O País de Outubro
O Emissário
Era outono de novo, Martin percebeu, pois Cão entrou em casa, correndo, trazendo o vento, a geada, o arom a das m açãs despencadas, agora transform adas em sidra, debaixo das m acieiras. Em espirais de cabelo negro, Cão trouxe virgas-áureas, a poeira de despedida do verão, cascas de bolota, penas de colibris idos, a serragem da lenha recém -cortada, e folhas que pareciam carvão de lenha sacudido das labaredas das aceráceas. Cão saltou. Chuvas de sam am baias partidas, o arbusto da am oreira silvestre, o capim do brej o, tudo isso saltou em cim a da cam a, onde Martin exultava. Não havia dúvida, nenhum a dúvida, de que essa fera, incrível, era... outubro!
— Aqui, garoto, aqui!
E Cão instalou-se, foi aquecer o corpo de Martin com todas as fogueiras, todas as cham uscadas sutis da estação, veio encher o quarto com os odores, débeis ou fortes, úm idos ou secos, das longas viagens. Na prim avera, cheirava a lilás, a íris, ao capim ceifado das relvas; no verão, com um bigode de sorvete, chegava, pungente, com fogos de artifício, pistolões, ventarolas, queim ado de sol. Mas... no outono. No outono!
— Cão, com o é que estão as coisas por aí?
Ali deitado, Cão contou tudo, com o sem pre o fazia. Ali deitado, Martin viu o m esm o outono dos velhos dias em que a doença ainda não o havia em palidecido, acam ado. E aqui estava seu m ensageiro, sua parte ágil, a quem , com um grito, m andava ir circular, farej ar, reunir e entregar o tem po e a textura dos m undos das cidades, dos cam pos, à beira de regatos, rios, lagos, em baixo, em porões, em cim a, em sótãos, em arm ários e carvoeiras. Mais de cem vezes por dia, era presenteado com sem entes de girassol, com o pó dos pátios de hulha, paina-de-sapo, castanha-da-índia, e todo o arom a da cor-de-fogo das abóboras. Cão avançava pelos teores do universo; o traçado escondia-se em sua própria pele. Bastava estender a m ão, e lá estaria...
— E hoj e de m anhã, onde você esteve?
Mesm o sem resposta, Martin sabia que Cão descera as colinas onde o outono dispõe a crespidão dos cereais, onde as crianças dispõem , em piras funerárias, em m ontes farfalhantes, os m ortos atentos, cobertos com folhas, enquanto Cão e o m undo passam fazendo vento. Trêm ulas, as m ãos de Martin procuraram o pêlo grosso para ler a longa viagem . Pelos restolhos dos cam pos, pelos reflexos dos córregos da ravina, pelos restos de m árm ore do cem itério, bosques adentro. Nesta form idável estação das fragrâncias e de raro incenso. Martin, através de seu em issário, corria, vagava pelas redondezas e voltava para casa!
A porta do quarto se abriu.
— Esse seu cachorro está com problem as de novo.
Com olhos rabugentos, a m ãe trouxe-lhe um a bandej a com salada de frutas, coco e torradas.
— Mãe...
— Ele fica cavando buracos por aí. Esta m anhã, cavou um no j ardim da Srta. Tarkin. Ela está babando de raiva. É o quarto buraco, nessa sem ana, que ele cava no j ardim dela.
— Talvez ele estej a procurando algum a coisa.
— Gravetos... Esse cachorro é m uito curioso. Se não se com portar, vou trancafiá-lo.
Martin fitou-a, parecia um a m ulher estranha.
— Por favor, não faça isso! Com o é que eu iria tom ar contacto com as coisas? Com o é que eu iria descobrir as coisas se Cão não as contasse para m im ?
A m ãe falou, com um a voz m ais calm a:
— É isso o que ele faz? Contas as coisas para você?
— Não há nada que eu não saiba quando ele sai, passeia e volta, absolutam ente nada que eu não descubra através dele!
