O Segredo de Sarah
Capítulo Cinco
Senti mãos segurarem meus ombros. Eu queria olhar para ver quem era, mas me sentia fraca, e minhas pernas estavam dormentes. Eu não as sentia, estava exausta.
Quem me segurava eram duas das irmãs. Eu não as conhecia, não sabia seus nomes, já as havia visto pelos corredores, mas era só isso. Elas me colocaram na cama, então eu senti uma dor dilacerante em minhas pernas. Eu não sabia se eu ainda estava ajoelhada ou se já estava sentada, não sabia se havia se passado duas ou dez horas. Uma das irmãs começou a passar um pano úmido nos meus joelhos, ardeu muito, tentei levantar, mas eu estava cansada, então desisti de tentar e me entreguei ao escuro.
Abrir meus olhos devagar, não tinha ninguém no quarto comigo. Sentei-me na cama e senti meu corpo enrijecer. Faixas encardidas cobriam meus joelhos, retirei-as rapidamente. Dentro de mim eu pedia por minhas pernas, eu precisava delas para dançar. Meus joelhos estavam esfolados, não parecia ser grave, me levantei e tentei dar uma pirueta, eu o fiz mais doeu muito, então me sentei novamente. Eu queria sair do quarto, tomar banho, mas tinha medo de ser castigada, e só naquele momento eu me dei conta de que os castigos poderiam levar muito mais que minha disposição e dignidade.
Optei por ficar ali deitada olhando o teto e rezando por um analgésico, então minha mãe veio em minha cabeça de novo.
Era domingo de tardinha, estávamos nos arrumando para a missa, minha mãe já estava pronta com seus terninhos elegantes, meu pai estava de terno como sempre, e Maria tentava a todo custo me colocar dentro de um vestido. Eu corria, tentava me esconder, minha cabeça doía muito, era quase impossível ficar em pé. Eu deveria ter uns dez anos. Maria me olhava com aqueles olhos piedosos, mas não dizia nada. Ela nunca tomou um partido. Consegui me soltar dela e sair correndo do quarto, encontrei meus pais na sala, corri para os braços do meu pai e lhe disse chorando:
— Minha cabeça dói, tá doendo muito...
— Já passa, filha, espere um pouco.
— Por favor, pai.
Então minha mãe se levantou nervosa e saiu da sala. Trancou-se no quarto, meu pai ficou dividido entre cuidar de mim e apoiá-la, por fim, ele me levou à cozinha e me fez um chá. Era camomila, então ele me deixou, fiquei ali imaginando por que minha mãe se irritava tanto comigo, nem meus pensamentos conseguiram uma resposta.
Maria foi ao meu encontro e me deu gotinhas de um remédio amargo, foi o primeiro de muitos que ela me deu, mas a condição era que eu nunca falasse a ninguém sobre aquilo.
Minha cabeça sarou em meia hora. Minha mãe ficou trancada no quarto por dois dias.
Como eu queria a Maria ali, com seu remédio secreto e amargo.
Acho que dormi de novo, acordei com a Irmã Gloria. Ela estava em pé diante da minha cama, com a cara de feliz de sempre. Já estava quase fazendo ela engolir aquele sorriso
Meu corpo já não doía mais, era Deus operando milagres, me levantei sem dificuldades, dispensei até a ajuda da irmã risadinha. Ela pediu para que eu a seguisse e, sem surpresa, chegamos ao banheiro. Tomei banho, me troquei, escovei os dentes, e em seguida fomos para o refeitório. Eu não fazia ideia de que horas eram, não havia ninguém no refeitório.
A irmã buscou uma bandeja na cozinha com frutas, café com leite e, pasmem, até um ovo cozido. Comi tudo, migalha por migalha e, no final, lambi os dedos. Sentia melhor, e com uma disposição que não sentia havia meses. Eu estava renovada.
A Madre me esperava em sua sala, o rosto sereno e frio de sempre, não demonstrava um sentimento.
— Você está bem, Sarah?
— Sim, mas ainda estou sem saber o que houve.
