Peças de Teatro de Camilo Castelo Branco
Cena Iv
O BARÃO E O MORGADO
MORGADO
Tenho pena dela, coitada! Em quanto a mim, a rapariga tem paixão de alma pelo tal troca-tintas! Deu-lhe para ali a pancada...
BARÃO
É uma cegueira; mas espero que hoje se lhe abram os olhos.
MORGADO
Isso não é mau; e se não é segredo, diga lá como há de ser isso de lhe abrir os olhos.
BARÃO
Conto com a sua discrição, morgado, e não duvido dizer-lhe o que há, porque já sei quanto V. S.A. fez em obséquio ao meu nome, embaraçando que o desafio tivesse algum resultado funesto.
MORGADO
Ah! Então o senhor já sabia, e estava a faze-lo tolo...
BARÃO
Sabia; mas queria que a minha filha se envergonhasse de ser a heroína da história.
MORGADO (Espantado)
De ser quê?! Faz favor de dizer outra vez essa palavra.
BARÃO
A heroína da história que o morgado ia contar.