Olhos de Mariana
Capítulo 14
Já estava perto da hora de sair para ir até a galeria de Ricardo, o marchand que tinha vendido um quadro meu, e vi que um temporal caía lá fora. Peguei meu guarda-chuva listrado e saí para a rua, para ficar esperando o Uber chegar no lugar marcado.
Cheguei com dez minutos de atraso, e já fui me desculpando com ele e culpando o trânsito, que piora muito nos dias de chuva.
– Não tem problema, Mariana. O comprador também acabou de chegar. – Ah, que ótimo que eu não fiz ele esperar tanto tempo.
– Olha, aqui está o cheque. Falei para ele fazer um depósito, mas o cara fez questão de pagar dessa maneira – ele me falou, entregando um envelope, que eu pus na bolsa sem nem ver o valor. Era um acontecimento tão inusitado que qualquer dinheiro que entrasse com aquele quadro seria menos relevante do que o fato de eu ter vendido uma obra. – Obrigada Ricardo! Puxa, que bom! E onde está o tal comprador?
– Ah, está na sala do fundo, vendo os outros quadros expostos. Vai até lá e fala com ele.
– Tá bom.
Deixei minha bolsa e meu guarda-chuva na cadeira ao lado da mesa de Ricardo e me dirigi ao fundo da galeria. Quando cheguei lá, um homem estava lá, em pé diante de um quadro e de costas para mim. Mas ele ouviu meus passos e se virou.
– Você?!
– Oi Mariana!
Eu não sabia se ficava feliz ou espantada. Ou se me sentia um pouco enganada.
– Você comprou meu quadro?
– Comprei.
– Por que você fez isso?
– Porque eu queria sua arte. Porque eu queria te ver. Porque eu queria você.
– Putz...
– Putz?
– Putz sim...! Eu também queria te ver.
– Só?
– Não, eu também queria você.
Ele veio andando na minha direção, me pegou pela cintura e me beijou. E foi como o nosso primeiro beijo. Não. Foi melhor. Porque eu sabia que existia um jeito da gente ficar junto.
– Fica comigo, Mariana? Eu prometo que não vou tentar mudar o seu jeito de ser. Porque eu adoro seu jeito. Cada pedaço dele, cada loucura sua.
– Fico! Eu prometo que vou saber ceder também. Não vou exigir que você seja perfeito, porque eu não sou. Não dá pra ser inflexível.
– Sim Mari, vamos ser flexíveis!
– Vamos! Um grande amigo meu me ensinou que é possível combinar estilos. É só saber se adaptar. Ele me mostrou na prática que dá certo sim. E é exatamente por termos esses estilos diferentes que o resultado final fica interessante!
– Tenta combinar comigo então?
– Já estou tentando!
E ele beijou meu sorriso, de um jeito que só o Pedro sabia fazer.
Você terminou Olhos de Mariana
Fred Elboni