— Você ficou por dois dias ajoelhada naqueles grãos. Você estava ali em corpo, mas sua alma estava longe, quando percebemos que você estava se machucando, retiramos seu corpo de lá. Você dormiu por mais dois dias. Sarah, estamos muito impressionados com o que vimos, você é uma fortaleza, tua fé é tão grande que ultrapassa o limite da dor, e posso arriscar, até da vida.
A Madre caminhou até a janela e ficou por um tempo olhando a paisagem à sua frente.
— Precisamos explorar mais sua fé, menina
— Sou como qualquer uma, Madre, não há nada de especial em mim.
— Você vai descobrir que está enganada. Agora vá! — Ela parecia brava, impaciente. — Sarah, seus pais virão lhe visitar hoje.
Ela sinalizou para que eu saísse de vez.
Fiz minhas tarefas com muita facilidade, como se aquela fosse a primeira vez. Senti olhares estranhos para mim durante toda a manhã. Apesar de estar ali, minha cabeça estava na escola. Quatro dias sem aparecer, me doía só de pensar o que eu havia perdido, o quanto Lidia e Linda estavam aflitas, como eu me explicaria para a direção, e como eu estava sentindo a falta do Lex. Cada segundo dos dias que se passaram, mesmo estando dormindo, eu precisava vê-lo, era uma mancha em minha cabeça. E ainda tinha a visita dos meus pais, eu estava com muita saudade, não via a hora de vê-los, tocá-los, ouvi-los, eu os amava tanto, ou melhor eu os amo muito.
Logo depois do almoço, Irmã Gloria me entregou uma vestimenta negra e pediu para que eu a encontrasse na capela. Permitiu que eu tomasse banho e colocasse água de cheiro.
Meus pais me esperavam.
Empenhei-me em me arrumar, eu queria que meu pai me visse saudável, corada, bonita, mas não tinha muito tempo. Na capela, um grupo de jovens esperavam junto com a Irmã Gloria, dei uma esticada no pescoço para avistar meus pais, mas não os encontrei em lugar algum. Percebi que tinha mais freiras jovens trajando preto junto às moças, elas conversavam, Irmã Gloria caminhou até mim e, sorrindo, disse:
— Essas moças serão nossas futuras noviças, geralmente elas não fazem visitas, mas por pedido de uma delas, achamos de bom grado que você compartilhasse suas experiências.
— E meus pais?
— Isso é mais tarde, querida...
Foi um alívio ouvir aquilo, ou eu não saberia o que fazer com aquela saudade que eles acordaram. Foi quando uma voz familiar chamou minha atenção
— Irmã?
Olhei para ver Lidia abrindo caminho entre as demais jovens. Ela estava usando um dos meus vestidos, estava sem maquiagem e sem seus brincos de argola, mas ainda assim era a mais bela do recinto.
— Você poderia conversar comigo?
Seu tom era baixo, e se eu não a conhecesse tão bem, diria até que se tratava de outra pessoa. Irmã Gloria nos deixou à vontade e se afastou uns dois metros. Nos sentamos em um dos bancos da capela, Lidia segurou minhas mãos e disse bem baixo:
— Onde você estava?
— Dormindo. — Ela fez cara de brava.
— Engraçadinha! O que houve?
— Apenas não estava muito bem
— Estamos todos aflitos. Me desculpa ter vindo aqui, posso te esperar hoje?
Neste momento, a irmã se aproximou novamente, então eu segurei as mãos dela e disse sorrindo
— Claro que pode esperar, não tenha presa...
Conversamos com as moças por mais uma meia hora, sempre trocando, nunca ficando mais que cinco minutos com uma apenas, devia ser a tal da intimidade, quem tem intimidade com alguém em cinco minutos?
Despedimo-nos na frente do convento, Lidia deixou aquele lugar com um sorriso bonito nos lábios. Pelo menos ela estava tranquila.
