Peças de Teatro de Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco · Capítulo 32 de 53

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Peças de Teatro de Camilo Castelo Branco

Morgado

Quero dizer... Idiota, que tem lá umas ideias desarranjadas...

 

BARÃO

Mas isso é uma grande injustiça que o morgado faz a Leocádia. A minha filha é uma menina esmeradamente educada. Tem talento e leitura; mas os dons do espirito não prejudicam as boas qualidades do coração. Se a vaidade de pai me não engana, ouso profetizar ao homem que esposar a minha Leocádia, uma vida venturosa.

 

MORGADO

Um... Não me cheira, e há de perdoar. A sua filha tem pancada, e tem mau génio. Não a viu ainda agora assanhada como uma cobra?

 

BARÃO

Mas não viu com que docilidade ela obedeceu e chorou arrependida do seu ímpeto de mau génio? Creia que a minha filha tem uma boa alma, e os cuidados de esposa hão de torna-la branda, afetuosa, e boa para todos.

 

MORGADO

Não acho isso muito bom para um marido, Sr. Barão. Se eu fosse o marido, queria que ela fosse boa só para mim. Eu cá penso assim.