Peças de Teatro de Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco · Capítulo 43 de 53

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Peças de Teatro de Camilo Castelo Branco

Pessanha

Como sei que é filha obediente...

 

D. LEOCÁDIA

Mas injuria meu pai, julgando-o capaz de me impor despoticamente um semelhante marido!... Nem falemos nisso, que mo enoja.

 

PESSANHA

Prima Leocádia, tem reconhecido que eu a amo e prezo com todas as veias da minha alma?

 

D. LEOCÁDIA

Não duvido, primo Pessanha.

 

PESSANHA

Há uma hora estavam mortas as esperanças de identifica-la à minha existência; mas a fatalidade é inexorável. Não posso esquecê-la. Não posso culpa-la, senão para perdoar-lhe logo.

 

D. LEOCÁDIA

A indulgência é a primeira virtude das almas generosas. Fez um acto de caridade, perdoando-me.

 

PESSANHA

Não sei quando a prima é irónica ou ingénua.

 

BARÃO

Não lia ironia alguma. Leocádia, eu dei ao teu primo a minha palavra de cavalheiro de que serás sua mulher. O teu coração confirma a palavra de honra do teu pai?