongamento do tempo de vida de camundongos que já sejam idosos — em outras palavras, para o progresso em direção a um rejuvenescimento robusto de camundongos completo.
O Mprize tem o potencial de remover os obstáculos que atualmente restringem as possibilidades dos cientistas no governo e no setor privado de lidar com o envelhecimento como uma doença curável. Para cientistas na academia, ele cria um incentivo para que escrevam as solicitações de pesquisa adequadas, com a esperança de obter mais financiamento diretamente e maior prestígio para suas instituições ao ganhar o prêmio — prestígio que por sua vez tende a atrair mais financiamento de fontes externas.
Mas não é só isso: também é uma vitória quanto ao público geral. O conceito do prêmio, por sua própria natureza, atrai o imaginário popular e proporciona uma forma emocionante de informar ao público e à mídia que cientistas estão trabalhando no prolongamento do tempo de vida saudável de mamíferos. Isso aumenta a credibilidade de quaisquer esforços similares respeitáveis, e facilita a aceitação da ideia de que isso pode ser feito em humanos. Por sua vez, mudanças na opinião pública reduzem as restrições políticas quanto ao financiamento público de projetos desse tipo, e podem até gerar uma pressão ativa para que esses financiamentos sejam realizados antes do RRC ocorrer.
E além disso, o Mprize reorienta os incentivos no setor privado. No presente momento, não há uma motivação específica para pesquisadores do setor privado realizarem estudos quanto ao tempo de vida em ratos: no máximo, eles são um passo intermediário rumo a testes em humanos prolongados e caros. Entretanto, quando uma recompensa financeira considerável — e a perspectiva de bastante publicidade — está em jogo, cria-se uma situação econômica na qual vale a pena gastar alguns anos em vez de alguns meses testando-se um composto em ratos. Se uma empresa startup conseguir rejuvenescer ratos, podem apostar que as gigantes farmacêuticas baterão à sua porta atrás dos direitos de adaptar sua intervenção para uso em humanos.
Assim, o Mprize pode contornar o círculo vicioso que tira o incentivo da pesquisa acadêmica em relação à gerontologia biomédica séria. Mais que isso: ele pode reverter seu sentido, fazendo com que seus mecanismos convergentes de realimentação trabalhem em um novo círculo virtuoso. Resultados científicos impulsionarão o otimismo do público, que por sua vez impulsionará a aceitação no ambiente político, levando a mais investimentos públicos e privados. Esses investimentos por fim levarão — talvez muito rapidamente — ao rejuvenescimento robusto de camundongos mesmo se a abordagem das SENS falhar; e então, a guerra contra o envelhecimento começará para valer.
Comam bem, exercitem-se e apoiem a Fundação Matusalém, e aguardarei ansiosamente o dia em que irei cumprimentá-los em um futuro onde a construção de um envelhecimento negligenciável terá se tornado uma realidade, e onde poderemos desfrutar de vidas extremamente prolongadas em um novo verão de vigor e saúde, com o espectro sombrio da praga do envelhecimento tendo sido afastado pela luz da eterna juventude.
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