Ficaram os dois a olhar para Cão, para as m anchas de m ofo seco, para as sem entes secas, sobre o acolchoado.
— Bem — ranzinzou a m ãe — se ele parar de cavar onde não deve, pode andar onde quiser.
— Aqui, garoto, aqui!
E Martin afixou um bilhete de lata na coleira do cachorro: MEU DONO É MARTIN SMITH — DEZ ANOS DE IDADE — ACAMADO -VISITAS SERÃO BEM RECEBIDAS.
Cão ladrou. Lá em baixo, a m ãe abriu a porta da rua e deixou-o sair.
Martin ficou a escutar.
Ouviu, lá longe, Cão correr pela chuva calm a do outono, que agora caía. O latido tilintado sum iu, cresceu, sum iu de novo quando Cão atravessou a ruela e, pela gram a, foi apanhar o Sr. Holloway e o cheiro m etálico, oleoso, dos relógios delicados, de interiores fragilíssim os, que consertava em sua oficina caseira. Ou talvez trouxesse o Sr. Jacobs, o dono do arm azém , com roupas im pregnadas de alface, aipo, tom ates e o cheiro secreto, enlatado, oculto, dos dem ônios rubros estam pados em latas de presuntos diabólicos. O Sr. Jacobs, com seus dem ônios de carne rosada, invisíveis, costum ava, com freqüência, acenar lá de baixo, do j ardim . Ou Cão talvez trouxesse o Sr. Jackson,a Sra. Gillespie, o Sr. Sm ith, a Sra. Holm es, qualquer am igo, ou quase am igo, que encontrasse, cercando-o, im plorando, preocupando e, por fim , trazendo-o para casa, com o se tocasse um rebanho, para alm oçar ou para um chá com biscoitos.
Na escuta, Martin ouviu Cão lá em baixo; atrás dele, na chuva fina, passos cam inhavam . A cam painha da porta tocou, a m ãe foi abrir, vozes baixas m urm uraram . Martin sentou-se na cam a, o rosto irradiante. Os pisos dos degraus rangeram . A voz de um a m oçoila sorria, tranqüila. Srta. Haigh, é claro, professora do colégio.
A porta do quarto escancarou-se.
Visita para Martin.
Manhã, tarde, noite, alvorada e penum bra, sol e lua iam e vinham com Cão, que, com fidelidade, inform ava as tem peraturas da relva, do ar, a cor da terra, da árvore, a consistência da neblina, da chuva, e, o que é ainda m ais im portante, sem pre trazia de volta a Srta. Haight.
No sábado, dom ingo e na segunda-feira, a Srta. Haight fez, para Martin, bolinhos de sorvete de laranj a, e trouxe, da biblioteca, livros sobre dinossauros e hom ens das cavernas. Na terça, na quarta e na quinta, Martin, não se sabe com o, derrotou-a no dom inó, ela, não se sabe com o, perdeu no j ogo de dam as, e não dem oraria m uito — dizia a Srta. Haight — e ele a derrotaria, com m uita elegância, no xadrez. Na sexta, no sábado e no dom ingo, conversaram , sem parar, ela tão j ovem , tão risonha, elegante; os cabelos castanhos, m acios, brilhavam com o a estação que passava pela j anela; ela cam inhava serena, lím pida, lépida; ao ouvi-la, um a pulsação calorosa do coração. Acim a de tudo, ela detinha o segredo dos signos, era capaz de ler e interpretar Cão e os sím bolos que investigava e extraía, com dedos m ilagrosos, de seus pêlos. De olhos cerrados, o sorriso tranqüilo, com voz de cigana, ela adivinhava o m undo a partir dos tesouros que tom ava nas m ãos.
E, na segunda-feira, à tarde, a Srta. Haight m orreu.
Martin sentou-se na cam a, devagar.
— Morta? — balbuciou.