Meus pais chegaram umas duas horas depois disso. Eu os recebi na mesma capela, continuei com o mesmo hábito preto. Quando os vi entrar, corri na direção deles e os abracei. Eu não deveria fazer aquilo, mas foi rápido e ninguém viu. Me recompus, ajeitei o crucifixo em minhas mãos e os convidei a sentar. Meu pai estava do mesmo jeito, as mesmas roupas sociais, o mesmo penteado e a seriedade de sempre.
— Oi, pai — disse rindo
— Oi, Sarah — respondeu
Minha mãe, no entanto, estava diferente, ela estava linda, o corte Chanel já era, ela havia diminuído o corte do cabelo com algo mais moderno, e seu rosto estava iluminado. Sua maquiagem estava mais clara, minha mãe usava um vestido lindo, era branco com flores que iam caindo até tomar toda a saia do vestido longo que a deixava bem mais alta. Eu nunca a havia visto tão bonita. No entanto, o humor parecia o mesmo. Não sorria nem demonstrava afeto. Abraçou-me como se abraça um desconhecido.
— Você está bem, Sarah? Como estão te tratando aqui, minha filha? — ela perguntou
— Estou bem, muito bem...
Confesso que esperava muito daquele encontro. Quando vi minha mãe transformada, eu imaginei que as coisas estavam diferentes, que mudanças haviam acontecido, mas no decorrer daquele encontro percebi que os dois estavam iguais, os sentimentos não haviam mudado, os conflitos não haviam sido superados, a embalagem era outra, mas o conteúdo era o mesmo. Senti-me triste com aquilo, esperava ver minha mãe um pouco mais feliz, eu sempre soube que o problema da vida dela era eu, talvez ela não soubesse lidar com o fato de ter uma filha, mas eu estava longe, por que ela ainda estava tão triste?
As horas que eu imaginei que voariam, se arrastaram, aquela tarde foi quase infinita, eu queria fugir dali. A tristeza que minha mãe exalava me intoxicava, então me vi inquieta no banco, minhas pernas balançavam descontroladamente, cada balançada era um minuto a menos para esperar, e em alguns momentos aquilo acabaria. Eu nem os escutava mais, minha cabeça estava longe, vagueando em lugares felizes.
Irmã Gloria apareceu na capela, e esse era o sinal que o encontro estava no fim. Eu nunca tinha ficado tão feliz por vê-la. Meu pai terminou um assunto que eu não fazia ideia do que era. Se eu tivesse prestado atenção ao que meu pai disse naquele dia, talvez algumas coisas tivessem feito sentindo, mas foi mais forte que eu.
— Tenho que ir, pai, mãe, sua bênção...
— Espera, Sarah — pedia minha mãe, ela estava vindo em minha direção, um meio sorriso apareceu em seu rosto, deixando-a levemente jovem, ela então me abraçou e beijou meu rosto, foi terno e incrivelmente bom. — Eu amo você, filha, Deus lhe abençoe.
Então eu percebi que precisei de alguns segundos para ter o encontro perfeito, com meus pais.
— Eu te amo, mãe — respondi chorando. A noite não demorou a chegar. Jantamos, cuidamos da nossa higienização, e formos autorizadas a entrar. Peguei-me mais uma vez agitada, esperando aquelas horas intermináveis passarem, eu já estava presa havia quatro dias, sentia-me sufocada, apertada em uma caixa, eu precisava sair dali. Com tudo isso, ainda tinha aquela vontade de ver o Lex. Eu estava com saudade, queria olhar para ele de novo, quem sabe ouvir um boa noite, mas não conseguia pensar em um motivo para ir à diretoria. Minhas faltas seriam justificadas junto à secretaria da escola. “Para a diretoria, só assuntos de extrema importância”. Talvez, se eu passasse sem querer na frente, ou se eu... Por mais que eu pensasse, eu não conseguia imaginar um motivo para ir ver o Lex, e já se aproximava das sete e meia, Lidia estava à minha espera.
Encontrei Lidia aflita perto do muro. Ela estava muito bela. Diferente de mais cedo, ela estava maquiada e com suas roupas exuberantes. Sorriu largo quando me viu, e me abraçou, entramos no carro e o interrogatório começou.
— O que houve, Sarah? — perguntou.
