Peças de Teatro de Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco · Capítulo 46 de 53

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Peças de Teatro de Camilo Castelo Branco

Morgado

Apoiado! O meu mano frade também diz isso.

 

LEITE

Saber morrer é a suprema das coragens, Sr. barão, e saber calar a dor sem responsabilizar alguém por ela, é a suprema das virtudes.

 

PESSANHA (À parte)

É ridículo este galã de farsa!

 

D. LEOCÁDIA (Comovida)

É uma nobre e poética alma, Sr. Leite. Aperte a mão de uma amiga, que lhe recebe o seu ultimo adeus com a simpatia da admiração, e a saudade dos corações que aspiram a um mundo melhor que este.

 

MORGADO (limpando as lagrimas ao pé da baronesa que também chora)

Nós, os velhos, não servimos para isto, Sra. baronesa. Somos dois corações sensíveis. (A baronesa retira-se com um gesto desprezador).

 

LEITE

Vejo que inspiro sentimentos de piedade; mas não vim a solicita-los. Poderia ser desprezível aos olhos dos outros; mas aos meus próprios... não o seria jamais. Eu não peco a ninguém admiração, nem simpatia, nem saudade, que não seja a de simples e sincera afeição que se deve a quem nos respeita e presa.

 

MORGADO (chorando)

Acabe lá com isso por quem é homem! Eu nunca chorei tanto na minha vida.

 

BARÃO

Todos sofremos ...