Morta, a m ãe confirm ou. É, m orta num desastre de autom óvel a uns dois quilôm etros daqui. Morta, pois é, o que, para Martin, significava frio, significava silêncio, alvura, e que o inverno chegava antes do tem po. Morta, silente, fria, alva. Os pensam entos giraram , prostraram -se e fizeram -se sussurros.
Pensativo, Martin segurou Cão; virou-se para a parede. A senhora dos cabelos da cor do outono. A senhora do riso tão delicado, que nunca zom bava, dos olhos que lhe observavam a boca para ver tudo o que você dizia. A outra cara-m etade do outono, esta senhora, que dizia o que Cão deixava de dizer, sobre o m undo. A pulsação no centro inerte da tarde cinzenta. A pulsação desfalece...
— Mam ãe, o que as pessoas fazem no cem itério, debaixo da terra? Ficam j ogadas lá?
— Ficam deitadas.
— Deitadas? É só isso o que fazem . Não deve ser m uito divertido.
— Pelo am or de Deus, não é para ser divertido.
— Por que as pessoas não pulam e correm de vez em quando, quando se cansam de ficar deitadas? Deus é m uito bobo...
— Martin!
— Bem , eu pensava que ele tratasse m elhor as pessoas, do que deixá-las lá, deitadas, para sem pre. Não, não é possível. Ninguém consegue ficar assim ! Eu tentei um a vez. Cão tam bém . Eu digo "Morto, Cão" e ele se finge de m orto por um instante. Depois, se chateia, se cansa, abana o rabo, abre um olho e m e olha, entediado. Caram ba, aposto que aquele pessoal do cem itério faz a m esm a coisa, não é, Cão?
Cão latiu. A m ãe insistiu:
— É m elhor você parar com essa conversa! Martin deixou o olhar vagar pelo espaço.
— Aposto que é isso m esm o que o pessoal faz!
O outono queim ou, desnudou as árvores, e Cão foi ainda m ais longe, pelos vaus dos regatos, a rondar o cem itério, com o de hábito, e detonar, na volta, um a saraivada de latidos que fazia vibrar as j anelas dos lugares por onde passava.
Nos últim os dias de outubro, Cão com eçou a agir com o se o vento tivesse m udado, com o se agora soprasse de um a terra estranha. No andar de baixo, ficava a trem er na varanda. Gania, os olhos fixos na terra vazia, por trás da cidade. Não trazia m ais visitas para Martin. Dia após dia, ficava parado, trem endo, e disparava em Unha reta, com o se alguém o tivesse cham ado. Noite após noite, retornava m ais tarde, e ninguém a segui-lo. Noite após noite, Martin afundava-se cada vez m ais no travesseiro.
A m ãe dizia:
— Ora, as pessoas andam ocupadas, andam sem tem po para reparar no bilhete afixado no Cão. Ou então, quem sabe, talvez queiram vir fazer um a visita, m as se esquecem .
Mas havia m ais do que isso. Havia brilho febril nos olhos de Cão, o ganido noturno, choram ingado, em algum sonho íntim o. O trem or na escuridão, debaixo da cam a. E o j eito com que ele passava boa parte da noite, olhando para Martin, com o se ocultasse algum segredo, im enso, im possível, sem m eios de contá-lo, a não ser abanando o rabo furiosam ente, dando voltas infindáveis, sem nunca se deitar, girando, girando novam ente.
No dia trinta de outubro, Cão saiu e não voltou, nem m esm o quando, depois da ceia, os pais de Martin o cham aram por diversas vezes. Ficou tarde, as ruas e calçadas esvaziaram -se; frio, o ar passava por cim a da casa, e não havia nada, nada.