— Fiquei doente, Lidia — resumi a história.
— Por que você não tentou me avisar?
— Não tem como, Lidia.
— Tenho que providenciar um celular para você.
— Não viaja... — Sorrimos, e o assunto se perdeu.
— Tenho tanto a te contar. Você acredita que o Vicente me pediu em namoro, e vamos junto a uma festa hoje?
Então Lidia não parou mais de falar. Chegamos ao campus e ela ainda estava na parte do segundo encontro. Desliguei-me dela para sentir aquele lugar de novo, matar a saudade. Confesso que quase tudo que eu sentia de ruim passou assim que cheguei na escola, até as perninhas pararam de tremer. O tempo? Ah! Esse poderia demorar bastante, eu estava dançando, vivendo, eu estava feliz, mas àquela hora relativa passou numa rapidez que nem minha saudade foi capaz de matar. Já estávamos entrando no terceiro horário, eu sabia que meu coração estava ainda mais inquieto por que eu esperava ver o Lex, mas já estava quase no fim do turno e ele não havia dado as caras. Nem quando eu fui na secretaria — minha última esperança —, ele apareceu.
A última aula foi sensacional. Aquele dia não poderia ter acabado melhor. Manuela, a professora de dança moderna, fez uma aula aberta. Ela passou uma vez a coreografia com a turma, e então pôs a música. Quem errasse, sairia. A música era um funk, não era meu estilo, mas admito que aquele balanço nos contagiou. O corpo dançava sozinho, mesmo quem perdia a vez ficava do canto sentindo o tum-tum do som. Eu nem sabia que era tão boa com coreografias. Parecia que eu já tinha dançado aquela música uma vida inteira, foi ótimo.
Quando acabou, eu estava exausta, descemos para o estacionamento, Lidia me esperava sempre lá, infelizmente nem sempre tínhamos a mesmas aulas. Antes de alcançar a saída uma música chamou minha atenção, era um bolero, um lindo bolero, eu tinha certeza que se tratava do Vicente — ele e essas regras —, mas quando cheguei na sala, encontrei o Lex. Escondi-me entre as araras com roupas que estavam ali. Ele estava lindo de viver. Ao seu lado, Allegra brilhava como uma estrela. Eles dançavam maravilhosamente, pareciam feitos para aquilo, cada passo exalava sensualidade e beleza; ela sorria para ele, e os dois olhavam um para o outro, estavam entregues à dança. Lex a segurava, a conduzia com paixão; eu quis ser ela, quis estar ali em seu lugar e poder ser conduzida por ele. Senti lágrimas quentes escorrerem por meu rosto, limpei-as imediatamente, eu precisava sair dali o mais depressa possível. Eu tentei, mas a fita da minha saia enroscou em um dos cabides das araras e tudo veio abaixo junto comigo. Fiquei feliz por tê-los interrompidos, mas não queria que tivesse sido daquela forma.
Lex, como sempre, correu para me ajudar, estendeu-me suas mãos e me levantou.
— Você está bem? — perguntou aflito.
— Sim, estou — respondi.
— O que você estava fazendo aqui?
— Eu queria assistir a vocês dois, mas não queria interromper. — Fui sincera e fiquei ali olhando para ele com cara de fracasso, mentir que havia entrado na sala errada estava fora de cogitação, até por que não sei mentir.
— Preciso ir, vocês são ótimos juntos — disse engasgando, e saí correndo antes que minha cara derretesse de vergonha e ciúmes.
Deixei a sala cismada, será que ele havia notado meu desespero? Muitas partes de mim ficaram naquela sala com eles, a minha autoestima e meu ânimo foram só duas dessas muitas partes. Foi só olhando para a Allegra que percebi minha insignificância. Não que isso me incomodasse até então. Beleza nunca havia sido algo de muita importância para mim, a vaidade era uma característica que não me pertencia, mas naquele instante, eu queria poder ficar tão bem em um collant branco, eu me arriscaria na boca vermelha e na maquiagem carregada; naquele momento, eu queria ser tão bela quanto ela, pra que ele me notasse, me chamasse para dançar e, talvez, me achasse alguém beijável.
