Olhos de Mariana

Fred Elboni · Capítulo 13 de 14

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Olhos de Mariana

Capítulo 13

 

Uns tempos se passaram, mas o dia do enterro do seu Jair ficou na minha memória, pois foi muito especial para mim e para a minha família. A morte dele, aliás, mexeu comigo de uma maneira muito especial, assim como todos os últimos acontecimentos da minha vida.

Aquele bilhete, aquele quadro – que agora estava pendurado sobre a minha cama – me fizeram pensar muito e refletir sobre o que fazer da minha vida daquele ponto em diante. Se agora eu tinha dinheiro e um emprego estável, e tudo estava equilibrado por um lado, por outro eu estava infeliz, pois trabalhar como secretária não queria dizer nada. Faltava a arte, a pintura na minha vida.

Porém, minha condição anterior também não era boa, quando eu apenas pintava. Eu precisava conciliar as duas coisas. Só que eu já tinha uma ideia de como resolver aquilo. Liguei para minha amiga Poliana, que era professora de matemática.

– Oi Poli, tudo bem?

– Oi Mari, como você está? Menos triste depois de tudo?

– É, com o tempo a gente vai se acostumando, mas eu vou sentir muita falta dele.

– Eu imagino. Você voltou a pintar?

– Sim, voltei, mais como terapia até.

– Que bom. Isso faz bem pra você.

– Poli, eu te liguei porque estava pensando aqui uma coisa. Você dá aulas de matemática em uma escola, não é?

– Sim, no ensino médio.

– Por acaso não estão precisando de uma professora de artes lá? – Olha! Adorei sua ideia, Mari! Eu vou perguntar agora mesmo. E se não tiver na minha escola, eu conheço várias outras em que a gente pode oferecer seu trabalho.

De repente, a outra linha do celular começou a tocar. – Poli, eu te ligo daqui a pouco. Tem outra ligação aqui!

– Tá bom! Beijo!

Fui verificar quem era e... para minha surpresa, era o Ricardo! O marchand que, fazia muito tempo, tinha uns quadros meus com ele, para tentar vender. Atendi.

– Alô, Ricardo?

– Oi Mariana, tudo bem?

– Que surpresa! Quanto tempo.

– Pois é! Uma surpresa pra mim também, sabe por quê?

– O que foi?

– Vendi um quadro seu!

– Mentira!!

– Juro.

– E o comprador faz questão de conhecer você pessoalmente. Você pode vir aqui amanhã, na hora do almoço, na galeria?

– Nossa, que coisa inusitada! Posso sim. Meio-dia está bom?

– Está sim. Esperamos você. Aí eu já te entrego o cheque, inclusive.

– Poxa, que maravilha!

– Beijos!

– Beijos, até amanhã!

Ao desligar aquela ligação, senti uma energia diferente. Era uma sensação diferente, mas incrivelmente familiar. Parecia que eu estava voltando a ser... eu!