Bem depois da m eia-noite, além das j anelas de vidro, frias, claras, Martin observava o m undo, deitado. Agora, nem m esm o o outono existia, pois Cão não estava lá para ir apanhá-lo. E não existiria inverno, pois quem iria apanhar a neve e entregá-las nas m ãos, derretendo? Meu pai? Minha m ãe? Não, não era a m esm a coisa. Eles não conseguiriam seguir as regras, os sons, a pantom im a especial do j ogo. Não existiriam m ais estações. O tem po não m ais existiria. O interm ediário, o em issário perdera-se no acotovelam ento da civilização, envenenado, roubado, atropelado por algum carro, abandonado nalgum canto, num bueiro...
Aos soluços, Martin enfiou o rosto no travesseiro. O m undo era um quadro, com um a proteção de vidro. Intocável. O m undo estava m orto.
Martin virou-se na cam a; em três dias, as últim as abóboras da Véspera de Todos os Santos apodreceram nas latas de lixo; as caveiras e as feiticeiras de papier-m achê, queim adas em fogueiras; os fantasm as, em pilhados nas prateleiras com o resto da roupa branca.
Para Martin, a Véspera de Todos os Santos fora apenas um a noite, a noite em que as com etas de lata bradaram às estrelas do outono frio, em que as crianças eram sopradas, com o se fossem folhas de duendes, pelas calçadas de pederneiras, enfiando as cabeças, ou os repolhos, nas varandas, escrevendo, com sabão, nom es e outros sím bolos m ágicos nas j anelas salpicadas de gelo. E tudo tão distante, tão im penetrável, trazendo pesadelos, com o um show de m arionetes que, visto de tão longe, não produz sons ou significados.
Em novem bro, por três dias, Martin observou luz e som bra, alternadas, polvilharem o teto. Acabara-se o espetáculo de fogo, para sem pre; em cinzas frias, j az o outono; Martin afundou-se m ais, e m ais, nas cam adas de m árm ore branco, da cam a, im óvel, na escuta sem pre, na escuta...
Na sexta-feira à noite, com um beij o, os pais despediram -se de Martin; passariam pelo clim a sem pre secreto da catedral e seguiriam para o cinem a. A Srta. Tarkin, a vizinha do lado, ficou na sala de visitas, lá em baixo, e quando Martin avisou-a de que estava com sono, ela se foi com o tricô.
Deitado, em silêncio, Martin acom panha, no céu claro, de luar, o am plo m ovim ento dos astros; lem bra-se de noites com o essa, em que percorria a cidade. Cão seguia na frente, atrás, ao lado, em volta, na trilha da ravina de pelúcia verde, m argeando regatos sossegados, leitosos ante a plenitude da lua, saltando as lápides do cem itério e, ao m esm o tem po, balbuciando os nom es inscritos nas pedras de m árm ore; em frente, sem pre em frente, rápidos, atravessavam capinzais ceifados, onde o único m ovim ento era o acende-e-apaga, o piscar das estrelas, e adentravam ruas em que as som bras não lhes davam passagem , aglom eradas nas calçadas por m uitos quilôm etros. Agora, corre, corre! Perseguiam , eram perseguidos, pela fum aça ardida, pela neblina, pelo orvalho, pelo vento, pelo fantasm a do espírito, pelo m edo da rem iniscência; em casa, sãos e salvos, agasalhados, em sono profundo...
Nove horas.
Badalo. O relógio indolente no vão profundo da escada, lá em baixo. Badalo.
Volte, Cão, e leve o m undo com você. Cão, traga um cardo coberto de gelo, ou traga apenas o vento. Cão, onde você está? Agora escute, vou cham ar.
Martin prendeu a respiração.
Nalgum lugar, bem distante... um ruído.
Martin ergueu-se, trêm ulo.
Um ruído tão baixinho, com o se fosse a ponta de um a agulha fina a esfregar no céu, a quilôm etros, de distância.
O eco visionário... de um cão que ladra.