— Sarah...
Era Lex. Ele parecia cansado, tinha uma toalha jogada sobre o ombro e os cabelos úmidos de suor. Estava muito bonito.
— Oi — respondi.
— Você está bem mesmo?
— Sim, estou.
— Tá indo para o estacionamento, posso te acompanhar?
Eu pensei em recusar, mas seria bom ter mais momentos com ele para ter com o que sonhar durante a noite. Sabia que eu deveria ficar longe dele, mas sonhar em tê-lo não haveria de ser pecado
— Pode, claro — respondi secamente.
— Você andou faltando.
— Você notou? — perguntei, não sei por quê.
— É meu dever, sou o diretor — disse, como se fosse normal tudo aquilo.
— Escuta, Alexandro, eu já me expliquei junto à secretaria, não há nada de errado, apenas uma gripe.
Chegamos ao estacionamento, e Lidia não estava, minha esperança era a que Lex fosse embora e me deixasse com meus transtornos.
— Você vai sair? — perguntou.
— Não — respondi inocente.
— Mas você mora aqui?
Então percebi que eu estava tão distraída sentindo ciúmes dele, que contaria até que estava indo para o convento dormir, mas era sexta-feira à noite, ninguém ficava em casa.
— Vou sair com um rapaz — disse tranquila.
— Não sabia que tinha namorado.
— Não é, apenas um cara bonitão, sabe atlético, ele bem que se parece com aquele cara do filme, Três metros acima do céu, o H, sou louca nele, no personagem...
— Eu o conheço? — interrompeu ele.
— É um filme espanhol...
— O cara, Sarah...
— Não sei, isso não é importante.
Então percebi que estava mentindo, eu não fazia ideia de quem era aquele que eu estava descrevendo. Tá! Eu bem sabia quem era o H, mas não conhecia ninguém parecido com ele. Ao longe, Allegra surgiu. Ela estava usando jeans e corpete, o salto a deixava fina e ainda mais bela, os cabelos negros beiravam a sua cintura e brilhavam com o bater da luz, então eu me lembrei de alguém tão lindo quanto ela, e que me lembrava bastante o H, ele seria um namorado perfeito para qualquer moça.
— Caíque, acho que é Caíque Reiffe.
Lex me olhou por um tempo, parecia espantado com aquilo, como se eu não fosse capaz de ter um homem lindo como meu admirador. Eu quis brigar com ele, porque ele precisava ouvir que eu não era assim de se jogar fora, mas Allegra estava perto demais. Ela passou por mim como uma miss, mas sem o aceno amigável, foi direto para o Bugatti Vyron preto que estava atrás de mim.
— Vamos, Lex, estou com presa — gritou do carro.
Lex ainda me encarava sério. Ele não falou o que estava pensando. Ao decorrer desses anos, percebi que se ele tivesse falado, teríamos evitado desgastes, porém, se eu não tivesse mentido, eu também não teria sido castigada. Mas a vida da gente, eu acredito, é um livro escrito, não há espaço para anotações. Tudo o que fazemos hoje, é fonte de alimento para o que vem em seguida, seja amanhã, seja daqui a uma hora. Não se deve tentar voltar e fazer de novo. Somos fruto de um passado muito bem escrito, e se você ainda não se tornou a pessoa que quer ser, é porque a página mais importante ainda não foi lida.
Continuei ali parada, com a bunda encostada no carro, pensando nas coisas estranhas daquela noite, enquanto Lex se afastava. Ele cuspiu um boa noite muito sem vontade e se foi com a morena mais linda que eu já tinha visto. Esperei Lidia por mais alguns minutos, mas ela não apareceu. Subi para o dormitório e a encontrei se trocando.
— Oi, Sarah, eu esperei por você, mas desisti, então imaginei que me procuraria aqui. Realmente temos que providenciar um celular para você — disse ela, enquanto abotoava o sutiã preto. — Espera um pouco, e eu levo você.
— Eu vou à festa — disse.