O ruído de um cão que atravessa os cam pos, as fazendas, as estradas de terra, as trilhas dos coelhos, correndo, correndo, exalando fartos latidos de vapor, rachando a noite. O ruído de um cão, em círculos, que vai e vem , se levanta e definha, que desabrocha e m urcha, que segue em frente e volta, com o se o anim al estivesse, nas m ãos de alguém , preso por um a corrente fantástica, de tão com prida. Com o se o cão estivesse correndo, e alguém , cam inhando, assobiasse debaixo das castanheiras, na som bra de m ofo, na som bra de alcatrão, na som bra do luar, e o cão desse m eia volta e voltasse para casa em desabalada carreira.
Martin pensava.
— Cão! Puxa, Cão, volte para casa, garoto! Escute, escute, por onde você andou? Vam os, garoto, deixe pistas!
Cinco, dez, quinze m inutos; perto, m uito perto, o latido, o ruído. Martin gritou, proj etou os pés para fora da cam a, debruçou-se na j anela. Cão! Escute, garoto! Cão! Cão! Repetiu, repetiu. Cão! Cão! Cão m alvado! Saiu e passou todo esse tem po fora! Cão perverso, m eu bom Cão, para casa, garoto, depressa, e traga tudo o que puder!
Bem perto, agora, bem perto, lá no com eço da rua, latindo, batendo nos sarrafos de m adeira das entradas das casas, fazendo ruído, girando galos de ferro nos tetos, sob a lua, irrom pendo num a saraivada... Cão! Na porta, lá em baixo...
Martin sentiu um arrepio.
Deveria correr, abrir a porta para Cão, ou esperar m am ãe e papai? Esperar? Meu Deus, esperar? Mas, e se Cão fugisse de novo? Não, ele desceria, esticaria à m ão, escancaria a porta, gritaria, puxaria Cão para dentro, e subiria as escadas correndo, rindo, chorando, apertando aquele...
Cão parou de latir.
Ei! Martin quase quebrou a j anela, sacudindo-a.
Silêncio. É com o se alguém tivesse ordenado: Cão, esconda-se, esconda-se.
Um m inuto se passou. Martin fechou os punhos.
Lá em baixo, um choram ingo, baixinho.
Então, devagar, a porta da frente se abriu. Alguém , m uito gentil, abrira a porta para Cão. Claro! Cão trouxera o Sr. Jacobs, ou o Sr. Gillespie, ou a Srta. Tarkin, ou...
Lá em baixo, a porta se fechou.
Cão subiu as escadas correndo, ganindo, e pulou na cam a.
— Cão! Cão! Onde você esteve, o que você andou fazendo? Cão! Cão!
E Martin apertou Cão com força, por m uito tem po, contra o peito, chorando baixinho. Cão, Cão. Martin ria, gritava. Cão! Um instante depois, porém , parou de rir, de chorar de repente.
Afastou-se. Segurou o anim al, fitou-o, os olhos dilatando.
Cão exalava um cheiro diferente.
Um cheiro de terra estranha. Um cheiro de noite dentro da noite, um cheiro de escavação profunda, num a terra contígua a coisas ocultas, há m uito, apodrecidas. Grãos de terra fedorentos, repugnantes caíram dos focinhos, das patas de Cão, em torrões dissolvidos. Cão escavara fundo. De fato, m uito fundo. Foi lá, não foi? Não foi? Não foi?!!.
Que m ensagem trazia Cão? Que significado teria? O fedor — a terra velha e horrível do cem itério.
Cão era um cachorro m al-com portado. Cavava onde não devia. Cão era um cachorro bonzinho, sem pre fazia am igos. Cão gostava das pessoas. Cão as trazia até aqui.
E agora, pelo vão escuro da escada, em intervalos, subia o ruído de pés se arrastando, um , depois o outro, com dificuldade, lentos, lentos, lentos.
Um arrepio percorreu Cão. Um a chuva de terra estranha, da noite, caiu em cim a da cam a, revolvendo-se.
Cão virou-se para a porta
A porta entreabriu, sussurrante.
Visita para Martin.